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segunda-feira, 1 de junho de 2020

Dia Mundial da Criança 01-06-20 - Milhões de Crianças em risco de fome, violência, abuso sexual e exploração do trabalho infantil em todo o mundo - ONGs alertam para danos colaterais da pandemia em África e nas crianças de rua . Estudos atuais da OMS parecem confirmar os receios de Jung: 117 milhões de crianças em 24 países, a maioria deles na África, não puderam receber a vacina contra o sarampo devido à pandemia.

JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA 



Referem estudos que, “à medida que a pandemia ocorre em todo o mundo, poucos grupos são tão vulneráveis quanto as crianças que dependem das ruas para obter comida e abrigo, que correm o risco de serem estigmatizadas e criminalizadas ainda mais quando as cidades trancam. Na segunda cidade do Quénia, um toque de recolher das 19h às 17h foi imposto, e o medo está aumentando.

"Estamos todos muito preocupados", diz Bokey Anchola, diretor da Glad's House, uma ONG que trabalha com dificuldade para alcançar jovens no Quênia . “As crianças de rua estão passando por momentos difíceis durante o toque de recolher. Comida e água são um problema real, pois hotéis e restaurantes onde normalmente receberiam comida fecharam. O movimento é restrito.  https://www.theguardian.com/global-development/2020/apr/15/will-we-die-of-hunger-how-covid-19-lockdowns-imperil-street-children





Nas Ilhas Verdes do Equador, mais de 70% das crianças são-tomenses são pobres  - A  natureza, em S. Tomé e Príncipe, é fértil e generosa, e  salva as crianças desse flagelo, mas, certamente que maioria seria o índice de  mortalidade infantil, caso não fosse o apoio  prestado por várias associações humanitárias, que chama a si o cuidado, o esforço e  carinho de fornecerem alimentos, cuidados de saúde, educação e a mais variada assistência, a elevado número  das crianças santomenses

-19: UNICEF admite que a pandemia pode perturbar o calendário de vacinação anual em São Tomé e Príncipe
Refere a  (STP-Press, que “uma responsável da UNICEF em São Tomé admitiu, que a pandemia do Covid-19 pode atrapalhar o calendário de vacinas, anuais para as crianças em São Tomé e Príncipe.
Apesar desse constrangimento, Maria Vitória Balota, disse que a UNICEF vai efectuar todos os esforços para cumprir com a campanha de vacinação anual a todas as crianças do arquipélago, incluindo mais 30 mil em idade escolar.
“E nesse aspecto, nós sempre contamos com a cooperação do Governo de São Tomé e Príncipe”, adiantou em entrevista nas últimas 72 horas à televisão pública São-tomense, TVS. http://www.stp-press.st/2020/06/01/covid-19-unicef-admite-que-a-pandemia-pode-perturbar-o-calendario-de-vacinacao-anual-em-sao-tome-e-principe/



Os brinquedos x que imaginação vai recorrer

Embora não falte banana no mato, assim como a jaca e a fruta-pão, alimentos básicos na dieta alimentar,  mas  tem que se comprar e onde estão as dobras para medicamentos, vestuário e outros bens essenciais? 
E a maioria das  crianças, se querem brinquedos, têm que os fazer ou então brincar com a lâmina de um machim, que é a catana,  usada como instrumento de trabalho e fazer do mesmo o seu passa-tempo, tal como pude comprovar numa antiga senzala da Roça Uba-Budo, são usadas como animais de carga: - carregam grandes  gamelas ou grandes pesos à cabeça e executam as mais diversas tarefas, sem dó nem piedade.



Estima-se que cerca de 120 milhões de crianças vivem nas ruas do mundo



NO RESTO DE ÁFRICA, E´GRANDE A PREOCUPAÇÃO DAS ONGs

“ONGs estão  preocupados para danos colaterais da pandemia na África – “Organizações alertam que medidas de combate ao covid-19 no continente estão fazendo com que crianças não sejam vacinadas, outras doenças sejam negligenciadas, enquanto fome ameaça matar milhões de pessoas.Já em fevereiro, quando o surto do novo coronavírus estava restrito quase exclusivamente à China, os especialistas soaram o alarme: uma vez que o vírus chegasse à África, uma catástrofe incontrolável ocorreria ali devido aos sistemas precários de saúde. Até agora, no entanto, os números da covid-19 não fornecem um cenário de catástrofe para o continente africano ? provavelmente também porque os governos locais reagiram cedo...


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 100 mil pessoas foram comprovadamente infectadas pelo novo coronavírus na África. Mesmo que o número real de casos seja provavelmente maior devido à falta de testagem ? já está claro que o transcurso da pandemia no continente é menos fatal que, por exemplo, na Europa. Até agora, na África, foram relatadas 3.100 mortes relacionadas à doença pulmonar covid-19. Em comparação: quando 100 mil casos de infecção por coronavírus foram relatados na Europa, ali já se contabilizavam 4.900 mortes. A análise inicial sugere que a taxa de mortalidade relativamente baixa pode ter a ver com a estrutura demográfica do continente africano.

Até agora, na África, foram relatadas 3.100 mortes relacionadas à doença pulmonar covid-19. Em comparação: quando 100 mil casos de infecção por coronavírus foram relatados na Europa, ali já se contabilizavam 4.900 mortes. A análise inicial sugere que a taxa de mortalidade relativamente baixa pode ter a ver com a estrutura demográfica do continente africano, onde mais de 60% da população tem menos de 25 anos. Sem vacinação de rotina para crianças

SEM VACINAÇÃO DEE ROTINA PARA AS CRIANÇAS

Portanto, é ainda mais necessário analisar os "danos colaterais" da luta contra o coronavírus, afirma Anne Jung, responsável de saúde global na organização humanitária Medico International. Ela ressalta que, devido aos abrangentes lockdowns em muitos países africanos, vacinas de rotina não puderam ser aplicadas em crianças, como contra o sarampo. Anne Jung diz temer que medidas diretas para conter a pandemia de covid-19 possam levar a um aumento de outras doenças infecciosas, especialmente em crianças.... –

Estudos atuais da OMS parecem confirmar os receios de Jung: 117 milhões de crianças em 24 países, a maioria deles na África, não puderam receber a vacina contra o sarampo devido à pandemia. Gavi, uma aliança de vacinas e imunização, calcula que 13,5 milhões de pessoas não receberam importantes vacinas por causa da suspensão de campanhas de vacinação. Por sua vez, isso pode levar ao ressurgimento de doenças infecciosas, como sarampo ou poliomielite

DOBRO DOS CASOS DA MALÁRIA

"Com ou sem o coronavírus: a malária é e continua sendo de longe a principal causa de morte na África, especialmente crianças são afetadas", diz Javier Macias, médico espanhol que atua como consultor há mais de 30 anos em vários países africanos e que agora trabalha em Angola. Em conversa com a DW, Macias alertou que, este ano, o número de mortos por malária na África poderá ser o dobro de anos anteriores, se a luta contra essa doença for dificultada pela pandemia da coronavírus....


"Aqui em Angola já é fato que remédios contra malária e mosquiteiros não estão conseguindo chegar aos afetados. Tudo isso porque o sistema de saúde está concentrado principalmente no combate à covid-19", explica Macias. O médico relatou um caso específico em Huambo, segunda maior cidade do país: um vendedor ambulante com sintomas agudos de malária foi para o hospital, mas foi enviado para casa com a observação de que "apenas os casos mais urgentes, bem como os casos de covid-19 estão sendo tratados." ... -

         FOME COMO DANO COLATERAL

Mas os danos colaterais do coronavírus não se restringem apenas às consequências de outras doenças, enfatiza Reimund Reubelt: "O coronavírus também pode matar pela fome". O chefe da organização humanitária Hope Sign alertou em entrevista à DW: "Grande parte do território africano vem sendo abalado há décadas pela fome, que afeta atualmente até 250 milhões de pessoas. E agora vem um vírus que acirra ainda mais a má situação alimentar."... -Veja mais em https://www.bol.uol.com.br/noticias/2020/06/01/ongs-alertam-para-danos-colaterais-da-pandemia-na-africa.htm?cmpid=copiaecola

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Pragas de enxames de gafanhotos, no leste de África, devastam as colheitas, adensam conflitos tribais e agravam a fome A pandemia de Covid-19 está exacerbando o problema Uma crise alimentar global de fome se aproxima – Antevêm estudos, que poderá atingir 265 milhões de pessoas até o final do ano - Banco Mundial alerta que os enxames regionais de gafanhotos podem aumentar em 400 vezes o número atual até junho, causando custos e danos relacionados à pecuária de US $ 8,5 bilhões até o final de 2020. – União Europeia, já duou mais 10 milhões de euros para o combate da praga de gafanhotos que está a assolar a África Oriental.

JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA - Textos e imagens da imprensa internacional

  

Em Fevereiro passado, “A Comissão Europeia decidiu doar mais 10 milhões de euros para o combate da praga de gafanhotos que está a assolar a África Oriental.
Na África Oriental, 27,5 milhões de pessoas sofrem de grave insegurança alimentar e, pelo menos, mais 35 milhões estão em risco, sublinha a nota de Bruxelas.
A Comissão Europeia está a trabalhar em conjunto com a ONU – em concreto, com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), que já elaborou um plano de resposta – e também com o Programa Alimentar Mundial. https://rr.sapo.pt/2020/02/27/mundo/praga-de-gafanhotos-ue-manda-mais-10-milhoes-de-euros-para-africa/noticia/183418/

Refere a imprensa internacional, que “a  pandemia de coronavírus trouxe fome a milhões de pessoas em todo o mundo. Os bloqueios nacionais e as medidas de distanciamento social estão secando o trabalho e a renda, e provavelmente atrapalharão a produção agrícola e as rotas de suprimento - deixando milhões preocupados em como conseguirão o suficiente para comer.
135 milhões de pessoas já enfrentavam escassez aguda de alimentos , mas agora com a pandemia, mais 130 milhões poderiam passar fome em 2020, disse Arif Husain, economista-chefe do World Food Program, uma agência das Nações Unidas. Ao todo, estima-se que 265 milhões de pessoas possam ser levadas à beira da fome até o final do ano.




Segundo especialistas, essa crise da fome é global e causada por uma infinidade de fatores ligados à pandemia de coronavírus e à conseqüente interrupção da ordem econômica: a súbita perda de renda para incontáveis ​​milhões de pessoas que já viviam de mão em boca; o colapso dos preços do petróleo; escassez generalizada de divisas devido ao turismo secando; trabalhadores estrangeiros que não têm salário para enviar para casa; e problemas contínuos como mudança climática, violência, deslocamentos populacionais e de
sastres humanitários.

De Honduras à África do Sul e à Índia, protestos e saques já começaram em meio a frustrações provocadas por bloqueios e preocupações com a fome. Com o encerramento das aulas, mais de 368 milhões de crianças perderam as refeições e lanches nutritivos que normalmente recebem na escola https://www.nytimes.com/2020/04/22/world/africa/coronavirus-hunger-crisis.html

AS  PRAGAS DE GAFANHOTOS, VIERAM COMPLICAR AINDA MAIS A VIDA A MILHÕES DE SERES HUMANOS EM ÁFRICA

(...) O Quénia está passando pela pior invasão de gafanhotos dos últimos 70 anos. O Banco Mundial alerta que os enxames regionais de gafanhotos podem aumentar em 400 vezes o número atual até junho, causando custos e danos relacionados à pecuária de US $ 8,5 bilhões até o final de 2020. Os pastores da Etiópia, Sudão e Quênia serão os mais atingidos.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, que soou o alarme em janeiro sobre a ameaça sem precedentes à segurança alimentar, está correndo para impedir a criação de gafanhotos .

Cerca de 20 milhões de pessoas já estão gravemente inseguras na região.Há uma correlação direta entre a escassez de alimentos para animais e a desnutrição em crianças menores de cinco anos, diz ele, acrescentando que estão em andamento planos para apoiar as comunidades mais atingidas com esquemas de transferência de renda em junho, quando os alimentos e as pastagens serão mais escassos.

A pandemia de Covid-19 está exacerbando o problema. Depois de dificultar os esforços para controlar os gafanhotos, a crise da saúde tem o potencial de provocar conflitos. Isso é algo que Josephine Ekiru, uma pastora e construtora de paz Turkana do Northern Rangelands Trust , sabe tudo sobre isso.

A insegurança económica causada pela pandemia já está alimentando ataques pastorais, diz ela. “Haverá um aumento no conflito baseado em recursos ... as pessoas estarão se mudando para áreas onde haverá grama. Precisamos nos preparar para o conflito. ”

(..) O Banco Mundial distribuiu US $ 13,7 milhões em financiamento de emergência ao governo queniano para ajudar a combater os enxames, e a FAO confirma que outros US $ 118 milhões foram prometidos para ajudar nos esforços de controle. Mas pedidos de apoio, como transferências de dinheiro para aqueles que enfrentam escassez de alimentos no próximo mês, são apenas 54% financiados. Será difícil encontrar o déficit em meio à pandemia global de coronavírus.

Enquanto isso, pastores como Moses Lomooria, 34, do condado de Isiolo, estão se preparando para novos inimigos. Seca e doença são familiares, diz ele, e estão diminuindo lentamente seus rebanhos. “Este é apenas um fardo adicional. Se os gafanhotos se alimentarem de vegetação agora, não haverá chuva para trazê-la de volta até o final do ano. ” A única coisa que ele pode fazer é esperar.

Náufrago 38 dias numa prioga - Vogar à deriva sobre as vagas do mar alto, tendo à noite as trevas por teto





Neste momento em que escrevo estas linhas, é noite alta - Olhando para a beleza destas vagas,ao mesmo tempo transporto-me às noites sombrias por onde vivi a sós os momentos mais belos e também os mais angustiosos

Oh Deus!...Onde Irei à Deriva Numa Noite assim?... –
Sozinho e sentado num mísero tronco escavado às desoras!..
Fixando de olhar triste o imenso teto escondido e sombrio!
Discorrendo absorto no fulgor de algum vago ou ténue brilho…
Em busca de um qualquer cintilar longínquo, das eternas estrelas
Donde não vislumbro sinal de luz – Oh grande desilusão a minha!
Estão mudas!... Escuridão e silêncio absoluto! Nenhum sinal de vida!
Porém, em torno de mim, brame e crepita a densa escura treva!
Avança em turbilhões de fumo e vertigem o tumulto da vaga!
Só as escuríssimas ondas, e, atrás delas, outras ondas mais ainda!
Ao mesmo tempo que nos ares se enrola e desvanece a baça névoa!
Erguem-se e perpassam à minha volta, fugazes rolos de inúmeros trapos!
Que se fundem e refundem, num duelo incessante, desvairado torvelinho!
Enquanto meus olhos, mergulhados de afronta, pasmo, medo e mistério,
Me provocam mil interrogações! - Se alucinam de díspares e mil perguntas!
Varrem e escrutinam, todos os confins do convulsivo e misterioso oceano!
Perdidos na superfície da ondulante massa escura, imensa sepultura aberta!

Sim, a sós, comigo e com a minha intimidade, aqui vogo, voz emudecida
Flutuando à deriva e à solta, acima e abaixo de alterosos montes e sulcos
De negras e altas montanhas líquidas, que, cavalgando ao meu encontro,
Ora se erguem, abruptamente, ora parece que nelas me envolvo e afundo.
Porém, sempre de fronte pura e aberta à negra imensidão do infinito!
Às sucessivas rabanadas do agreste uivo do vento, aos seus golpes duros!
Arrastado pela sua fugidia e perturbadora fúria, que ecoa espaço a fora!
Vogando em mar deserto, de mil remoinhos, de fervente espuma escura!
Imerso nas vestes da imensa solidão noturna, perdido e esquecido
De todo mundo e, porventura, até dos escuros e turvados Céus.
E certamente que também da misericórdia ou piedade de Deus .

Jorge Trabulo Marques 

quinta-feira, 28 de maio de 2020

CARLOS ABREU - DIÁRIO DE UM COZINHEIRO PORTUGUÊS - LONGE DO SEU PAÍS - RESISTINDO ÀS INCERTEZAS QUE MARCAM ATUALIDADE E CONFIANTE DE QUE ESTE NÃO É O FIM MAS O PRINCIPIO DE OUTRA VIDA

JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA 


Carlos  Gabriel Abreu, não se deixa vergar às incertezas e ansiedade, que percorre de lés-a-lés a grande aldeia global - "Declarou ao Inter Magazine digital, que, "Todos os dias programo as minhas tarefas para os quatro restaurantes Old Lisbon que coordeno aqui em Miami. No início de Março, a pandemia começou a fazer os seus estragos por cá com a falta de clientes e a separação de mesas com o mínimo de 1,5m. A falta de confiança começou a instalar-se facilmente entre os clientes, tal como a pandemia! No início da semana, o nosso CEO decidiu fechar os restaurantes e dispensar todo o pessoal. Entretanto, percebeu que fechar um restaurante com 30 anos e com um sucesso tão grande não era a melhor solução e então começámos a funcionar em regime take away e delivery. Deitámos as mãos à massa, sem preocupações. Afinal, essa é a génese que corre nas veias do povo português, somos conquistadores e lutadores desde há muitos séculos, sempre soubemos ultrapassar dificuldades! O vírus é mutante? Sim e nós, portugueses, também temos esse espírito de mudar e seguir em frente. Hoje, um mês depois, estamos cá com o mesmo sucesso levando à casa dos nossos clientes aquilo que nos alimenta o corpo e a alma.

Desistir não é opção na nossa área. Tenho clientes que agradecem por estarmos abertos e querem descobrir Portugal já este verão. Essas palavras enchem o nosso coração! E sabem porquê? Porque soubemos com a nossa resiliência controlar uma tragédia. Este não é o fim mas sim o princípio de outra vida, com outras oportunidades que vão surgir. Continuo a acreditar que Portugal está na moda e vai continuar a estar! Somos fortes! https://etaste.pt/gastronomia/carlos-abreu-o-diario-de-um-cozinheiro-portugues-em-miami/




REVISITANDO  LISBOA  - A encantadora cidade,  capital  que também já foi imperial, numa excursão imaginária, guiados turisticamente por este artístico video de  Afonso Brandão, com  mais um belo poema declamado ao som da guitarra portuguesa, de Euclides Cavaco - Desta Lisboa, que eu comecei a conhecer aos 12 anos - Quando por aqui vim da província, como menino escravo das antigas mercearias lisboetas - Depois de alguns anos de ausência, aqui me fixei desde 1976 e por aqui fiquei rendido ou prisioneiro, em alguns aspectos, à sua magia e ao seu feitiço, mais por resignação do que por paixão - Mas foi também a oportunidade de eu conhecer e privar , como jornalista, com muita gente interessante, em todos os sectores da sociedade - Parabéns, pois, por estes trinados e versos, tão nostálgicos e tão sentidos da nossa alma..

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Francisco Pinto Balsemão – O grande pioneiro dos media em Portugal, antes e depois da Revolução de Abril. –“ penso que a privatização da comunicação social é inevitável e é desejada” – Declarou-me antes de lhe ser atribuído o 1º canal de televisão privada em Portugal, que arrancaria em 6 de Outubro de 1992 - Dono do maior grupo dos media portugueses, com a SIC no topo das audiências.ombreando com os mais importantes grupos internacionais. Fundou o semanário EXPRESSO, em 6 de Janeiro de 1973 -

ENTREVISTA PARA A HISTÓRIA DAS TELEVISÕES  PRIVADAS EM PORTUGAL -Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista
Francisco Pinto Balsemão – Entrevista há  uns 30 anos: - Com o principal protagonista na história das televisões privadas em Portugal. – Dono do  maior grupo dos media portugueses, com a SIC no topo das audiências. 

Estoril 1985 - Francisco Pinto Balsemão , prestando declarações, ao autor destas linhas , acerca da exposição de pintura de  Isabel Torres, filha do seu grande amigo, César Torres - Ela era ainda muito nova e ele dizia que ia ser uma grande promessa na pintura - e parece que foi. - Mais tarde, , mas já na Redação do Expresso, pronunciar-se-ia para o mesmo repórter, sobre a concessão das televisões a operadores privados



Recordando a entrevista com o principal protagonista na história das televisões privadas em Portugal. – Dono do  maior grupo dos media portugueses, com a SIC no topo das audiências, nasceu em 1 de Setembro de 1937, Jurista de formação, foi igualmente dirigente político ativo, com origem paterna na cidade da Guarda, e, em Sintra, pelo lado materno

BALSEMÃO: Defendia, que o grupo mais bem posicionado para a concessão de um canaL privado de televisão, era o que ele liderava.

A história dos canais de TV privados, em Portugal, desde a aprovação da lei até ao inicio das emissões, teve os seus episódios e protagonistas – Ao recordar-se esse tempo, um dos  nomes, que ressalta, imediatamente, sobretudo para quem acompanhou de perto as discussões e as polémicas, à volta desta questão, é o de Francisco Pinto Balsemão – Sem dúvida, o grande pioneiro dos media em Portugal, antes e depois da Revolução de Abril. - Atualmente lidera o grupo mais poderoso da Comunicação Social Portuguesa, ombreando com os mais importantes grupos internacionais

Já lá vão uns anos decorridos, à volta da discussão da nova lei da Comunicação social, que, depois de aprovada,  viria a permitir a concessão de canais televisivos a grupos privados. 

Na corrida, estava o Grupo liderado por Pinto Balsemão, Proença de Carvalho e a Igreja Católica – As concessões viriam a ser atribuídos, ao Grupo Impresa, de Balsemão, que arranca com as emissões da SIC, em Outubro de 1992,  constituindo-se como  o 1º canal de televisão privada em Portugal. E à Igreja católica, que, começa as suas emissões,  em Fevereiro de 1993, sob a sigla de Televisão Independente ( TVI), que, naquela altura tinha o nome de "4" por ser a 4ª rede nos canais de televisão portugueses


BALSEMÃO, A FIGURA INCONTORNÁVEL NA HISTÓRIA DAS TELEVISÕES PRIVADAS EM PORTUGAL

Naturalmente que, a ser atribuída a concessão de canais de televisão a grupos privados, Francisco Balsemão, pese o facto de ter sido primeiro-ministro e co-fundador de um partido, era quem, à partida, reunia mais créditos para chamar a si esse justificado direito e responsabilidade. Este era pois um dos argumentos de peso que jogava a seu favor. Todavia, conquanto os dois Governos de Cavaco, liderados pela AD, obtivessem a maioria absoluta, o processo  foi-se arrastando e levou algum tempo a que passasse das intenções à prática.

Nesse interregno – já não nos ocorre em que data precisa – na altura em que trabalhávamos  como repórter na Radio Comercial-RDP – pessoalmente tomámos a iniciativa de nos dirigirmos à redação do semanário Expresso, que era ainda ali próximo da rotunda do Marquês Pombal, parta ouvir Francisco Pinto Balsemão, acerca deste candente assunto - O qual prontamente acedeu expor as suas razões..

“O tema da privatização  está em foco, em termos gerais: não apenas no que respeita à comunicação social. Isso resulta do resultado das eleições, resulta do programa do Governo. E penso que é esse o caminho a seguir, embora com naturais cautelas em relação à organização política do Estado e á intervenção que o Estado terá que ter sempre na economia.

No caso concreto da comunicação social  - fico com muita pena não estar presente do debate  recentemente realizado no Clube dos Empresários, pois tinha outro compromisso  inadiável - , penso que a privatização da comunicação social é inevitável e é desejada. Quanto aos jornais, não faz qualquer sentido que o Estado tenha jornas: nenhum país europeu, em nenhum país do mercado comum, isso acontece.  Quanto à rádio, a privatização já existe, a privatização já existe apesar da lei ainda não estra a ser aplicada e aí há que regulamentar o modo, o exercício dessa privatização.
Quanto á televisão, também penso que, não apenas porque nos países europeus isso está a acontecer mas também é a única  maneira de darmos uma resposta em termos culturais e de identidade nacional à invasão das televisões estrangeiras, é realmente a privatização. É haver a possibilidade de canais privados em Portugal.

Portanto, por tudo isto eu sou defensor se que este tipo de medidas sejam tomadas rapidamente. Até aqui não foi possível, na medida em que não havia uma Governo maioritário, uma maioria na Assembleia nesse sentido. Mas, quanto à televisão, todos os partidos apresentaram propostas de lei, tendentes à existência de televisão privada 

Vejo a televisão privada, acima de tudo e como primeira prioridade, através da abertura de  um concurso público para a exploração existente, o segundo canal, que é a nossa primeira prioridade,  minha e do Grupo Sójornal : empresa proprietária do Expresso e que compreende vários outros jornais e publicações. Como a empresa proprietária do semanário Jornal; empresa proprietárias das revistas Nova Gente, Maria e outras: O Tempo; o Diário de Coimbra; Diário de Aveiro; O Motor. E depois, um segundo grupo, com empresas bem conhecidas em Portugal: como é o caso dos Filmes Castelo Lopes; de Costa do Castelo (filmes); da Valentim de Carvalho, Telecine-Moro e outras.

Este Grupo é um Grupo que se considera competente, porque tem experiência em matéria de comunicação social. E, por isso, julgo que as regras, no caso da televisão, devem atender à experiência no campo da  comunicação social dos concorrentes Excerto da entrevista, parte da qual editada em vídeo

BALSEMÃO E A TEMPERA DE UM NATIVO SERRA DA ESTRELA

Pinto Balsemão tem a têmpera do granito da Guarda - Seu pai Henrique Patrício Pinto Balsemão nasceu no dia 9 de Setembro de 1897 na cidade mais alta de Portugal - O filho Francisco nasceu em Lisboa no dia 1 de Setembro de 1937 - Tal como seu pai é um nativo virgiano. Ambos nasceram em dias ímpares mas ele prefere o número par. "Quando posso, arranco com os meus projetos num dia 6: o Expresso começou a 6, o PSD foi anunciado num dia 6, a Caras saiu num dia 6. A SIC Notícias só não iniciou as emissões a 6 porque era um sábado. Não sou supersticioso, mas, se puder ser a 6, é."JN - Acho que faz bem  - É assim que se contrariam os enguiços: ao número seis só faltam, dois tracinhos: um de cada lado para tomar a forma de cifrão



No dia 6 de Janeiro, dia em que o semanário expresso, completava, 40 anos,  Henrique Monteiro, diz que, quando este jornal foi "lançado, em 1973, existia censura prévia, os partidos políticos eram proibidos (apenas um grupo tinha assento no Parlamento), havia guerras em Angola, Moçambique e Guiné para onde eram mandados rapazes de todo o país, o PIB per capita, a preços que podem ser comparados (preços constantes) era metade do valor atual, o número de pessoas empregadas era muito mais baixo (porque havia muito menos empregos e a população ativa era menor), além de que o país"Expresso por mais 40 anos. Parabéns

Também somos da mesma opinião: - A grande incógnita está na era pós Balsemão

Indubitavelmente, sem  o semanário Expresso, o jornalismo português teria ficado mais pobre, muitas noticias não teriam sido publicadas e muitas pessoas teriam ficado ignoradas, umas vezes criticadas, outras promovidas - isto para já não falar nos destinos da política -  O Expresso nasceu em 1973, na chamada primavera Marcelista, ou chamar-lhe-ia o Advento do 25 de Abril –

Por esse tempo, o autor destas linhas encontrava-se  em São Tomé. Depois de uma experiência, bem amarga pela vida da roça  (para onde foi estagiar como técnico agrícola) era então operador no ERSTP e correspondente de uma revista de Angola, a Semana Ilustrada" - Nessa altura, já tinha plena consciência do que era o bisturi  e até dos calabouços da PIDE e dos seus britais mimos. Indubitavelmente, sem  o semanário Expresso, o jornalismo português teria ficado mais pobre, muitas noticias não teriam sido publicadas e muitas pessoas teriam ficado ignoradas, umas vezes criticadas, outras promovidas - isto para já não falar nos destinos da política - 

 O Expresso nasceu em 1973, na chamada primavera Marcelista, ou chamar-lhe-ia o Advento do 25 de Abril – Por esse tempo, o autor destas linhas encontrava-se  em São Tomé. Depois de uma experiência, bem amarga pela vida da roça  (para onde foi estagiar como técnico agrícola) era então operador no ERSTP e correspondente de uma revista de Angola, a Semana Ilustrada" - Nessa altura, já tinha plena consciência do que era o bisturi  e até dos calabouços da PIDE e dos seus britais mimos.