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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

MÁRIO SOARES - A SIMBOLOGIA DE UM IMPÉRIO – MAR, RIO . SAGRES E OS VERSOS DA PROFECIA DE DOM SEBASTIÃO O DESEJADO "QUE AINDA HÃ-DE VIR NUMA MANHÃ DE NEVOEIRO.."

Por Luis de Raziell   - Neste site – também    06/12/2008  Mário Soares e as suas reencarnações - templos do sol - tambores ... -   SAIBA  DE QUE FORMA  SE CUMPRIU PORTUGAL E SE CUMPRIU O 5º IMPÉRIO – NÃO O COLONIAL  MAS O DA LÍNGUA DE NAÇÕES LIVRES E INDEPENDENTES  -  «Não acredito na eternidade. O que fica de mim é um rodapé num



O PRIVILÉGIO DE UM NOME QUE, EM CADA LETRA, TEM UMA FORTE SIMBOLOGIA PROFÉTICA...



Durante alguns anos escrevi várias cartas a diversas personalidades da vida portuguesa, e até à Irmã Lúcia, exceptuando a esta figura, todas elas foram redigidas sob o pseudónimo místico de Luís de Raziell -

Nuns casos enviei, noutros, simplesmente, acabaram por figurar no arquivo das minhas elucubrações do foro mediúnico e espírita.- 

Alguns excertos foram editados neste site, mas remetidos para  arquivo, sem visibilidade pública, aguardando oportunidade de serem trazidos à luz, com a data que foram editas, quando se achar oportuno. - E assim tem sido 

As motivações para este propósito são múltiplas e não vale a pena estar aqui a descrevê-las. Há quem o faça dirigindo-se a pessoas vivas( como eu) mas também há quem já o tenha feito a pessoas mortas - É o caso da escritora Fernanda de Castro - com quem tive o prazer de falar, por duas vezes, em sua casa, e numa fase em que se já se encontrava acamada desde há alguns anos.

 Mário Soares e as suas reencarnações 06/12/2008  - http://www.vida-e-tempos.com/2008/12/mario-soares-e-as-suas-reencarnacoes.html 03/12/ 2008 - Mário Soares um Predestinado http://www.vida-e-tempos.com/2008/12/mario-soares-um-predestinado.html Carta de um vidente a um Visionário  - Editada em 15-11-08 – mas por enquanto não visível publicamente  http://www.vida-e-tempos.com/2008/11/mario-soares-1-carta-de-um-vidente-um.html.







Na vida há um tempo para tudo: Para mim foi uma experiência que não estou a pensar repetir - pelo menos sob a forma que o fiz. Na altura tinha computador mas ainda não Internet. Agora seria mais fácil - em parte devido à facilidade com que se envia uma mensagem ou faz uma postagem . E, pelo menos, mais algumas teria enviado.

O excerto que a seguir transcrevo, faz parte de um conjunto de cartas que escrevi a Mário Soares . Mas apenas lhe mandei uma delas - Não sei se a leu - Mas este até nem era o aspecto que mais me importava: para mim o mais importante era dar vazão aos pensamentos que, naqueles momentos, me afluíam à mente. Só que, tal como aconteceu com esta carta, a dada altura deixavam de ser cartas para se tornarem em textos extensíssimos, passando, assim, à condição de meros exercícios pessoais. Eis, pois, o excerto de mais um desses longos exemplos.

De referir que os versos que aqui transcrevo (apenas alguns excertos, dada a sua extensão) se reportam ao surgimento da  lusitanidade, aos mares nunca dantes navegados (descritos com base nas  várias experiências marítimas vividas pelo autor destas linhas) e, por fim, à decifração do  chamado 5º Império, a que poetas, visionários e místicos, já se referiram.








Exmo. Senhor
Dr. Mário Soares
Ilustre Filho de Portugal,
Grande cidadão do Mundo


.


(...) Talvez duvide mas é minha crença que o seu espírito, além de trazer a luminosa auréola de um notabilíssimo passado de reencarnações, vindas de muito longe, do fundo dos tempos, faz parte de uma plêiade de espíritos evoluídos, com uma missão verdadeiramente interventiva , profética e transformadora, através do longo processo evolutivo da humanidade .No entanto, sobre isso, conto pronunciar-me, em pormenor, noutro contexto.



Por agora, gostaria de começar por me referir a alguns dos grandes visionários, poetas e profetas, em cuja poesia ou em cujas professais, directa ou indirectamente, com maior ou menor relevância, se evocam os destinos de Portugal, tais como, por exemplo: Nostradamus, Bandarra, Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa. Claro que não tenho a pretensão ou a veleidade de vir aqui escalpelizar ou interpretar cada um dos seus versos, trabalho já profundamente estudado por vários ensaístas. Simplesmente, sublinhar que, todos estes poetas e visionários, usaram nos seus versos (ou nos seus sermões, caso de Vieira) duas palavras com um significado, verdadeiramente profético, transcendental, para com os destinos de Portugal – Como seja, a palavra Mar e a palavra Rio!... – Mar, é, pois, o Mar Português, tão superiormente sublimado por Camões e Fernando Pessoa; Rio, obviamente o nosso Rio Tejo, através do qual as caravelas partiram estuário fora em demanda de outros mares desconhecidos, mares nunca dantes navegados
!

Monarca a seu  modo

Por outro lado, se dividirmos a palavra Soares, em duas sílabas, o que é que se poderá subentender?... Pois bem, como a primeira sílaba é muda, e a segunda aberta, fica o S sozinho, a soar a Sagres!
– Ah! Sim, que significado mais maravilhoso, que força mais expressiva para todos nós, portugueses, pronunciar a palavra Sagres! – Ponto de partida das naus que haviam de dar a volta ao mundo. Mas não só o S tem a ver com o começo da palavra Sagres, tem igualmente uma forte conotação com o nome de Sebastião, ou seja, com o rei D. Sebastião, desaparecido na Batalha de Alcácer Quibir, em 1578, cujo mistério à volta do seu desaparecimento e da tragédia que envolveu os milhares de portugueses que ali pareceram, haveria de fazer renascer um halo de esperança para Portugal, que viria a consubstanciar-se no ressuscitar do Quinto Império – Cujo surgimento messiânico e profético começara a desenhar-se com a espantosa vitória de D.Afonso Henriques, aos mouros, em 1139, na célebre batalha de Ourique, conquista decisiva para a consolidação do reino


Com efeito, evocando o nosso histórico passado,
direi que não foi um começo feliz.
Um filho voltar-se contra sua mãe,
brandindo espada com espada!

Não, não foi um lindo princípio – Porém,
foi assim que Deus quis
que irrompesse a alvorada
de um pequeno país!

Depois, muitas lutas mouramas enfrentou,
Outras tantas pelejou com as hostes castelhanas,
até que fosse pátria una, formasse uno povo, e,
em sonho audacioso, sagrasse príncipe encantado,
rendido ao mar, destemido nauta,
ainda novo!

.
Assim aconteceu, um dia, porque,
em pergaminho antigo, estava escrito
nas estrelas do céu - Ó Sol bendito!
Ó heroica luz! - que o caminho
percorrido por lusa gente,
fosse o mar e o sonho azul
do céu! - Ó astro luzente!
Que, em alvas velas vestindo
tua luz refulgente,
fosses o farol luminoso
e o guia espiritual,
deste ocidental cantinho
em demanda ousada
ao longínquo,
formoso oriente!

Porém, ó Ave celestial, eu sei que o teu dourado ceptro,
nem sempre brilhou com igual esplendor! - Viajando contigo
até ao teu infinito passado, ó astral nave!
Eu vejo que és o drama imenso, incerto, a história impenetrável,
vivida por audazes lusitanos em desconhecidos mares bravos, levantados,
ermas solidões, vastos oceanos, 
mares nunca dantes navegados, 
vastidões imensas, horizontes diluvianos,
enfrentando ásperas tempestades,
terríveis naufrágios, bramidos medonhos,
sob infinitos céus lívidos de trevas,
imensos vales de lágrimas, negras névoas,
em errantes viagens com partidas
eternamente perdidas, perdidas!
na vil voragem de redemoinhos
horríveis de alterosas vagas!

Mesmo assim, ó Farol dos nautas, ó Guia que a tormenta esconde!
 - Embora triste, e de coração ferido, pelo luminoso rasto
que, a  sombra amortalhada, descida do alto teto, encobriu
e enegreceu, em noites antigas  de tenebroso, álgido e funéreo véu!
Eu te saúdo, ó Astro amigo! Ao ver-te morrer em mar fundo
 e largo! - Ó sublime moribundo!.. Ver-te morrer, morrendo
em dourado vale morto, mas sagrado!...
Morrendo, ensanguentado em poente pálido lacrimoso,
belo e trágico! - Morrendo, tu, ó Sol bendito! Ó Luz da Vida!

Porém, que funesta heresia! 
Que maior solidão e vazio pró mundo! 
- Que maior inquietação, pró coração
desolado dos homens!  - Dos pobres náufragos
que, vendo, unicamente,  na tua luz,
a sua última réstia de esperança,
a sua única tábua de salvação,
embora, contemplando-te maravilhados,
em hora tão olímpica, derradeira e oblíqua,
no entanto, mal lhes permites, ó Sol Divino!,
que seus olhos, se extasiem,
completamente,
magnificentemente,
no fulgor suave e dolente dos teus raios,
que, flamejando dourados, se vão derramando
por todo o mar, sob um vasto clarão avermelhado,
 rubro que, progredindo rápido, súbito se funde num cinzento brumoso,
raiado de negro, ao mesmo tempo belo, magnífico,
mas também da cor do sangue  e dos mais terríveis presságios!

Por isso, é  funda a sua decepção,
imensa a dor que vai na sua alma, quando, subitamente,
já te vêem mergulhar a ocidente,
e, apreensivos, olham em tua direcção,
e, uma vez mais, pela milionésima vez,
olham o vasto e já revolteado mar!...
Enquanto, a oriente, o cenário,
que  logo descobrem,  os angustia! 
- Sim,  ali, onde já todo o horizonte se tolda
denso e viscoso de penumbra, a noite avança  
avassaladora, cega e muda, profunda e medonha,
deixando cair pendões coalhados de névoa e bruma
que , sobre a vastidão, vão pousando, silenciosamente!...
Vão caindo,  caindo e subindo, num silêncio surdo,  negro,
em revoadas de sombra macilenta e espessa, como a imagem
que subitamente antevisse a morte mais horrível e torpe!...

o autor destas linhas 38 dias em canoa
Sim, a toda a volta, nada mais que a densa escuridão,
um mundo submerso, eterno e vazio,  um rumor negro,
um negro horror!... Um súbito arrepio, vindo  
de um escuro alastrar, coalhado de caos e de ruínas!
Erma vastidão de um Deus desconhecido ou Morto!...
- Deus de face Humana?!... Custa a imaginar e acreditar.

Só se for o Deus da Noite – Qual misteriosa divindade,
que, no seu  brilhar lívido, brilhe ainda mais alto e longínquo
que as longínquas estrelas e acima da conturbada face do mar..

Mesmo assim, ó Deus Misericordioso!,
se entretanto, lançares o Teu Divino Olhar,
lá do alto, do distante e agora apagado firmamento,
quero acreditar que  talvez sejas mais piedoso
sim, tenho a certeza, que o próprio mar, aqui tão perto de mim,
que já tumultua e corre, sinistro, debaixo dos meus pés!...

Afinal, ó Sol de Deus! - Tu, ó divino Sol Poente!...
Tu, que és tão belo e nostálgico, em hora tão grave  e solene, 
porque te escondes?!...... Ó Grande Senhor dos Infinitos Espaços!
Sabendo  que,  ao cair do dia,  no dealbar de cada tranquilo fim de tarde,  
ao rasares, com teu Globo Solar, a flor das águas,
em tão vasto mar, espalhando docemente,
placidamente, teus finos raios,
por um imenso vale de luz, em vez de te quedares,
eternamente a espraiar, tranquilamente a flutuar,
logo te afundas, rubro e trágico, ó Sol de Deus!

- Por isso, grande é  desilusão a minha, ao ver-te,
inexoravelmente, afundar, tragicamente a suicidar,
nos  mais secretos abismos do mar! -  E eu,
pobre mortal, aqui sozinho, já sem a única companhia, 
que tanto ilude  meu olhar, consola e reconforta minha alma,
tendo apenas para me orientar, as asas da coragem!
Num estranho mundo, sem tecto, sem fundo e sem margem!

Porquê, esse teu suicídio?! Ó Sol de Deus! Ó Sol Divino e Forte!
Por é que deixas o mundo mais órfão e solitário
e abandonas o  homem à sua triste sorte?!...

 (............)





 Bom, mas, ó flor do espaço, se tua luz, que,
iluminando, tudo vê, lá no alto,
ao menos pudesse falar - mas não! ò sorte maldita!
Brilha, brilha! Em curva ascendente,
em órbita descendente, no firmamento!
Até que, por fim,
ao cabo de tanto brilhar,
e descendo, descendo,
paulatinamente descendo a ocidente,
e depois de inundar a vasta superfície do mar
de horizonte a horizonte,
em todo o grande círculo
uniformemente se espelhar,
se afunda e morre,
em sangue e em cinzas!...

Por isso, tu,  ó genial autor da Mensagem!
Ó grande decifrador da Verdade Oculta!
Tu, ó elevado poeta, para quem, em vida,
viveu múltiplos eus, e, certamente, após a morte - no além,viverá ainda muitos mais  vidas que as vividas nos teus famosos heterónimos,
coisa que eu, humilde cidadão, entre os cidadãos anónimos,
por enquanto, apenas poderei aspirar a ir vivendo, sem fama, e sem glória, 
discretamente a minha vida. - Mas, tu, órfico perscrutador de todas as vibrações,
teusófico pensador que até na penumbra vês um raio de luz,
e, sabendo eu que, na penumbra do além,  me estás vendo e ouvindo,
diz-me, por favor, ao correr fluído da tua pena,
o que até hoje ainda não consegui que o mar me dissesse!

Sim, desfraldando aos ventos as páginas dos teus lindos versos,
sobre a vasta planície da voragem do verde mar antigo,
responde-me, como só tu o sabes responder:
- pois, muito embora sabendo que não tens 
a minha experiência náutica de marear,
 contudo, sempre te julgo mais vidente e mago  -,
por isso, responde-me, ao som profético da tua harpa,
sob  a  visão larga e longínqua do teu olhar fecundo,
que  retrata  a história  de outros tempos, decifrando-a ao mais fundo,
em prosa ou em cânticos de épicos versos! - Sim,
vós, ó  Fernando, vós em Pessoa, 
vós, que, olhando ainda a linha horizontal do horizonte,
vedes, ainda lá longe, na fímbria do esbatido círculo,
o perfil dos antigos lenhos a navegar,
dizei-me, em sublimes estrofes, 
afinal, de quem são os ousados panos,
de quem são as velas das antigas naus,
nas quais, em vastas solidões,
em trágicos mares, Camões,
o insigne poeta, o aventureiro,
andou embarcado, e até naufragou,
porém, nadando, abnegadamente, com o seu baú de versos,
salvou a vida e salvou seus versos, que depois, os verteu,
os cantou, epicamente, em seus Lusíadas?


Sim, se  lá do alto, da outra vida,
ainda as estais vendo o poeta aflito,
se ainda estais ouvindo o bramido do vento
e o rugido das vagas, então, dizei-me, dizei-me:
Que ventos ainda sopram tais caravelas?
Que perigos ainda ameaçam os marinheiros?!...
De quem são as velas? Em quem tocam,
em que madeiros roçam as velas
nas caravelas, que ainda navegam
naquelas tenebrosas águas
do fim do mundo?!..

“De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?”
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
“Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?”
E o homem do leme tremeu

           Quem te sagrou criou-te português,
           Do mar e nós em ti nos deu sinal!
           Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
           Senhor, falta cumprir-se Portugal!      
          
           Porém, pode  o poeta estar mais tranquilo, no seu túmulo de mármore, que Portugal já cumpriu a parte que lhe coube em seu destino.
           Em vida, o autor  da Mensagem, não teve o privilégio de poder assistir à materialização da sua poesia profética, ou do seu, então, utópico sonho,  mas, aí está,   Portugal cumpriu-se, de facto, desde o Minho a Timor, com os novos países de expressão portuguesa, independentes e a falarem a mesma língua. - E na esteira do da Revolução dos Cravos!    
           - Este, sim, ó Fernando, em verdade, só pode ser este o teu, e  também o nosso, o Quinto Império, que sonhaste!  -.Vibra agora connosco! Vibra!
          
“Vibra, clarim! A todos chama!
Vibra! E tu mesmo, voz arder,
Que o seu inteiro voo libra
De Poente a oriente.

O Portugal feito Universo
Que reúne, sobre amplos céus
O corpo anónimo e disperso
De Osíris, Deus”
.
Sim, meu caro poeta, este é o teu e é o meu:

            “Portugal que se levanta
  Do fundo do Destino,

  E, como a Grécia, obscuro canta
  Baco divino”.
         
             De igual modo, ó grande épico, podes também ficar agora mais descansado, lá, longinquamente, entre os reinos orientais  e em companhia das tuas inspiradoras musas:
            
              Tu, meu poeta gentil que partiste,
              tão amargurado desta vida, e descontente,
              repousa lá no  céu, tranquilamente,
              e viva eu, cá na terra, menos triste!
                    
             Sim, tu, que em tudo aquilo que puseste tamanho amor, não viste senão desgosto e desamor, penso que agora já nem sequer terás motivo para receares que as ninfas fujam à tua chegada a qualquer hipotética floresta estelar! Teu coração, pode finalmente ficar menos inquieto, porque, aí, não haverá desilusões ou desenganos!   E, nós aqui, como, certamente, lá do alto, poderás ver-nos,  olha, as coisas vão indo, vão avançando, vão-se transformando! Vão batendo mais ou menos certo, tal como tu dizes na memória dos teus versos:
 
               “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
                 muda-se o ser, muda-se a confiança;
                 todo o mundo é composto de mudança,
                 tomando sempre novas qualidades.”

                 E até porque, como diz Drummond de Andrade, insigne poeta do Brasil, nosso irmão, ele pensa que:

                 “Dos heróis que cantaste, que restou
                  senão a melodia do teu canto?
                  As armas em ferrugem se desfazem,
                  os barões nos jazigos, dizem nada”

                   E mais, diz de ti,  o autor da história-coração-linguagem, que:
                 
                  “Tu és a história que narraste, não
    o simples narrador. Ela persiste
                  mais em teu poema que no tempo neutro,
                  universal sepulcro da memória.”

                  Sim, meu poeta, teu cântico é eterno, pelo que, sempre que medito e revejo, o quanto de desconforto, e de incerto, ia na tua alma, sim, quão funda era a tua inquietação,  em pleno mar bravo e fundo, eu próprio não deixo de, ansiosamente, juntar a minha pergunta à tua:

                   “Ó gente que a natura 
                  Vizinha fez de meu paterno ninho,
                 Que destino tão grande ou que ventura
                 Vos trouxe a cometerdes  tal caminho?
                Não é sem causa, não, oculta e escura,
                Vir do longínquo Tejo e ignoto Minho,
                Por mares nunca dantes doutro lenho arados.
                A reinos tão remotos e apertados”. 

 Porém, descansa! Tu, Camões, que tão dura vida levaste, e até, mesmo, às portas da morte, grande incompreensão, sempre encontraste,  descansa! Sossega, agora, tua alma sofredora, que  os tenebrosos caminhos que em vida  percorreste , e,  tão genialmente,  ainda cantaste, além de já traçados por lusa gente, são hoje os caminhos comuns de um grande destino! - No qual, uma vasta família, apartada pelos extensos mares, mas unida por desígnio espiritual, além de falar a mesma  língua, pode, finalmente, orgulhar-se da nossa língua e cantar, com orgulho, cantar também os teus versos!
              Agora, sim, o teu profético cântico, não é utopia, é sonho verdadeiro - É ou não é, ó meu lendário sapateiro?!...

              “Quando o sonho é verdadeiro,
- Dá-se uma luz muito clara
Sonho agora que uma var
Vai dando luz  a um outeiro”

                E, tu meu poeta do Desassossego e da Procura da Verdade Oculta, que me dizes tu,  a este repto de Bandarra?:

                “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
                  Deus quis que a terra fosse toda uma
                  Que o mar unisse, já não separasse,
                  Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.”

                  E tu Camões, entendem as tuas musas que há cântico que baste, para tamanhos feitos?!...

                “Cessem do sábio grego e do troiano
                 As navegações grandes que fizeram,
                Cale-se de Alexandre e de Trajano
                A fama das vitórias que tiveram,
                Que eu canto o peito ilustre lusitano,
                A quem Neptuno e Marte obedeceram:
               Cesse tudo o que a Musa canta,
               Que outro valor mais alto se alevanta”.

              Ó Camões! Ó pessoa! Ó Bandarra! - Se achais que há sonho e cântico que bastem, então cantai à desgarrada - Eu adoro ouvir a vossa lira!

              Pessoa:

             Grécia, Roma, Cristandade,
             Europa - os quatro se vão
             Para onde vai toda idade.
            Quem vem viver a verdade
             Que morreu D. Sebastião?

Bandarra:
               “Em vós que haveis de ser Quinto
                 Depois de morto o segundo
                 Minhas Profecias fundo
                 C’o estas Letras que aqui pinto.

                Camões:

                 “Eternos moradores do Luzente.
                   Estelífero Pólo e claro Assento
                   Se do grande valor da forte gente
                   De Luso não perdéis o pensamento,
                   Deveis ter sabido claramente
                   Como é dos fados grandes certo intento
                   Que por ela se esqueçam os humanos
                    De Assírios, Persas, Gregos e Romanos.”

                   Pessoa:

                  “Transcende a Grécia e a sua história
                   Que o nosso sangue continua!
                   Deixa atrás Roma e sua Glória
                   E a Igreja é sua!

                   Camões:

                   “Deixo, Deuses, atrás a fama antiga,
                   Que c’o a gente de Rómulo alcançaram,
                    Quando com Viriato, na inimiga
                    Guerra romana, tanto afirmaram;
                    Também deixo a memória que os obriga
                    A grande nome, quando alevantaram,
                    Um por seu capitão, que, peregrino,
                    Fingiu na cerva espírito divino.”

                    Pessoa: 
               
                    “Não foi para servos que nascemos
                      Da Grécia ou Roma ou de ninguém.
                      Tudo negamos es esquecemos!
                       Fomos para além.”

                     Camões:
                 “Estas palavras Júpiter dizia. 
                  Quando os Deuses, por ordem respondendo,
                  Na sentença um outro diferia,
                  Razões diversas dando e recebendo,
    O Padre Baco ali não consentia
No que Júpiter disse, conhecendo
Que esquecerão seus feitos no Oriente,
Se lá passar a lusitana gente.”

CUMPRIU-SE PORTUGAL E CUMPRIU-SE O SONHO DO 5º IMPÉRIO - TODAVIA, DESTE 5º IMPÉRIO, O QUE NOS RESTA, ALÉM DA LÍNGUA?..


Responde Soares dos Passos:27/11.1826; 08/02/ 1860

 "Esta nação de laureada fronte,
Esta a ditosa pátria minha amada!
Ditosa e grande quando foi potente,
Hoje abatida, sem poder, sem nada.

....Onde está esse vasto capitólio
Das tuas glórias, o soberbo Oriente,
Lá onde  erguida em triunfante sólio,
Empunhavas o teu ceptro refulgente?

...Então eras tu grande! Hoje esquecida,
Um eco apenas do teu nome soa;
Nos braços da vitória adormecida
Perdeste o ceptro e a majestosa coroa
   
           Il.mo Cidadão
           Grande Defensor
           dos Mais Altos Ideais e Valores Pátrios:


  Melhor do que ninguém, sabe o papel que lhe coube, e que tão meritoriamente tem sabido desempenhar, para que Portugal pudesse cumprir-se, fosse hoje, não o tal império colonial, em que, contra a marcha da história e da sua própria natureza e seu próprio destino, ideologias caducas, o queriam transformar, mas o país amante da Liberdade,  da Fraternidade, da Tolerância e da Verdadeira Solidariedade, com os seus próprios cidadãos e, estes, com todas as culturas e crenças de outros povos - nomeadamente os que falam a nossa língua.

 Em seu coração, D. Mário Soares, talvez não tenha havido tempo para fazer versos  - e daí, quem sabe, talvez , havendo-os escrito no silêncio do cárcere , ou quando retirado, no longínquo exílio, em vez de esperar que Portugal fosse adiado, preferisse guardá-los! Aliás, o que é senão um livro de belas poesias, toda a vida guerreiro que levou?!   Por isso, creia, se não foi, como Camões ou Pessoa, em versos, a verdade é que todos os poetas, grandes, que  cantaram o Portugal do futuro, se hão servido de si! -




V. Exa. é o cidadão das grandes causas da sua pátria e do mundo! É o enviado, o predestinado à Terra, ao solo e ao Mar Português! – Às suas gentes e ao seu futuro! – Estou certo que a História assim o haverá de recordar!
Claro que não lhe estou a dizer nada de novo, pois, dessa missão profética, creio, desde há muito se deu conta. Postura, no entanto, que jamais dela terá feito gala, antes a assumindo com a humildade, a simplicidade dos grandes espíritos.

Sem dúvida, pelo que me é dado interpretar, logo, desde jovem, ao sacrificar a promissora carreira de advogado, teve o luminoso discernimento, a fina percepção de que uma voz superior o chamava, o instigava, que era imperioso avançar, sem demora, sem perda de tempo!... A pátria agonizava! O país não podia continuar adiado!...

Na verdade, espíritos há, que, por tão raros, são portadores de graças muito especiais. Os deuses, as grandes divindades espirituais, em geral, protegem-nos e confiam-lhes altíssimas missões proféticas, tornando-os em andarilhos constantes, em viajantes perpétuos... E só depois, de cumprida a pesada herança, pago o alto sacrifício das suas vidas, os levam para juntos do seu sagrado altar! – É o que se pode chamar um amor, só correspondido, depois de elevado ao mais alto grau do martírio e da perfeição, quando já nada há a expiar!

Por mim, não tenho dúvidas: - V.Exa. faz parte desses raros espíritos iluminados, com capacidades que não são facilmente explicáveis ao comum dos mortais! Além de um persistente lutador, do incansável idealista e guerreiro, é um puro vidente. Poderá soletrar essa palavra com todas as sílabas, que não erra!... – De resto, não lhe estou a dizer nada de novo, pois creio que há muito se deu conta dessas faculdades. Ah, sim! Se V.Exa, contasse, em pormenor, todas as percepções e premonições que teve em todas as lutas em que se envolveu e em que teve de apelar, também, a algumas dessas capacidades especiais, quer para com inimigos (que os teve, e bem duros, na ditadura) quer para com os adversários, na democracia!... Oh, sim, que dotes de vidência e de telepatia não teria para nos contar!... Que livro fantástico não publicaria, se a tanto se propusesse ou se tempo lhe sobejasse!...

Excerto 

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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008 PORTUGAL É HOJE UM BAZAR CHINÊS -


Mário Alberto Nobre Lopes Soares - Lisboa, 7 de Dezembro de 1924 – 7 de Janeiro de 2017 - https://www.publico.pt/2017/01/07/politica/noticia/morreu-mario-soares-adeus-a-um-portugues-maior-1756035

Um comentário:

Anonymous disse...

Caro Luís, que pseudónimos? pode fazer uma lista?