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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

TEMPLOS NEGROS DA GUERRA COLONIAL - LOBO ANTUNES PÕE DEDO NA FERIDA DAS ATROCIDADES- NÓDOA DO FASCISMO NA PÁTRIA PORTUGUESA NÃO PODE SER OCULTADA


BLACK TEMPLES OF WAR COLONIAL - LOBO ANTUNES WRITER PUTS FINGER IN THE WOUND OF ATROCITIES-STAIN OF FASCISM IN HOMELAND PORTUGUESE can not be concealed.


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"OPERAÇÃO DE BURUNTUMA" FAMÍLIA TURRA A SER SURPREENDIDA E MORTA. APESAR DE SE TEREM ESCONDIDO NO MATO, FORAM CAÇADOS POR CAUSA DOS GEMIDOS DOS GAIJO QUE ESTÁ DEITADO. UM SEGUNDO DEPOIS DA FOTO ESTAVAM MORTOS" Imagem legendada por ex-militar português, António Lima de Paiva, que fez comissões na Guiné - 1965;Angola e Moçambique. - Mais tarde, alistou-se na Legião Francesa


Buruntuma - Guiné-Bissau - TIXIK.com -Veja a crueldade da imagem: leia e reflicta no reverso. Escrito pelo autor da fotografia que teve a coragem de não se importar de fazer a denúncia - ex-sargento da Força Aérea Portuguesa. Os termos, com que redigiu a legenda, além de nos impressionarem, traduzem-nos também o espírito da circunstância e dão-nos a perceber a linguagem de quem andava entranhado na selva, palmilhava picadas e matas, corria perigos e era simultaneamente a potencial ameaça à integridade dos que lutavam pela libertação do seu povo, na então conturbada e estúpida guerra colonial.


O presidente da Liga dos Combatentes (LC) convidou o escritor António Lobo Antunes a "esclarecer, confirmar, negar ou dar a sua interpretação sobre as afirmações", feitas num livro publicado há um ano, sobre a Guerra Colonial em Angola" Combatentes instam Lobo Antunes a explicar-se - Portugal - DN-

Afinal, o que é que pretende o Presidente da Liga dos Combatentes do escritor Lobo Antunes? - Não sabe o que é que aconteceu ao seu antecessor? - Que ficou cego? ... Foi o seu irmão - um camarada meu e um grande amigo - que levou uma granada defensiva instantânea para casa e, pondo-se a brincar, morreu ele e deixou o irmão cego para toda a vida - Quer considerar, Lobo Antunes, algum traidor? - Tal como já me aconteceu quando comecei a denunciar os massacres do Bate-Pá , de 1953 - Por ordem do então governador Carlos Gorgulho. Em que foram assassinados milhares de santomenses - Será que as páginas negras da descolonização são para se ignorarem?

Então, os ex-combatentes da Guerra colonial, que foram as grandes vítimas de uma guerra, que tanto sangue derramou, em três frentes, quer, em milhares e milhares de portugueses, quer noutros tantos milhares ou ainda mais de filhos dos povos irmãos da Guiné, Angola e Moçambique, ainda não tiveram tempo de se darem conta de que, todo aquele período negro, é um tempo de má memória?! - Mas quem é que pode orgulhar-se de ter participado numa guerra daquelas?!…


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Photos in the Mururoa Atoll - Image is copyrighted - are authorized by the owner of this blog
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Registos de algumas das impressionantes imagens, no Atol Nuclear da Moruroa, no Pacífico, colónia francesa, oferecidas ao autor deste blogue por ex-legionário da Legião Francesa e ex-combatente da guerra colonial - Não desejaria publicar a fotografia de uma mãe que vê morrer o seu filho e depois também é morta: por ser tão chocante, tão cruel! - Mas, perante tamanha provocação a Lobo Antunes, por parte do Presidente da Liga dos Combatentes, e também por saber que o seu autor me deu essa liberdade, entendi ser meu dever de consciência, desmascarar aqueles que ainda procuraram branquear o passado da afrontosa e terrível guerra colonial.


O diapositivo de uma destas imagens - da explosão atómica no Atol Nucelar da Mururoa, no Pacífico - Mururoa Nuclear Tests, RNZN protest Veterans, cujas experiências têm sido contestadas, quer por veteranos, que ali foram afeactados por fortes radiações, quer por várias instituições pacifistas da comunidade internacional, foi publicada, sob minha autorização, no Nº1194 do semanário Expresso, como disse, fazem parte de uma colecção de slides e de fotografias, que me foram gentilmente oferecidas pelo seu autor. Na sequência de uma entrevista que me concedeu para a Rádio Comercial-RDP, nos anos oitenta. Na altura, ele estava a atravessar (pareceu-me) um período de uma certa depressão.. Não sei se ainda é vivo. Bem gostava que fosse. Mas duvido, dados os riscos de radiações a que se expôs. Pois nunca mais o vi.

Alguns dos vários documentos confidenciais que me confiou . Leia-se o excerto do articulado ao lado e veja-se como pretendiam lidar com os media.

Além de três comissões de Guerra, na Guiné, Angola e Moçambique, também se alistara na Legião Francesa, tendo estado em diversos cenários de guerra. Recebeu vários louvores e condecorações. Ele queria que eu publicasse um livro sobre as suas memórias. Mas eu disse-lhe que não dispunha de tempo. Mas ele fez questão que eu levasse as fotografias que tinha em casa: “se calhar já não duro muito tempo e, pelo menos, nas suas mãos, não se vão perder." Mas só aceitei algumas. E vários livros e documentos da legião. Concluí que, além de corajoso, era um excelente fotógrafo. Duas dessas imagens, já se perderam: cedi-as ao extinto semanário Tal & Qual, na altura em que era seu colaborador, mais tarde, quando as pedi, já não sabiam delas. Uma das quais registava um guerrilheiro do PAIGC apontando uma basúca a um helicópetero; a outra, o mesmo aparelho, desfazendo-se em poeira. Os registos (toda a sequência da explosão atómica à superfície do Atol Nuclear da Mororoa, foi obtido fora do abrigo e a curta distãncia. Quem é que o fazia?!... Só isso era o bastante para, mais tarde ou mais cedo, poder vir a ter problemas terríveis. Queria que eu falasse da sua experiência e não me esquecesse de publicar a foto de um general francês, de quem era muito amigo, dado ter sido seu ajudante. Claro, que a do general, está fora de questão. Era preciso que me autorizasse .
Mururoa - France Nuclear Forces.

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NÃO HÁ GUERRAS LIMPAS, TODAS AS GUERRAS SÃO SUJAS E CRUÉIS - MAS HÁ CAUSAS JUSTAS E A NOSSA CAUSA ERA INJUSTA - PORQUE COMBATÍAMOS O DIREITO DOS POVOS AFRICANOS , SE LIBERTAREM DO JUGO COLONIALISTA E SEREM LIVRES DO SEU PRÓPRIO DESTINO - O VELHO REGIME SALAZARISTA, ENTENDIA, PORÉM, QUE "OS QUE PORTUGUESES CONSTROEM AOS PORTUGUESES PERTENCE" - E CONSTRUÍAM, EM TERRAS DE QUEM?!... DE PORTUGAL?!...ADRIANO JOAQUIM LUCAS, MEU CONTERRÂNEO, MOBILIZADO PARA A GUINÉ BISSAU, em Julho de 1970 - FOI ORDENANÇA DO COMANDANTE EM BISSALANCA E EVITOU O CONTACTO DIRECTO COM A MATA.MAS SOUBE DE SEGREDOS E CONHECEU DE PERTO O GENERAL ANTÓNIO SPÍNOLA. DIZ QUE NÃO ADMITIA SEVÍCIAS NOS NEGROS. CLARO QUE ELE NÃO PODIA ESTAR EM TODO O LADO PARA CONTROLAR OS EXCESSOS



Adriano Joaquim Lucas assentou praça em Beja, depois foi para Tancos, após o que partiu para a ex-colónia portuguesa., tendo ficado aquartelado em Bissalanca. Mas considera ter sido um homem de sorte. Não foi testemunha de atrocidades mas viu muitos ficarem por lá. O facto de ter sido ordenança do Comandante, poupou-o do mato, conheceu o General Spínola, que lhe pareceu um homem muito humano. É emigrante em França, desde que regressou da Guiné. Agora está reformado e, sempre que pode vem matar saudades à sua santa terrinha. Estive com ele nas férias de Verão e recordou-me algumas das suas memórias, dos longos dois anos que ali passou, desde 02.07.70 a 02.07.72 e que editei neste vídeo.



- Caderneta militar e fotos do autor deste blogue, no centro de Instrução dos Comandos, em Luanda, " onde terminou com aproveitamento, o 6º curso de comandos 1967 "
Pode parecer despropositado trazer para este blogue a questão da guerra colonial, mas não é: - Tenho-me dedicado especialmente a falar dos Templos do Sol, no Monte dos Tambores, na minha aldeia - e , ultimamente, até das escaladas nas montanhas e nos picos - mas também é importante que se dê a conhecer o lado oposto dos Templos do Sol - os Templos Negros da Guerra. E é o que me levou a escrever este post. . Aliás, tenho o dever de o fazer - mal tomei conhecimento de tão afrontosa provocação ao escritor Lobo Antunes, pessoa íntegra e honestíssima, que muito admiro. Sou jornalista e, como não disponho de outro espaço, aproveito para o fazer aqui --Comissão da Carteira Profissional de Jornalista:::Carteiras Profissionais Revalidadas : Jorge Trabulo Marques. 680. - também subscrevo outro blog(SÃO TOMÉ - ODISSEIAS NOS MARES DO GOLFO DA GUINÉ)mas achei este mais adequado.

Fui militar em Angola - nos Comandos, tal como documenta a imagem, em cima e ao lado - Embora por pouco tempo, mas o suficiente para me aperceber da crueldade daquela guerra


Vi atrocidades que dificilmente esquecerei - Mesmo enquanto frequentava o curso de sargentos milicianos, em Angola. Vi com os meus próprios olhos a crueldade infligida a uns pobres soldados, no Quartel de Artilharia, que ficava por detrás da Escola de Aplicação Militar de Nova Lisboa.

Dados como suspeitos por desvio de armas, do paiol de armamento, foram colocados na parada, frente à portaria e massacrados, com as mãos atadas atrás das costas e de joelhos, lado a lado uns dos outros, para malharem neles quem quisesse e como quisesse! A murro, a pontapé, cronhadas, golpes de sabre!...E o comando não teve vergonha de ser cúmplice de tamanha barbaridade. As sevícias foram horríveis. Houve até quem lhe queimasse os testículos e o pénis com a ponta de cigarros. À noite (acho que eram uns nove ou dez), foram todos metidos numa cela, quase do tamanho de uma cabine telefónica - Eu estava na especialidade de armas pesadas: continuei na EAM e, nesse dia, tinha ido ali a visitar um amigo. Quando me apercebi que o quartel estava em polvorosa, não arredei pé: quis ver até onde ia aquela barbárie - Senti-me horrorizado, mas resisti. Ainda tentei demover alguns dos soldados, mais tresloucados. Mas tive que me calar se não ainda era dado como suspeito: pois também lá havia alguns brancos, nascidos em Angola - classificados como portugueses de segunda. Ao final do dia, estavam moribundos! irreconhecíveis!. Completamente desfigurados!...- Quando fui espreitar a cela, as suas cabeças, haviam levado tantas cronhadas e golpes de sabre, que pareciam azeitonas cortejadas! - Meu Deus! - Que loucura!!... E os oficias a verem!

VI, TAMBÉM, DURANTE O MEU CURSO NO CENTRO DE INSTRUÇÃO DE COMANDOS DE LUANDA (ESPECIALMENTE NO MATO) IMAGENS QUE DESEJARIA DEFINITIVAMENTE ESQUECER

Logo na primeira noite, mal ainda nos havíamos deitado, fomos subitamente acordados ( creio que com rebentamentos de granadas ofensivas) para um treino, algures no Norte de Angola, e em plena zona de intervenção. E de que é que constava a primeira preparação psicológica?… Era vermos as fotografias dos colonos com as cabeças cortadas e outras atrocidades, colocadas , estrategicamente, de onde em onde, nuns paus: e com que finalidade?... - unicamente para nos incutirem ódio racial e revolta! - Depois também vi outras coisas que não desejo aqui lembrar - por respeito aos militares que foram obrigados a irem para as fileiras daquela guerra injusta e criminosa.

O ESCRITOR LOBO ANTUNES ESTEVE LÁ E NÃO DISSE NENHUMA MENTIRA

O escritor Lobo Antunes só disse a verdade - Mas a ferida é bastante maior de que aquela que, o autor dos Cus de Judas, apontou - Eu vi o que se passou com os meus próprios olhos e, infelizmente, são memórias que me vão acompanhar para o resto da minha vida. Mas porquê ter medo da verdade?!... Também lá andei - seis meses a tirar o curso de sargentos, na ex-Nova Lisboa e outros seis no Centro de Instrução de Comando - Felizmente, não foi muito tempo mas o bastante para me aperceber de muita crueldade e da tremenda injustiça daquela guerra. O resto da comissão passei-o em São Tomé. E na paz dos deuses - Mas, até certo ponto... Pois quando precisei de ir a Portugal ver a minha mãe, que estava prestes a morrer de cancro, não fui autorizado, com o argumento de que fazia falta no quartel.
Claro que os grandes culpados da guerra colonial, não são os nossos soldados, sargentos e oficiais, que foram para lá obrigados pelo extinto regime fascista E as atrocidades foram cometidas de parte a parte. A guerra é cega e só vê sangue, morte, destruição e vingança. Só que, enquanto uns defendiam a sua terra, o direito à liberdade e à independência, os outros - o governo Salazarista(Caetanista) impunha aos portugueses o mais cruel, longo e durissimo sacrifício pela defesa de um território que não nos pertencia. Essa é a grande diferença.



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QUANDO ME ALISTEI NOS COMANDOS, APÓS O CURSO DE SARGENTOS MILICIANOS - - ESTAVA LONGE DE IMAGINAR QUE TIPO DE AVENTURA IA ENCONTRAR PELA FRENTE - MAS, QUANDO ME APERCEBI, NO FINAL DO CURSO, ARRANJEI UM ARGUMENTO ( QUE FOI ACEITE) DE IR DAR CURSOS DE COMANDOS, NA ILHA ONDE HAVIA SIDO INCORPORADO - E LÁ VOLTEI À MINHA LINDA ILHA, FAZENDO O RESTO DE TROPA, NA TRANQUILIDADE IDÍLICA DA SUA LUXURIANTE PAISAGEM E DO SEU PACÍFICO POVO! - OU ANTES, NA ILHA DO OPRIMIDO E EXPLORADO POVO.

Sim, a minha passagem, pelos Comandos, em Angola, felizmente foi meteórica. Mas não tenho saudades nenhumas dos tempos que ali passei - Reconheço - não tenho a menor dúvida - , que, muitos daqueles que ficaram por lá em missão de serviço, uns morreram ou ficaram estropiados - E os que tiveram a sorte de voltar à pátria, jamais se livrarão de traumas infinitos!...

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - ILHAS MARAVILHOSAS E GENTE PACÍFICA - MAS QUE TAMBÉM NÃO DEIXOU DE SER MARTIRIZADA - MUITO ANTES DOS MOVIMENTOS DE LIBERTAÇÃO, EM ANGOLA, TEREM PEGADO EM ARMAS ..Batepá massacre - Wikipedia, the free encyclopedia...O massacre de Batepá « Caminhos da Memória...

Regressado a São Tomé, dei vários cursos de recrutas, com um oficial - que se limitava praticamente a receber a continência e apresentação da companhia de instruendos . Depois de uma passagem como Sargento da Messe de Oficiais, pedi para me colocarem à frente da Agro-Pecuária: -.precisava de ali fazer o estágio de Técnico Agrícola, condições que, na Roça, não encontrei e que fora o principal objectivo da minha ida para este arquipélago.. - Em pouco tempo, com os meus soldados, conseguia abastecer o quartel de ananases, bananas, todo o tipo de fruta e galináceos. Até me deram um louvor. Fiz um relatório dos trabalhos, sob a minha orientação e pedi a um engenheiro agrónomo que mo assinasse. Depois enviei-o para a Escola Agrícola de Santo Tirso e deram-me então o diploma. - Só que, uns anos depois, de nada me valeria: a narração de uma viagem de canoa solitária à Ilha do Príncipe ( a primeira de outras aventuras marítimas) - pese o facto de ter sido espancado pela PIDE por suspeita de me ir juntar ao MLSTP no Gabão - dar-me-ia a oportunidade de enveredar pelo jornalismo - ser correspondente de uma revista angola: - Semana Ilustrada. Mas, também, mais tarde, alguns problemas, muito sérios: quando se deu o 25 de Abril, só não fui esmagado pela ira de uma multidão de colonos, por muita sorte.


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VÁRIOS MILHARES DE COLONOS TRESLOUCADOS - DEPOIS DE INSULTAREM O ENTÃO CORONEL PIRES VELOSO, CORRERAM TODOS ATRÁS DE MIM PARA ME LINCHAREM

- Era então colaborador de uma revista angolana, que ali era muito lida e, como nas suas páginas dera eco às vozes a favor da independência da população negra, entre outras coisas, tal não agradava a um certo sector de colonos. A palavra independência era uma blasfémia. Uma manhã, ao saírem do palácio, depois de insultarem Pires Veloso – mal me viram sentado na esplanada do Restaurante Palmar, – onde eu pretendia inteirar-se daquela estranha ocorrência -, imediatamente correram furiosos atrás de mim! E eram milhares. Se me apanhassem, naquele momento, estou convencido que me tinham esmagado e linchado. Mais tarde furaram-me os pneus do meu modesto carro(por duas vezes) à navalhada" De outras vezes, agrediram-me na rua, assaltaram-me a casa e espatifaram-me tudo.

A ALVORADA DE ABRIL DESPERTOU TARDE EM SÃO TOMÉ, MAS QUANDO RAIOU, FOI COMO RASTILHO QUE SE ATEASSE A UM FOGUETE

O despertar da revolução de 25 de Abril, praticamente não foi notado nesse dia em São Tomé. Mas eu soube da notícia logo ao raiar dessa alvorada. Era técnico na rádio local e correspondente da revista angolana, Semana Ilustrada. A estação encerrava à meia-noite e abria (se a memória não me falha) às cinco e meia da manhã. Nesse dia, estava escalado para abrir a estação e pôr o Hino Nacional no ar e um programa de música variada – era mais uma das bobines gravadas que recebíamos regularmente da extinta Emissora Nacional. Porém, as notícias dos acontecimentos em Lisboa, foram encaradas com algumas reservas e a sua divulgação, começou por ser bastante lacónica. Ainda pairava o espectro da censura. A PIDE ainda teimou manter-se em actividade por algumas semanas: o seu inspector (Nogueira Branco) foi um dos primeiros subscritores do chamado Partido Democrático. E os agentes diziam que o novo governo ia precisar deles. Mas um artigo de minha autoria fez desfazer-lhe essa ilusão. “PIDES À SOLTA! QUEM OS RECOLHE?” Logo que o escândalo veio a lume, foram enviados para a Quinta de Santo António. Essa gente era perigosa; os seus dias, já pertenciam ao passado. Eles e a quase generalidade dos colonos, continuavam a pensar, como se nada tivesse acontecido. Recuavam-se a compreender a nova realidade! Agora, soavam outros ventos: soprados pelo movimento libertador das Forças Armadas, que também rapidamente ali encontrava eco nas duas ilhas – Os colonos receberam-no com apreensão e jamais se mentalizaram para o alcance das transformações que rapidamente se iriam operar. E, na população negra – aquilo que inicialmente fora tomado com bastante desconfiança e incredulidade, depressa a galvanizava e a levaria a pôr-se inteiramente ao lado do programa e dos ideais independentistas, defendidos pelo (MLSTP) Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, cujos dirigentes, desde logo, desenvolveram intensificada acção mobilizadora. Pondo-a em prática através de duas frentes: pela antena do “Povo Livre”, uma estação de rádio que passou a emitir de Libreville, com o total apoio do Presidente Omar Bongo. E, no interior das ilhas, com manifestações de protesto e acções de esclarecimento, intensa actividade política, protagonizada pela Associação Cívica – pró MLSTP, que entretanto fora criada com a instauração das liberdades democráticas. Formada, sobretudo, por jovens estudantes e outros elementos nacionalistas. Que se saiba, nunca chegaram a pôr em risco a integridade dos colonos - aliás, estes, nas roças até dispunham de apetrechado arsenal, com armas já anteriormente distribuídas pelo exército colonial, havendo formação e treinos regulares, em campos de tiro. Quando trabalhei na roça, também fui obrigado a participar nesses exercícios, com as prussianas mauseres.

Os activistas – pro-independência - não enveredaram pela luta armada (embora essa hipótese não estivesse descartada) mas causaram forte contestação e instabilidade, não dando tréguas a qualquer ideia ou projecto que não visasse a total libertação do povo oprimido do arquipélago. Promovendo uma constante onda de agitação política e social. Não deram hipóteses a que os movimentos federalistas ou neo-coloniais, conquistassem adeptos e se implantassem.


Cedo comecei a compreender que a toda a sua ira era descarregada sobre mim! Custavam-lhe aceitar as mudanças que o espírito de Abril desencadeara, quer no continente quer nas colónias. Não vou aqui relatar os episódios das suas lamentáveis agressões – a forca de corda que me penduraram à porta de casa ou recordar as navalhadas, com que, por duas vezes, furaram todos aos pneus do meu carro, e tantas outras patifarias. Pertencem ao passado e dariam muitas histórias.

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

MÁRIO BETENCOURT RESENDES - PARTIU À BOCADINHO PARA UM COMENTÁRIO NA ETERNIDADE - SE NÃO VOLTAR, NÃO TEMOS QUE NOS PREOCUPAR…ELE ESPERA POR NÓS.

















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Mas quem é que vai esquecer-se de Mário Resende? - Nem toda a agente lê os jornais, é verdade - e ele foi jornalista e Director do Diário de Notícias, muitos anos - mas ia muitas vezes à televisão: era uma figura incontornável na elite dos comentadores. Impôs-se naturalmente e por mérito próprio. Creio que a sua imagem ( o seu estilo) tão cedo vai ser esquecida pelo grande público.

Mário Resendes, era , de facto, uma personagem no do escol dos melhores analistas : na forma de dizer e do conhecimento dos assuntos ou temas que comentava. - Sem dúvida. um observador muito atento e esclarecido, ponderado, e muito sensato. Expressava a sua opinião com franqueza, com seriedade, dizia o que tinha a dizer, sem ser acintoso ou descambar para o ataque pessoal. Via-se que não se importava de, por vezes, ficar isolado com outros comentadores, mais dados a entrar nas paixões políticas. Apreciava os seus editoriais - muito objectivos e muito telegráficos. Era um prazer lê-los. Mesmo que não fossem assinados, não era difícil saber que havia ali o génio de Resendes, quem era o seu autor.

O Jornal Diário de Noticias, é, actualmente, um dos jornais de referência mais prestigiados e conceituados - E, para a sua estruturação ( quer gráfica, quer jornalística e técnica), não haja a menor dúvida, que, Bettencourt Resernde, foi o grande dinamizador.


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Já há muito tempo que não ia a um funeral - ainda bem. O ritual dos funerais, deprime-me . Prefiro, nas noites de luar, passar à porta do cemitério da minha aldeia - deter-me por ali uns minutos, a reflectir sobre a efemeridade da vida no silêncio sepulcral das campas, antes de ir dar a minha voltinha, por vezes até de manhã, lá pelo Vale Cheiroso(solar dos ventos uivantes); quebradas, Pinhal da Raposa, Cova da Moura e pelos penhascos dos Monte dos Tambores. Mas há uma coisa de que ninguém se pode esquecer. Que a solidariedade também se deve estender na hora da morte. Na hora da despedida: sobretudo junto do corpo daqueles que amamos ou admiramos.















Não era das relações pessoais de Mário Bettencort Resendes, mas admirava-o muito como jornalista e comentador. Só falei uma vez com Mário Betencourt Resendes - Foi, nos anos 80, durante um jantar de aniversário do Diário de Noticias: ali perto da Brasileira do Chiado, na Rua Nova da Trindade - Estava ele e mais três elementos da Administração: eu e a minha amiga, Vitória Elisabet - Fora destacado para fazer um pequeno apontamento para um programa de rádio. Foi um convívio muito agradável. Fiquei muito bem impressionado, com o espírito do humor do Mário: um bom conversador e uma personalidade culta, um excelente observador, inteligente e bem informado. O jornalismo perde uma das suas melhores referências. Mas temos que nos conformar e ficar descansados: porque ele não volta mas espera por nós - Mário Bettencourt Resendes morre aos 58 anos -........Bettencourt Resendes: «O seu nome era sinónimo de ...

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