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sábado, 6 de dezembro de 2008

MÁRIO SOARES E AS SUAS REENCARNAÇÕES - E a Vida para além da Vida - Percursos dos Mistérios do Além


Luis de Raziell - V.V. de Deus.  6 de Dezembro - 2008 -.

 Donde vimos e para onde vamos?... Há vida para além da morte física? – Esta é a grande interrogação de qualquer ser humano, que não olhe apenas para o firmamento ou para as estrelas, como o boi que olha para um palácio, que penas sacode os cornos e passa adiante - É preciso entrar nos mistérios da nossa mente e devassá-la - Pois dizem os mitólogos que apenas se faz uso de 10%  do nosso cérebro - Certo que pensar dá trabalho à gente mas não hesite: Puxe pelo seu caco e pense


Sou um admirador da personalidade de Mário Soares - Ele é um espírito elevado e eu gosto de comunicar com espíritos elevados. Daí tê-lo incluído nas minhas jornadas místicas - Ou seja, entre as figuras a quem dirigi as minhas cartas: umas por admiração, outras apenas por impulsos inexplicáveis - Mas a Mário Soares foi apenas por admiração - Se lhe sobrar tempo não deixe de ler o que escrevi sobtre uma outra das figuras que muito admirei - Francisco Sá Carneiro -  http://www.vida-e-tempos.com/2013/11/caso-camarate-francisco-sa-carneiro.html


Durante alguns anos escrevi várias cartas a diversas personalidades da vida portuguesa, e até à Irmã Lúcia, exceptuando a esta figura, todas elas foram redigidas sob o pseudónimo místico de Luís de Raziell -
Nuns casos enviei, noutros, simplesmente, acabaram por figurar no arquivo das minhas elucubrações do foro mediúnico e espírita.- Alguns excertos foram editados neste site, mas remetidos para  arquivo, sem visibilidade pública, aguardando oportunidade de serem trazidos à luz, com a data que foram editas, quando se achar oportuno. - E assim tem sido 



Talão do registo da carta que lhe enviei em 27 de Março 2001 - Não tenho a certeza se a leu - pois ele deve receber muita correspondência - mas, para mim, esse aspecto até nem era o mais relevante: o que mais me importava era escrevê-la. E foi o que fiz, tal como muitas outras que ( por demasiado longas) não lhas cheguei a enviar.


 03/12/ 2008 - Mário Soares um Predestinado http://www.vida-e-tempos.com/2008/12/mario-soares-um-predestinado.html Carta de um vidente a um Visionário  Editada em 15-11-08 – mas por enquanto não visível publicamente  http://www.vida-e-tempos.com/2008/11/mario-soares-1-carta-de-um-vidente-um.html 26/12/2008 - Mário Soares  - A Simbologia de um Império http://www.vida-e-tempos.com/2008/12/mario-soares-simbologia-de-um-imperio.html

De algum modo inspirado num livro da poetiza e escritora, Fernanda de Castro,, que tive a honra e o trazer de entrevistar em sua casa - O seu Livro era com figuras famosas falecidas, eu preferi no entanto as que ainda viviam e traçar-lhe o percurso das suas vidas passadas -



 Era uma forma epistolar mais de reflexão e de introspecção de ordem espiritual de que propriamente com carácter temporário e politico. - Mário Soares,  foi uma dessas figuras - Umas cartas foram-lhe enviadas, outras, por tão extensas, ficaram inacabadas e por enviar - É o caso do texto  que a seguir aqui apresento, acerca das suas reencarnações, que comecei a escrever em Dezembro de 2002. 

Mas há outros textos anteriores a esta data. Porém, pelo facto de se terem tornado demasiado extensos, acabaram por figurar no rol das cartas inacabadas. Pois, sempre que, as retomava, surgiam-me novos pensamentos ou dissertações, e acrescentava-lhes sempre algo mais 




Também lhe enviei por e-mail outras cartas, sobre as mais diversas questões, incluindo as minhas previsões para o Ano 2001, com o título Ano 2001. O Ano de Todas as Odisseias", como que antevendo o 11 de Setembro, Algumas das quais igualmente editadas, neste site, sob o título de Mário Soares - Um Predestinado - E "Mário Soares - Mar  - A Simbologia de Um Império" , mantendo-se na pasta de arquivo, mas só serão reveladas, tal como esta e com a mesma data,  quando se achar oportuno. 



AVISO O LEITOR QUE OS EXCERTOS DOS TEXTOS EPISTOLARES QUE DE SEGUIDA AQUI PRODUZO NÃO FORAM ESCRITOS AO JEITO DE CARTOMANTES PARA SEREM FACILMENTE ASSIMILADOS E COMPREENDIDOS - Exigem disponibilidade intelectual e tempo - Mas também de receptividade e espírito aberto, tal como tem sido a vida atual  de Mário Soares - 
Carta


(…) sou a mesma pessoa que, em 27 de Março de 2001, e através da carta, a que atrás aludi, lhe disse,  textualmente, o seguinte, a propósito das densas nuvens que via, então, pairar no horizonte:  “Sem com isto pretender ser alarmista, penso que o Ano de 2001(ironia das ironias), o tão badalado e tão profetizado Ano da Odisseia do Espaço), vai ser, certamente, um ano para esquecer - o ano de todas as “odisseias” - E, ao que parece, ainda agora a procissão vai no adro.”  - Estas minhas proféticas palavras, escrevi-lhas eu na 2ª página da dita carta (registada), tendo acrescentado, na 3ª página, ainda o seguinte: “Como disse, vejo com apreensão o decurso do Ano 2001(não é um ano bom: no que já nos trouxe e naquilo que de negativo nos poderá trazer - a nós e aos outros


Esta minha visão, tinha duas leituras: uma de cariz nacional, outra mais vasta, internacional, que se veio consubstanciar com o 11 de Setembro. Assim, no que a nós nos toca, eu queria referir-me às dificuldades que via desenharem-se ao nosso país, em geral, e, em particular,   ao Governo liderado por António Guterres, tendo aludido à tão malfadada ponte. “Pode ser pura fatalidade, mas a verdade é que há fatalidades e acasos muito estranhos. Definitivamente, não é um bom agouro, uma vez que, as pontes, assumem por natureza uma simbologia positiva, conquanto envolta num misto de alguns justificados receios e antigas superstições” Sublinhava então, antes de me referir ao que, de preocupante, antevia. Claro, não era apenas pelo facto de ter caído aquela ponte, em Sete Rios (e logo o sete?!...), pois, muitas outras mais caíram, nesse ano, noutras partes do globo (felizmente sem vítimas a lamentar:  que eu saiba, uma na América, e outra em Espanha), mas, atendendo às condições trágicas como a queda daquela ponte se deu, cujas consequências, tão enormes foram, que julgo que acabaram por ser mesmo o princípio da derrocada do próprio governo. É, claro, em boa parte, por alguma inabilidade de António Guterres, que não soube rodear-se dos melhores colaboradores

Monarca a seu  modo
(…) Como vê,  as coisas negras, não só vão acontecendo aos outros, como também nos vão  batendo à porta.

(...) Sem dúvida, a tal triste odisseia do 11 de Setembro, é um sério aviso, aos governos, às nações, à humanidade, em geral, que, pelos vistos, apesar do futuro, não lhe ser muito risonho, tem andado muito distraída  

Não se pense que a trágica e vil odisseia perpetrada por uns quantos fanáticos, no 11 de Setembro, é pura obra de lunáticos!  Essa gente, pese todos os seus fundamentalismos, não faz o tal denominado terrorismo, apenas pelo simples prazer de provocar o pavor e a destruição - O seu apodado suicídio, não é propriamente um suicídio ou acto gratuito. Eles representam pensamentos e valores, que, de forma alguma deverão ser subestimados - e, a verdade, é o que o têm sido, de forma humilhante. Especialmente por parte da  maior potência bélica - Na qual , a ascensão ao poder de Bush ao  mais alto patamar do império do capital, na minha perspectiva assume o significado  da verdadeira encarnação da genuína besta!, no alvor do presente milénio, a que tantos poetas, videntes e profetas, se referiram, desde há muito, nos seus inspirados e visionários transes - Aí está, de regresso, a mais sinistra cruzada, forjada  no mais hediondo, perverso e caduco catolicismo, de espírito de casta, de espírito dogmático, despótico, retrógrada, de falsos guardiões do Templo e da Humanidade  

CHEGOU A BESTA.... 

Silêncio! - Ó Céus, Ó estrelas, Ó longínquo Firmamento!
Chegou o “messias”,  a parda sombra que vem substituir-se a Cristo!

Se achais que a Hora é Alta,
então declamai, lá bem do alto, dos Infindos espaços,
e com todo o esplendor que está ao vosso alcance,
a chegada do preclaro emissário,
ao pobre planeta Terra!

(...) ... aí está, ó maldição das maldições!
Ó ironia de todas as ironias!
Ó vil tirania, ó vil pecado!
Aí está, de regresso, a besta,
(...)
Vejam, o desplante, o arrojo,
a descarada hipocrisia do seu furor!
Agora, em vez da cruz, ou da Bíblia,
não é que, esse mesmo impostor,
vem rodeado de  poderosa artilharia!
(excerto)

REENCARNAÇÃO (enxertos de uma longa dissertação)

 (...) "Espero que a próxima reencarnação ainda venha longe, mas também  compreenderá que terá o dia previsto da sua partida: ninguém foge às leis inexoráveis da vida e da morte - Mas, por enquanto, ainda vai cumprindo a missão que o destino nesta vida lhe reservou; sim, até ao dia em que, talvez num dia cinzento e frio, se despeça e parta para nova viagem

Se me perguntarem se acredito em Deus, é claro que eu responderei que acredito - E, afinal, quem é que não acredita em Deus?!... Tenho, no entanto, o meu próprio conceito:


Deus são as plantas, os animais, os minerais, o sol, a lua, as estrelas, todos os seres que povoam os mares e que existem à superfície da Terra, reflectem a sua imagem. Deus não existe como entidade  suprema mas existe em cada um de nós. Deus não tem pouso nem tem lugar. Deus não ama os bem-aventurados e recrimina os chamados pecadores; Deus não foge dos maus para se pôr ao lado dos bons; Deus não chama ninguém porque Deus não tem Voz senão a Voz e a Imagem do Universo 








Afinal, nós é que podemos invocar Deus, porque, ao invocar aquilo que de mais sagrado e profundo existe em nós: a alma espiritual, o pleno e harmonioso desenvolvimento do ser interior  e da transcendência corpórea, que faz com que nos sintamos mais conscientes e humanos  

E sobretudo, desperte, no mais recôndito do nosso ser, as mais renovadas e puras energias, por forma a que estejamos em paz connosco  e com o mundo que nos rodeia. Por isso, é bom que o invoquemos, sempre que pudermos – Pois só assim cumpriremos, em elevação, o nosso destino da poeira cósmica, na qual  nada se perde o se imobiliza, porque continuamente se renova, purifica e transforma 

QUERENDO, TAMBÉM NÓS SOMOS A FACE DE DEUS E NÃO A IMAGEM  DO LIBERALISMO DEMONÍACO E MERCANTILISTA ! – E a meditação é a via mais adequada  para despertar em nós a presença do divino, o sentimento capaz de no proporcionar o caminho que nos conduzirá a uma maior elevação espiritual e a percepção do mundo  exterior e dos sentido da própria vida





Exposto este meu pensamento, presumo que exprimi em que consiste a minha fé ou a minha crença e também os grandes princípios pelos quais julgo nortear a minha vida e fundamentar as capacidades de médium vidente e de espírita

Dito isto, espero, mais adiante, fazer-lhe uma espantosa revelação!... Estou esperançado que a minha mente me conduzirá a esse iluminado estado de clarividência.... O momento parece-me propício...

Entretanto permita-me a seguinte pergunta: Já alguma vez pensou ou admitiu que poderia ter tido outras existências anteriores à que hoje vive?... Pois, olhe que, dentre todas as coisas que se afiguram impossíveis à mente humana, a da encarnação, creio que não é das menos inverosímeis. Se não quiser acreditar, peço-lhe que não tome esta minha ousadia como capricho de mera especulação ou fruto de algum cérebro desarranjado e perturbado que não tem mais em que ocupar o tempo do que vir falar-lhe de algumas banalidades e crendices. Nada disso.


Compreendo que não é matéria fácil de explicar e de aceitar; tal como tudo quanto os teóricos sobre as leis da física e da química, não dominam, os ultrapassa e para o qual não encontram explicação lógica. No entanto, o conhecimento da vida e de muitos dos seus mistérios, felizmente, não está apenas confinado às teses académicas: há outros saberes, demasiado intrínsecos, intuitivos, que, mercê desta ou daquela capacidade inata ou adquirida, romperam com velhos preconceitos e códigos estabelecidos, são como que o olhar penetrante da águia ou de condor sobre os vales mais profundos ou acima das mais altas montanhas; nada lhes escapa. São parte de um conhecimento que vai muito para lá do tempo ou da própria imaginação do comum dos mortais...São posturas ou saberes em que, a percepção ao mundo sensível, em certos aspectos, talvez se compare à do homem primitivo, para o qual a realidade se confundia com a própria irrealidade. – E, a final, quem é capaz de distinguir essa ténue fronteira?!...

Aquilo a que nós chamamos alma, para o Homem da Era da Pedra, não era mais do que a intercepção material com o imaterial O princípio vital da própria existência. A sua mentalidade era simultaneamente infantil e contemplativa: por isso mesmo, de amplitude universal. Tudo o assustava e maravilhava. A sua vida interior estava intimamente ligada ao meio que o rodeava. Agrupado em pequenos grupos étnicos ou familiares, vivia da caça e da pesca, completando as suas refeições com os frutos silvestres que apanhava. Dir-se-ia um ente solitário num mundo ainda totalmente desconhecido, mas ao mesmo tempo integrado no conjunto de todas as espécies vegetais, de todos os seres vivos que lhe asseguravam a sobrevivência ou com os quais partilhava o mesmo ambiente




Desprovido de saberes científicos, a sua vida assemelhar-se-ia, porventura, a uma espécie de permanente sonho acordado .A sua mente ocupar-se-ia mais com o receio das feras que o atacavam ou do raio que o poderia fulminar do que com a permanente obsessão a um Deus Desconhecido, Dominador ou Castigador... Por isso, o que haveria nele de primitivo, talvez fosse apenas o sistema arcaico e simples da sua ligação à terra, o estar perto das origens, das quais apenas se afastara, tal como outros seus longínquos antepassados, pela posição erecta de Homo Sapiens... Pois a designação de homem selvagem não é sinónimo de brutalidade e de crueldade; não é um comportamento exclusivo do homem primitivo. Talvez nas sociedades actuais, em muitos indivíduos considerados letrados e cultos, se tomem atitudes mais brutais e se comentam actos mais bárbaros.

Assim, resta saber em que medida é que, o homem de hoje(disperso num sem número de crenças e vazio de ideologias) se alcandorou na sua íntima relação com o meio, a que planos acedeu em termos de harmonia e de convivência com a Natureza, a que nível de percepção soube correlacionar-se com o seu lado transcendental ou divino. Certo que já foi à Lua e enviou sondas a pontos afastadíssimos no espaço?... E a vida e a morte?!... Terá ele já a perfeita noção de onde vimos e para onde vamos?!...Claro que continua ainda mergulhado em dúvidas. No entanto estou em crer que um dia virá em que ele saberá responder a todas essas questões que agora o inquietam e a que, por não ter uma resposta concreta, as relega para o domínio do inexplicável, do incognoscível e do misterioso.

As civilizações nascem , desenvolvem-se e desaparecem, mas também, depois delas, e sobre as suas ruínas ou cinzas, outras jornadas humanas se levantam e florescem.... O homem é, em si, também consciência e evolução do mundo que o rodeia. E, num futuro, não muito distante, mais do que consciência e evolução, caber-lhe-á um maior papel determinante e interventivo

Ao contrário das velhas teorias que viam o espaço nocturno como se fosse um infinito lampadário de estrelas amarrado a um tecto, ou então recuando ao tempo em que se acreditava que era o sol que girava em torno da Terra e que esta era o centro do mundo, tais conceitos ruíram por completo: o universo não só é mutável como se comprime, expande: é um força em permanente mutação!

É, pois, meu pensamento que, muito antes que o Sol deixe de iluminar a Terra, e esta conclua o seu curso, surgirá no nosso planeta uma civilização muito superior à actual, capaz de superar-se e transcender-se em vários níveis: do espaço e do tempo! E muito além dos limites actualmente imagináveis ao Homem de Hoje - Aconteceu em Marte (donde emigrou, quando a vida ali se extinguiu) e, dia virá em que, na fase derradeira de completar a sua passagem pelo ambiente terreno, a vida humana acederá a um plano ainda mais elevado, a partir do qual transmigrará para outro ponto do Universo, que povoará! – Mas não é um processo único! Há já outras civilizações, noutras regiões do Cosmos, com estágios bem mais avançados do que aquele para onde se encaminha o ser humano..

Entre a Era da Pedra e a descoberta da Electricidade, há, com certeza, uma menor distância, em termos de avanços científicos e tecnológicos, do que desde a data em que Thomas Edison descobriu a lâmpada (1879) até à actualidade. Desde então deu-se um passo incalculável. Os eventos são fabulosos E que salto não dará daqui a um milénio?! Mas outros e outros mais espectaculares se seguirão, até ao ano 12.000! – A partir de então dar-se-á começo à Era do Pós-Homem! – Um longo período, verdadeiramente ascensional! Sim! - Ninguém dúvida que os próximos tempos nos hão-de trazer descobertas ainda mais espantosas. Porém, de todos esses passos estou certo que o maior de todos vai ser dado no domínio da espiritualidade. – Só então se cumprirá o principal objectivo para o qual o Homem se distanciou dos outros animais na sua escala evolutiva

No dia em que o homem se convencer que pouco mais poderá ganhar com os avanços da ciência e da tecnologia, nessa altura voltar-se-á, inevitavelmente, para dentro de si, para a interpretação e compreensão das coisas que ainda hoje mais o intrigam - o mistério da vida e da morte!.. A bem dizer é o passo que até hoje, verdadeiramente, nunca deu. Ao desinteressar-se das coisas materiais, uma nova estrada se abrirá à sua frente, um radioso e luminoso horizonte rasgar-se-á os seus olhos.

De ora avante ele não caminhará no sentido horizontal, mas em direcção às incomensuráveis alturas do Universo! - Isto porque, embora com os pés na terra, os seus olhos jamais se irão despregar do Centro do Grande Arco da sua Origem - A sua mente ocupar-se-á, essencialmente, numa profunda e continuada reflexão. Não para adorar um hipotético Deus, mas para se dar conta de que o Grande Deus, está dentro de si mesmo, bem no centro do seu cérebro e no mais fundo do seu espírito. Nada lhe será estranho e inexplicável. Desaparecerão segredos e barreiras que agora o perturbam e o deixam confuso. Atingirá um fantástico grau de lucidez e de sensibilidade, de tal ordem, que as suas capacidades de intuição e de percepção( até agora em grande parte adormecidas), desenvolver-se-ão em flecha!.... 


E não tardará a transitar da chamada fase da Civilização do Homem para a Civilização do Pós Homem....Um período civilizacional fabuloso!!... Em que a maior das capacidades que passará a dispor, vai ser a força do pensamento; o desdobramento do corpo e do espírito. Viajará pelos infinitos confins do espaço sem ter que recorrer a foguetões ou a qualquer nave especial. Nessa altura, os actuais aeronaves ou automóveis, há muito desaparecidos, tornar-se-ão em meros vestígios arqueológicos, brinquedos verdadeiramente obsoletos, com a mesma importância ou significado que assumem, nos dias de hoje, aos nossos olhos, os objectos de sílex da Era da Pedra que se encontram expostos nos museus...

O seu espírito voltará a ser o viajante cósmico.... Concluída a incursão pelo sistema solar e após haver integrado o Espírito de Marte e da Terra, soltar-se-á em sonho... Período que poderá também ser explicado como o Período da Encarnação Final - Último degrau da escala evolutiva na sua viagem terrena. Porém, tal não significará que a sua missão espiritual seja dada por terminada - De modo algum! Outro período se seguirá!

O Universo, como entidade inteligente, mutável e perfectível, reservar-lhe-á tarefas ainda mais aliciantes e ousadas....Em planetas que gravitam em torno de outras estrelas, noutras galáxias longínquas ou mais próximas...- Sobre este assunto, publiquei, nos finais dos anos 70, num dos suplementos do Diário Popular, um desenvolvido artigo de duas páginas, em que expus a minha tese e a que dei o título: A ERA DO PÓS-HOMEM 





Depois desta minha dissertação(talvez demasiado maçadora), passo então a outro tipo de revelações que têm a ver com a chamada encarnação - A tal fase pela qual os espíritos humanos vão transmigrando até concluírem o chamado GRANDE CÍRCULO DO CORPO E DA ALMA.



Decerto, meu Caro e Distinto Cidadão de Portugal e do Mundo, já ouviu falar da chamada escrita automática, daquelas fulgurantes tiradas de que são privilegiados certos poetas e iluminados... Admito que sim. Até porque, sobre este tipo de ascese-vidência, já se dissertou muito. E também porque, qualquer intelectual, particularmente dotado, em plena febre da sua inspiração, e em momentos ou circunstâncias especiais da sua vida, ter-se-á dado conta dessa reconfortante sensação, dessa extrema lucidez! De quão agradável como inesgotável é essa fonte de saber! Não tenho a menor dúvida de que, um espírito da sua craveira, já passou por alguns desses níveis de inspiração ou de iluminação!...

Com a devida modéstia, direi que tais experiências, de carácter mediúnico, também já me ocorreram. Não para rasgadas e surpreendentes laudas de escritor ou de poeta, que não sou nem tenho pretensões a ser, mas para dar vazão às imagens que, em certas circunstâncias, me afluem à mente com a sequência e a nitidez de uma tela de cinema. Em muitos aspectos tem algo de verosimilhante; correm em caleidoscópio mas são muito diferentes das cinematográficas.... Ou têm como origem a memória oculta do fundo dos tempos - De um mundo que não é visível ao olhar comum , mas que a percepção dos meus sentidos vai buscar e recuperar. Fenómeno que poderia apelidar de uma espécie de terceira visão, ou, por outras palavras, como factos que espontaneamente irrompem, tal como se os visse surgir de um futuro ainda ignorado, longínquo, mas claramente já programado, predestinado!


 No entanto, no que julgo estar em condições do que a seguir lhe vou revelar, não deverá ser tomado como fiel reprodução de escrita automática, momentânea, mas consequência de uma visão anterior, que eu tive, há um tempo, sobre encarnações vividas por V.Exa, e que eu, como médium vidente, pude captar e visionar... - Por uma razão simples: é que V.Exa. não é um espírito vulgar... E, por isso, acaba por ser atraído para estas amáveis intromissões

.“O Homem do Século; a Figura mais Notável de Portugal nos últimos cem anos” - dizia-me, num destes dias, um seu amigo, no café da Brasileira, entre uma bica e dois dedos de conversa. Pessoa que tem de V.Exa, não apenas simpatia e admiração, mas autêntica veneração! - E, frise-se, com absoluto fundamento! É que o acompanhou, de muito perto, durante 10 anos, tendo do Dr. Mário Soares, uma amizade e um carinho, verdadeiramente indestrutíveis à prova de fogo!...


Pois bem, o que ouvi de viva voz a esse seu muito amigo, vem confirmar alguns aspectos das minhas interpretações mediúnicas que fiz sobre várias encarnações pelas quais passou o espírito de V.Exa.

Na realidade, anteriores percursos existenciais, qualificam-no, inquestionavelmente, como um espírito de rara lucidez e clarividência! De um espírito que sempre se caracterizou por uma longa e espantosa via de ascensões!.. Incorporando níveis de sensibilidade e de inteligência particularmente avançados para o seu tempo! – Destacando-se em cada migração terrena por que passou!....
De esclarecer que, nem sempre, o tipo de profissão, o estatuto social ou até a natureza da encarnação tem a ver com o grau de espiritualidade - Pode ser um indicador, mas não é uma referência conclusiva.

A seu respeito só me é possível recuar a algumas das suas encarnações, mas, em todo o caso, garanto-lhe que foi um dos distintos Reis de Portugal, tendo sido a cidade de Coimbra, a sua maior paixão...Antes disso, foi cavaleiro árabe, tendo “morrido” muito novo em pelejas com os cristãos.. .

Na encarnação seguinte, à de valoroso Rei Portugal (...), foi capitão-mor de uma nau na carreira das Índias, porém, o dito navio (...)em que navegava, naufragou, noite alta e cerrada, devido a uma inesperada tempestade que rebentou junto ao cabo da Boa Esperança....Em verdadeiro mar aberto!.. Panorama medonho!...Num mundo de agitação e de trevas!....Horas antes, já um pôr do sol flamejante, a que se seguiu um rápido crepúsculo raiado a vermelho e a ouro, tingido por uma luz violácea, deixava antever maus presságios.

Ao mesmo tempo, seduz-me e apavora-me a tragédia!... Por isso, vou concentrar-me de modo muito particular na visão que já tive. Vou deixar que a minha mente flua livremente e o meu sexto sentido me transporte de novo aos escaninhos mais recuados desse ancestral guardador de tesouros, de naufrágios, de vidas e despojos...

Confesso, no entanto, que tenho algum receio de lhe vir falar destas coisas que já pertencem ao passado...E a razão é simples... É porque tudo isto me soa a um mistério que já não é de agora.. Voltar a falar dele, não só me perturba como se me afigura um exercício inútil.......E, de certo modo, até me entristece... Pertence ao passado... Já foi!... E, como compreenderá, cada realidade e cada mistério têm o seu tempo próprio de existência... Direi que retomar o fio condutor destas coisas assume quase o mesmo desencanto da criança que vê quebrar-se à frente dos olhos maravilhados, sua linda bola de sabão, que um simples sopro projecta e quebra! Enquanto se ergue no espaço, toda sua leveza e brilho a fascinam, após o que se desfaz, todo o seu sorriso esmorece...

 Nós humanos, ainda estamos longe do tempo em que todos os mistérios se hão-de de quebrar como bola de sabão... Muitos deles já se desfizeram e passaram ao domínio da percepção. Mas também muitos ainda há que a mente humana não decifrou. E talvez o maior de todos seja mesmo aquele que reside dentro de nós. E não tanto os mistérios que estão para lá das grandes manchas de estrelas ou nebulosas. Mas lá chegaremos!...

Bom, mas tenho que recuar no tempo... Certo que é mais aliciante quando o pensamento nos transporta para o futuro, de que quando intentamos recuar ao passado. Em todo o caso, seduz-me essa incursão... Até porque, vista a narrativa numa perspectiva histórica, há que reconhecer que se trata de uma situação verdadeiramente épica!... Um dos episódios mais sublimes e corajosos na vida de um grande marinheiro!...

Que eu saiba, o drama não foi descrito. Pois não houve sobreviventes que o pudessem contar!... Jaz no fundo dos abismos e pertence ao imenso rol das grandes provas de coragem que foram sepultadas no fundo dos mares e que ficaram para sempre ignoradas e esquecidas no mundo dos vivos.

Vou pois dirigir a minha mente a um plano para o qual não existem nem noites nem dias, mas apenas séculos, anos e datas para que, através desse obscuro e mágico calendário, possa transformar a visão dos meus olhos numa espécie de voo de ave nocturna, que vai a toda a parte, não encontra barreiras e não se assusta nem a impede, coisa alguma!
E, já agora, a propósito de naufrágios, dir-lhe-ei que, nesta minha actual encarnação, também já fui um miserável náufrago, já conheci, no meu corpo e na minha alma, todo o peso e o drama que esta palavra encerra, durante longos dias e longas noites sucessivas, perdido entre o céu e o mar, desprovido de mantimentos e de água potável. Felizmente tive a sorte de aportar a uma bela ilha – Um verdadeiro paraíso tropical esquecido... Pena o ter encontrado nas mãos do diabo! – De um sanguinário ditador! Que, uns anos depois, haveria ser deposto pelo sobrinho, através de um golpe de sangue! – Então, Comandante das Polícias e das Forças Armadas, que me recebeu de pernas cruzadas sobre a secretária de vime do seu gabinete. Bom, mas isto são pormenores para outras narrativas.

Sorte bem diversa, teve, porém, a sua existência, na dita encarnação, igualmente num mar antigo, numa dada fase da sua vida, aí pela casa dos quarenta, em que empreendeu uma viagem, bem ousada, mas sem regresso... É esta, pois, a odisseia, vivida nesse tormentoso mar, que eu agora aqui lhe quero recordar...

Como compreenderá, viajar com a mente para tão longe no tempo e no espaço através de tão complexa incursão, além de exigir um profundo silêncio, requer uma introspecção muito profunda! Pede-me a mente que os meus pensamentos se libertem e voem soltos – voem livremente! Tal como gaivotas quando levadas pelos ventos da maresia... Mas eu penso que, neste preciso momento, encontro o ambiente propício e estão reunidas as condições exigidas.

Para lhe ser sincero, por vezes, até fico com a ideia de que este pequeno espaço se compara a um caixão - Mas isso em vez de me incomodar, pelo contrário, facilita a minha concentração....Conduz-me a outra subtil realidade....

Sim, é bom que não percamos nunca de vista que a morte é a permanente companheira de todas as nossas noites e de todos os nossos dias, a fiel amiga que nos acompanha desde o nascimento até ao último suspiro, após o que toma conta do nosso corpo – e a que passa a chamar de seu – Enquanto, por outro lado, liberto o espírito desse efémero invólucro, este transfere-se e enceta a sua caminhada para uma outra jornada ou novo recomeço - Se já é um espírito evoluído, para o seu tempo, inevitavelmente acenderá a um patamar superior! De outro modo, até poderá conhecer outro tipo de encarnação, que não seja propriamente humana.

A noite, lá fora, é de chuva e vento... É uma noite de invernia, típica das noites de Dezembro e da soturnidade característica do Natal que se avizinha. Deveria ser um tempo para alguma reflexão mas só se for à hora em que as pessoas recolhem ao seu leito. Ao longo do dia a maior parte das mentes é talvez arrastada pela onda do consumismo desenfreado. E à hora do almoço e do jantar não despregam os olhos das televisões. E não encontra sequer um instante de desprendimento e de interiorização. Eu não vou ao cinema, vejo pouco televisão e adoro a noite – Não a noite da cidade, da confusão e bulício dos centros de diversão, mas “a noite magnética e abundante!” Sob o tranquilo recolhimento de minha casa ou deambulando ao luar ou mesmo pelas noites estreladas, lá pelas fragas e graníticos ermos nos arredores da minha aldeia, onde vou em peregrinação todos os meses.

A noite da cidade fere a minha sensibilidade e atordoa-me os sentidos. Já houve um tempo em que andei por aí à deriva, tal como ainda hoje vagueia por aí certa fauna. Também me atordoei nalguns desses locais de diversão nocturna – Hoje não faço isso – Não penso que seja pela idade, mas pela exigência e pela necessidade. São locais demasiados ruidosos e poluídos para a minha mente. Confesso que foi um tempo de vazio e um tempo perdido. De inútil atordoamento. Ainda bem que despertei a tempo e dei outra orientação e sentido à minha vida. E, por isso, é com alguma pena e que vejo tanta juventude a desperdiçar, de forma tão perdulária, o seu tempo de lazer e não consegue dar-lhe outra orientação mais proveitosa, no sentido de se distrair e até na obtenção de um prazer mais consistente e duradouro. Atordoam-se nos copos e na fumaça! Não sei bem o que quererão do futuro!...Em todo o caso, convivem e aliviam algum do stress que também já os apoquenta. Muito mais que quando eu tinha a sua idade.

Mas o pior, da noite, nos grandes centros urbanos, é sobretudo a situação dos que dormem ao relento, os sem-abrigo... Gostaria de um dia saber que vidas anteriores essas pessoas já tiveram para continuarem ainda com este enorme calvário! Era talvez interessante uma destas noites concentrar-me na pobre imagem de um desses desgraçados que não têm paradeiro certo e que todas as noites divagam, quase como sonâmbulos, pelos cantos mais esconsos a procurarem uns pedaços de cartão, ou mesmo ousando meter as mãos no interior dos caixotes do lixo para recuperarem alguma bucha ou alguns dos desperdícios e com eles se cobrirem e aconchegarem debaixo de alguma arcada, vão de escada ou soleira de porta. Não ter um lar é talvez das coisas mais sofridas para o homem, depois da doença..É a perda da sua identidade e do seu amor próprio. No entanto, embora embutidos pela descrença, de vencidos da vida, são todavia seres humanos! E, como tal, expostos que são a tão triste fatalidade, deverão sofrer horrivelmente

 Porém, na paz do meu desvão de águas furtadas, a noite a mim tranquiliza-me e transmite-me um forte sentimento introspectivo, de profunda serenidade e de aliciante divagação espiritual! A bem dizer, eu amo a misteriosa noite! Sinto que o meu coração se lhe entrega com toda a fidelidade e que faz dela a sua mais confidente e secreta mensageira.

E, é por isso, que nestas horas de silêncio, como esta hora da madrugada em que agora discorro, mesmo sem fazer qualquer esforço, lá estou eu a divagar ou aprofundar os meus pensamentos. Um dos quais é precisamente aquele que faz com que seja tentado, como que a debruçar-me através de uma das janelas voltadas para o passado; para a decifração de histórias antigas e de alguns dos seus enigmas para os quais me sinto inclinado, viajando como nos sonhos, sem esforço e sem cansaço... Vejo-os avançar livremente ao meu encontro. Vindos de um passado distante povoado de mar!....

Oh! mas o que é passado?...O que é que ele, no fundo, representa?..... É ou não apenas o último despojo, pedaço de ruína ou vulgar destroço de tudo o que a erosão do tempo não consegue desgastar ou destruir e que a memória regista e faz perdurar nos seus mais discretos escaninhos?!...É ou não o que agora acabo de pensar?... Do que pensei há instantes e mesmo que o volte agora a pensar, será sempre pensado noutro instante ou noutro plano diferente!...

Acaso haverá alguma fronteira a separar-nos do passado?... Senão vazio e memória?!....Lembrança que se esfuma, que se diluiu, não somente ao longo de uma vida, mas através das sucessivas vidas em que encarnamos.... . Esquecemo-nos; somos humanos... Todavia, memória é também espírito, é um lastro que se perpetua e não desaparece completamente... Instala-se e repousa nos domínios do sonho..

Ora, o sonho não se apaga.... Esvoaça com a voragem do próprio tempo... Porém, tendo vida própria, caminho separado, pode viajar pela eternidade sem contudo se desintegrar ... Sim, olhando agora, e uma vez mais a ondulante superfície daquelas escuras águas, em que, há uns momentos atrás, o via a navegar sobre o dorso sombrio, viscoso e escorregadio de alterosas vagas, quer parecer-me que, em boa parte, até já nem sou propriamente o pensador que se detém a olhar por uma janela voltada ao passado, mas mais no lugar do pescador que, tendo à frente dos seus olhos uma vastíssima e turbulenta paisagem, no que pensa é somente em rodar o carreto da sua cana e lançar ali o chumbo e o anzol da sua linha e apanhar algum peixe.

Porém, para seu e meu desencanto, o que se nos depara não são peixes em profusão mas o mar enfurecido e a tragédia a pairar por tudo quanto é mar e solidão!

Oh, que pavoroso cenário! É o mar de antanho que se alteia e expande sobre uma superfície negra e vastíssima !.. É o mar antigo e longínquo!... Perturbadora e marulhenta visão! Apesar de coberto por uma densa e tempestuosa noite, descubro-lhe os contornos, lívidos e esfumados, do imenso círculo em que tumultua e alastra...

Há em tudo o que distingo um misto de memórias ancestrais e de tragédia... O céu cobre-se de um veludo negro! Tem a cor do luto e da morte...O ambiente é confuso, lúgubre!. Ronda por toda a parte o presságio do agouro, o pesadelo da incerteza e de ameaça!...

Oh, sim, revejo o crucial momento!...Revejo como tudo outrora se passou....É algo atraente e ao mesmo tempo aterrador!.. A nau navega!...Navega à superfície de um mar negro e encapelado!...

Eu estou de lado de cá, junto ao parapeito de uma janela, ampla e tranquila, não posso sentir medo. Mas, na verdade, impressiona-me olhar para o lado de lá! Para a paisagem marítima que desfila aos meus olhos, com tanto realismo, como se à minha frente se escancarasse, subitamente, uma enorme tela e através dela estivesse assistir à rodagem de um pavoroso filme!.. É um ambiente de tempestade que me fascina e assombra, simultaneamente!

Vejo névoas disformes, vultos fluindo, alguns dos quais tomando formas caprichosas, corpóreas, humanas, e até reconhecíveis..... E, por sinal, quem distingo, e nitidamente, por entre a amálgama de sombras e de lívidas névoas, que pairam e rodopiam em torvelinho?!.. Sim, quem distingo a navegar à superfície de uma massa disforme que se eleva ou se afunda em rodopiante efervescência e convulsão?!... Quem descubro, além do vulto da nau, é justamente a imagem do capitão-mor!!...E, por cima do marulho das águas, o som da sua voz , quase a sumir-se por entre o ruidoso escarcéu, a dar ordens aos seus homens!..A encorajá-los no quase seu desespero e grande aflição!...

O mar não pára de crescer!... As velas vão retesadas, mas é duvidoso que o rumo se possa aguentar por muito mais tempo.... Pede calma!...Manda reforçar o mastro e o cordame que já vibra sob acção demolidora das constantes rajadas do vento e das vagas!... Segura-se a um dos ovéns do mastro... Robusta e imponente figura!... Parece impassível!!... Olha apreensivo a ondulante escuridão, que os constantes relâmpagos vão iluminando, tal como o seu rosto e a sua vestimenta, que vão escorrendo ensopados em água e que mais parece a imagem nítida e fantasmagórica de algum super-herói, que não se intimida, mesmo quando aqueles sinistros raios rasgam e fulguram os escuros céus, o horizonte e toda a ondulante vastidão!!..


Enormes turbilhões galgam agora a nau!.. Fazem-na subir e descer num louco e imenso carrossel!!.. Há circunstâncias em que todas as palavras se tornam inúteis!... Por isso, talvez fosse preferível ficar por aqui e optar pelo mais profundo silêncio e não acrescentar sequer mais uma palavra!..... Mas eu vou continuar a minha narrativa...Não posso desperdiçar a oportunidade de ser a única testemunha a presenciar de tão perto a visão de tão horrível mar e a não ser engolido pela sua cólera e extrema violência!... Os meus sentidos estão apuradíssimos e não deixam que nada escape à minha atenta observação....
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No entanto, admiravelmente, uma vez mais uma voz ecoa e se destaca, no meio da ruidosa solidão... É a voz do comandante!... Que não quer resignar-se à eminência da fatalidade que se estende por toda a parte e se mostra estampada perante o seu atónito olhar

Grita ao homem do leme e dá ordens ao piloto para corrigirem a rota e mudarem a nau de direcção...E até já o vejo a largar a ponte e a tentar dirigir-se, como alguém que balança na corda de um trapézio, para junto do timoneiro e dos restantes marinheiros para os encorajar ainda mais, juntando às mãos deles as suas firmes mãos, auxiliando-os no titânico esforço!!... – Partilhando, lado a lado, no sobre-humano sacrifício a que tempestade, impiedosamente, os está forçando até à exaustão!...

Mas é tarde demais!... Lá fora o vento vibra, sibila numa sinfonia infernal!... O mar galga e sacode a cada instante a já desgovernada nau! Á confusão do mar, juntam-se agora os gritos aflitos e o desespero humano!...Ás suas vozes aflitas, vêm reunir-se confundir-se todos os marulhos e ruídos que desabam dos negros céus, que emergem do fundo do mar e de toda a parte, que se elevam, entrechocam e perdem no mesmo aturdimento e convulsão!... Desarmaram-se escaleres e improvisam-se jangadas...Todos já se aperceberam que sorte ou destino os espera!....
Rangem os mastros, uma parte das velas já se rasgou!... A ventania não cessa de uivar Cresce um clamor surdo de vozes e de gritos!... que se mistura à violência e ao fragor das vagas!....Que avançam de todos os pontos do negro horizonte, em sucessivos cachões, deixando nos curtos intervalos, a arrepiante sensação de um vazio de morte, a vertiginosa imagem de um sufoco de afronta e destruição!!...
  
Visão aterradora!...O que eu vejo não é o mar que tanto gosto de contemplar à beira de uma praia tranquila e banhada por um sereno e luminoso luar... É um mar de agouros!... Um imenso palco de agitação e de abandono!... Pelo qual já desfilam imagens de assombro e de tragédia!... Não se descobre uma estrela!!...O céu é um fugidio manto de azeviche!... E sob o mesmo tecto ondula e corre uma não menos imensa e desoladora negridão!...

Meu Deus! Vai solitária a nau!!...Não navega!!....Vai perdida!!... Não tarda afundar-se. Perante tão devastador cenário, que irá na mente do corajoso capitão?!... Que dirão os valentes marinheiros ?!... Haverá alguém que queira render-se à morte?!... Não creio!... Não vejo que alguém queira cruzar os braços e dar-se por vencido?!... Não vejo que alguém queira aceitar um destino que não programou!... 

Já lá vão algumas horas desde os primeiros sustos!...Mas no seus corações deve já ter-se instalado a noite mais longa das suas vidas!... - Uma noite eterna, medonha e sem fim!!...




Fecham-se ainda mais as escotilhas! Aferram-se cabos! Reforçam-se os mastros e mastaréus! Enrolam-se velas! soltam-se ou esticam adriças, brandais e enxárcias! As bombas e os garrotes nem por um instante deixam de cumprir a sua função! A água invade, alastra os porões!... Urge escoá-la!... Mas é assustador!... O mar continua a não dar a menor trégua!... É a desolação, o desamor!!..

Mesmo assim , a coragem ainda grita alto!!.. Grita ao vento e à fúria do mar!!.... Ninguém desiste de lutar!!...Num derradeiro esforço, comandante e alguns dos seus homens, firmam-se com incrível valentia à cana do leme!...”A orçar!... a orçar!... Força! ao leme!!. Azeite à água!!”- ouve-se uma voz solitária! Apela-se à última resistência para aproar a nau ao vento e espalham-se óleos para tentar quebrar a rebentação.

Mas de pouco lhes valerá! As águas estão enfurecidas e o leme já não responde... As velas, umas, já foram enroladas; outras, não resistiram!... estão esfarrapadas!... A nau, balouça! Balouça de través!... Vai desgovernada, em árvore seca para destino incerto......Vai até que um próximo vagalhão a mergulhe para sempre num dos sorvedouro abissais!!...

Trágica Hora!...Momentos de infinita desolação!. Já quase toda a guarnição saltou ao mar!... Uns, agarrados a tábuas, a toras e a barris de madeira; outros, os que se conseguiram meter em salva-vidas( pequenos batéis e jangadas) vogam já por entre a desenfreada agitação das águas, no meio da avassaladora escuridão!... Só o bravo capitão e mais um punhado dos seus homens mais fiéis, é que ainda se mantêm na desgovernada nau!... dobrados à cana do leme!... Impotentes à tragédia em que já mergulha o seu aturdido olhar!... Serão engolidos pela mesma avalanche e pelo mesmo rodopiante movimento, quando a próxima ondulação se elevar! ...Será que vão assim aceitar, estoicamente, a morte?!... Ou vai ser esta que, de tão visível, tão próxima, os surpreenderá e imobilizará para sempre?!.

... Mundo de trevas! Mundo de convulsa solidão!.. 




A nau corre solta e desgovernada... Vai dar de bordo!... Vejo que vai rodopiar sobre o seu eixo, sob um céu negro, pesado e baixo, que mais parece querer pousar sobre os seus inclinados mastros e afundá-la, de uma só vez , desde a ré à proa!... Sim, vejo que é mesmo aquele enorme vagalhão, que agora sobe e envolve o seu costado, que subitamente se arremessa contra o seu cavername, com inaudita violência, que a vai mergulhar para sempre nas profundezas!...Perdendo-se no meio de fundos vales e negras montanhas de agitação, de efervescente água e novelos de espuma!.... 

A nau corre solta e desgovernada... Vai dar de bordo!... Vejo que vai rodopiar sobre o seu eixo, sob um céu negro, pesado e baixo, que mais parece querer pousar sobre os seus inclinados mastros e afundá-la, de uma só vez , desde a ré à proa!... Sim, vejo que é mesmo aquele enorme vagalhão, que agora sobe e envolve o seu costado, que subitamente se arremessa contra o seu cavername, com inaudita violência, que a vai mergulhar para sempre nas profundezas!...Perdendo-se no meio de fundos vales e negras montanhas de agitação, de efervescente água e novelos de espuma!.... 


Todavia, é impressionante! ... É impressionante! Como há vidas que, mesmo com a morte à frente dos olhos, nem por isso se lhe rendem a sua afronta e vão até onde lhes permite o último folgo ou respiração! – É justamente o que agora ocorre com a atitude do corajoso capitão!...Robusta e temária figura!!... Preferiu morrer abraçado a um dos mastros do seu barco, lutando até ao último instante, mantendo-se heroicamente no seu posto do que a procurar um escaler e zelar pela sobrevivência pessoal!..

Eis, pois, Meu Caro e Ilustre Cidadão, Meu Bom Português, e Distinto Cidadão do Mundo, como acabo de rever e lhe recordar a odisseia pela qual passou, numa das suas anteriores encarnações, ao comando de uma das frágeis caravelas da Coroa de Portugal, quando, em noite alta, foi surpreendido por uma violenta tempestade nos mares do sul,!... Porém, tanto quando me é possível percepcionar, através da janela que me permitiu empreender uma viagem ao fundo da memória do tempo, outras encarnações teve, igualmente valorosas, cuja descrição de seguida vou procurar fazer-lhe.

Excerto da carta começada a escrever em Dezembro de 2002

Luís de Raziel

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