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quinta-feira, 21 de junho de 2018

Celebração do Solstício do Verão 21 de Junho 2018 - Recebemo-lo em Festa, em Chãs – Vila N. de Foz Côa - O Dia Maior do Ano, amanheceu, com sol esplendoroso, manteve-se brilhante até ao meio da tarde – Depois o céu cobriu-se de névoas, com trovoadas em várias partes do horizonte – Gaiteiros de Mogadouro, percorreram as ruas da aldeia e deram uma nota de alegria e festa, por onde passaram – Devido a ameaças de chuva, não se fez o tradicional cortejo e as cerimónias tiveram de ser confinadas no frontispício do Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nª Sra, com a leitura de poemas alusivos ao sol e à estação

Temos excelentes imagens e vídeos para lhe mostrar – Volte mais Tarde – Dificuldades de Internet, não nos permitem de momento a edição.



Solstício de Verão 2018 Hoje às 11h07min, marcando o início da estação no hemisfério norte - CHÃS – FOZ CÔA - TROVOADA TROPICAL ASSOLOU A MINHA ALDEIA E A MINHA REGIÃO NA DESPEDIDA DA PRIMAVERA E VÉSPERA DA ENTRADA DO VERÃO


 Solstício do Verão 2018, é hoje, 21 de Junho mas a Primavera despediu-se com fortíssima – Seja como for,  é nosso firme propósito saudarmos o dia maior do ano – E, por isso, cá estamos para o que der e vier  - Associe-se, que não se arrependerá, pois a sorte protege os audazes e se, ao pôr do sol, houver uma aberta, mesmo que seja a única, como já num ano aconteceu, ficará maravilhado.

 Chãs – Vila Nova de Foz Côa  - O fim da tarde e principio da noite do último dia da Primavera, despediu-se de forma tempestuosa, com fortes rajadas de chuva, rugidores ecos de trovões atroando os espaços, antecedidos de sinistros relâmpagos a rasgarem, fulgurantemente,  o espesso teto de novelos de nuvens de um escuríssimo e denso azul,  a fazerem-me lembrar as tempestades equatoriais, especialmente as que assolam os mares do Golfo da Guiné, pelos quais andei 38 dias à deriva, há 43 anos, numa frágil piroga.


Vim de comboio, de Lisboa, para celebrar o solstício do verão, na minha aldeia, tal como vem acontecendo desde há vários anos, sob a minha coordenação, porém, pouco depois de aqui ter chegado, fui surpreendido,  num misto de desencanto e frustração  (se bem que o cenário que se abria perante os meus olhos, também tinha a sua dramática beleza), sim,  pelo desencadear de  uma fortíssima trovoada, como há muito não testemunhara, nomeadamente, com tão atroadora e luminotécnica sinfonia,  trazendo-me à memória, imagens  e sons, que, a bem dizer,  só na minha infância e adolescência, por aqui se me deparavam, entre medos e mil cogitações, que, no fundo, de algum modo, agora também retornavam, se bem que sobre essas e outras questões – E é o que, lhe documento, nalguns dos excertos do vídeo que aqui registei.

Vinha confiante e esperançado de que, a entrada do verão nos vinha proporcionar um dia luminoso e soalhento, mas, pelos vistos, a despedida da Primavera, com tão surpreendente trovoada tropical, veio causar-nos alguma frustração.
Mas, seja como for, é nosso firme propósito saudarmos o dia maior do ano,  ou junto ao antiquíssimo calendário solar da Pedra do Sol, ou na própria aldeia.











terça-feira, 19 de junho de 2018

“JÚLIO POMAR O PINTOR NO TEMPO” - Livro de Irene Flunser Pimentel – E a singela homenagem à sua vida e à sua obra na Celebração do Solstício do Verão, 21 de Junho, aldeia de Chãs, V.N. de Foz Côa – Associada às comemorações dos 70 anos de sua carreira, assinalados com uma exposição no Museu do Côa, reunindo duas centenas de trabalhos de diferentes fases do pintor, em Vila Nova de Foz Côa, até 05 de agosto – Da “personagem fundamental da pintura neorrealista portuguesa” – Que diz que nas pinturas de Altamira, Lascaux e Côa, ESTÁ TUDO, ESTÁ A MATRIZ DA ARTE”

Jorge Trabulo Marques - Coordenador do evento


NAS PINTURAS DE ALTAMIRA, LASCAUX E DO CÔA -  “ESTÁ TUDO”, "A MATRIZ DA ARTE"  - -DIZ O LIVRO "JÚLIO POMAR O PINTOR NO TEMPO" - De autoria da historiadora, Irene  Flunser Pimentel  - Com quem tivemos oportunidade de registar uma breve entrevista, após a  sessão  do lançamento da obra, que decorreu no passado dia 7 no Museu Atlier Júlio Pomar, que poderá ouvir  mais à frente, num vídeo  bem como o curioso diálogo,   com a sua mãe, com 95 anos de idade, natural da Suíça, mais velha 3 anos que o artista Português,    uma coleccionadora apaixonada das suas obras e catálogos, após o que falámos também com o seu filho:-  o  Arquitecto e Artista Plástico, Rui Pimentel, irmão da autora

O Solstício de Verão, o dia mais longo do ano para o Hemisfério Norte,    ocorrerá no dia 21 de Junho de 2018 às 11h07min, marcando o início da estação (a mais quente apesar da Terra vir a estar o mais longe do sol a 6 de Julho). – Segundo o Observatório Astronómico de Lisboa, o sol neste dia de solstício estará o mais alto possível no céu em Lisboa e aquando da sua passagem meridiana atingirá a altura máxima de 75°  . A duração do dia no Solstício de Verão é efetivamente a mais longa. A 21 de junho de 2018 o disco solar nascerá às 06:11:46 horas e pôr-se-á às 21:04:53 horas em Lisboa. 21:04:53 horas em Lisboa.





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A Comissão das Festas nos Templos Pré-históricos dos Tambores, em Chãs, à semelhança dos anos anteriores, uma vez mais vai  organizar a celebração do Solstício do Verão, a decorrer a partir do meio da tarde do próximo dia 21, com a  participação do Grupo Lua Nova-Gaiteiros De Mogadouro   e o apoio especial da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, sem o qual teria sido inviável o brilhantismo musical da celebração, além do apoio, que se espera da Junta de Freguesia  e  da já habitual colaboração da Foz Côa Friends Associação  bem como da amável compreensão dos proprietários dos sítios

As cerimónias evocativas, começam a partir do meio da tarde da  próxima quinta-feira, dia 21, com uma cerimónia mística que evocará sacrifícios e rituais celtas, junto ao antiquíssimo altar de pedra localizado no patamar da vertente rochosa de uma zona castreja. E a leitura de poemas alusivas à estação estival

Depois de uma arruada pelas ruas da aldeia, que terá início às 17, 30 horas, pelo Grupo Lua Nova, Gaiteiros de Mogadouro, seguir-se-á  às 18 horas, o cortejo celta, pelo antigo caminho romano, desfilando até ao Maciço dos Tambores, já conhecido pelo planalto dos Templos do Sol, por aqui se situarem alguns dos mais belos calendários solares da humanidade,  erguidos pelos povos, que, nos períodos  do Neolítico e Calcolítico, por aqui se refugiaram, se abrigaram,  de que existem abundantes vestígios, culutando os seus deuses, festejando  e orientando a sua vida, simples e humilde, em estreita ligação com a natureza e o ritmo das estações do ano


 Com a primeira paragem no altar sacrificial  da Pedra da Cabeleira de N~ª Srª, e, deste santuário rupestre, rumando à Pedra dos Poetas, no recinto do qual  serão lidos poemas de vários poetas, alusivos à cerimónia evocativa e onde, às 20.45, os participantes, poderão  testemunhar a passagem dos raios solares sobre o eixo da Pedra do Solstício. justamente no momento em que  o sol se despede do maior dia do ano, na margem esquerda  da colina sobranceira ao magnifico vale da ribeira centeeira, 


ALINHAMENTO SAGRADO COM O PÔR-DO-SOL NO SOLSTÍCIO DE VERÃO

Esta extraordinária imagem,  configurando uma gigantesca esfera terrestre ou a esplendorosa configuração de um enorme globo solar  projectando os seus dourados raios, a poente, foi registada, pela primeira vez, cerca das 20.45 horas do dia 21 de Junho de 2003 e poderá repetir-se,  todos os anos,  ao fim do dia mais longo do ano e à mesma hora, caso as condições atmosféricas o permitam. 

A partir do ponto onde o sol então se pôs ( e  voltará a pôr-se) começa o Verão e, de igual modo,  a grande estrela-fiel inicia o movimento aparente da sua declinação para o Hemisfério Sul – E, até atingir esse ponto extremo, no Solstício do Inverno, distam vários quilómetros: ou seja, desde o ponto do horizonte, onde ele se vai pôr, em  perfeito alinhamento com a crista do esférico bloco e o centro do pequeno círculo que se encontra cavado, a alguns metros a oriente, na mesma laje da sua base de apoio.

Porém, o enorme megálito que a mesma imagem documenta, deverá ser observado segundo a posição que parece ter sido ali erigido, retocado e direccionado.  Feita a observação noutro ângulo, deforma-se e chega mesmo a parecer um estranho busto – Porventura, configurando, sabe-se lá, senão um outro simbolismo ou interpretação, ainda não decifrada.


.A PEDRA DO SOLSTÍCIO - VISTA DO QUADRANTE NORTE OU DO QUADRANTE SUL TOMA A FORMA DE UM ESTRANHO CRÂNIO




Amuleto, em osso e ainda em excelente estado de conservação que se calcula com mais de 5000 anos, encontrado pelo autor deste site, a cerca de 200 metros do Templo Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, apontado ao nascer do sol dos equinócios



O SANTUÁRIO RUPESTRE DA PEDRA DA CABELEIRA DE Nº SRª -É ATRAVESSADO PELOS RAIOS SOLARES DOS NASCER DO SOL, NOS DOIS EQUINÓCIOS DO ANO, ATRAVÉS DA SUA GRUTA, EM SEMI-ARCO, NA SUA BASE- Que naquele momento se assemelha ao chamado OLHO DE HORUS


O templo sacrificial,  que parece desafiar as leis do equilibro e da  gravidade, tal a acentuada inclinação e aparente frágil base de apoio,  ergue-se alpendrado sobre uma enorme laje que descai em forma de altar -  Destacando-se, silenciosa e majestosamente, no requebro do alto de um vasto maciço rochoso, conhecido pelos penhascos dos Tambores na  vertente  granítica do fértil e maravilhoso vale da Ribeira da Centeeira. A mesma linha de água que, depois de correr de sul para  Norte  e penetrar  a leste no  apertado e íngreme canhão   das ladeiras dos picos, vai desaguar ao Côa, junto à foz da qual se situam um dos mais belos núcleos das gravuras paleolíticas do Vale Sagrado





O monumental calendário solar, quando observado da retaguarda, configura  a insólita imagem  de   um gigantesco crânio pronto a ser decepado, como que, evocando, certamente, bárbaros ritos ancestrais - , abrindo-se, todavia, em forma de auspicioso leque, no seu frontispício  voltado a poente,   atravessado, na sua base, por uma gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento,  iluminada pelo seu eixo no momento em que o Sol  começa a elevar-se por detrás do recinto amuralhado, como que assinalando, astronómica e matemáticamente,  o primeiro dia dos dois ciclos das estações do ano,  os equinócios do Outono e da Primavera.




EM ALTAMRIA “ESTÁ TUDO”, ESTÁ "A MATRIZ DA ARTE"  - Lê-se numa das primeiras páginas do livro "JÚLIO POMAR O PINTOr NO TEMPO"

"Em entrevistas dadas em 2013 e 2014, Júlio Pomar voltou a abordar, como já havia feito antes, o tema dos fundamentos da arte, que podiam ser procurados nas pinturas de Altamira, Lascaux e do Côa. Ao ser questionado sobre a afirmação de Picasso, segundo a qual, depois de Altamira, tudo era «decadência», o pintor português respondeu que se tratava de uma «frase de lucidez» e «quase uma tese de doutoramento», pois que no fundo se dizia que «está ali tudo» e está aí a matriz da arte'. Noutra ocasião em que, após ter estado em Altamira e em Lascaux, visitara o Côa, Pomar dissera ter tido então «Um choque», pois se tratou de «tocar no fundo», através de «uma luz tão forte que nos impede de ver». Consciente do aparente paradoxo, afirmou que esse princípio da contradição constante lhe parecia precisamente «ser uma marca da experiência da arte e, antes disso, da vida--'.

Ainda noutra ocasião, Pomar voltaria a referir a extraordinária contemporaneidade do gesto que levou a «inserir na rocha o traço, o volume, a cor» em Altamira, Lascaux e na Foz do Côa. Acrescentando que a gravura enquanto técnica de reprodução permitia «recuar até ao princípio», à arte dos «primórdios», caracterizou esse gesto como estando «em contacto direto com uma motivação originária da arte, nascida da reunião entre o gesto técnico, a eleição de um plano de inscrição arrancado ao mundo por mero exercício de abstração  (o da superfície da rocha), e a vontade de nele inscrever os mistérios da vida. Esse  propósitos poderiam ter sido ditos  por Pomar em qualquer outro momento da sua vida, desde que se envolveu nos meandros da arte da vida, muitos milénios depois  de Altamira, Lascaux ou Côa"

HOMENAGEM A JÚLIO POMAR  NAS CERIMÓNIAS EVOCATIVAS   DO SOLSTÍCIO DO VERÃO, DIA 21,  Aldeia de Chãs, V. N. de Foz Côa  -    

Associada à exposição de uma vasta coleção das suas obras, de diferentes fases, patente no Museu do Côa,  até ao principio de Agosto,  assinalando  os 25 anos sobre a descoberta das gravuras e os 70 anos de carreira de Júlio Pomar com a exposição "Incisão no Tempo", composta por  duas centenas de trabalhos de diferentes fases do pintor - Durante a qual serão feitas referências ao livro editado, no passado dia 7, no Altlier-Museu Júlio Pomar de autoria de Irene Flunser Pimentel

Documento da PIDE - Editado no livro

A obra, prevista ainda em vida do pintor, foi apresentada no passado dia 7, no  Atelier-Museu Júlio Pomar,  com a presença de autora, seguida de uma sessão de autógrafos, a cujo lançamento tivemos o prazer de assistir e de ali fazermos alguns registos de reportagem, ouvindo Irene Flunser  Pimental, a sua mãe, uma anciã de origem suíça, admiradora e colecionadora de muitas obras de Júlio Pomar, assim como do seu filho, o Arquiteto, Rui Pimentel, outro apaixonado pela obra e a figura de Júlio Pomar, do qual também nutrimos grande admiração, tendo-o o entrevistado por várias vezes, nomeadamente nos anos 80 e princípios da ´década de 90.

A historiadora, vencedora do Prémio Pessoa 2007, descreve, na obra, os contextos político, social e cultural da vida de Júlio Pomar (1926-2018), dando importância às suas facetas de crítico, historiador e teorizador da arte.

Pintor e escultor, falecido no passado dia 22 de maio, em Lisboa, Júlio Pomar é considerado um dos criadores de referência da arte moderna e contemporânea portuguesa, tendo o seu desaparecimento gerado muitas reações de personalidades da cultura e da política lamentando a "imensa perda" para o país.
Inicialmente, Irene Flunser Pimentel foi convidada pelo Atelier-Museu Júlio Pomar "a partilhar, em modo oral, como numa conferência ou conversa informal, aspetos sobre o modo como se exerciam a censura e repressão, conducentes a diversos apagamentos históricos, sobre os quais se desconhece, em concreto, o modo como aconteciam", recorda a diretora do Atlier-Museu, Sara Antónia Matos, num texto sobre o lançamento da obra.

"Dada a extensão e profundidade da investigação que se materializou em vertente escrita, o Atelier-Museu convidou Irene Flunser Pimental a publicar o seu estudo, que teve como ponto de partida a figura de Júlio Pomar, aspirando assim contribuir para dar a compreender estes processos históricos, de apagamento e distorção, postos em prática pelos regimes de repressão quase sempre através de canais invisíveis, e que não raras vezes continuam a efetivar-se por outras vias, nomeadamente o silêncio a que são votados certos assuntos incómodos ou pouco consensuais", acrescenta, no texto.

A autora do livro - editado pelo Atelier-Museu e pela Sistema Solar - detém um vasto currículo sobre o período e instituições do Estado Novo, garantindo o acesso aos arquivos da Torre do Tombo, onde se encontram os dossiers e os arquivos da PIDE, polícia política do tempo do regime de Oliveira Salazar.

O Atelier-Museu Júlio Pomar foi aberto em 2013, num edifício em Lisboa perto da residência do artista, com um acervo de cerca de 400 obras, que este doou à Fundação Júlio Pomar, de pintura, escultura, desenho, gravura, cerâmica, colagens e ‘assemblage’. https://24.sapo.pt/vida/artigos/livro-julio-pomar-o-pintor-no-tempo-de-irene-flunser-pimentel-e-lancado-hoje



Trata-se, pois,  de uma singela homenagem, associando-nos, ao mesmo tempo,  ao espírito da exposição, patente no Museu do Côa,  que celebra 70 anos de carreira de Júlio Pomar com a exposição "Incisão no Tempo", juntando duas centenas de trabalhos de diferentes fases do pintor, datadas dos anos 70 do século passado, em que o pintor explora as entradas de touros e campinos, numa figuração de certo modo, semelhante às existentes nas gravuras do Côa”, explicou à Lusa, a curadora da exposição, Sara Antónia Matos, diretora do Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa.

Ao longo das várias salas do museu estão expostas cerca de 200 peças da coleção do Atelier-Museu, que preserva, investiga e divulga a obra de Júlio Pomar, datadas de diversas fases do percurso do artista e que dão conta dos seus 70 anos de carreira. Museu do Côa celebra 70 anos de carreira de Júlio Pomar até 5 de


“JÚLIO POMAR O PINTOR NO TEMPO” – “Pessoa encantadora”, diz  Irene Flunser Pimentel  

Estivemos na apresentação do livro “JÚLIO POMAR O PINTOR DO TEMPO”, lançado no passado dia 7, no salão do Atelier-Museu Júlio Pomar, uma legenda mítica na pintura moderna portuguesa, que fez o pleno da sua obra e da sua vida,  atravessando dois séculos, desde o primeiro ano da ditadura,  pois nasceu em 10 de Janeiro de 1926 e o Estado novo foi implantado em 26 de Maio, mais tarde, tendo sido preso pela PIDE, com Mário Soares e outros artistas e políticos, considerados “desafetos ao regime”.   

No final da  exposição, sobre o conteúdo da obra e da sessão de autógrafos, que se seguiu, de autoria de Irene Funser Pimentel, falámos  com a historiadora, após o que  ouvimos ainda a sua mãe, com 95 anos, três anos mais velha que Pomar,   natural da Suíça alemã,  que veio para Portugal, em 1949, uma grande apaixonada e colecionadora das obras do artista português,  tendo ainda registado do seu filho,  Rui Pimentel, arquiteto e artista plástico, as impressões que lhe deixou a obra e a personagem de Pomar,  assim como um curioso episódio, relacionado com a referida coleção, que sua mãe, começara a reunir, desde  há muitos anos, desde quadros a catálogos..  


CONHECI A OBRA DE JÚLIO POMAR, DESDE SEMPRE, SOBRETUDO AS FASES DOS ANOS, 60 E 70 – ERA UMA PESSOA ENCANTADORA”

Júlio Pomar (1926-2018),  era uma pessoa encantadora! Conheci-o, pessoalmente, no principio do anos 70, 71 – diz a investigadora -  mas já  conhecia a sua obra, desde a década anterior  através dos quadros, adquiridos por  sua mãe, uma  colecionadora apaixonada dos trabalhos de Pomar.

Irene Flunser Pimentel, autora do livro “JÚLIO POMAR O PINTOR NO TEMPO”, confessou-nos que o livro foi projetado o ano passado, portanto ainda em vida do pintor, a convite do Atlier-Museu Júlio Pomar, para que, na sua qualidade de historiadora de arte, pudesse inserir os vários aspetos da vida do artista  (1926-2018),  no contexto politico, social e cultural do seu tempo, nomeadamente da ditadura, um período que o pintor atravessou, desde criança.

Disse-nos que conhece a obra de Pomar, desde sempre, sobretudo as fases dos anos 60 e 70, confessando-se ser sua admiradora, tanto mais, que, além de reconhecer nele, o artista plástico, multifacetado, quer como pintor, escultor, gravador, apreciou também a  forma como  era um extraordinário  teórico da arte.

Na apresentação do livro, esteve ainda presente, a sua mãe, uma anciã de 95 anos de idade, mais velha 3 anos que e Júlio Pomar, com a qual tivemos também o prazer de falar, junto de algumas obras, ali expostas, que fazem parte da sua coleção,  confessando-se,  uma grande apaixonada de Júlio Pomar.

 Natural da Suíça (cantão alemão), veio para Portugal, em 1949, pouco tempo depois da Guerra, por cá ficou e constitui família e se tem sentido muito feliz – Já depois de ter casado com um português, engenheiro químico farmacêutico, filho do fundador do laboratório Sanitas, que após a sua morte viria a administrar. 

Outra das pessoas, com quem de seguida tivemos o gosto de dialogar, foi com o seu filho, Rui Pimentel,  também ele artista plástico, com variadíssimos trabalhos nas áreas do design gráfico, cenografia para teatro, banda desenhada, diaporamas, ilustração, conceção de exposições e caricatura., que igualmente nos confessou a sua admiração pela obra e vida de Júlio Pomar, tendo-nos relatado um interessante episódio, que registámos na composição em vídeo, com imagens da exposição e de algumas das obras de Júlio Pomar, ali expostas.

Rui Pimentel formou-se em Arquitetura pela Escola Superior Técnica Federal de Zurique, na Suíça, desenvolvendo, além das suas atividades como arquiteto, trabalhos nas áreas do design gráfico, cenografia para teatro, banda desenhada, diaporamas, ilustração, conceção de exposições e caricatura.
Desde 1973 tem vindo a publicar desenhos, caricaturas e cartoons em várias publicações estrangeiras e portuguesas, tendo estado ligado desde 1987 até à sua extinção ao periódico O Jornal, continuando a trabalhar na revista Visão, onde semanalmente colabora na crónica Puro Veneno.
Rui Pimentel, que recebeu este ano o Prémio Nacional de Caricatura, já participou em exposições coletivas na Irlanda, Brasil, Turquia, Croácia, Suíça, Alemanha, França, Espanha e Macau, estando representado nas coleções do Museu de Caricatura e Cartoon de Basileia, na Suíça, e no Museu Casa da História de Bona, na Alemanha. - http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/pgra-drcultura-

ALGUNS TRAÇOS BIOGRÁFICOS DE UM NOTÁVEL CURRÍCULO DE IRENE LUNSER PIMENTEL  – DA VENCEDORA DO PRÉMIO PESSOA E DO  QUE SE DIZ DA AUTORA DA OBRA – “JÚLIO POMAR O PINTOR NO TEMPO”
Irene Flunser Pimentel – É licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, mestre em História Contemporânea (séc. XX) e doutorada em História Institucional e Política Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Elaborou diversos estudos sobre o Estado Novo, o período da II Guerra Mundial, a situação das mulheres e a polícia política durante a ditadura de Salazar e Caetano, e, mais recentemente sobre o período de transição para a Democracia. É investigadora do Instituto de História Contemporânea (FCSH da UNL), tendo terminado um projeto de Pós-Doutoramento, aprovado pela FCT, intitulado "O processo de justiça política relativamente à PIDE/DGS na transição para a democracia em Portugal".

É autora de diversos livros, entre os quais se destacam: História das Organizações Femininas do Estado Novo (2000), Judeus em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial (2006), A História da PIDE (2007), Espiões em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial (2013) e O Caso da PIDE/DGS (2017). É co-autora de Salazar, Portugal e o Holocausto (2013) e de Mulheres Portuguesas (2015).

Foi reconhecida com diversos prémios e distinções, nomeadamente o Prémio Carolina Michaelis, 1999, Prémio Adérito Sedas Nunes, 2007, Prémio Pessoa, 2007, Prémio Seeds of Science, categoria "Ciências Sociais e Humanas", 2009. É Chevalière de la Légion d'honneur francesa. https://www.wook.pt/autor/irene-flunser-pimentel/37743
Irene Flunser Pimentel: “Estamos a caminhar perigosamente para uma situação de guerra” A historiadora Irene Flunser Pimentel lançou, com Margarida de Magalhães Ramalho, o livro “O Comboio do Luxemburgo – Os refugiados judeus que Portugal não salvou em 1940”. É sobre ele que fala, sobre o passado, o prese
Irene Flunser Pimentel (…)  A vida de Irene Flunser Pimentel nunca se pareceu com a das mulheres sobre as quais escreve livros de História. A cada Um o Seu Lugar, A política feminina do Estado Novo é o volume mais recente de uma série de estudos que vem fazendo sobre o período da ditadura em Portugal.
Enquanto investigadora, reclama uma distância em relação ao objecto de estudo. A pretexto do livro, fez o que nunca tinha feito numa entrevista: olhou-se imersa num movimento político, num tempo, falou dos excessos e das desilusões. A sua história enquanto dirigente de grupos de extrema-esquerda nunca havia sido contada. as. http://anabelamotaribeiro.pt/64735.html

Júlio Pomar, sempre juvenil e insaciável na libertação das artes plásticas
"Sobre Júlio Pomar, talvez o nome mais indispensável das artes plásticas portuguesas, uma constante omnipresença criativa desde o neorrealismo até aos dias de hoje, parece que tudo estava escrito sobre a obra multifacetada, o ativismo político dos anos 1940 e 1950, o seu trabalho entre Paris e Lisboa, o gigantismo da sua obra, pois ele foi o nº1 do neorrealismo, desestabilizou o traço e a forma, moldou cerâmica e vidro, fez escultura e assemblage, murais, retrato, tapeçaria, ilustração, cenografia, foi o nº1 da cooperativa Gravura, ei-lo sempre juvenil e insaciável, o mais contemporâneo dos nossos artistas contemporâneos; mas nem tudo estava escrito, faltava o pintor no tempo, houvera um passado, uma militância e um confronto sem tréguas entre a sua arte e um regime ditatorial. Esse quase foi ocupado por um ensaio de grande precisão e rigor. Júlio Pomar confrontou a ordem então estabelecida, foi o fogueiro das vanguardas estéticas que atiraram os cânones nacionalistas para o caixote do lixo. Foi ele, acima de tudo.
A historiadora Irene Flunser Pimentel, no início de 2017 foi convidada pelo Atelier-Museu Júlio Pomar a fazer uma reflexão que, de algum modo, destapasse os processos, mecanismos e meandros da censura política exercida à data em Portugal. Assim nasceu este precioso ensaio em que o artista é sistematicamente inserido no contexto político e histórico do Estado Novo de Salazar e Marcelo Caetano. Como diz a historiadora na nota prévia: “O que aqui se pode ler é uma descrição dos contextos político, social e cultural da vida de Júlio Pomar, dando importância às suas facetas de crítico e historiador e teorizador de arte, a começar pelo neorrealismo na pintura, nos anos 40 e parte da década de 50, e a terminar em 1974”. É este o propósito a que se acomete “Júlio Pomar, O Pintor no Tempo” por Irene Flunser Pimentel, Atelier-Museu Júlio Pomar / Sistema Solar (Documenta), 2017.
Júlio Pomar nasceu com a Ditadura Nacional, a historiadora enquadra os eventos sobre a ascensão do regime de Salazar, o ingresso de Pomar nas escolas de belas-artes de Lisboa e Porto, os seus primeiros e consagrados quadros neorrealistas, os seus escritos, a ideologia do neorrealismo, nomeadamente a partir de 1945, ano em que participa na Missão Estética de Férias de Évora e dá profunda atenção ao trabalho de outros contemporâneos. O confronto com a arte oficial do Estado Novo é dado pelas Exposições Gerais de Artes Plásticas, patentes na Sociedade Nacional das Belas-Artes, iniciadas em 1946, quando se iniciou a Guerra Fria. Pomar ativíssimo, detido pela PIDE, escreveu nas revistas, agindo no seio do MUDJ, pinta O Almoço do Trolha, a polícia política manda destruir o mural do cinema Batalha.
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A partir de 1948, com o despontar do surrealismo, os dois movimentos estéticos separam-se. Pomar multiplica-se no vidro, na cerâmica, na decoração, descobre a gravura. São anos difíceis para a oposição política, estalam conflitos em que a estética e a ideologia perdem o unanimismo. Funda-se a cooperativa Gravura, é uma porta aberta para uma nova geração de artistas que veem os seus múltiplos em casa dos associados: Bartolomeu Cid, Hogan, António Areal, Alice Jorge, Pomar, e tantos outros, até Almada Negreiros colabora. A diversidade de intervenções de Pomar parece imparável: jarras e garrafas coloridas de Pomar e Alice Jorge na loja Rampa; entre 1957 e 1959, Pomar com Alice Jorge trabalham um mural de azulejos na Avenida Infante Santo, em Lisboa; sopram ventos de liberdade com a campanha de Humberto Delgado, aproximam-se ventos tumultuosos com a descolonização e com as revoltas estudantis, a luta armada pela independência das colónias portuguesas africanas obriga o regime de Salazar a recentrar-se; Pomar parte para Paris mas a historiadora vai pontuando o acervo de acontecimentos que vão alterando a vida interna e o isolamento de Salazar; Pomar anda lá e cá, dedica-se ao retrato, alicia-se por novos temas, sem nunca abandonar o figurativismo, na sequência de experiências que desenvolvera ainda nos anos 1950, vai decompondo formas, o nome Júlio Pomar já possui reconhecimento internacional. A historiadora anota exposições e novos percursos de Pomar a partir de 25 de abril.

Em jeito de síntese, a autora lembra que Pomar se envolveu na atividade política clandestina, da elaboração teórica cultural, fez-se pintor e desenhador fora dos cânones escolares, sentiu a mão longa repressiva da polícia política, não se exilou mas partiu para Paris e nunca fugiu às discussões sobre os grandes princípios da estética. Por exemplo num questionário que lhe foi feito em 2014 diria que a alternativa entre “erudito e popular” remetia para uma falsa contradição e um engano. O popular era “resultado de uma cristalização e sintetização de saberes” em “construções depuradas pelo tempo” que eram “formas extremamente eruditas”. Afirmou não haver conteúdo sem forma e que toda a “cor que tem traço e todo o traço é uma cor” da mesma forma que eram inseparáveis o espaço e o tempo. Pomar lembrou que o ser humano precisa de dispor de tempo, sem o qual não haveria espaço ou oportunidade para mais nada.

Uma bela homenagem ao nome cimeiro das artes plásticas portuguesas, situando o homem a agir no tempo e o tempo a abrir caminho para as ousadias do seu génio, irrequieto e imparável, tal como o conhecemos desde os anos 1940. http://www.postal.pt/2018/03/julio-pomar-sempre-juvenil-insaciavel-na-libertacao-das-artes-plasticas/


“Uma legenda mítica na pintura moderna portuguesa”  “Nome maior da pintura moderna portuguesa” e “um criativo irreverente e rebelde” – Júlio Pomar, o artista que fez o pleno” - Títulos com que foi referida a sua a morte no passado dia 22/05/2018

Morreu Júlio Pomar, o artista que fez o pleno
Expresso  - “Há artistas cuja importância está ligada a um momento específico da história da arte. Outros distinguem-se por conseguirem dar sucessivos impulsos à obra ao longo da vida. Júlio Pomar, que faleceu esta terça-feira em Lisboa, aos 92 anos, fez o pleno 

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