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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

PEDRO ABRUNHOSA- O PROFETA DESCRENTE DOS EVANGELHOS QUE ACREDITA APENAS NAS PROFECIAS DA SUA MÚSICA - FAZ HOJE 50 ANOS DE IDADE



PEDRO ABRUNHOSA COMPLETA HOJE 50 ANOS - A IDADE DO OURO E DA MATURIDADE. O TEMPO CORRE RÁPIDO E NÃO PÁRA NEM ESPERA POR NINGUÉM: MAS HÁ QUE O ENFRENTAR E NÃO O RECEAR. E ELE NÃO O DEVERÁ RECEAR PORQUE É UM CASO RARO NA MÚSICA PORTUGUESA - EM ESTILO, SÓ O VARIAÇÕES PODERIA HOJE COMPETIR COM ELE; EM SONORIDADE VOCAL, NÃO VEJO QUEM O POSSA IMITAR.

Admiro o artista, Pedro Abrunhosa, porque é corajoso e frontal no que pensa e também na sua determinação em afirmar um estilo e uma linguagem própria: pois há muito quem se esforce e não o consiga. Sim, é preciso muito trabalho e transpiração. Porém, de que valerá tudo isso, sem a maravilhosa centelha do talento?!.. Ora , qualidades é coisa que não falta a Pedro Abrunhosa. Estou convencido que ele é o artista completo, multifacetado. Aposto que era capaz de se afirmar noutras áreas das artes: desde as letras, escultura à pintura.Basta querer. De resto, antevejo que, mais tarde, quando se cansar da expressão musical, pela qual optou, ele enveredará pelas artes plásticas. Ou exprimir-se-á em ambas, simultaneamente. Não tenho conhecimento se alguma vez experimentou afirmar-se nessa vertente, mas é minha convicção que o poderá fazer quando quiser - e com pleno êxito.

Pedro Abrunhosa, confessa ser um descrente da Janela do Além, aquela que nos transpõe, não para o fim da vida, mas ao principio de outra existência . Creio, no entanto, que a sua descrença não será tanto nas dúvidas que alimentará. Pois, como qualquer ser humano, certamente que também as terá; que não deixarão de o perturbar, sempre que lhe surja a interrogação: afinal, a vida para que servirá?... Porém, se cada um for bom na profissão que desempenha, for cumpridor da sua missão terrena - e ele tem feito por isso, fazendo dela a sua profecia - já é o bastante para não se perturbar demasiado com a morte, ou seja, sobre o que depois da vida, surgirá.

Constato que as suas composições são ávidas do momento, sôfregas de gozarem os prazeres da vida na plenitude da sua diversidade, acaloradas e insatisfeitas de fruírem "do que ainda não foi feito" - Oh, malditos aqueles que conspurcam e castram de pecado o que é por de mais reconhecido como natural, belo e humano, que é o amor e o sexo (sendo esta até uma das vias que ao invés de embrutecer, agita as veias, as emoções, viriliza, rejuvenesce e espiritualiza), em vez de aceitarem esta generosa dádiva de Deus, inventam fantasmas e tecem diabolizações, pretendendo reverem-se na castidade frustrada e hipócrita dos confessionários. Oh, sim, o que Abrunhosa, toca, canta e compõe, e sem quaisquer tabus ou preconceitos das palavras, não é apenas para agradar aos ouvidos, mas ao corpo e aos corpos, a todos os sentidos, estimulando-os à sua participação e inter-comunhão, ao prolongamento das emoções e sensações, até ao sorvo mais infinitesimal físico e anímico. Desencadeiam vibrações e estados de sensualidade que almejam estenderem-se além dos dias que correm, antecipam acontecimentos, não no sentido de se encaixarem neles, mas no de lhe servirem de resposta - na sensualidade e no amor.

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HEREGE OU VISIONÁRIO?
Pedro Abrunhosa encarna a paixão e os ardores abrasivos do corpo, entre outras "heresias" - Ao longo dos tempos - e ainda hoje - condenadas e vociferadas por tacanhas mentes, pretensamente iluminadas. Terá sido, creio eu, numa das encarnações anteriores, o sacerdote ímpio e crucificado num dos Tribunais do Santo Ofício, atirado ao suplício de criminosa fogueira, para gáudio da barbárie eufórica e animalesca dos carrascos, da turba fradesca infamante e da plebe que o excomungava, em pleno adro e ao lado da torre de vetusto campanário, enquanto estes repicavam os sinos, como se as suas badaladas estivessem igualmente possessas pelo frenesim da mesma loucura e hidra, sim, vítima de buçal e hedionda incompreensão, em terras dos montes hermínios, por não se resignar aos tabus estabelecidos, ao ceder aos amores incandescente, às tentações irreprimíveis e sofredoras da sua alma, mas proibidas pela repressão contra-natura da Ordem conventual que professava. Felizmente que já lá vão várias reencarnações. A igreja evoluiu alguma coisa.

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Os tempos vão sendo já bem diferentes. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer...Porém, nunca é demais lembrar a memória de um certo passado...até porque ainda subsistem outros credos onde as práticas não se alteraram..Extremismo Islámico.

Na verdade, Pedro Abrunhosa, embora pegando em temas simples, não enfileira na já tão estafada piroseira nacional. Todavia, mais do que o músico, ele é realmente uma personagem. Podem não se conhecer todas as suas músicas ou composições, mas dificilmente se desconhece o carisma Pedro Abrunhosa. E não creio que seja fruto de um culto fantasista, forçado e artificial; ele compreendeu que tinha de se apresentar e de comunicar à sua maneira. Mesmo que usasse uma máscara, embora ainda continue a ser o capuz de alguns carrascos, não era nada do outro mundo: muitas culturas, que seguem as suas tradições antigas, nas suas danças, cânticos e manifestações pagãs e artísticas, ainda hoje as utilizam, tal como tantos outros artistas as não dispensam nas actuações. As vestes ou adereços são parte intrínseca da comunicação. Também Jesus usava as suas túnicas e os seus turbantes. Ainda hoje a Igreja de Pedro não dispensa os seus paramentos. Também eu os uso, quando me desdobro noutra personalidade, quando vagueio solitário em demanda do mais íntimo e fraterno encontro com a Mãe Natureza.

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Foi na Festa de Natal dos Hospitais. Já lá vão uns anos. Que Pedro Abrunhosa deu um espectáculo, SEM ÓCULOS . Apresentou-se na televisão e ao público, sem os tais "artifícios". E julgo, até, que, se o voltasse a fazer, não perderia nada com a desnudez visual - Pelo contrário, em vez do misterioso ar do artista domador - passaria a ter o ar do típico artista rebelde mas de olhar meigo, inquieto, mulherengo e galante. Mas, pelos vistos, ele quer agradar a todos quantos admiram as suas canções, não preterindo ninguém e ao mesmo tempo não querendo transparecer a "fraqueza" que sente pelo "sexo fraco" - Mesmo quando tropeça no palco, com uma aparatosa queda , como já sucedeu, ele ergue-se e continua igual a si mesmo - Além disso, acredito que desejará ver muito mais ao perto e o longe, tendo os olhos encobertos pela cortina das lentes foscas dos seus óculos, de que sem eles, fazendo de contas de que não vê o que está vendo.
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Por três vezes fui um peregrino solitário dos mares e fui preso: - Por três vezes, não neguei o nome de Jesus Cristo, em vão, pelo contrário, não sendo católico, até o evoquei em momentos em que me senti aflito, mesmo assim, numa dessas vezes, além de preso, até fui espancado. E de que crime?...Oh Céus!...Por me aventurar a sulcar as águas equatoriais em frágeis madeiros escavados - e, numa dessas atribuladas viagens, oh Deus, durante tantos dias e tantas noites a fio, enfrentando calmarias e tempestades - Ontem, como hoje, a incompreensão, a injustiça e a intolerância, continuam a ditar as suas leis. Já me apercebi, de que, por via da mesma miopia, Pedro Abrunhosa, acaba por ser solicitado mais vezes, lá fora de que cá dentro.

Agora, sempre que posso - não conformado nem resignado, igualmente levado pelo espírito de uma inabalável insatisfação e curiosidade nos mistérios da vida e da morte e no longínquo Passado Histórico do Homem - vou peregrinando em chão firme e sagrado das minhas raízes. Por isso, e com o pensamento nesses santos lugares, aqui dirijo, a Pedro Abrunhosa, os meus sinceros parabéns, o homenageio, com algumas das suas músicas, a que tomo a liberdade de juntar também algumas das minhas auto-fotografias, com que recordo os passos - uma vezes mais parecidos com as religiões dos ídolos, a fé de Cristo, outras com o meu intrínseco paganismo nos antiquíssimos templos do sol - nas habituais peregrinações por ermos e quebradas dos arredores da minha aldeia, por espaços igualmente marcados pelo granítico da sua invicta cidade, desejando-lhe longa vida, as maiores alegrias e os melhores êxitos na sua carreira profissional - Muitos espectáculos e muitas viagens! Cá dentro e lá fora. E que o Grande Foco o Guie e Ilumine, o livre dos males de inveja, das quedas ou dos tropeções em palco, seja a luz e o protector no seu quotidiano.

PEDRO ABRUNHOSA DIZ QUE DESVALORIZA AS EFEMÉRIDES - SEJA COMO FOR, O ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO SÓ ACONTECE UMA VEZ POR ANO - MESMO QUE NÃO SE FESTEJE, O IMPORTANTE É ESTAR VIVO E VIVER-SE INTENSAMENTE A VIDA.
-------------Pedro Abrunhosa, o contador de histórias, faz hoje 50 anos "Adverso a efemérides, desvaloriza a data, admitindo que ainda tem tudo para fazer, e perspectiva um futuro em que o "animal" de palco será substituído pelo contador de histórias.
Ponto prévio: "Os 50 são iguais a qualquer outra idade. Talvez seja pela pouca importância que dê às efemérides, não há nada de transcendente nem épico a acontecer à minha volta e, portanto, continuo com as mesmas preocupações e anseios que tinha aos 49, aos 39, e até se calhar aos 18"
"Estudou música no Conservatório e fora dele mas, apesar de seis discos publicados ao longo dos últimos 16 anos, ainda há muito quem o conheça só por causa dos óculos, que são a sua imagem de marca. Pedro Abrunhosa faz 5o anos e está mais exigente de que nunca "A minha rebeldia continua cá" declarou à Notícia Sábado

NA SUA MÚSICA ONDE NÃO ENTRA O SOL ILUMINA A LUA.
"Pedro Abrunhosa é um músico que começou a casa pelas fundações, não pelo telhado. Estudou anos a fio no Conservatório e fora dele. Aprendeu com os clássicos, foi músico de jazz, tocou em orquestra mas também em bares manhosos, no metro, na rua. Pedro ama a música, seja ela feita onde for. Tem seis discos de originais e só o último não foi feito com a sua banda de sempre, Bandemónio, porque «quando os músicos dão mais importância a cargos e a estatutos do que à música, quando já não vibram em palco, então está na hora de mudar».

Porque «a cristalização é um perigo» e porque «é bom cortar com o passado». Agora é a vez de Comité Caviar mostrar o que vale. E provar que consegue resistir à forma autocrática e obsessiva que Pedro Abrunhosa tem com o trabalho. É ele quem o diz: «A música não é uma actividade democrática. Há uma construção piramidal, uma hierarquia.» Se é fácil trabalhar com ele? «Não é difícil... mas também não será fácil.»

CLARO QUE NÃO É A IGNORÂNCIA QUE DETÉM A CHAVE DA REVELAÇÃO, DA CLARIVIDÊNCIA OU DOS GRANDES MISTÉRIOS - OBVIAMENTE QUE A SENSIBILIDADE E A INTELIGÊNCIA JAMAIS PODERÁ CONCORDAR QUE SEJAM Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus

"Pedro Abrunhosa é culto, cultíssimo. Tão depressa cita Borges ou Faulkner, como recorda Rembrandt ou Leonardo da Vinci. Tão depressa compara o panorama político actual com outros períodos da História, que conhece bem e com rigor, como indica as teorias de sociólogos, antropólogos, escritores ou músicos que estudou com minúcia e que lhe enriquecem o discurso. Fá-lo naturalmente, sem pretensiosismos bacocos, e insurge-se contra quem busca a fama sem ter o trabalho"

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(...)
"Mais do que saber o que ainda tem para fazer, que imagino seja muito, gostava de saber o que ainda não fez e gostaria de já ter feito?
Gostava de ter feito mais, grosso modo. Editei o meu primeiro disco aos 33 anos. Na sociedade actual, rápida, veloz, é considerado tarde. Eu acho que não é. Um disco é uma espécie de romance. E só se consegue editar um romance depois de se ter vida. Editar um disco ou um romance ou o que quer que seja antes de se ter vida é imaturo. Mas, claro, agora vejo os meus seis discos de originais e gostava de ter sete ou oito. Admiro o Lobo Antunes por várias razões, mas uma delas é porque edita um livro todos os anos. Só que a verdade é que ele não tem de andar em tournée. E eu ando muito na estrada, faço muitos concertos, ando muitos quilómetros. É tempo que passa.

Por falar em Lobo Antunes, já lhe ligou para que decidam o que vão fazer juntos? [o escritor António Lobo Antunes escreveu a Pedro Abrunhosa sugerindo que trabalhassem juntos de alguma maneira, ainda a descobrir.]
[sorriso] Não... Nós não nos conhecemos pessoalmente. Tenho algum pudor de conhecer pessoalmente as pessoas que admiro muito.

Pudor ou medo de se desiludir?Não, é mesmo respeito. Em 1976 conheci Charlie Chaplin pessoalmente. Lá está, isto faz-me lembrar que tenho 50 anos!

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Pois, imagino que sim. E conheceu-o como?Foi um encontro incrível no casamento da filha dele, Geraldine, na Suíça, onde eu estava na altura. E esse encontro com Chaplin foi das coisas mais marcantes da minha adolescência. Eu conhecia bem a obra dele, sempre fui um amante de livros e de cinema e nessa altura já tinha uma grande cultura cinematográfica. A primeira pergunta que me fez, depois de eu ter tido a ousadia de o ter abordado, foi qual era, dos seus filmes, o meu favorito. Eu respondi que era O Grande Ditador e ele ficou admirado e pôs-se a conversar comigo. Eu tinha 15 anos na altura. E fiquei ali, sem coisas para lhe dizer. Com o Lobo Antunes é um bocadinho o mesmo. Não sei o que lhe hei-de dizer.

EMBORA DIGA QUE JÁ ESTÁ "CANSADO DE SER O ARAUTO DA OPOSIÇÃO" PEDRO ABRUNHOSA, NÃO DEIXA DE SER UMA CONSCIÊNCIA CRITICA E ATENTA DA VIDA POLITICA E SOCIAL, QUE O RODEIA

"Tenho tentado manter-me um pouco à margem porque, de facto, chegámos a um ponto em que a falta de dignidade é tão grande que fica difícil dizer alguma coisa. A falta de visão dos sucessivos governos, a falta de ambição dos sucessivos governos, a repetição do mesmo paradigma de desenvolvimento dos sucessivos governos, a incompetência dos sucessivos governos, é escandalosa. Nós, portugueses, temos mais-valias inimitáveis: o nosso património cultural, o nosso património edificado, o nosso património contemporâneo e o nosso património humano. A História tem ensinado, ao longo de cinco mil anos, que onde chega a padronização cultural chega a economia. O império chinês consolidou-se através de uma fortíssima identidade cultural. O mesmo fez o Brasil. E Espanha. Não há filme de Hollywood dos anos 1950 que não faça uma referência a Espanha. Nós só teremos voz no panorama internacional se tivermos voz no panorama cultural. E os sucessivos governos têm feito o contrário disso"
SANTOS DA CASA NÃO FAZEM MILAGRES - SOBRETUDO QUANDO VÊM A TERREIRO E SE ASSUMEM COMO DESMANCHA PRAZERES

"Se houvesse jornalismo de investigação na cidade... talvez fosse mais notório. Se sinto na pele? [silêncio] Não vou comentar. [silêncio] Toco mais vezes no Brasil, na Argentina, em Itália do que toco na minha cidade. E quando toco na minha cidade... toco porque sou eu que promovo os meus próprios espectáculos, numa sala que eu ajudei a defender, mas curiosamente são-me recusados espaços para colocar os meus cartazes e há muitos que, depois de colocados, desaparecem. O pior desta cidade é a falta de massa crítica. O pior desta cidade é que perdeu para Famalicão e para Guimarães. O Porto perdeu a vocação de ser a capital do Noroeste peninsular. Poderia ser. Não é por falta de mundo das pessoas que dirigem a câmara."

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QUEM DIRIA QUE, POR DETRÁS DAQUELES ÓCULOS ESCUROS, POR VEZES SE ESCONDEM LÁGRIMAS QUE TOLDAM OS OLHOS MAS QUE ESTES SE RECUSAM A MOSTRAR..
"O que é que o faz chorar?
A última coisa que me fez chorar foi uma mãe que afogou uma criança numa ribeira em Rio de Mouro [Sintra]. É preciso estar-se numa situação de desespero enquanto mãe para fazer uma coisa dessas. E o filho tinha dois anos... imaginar aqueles segundos é tenebroso. A violência, de uma forma geral, faz-me mal. Mas a violência sobre crianças não me deixa indiferente. Não foi a primeira mãe a afogar um filho num rio, não será a última. Apetecia ter estado lá e dizer: «Dê-mo, que eu tomo conta dele. Depois vai buscá-lo quando puder.» Apetece estar presente nessas alturas. E quantas vezes nós passamos ao lado de situações e viramos a cara. Eu intervenho muitas vezes quando vejo mães na fila do supermercado a bater nos filhos, que estão cansados e a chorar. Tenho de intervir. Não consigo ficar calado.
O que é que diz?Digo que são crianças. E que estão cansadas. E que a mão dói. Eu digo isso no Momento: «uma mão que doeu». Aliás há uma frase que diz qualquer coisa como: a bofetada só magoa da mão de quem se gosta. É por isso que a bofetada de um pai tem uma dupla dor."

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"A dor da perda do seu irmão Paulo atenua-se com o tempo ou está sempre presente?

Não há pior que a perda de um irmão. Não pode. Só a perda de um filho. Na altura [2001] tratei de tudo sozinho. E foi muito duro. Muito duro. O meu irmão era a pessoa com quem eu tinha aquela relação de irmãos que só os irmãos sabem reconhecer. Era o ser humano mais inteligente que conheci. O meu irmão Paulo... Era mesmo inteligente. Extremamente culto, com uma personalidade marcadíssima, e dávamo-nos como o cão e o gato, à irmão. Mas sempre que havia um momento dramático nas nossas vidas era um ao outro que recorríamos, não era a mais ninguém.
É isso o que mais lhe faz falta, na falta que ele lhe faz?É. Era uma pessoa que apaziguava, um diplomata. Era advogado e tinha uma proximidade com os miseráveis que era absolutamente extraordinária. E, por outro lado, era uma pessoa distintíssima. Perdi-o de repente. Foi tudo muito rápido. De repente vi-me a braços com as últimas palavras dele. O telefone tocou e eu não fui a tempo de o atender. E depois fui a correr para o hospital, mas já era tarde.
Disse-lhe tudo o que queria ter dito?

Nós nunca dizemos tudo. E é essa urgência que está nas minhas músicas. Falo muito mais de morte, de separação e de dor na morte do que de amor e de sexo. As pessoas acham que eu estou a falar disso e não estou. Mas essa é a multiplicidade da leitura artística, que é perfeitamente plausível."

"A música ajuda a exorcizar a dor?Sim. Seguramente. E, curiosamente, ajuda a planificar a proximidade da morte também. Mas sim, no caso concreto do desaparecimento do meu irmão, dediquei-lhe um disco inteiro [Momento] e foi uma forma de exorcizar a dor."

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"A morte dele mudou a maneira como vê a vida?Eu nunca fui religioso, portanto sempre vi a vida de uma forma prática, digamos assim. Prática mas sempre com a interferência da mão divina do artístico. Acho que encontramos na capacidade criativa e artística o nosso Deus privado. Não mudei a minha perspectiva sobre a efemeridade da vida. Não acredito na vida depois da morte. Acho que morremos e acabamos. Não acredito na reencarnação"


PEDRO ABRUNHOSA O CRENTE NAS VIRTUDES HUMANAS E NA SUA MÚSICA - MAS DELEGA OS MISTÉRIOS DO ALÉM E DE DEUS PARA OS MÍSTICOS E TEÓLOGOS - LÁ TERÁ AS SUAS RAZÕES: A VOZ ANCESTRAL, POR VEZES, AINDA FALA MAIS ALTO QUE A VOZ DOS SACRÁRIOS, ELEVANDO-SE AOS ARES COMO EXPRESSÕES DE HERÉTICOS E VERDADEIROS "BANDEMÓNIOS"

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"Não acredita em Deus.
É uma ousadia dizer que não acredito em Deus. É uma ousadia demasiado arrogante. Necessitaria de provas para a Sua não existência, atendendo a que Deus existe dentro de tanta gente. E se Deus existe dentro de tanta gente que faz tanto... Também é certo que esse mesmo Deus já deu provas de existir dentro de tanta gente que fez tão mal, ao longo da História. Em nome dos deuses têm sido cometidas as maiores atrocidades, é uma realidade. Mas também em nome dos deuses tenho visto muita bondade. A fé é algo de que eu tenho muita inveja. Muita inveja.
É muito mais fácil viver.Não sei se é mais fácil.
Acreditar que há alguma coisa depois do fim é seguramente muito mais fácil. Sobretudo quando se perdeu um irmão.Sim, talvez. Mas, não sei... eu acredito intrinsecamente na bondade das pessoas. E é suposto que os deuses sejam bons. É suposto que sejam uma desculpa para nós sermos bons. Há antropólogos que afirmam que nós somos intrinsecamente maus e que Deus é uma forma ético-moral de praticarmos o bem. O que é certo é que a fé tem movido e continua a mover multidões de uma forma comovente. Eu não posso deixar de me comover ao ver Fátima.
 Sim?Sim. Acho comovente. É preciso termos a humildade de perceber que à falta de afecto, carinho, amor, Deus é uma permanência de afecto na vida das pessoas. E Deus pode ser uma entidade abstracta, incompleta, intangível, como pode ser aquilo, exactamente. Ser aquilo que preenche o vazio da vida de muita gente. Nesse sentido, o meu respeito pela fé dos outros, seja ela qual for, é imenso. E é por isso que eu, pessoalmente, não posso dizer que Deus não existe, apesar de não acreditar nele. Se há tanta gente que O traz por dentro


"Para terminar, estamos em época de Natal... já sei que não liga a efemérides e não acredita em Deus, mas consegue gostar do Natal?
 Depois da perda de um irmão... é complicado responder a essa pergunta. Eu tive os natais melhores da minha vida. Mas... foram todos com o meu irmão" - Excertos da entrevista publicada, na NOTÍCIAS SÁBADO 258 - Os subtítulos são da responsabilidade do autor deste post. A edição integral poderá ser consultada em:PEDRO ABRUNHOSA - «Estou cansado de ser o arauto da oposição»

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Luis de Raziel - ao centro - entre duas amáveis irmãs - Saudação com que termino este post.

domingo, 19 de dezembro de 2010

CARLOS PINTO COELHO -“DESTES DIAS DO JORNALISMO NÃO VAI FICAR RASTO NEM GLÓRIA – PALAVRAS DE UM BRAVO CUJO CORAÇÃO NÃO RESISTIU ÀS INSÍDIAS DA MORTE



A MORTE NÃO PERGUNTA QUANDO CHEGA E QUEM LEVA- MAS HÁ MUITO QUEM INTERFIRA EM SURDINA OU ÀS ESCÂNCARAS NA VIDA DOS HOMENS - OU PARA O BEM OU PARA O MAL. CARLOS PINTO COELHO, QUE JÁ NÃO PERTENCE AO MUNDO DOS VIVOS, FOI UM VERDADEIRO HERÓI NA SUA PROFISSÃO, ONDE SÓ FEZ BEM - NO ENTANTO, ENCONTROU, NO EXERCÍCIO DA SUA ACTIVIDADE, QUEM LHE FIZESSE MUITO MAL - A ELE, AO JORNALISMO E À CULTURA

Carlos Pinto Coelho, já partiu: Morreu Carlos Pinto Coelho, o senhor “Acontece” e, com ele todas as suas dores de alma, pelas impiedosas travessuras que lhe fizeram, em vida, certos políticos. Disso, ele próprio se lamentou, numa entrevista dada ao Diário de Noticias, em 8 de Março, deste ano, na véspera de ser distinguido, pelo Governo francês com a insígnia de Oficial da Ordem das Artes e das letras.

PASSEMOS-LHE A PALAVRA, QUE TRANSMITIU A ESSE PRESTIGIADO MATUTINO -PORQUE SÓ ELE, Carlos Pinto Coelho , A SOUBE DIZER, NO SEU ESTILO BEM PESSOAL, PERSCRUTADOR, INTELIGENTE E CALMO, ONDE, COMO E QUANDO A NOTICIA "ACONTECE"

"Destes dias do jornalismo não vai ficar rasto nem glória"


por JOANA EMÍDIO MARQUES18 Março 2010


"Ainda não ouvi ninguém falar , nem sequer colegas, sobre o que o ministro Morais Sarmento fez ao meu programa. Há apenas um enorme alvoroço", disse Carlos Pinto Coelho ao DN.

Amanhã vai ser agraciado pelo Governo francês com a insígnia de Oficial da Ordem das Artes e das Letras. Como se sente perante este reconhecimento?

Sinto-me surpreendido mas muito orgulhoso. Estou honrado. É um pequeno presente da vida que ajuda a superar os momentos em que me senti maltratado.
Qual a sua relação com a cultura francesa?
É o tronco da minha formação intelectual. É a forma com a qual construí o meu olhar sobre o mundo.
Quem aceita este tipo de condecorações não corre o risco de ser amestrado pelo poder?

Não. Basta-me olhar para todos os que antes de mim as receberam, Eduardo Lourenço, Manoel de Oliveira. Nenhum deles se deixou amestrar pelo poder.

Em Portugal há o mesmo reconhecimento pelo seu trabalho?

Da parte do público, sim. Dos políticos não espero nada. Não peço favores, não recebo favores.Não me queixo do meu país.Não me queixo da RTP. Só me queixo do José Fragoso pelo facto de estar à espera, há um ano e meio, que ele responda a uma proposta que lhe enviei de um programa cultural que criei. Aquele menino está sentado na cadeira onde eu estive durante quatro anos.Quando ele ainda era jornalista do Público pediu-me uma entrevista e eu recebi-o no dia seguinte.Ele não me responde há um ano e meio.

Que opinião tem sobre as alegadas interferências do poder político nos media?

Nenhum caso dos que se fala agora foi tão flagrante como o caso Acontece. Nesta onda de acusações sobre a entrada do poder político nos media, ainda não ouvi ninguém falar, nem sequer colegas, sobre o que o ministro Morais Sarmento fez ao meu programa. Há apenas um enorme alvoroço. Ainda não vi nenhum sinal concreto de dedo directo do poder político dentro dos media que se dizem visados. 

Como vê o panorama do jornalismo em Portugal?

Há gente muito boa a fazer um trabalho jornalístico muito digno. E de todos estes dias do jornalismo português não vai ficar nem rasto nem glória. Destes jornalistas que estão sentados sobre o poder que acham que a sua opinião tem, como é o caso de Mário Crespo, que é um exemplo de histrionismo público. 

Gosta do programa Câmara Clara na sua versão diária?

.O Câmara Clara diário ainda não existe. Está a fazer-se. O semanal inaugurou um formato novo, tem coisas apelativas e outras que são francamente de rejeitar. Mas não tem nada a ver com o meu Acontece.

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sábado, 11 de dezembro de 2010

NOBEL RAMOS HORTA AO LADO DA REACÇÃO DO TIRANO CHINÊS- ELE E O VARGAS LLOSA, PODEM FORMAR A MESMA PARELHA – UMA PROVOCAÇÃO À MEMÓRIA DE ALFRED NOBEL


Manifestação em Honk Kong, China, pela libertação de Liu Xiaobo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz.
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"Quem pense que os EUA devem ser derrotados e humilhados no Iraque está a fortalecer um dos regimes mais sanguinários do planeta”, afirma. José Ramos-Horta (M31.03.2003 - 10:39 Por Luciano Alvarez, PÚBLICO Ramos-Horta: Quem pense que os EUA devem ser derrotados.
Este falso pacifista (golpista) que dá pelo nome de José Ramos Horta, galardoado com o Prémio Nobel da Paz, e que agora se pôs ao lado da opressão chinesa, vociferando contra a atribuição do Prémio Nobel da Paz, a um cidadão que, o regime ditatorial, atirou para as masmorras das suas prisões, por lutar pelas liberdades fundamentais no seu país, também já se havia posto ao lado de Jorge Busch, apoiando a invasão do Iraque, que o destroçou, completamente, e tantas vidas já ceifou, em ambos os lados


Quando o Prémio Nobel da paz foi atribuído ao Bispo de Dili, Dom Ximenes Belo e a José Ramos Horta: prémio nobel da paz apercebi-me, imediatamente, que algo ali não soava bem. E perguntava, a mim próprio: mas que, contributo de monta, deu à paz da humanidade e ao tão martirizado povo timorense, aquele sujeito, para merecer tão alto galardão?... - Simplesmente, alimentar o seu enorme egocentrismo, e também outra coisa: - em que ele se movimenta como os ratos à procura do trigo nos celeiros - dar largas à sua esperteza e habilidade, com que sabe jogar com o poder económico e dar nas vistas

Ele, tanto está ao lado do amigo americano, como o russo ou chinês. E, até dos indonésios. Quem merecia, o Prémio Nobel, era Xanana Gusmão, que arriscou a vida e andou lá pelas florestas, e não o do homem do "lacinho" (agora cultiva a pose de jesuíta) que, mais não fazia (e ainda faz) que pavonear-se à custa de quem estava e está a dar o corpo ao manifesto. Claro, que, a diplomacia, também exige esforço e corre os seus riscos (e seus correlegionários, nas lutas fratricidas de poder, até já o quiseram limpar de vez), é verdade, é uma outra forma de combate, sem a qual, os que lutam na clandestinidade, dificilmente poderiam consumar os seus êxitos na guerrilha, sim, é um facto, mas, no meu ponto de vista, as exibições de José Ramos Horta, de nada teriam servido à diplomacia, se não fosse o indiscutível carisma de Xanana, o alto sacrifício, a que expôs a sua vida
Manifestação em Honk Kong, China, pela libertação de Liu Xiaobo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz (Ym Yik/EFE)
Pois, mal começaram a correr rumores de que a Academia de Estocolmo, poderia atribuir o Nobel da Paz, ao chinês Liu Xiaobo, e, receando que isso pudesse ferir as sensibilidades dos ditadores de Pequim, eis que, o galante e oportunista, Ramos Horta, se apresta a manifestar a sua discordância e afinar as agulhas, com a tirania dos dirigentes da maior empresa capitalista do mundo: o Partido Comunista Chinês.

Por aí, já se podem calcular os interesses defendidos por José Ramos Horta: não propriamente os do seu povo, mas os da sua algibeira. Até porque, os chineses, para estenderem os seus chorudos negócios (2/3 da economia americana, estão já sob o controlo das suas máfias) não actuam como os caçadores, que, quando vão à caça, têm que calcorrear os montes, apontar espingardas e a dar tiros: eles não fazem isso. Agem pela calada, silenciosamente, com subtil e corrupta discrição, muito à maneira tradicional da cultura que têm vindo a impor, através da mordaça e do mais absoluto desprezo da liberdade de expressão e de outros direitos fundamentais. É simplesmente vergonhoso. Se não concordava com a atribuição da referida distinção, ao menos soubesse ter algum decoro e não deixasse cair, de forma, tão abrupta e despudorada, a hipocrisia da sua máscara.


Confesso que fiquei muito decepcionado. Mesmo não sendo um admirador de José Ramos Horta - e, muito embora, não lhe houvesse reconhecido mérito nem qualidades, na atribuição do Prémio Nobel da Paz - congratulei-me e vi com agrado e satisfação que, tão mítico galardão, o distinguisse, aliás, a dois falantes da língua portuguesa: a ele e ao Bispo de Dili, Dom Ximenes Belo, pessoa humilde e corajosa, a ele, sim, bem merecido, com quem falei algumas vezes - e , ainda para mais, ambos formados na cultura lusíada.

Presumo - aliás, tenho essa convicção; já o antevi - que o pior ainda está para vir. À excepção de Xanana Gusmão, não vejo que, aquele pequeno território - com as enormes jazidas de ouro negro a serem cobiçadas por chineses, australianos e outros potentados - possa resistir a tão descarada cobiça, face a dirigentes, tão permeáveis, como Horta e outros da sua bitola. Oxalá, Franco Nogueira, uma das mais matreiras raposas da diplomacia do velho regime fascista, não venha a ter razão. Numa entrevista que me concedeu, em sua casa(já depois de voltar do Brasil), declarava-se concordante com a anexação de Timor pela Indonésia, considerando ser esta a melhor solução para os interesses do seu povo. Talvez já a antever que, mesmo antes das grandes multinacionais explorarem o petróleo e lhe sacarem outras riquezas naturais, à antiga ex-colónia portuguesa, já, vários "Hortas", hipotecassem o seu futuro, enchendo, com as suas colheitas, os cofres dos bancos suíços.

ESTIVE SEMPRE AO LADO DA DESCOLONIZAÇÃO - MAS JÁ ME CUSTA REVER-ME NOS NOVOS COLONIZADORES - QUE FAZEM JOGADAS, DESCARADAMENTE, E SEM ESCRÚPULOS


Senti-me sempre solidário com o povo timorense, e ainda cheguei a ir a Londres, numa das acções de apoio e de solidariedade à causa do Povo Maubere, mas nunca deixei de olhar, com desconfiança para Ramos Horta. E, de outros, que, por cá, faziam o jogo da indonésia e colaboravam em altos negócios de armas. Ao ponto de, um desses paladinos, outro dos que gostam também de pavonear-se pelas televisões, e continuam a fazê-lo com todo o à-vontade, chegar ao desplante, - quando me dava uma boleia, no seu bruto R.R, entre o A.R. (o Parlamento) e a estação de rádio, onde eu trabalhava-, pois bem, de não ter vergonha de, com a maior desfaçatez e gabarolice (ao mesmo tempo que, exibindo as suas habilidades de fanjo, me metia uma das mãos, entre as pernas, agarrando-se - repetidas vezes - na minha braguilha, como querendo ali encontrar um apoio nas suas inesperadas manobras automobilísticas - provocação a que só não reagi à altura do seu abuso ou abandonei a viatura, por respeito ao seu cargo, à gentileza da boleia e por me encontrar já perto do meu destino, limitando-me a sacudir-lhe o atrevimento e a transparecer o meu incómodo do seu despudor), sim, não é que, ao passarmos junto ao famoso edifício das Amoreiras, projectado pelo Arquitecto Tomás Taveira (que tive o prazer e a honra de entrevistar no seu gabinete da Av, da República) para meu espanto e surpresa, não é que, a dita personalidade da nossa praça, se sai com esta:

"Você sabe que um daqueles melhores andares, é meu?!!.."- "Como assim?...Então é muito rico?!...." - perguntava eu, incrédulo, tanto mais que nada disso vinha ali a propósito. Sua resposta: negócios de armas meu caro amigo!!.. Muitos milhões cá pró rapaz!" Isto dito com a mais cândida, bichosa e inocente das expressões! - "O cargo de deputado não é incompatível com a profissão liberal de ...Você não sabia?!...Então aprenda!...Não seja anjinho!...Agora fica a saber!..."- E não digo mais, senão ainda identifico o "rapaz", que costuma apresentar-se nos ecrâs das televisões, sempre com ar bem falante, apessoado e de quem tudo sabe, e não é esta a minha intenção.
Além de que ele é muito rico e eu sou mais um pobre de Cristo, dos que vivem no modesto desvão de um telhado.


Não conheço o percurso do agora distinguido Liu Xiaobo, para me pronunciar sobre o seu mérito ou desmérito. Porém, o que eu sei é que, o regime chinês, é de tal modo intolerante e opressor, que nem sequer permitiu, ao seu cidadão, que fosse receber o tão notável prémio. China classifica como «farsa política» o Nobel Além disso, ainda reage e usa represálias, sobre o país, onde está a sediada a Fundação Nobel, como se, a Noruega, fosse a mesma coutada que a China: onde o poder absoluto está nas mãos de um tirano.China reage a Nobel e convoca embaixador norueguês 
 É um facto de que, a atribuição dos Prémios Nobel, desde sempre teve o peso da política. Foi manchada pelos cordelinhos das estratégias. Durante muitos anos, era dominado por um loby, mais à esquerda, pró-comunista, porém, nos últimos anos, ou porque os membros do júri, se tornassem mais conservadores, ou porque, o liberalismo selvagem, já praticamente tudo minou e corrompeu, o certo é que, já não é apenas a influência política, mas também o enorme peso do poder económico, a ditar os critérios da atribuição das tão famosas distinções: sobretudo os prémios Nobel da Literatura e da Paz. Há situações que ainda poderão merecer alguma compreensão e até são aceitáveis pela opinião pública, no entanto, outras têm-se revelado, com tal flagrante oportunismo, que só contribuem para descredibilizar os verdadeiros objectivos, com que foram concebidos pelo fundador da instituição Alfred Nobel.

Foi o caso de Ramos Horta - pois, se alguém tinha dúvidas de que ele não passa de mais um impostor, de uma criatura vazia e balofa, vaidosa, hipócrita e ambiciosa- a sua cumplicidade, agora manifestada com o poderio económico do amigo chinês, em completo desprezo para com a defesa dos valores da liberdade e da tolerância, no fundo dos direitos humanos, de que ele se arvorava seu defensor - pois, de uma assentada, desmascarou-se completamente

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Porém, até agora, não disse nada sobre outro cagão, outro jogador e simulador como ele: um tal agora laureado, Vargas Llosa, que, em vez de passar a vida a escrever para os leitores, andou mais envolvido em jogadas politicas, em sórdidas intrigas palacianas, que urdia na sombra ou veiculava através dos media da sua confiança e a deambular pelos bastidores na mira de alcançar o tão supremo penacho.Academia entrega Nobel de Literatura a Vargas Llosa


Os livros de Llosa, nunca me atraíram. Por isso, verdade seja dita, também não estou em condições de afirmar se a sua obra é digna de um Nobel. Mas não creio.E por uma simples razão: não consigo separar a dimensão humana da dimensão artística. Esta pode valer rios de dinheiro, mas a do homem, para mim, vale muito mais. E, na radiografia que, há muito lhe fiz, constatei que, como pessoa, o escritor peruano, político e colunista, Mario Vargas Llosa, simplesmente não presta.


José Ramos Horta sempre me pareceu um autêntico farsante e cagão, no sentido mais lato do termo: vaidoso e ambicioso. É dos que não esconde a sua vaidade através do estilo que cultiva. A política está cheia de aldrabões, comerciantes, oportunistas e ambiciosos, ele não foge à excepção. Há vidas exemplares, de verdadeiro sacerdócio por nobres ideais - e já me referi neste blogue a alguns desses exemplos - mas não creio que seja o caso do dirigente timorense.

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