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terça-feira, 10 de junho de 2008

CELEBRAÇÃO DO SOLSTÍCIO DO VERÃO DE 2006

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A tarde estava esplendorosa, o espaço azul limpo e puro! Por isso, dificilmente haveria espírito algum que não se deixasse render às maravilhas de um quente mas abençoado dia de Estio, que já fazia esquecer os dias nebulosos e até de algumas ruidosas trovoadas! – Eis uma das razões pelas quais a aldeia compareceu em peso para celebrar o dia maior do ano!

E, mais do que isso, festejá-lo, tal como os seus antepassados o haviam festejado, junto a um dos antigos templos solares, que se erguem na vertente sobranceira a um dos vales mais belos e férteis da bacia hidrográfica do baixo Côa, alcandorado na depressão do espectacular afloramento granítico dos Tambores


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E, de facto, assim aconteceu. Talvez com o mesmo sentimento de encanto e de entusiasmo e de união com a Natureza, tal como os povos que por ali edificaram os seus povoados, comemoravam os ciclos das estações e honravam as suas divindades ou os seus deuses - Sim, estou em crer que, nunca aquelas rochosas encostas e mesmo a área mais planáltica, desde os recuados tempos em que deixaram de ser habitadas e, toda a sua memória que nos fora legada, caíra no esquecimento, terão sido tão visitadas e tão concorridas. Por certo, poucas terão sido as pessoas que ficaram em suas casas. Crianças, gente jovem e mais velha, não só desta freguesia, como vinda de fora, misturava-se e participava da mesma expectativa e na mesma alegria: a de se juntar à representação dos antigos sacerdotes celtas, que, envergando as suas túnicas brancas, carregando aos ombros alguns cordeiros, se dirigiam para Pedra do Solstício, a fim de ali evocarem rituais e sacrifícios de tempos idos, em homenagem à plenitude e abundância da entrada da estação mais desejada do ano! Em saudação ao magnificente Sol! Que, obedientemente, roda à sua volta e, por sua vez, obedientemente, vai rondando à volta de outros sóis maiores que são também outros espelhos de Deus!


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SONS DE VIOLINO E DE ACORDEÃO, A LEITURA DE POESIA DE INSPIRAÇÃO CELTA, O RUFAR DE TAMBORES POR AUXILIARES DOS “SACERDOTES FRUÍDAS” MARCARAM OS MOMENTOS ALTOS DA CERIMÓNIA -

Uns minutos antes das 20।45, hora prevista para o pôr-do-sol, foi lido um belo poema celta, em louvor ao grande Leão dos Céus como fonte de criação e de vida e aos sagrados valores que estão em harmonia com a Mãe-Natureza: ditos pela voz do músico Jorge Carvalho, que o conhecido actor e músico, João Canto e Castro, sublimemente acompanhou, tocando uma área de Bach, com a sua viola de arco, bem como por sons de acordeão de Gonçalo Barata - um talentoso jovem acordeonista.
Ambos vieram propositadamente de Lisboa, oferecendo generosamente a sua colaboração, que muito lhe agradecemos, norteados tão somente pelo prazer espiritual de poderem participar numa tão significativa celebração – Sem dúvida, momentos de grande misticismo e de rara beleza, ali vividos, que dificilmente poderão ser descritos, e que terminariam com um estrepitoso rufar de tambores, fazendo jus ao nome do lugar, ao mesmo tempo que três cordeiros eram simbolicamente sacrificados। Evocando aqueles tempos em que, os tais sacerdotes, “eram guiados a trabalhar em harmonia com o plano divino, por isso, percebiam a luz mais claramente do que a multidão despreocupada e ignorante. Também hoje, a luz mística brilha para todos aqueles que se esforçam em realmente servir no altar do auto-sacrifício. E vão caminhando na luz, invisível à multidão”

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.MOMENTOS DE DESCONTRACÇÃO - DEPOIS DA CERIMÓNIA

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Vale a a pena subir esta estrada, desde o fundo do vale até ao alto do planalto, onde se situa a aldeia de Chãs, e os Templos Pré-Históricos da Pedra do Sol e do Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora: um apontado ao nascer do sol dos Equinócios; outro ao pôr-do-sol, no Solstício do Verão - e a curta distância um do outro.

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A PRIMEIRA CONCENTRAÇÃO - decorreu, pelas 19 horas, no recinto amuralhado do Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, após o que se seguiu então um longo cortejo até ao Templo Solar? Porém, e atendendo que o espaço do patamar é reduzido, poucos foram os privilegiados que puderam contemplar o fabuloso pôr-do-sol estendendo os seus dourados raios em perfeito alinhamento com a crista do enorme penedo esférico e o centro do pequeno círculo cavado na rocha, consagrado às oferendas e aos sacrifícios

Uma grande parte das pessoas pôde concentrar-se, encimada, num quase semi-anfiteatro; porém, houve mesmo quem ali se encavalitasse no alto de algumas fragas.

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.Seguiu-se a cerimónia de homenagem ao Poeta Fernando Assis Pacheco, na pedra a que foi dado o seu nome. E que passará também a ser o altar em homenagem a todos
os poetas mortos.

Tudo começou, há dois anos, na sequência da celebração do Solstício do Verão, junto à Pedra do Sol. Os participantes, acedendo à minha proposta, deslocaram-se em romagem à referida pedra, onde depositaram algumas vergônteas e raminhos de flores silvestres que colheram por entre as fragas e giestas - Homenageando assim o poeta que nos honrou com a sua visita (a primeira e a última - um mês antes da sua morte), tendo-se se despedido, no centro da dita pedra, com uma saudação, muito especial, a estes espaços, que tanto o encantaram e às antigas divindades locais.

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Porém, desta vez, o momento foi ainda mais belo e expressivo: pois, além de ter contado com lindos momentos musicais e de poesia e de um maior número de participantes, teve a presença de alguns dos familiares mais próximos do poeta। E também do Presidente da Junta de Freguesia, António Lourenço, que, ao associar-se, não só quis evocar a memória de Fernando Assis Pacheco, como estender a homenagem à evocação de todos os poetas, que, através dos seus versos, engrandeceram a língua portuguesa – Aproveitando para sugerir que, de futuro, assim se procedesse: que esta mesma pedra passasse a ser considerada como um pequeno altar a todos aqueles que, em suas vidas, nunca perderam a fé em tudo que é universal, enaltece o ser humano e o aproxima do sagrado। E, na verdade, tal como ali reconheceu, só os poetas e os místicos têm a genuína percepção, que vai ao encontro da defesa desses sagrados valores e dessa grandeza espiritual।

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FINDA A CELEBRAÇÃO - TAMBÉM HOUVE LUGAR A MOMENTOS DE AGRADÁVEL


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DE VÉSPERA - O ALINHAMENTO JÁ SE OBSERVA
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Não está ali por obra do acaso: entre os dois pontos que separam o pôr-do-sol no Solstício do Inverno e Solstício do Verão, ainda distam alguns quilómetros...

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Um comentário:

Elaneobrigo disse...

magnifico relato.. dá vontade de fazer as malas e acampar por essa zonas...

é bom que se continue a celebrar a nossa ancestralidade

parabéns pelo blog