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domingo, 23 de setembro de 2018

Hoje, celebrámos o Equinócio do Outono, 23 de Setembro 2018, nos Templos do sol, aldeia de Chãs, de Foz Côa, numa manhã, que mais parecia ser do Verão que se despede de que do Outono, que entra, com belos poemas de vários poetas

Jorge Trabulo Marques - Jornalista, foto-jornalista, investigador e coordenado deste evento - Autor da descobertas dos vários alinhamentos aqui existentes. - Ainda temos vídeos por editar

O maciço dos Tambores, a curta distância da aldeia de Chãs, de Vila Nova de Foz Côa, foi uma vez mais o cenário evocativo para assinalar a celebração do Equinócio do Outono Em cerimónia simples, mas de expressivo simbolismo, pendor místico e histórico, frente ao portal do antigo altar sacrificial do santuário rupestre, conhecido por Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, com belos momentos de poesia, bem-dizendo e festejando os dias da estação mais nostálgica do ano 

– Com amável e  simpática colaboração de um grupo de amigos, numa cerimónia simples mas plena de brilho e de luz, num misto de poesia e de caloroso misticismo, demos as boas-vindas à entrada do Outono, numa manhã radiosa e quente, que mais parecia ser do Verão, que agora se despede, que do Outono, que hoje entrou – Justamente, no dia em que, a luz se reparte com a das trevas, em que o dia e noite, tem aproximadamente a mesma duração de 12 horas, o que só sucede, e durante todo o ano, na linha do Equador


CELEBRÁMOS O EQUINÓCIO DO OUTONO, COM A LEITURA DE VÁRIOS POETAS, NUMA MANHÃ ESPLENDOROSA DE  SOL  - Com poemas de Manuel Daniel, natural de Meda, concelho limítrofe ao de Foz Côa, assim como de mais três poetas, aqui nados e criados, Hamilton Tavares,  Jorge Maximino e José Augusto Margarido – E lembrámos também a poesia, alusiva ao sol e à estação outonal, ao mítico,  Amenófis IV; John Keats; Rosalía de Castro, Gomes, Leal, Fernanda de Castro, Manuel Alegre, Dom Manuel dos Santos, Bispo da Diocese de STP, Assunção Carqueja e do jovem Henrique Tigo




Esta é a  estação marcada por migrações de animais e pelas colheitas e o cair da folha de muitas árvores, recebemo-la hoje no recinto amuralhado do Santuário Sacrificial da Pedra da Cabeleira, localizado numa zona castreja em Chãs, concelho de Vila Nova de Foz Côa.

O enorme penedo está orientado no sentido nascente-poente e possui uma gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento, que é iluminada no seu eixo no momento em que o Sol se ergue no horizonte, proporcionando uma imagem invulgar

Castro do Curral da Pedra
Está situado no lugar de Quebradas-Tambores, num rochoso planalto sobre o Vale da Ribeira de Piscos, em cujo curso se situam alguns dos principais núcleos de gravuras rupestres classificados como Património da Humanidade. Mas o fenómeno poderá começar a ser visto de véspera, a 21, Domingo – Oportunidade excelente para principiar bem um santo dia. Num local agreste mas encantador - Longe do habitual bulício urbano, em perfeita comunhão com a Natureza e com os olhos postos numa das mais belas imagens solares!!

Alcandorado na vertente do afloramento granítico, e num ponto predominante, existe ainda um outro calendário pré-histórico, conhecido pela Pedra do Sol, apontado ao pôr-do-sol do dia maior do ano. onde decorrem as celebrações do Solstício do Verão, já consideradas como o Stonehenge português.A primeira referência ao Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora. foi feita por Adriano Vasco Rodrigues, no seu estudo publicado em 1982, sobre a História Remota de Meda., que o classificou como local de culto ou de sacrifícios.


EQUINÓCIO DO OUTONO FESTEJADO TAMBÉM NO PEQUENO ALTAR ONDE ERGUEU OS BRAÇOS O POETA E JORNALISTA FERNANDO ASSIS PACHECO, EM 1995, UM MÊS ANTES DA SUA MORTE, -  Mais tarde, em 2001, quando descobrimos ali os alinhamentos solares com o nascer e pôr-do-sol, no ciclo das estações do ano,  batizámo-la  de Pedra dos Poetas, tendo elegido o caprichoso altar  como um local de peregrinação e evocação poética, tendo passado ali a ler poemas alusivos ao sol e às estações do ano ou à espírito sensível dos inspirados pela Natureza ou pelas Musas 


“O MAR DA MINHA TERRA É DE GRANITO” – Diz o poeta, escritor, dramaturgo, jornalista e advogado,  Manuel Daniel, natural de Meda, mas que , depois de ter peregrinado por várias partes do pais, dedicado à causa pública, em Pombal, S. João da Pesqueira, Reguengos de Monsaraz, Guarda, nas tesourarias e repartições de Finanças,   acabaria por  se fixar em Vila Nova de Foz Côa, a cuja cidade se entregaria com grande amor e paixão, como se fosse terra sua, tendo aqui exercido, a par do trabalho da advocacia e do jornalismo e  de um intenso gosto pela literatura, que desde bem cedo cultivou, com vários livros publicados nos diferentes géneros literários.

Pedro Daniel  - filho de Manuel Daniel 
MANUEL DANIEL - HOJE OS OLHOS DO POETA JÁ NÃO PODEM CONTEMPLAR A LUZ DO DIA  - ESTÁ COMPLETAMENTE CEG  - 

Mas nós não o esquecemos de, uma vez mais, ali lermos, com muito gosto,  versos de sua autoria, justamente  no pequeno altar dos poetas, onde, no solsticio de Junho de  2011, ali ergueu a sua voz para se associar  à evocação   do poeta Fernando Assis Pacheco

Sim,  foi sobre aquela caprichosa pedra, que, o  jornalista e escritor português, um mês antes da sua morte, ali ergueu os braços, como expressão da sua alegria a estes sagrados e encantadores lugares, nomeadamente, depois de ter andando anichado no interior da gruta da Pedra da Cabeleira de Nº Sra, que, naquela altura, embora  já classificada pelo investigador e professor,  Adriano Vasco Rodrigues, como local de culto ou de sacrifícios,  ainda se desconhecia de que era também um fantástico calendário pré-histórico.


Manuel Daniel, compreendendo a importância do poeta, quis dar-nos o prazer de se associar à singela homenagem, três anos depois, de ali termos contado  com a presença dos dois filhos do poeta e de  de Maria do Rosário Pinto Ruella Ramos - mulher do falecido

EIS A RAZÃO PELA QUAL O POETA  FERNANDO ASSIS PACHECO, ALI ERGUEU OS BRAÇOS NOS  QUATRO QUADRANTES DA TERRA 

solstício 2008
Ao regressarmos  do  Castro do Curral da Pedra, e, vendo-o no seu rosto, um tal encantamento , sugeri-lhe para erguer os braços numa pedra, em forma de altar que estava ali junto a um dos muros da área castreja. Era Outubro, com o outono, já matizar as folhas de mil aguarelas ou mesmo já a desprende-las – Curiosamente, um mês depois, despedir-se-ia da vida para sempre


DESLOCOU-SE  AO LUGAR DOS TAMBORES – Um mês antes da sua partida para a Eternidade


Foi em Outubro de 1995. Estava-se em plena polémica das gravuras. Encontrei-o a meio da tarde desse dia, em Foz Côa, e já de regresso do Vale do Côa, para onde fora destacado, em reportagem, pela revista Visão. Embora visivelmente cansado da jornada, saudou-me com um ar de muita satisfação e alegria, parecendo não dar por perdido o esforço da sua missão, cujo contentamento acentuou ainda mais quando me perguntou se eu era daqui. Respondi-lhe que era natural de uma aldeia que também tinha bonitas gravuras, no seu termo, as da Quinta da Barca, junto ao Côa, e uma fragas muito curiosas, nas proximidades, que gostaria que visitasse.


Junho 2008  - Rosa Ruella - Filha  de Fernando Assis Pacheco 
A PEDRA DA CABELEIRA - QUE ELE VISITOU – JÁ ERA  UM ANTIGO LOCAL DE PEREGRINAÇÃO DA ALDEIA E ATÉ ESTUDADO  - MAS LONGE DE SE SABER QUE ERA TAMBÉM UM  ANTIQUÍSSIMO CALENDÁRIO ASTRONÓMICO  - ATRAVESSADA PELO SOL NOS EQUINÓCIOS.

.E foi então que, acendendo amavelmente ao meu convite, surgiu a oportunidade de se deslocar, com o repórter fotográfico, José Oliveira, até à Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, bem como a outros locais da área, que o deixariam verdadeiramente encantado, tendo mesmo prometido ali voltar! – E longe ainda de se saber que existiam os tais fenómenos solares, que, mais tarde, eu pessoalmente haveria de descobrir E muito menos de se imaginar que esta seria a sua despedida para sempre?
JÁ SE HAVIA POSTO O SOL QUANDO DALI SAÍAMOS - E também já estava a fazer-se demasiado tarde para a longa viagem que tinham pela frente, até Lisboa. Ao vê-lo tão feliz , quando descíamos do alto do Castro do Curral da Pedra, onde se avista uma panorâmica, de raro alcance e beleza, e ao passarmos junto a uma pedra que parecia quase um pequeno altar, disse-lhe: Olha, Fernando! Já que vais tão contente, sobe para aquela pedra e agradece ali aos deuses que aqui foram adorados, pelos antigos povos; agradece-lhe a tua vinda aqui! E assim fez, irradiando uma enorme alegria, abrindo espontaneamente os braços aos céus, num largo e expressivo sorriso, voltando-se em várias posições para com os quadrantes da Terra e repetindo umas palavrinhas que, em jeito de evocação, eu lhe dissera. A última das quais foi com a mão esquerda estendida ao longo do corpo e a direita apontando para onde se havia posto o sol! – Hoje quando revejo essa imagem só penso numa coisa: que aquela direcção para onde ele então apontava, só poderia estar já a indicar-lhe o caminho da eternidade!... O caminho dos deuses! Como não tinha película na máquina, pedi um rolo emprestado ao José Oliveira. Ele foi ainda mais generoso, registou o momento e deu-me o negativo.




A MORTE UM MÊS DEPOIS - Um mês depois, e justamente quando dali regressava a casa, ao ligar o rádio, qual não é o meu espanto e a minha tristeza quando ouço a notícia da sua morte, que o surpreendeu com uma mão cheia de livros à saída da livraria Bucholz, em Lisboa.

Foi a 30 de Novembro, aos 58 anos .No dia seguinte dirigi-me à mesma pedra e, com ajuda de um pequeno cinzel, fixei, dentro de um pequeno triângulo, as iniciais do seu nome, como singela homenagem à sua memória. Depois disso, já por lá passei muitas vezes, e, sempre que por ali passo, não deixo de o imaginar lá, com a mesma postura e expressando aquele seu largo sorriso aberto, que, aliás, lhe era tão familiar e que os seus entes queridos e muitos amigos, dificilmente esquecerão.



Imagem de José Oliveira -Fotógrafo da Visão - a Fernando Assis Pacheco

.Olá Fernando! ainda te vejo
Ali a sorrir e abrir os teus braços!


Na verdade, sempre que por ali vagueio,
por aqueles ermos lugares da minha aldeia,
não deixo de me lembrar de ti,
como se estivesse
ainda a ver-te abrir os braços aos céus,
coroados por aquele teu largo sorriso,
que te era tão pessoal, tão genuíno e tão teu!

Olhando à volta, ainda lá vejo recortado
o teu vulto, como que projectado
na linha do sol posto,
recortado com um perfil humano
por todo o espaço!
Vejo-te ainda com uma das mãos,
estendida ao longo do corpo
e, com a outra, apontada ao crepúsculo
com aquele olhar compenetrado,
como se quisesses descortinar
o que haveria para lá da mancha doirada
e rosácea, que se estendia acima do horizonte,
ao longo da extensa cordilheira dos montes,
e no sentido de sul para norte,
muito para lá do vale e da sinuosa linha,
onde o sol, momentos antes, se havia despedido
daquele nostálgico fim de tarde outonal.
Ao qual tu agora te rendias, plantado
no centro daquela pedra,
num gesto tão aberto, num esgar
tão vigoroso e arrebatado!…
- Oh ímpetos incontrolados da alma!
Oh misteriosos delírios de luz!
Oh trágicos prenúncios, inesperados símbolos da vida! –
Não era quereres respirar a pureza daqueles largos ares
ou sentires a emoção da plenitude da sua beleza
- oh misteriosas alturas! - mas tocares,
bem de perto, com o teu peito, o teu coração
e as tuas mãos, os místicos confins do Cosmos,
as maravilhas, os enigmas do Infinito!


2008 - João Canto e Castro
Como se já intuísses ou adivinhasses
através dos teus versos proféticos
- ó poeta do “OS ÚLTIMOS DESEJOS”,
cujo repto há muito havias lançado -
que o verdadeiro caminho que te esperava,
Era “ voar como os Anjos”
Seguires em frente, a poente - além
do vasto e esmorecido horizonte…

E, talvez, tomasse então a via
onde o sol se havia escondido,
instantes antes, suave,
nostálgico, chamejante e triste….
Naquela direcção, entre os quatro pontos,
onde estendeste a mão e mais te fixaste,…
E que ali se abria, escancarava,
tão amplamente e tão misteriosa,
ao teu olhar rendido e emocionado,
como se, de facto, aquela via
fosse a grande estrada, premonitório,
que, ali, já previamente, traçavas
a caminho da indecifrável eternidade!


Maria do Rosário Pinto Ruella Ramos - mulher do falecido poeta e os seus dois filhos:João Ruella Ramos Assis Pacheco; Rosa Ruella Ramos Assis Pacheco - num convívio com a população local, que teve lugar após a

celebração do solstício e a cerimónia de homenagem a Fernando Assis Pacheco.

Fernando Assis Pacheco nasceu em Coimbra, Portugal, em 1935. Faleceu em Lisboa, a 30 de Novembro de 1935  - Jornalista, critico, tradutor e escritor  

 Estreou em 1963 com o livro Cuidar dos vivos, cujo título define, desde a primeira capa, toda uma atitude frente à tradição e o trabalho poético, e é considerado por muitos um livro-marco daquela década na poesia portuguesa.


 Licenciado em Filologia Germânica, esteve ligado aos grupos teatrais académicos durante os seus estudos universitários, em Coimbra. Após um período de mobilização na guerra colonial, em Angola, enveredou pelo jornalismo, estreando-se no Diário de Lisboa, em 1965. Colaborou em publicações literárias e em vários jornais, como o República, O Jornal, o Se7e, o Jornal de Letras (de que também foi redactor) e o Record. Era, à altura da sua morte, redactor da Visão. Participou, ainda, em programas de rádio e televisão, foi autor de poemas musicados por compositores portugueses e de textos e diálogos para documentários e filmes. Dedicou-se também à tradução. Como escritor, Assis Pacheco não esteve ligado a qualquer escola literária. Os seus textos, ao mesmo tempo que reflectem um esforço de pesquisa e experimentalismo na língua portuguesa, são fortemente marcados por uma intenção de crítica social e pela experiência da guerra colonial portuguesa. Publicou, durante muito tempo, pequenas tiragens em edição de autor, com os títulos A Profissão Dominante (1982), Nausicaah! (1984) e A Bela do Bairro e Outros Poemas (1986), o que não impediu a imposição do seu nome na moderna literatura portuguesa. Estreou-se com o volume de poesia Cuidar dos Vivos (1963), a que se seguiram Câu Kiên, um Resumo (1972, título vietnamita com o qual pretendia iludir a censura salazarista e que saiu, em 1976, como Catalabanza Quilo e Volta), Viagens na Minha Guerra (1972), Siquer Este Refúgio (1976), Memórias do Contencioso (1976), Variações em Sousa (1987) e Musa Irregular (1991). Na ficção em prosa, foi autor de Walt (1978) e do romance Paixões e Trabalhos de Benito Prada (1993) – Mais pormenores em https://www.escritas.org/pt/bio/fernando-assis-pacheco E também em  https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Assis_Pacheco



AMÁVEIS  ESTES SAGRADOS LUGARES QUE ME GERARAM E CRIARAM





Temos mais vídeos e imagens por editar, que, por razões técnicas, neste momento não o podemos fazer 







sábado, 22 de setembro de 2018

CELEBRAÇÃO DO EQUINÓCIO DO OUTONO 23 SETEMBRO, 2018 - É JÁ AMANHÃ NOS TEMPLOS DO SOL - NO PLANALTO DO MACIÇO DOS TAMBORES, ALDEIA DE CHÃS - V N. DE FOZ CÔA - Com Momentos de poesia e de esplendorosos raios solares - Veja neste post os contributos científicos que recebemos de vários investigadores, após a nossa primeira descoberta, em 2001

Jorge Trabulo Marques - Jornalista, investigador e coordenador do evento – Não deixe de ver também o anterior post

DEPOIS DA FESTA DO SOLSTÍCIO DO VERÃO, EM 21 DE JUNHO PASSADO, AI TEMOS A SAUDAÇAO AO EQUINÓCIO DO OUTONO,   VENHA CONTEMPLAR OS RAIOS DO SOL, ATRAVESSANDO A SAGRADA GRUTA DE PEDRA  DA  CABELEIRA DE Nª SRA  -





É um local mágico, pleno de história e de misticismo, dos tais lugares da terra onde a beleza e o esplendor solar se podem repetir à mesma hora e com a mesma imagem contemplativa de há vários milénios pelos povos que habitaram a área. Que se espera venha a ocorrer se as condições atmosféricas o permitirem, durante os vários minutos em que a cripta do enorme penedo é atravessado pelos raios solares da manhã.


AQUI, NOS TEMPLOS DO SOL, DESLUMBRAM-SE OS OLHOS E BATE MAIS FORTE O CORAÇÃO NO VENTO DA EMOÇÃO - O EQUINÓCIO DO OUTONO, É JÁ MANHÃ - 23-09-2018 às 08.00 –" Tu és belo no céu... oh! Sol vivo! Quando te levantas a leste /enches todas as terras com tua beleza!

Aqui, maravilham-se os olhos e   poesia fala mais ao sentimento! No vídeo momentos de poesia, ditos pelo Prof, Adriano Vasco Rodrigues, quando, há 3 anos, aqui lemos vários poemas da sua falecida esposa MARIA DE ASSUNÇÃO CARQUEJA, que, uma vez mais, ali vamos recordar


Aqui, nos Templos do Sol, aldeia de Chás, de Vila Nova de Foz Côa, celebramos as estações do ano com emocionantes momentos de poesia e o esplendor dos raios solares, quer quando se despedem no dia maior do ano – como seja no solstício do Verão -  quer, quando, pouco depois do o sol se levantar a nascente,   atravessam a gruta do  mais impressionante e monumental  leque de granito, que parece desafiar as leis da gravidade   -








AMANHÃ, DAS 08.00 HORAS, ÀS 08.30  Venha celebrar connosco o Equinócio do Outono,  23 de Setembro 2018, a nossa já tradicional festividade aos ciclos da Mãe-Natureza, em perfeita comunhão com a beleza e amplitude dos espaços envolventes, das poderosas energias telúricas revitalizadoras que ali se refluem, como poderosos condensadores-refletores,  entre o infinito dos céus e a terra, num sagrado local, junto ao majestoso pórtico de uma das mais surpreendentes maravilhas da Pré-história., no sopé do altar sacrificial do Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira, arredores da aldeia de Chãs, Monte dos Tambores, Vila Nova de Foz Côa



PEDRA DA AUDIÇÃO - ONDE A VOZ ENCONTRA UMA PODEROSA RESSONÂNCIA  - LUGAR DE ORAÇÕES  - PARA MAIS FACILMENTE A SUA VOZ SOAR PELO INDIGITO DE DEUS 



Use as vestes mais brancas ou claras do Verão que se despede. sobretudo se lhe deixou boas lembranças, e, se souber tocar algum instrumento musical, levo-o consigo para o tocar sentado na pedra da audição, uma câmara de ressonância em forma de ouvido, visto ali os sons, além de lhe vibrarem intensamente no peito e na alma, parecem até expandir-se por todo o Universo - 


Sim, finda a cerimónia, aproveite para se sentar na Pedra da Audição,, que fica mesmo lado da Pedra da Cabeleira de Nº Srª, tendo o cuidado de não  soltar dos improvisados altares  as duas imagens que ali foram colocadas por ação de graças de algum peregrino  -   Ao mesmo tempo, em silêncio ou em calorosa voz, faça o pedido do sonho ou do desejo que mais gostasse de ver realizado, pois verificará, com surpresa,  que as suas palavras ali encontrarão como que um poderoso emissor astronómico, capaz de lhe levar a sua mensagem aos mais infindos espaços



O início do outono acontece todos os anos a 22 ou 23 de setembro. 

Em 2018 o início do outono em Portugal ocorre às 01h54 do dia 23 de setembro.

Equinócio do Outono  -O início do outono é também conhecido como equinócio do outono. Este é o nome que se utiliza na astronomia para o fenómeno que marca o final do verão e chegada da nova estação, o outono.





Castro do Curral da Pedra
O equinócio de outono assinala o instante em que o sol, tal como o vemos a partir da Terra, cruza o plano do equador celeste, o que se verifica em Setembro no hemisfério norte e em Março no hemisfério sul.





O outono do hemisfério norte é o "outono boreal" enquanto o outono do hemisfério sul chama-se "outono austral".

A estação traz consigo mais frio e chuva, e também as folhas amarelas e vendedores de castanha que se espalham pela cidade. https://www.calendarr.com/portugal/inicio-do-outono/


TAMBÉM AQUI OS SÍMBOLOS TRANSMITEM  A SUA LINGUAGEM 



O maciço  dos Tambores, a curta distância da aldeia de Chãs, é uma vez mais o cenário evocativo para assinalar a celebração do Equinócio do Outono  das estações do ano – Eventos que já se impuseram, naturalmente, nas celebrações dos calendários pré-históricos mundiais,   pela sua visível ligação ao passado histórico antiquíssimo destes mesmos lugares, visto já terem merecido a cobertura quer da imprensa nacional quer estrangeira - E até pelas televisões portuguesas.

O SÍMBOLO DA ESPIRAL – EXISTE NO FRONTISPÍCIO  DA PEDRA DA CABELEIRA DE Nª SRª  - Veja um dos seus significados: espiral traduz  “as noções de ciclo (o ciclo do Sol e da Lua), de movimento rotativo”




"Este símbolo  universal que no Ocidente se encontra com grande profusão na arte megalítica e na arte rupestre mas também de forma simplificada - no enrolamento da extremidade dos báculos de xisto do megalitismo alentejano. Simboliza o movimento, cabendo-lhe diversas acepções. Pode ser expansiva ou contractiva conforme o seu movimento se faça para o exterior de forma centrífuga ou para o interior de forma centrípeta. Significa, por isso, a vida e a morte, mas também o renascimento atendendo à sua dupla expressão. 



Anda por sua vez ligada ao simbolismo dos círculos concêntricos - que por vezes parecem substituí-la em formato simplificado - e com o do labirinto. Pode, igualmente, simbolizar a Lua que decresce e cresce, desaparece e volta a nascer de forma cíclica. Efectivamente, a chave para o entendimento da espiral são as noções de ciclo (o ciclo do Sol e da Lua), de movimento rotativo (o dos asterismos no céu em torno do Pólo), de renascimento e renovação - que simboliza através da sua dupla dinâmica- e de entrada e saída do ventre materno (nascimento), no dólmen (morte e renascimento) e no labirinto. Encontra-se associada ao elemento água (do qual reproduz os movimentos ondulares ou o movimento junto a um pego que a absorve), a eventuais imagens entrevistas em estados alterados de consciência e ao caminho iniciático e obrigatório que se percorre no sentido da entrada em-si (introspecção e concentração) ou de saída de-si (iniciação e expansão). A espiral encontra-se por sua vez ligada ao simbolismo da concha dos moluscos como o caramujo ou o caracol (nomes antiquíssimos, com radical em KAR) ou o búzio.  Do Livro LUGARES MÁGICOS DE PORTUGAL  - De Paulo Ferreira

Olho de Horús

SIM, ESTA SIMBOLOGIA NÃO É  MERA COINCIDÊNCIA  - "O Olho de Hórus era o Deus egípcio do sol nascente e era representado como falcão. Era a personificação da luz e a tinha como inimigo Seth, o deus da desordem e violência. Teve a sua origem no Egito Antigo e representa valores importantes como força, coragem, proteção e saúde. A sua imagem é um olho humano com pálpebras, sobrancelha e íris  - Olho de Hórus, também conhecido como udyat, é um símbolo que significa poder e proteção. O olho de hórus era um dos amuletos mais importantes no Egito Antigo, e eram usados como representação de forçavigorsegurança saúde.

“O MAR DA MINHA TERRA É DE GRANITO” – Diz o poeta Manuel Daniel -Agora cegoMas, em 2011, a sua voz ergueu-se na Pedra dos Poetas para homenagearmos Assis Pacheco - Os seus belos versos fazem parte das tradicionais celebrações evocativas - São indissociáveis, de entre os poetas que ali vamos evocar na manhã do dia 23, aldeia de Chãs, de V.N. de Foz Côa: Orlando Marçal, Hamilton Tavares, Jorge Maximino - José Augusto Margarido - Amenófis IV; John Keats; Rosalía de Castro, Gomes, Leal, Fernanda de Castro, Dom Manuel dos Santos, Bispo da Diocese de STP, Assunção Carqueja e Henrique Tigo





MANUEL DANIEL – UMA VIDA INTENSA E MULTIFACETADA – ADVOGADO, POETA, ESCRITOR, DRAMATURGO E O HOMEM AO SERVIÇO DA CAUSA PÚBLICA
A sua vida tem sido pautada pela dedicação, mas também pela descrição. Atualmente, debatendo-se com extremas limitações da sua vista, por via de ter ficado completamente cego, no entanto, pese tão dura limitação, nem por isso a verve do poeta se esgota e, dentro do que lhe é possível, com apoio amigo da família, lá vai compondo os seus versos e editando livros. Em cujos poemas perpassa o que de melhor têm a poesia portuguesa - Domina com mestria os mais diversos géneros poéticos e neles se expressa, a par de um profundo sentimento de religiosidade, o amor à terra, à natureza, aos espaços que lhe são queridos, suas inquietações e interrogações, sobre a efemeridade da vida e o destino do Homem - Em Manuel Pires Daniel, não há jogo de palavras mas palavras que vêm do coração, que brotam naturalmente, como água da melhor fonte, que corre das entranhas do xisto ou do granito da nossa terra.
Pedra do Sol Cabeleira de Nª Srª 40º 59´ 39.94" N - 7º 10´ 35-46" W  O
Associe-se e celebre connosco o dia em que luz se reparte igualmente pelas trevas da noite




"Não foi razão que os antigos Persas edificaram/as aras nos mais elevados lugares, no cume/das montanhas que contemplam a terra, e assim escolhem/um templo verdadeiro e sem muros, onde encontram/o Espírito para quem tão pequeno é o valor dos santuários erguidos pelas nossas mãos. /Vinde então comparar colunas e altares de ídolos, góticos ou gregos,/com os lugares sagrados da Natureza, a terra e o ar,/e não vos confineis a templos que limitam as vossas preces.”  Byron


..





O enorme penedo, orientado no sentido nascente-poente, possui uma gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento e sensivelmente a mesma altura, que é iluminada pelo seu eixo, no momento em que o Sol nasce. Admite-se ter sido erguido e cultuado por antigos povos que se fixaram no maciço granítico dos Tambores, Mancheia e Quebradas, aproveitando-se dos seus penhascos rochosos como defesa e abrigo natural e, como fonte de sobrevivência, as bagas e os frutos das  espécies  autóctones e das produzidas no  fertilíssimo vale da Ribeira Centeeira,  dos Picos, que lhes ficava sobranceira


ESTE É  O STONHENG PORTUGUÊS




A curta distância deste local, encontra-se  a PEDRA DO SOLSTÍCIO, - que se ergue na vertente a oeste do castro do Curral da Pedra -  Este enorme megálito, observado perpendicularmente ao seu eixo, ou seja, com o sol a pôr-se sobre o horizonte no dia maior do ano, com o centro de uma cova circular a uns metros da sua base a oriente, toma a forma de uma imponente esfera, porém, quando vista, quer do quadrante sul ou do quadrante norte, toma a configuração de um crânio humano: de um lado, semelhando-se mais ao de uma cabeça feminina, do outro, a um crânio masculino  - 

Curiosamente, também a Pedra da Cabeleira de Nº Sra vista na parte traseira, voltada a oriente, faz lembrar um gigantesco crânio humano  pronto a ser decepado -  O enorme penedo, orientado no sentido nascente-poente, possui uma gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento e sensivelmente a mesma altura, que é iluminada pelo seu eixo, no momento em que os raios solares do nascer do sol, começam assomar por cima do muro do recinto onde se situa o santuário rupestre e por detrás do enorme megalítico,   que, visto desta posição, nascente-poente, toma a forma de um gigantesco crânio, ponto a ser decepado  - Daí o facto, do investigador e Prof. Adriano Vasco Rodrigues, com base nesta e outras observações, admitir  a possibilidade de ter-se tratado de um local do culto do crânio  ou de sacrifícios 



Houve um tempo, já recuado, ou seja o tempo da cultura megalítica, em que, gigantescas pedras foram erigidas e transformadas em dolmens, cromeleques, menires, megálitos, e, mais tarde - em posteriores civilizações - , toscamente estilizadas e talhadas em enormes estátuas, como sejam as, atualmente famosas estátuas da Ilha da Páscoa, enigmáticas figuras gigantes com os olhos voltadas ao céu, ou ainda, nos Andes, a não menos impressionante estátua de Tihahuanaco, ou da gigantesca porta do sol, talhadas num único bloco de andesite, presume-se que da cultura Asteca, expressando a  mais estreita aliança entre o céu e a terra e a união do espírito com a matéria - Isto para já não falar do circulo de Stonehenge. das famosas pirâmides do Egito e de outros imponentes altares do género, noutros pontos das Américas, da Europa (Grécia, Inglaterra, por exemplo)China, Índia, e em tantos outros pontos do mundo. Os templos do sol, no afloramento granítico dos Tambores, Mancheia e Quebradas, fazem parte dessa majestosa herança.

ALINHADOS COM O  INÍCIO DE CADA UMA DAS  ESTAÇÕES  DO ANO

São conhecidos por alinhamentos sagrados, remontam ao período megalítico e existem em várias partes do mundo, mas sobretudo na Europa. Sendo o mais famoso o Stonehenge. Muitos destas gigantes estruturas estão em perfeito alinhamento com os corpos celestes, especialmente com os Equinócios e os Solstícios - Perpetuam memórias de verdadeiros calendários astronómicos, que antigas civilizações elegeram como especiais locais de culto – No maciço dos Tambores

UM DOS PONTOS NODAIS DAS VEIAS TELÚRICAS DA TERRA

“Dirigir-se frequentemente a determinados lugares que tenham uma carga mística, ou, pelo menos, de vez em quando, a banhar-se um pouco naquele ambiente  é algo que alimenta a nossa alma. 


Naturalmente, uma consciência sujeita a este estado tem necessariamente de sofrer alguma alteração, uma transmutação tanto mais forte tanto o impacto sofrido pela compreensão que lhe foi “revelado”. Algo a tocou e a despertou  para um estado superior de compreensão, de uma experiência vivida. Estados destes são muito similares àqueles que nos são relatados  pelos grandes místicos da humanidade  como, por exemplo, S. João da Cruz e Santa Teresa de Ávila. A aquisição de tais conhecimentos  e experiências vividas  nesse “momento de revelação” são fruto de profundos estados de êxtase que, necessariamente, se deverão reflectir em acções.” – Escreveu Eduardo Amarante, em Lugares Mágicos


CONTRIBUTOS CIENTÍFICOS DO PROF. ADRIANO VASCO RODRIGUES



PROF. ADRIANO VASCO RODRIGUES – O PRIMEIRO INVESTIGADOR A DEBRUÇAR-SE SOBRE O ESTUDO DA PEDRA DA CABELEIRA DE Nª SRª

A primeira referência do imponente megálito, foi feita por Adriano Vasco Rodrigues, no seu estudo publicado em 1982, sobre a História Remota de Meda., de cuja investigação aqui transcrevemos, com a devida vénia, um pequeno excerto: 

“Também na freguesia de Chãs, que foi outrora anexa de Longroiva e agora pertence ao concelho de Vila Nova de Foz Côa, localizei, a curta distância da povoação, na Lapa de Nossa Senhora, no interior de um penedo com forma de crânio, um nicho contendo algo que parece a pintura de uma cabeleira humana”


“O penedo tem o seu assento sobre uma vasta superfície rochosa granítica. A face poente está desbastada como uma enorme testa. Na parte interior rasga-se uma abertura com cerca de um metro de diâmetro, que dá entrada para uma espaçosa câmara com o exterior por outra abertura rasgada na face ocidental.”

“No tecto desta câmara notam-se manchas avermelhadas de uma pintura de ferro parecendo resultarem de uma pintura destruída pela erosão produzida pela corrente de ar, estabelecida pelas duas entradas.”..
 TESTEMUNHO DA PRESENÇA CULTURAL
DO HOMEM PRÉ-HISTÓRICO, NESTAS TERRA,
- POR ADRIANO VASCO RODRIGUES,


Natural de Longróiva e Professor na Universidade Portucalense, em Gaia, acedendo a um nosso pedido, amavelmente nos enviou uma breve resenha, a partir das suas pesquisas e das suas investigações, de quase uma vida dedicada à causa do património histórico e cultural destas terras e das suas gentes, e cujo texto, que muito nos honra e que muito lhe agradecemos, aqui transcrevemos:

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O território delimitado pelos concelhos de Meda e de Vila Nova de Foz Côa é de comprovada antiguidade, oferecendo por vezes surpresas e imprevistos arqueológicos. Há mais de 50 anos que venho estudando a Pré-História desta região, tendo em 1956 encontrado testemunhos da presença do Homem do Paleolítico, num abrigo conhecido por Gruta do Cavalinho, onde estava representada a gravura de um cavalo. Esta gruta situa-se perto da Ribeira Teja, na freguesia do Poço do Canto, Meda. Outros testemunhos da arte paleolítica vieram juntar-se a este, principalmente no Vale do Côa e mais a norte do Douro e Vale do Sabor.

Em 1957, tive oportunidade de estudar a fraga conhecida com o nome da Cabeleira de Nossa Senhora, que classifiquei como santuário pré-histórico, integrado cronologicamente na revolução neolítica Pelas suas características sugere a existência de um culto ao crânio, característico, na Península Hispânica, da transição do Paleolítico para o Neolítico, segundo o Prof. Pericot. A identificação com uma entidade feminina, que sofreu consagração à Virgem Maria, acompanhada de lenda popular, sugere um culto inicial à Deusa Mãe, símbolo da fertilidade.

Prof. Adriano Vasco Rodrigues, o 2º do lado direito

O início da agricultura está ligado ao culto da Deusa Mãe, privilegiando a germinação das plantas. Foi trazido do Médio Oriente para o Ocidente peninsular pelos primeiros povos agricultores.

O início da agricultura está ligado ao culto da Deusa Mãe, privilegiando a germinação das plantas. Foi trazido do Médio Oriente para o Ocidente peninsular pelos primeiros povos agricultores.

Junto deste santuário localizei uma pequena cavidade em forma de concha, que poderá ter servido para recolha de sangue proveniente de sacrifícios. Em frente de uma das entradas do abrigo interior daquela fraga, havia uma pedra quadrangular, com 1,5 m. de lado, em forma de arco, que se adaptava perfeitamente, deixando uma abertura suficiente para permitir a entrada dos raios solares..


Um dos vários abrigos existentes 

jornalista Jorge Trabulo Marques, natural das Chãs, do concelho de Vila Nova de Foz Côa, que meritoriamente tem pesquisado toda esta área, levantou o problema de se tratar de um calendário solar, tendo o homem pré-histórico aproveitando este monumento natural e adaptando-o, como se comprovou pela presença da pedra, que atrás referi Esta hipótese não foi levantada despropositadamente, pois está comprovado por testemunhos de períodos coevos em que foram levantados calendários relacionados com a marcação de solstícios de Verão e de Inverno O culto ao Sol é fundamental nas sociedades primitivas e o conhecimento do calendário das estações para poderem fazer as sementeiras O culto à Deusa Mãe e ao Sol dos primeiros agricultores está relacionado


Também já num tempo pré-histórico mais próximo dos nossos dias, temos o exemplo de Stonehenge, convidando à observação do Sun rose e do summer solstice. Na Irlanda, o túmulo chamado New Grange, mostra uma abertura pela qual entra a luz solar no dia do solstício de Inverno percorrendo a câmara até à sua parede final.

Poderei citar muitos mais testemunhos da riqueza pré-histórica da região, os quais localizei através das minhas prospecções, entre eles, necrópoles, grutas, abrigos, castros e dos mais representativos a Estátua-menhir de Longroiva, representando um homem, possivelmente um caçador, acompanhado pelo mesmo equipamento do homem encontrado na geleira do Tirol, em Setembro de 1991, entre a Itália e a Suíça, conhecido por Ossi.
Em declaraçoes à RTP


ADRIANO VASCO RODRIGUES nasceu na Guarda, a 4 de Maio de 1928. É licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras das Universidade de Coimbra (1956), onde fez também o curso de Ciências Pedagógicas. Obteve bolsa de estudo para se especializar em História da Arte Medieval na Universidade de Santiago de Compostela e também o Curso de Língua e Cultura Espanhola. Doutorou-se em História de Arte, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. É Investigador do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto (CEAUP-FL/UP).
Tem uma vasta obra publicada, repartida pelos campos da História e da Arqueologia, passando pela pedagogia, etnografia e história da arte. Escreveu ainda as monografias de várias vilas e cidades
https://www.goodreads.com/author/show/8300060.Adriano_Vasco_Rodrigues~


Adriano Vasco Rodrigues Director Jubilado da Schola Europaea , U.E. Bélgica. Ex-Professor Associado da Univ. Portucalense. Trabalhou em Angola, na década de 1960/70 como Inspector Provincial Adjunto da Educação e colaborou com o Instituto Superior de Investigação Cientifica de Angola. Estas funções levaram-no a percorrer de automóvel mais de trezentos mil quilómetros naquele território, adquirindo profundo conhecimento. Além de responsável pela planificação de cursos de aperfeiçoamento e actualização de docentes do Ensino Secundário e Básico, realizou prospecções e escavações arqueológicas e subaquáticas no mar de Luanda e também estudos no Deserto do Namibe. Organizou com a Dr. Maria da Assunção Carqueja Rodrigues, sua Esposa, a secção de arqueologia do Museu de Angola e a primeira carta da Pré-história daquele país.

Publicou trabalhos sobre educação, pré-história, arqueologia e arte africana, relacionados com Angola.É autor do livro de memórias, De Cabinda ao Namibe,(2010- seg.Edi. 2011).Curriculum de Adriano Vasco Rodrigues


ANTÓNIO SÁ COIXÃO – CLASSIFICOU OS ACHADOS NO MACIÇO DOS TAMBORES, COMO OS PENHASCOS DAS MIL CIDADES


Natural de Freixo de Numão, a este professor e investigador se devem  os primeiros levantamentos arqueológicos do Concelho de Vila Nova de Foz Côa, mas também no vizinho concelho de Meda – Os seus vários estudos são um valiosíssimo contributo para o conhecimento do passado histórico destas terras – Além de nos ter dado o prazer da sua presença nas tradicionais celebrações nos Templos do Sol, também já nos   acompanhou por  algumas das veredas da Mancheia e  Maciço dos Tambores,  que classifica como os penhascos das antiquíssimas mil cidades, dada a profusão de inúmeros sítios de povoados, que ainda hoje podem testemunhar a  presença das várias civilizações que por aqui se fixaram, nomeadamente desde o neolítico, calcolítico, idade do ferro e do bronze.

António Lourenço, Lima Garcia, Sá Coixão e repórter do SOL
É referido na sua biografia que “O arqueólogo foi o precursor dos trabalhos de investigação arqueológica no concelho, projetou os primeiros circuitos turísticos de base cultural e patrimonial e foi ainda o grande responsável pela criação do Museu da Casa Grande de Freixo de Numão. Atualmente, tem em mãos a tarefa de dar vida ao futuro Museu da Arqueologia, localizado na mesma freguesia.


De entre os contributos do homenageado, contam-se também a criação da Associação Cultural Desportiva e Recreativa de Freixo de Numão, a que preside, e a coordenação da publicação anual de ciência e cultura “CôaVisão”. António Sá Coixão, que também foi presidente da Junta de Freixo da vila e vereador na Câmara de Foz Côa, licenciou-se em História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde obteve o grau de mestre em Arqueologia. Os seus trabalhos de investigação mais recentes têm sido divulgados na imprensa regional, nacional e internacional, marcando regularmente presença em revistas de especialidade arqueológica.


ASTRÓNOMO MÁXIMO FERREIRA - CIENTISTA E GRANDE APAIXONADO PELA OBSERVAÇÃO DOS ASTROS E UM BOM AMIGO DOS TEMPLOS DO SOL - DUAS VISITAS AO MONTE DOS TAMBORES: NO SOLSTÍCIO DO VERÃO E NO EQUINÓCIO DO OUTONO  em 2006 -Tendo participado, em junho de 2011, num colóquio organizado pela Câmara Municipal de V. Nova de Foz Côa, sobre a Cosmologia e os Templos do Sol  http://www.vida-e-tempos.com/2011/06/2imagens-do-solticio-do-verao-21.html




O astrónomo Prof. Máximo Ferreira, Coordenador do Centro Ciência Viva de Constância -também aqui se deslocou, já por duas vezes , tendo escrito um curioso artigo na Revista Superinteressante artigo na sequência da sua primeira deslocação um dia depois de celebrarmos o solstício do Verão - Na imagem seguinte, conversando com o Prof. Fernando Baltazar, nosso já saudoso amigo, vitima de um trágico acidente de trator 

Saudoso Prof. Baltazar e o Astrónomo Máximo Ferreira
Mais tarde,em 2006.  foi também nosso convidado a participar na celebração do Equinócio do Outono, só que a manhã foi de chuva, pelo que aproveitámos a sua presença para proporcionar uma aula de astronomia a um grupo de alunos da Escola Secundário, Adão Carrapatoso de V. Nova de Foz Côa 




CONTRIBUTO CIENTIFICO DO PROF  MOISÉS ESPÍRITO SANTO 















MONTE DOS TAMBORES E O CALENDÁRIO RUPESTRE DA ALDEIA DE CHÃS. – Por Moisés Espírito Santo - Estudo inédito amavelmente oferecido por Moisés Espírito Santo, em 2008

"Visitei o monte dos Tambores para observar o calendário rupestre e dei particular atenção aos nomes dos sítios e das pedras que constituíram o calendário. Vou interpretá-los neste artigo"




"O que vou expor não consta nos livros de História de Portugal onde notamos uma crassa ignorância e uma verdadeira fobia quanto à cultura dos nossos antepassados lusitanos Os historiadores e arqueólogos procuram fazer-nos crer que os lusitanos eram uma horde de selvagens, atrasados e ignorantes, quando foram o povo que «durante mais tempo se opôs aos romanos», segundo Estrabão Quer dizer, a resistência dos lusitanos aos romanos durou 200 anos Porquê são assim ignorados pelos historiadores os nossos antepassados? Porque eram libertários e ciosos da sua independência e cultura, e porque se opuseram aos colonizadores Leite de Vasconcelos ousa até dizer que «os lusitanos esqueceram a sua língua; para a descobrir seria necessário consultar a esfinge» Nós diríamos o seguinte: para que um povo esquecesse a sua língua materna em favor da do colonizador, seria necessário que quatro gerações, dos bisavôs aos bisnetos, durante cem anos, se calassem, não falassem entre si, nem uma palavra, enquanto não aprendessem correctamente a língua do colonizador
..

Em qualquer cultura, qualquer aprendiz de investigador pode descobrir a língua que precedeu a actual. O método para isso consiste, entre outros, na interpretação da toponímia, da gíria popular e das expressões codificadas do linguarejar quotidiano como, por exemplo, «morar em cascos de rolha» (muito longe), «andar à paz de pílula» (estar sem dinheiro), «Está de ananazes» (um tempo muito quente), etc. que constam em dicionários especializados. Só os historiadores, arqueólogos e etnólogos portugueses tradicionais se recusam a esse trabalho, por razões ideológicas, para desvalorizar a cultura vencida.
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Por este método, demonstra-se que os lusitanos, antes da introdução do latim/português, falaram a língua dos fenícios ou cartagineses (ou púnicos) que era uma mistura de dialectos ou de línguas com origem nas regiões donde provieram os chamados «fenícios» que, depois, se chamaram cartagineses ou púnicos e que dominaram a Península Ibérica durante, pelo menos, 500 anos (até à vitória do Império romano com o assassinato de Viriato, no ano 140 a.C.). Essas línguas ou dialectos eram: o cananita da Costa Fenícia, o hebraico (em que foi escrito o Antigo Testamento), o acádico, o assírio e o aramaico, falados nas regiões donde provieram os fenícios/cartagineses; essas regiões iam da actual Palestina até aos rios Tigre e Eufrates e ao País dos Hititas (actual Turquia). A antiga língua pode ter ficado por «decalque fonético» ou corrupção de línguas. Os antigos vocábulos adaptaram-se, foneticamente, a palavras da língua actual. Vejamos então os nomes dos sítios em questão..

.Tambores
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É nome do monte onde encontramos o calendário rupestre. Tambores é uma corrupção fonética do vocábulo cananita e hebraico tabor que, literalmente, significa «umbigo» e, metaforicamente, «centro da terra, parte mais elevada da terra, umbigo da terra», quer dizer, um monte sagrado. Jerusalém é classificada de «umbigo da Terra» (Ezequiel 38:12). Também existiu na Palestina (antiga Fenícia) um monte Tabor onde o Antigo Testamento (Juizes, 9:38, Deuteronómio 33:19) situa um santuário hebraico e sobre o qual Jesus se transfigurou perante alguns discípulos (Mateus 17:1-9). O monte dos Tambores, em Foz-Coa, foi um santuário lusitano/fenício ao Sol, como vamos ver..


É nome do monte onde encontramos o calendário rupestre. Tambores é uma corrupção fonética do vocábulo cananita e hebraico tabor que, literalmente, significa «umbigo» e, metaforicamente, «centro da terra, parte mais elevada da terra, umbigo da terra», quer dizer, um monte sagrado. Jerusalém é classificada de «umbigo da Terra» (Ezequiel 38:12). Também existiu na Palestina (antiga Fenícia) um monte Tabor onde o Antigo Testamento (Juizes, 9:38, Deuteronómio 33:19) situa um santuário hebraico e sobre o qual Jesus se transfigurou perante alguns discípulos (Mateus 17:1-9). O monte dos Tambores, em Foz-Coa, foi um santuário lusitano/fenício ao Sol, como vamos ver..

Pedra da Cabeleira.
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É o nome da pedra grande através de cuja fenda se vê o sol nascer nos equinócios. Excluímos a lenda da «cabeleira que Nossa Senhora aí deixou»  por ser uma adaptação recente do nome original à religião católica popular. Como a fenda da pedra serve para ver, nos equinócios, o nascer do sol, Cabeleira é uma corrupção de qabal awra [lê-se: cabalaura] em que qabal (do acádico) significa «no meio, mediano, posição ao meio», e awra (do cananita e hebraico) «aurora, nascer do sol». Portanto qabal awra significou literalmente «posição ao meio do nascer do sol», isto é, «posição do nascer do sol ao meio» do ano, «posição mediana do nascer do sol», sendo os equinócios a posição do sol «ao meio» do seu aparente percurso celeste. Em hebraico, qbl [lê-se: qabal] também significa «aceitar, recolher, acolher»; qbl awra seria então «aceita, recebe, acolhe o nascer do sol», tratando-se duma significação complementar (a fenda acolhe o sol nascente)..

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"Fundador e presidente da Associação de Estudos Rurais da Universidade Nova de Lisboa, do Instituto Mediterrânico da Universidade Nova de Lisboa, do Instituto de Estudos e de Divulgação Sociológica da Universidade Nova de Lisboa e do Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões da Universidade Nova de Lisboa” Moisés Espírito Santo.


"Não há línguas inventadas a partir do nada; todas são decalques e crioulos de outras sobretudo no plano da oralidade; não se cria a partir da língua escrita mas sobre a oralidade anterior” (…) " E os topónimos nunca poderão ser entendidos sem o contexto em que se inserem ou inseriram”. Teses defendidas por um dos mais prestigiados investigadores portugueses, em estudos de Toponímia, com uma obra científica notável e de reconhecimento internacional. Para Moisés Espírito Santo, o segredo das suas pesquisas: é o “ método de terreno” Que “consiste em descobrir a significação do nome a partir do seu envolvimento geográfico e da sua relação com os nomes/sítios vizinhos.” (…) 

“ Os nomes significavam qualquer coisa que existia ou se fazia no local; não eram poéticos nem postos ao acaso das aparências. Significavam o que lá existia ou se fazia: ‘fonte’, ‘encosta’, ‘rio’, ‘porto’, ‘mina’, ‘palácio’, ‘santuário’, ‘feira’… As populações viviam em autarcia. Esses sítios/nomes não necessitavam de outros atributos, uma vez que as populações que os nomearam eram isoladas e podiam não conhecer mais nenhum sítio com esse nome. […] / […] O método etnológico exige, portanto, a observação do terreno ou, pelo menos, o uso duma cartografia minuciosa e alguma informação etnológica sobre os sítios. […]”.
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Foi com base nestes pressupostos, que, o autor da Sociologia das Religiões e de várias dezenas de importantíssimos títulos, partiu à descoberta das origens toponímicas, mais recuadas, no Maciço dos tambores, na aldeia de Chãs, e da sua eventual associação aos templos solares existentes. Deslocou-se ali por duas vezes: no solstício do Verão, a convite da PFI – Associação Cultural Pagã, que ali realizou o seu x congresso anual e participou nas cerimónias evocativas do dia maior do ano. Regressou depois, no Equinócio do Outono, como convidado especial da Comissão Organizadora das Celebrações.



Prof. Moisés Espírito santo

Moisés Espírito Santo (Batalha, Leiria, 1934) é um professor universitário, etnólogo, sociólogo, filólogo e linguista português. É também especialista em estudos de toponímia. Pode considerar-se o especialista português mais relevante na análise etnológica e sociológica e no estudo científico do Catolicismo Romano / Igreja Católica / Vaticano, cuja obra em Sociologia e Etnologia das Religiões está classificada, pela Biblioteca Nacional de França, como 'forme savante à valeur internationale'.. Moisés Espírito Santo - Wikipédia,.


Investigador Albano Chaves
O SOLSTÍCIO DO INVERNO - NAS PORTAS DOS TEMPLOS DO SOL - NO PLANALTO DOS TAMBORES - DESCOBERTO, OBSERVADO E ESTUDADO POR ALBANO CHAVES - Já conhecíamos os alinhamentos com os Equinócios da Primavera e do Outono e o Solstício do bano Inverno - única dúvida que havia, finalmente foi desfeita.


1- Dedico este trabalho ao meu prezado e ilustre Amigo Dr. Adriano Vasco Rodrigues, por intermédio de quem vim a conhecer o sortilégio de Chãs. Para o Amigo Jorge Trabulo Marques, um abraço pelo que tem feito pela divulgação dos «Templos do Sol» em Chãs.

Os meus agradecimentos aos meus Amigos engenheiros geógrafos António e Miguel Lázaro da Silva, respectivamente pai e filho, que do princípio ao fim deste trabalho me apoiarem com o seu saber técnico e científico. Ao António Sabler, aquele abraço pela revisão e composição da capa".
Albano Chaves - Leça da Palmeira Janeiro de 2012 -
leia os pormenores mais adiante

EXISTEM VÁRIOS ALINHAMENTOS EM TODO O MUNDO - MUITOS DOS QUAIS NAS CONVERGÊNCIAS DE VEIOS DE ÁGUA, EM SÍTIOS ENERGÉTICOS ESPECIAIS - O MACIÇO DOS TAMBORESCOM OS VÁRIOS OBSERVATÓRIOS, É UM DESSES PRIVILEGIADOS LUGARE-Imagens de Archaeoastronomy"



É desta opinião o autor da Livro Agulhas de Pedra - A Acupunctura da Terra - Tom Graves considera que "só é possível ir ao encontro das verdadeiras raízes da história e da compreensão dos fenómenos naturais através da chamada linguagem vibratória dos sentidos" - – O investigador esteve no Planalto dos Tambores, há dois anos - Andou por lá nas suas pesquisas e constatou igualmente que “os lugares sagrados são centros para os quais muitas das linhas de água convergem umas com as outras e também com os centros padrões de linhas acima do solo, à semelhança do que acontece com as artérias do corpo humano” – Acredita que “esses lugares não foram escolhidos por obra do acaso”

Por isso, depois dos contributos valiosos dos professores: Adriano Vasco Rodrigues, o primeiro investigador a debruçar-se sobre o estudo da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, de Moisés Espírito Santo, Lima Garcia, astrónomo Máximo Ferreira, arqueólogo Sá Coixão e do investigador e radestesita Tom Graves, faltava-nos um especialista em Arqueoastronomia .Bom, isto para já não falarmos das visitas ao local de vários arqueólogos do PAVC e de Mila Simões, que integrou uma visita de professores e estudantes do Erasmus, área da arte rupestre – E, de facto, em boa hora ali se deslocou Albano Chaves

AS COINCIDÊNCIAS NEM SEMPRE SÃO FRUTO DO ACASO - TAL COMO NÃO SERÁ, COM CERTEZA, ESTE PEQUENO CÍRCULO NO FRONTISPÍCIO DA PEDRA DA CABELEIRA

Há algo predestinado na vida dos homens e dos povos - Umas vezes para o bem e outras para o mal - Se Hitler não tivesse nascido, decerto que milhões de vidas teriam sido poupadas na Europa - O mesmo se pode aplicar ao próprio Salazar - Evitou que Portugal entrasse na segunda guerra mundial - pelo menos de forma directa - mas empurrou-nos para o pesadelo de uma longa guerra colonial . Acredito, pois, que há homens diabólicos e outros providenciais. Claro que, mesmo estes têm os seus defeitos: não existe ninguém que não tenha o seu lado bom e o seu lado mau - Defeitos e virtudes - O mau é quando são mais os defeitos do que as qualidades - Vem isto a propósito da feliz circunstancia de, apesar dos vestígios arqueológicos dos Tambores (incluindo os seus Templos Solares), não terem sido estudados por muitos investigadores, pelo menos, mereceram atenção dos mais qualificados nas diferentes áreas de saber . 

Adriano Vasco Rodrigues e o Pastor Miguel
E, de facto, quem havia de imaginar que, depois de um dos mais famosos especialistas internacionais em Radiestesiasurgiria um outro mago (dir-se-ia da mesma craveira) sobre a decifração dos segredos que nos legaram os homens da era da pedra. - Não usa a técnica da varinha do vedor mas um apuradíssimo sentido de observação. E o mais curioso é que, mesmo sem se conhecerem, analisando os estudos de um e do outro, até parece que andaram por lá juntos - Constato, pois, com agradável surpresa que as pedras que chamaram atenção de Albano Chaves, também já haviam despertado a curiosidade de Tom Graves - E, outro dado em comum: ambos se serviram dos GPS. Tom Graves teve a gentileza de me enviar as suas fotografias, devidamente assinaladas - Conto noutra oportunidade vir aqui a divulgá-las - Mas, para já, não perca o minucioso e brilhante estudo que nos proporcionou Albano Chaves. - Siga os seus passos através das explicações, gráficos e imagens, que não vai dar por perdido o seu tempo - Sobretudo se for um interessado pela jornada civilizacional da Humanidade.

machados do neolítico
Albano Chaves é natural de Leça de Palmeira mas tem a ligação maternal ao concelho de Vila Nova de Foz Côa, através do apelido Donas-Boto - Tradutor e especialista de línguas germânicas . Foi professor de Alemão, Alemão Comercial e Inglês Comercial no ITFI (Instituto Técnico de Formação Intensiva) e no Instituto Riley de Línguas, no Porto. Orientou o estágio de finalistas do curso de Alemão / Tradução da Faculdade de Letras da Universidade do Porto – Tem vários estudos publicados nas áreas da genealogia, antologia e romances. Em Zurique foi distinguido com o prémio "Tradutor do Ano" – É um investigador apaixonado pela Arqueoastronomia


Vale Maravilha da Ribeira Centeeira, aos pés dos Tambores
Deu-nos o prazer da sua presença, na celebração do Solstício do Verão, em 2011 – Participou no colóquio, Templos do Sol e A Cosmologia dos Lugares, onde nos revelou o alinhamento das capelas de Leça de Palmeira, com a constelação Cisne – a que nos referimos neste site, em (2)IMAGENS DO SOLTÍCIO DO VERÃO 21 - Além disso, integrou o próprio cortejo celta e foi um observador atento – De tal maneira, que voltou lá, propositadamente, para um estudo mais aprofundado daquela área e das suas pedras, que, ao leigo em astroarqueologia, poderão parecer simples fragas e não ter a menor relevância – Ele, porém, faz outras interpretações: olha com olhos de ver e não olha apenas por olhar. Observa atentamente os astros e as constelações, perde muitas horas a fazer equações, entre o que à primeira vista, poderá parece casual, mas não é. Pois, o mundo, não começou agora e já passaram, pelo planeta Terra, muitas civilizações: umas extinguiram-se, outras evoluíram e deram lugar ás actuais. Porém, houve segredos, com os quais se fizeram maravilhas e que se perderam com os milénios – Cabe a devotados e talentosos investigadores redescobri-los . Creio que é na senda desse trilho, que vão muitos dos seus passos, em demanda de um passado ignorado e esquecido - Que tão enriquecido ficou com o seu excelente vídeo, as fotografias (são todas as que têm margem) e, naturalmente, todo o conjunto da sua investigação

DESCOBERTA DO SOLSTÍCIO DO INVERNO - POR ALBANO CHAVES.

Um sono milenar está a chegar ao fim. Pedras, enormes umas, mais pequenas outras, emitem sons, balbuciam palavras continuamente desde há muito. Dez, quinze, vinte, cinquenta mil anos? Ninguém as ouvia, no entanto. Falam por si, entre si, estabelecem ligações. Formam figuras geométricas no terreno, que é preciso olhar, ver, identificar, ler, entender, integrar em expressões, frases, períodos, textos, crónicas.

O Maciço das Lapas e das Quebradas, na freguesia de Chãs, concelho de Vila Nova de Foz Côa, onde a Meseta Ibérica se despede, despenhando-se para o Graben de Longroiva, acorda agora ao som de pétrea vozearia, que acorre a pétreo chamamento. 

Chãs, contrariamente ao que poderia parecer – terreno chão ou plano – provém do acádico shamsh [lê-se xâmexe], que significa o astro «sol», a divindade «sol» e também «relógio de sol», como diz o Prof. Moisés Espírito Santoprofessor universitárioetnólogosociólogofilólogo e linguista[1][1][1].

Pedra do Solstício
(Pedra A)
(40º 59' 35,59 N / 07º 10' 43,89" W)
Para amplas reportagens sobre o assunto:


Circulando no IP2 no sentido Sul Norte, entre o desvio para Longroiva e o desvio para Chãs, é possível ver, à direita, na encosta, uma pedra quase esférica, abaixo de duas árvores, que podem servir de referência. Digo que 'é possível ver-se', porque essa pedra, não apresentando características marcantes, não é fácil de localizar em toda essa encosta, no meio do caos de pedras com as quais com demasiada facilidade se confunde

Chegados à freguesia de Chãs e percorrendo a pé o resto do caminho até às Lapas, deparamos, no fim do caminho, com uma pedra com a forma de ovo colocada no limite ocidental de um pequeno terreiro. À sua frente, a cerca de 1 m, uma covinha circular. Chamaram-lhe Pedra do Solstício, porque um observador colocado uma meia dúzia de metros a nascente dela vê o Sol, pelas 20 horas e 45 minutos do dia 21 de Junho de cada ano, a despedir-se atrás dos montes para os lados de Ranhados, alinhado com essa pedra e com a covinha.


O jornalista Jorge Trabulo Marques organiza todos os anos nesse dia uma celebração muito interessante com figurantes vestidos com túnicas brancas até aos pés, com a cabeça coroada com um ramo de loureiro e segurando utensílios diversos, como foicinhas, pratos com flores, etc.. Um grupo de gaiteiros e a recitação de poemas tanto em frente a essa pedra como na Pedra dos Poetas fazem parte das celebrações.
Uma ampla reportagem sobre o assunto pode ser vista no seu blog: http://ostemplosdosol.blogspot.com/2011_06_01_archive.html




O conhecido vedor, investigador e escritor australiano Tom Graves visitou a área em 2008 e fez as suas investigações. Entre outras coisas, detectou a presença de dois fios de água subterrâneos sob a referida covinha. Vista do lado sul e do lado norte, esta pedra apresenta diferentes perfis "humanos" (Figs. 4, e 6). Ergue-se sobranceira ao Vale da Ribeira Centieira, em cujo curso, a jusante, se situam as gravuras dos Piscos, um dos principais núcleos da arte rupestre paleolítica, Património da Humanidade dos principais núcleos da arte rupestre paleolítica, Património da Humanidade  [2][2][2]

"Voltando costas à Pedra do Solstício e trepando a colina pedregosa que lhe fica sobranceira (Fig. 7), atinge-se um muro baixo que circunda os vestígios de um castro; ultrapassado esse muro, fica-se num ponto a que se pode dar o nome de ‘Observatório’, pois daí se avista, lá em baixo, a poente e a meia encosta, a já nossa conhecida Pedra do Solstício com a sua covinha e o já referido Graben, com o IP2. Ao longe, o planalto beirão (Fig. 8).

O ponto onde agora nos encontramos, a covinha, a Pedra do Solstício e o Sol poente no dia 21 de Junho formam um alinhamento solsticial, que faz 302º com o Norte geográfico – iniciando a contagem a partir do Norte e no sentido do movimento dos ponteiros do relógio, ou 58º para Oeste do Norte


[1][1] Adriano Vasco Rodrigues, Terras da Meda – Natureza e Cultura, pág. 25 – ed. Câmara. Municipal da Meda, 1983.

 
Adicionar imagem


Na face lisa desta pedra vê-se seis covinhas (Fig.17) e um disco solar tosco (Fig. 18).



São estas as duas únicas pedras neste planalto que até agora têm sido faladas em relação ao Sol. De cada uma delas não se vê a outra e só do local que aqui se baptizou como ‘Observatório’ é possível ver as duas.
Estarão essas duas pedras sozinhas?
E não haverá uma espécie de diálogo entre elas?
Como que dando uma primeira resposta a essas perguntas, verifica-se que uma recta que passe pela Pedra da Cabeleira (B) e pelo ponto a que chamaremos O, à irrelevante distância de 5 metros da covinha à frente da Pedra do Solstício (A), faz um ângulo de 58º com o Norte, que é precisamente, na latitude local, o ângulo que faz o Sol quando nasce no Solstício de Verão, o que significa que a partir do ‘Observatório’, que é sobranceiro a esse ponto O e muito próximo dele, se verá o Sol nascer alinhado com a Pedra da Cabeleira (B) no dia 21 de Junho de cada ano.
Como já atrás foi referido, desse ponto de observação também se vê, nesse mesmo dia 21 de Junho, o ocaso do Sol alinhado com a covinha e com a Pedra do Solstício. No chamado ‘Observatório’ é, portanto, possível observar dois alinhamentos solsticiais no mesmo dia: o nascer e o pôr-do-sol.
A Fig. 21 é uma imagem do GoogleEarth da zona, com a indicação dos três pontos até agora referidos: Pedra do Solstício (A), ‘Observatório’ (O) e Pedra da Cabeleira (B). Como A e O são muito próximos um do outro, passaremos a referir apenas o ponto A.
Coincidências?
E serão estas as duas únicas rochas de interesse que o planalto das Lapas tem para nos oferecer?




Os nossos antepassados de há dez ou quinze mil anos terão ficado por aqui na marcação no terreno dos pontos de viragem do Sol no seu eterno movimento de vaivém para Norte e para Sul, curiosamente formando uma cruz de Santo André? Será que aqui em Chãs haverá rochas cujas posições relativas permitam formar uma cruz de Santo André também no terreno com base em orientações solsticiais? Espicaçados pela curiosidade, vamos deambular pela zona, armados de GPS e "almofadados" com os conhecimentos especializados e sempre disponíveis de dois bons amigos, os engenheiros geógrafos António e Miguel Lázaro, respectivamente pai e filho. Sem eles, de facto, de nada me serviriam as leituras do GPS.

Vamos ver! Vamos ver se este planalto de Chãs tem mais segredos que nos queira revelar.

Esta Pedra G tem algo de comum com a Pedra da Cabeleira, pois apresenta uma face lisa virada a poente, onde se nota um início de túnel. Com alguma boa vontade, tem parecenças com uma caveira, quando vista de leste ou sul (Fig. 23).