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segunda-feira, 2 de junho de 2008

ALINHAMENTO SAGRADO COM O PÔR-DO-SOL NO SOLSTÍCIO DE VERÃO - MACIÇO DOS TAMBORES - ALDEIA DE CHÃS- VILA NOVA DE FOZ CÔA

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Esta extraordinária imagem, configurando uma gigantesca esfera terrestre ou a esplendorosa configuração de um enorme globo solar projectando os seus dourados raios, a poente, foi registada, pela primeira vez, cerca das 20.45 horas do dia 21 de Junho de 2003 e poderá repetir-se, todos os anos, ao fim do dia mais longo do ano e à mesma hora, caso as condições atmosféricas o permitam.

A partir do ponto onde o sol então se pôs ( e voltará a pôr-se) começa o Verão e, de igual modo, a grande estrela-fiel inicia o movimento aparente da sua declinação para o Hemisfério Sul – E, até atingir esse ponto extremo, no Solstício do Inverno, distam vários quilómetros: ou seja, desde o ponto do horizonte, onde ele se vai pôr, em perfeito alinhamento com a crista do esférico bloco e o centro do pequeno círculo que se encontra cavado, a alguns metros a oriente, na mesma laje da sua base de apoio.

Porém, o enorme megálito que a mesma imagem documenta, deverá ser observado segundo a posição que parece ter sido ali erigido, retocado e direccionado. Feita a observação noutro ângulo, deforma-se e chega mesmo a parecer um estranho busto. Porventura, configurando, sabe-se lá, senão um outro simbolismo ou interpretação, ainda não decifrada.

EIS ALGUMAS IMAGENS DA APROXIMAÇÃO AO PONTO CULMINANTE।

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.Os homens da pedra lascada, dispunham apenas de rudimentares utensílios de sílex, daí, talvez, a razão pela qual empregassem apenas a sua primitiva ferramenta para dar as formas naquilo que lhes era estritamente indispensável ou necessário। Mas, por outro lado, chegam-nos até hoje testemunhos de que eram possuidores de conhecimentos e de técnicas que lhes permitiam arrastar ou erguer estruturas pesadíssimas।.

Este extraordinário calendário solar não é único। Muitos desses blocos ( tais como, menires, estelas, dólmenes, recintos megalíticos), fazem parte de uma antiga herança do passado e, de facto, muitos deles, devido à posição que tomam, são geralmente conhecidos por alinhamentos sagrados, visto estarem em perfeito alinhamento com o sol, a lua ou outros corpos celestes.















A sua origem está ainda envolta nalgum mistério e nalgumas sombras, tal como, de resto, toda a Pré-História. Presume-se, porém, que tenham sido erguidos por antigas civilizações pré-célticas e, também, sabiamente aproveitados por estas culturas que, compreendendo o poder e o significado que representavam, os utilizaram e cultuaram nos seus rituais e festividades, ligadas aos ciclos das estações.


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Existem em várias partes do mundo, cada um com as suas especificidades. Porém, uma parte desses monólitos foram destruídos, perderam-se ou caíram no esquecimento: diluíram-se por entre as ruínas dos abrigos e povoados – Tal como este, até ao dia em que alguém se apercebeu da singularidade da sua forma, da sua exposição, localização, entre outros aspectos, acreditando que não poderia ser obra do acaso: que havia ali demasiadas coincidências para se tratar um vulgar penedo, entre os inúmeros que por aqui se espalham, a monte ou isolados, por acção e obra da Mãe-Natureza, desde o fundo do vale e por toda a vasta área planáltica do maciço granítico.

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Há quem pense que o mundo da luz e do conhecimento só começou com a descoberta da electricidade. Mas os que assim pensam estão enganados. O homem existe há milhões de anos! E, por conseguinte, desde há muito que ele aprendeu a aperfeiçoar as suas técnicas de sobrevivência, a conviver com a natureza, e a conhecer-lhe muitos dos seus segredos, que, certamente, se foram perdendo à medida que se foi divorciando do seu contacto.

Vejam-se as mundialmente famosas estátuas da Ilha da Páscoa, enigmáticas figuras gigantes com os olhos voltados aos céus, ou ainda, nos Andes, a não menos impressionante Porta do Sol, presume-se que da cultura Asteca, expressando a mais estreita aliança e união do espírito com a matéria - Isto para já não falar das ruínas de Stonehenge, sobre as quais, investigadores de todos os domínios, se continuam a interrogar, sem, contudo, encontrarem as respostas que os satisfaçam..

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Eis o vale que o Sol abençoa!।


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A minha relação com a penedia dos Tambores e Quebradas, começou muito cedo. Palmilhei as suas canadas e atalhos, muitas vezes em criança, e até descalço, quando os meus pais eram caseiros na Quinta do Muro( que fica, quase lá ao fundo da depressão, debruçada sobre a Ribeira - hoje, em ruínas), e donde eu partia, vindo lá de baixo, com a marmita pela mão, subindo as íngremes penedias para levar o almoço ao pastor da Quinta, quando ele, por estas bravias encostas, guardava o gado.

Cedo, então, aprendi, não só a conhecer pelos seus nomes, muitos destes penedos e morros, muitas das curiosas pedras que compõem esta vasta fortaleza natural, como também a reconhecer-lhes as suas singularidades. E este penedo foi, justamente, um dos enormes megálitos que me chamou atenção, mal o vi pela primeira vez: não tanto pela sua curiosa esfericidade, mas sobretudo pelo estranho círculo cavado na rocha

Vendo que essa concavidade era muito plana, muito direitinha e circular, numa rocha tão irregular, depreendi que tal só poderia ser obra do homem e não devido à acção da natureza, tal como algumas lagaretas que por ali existem, mas com canal de saída e contornos diferente, facto que despertou, desde então, a minha curiosidade.

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Entretanto, até que eu começasse a fazer outras conjunturas, passaram-se muitos anos. Porém, um dia, na sequência da descoberta do calendário solar no Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, e um ano depois, quando eu me encontrava, naquele local para assistir a mais um pôr-do-sol no Solstício do Verão, e prosseguir com as minhas observações, veio-me à lembrança a imagem da curiosa pedra esférica. Abandonei aquele espaço amuralhado e, como que levado também por um certo espírito premonitório ou de pura intuição, fui ver o que realmente ali se passava.

Faltavam menos de quinze minutos para o sol pousar, lá longe, sobre a cordilheira, na outra margem da ribeira. À primeira vista a ideia era a de o que o sol ia pousar fora do meio da curvatura da pedra. Mesmo assim esperei. Esperei e acertei em pleno! Fiquei radiante! – É inolvidável o momento!

Mal queria acreditar na imagem que tinha perante os meus olhos. Peguei na máquina fotográfica e fiz as primeiras fotografias. Nos dias seguintes voltei lá a fazer novas observações para acompanhar o percurso da declinação solar. E o mesmo fiz nos meses que se seguiram. Até que, por fim, dois anos depois das duas descobertas, decidi tornar público o meu encantamento, de modo a que pudesse ser partilhado a quem aqui quisesse deslocar-se, como um dos espantosos legados da Humanidade.

Em 21 de Junho de 2004 o tempo não nos ajudou muito. Eram meia dúzia de jovens da aldeia e alguns técnicos do PAVC. Choveu nesse dia e só nos derradeiros instantes, e em jeito de despedida, o astro-rei nos saudou. No ano seguinte, em 2005, resolvi convidar à minha custa, um grupo de gaiteiros de Miranda e tornar ainda mais solene e mágico o esplendoroso momento. Mesmo assim, não foi muita gente mas penso que foi um momento muito bonito e que dificilmente deixará de ser recordado na retina de todos quantos o puderam contemplar – pois o tempo em que o fenómeno ocorre é muito escasso! Duas televisões captaram imagens e espalharam a notícia.

E agora, como há mais gente empenhada, e até conto o apoio da própria autarquia local, estou plenamente convencido que o grande passo para a sua divulgação, está dado. O que eu espero e peço aos deuses e às divindades, que nestas fragas e nestes espaços, foram adoradas e reconhecidas pelas suas benesses, por parte dos povos que aqui se abrigaram, continuem a conferir-lhe a mesma suprema protecção, por forma a que se possa perpetuar para sempre a sua original beleza.

Jorge Trabulo Marques

Junho 2006।


Um comentário:

Anonymous disse...

Isso é um verdadeiro achado e olha que não é de hoje que a humanidade anda a procura pela pedra mictórica.
Se não fosse a internet não teríamos encontrado essa raridade.