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terça-feira, 1 de março de 2011

SEXO,AMOR E BRUXARIA DE RASPUSTIN II, O MÍSTICO – Com francesas, russas, portuguesas e africanas - Para harmonizar impulsos descontrolados ou frustrados de damas, marquesas, burguesas, divorciadas e solteironas, tias de Lisboa, Cascais e do Estoril, donas de casa ou sem profissão definida, algumas candidatas a pintoras, outras lésbicas e depiladoras – Uma delas com tendências de suicídio, esforcei-me mas não evitei.

Luís de Raziell - Na dupla personagem de Rasputin II , o Místico - Esta história é complementada em http://www.vida-e-tempos.com/2011/03/romance-no-sheraton-lisboa-hotel-e-fuga.html

O maior milagre de Deus é existir vida sob as mais diversas formas, espécies e cores – Mas os seus mistérios são praticamente insondáveis, obedecem a leis imutáveis. Mas compete aos seres humanos procurar decifrá-los.E múltiplas são as vias ou os caminhos.  Importa seguir um deles. Ou experimentar vários mas nunca se deixar perder em nenhum deles. Sendo mais amante da natureza, por esta espelhar a imagem mais fiel do Divino, todavia, na minha vida, os acasos quiseram que experimentasse outras vidas - 

Sim, o termo bruxaria é apenas uma das muitas vias de interpretar o sobrenatural e de o sublimar - Pelos vistos, foi em boa parte esta a experiência que conheci - Não é nem negar Deus (positivo) nem clamar pelo negativo, a que chamam de Diabo: tudo no Universo obedece a leis imutáveis - Pelo menos em quanto não se der o epílogo.







NA PERSONAGEM DE RASPUTIN – II O MÍSTICO - RECORDANDO DIAS SOLTOS, FELIZES E  AMOROSOS – Com francesas, russas, portuguesas e africanas  - Para harmonizar impulsos descontrolados ou frustrados de damas, marquesas, burguesas, divorciadas e solteironas, tias de Lisboa, Cascais e do Estoril, donas de casa ou sem profissão definida, algumas candidatas a pintoras, outras lésbicas, depiladoras e, até, uma delas, com tendências de suicídio - Bem me esforcei, dormindo com ela numa enorme cama, em que não estava habituado(ela queria que fosse  com ela e o empregado, recusei a três) mas mesmo tendo-a acarinhado nos meus braços, não evitei esse triste desenlace; os filhos do Marquês, que enviuvara (com Roças em S. Tomé) detestavam-na,  pois fora a criada da casa, faziam-lhe a vida negra por ter-se feito ao pai -  Entristeceu-me quando soube da noticia, que li nos jornais. Era do signo Virgem, mesmo sofrendo imenso era afável e comunicativa - Se a memória não me atraiçoa, atirou-se pela janela; teve morte horrenda - E, afinal,  em casa, ate podia  ter encontrado um desfecho mais fácil, dado dispor de  uma grande coleção de  armas de caça e de tiro ao   alvo, pois o Sr. Marquês até fora campeão nessa especialidade 

SUPREMA IRONIA - Quem havia de imaginar que, depois de ter sido escravo (empregado de mato) numa das suas roças, haveria de um dia dormir na sua cama de bom lenho e de bom tamanho.

Enfim, dir-se-ia ter vivido o que nunca nem imaginei nem desejei, mas o destino tem destas surpresas -  Mas poderei dizer que foi um relacionamento humano, mais através de sorrisos e de um alegre e recíproco convívio, visando ir  ao encontro de novas experiências, de que propriamente com o fito de obter quaisquer proventos materiais,  sem outro intuito que não fosse a descoberta do prazer pelo prazer.

Mesmo assim, como as mulheres, com quem lidava (as parasitas que  Elizabeth me apresentava, que chegou a convidar-me para viajar com ela para Los Angeles e ficar hospedado no mesmo hotel onde então o marido era Director-Geral, alegando que era impotente - pois, mas não tive coragem de fazer outro duplo papel), sim, porque  estando mais habituadas a receber de que a dar (a que lhe abrissem a carteira) confesso, que, enquanto durou  esta comédia, era-me difícil chegar ao fim do mês com alguns trocados na algibeira, visto ir-se quase todo em transportes e em charmes.

No entanto, apraz-me aqui recordar que foram  dias maravilhosos de  exaltado amor sauna, piscina, diversão, especialmente no Sheraton de Lisboa, com a mulher do ex-Director: a mais charmosa entre as charmosas. Os bons tempos do Botequim de Natália Correia. A fuga dCasa da Amália (hoje museu)por causa da entrevista sobre a primeira relação sexual. A história do homem que chegou a ter uma seita de treze mulheres na Serra de Sintra, aguardando o fim do Mundo, mas que acabaria reduzida a uma.



Video editado em 06-10-216, por ocasião da passagem do 17º aniversário sobre a sua morte.   

 São questões do foro muito pessoal e íntimo, referentes ao período em que  assumi outras personagens na minha vida, mas   entendendo que  é uma experiência, interessante,  que deve ser partilhada e repartida: - Escrevem-se romances, com histórias de ficção, para se ir ao encontro da imaginação de  muitos leitores. Eu nunca tive a pretensão de ser romancista nos livros, mas de viver a vida, muito além da ficção – Naturalmente, que, buscando a espiritualidade e harmonia, a sublimidade, o conhecimento, a introspeção,  a  paz e  alegria  - Quer na amplidão dos imensos espaços marítimos, onde  os dois mais belos azuis da Criação  se confundem e deslumbram o olhar,  sim, quando não há tempestades ou, então, na intimidade com a Natureza – Tenho privilegiado mais este contacto, esse estreito relacionamento, mas o ser humano é um ser social e houve uma altura da minha existência em que os acasos quiseram que experimentasse outras vidas e é justamente uma dessas facetas, que aqui lhe trago.

OS EXTRAORDINÁRIOS BANQUETES NA SUITE DO DIRECTOR GERAL DO HOTEL RITZLISBON  - COM A SUA EX-MULHER, NUMA FASE EM QUE O CASAL SE DIVORCIARA. - E AINDA OS BAILES DAS LOUCAS FESTAS NO BAR DO LUXUOSO HOTEL


O marido ia dormir com a amante(e o marido desta) numa suite vulgar (sexo a três) e ela manteve-se lá. - Era uma russa (gorda e anafada) um bocado teimosa e autoritária e não arredou pé. Não gostava de mim, porque não era rico, mas ficava muito curiosa quando a conversa resvalava para a astrologia ou para certas questões relacionadas com a bruxaria. Queria saber como se vingar do marido. E não havia vez alguma que não me inquirisse e puxasse a conversa sobre essa matéria - Uma vez, quando a bethe, foi à casa de banho, chegou a oferecer-me 100 dólares: "pegue lá mas não lhe diga nada... O cabrão não tem vergonha de dormir com a amante e com o porco do marido, no Hotel. Eu já não quero nada com ele mas sinto-me envergonhada por ter sido mulher dele." - Não aceitei o dinheiro mas prometi comprar-lhe o .Livro de São Cipriano. "Ah! mas uma amiga já mo comprou... você é que sabe!..." Acreditava muito na bruxaria. Era anti-comunista (militante) e toda voltada para a restauração da velha Rússia e da monarquia dos Csar. Dos quais, aliás, confessava ter ainda alguns laços de sangue.






A russa Ludmila, esposa do então diretor do Hotel Ritz (em vias de divórcio)  chegou a comparar-me a Rasputin- Delírios e fantasias megalómanas de mais uma fútil, claro está... Que ainda devia estar  com a cabeça enterrada num passado de orgias e luxo imperial. 

Mas, no fundo, foi de algum modo a vida para a qual fui atirado num certo período da minha vida, pelo que  assumo que Grigori Rasputiné o meu alter ego - Espero é que não acabe como ele, mas já pouco faltou : "Oh, Bethe, ele é o nosso bruxo Rasputin!... É pró que serve!...Vê lá se o convences a fazer o que lhe pedi" - E bethe, responde-lhe: "Ah!, sim, mas eu gosto dele na cama. É a minha vitamina!.." Tinha-me eu acabado de levantar da cadeira, quando ela começava logo com as suas habituais mexeriquices. Era vingativa e obstinada, p'ra burra! - Queria à viva força dar cabo da vida ao ex-companheiro e só me falava disso...






Mas, como ela, havia também outras malucas finas, que me foram apresentadas pela minha amiga... Punham os cornos aos maridos e depois arvoravam-se em vítimas . Se, eu nessa altura, abrisse um consultório, ficava rico... Assim que ela lhes contava que eu havia sido um grande aventureiro do mar e que convivera com vários feiticeiros africanos (aliás, era desta faceta que a bethe, nesses oito anos em que vivemos juntos, gostava de fazer gala, ao apresentar-me às "tias" da alta sociedade, uma vez que eu era um teso, comparado com o nível económico dessa gente), passavam-se da tola... "Explique-me lá... explique-me lá ... preciso que o sr. me faça.... que o meu...E lá tinha eu que as aturar com algumas recomendações e prédicas místicas para se verem livres dos fantasmas dos cornudos. " Afinal, em todas as latitudes e em todas as classe sociais, há mentes supersticiosas e frágeis que necessitam de apoio ou de serem consoladas.

Sheraton - 
Foto na Lua de Mel no  Sheraton Hotel Lisboa

Fui amigo pessoal da segunda mulher do Marquês Guy Valle Flôr Brito de Chaves. Que conheci depois da morte de seu marido - O Marquês de Vale Flor foi um grande campeão olímpico de tiro aos pombos, várias vezes medalhado, legando talvez uma das melhores colecções de armas da especialidade. Ainda tive algumas na mão. Ela dizia que não era bem aceite pelos filhos de Guy Vale Flor. Havia sido sua empregada. Era do signo virgem e queixava-se que os herdeiros lhe faziam a vida negra. Ainda dormi várias vezes em sua casa onde vivia também o seu criado - nalgumas das escapulidelas à Babeth. Tinha uma cama de mogno onde podiam caber talvez seis ou mais pessoas lado a lado. Eu preferi, todavia, dormir numa mais pequena, noutro quarto, senão quando ela aceitou que o empregado (seu criado, com quem habitualmente dormia) fosse dormir noutra cama. Mas convivi com ela apenas para a a carinhar e moralizar. Andava muito em baixo e muito desgostosa. O tema habitual era o misticismo e astrologia. Mesmo assim não evitei que mais tarde se suicidasse
.



Pouco antes de conhecer a Bethe, encontrei-me à saída do Metro dos Anjos, como uma actriz, que começava a fazer carreira de sucesso em França. Foi por volta do meio-dia. Ela ia a descer as escadas e eu a subi-las. Mal olhei para ela(com aquele olhar de lince, que aprendera em criança nos rituais das filhas do Anjo da Luz, no velho solar do Vale Cheiroso - sim, bailo ainda hoje os olhos à velocidade que eu quiser) pediu-me um cigarro. Respondi-lhe que não fumava mas ao mesmo tempo acrescentei que não me importava de lhe comprar um maço de cigarros, na tabacaria, que era logo ao cimo das escadas. Acedeu. 


Mais tarde nas Azenhas do Mar
Ambos imediatamente compreendíamos que, nem eu nem ela fumávamos e o pretexto era meter conversa. Mal entabulado o diálogo, já não se pensou mais no tabaco. Disse-me que andava um bocado deprimida e desmoralizada, que tinha regressado de França e perdido o namorado e queria arranjar emprego. Convidei-a a ir a minha casa para podermos falar mais à-vontade. Mas, aí, eu fui um bocado palerma. Em vez de a encaminhar para a cama, preocupei-me mais em ajudá-la a resolver o problema de que me falava. Ou seja, primeiro ajudá-la a resolver os problemas do espírito, depois avançar pelos da carne. E vou de, ainda nessa mesma tarde, apresentar ao ArquitectoSommer Ribeiro, que era então o responsável pelo Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, com o qual mantinha um excelente relacionamento, dado o meu empenho pela divulgação das questões culturais. Ele reconheceu-a imediatamente e disse-lhe: "então o seu pai está a par da sua situação?"
Ao que ela respondeu:

- Eu não quero falar destes assuntos o meu pai, porque ele só se interessa pela música e não quer saber de mais nada"
- Então e quer que eu lhe arranje aqui trabalho na Fundação?!...
- Sim. Estou disposta aceitar qualquer trabalho
- Muito bem... Venha cá amanhã.... Vou ver o que lhe posso arranjar.
Só que nunca mais lá apareceu. Eu também nunca mais a vi. Há oportunidades que não surgem duas vezes na vida: ela, também não se perdeu.... porque tinha futuro garantido... Eu é que perdi o meu tempo e fiquei a ver navios...

Um dia a mulher de um destacado político - depois de a entrevistar - e, porque já me tinha visto com a Bethe, numa anterior entrevista - no final da gravação (porventura julgando-me algum garanhão, que não era, obviamente, pois o sexo era apenas um bi-complemento) desconhecendo que vivíamos juntos, queria que eu lhe desse o meu telefone de casa (ainda não havia telemóvel). Claro que não deveria ser para que lhe lê-se a sina, tal como eu gostava de me divertir com as ciganas, ao fundo do Parque, junto ao Marquês - e também com algumas madames. Mandou-me uns olhos, tão gulosos, que parecia que me havia de comer. Mas eu, naquela altura, já estava mais de que comido por outra. E não só... - Há que reconhecer que a melhor cura para as depressões é um belo coito sexual - Na imagem, uma das que foi mesmo às fragas das minhas origens.

De facto, carenciadas não faltavam....houvesse disponibilidade... Mas a mais louca de todas foi uma depiladora. Era bissexual. Pouco depois de entrarmos numa discoteca, já estava a fazer marmelada na casa de banho com garotas que engatava. Foi antes do romance com a Bethe. Naquela altura, trabalhava de noite, como assistente de realização. De manhã ia buscar-me e já tinha um opíparo pequeno almoço à minha espera. A princípio ainda mantinha conversas decentes (falávamos de espiritismo) mas depois tornou-se uma obsessiva sexual. Um dia chateei-me - queria depilar-me as pernas e montar-me com um vibrador - chamei-lhe lésbica velha e pôs-me logo a mala fora de casa. Afinal, dispensou-me o que eu ia fazer.

Quando eu e a Bethe, nos conhecemos, ficámos hospedados, nos primeiros dois meses, no Sheraton Lisbon Hoteles, onde o marido havia sido o Director-Geral.

Foi a nossa Lua de Mel. Depois instalámo-nos noutros sítios. A maior parte do tempo foi porém no Estoril.



De nacionalidade francesa, nascida num bairro judio da antiga colónia de Marrocos, no território colonizado pela França. Tínhamos uma cocker em nossa casa e, de volta e meia, costumávamos ir até ao jardim do Casino Estoril. Foi assim que, ao fim de uma tarde da década de oitenta, conheci o primo de Muammar Kadafi- Mas sobre o assunto, já me referi na postagem anterior.

Os pais da Bethe eram judeus - os mais ricos da vila onde nasceu. Tinham uma rua por conta da família. Mas perderam tudo com a descolonização. Depois foram refazer a vida e morar para Marselha. Era muito talentosa , inteligente e bonita... Foi educada como se fosse uma princesa.Frequentara escolas de ballet e ascendera a bailarina. Mas não seguia o judaísmo, não ligava muito às religiões. - Moderna, desinibida, simpática, comunicativa e ao mesmo tempo uma grande mulher. Tinha no corpo e no seu espírito, a dualidade de um arcanjo e de um demónio. Não se sentia aprisionada a conservadorismos do passado e da família

Estava naturalizada americana, por ter casado com um americano, que fora Director Geral em vários hotéis do Grupo Sheraton: - na Alemanha, Espanha, Dinamarca, em cidades de vários países, incluindo a de Lisboa, donde partira para dirigir Los Angeles Sheraton

 





 Havia porém algo que já a saturava e era dessa saturação que ela queria livrar-se. E, Lisboa, voltava a ser, para Bethe, a cidade acolhedora, onde podia extrair o melhor da vida. Quem viaja, sabe que os imprevistos são o programa e o programa a excepção.Por isso, há sempre muita surpresa - o importante é que sejam surpresas boas. Depois de ter ido para a Califórnia, já tinha aqui voltado algumas vezes. Matava as saudades, indo até ao Algarve a ter com um amigo, alivia-se do stress de Los Angeles, pouco tempo depois, fazia as malas e regressava para o Los Angeles Hotels , onde o marido, além de Director-geral, ocupava também um alto cargo no concelho de administração da empresa. Num hotel daqueles, o nível da primeira dama era quase comparável à mulher the mayor of los angeles

Fazia anos (espero que ainda os faça) no dia 27 de Julho. Signo Leão. Ou antes, uma pura leoa: dava-lhe gozo sentir que não passava despercebida aos olhares masculinos e até ser cotejada. Detestava ver as pessoas escarrarem para o chão e achava que era um hábito nosso muito generalizado. Quando ela via alguém fazer isso, até virava a cara e comentava: "lá está aquela (ou aquele) a cantar o hino nacional português".Mais de que uma princesa, era uma autêntica rainha: tanto se sentia bem vestindo uma simples calças de ganga, como envergando a toalete mais luxuosa e cara. Sabia vestir, andar, estar e representar. Era charmosa e tinha classe. Não cultivava o snobismo ou sofisticação forçada. Tal como as suas jóias, quando as ostentava, era um diamante natural e do mais puro brilho e quilate


Falava cinco línguas fluentemente. Pintava e desenhava e tinha uma linda voz. Perdeu-se um grande talento para servir um homem da hotelaria. Não é o primeiro caso de mulheres que são escravas das ambições dos maridos.Mas depois (habituada já à frivolidade) perdia o tempo a passear a cadela e ir às boutiques. Fazia isso várias vezes por dia. Sempre que viajava ia carregada com uma série de malas. A maior parte da roupa nem sequer a chegava a experimentar. Uma ocasião, no aeroporto, de Nova Iorque, aplicaram-lhe uma multa de 4000 mil dólares, por as autoridades a tomarem como contrabandista, o que não era o caso.


Quantas as vezes nos metíamos num táxi do Estoril para irmos ao Centro Comercial das Amoreiras. Apetecia-lhe comprar qualquer coisa... era o seu escape. E lá tinha de a acompanhar. O que me valia é que eu, nessa altura, ainda não trabalhava na redacção: depois de transmitido o programa radiofónico, podia arranjar registos onde quisesse. E ela, muitas vezes, até me acompanhou nesses meus trabalhos, muitos dos quais proporcionados, graças ao seu charme.


Estoril 1985, Francisco Balsemão, prestando declarações sobre Isabel Torres, filha do seu grande amigo, César Torres - Ela era ainda muito nova e ele dizia que ia ser uma grande promessa na pintura - e parece que foi. Ainda tenho o catálogo e a foto da pintora na inauguração da sua primeira exposição - Os registos das duas imagens são de autoria da Bethe

Recordo ainda a entrevista que pude fazer, graças à sua colaboração - Era para serem 15 minutos e acabaria por me dar uma entrevista de quase uma hora; em casa do Comendador, Arthur Cupertino de Miranda que morava num dos andares, na Praça de Entre-campos. - Claro que era a sua residência de trabalho. Porque ele tinha moradias muito ricas e só dele. Quando me mostrei encantado por um quadro que ele tinha no hall da entrada de casa e lhe disse que sabia que era um grande coleccionador de arte, o homem desatou a chorar

Ele ouvia já muito mal, recusava-se a usar a dentadura postiça e quase não se percebia o que dizia. Mas ainda geria os negócios com uma grande lucidez . Virei-me para a governanta e perguntei-lhe o que se passava com o Sr. Comendador: "Olhe, nem lhe fale de arte; o senhor Comendador está muito magoado porque, um dos netos, lhe roubou uma série de quadros e foi vendê-los a uma leiloeira em Londres." - Ainda não revi a cassete, mas acho que ele depois se referiu também a esse desgosto. Passado o impacto, lá retomámos a entrevista de quase uma hora. Ofereceu-me um livro autografado e a cópia de alguns poemas de sua autoria. Estou convencido que se não fosse ter simpatizado com a Babethe, não me teria recebido. Estava já muito velho e também não gostava de dar entrevistas - como, aliás, fez questão de frisar. Morreu nesse ano


Com o Pintor Cargaleiro

Elizabethe adorava ir aos espectáculos do Salão Preto e Prata - Casino Estoril- aliás, onde éramos geralmente convidados pelo nosso bom Amigo Nuno Lima de Carvalho, director da Galeria de Arte do Casino Estoril .

Vimos óptimas exposições e conhecemos muita gente das artes: Manuel Cargaleiro, Francisco Relógio, MARTINS CORREIA, Adérita Amor, Alda Espírito Santo; Jorge Amado- Entre tantas outras figuras . Frequentámos os melhores bares, discotecas e restaurantes. Ela adorava divertir-se: no Banana Power, também por lá passamos várias vezes - Uma das mais famosas discotecas da época, fundada pelo Arquitecto Tomás Taveira - autor do edifício das Amoreiras, que eu tive o prazer de entrevistar no seu escritório na Av. da República, do lado do Galeto; aliás na companhia da Bethe, antes de uma revista o denegrir da forma mais ignóbil e vil - Discoteca aquela, onde, ela, no tempo em que o marido foi director-geral do Sheraton Lisbon Hotels, chegara a ser recebida como a rainha da noite


Nas imagens ao lado: - A poetiza Alda do Espírito Santo e Bethe - o escritor Jorge Amado e Bethe, no .TIVOLILISBOA (HOTEL)..


O PRIMEIRO DIA




Já lá vão uns anos... Encontrei-a a passear no Parque Eduardo VII, junto à Estufa Fria, com a sua mais fiel companheira: que viajava sempre consigo para onde quer que fosse. Abordei-a para um curto depoimento num inquérito radiofónico que estava a realizar. - Depois de me responder à pergunta do inquérito, quis saber porque falava tão bem o português, quase sem sotaque. Respondeu-me que estivera quatro anos, com o marido, à frente  do Seheraton Lisboa Hotel  . E a conversa acabou por se estender para além da entrevista. - Disse-me que tinha ido ao Algarve para depositar uma coroa de flores na campa de um amigo (o amante) que falecera num brutal acidente. Viera da América propositadamente para lhe prestar a sua homenagem.



Com o Pintor Martins Correia 

Notei que andava um bocado deprimida pela perda desse psicólogo. Pessoa também muito estimada no Algarve. A romagem à sepultura e o que lhe descreveram sobre o acidente, que vitimara o grande amigo, deixara-a muito abalada. Mal nos havíamos conhecido, sentimos logo, um pelo outro, uma grande empatia. Como eu já tinha meia dúzia de respostas, dei imediatamente por concluído o inquérito - Ainda me lembro: sobre o tema - homossexualidade. - perguntei-lhe se me queria acompanhar até à minha estação de rádio, situada ali bem perto.


Beth manifestou curiosidade em conhecer o seu funcionamento E lá lhe mostrei os estúdios e a redacção. Por fim, depois de passarmos pelo pequeno bar, onde tomou um chá, e, tendo ficado muito contente com a visita, perguntou-me se logo à noite teria algum programa. Respondi-lhe que nem sequer estava a pensar sair de casa mas, caso desejasse dar uma voltinha para espairecer, teria muito prazer em levá-la ao O Botequim da poetiza Natália Correia - um bar frequentado por intelectuais e onde costumava ir de vez em quando.

Ah,sim!...Obrigado... Parece-me uma boa ideia... Eu já ouvi falar dessa escritora e poetiza, gostava de a conhecer. E lá fomos: apresentei-a à Natália: Que a recebeu muito bem, no seu jeito espontâneo, caloroso, teatral mas franco: ".Durante as duas horas e tal em que ali permanecemos, quem não tirava os olhos da Bethe , era um dos habituais frequentadores do referido bar. - maestro e professor de música...Pois o Botequim, por aquela altura, poderia também proporcionar todo o tipo de personagens para um filme de Pier Paolo Pasolini E o galo português está presente em todo o lado... Não logrou o que queria mas, como era maestro e professor de música, contribui para animar o ambiente, tocou o piano e foi um bom conversador - Aliás, é um grande meu amigo.

- Natália Coreia - ao centro da imagem - à saída de um espectáculo do Casino Estoril - rodeada de amigos e amigas- A Babethe também ali está.

Em 1993, com a morte de Natália Correia, o Botequim perdeu a sua razão de ser e fechou as portas. Porém, as recordações eram tantas que era impossível continuar encerrado. Foi reaberto por várias vezes: serviu de casa à Associação José Afonso, até esta se mudar para Setúbal; de 2005 a 2007, foi transformado numa pequena livraria infantil, dedicada ao Pequeno Herói, cujo nome se inspirou na personagem do único romance infantil escrito por Natália. - Finalmente, 15 anos após o seu fecho, Alexandra Vidal e Hugo Costa, dois admiradores e entusiastas pela obra e memória de Natália Correia, decidiram reabrir o Botequim e transformá-lo no ponto de encontro intelectual que já foi.

Na verdade, a Natália era a alma daquele pequeno espaço: animava as tertúlias e fazia as honras da casa. Ainda guardo alguns registos ali gravados. Era a grande figura central das tertúlias que ali tiveram lugar - Corajosa, frontal, polémica, contestatária, cantadeira, musa inspiradora. Ainda andámos zangado uns tempos: levei lá um casal que apenas a conhecia da televisão como deputada: "Só me conhecem por ser deputada?!!... Então podem ir dar uma volta.. Devem ter-se enganado na porta". Eu próprio fiquei escandalizado pela ignorância desse casal de burgueses, que me pediram que os levasse lá. Mas já não havia nada a fazer. Pois ela convidou-me a ir também com eles.Ainda bem que a Beth ficou em casa.

Congeminaram-se no Botequim verdadeiras conspirações, várias revoluções politicas e culturais. Eu próprio, graças ao génio imaginativo e criativo de Natália, iria entrevistar várias figuras de relevo, sobre um tema quente, que, naquela época, era ainda quase tabu: personalidades, como Afonso Moura Guedes, Ivone Silva, Raul Solnado, Amália Rodrigues - entre outras



Amália Rodrigues no dia do lançamento do livro, " Uma Estranha Forma de Vida", de autoria de Vítor Pavão dos Santos, que teve lugar na Adega Machado - O Registo é do autor deste blogue para o qual pousou expressamente, frente a um antigo quadro da Severa e em pose de fadista - Selando, dessa forma, artística e gentil, o termo de um período de distanciamento , depois da fuga precipitada de sua casa. A imagem foi obtida por uma pequena compacta de bolso. Creio que houve mais uma pessoa que terá aproveitado a oportunidade para registar a mesma pose. Mas ela voltou-se para mim. Foi já na ponta final da cerimónia e os repórteres fotográficos já haviam saído. Eu aguardei para o fim, cauteloso, pois não sabia como ela ia reagir à minha presença: surpreendentemente foi amistosa: "dê cá um beijinho" e autografou-me a obra, aliás, também autografada por Vitor Pavão



A entrevista discorria sobre a primeira relação sexual. A Amália receber-me-ia em sua casa (aliás, era a terceira vez)na companhia da Maluda e um restrito grupo de familiares e pessoas amigas. Foi muito amável e ainda lá passei um grande bocado dessa tarde. Curiosamente, não se falava de outra coisa senão de sexo. Eu não tive pressa e procurei familiarizar-me no ambiente, que estava muito descontraído, como se fizesse parte da casa... Quando vi que podia "atacar", chamei-a a um canto - para junto do lanço das escadas, pois não queria que fosse importunada pelo grupo ou interrompê-lo na sua animada cavaqueira, que estava mais próximo da janela: "Então diga lá o que me quer?!" -pergunta-me ela, visivelmente bem disposta. Respondi-lhe: "Vamos falar sobre o que estavam a falar... Umas palavrinhas da Amália...Diga o que quiser sobre o assunto...E seja sincera como costuma ser e estavam a ser..Eu gosto muito de a ouvir cantar e também falar". Só que depois tive que sair de lá a correr... - Quase me ia precipitando ao descer as escadas... ela e a sua "corte" correram todos atrás de mim. Vieram até à rua... Só descansei, quando apanhei um táxi... A Maluda era a mais danada e inconformada...Mal eu dei ares de desandar, correu logo atrás de mim... "És mais parva do que ele!... Foste logo a falar da tua vida pessoal!..." A sua ira dava em recriminar a Amália -  Porém, embora mais tarde, num reencontro, com o repórter, por altura do lançamento da sua biografia, Estranha Forma de Vida,  reconhecesse que não havia razões para ficar preocupada, me autorizasse a divulga-la, mesmo assim decidi por enquanto não o fazer - Veja o resto da história na postagem seguinte -A FUGA DA CASA DA AMÁLIA RODRIGUES.... Pois esta já vai muito longa.

Agora quero é falar de Bethe: com ela adorei ter tudo: a sua companhia , o sexo e muitos convívios e conhecimentos, que, sem ela, não teria tido essa oportunidade. Foi, sem dúvida, uma grande companheira e amiga - Foram oito anos que dariam um livro. Não tenciono escrevê-lo mas quero aqui registar algumas das recordações. Nunca mais nos vimos. E não compreendo a razão porque nem uma carta mais escreveu. Se for viva, como espero, desejo que volte a reviver nestas linhas e nas imagens que aqui tenciono publicar, alguns dos extraordinários dias que passamos juntos.


Babethe não estava divorciada mas o marido dava-lhe o apoio e toda a liberdade, o dinheiro que quisesse. Já não partilhavam a cama mas continuavam a relacionar-se como bons amigos, de um irmão para uma irmã - Um laço de uma profunda amizade parecia uni-los para o resto da suas vidas - tal como a sua cadelinha. Aliás, o k. também lhe devia muito. Ela ajudara-o a ser um grande vencedor. E ele, pelo que depreendi, estava-lhe reconhecido
Acompanhara-a ao Botequim apenas por uma questão de cortesia... Longe de me passar pela cabeça que ia nascer dali uma amizade duradoura e que seria o princípio de um maravilhoso romance.

No momento em que nos preparávamos para chamar um táxi, o maestro convida-nos a ir a um outro bar, já que este ia fechar. Mas ambos declinámos... Respondi-lhe que achava preferível ir à fábrica dos bolos da Praça do Chile. Acompanhou-nos até lá, comprámos os bolos e depois ele foi para sua casa. Quando eu disse à Bethe que também ia fazer o mesmo, ela perguntou-se se eu não me importava que fosse conhecer a minha casa. "A minha casa é pequena e muito pobre. Pode ficar para outro dia" - disse. Mas ela insistiu e lá foi comigo.

Pouco depois sentámo-nos na borda da cama que me parecia ser o sítio mais adequado para relaxar. A casa e os aposentos modestos. Porém, mal nos sentámos, abraça-me e dá-me um suculento e apaladado beijo na boca - mas que coisa mais sumarenta!... Nem os linguados da melhor pescaria!... Só terminou quando ambos caímos na cama, rendidos a Vénus para o que desse e viesse. A fome era tanta de parte a parte...



O resto da noite e a madrugada ... foi passado, quase sem despegar... Numa autêntica fornalha ardente...Uma atrás da outra... Fornicar até à exaustão!... Eu também já não comia, desde algum tempo, fruta assim... atirei-me como um leão...Só na tropa, quando eu e mais dois furriéis fizemos sexo com uma prostituta para vermos quem era capaz de se manter mais tempo... Nunca vi um espectáculo sexual mais deprimente. Eu fui o primeiro e, depois de umas três seguidas, despachei-me logo: e também não tinha preconceitos raciais. As minhas companheiras na Ilha sempre foram negras. Como eles não se sentiam à vontade, não havia maneira... E a mulher, coitada, a cada safanão... Imagine-se a música!... . Pagou-se o que ela pediu mas devia ir com as costas bem moídas!... A ideia não foi minha mas aderi... Na tropa cometiam-se(e cometem-se) muitas loucuras...Em São Tomé, onde cumpri o resto do serviço militar, o meio era calmo. Em Angola, nos Comandos, onde estive, aí então, mais do que loucuras, cometiam-se barbaridades... Mas o melhor é nem falar disso... Hoje não participaria naquela cena sexual por dinheiro algum.. Sou outro... Não tenho nada a ver com aquela idade ou já com o papel de Rasputin.

.Por algum tempo, senti-me como que um pequeno príncipe - Não imaginava ir tão longe. - Depois do Sheraton - fomos morar na vivenda Casal Santiago, situada entre as Azenhas do Mar e a . Praia das Maças - onde vivi com a Babeth - dias inesquecíveis - E foi aí que, numa bela tarde, nos encontrámos com Gloria Swanson , na Praia das Maças. A célebre actriz do imortal filme o Crepúsculo dos Deuses, entre tantos outras grandes fitas do cinema - Eu tinha-a fotografado no aeroporto da Portela (imagem ao lado) e registado umas breves declarações para um programa de rádio. Mas a Bethe já a conhecia de Los Angeles. Foram apenas umas curtas palavras de circunstância. Não a quisemos incomodar. Ela ia sentar-se na areia da praia, tal como nós (ficando a curta distância) e o que todos queríamos era sossego, respirar aqueles ares marítimos e ninguém se quis alongar em conversas. E por lá nos estendemos durante quase duas horas. Uma troca de sorrisos e um aceno de despedida a Glória, que preferiu lá continuar.



- Belos dias de praia e de sol! - Numa vivenda voltada para o mar - alugada para uns maravilhosos meses - Que dias magníficos, esses! benzo Deus!

Quando conheci a Bethe, já haviam decorrido 15 anos sobre o meu serviço militar, mas o sexo ainda estava à flor da pele. Reportando-me ainda àquela primeira noite, de facto, além de ser uma mulher bonita e sensual, gemia como uma leoa. Ainda por cima dava uns gritozitos e uns ais que me excitavam ainda mais... Foi preciso mandá-la calar por causa do casal que morava por baixo de mim... Pois sabia que até o ruído da máquina de escrever os incomodava.. Um dia esquecera-me de desligar o rádio ao ir à minha aldeia e, quando regressei, moeram-me a cabeça... Morava e moro no desvão do telhado. Eu também os ouvia, mesmo quando se aliviavam.. e ainda hoje ouço os que agora lá moram...O prédio deixa passar todos os sons...Ainda bem que eu moro voltado para a parte traseira...Livro-me pelo menos do barulho da rua. E não tenho mais ninguém por cima do meu piso. Foi construído por um português, que estivera emigrado no Brasil e trouxera de lá a escola de ganhar muito e gastar pouco nos materiais.



Dispunha de alguns conhecimentos de massagens e, embalado, aproveitei também toda a minha técnica de sedução, pondo-a em prática... Peitos, coxas, vagina...tudo em ebulição...Mais tarde ela queria que eu lhe dissesse uns quantos calões para melhor cavalgar... E lá tinha eu que me valer da ladainha do costume. "Gosto muito da tua bebrazinha... Da tua pechega!...Sua comilona!...Da tua coisinha fofinha!..Da tua muxinha!...Da tua cona!!!"....Da tua racha!!...Minha gata safada!!!...Adoro a tua catota!!!...(fugia-me o palavrão para São Tomé) - Sim!... tu gostas?!... Gostas muito da minha moxinha?!.... Então mete!...Mete mais!... Aperta!!!!... Diz!! diz!!...Diz mais palavrinhas dessas !!!" E lá tinha eu que apelar à imaginação a vários termos da minha aldeia; de um vernáculo mais ligado às minhas genuínas raízes. - Que me perdoe mas lembro isto sem ofensa. Bethe, era a mulher mais natural que, até então, alguma vez conheci - Uma Star!... Tudo quanto vestia lhe ficava bem: desde o mais trivial vestuário ao mais requintado.. E também não escondia os apetites... Quando eu a via ser galada (por algum galo atrevido) e ela se distraia.... Ó Bethe!! não olhes para esse gajo!!! .Que te fica mal!!!.. Não tolerava a observação: "Não estamos na Rússia!!!... Posso olhar para onde eu quiser!!!..."

Anda para aí um brasileiro fotógrafo (do actual governo) que se farta de comer as tias da linha à custa de massagens e de elixires orientais..E uns aperitivos afrodisíacos. Algumas vão ao requinte de lhe pedirem que as amarrem e as chicoteie. "O meu cabrão não está cá, põe-me este meu rabo e a minha vagina a vibrar!..".... E ele não tem meias medidas... Zumba que trezumba!.. Come, goza com a situação e é bem pago pelo seu trabalho. Não sei como ele tem tempo para fotografar e atender a tanta tia esfomeada....Sim, é que ele não é um fotógrafo qualquer. Mas, pronto, dou-lhe os meus parabéns: zela pela vida. Elas também ficam satisfeitas.. Os maridos bebem demais ou fumam muito e deves-lhes fugir o tuso da tusa - talvez para o rabo.

O acto sexual é saudável e, sendo bem feito, pode provocar estados de elevada sublimidade espiritual. A igreja diz que é pecado fazer sexo que não seja para ter filhos... É por essa e por outras que os escândalos de pedofilia se sucedem... Aos 15 anos um padre quis ir-me ò cu. Foi onde andei a estudar. O tipo ainda era novo: não devia ter mais que uns 23 anos. Era coadjutor.... Fez-se meu amigo e mais dois rapazes... Morava num quarto contíguo à nossa escola. De volta e meia convidava-nos a ir lá tomar chã ou chocolate quente com uns bolos. Um dia à noite, depois do jantar, apareceu no pátio da escola e convidou-me a dar um passeio pela quinta.

Às tantas começa a encostar-se a mim, até que me puxa as calças e tenta enfiar-me o seu pénis no meu rabo Se eu não desconfiasse, ele tinha-me atirado para os fetos e descarregado os tomates sobre mim. Ele vinha de batina e eu já me tinha apercebido que ele estava de pau feito... e, sempre que ele se encostava, eu tentava desviá-lo .. Quando já me preparava para fugir, agarrou-me violentamente e pôs-me a mão na boca para não gritar. .. Mas, felizmente, embora com muita dificuldade, lá o sacudi e me afastei - Chamei-lhe quantos nomes me vieram à cabeça à medida que ele se escapava pela bouça.

Não disse a ninguém... Receando que passasse por paneleiro... Mas também não foi só por essa razão... Não vale a pena acrescentar mais nada, pois já falei demais. Se já tinha pouca fé (devido à minha iniciação com as filhas do anjo da estrela da manhã), então é que a perdi completamente - Hoje sou pagão, amo a Natureza - É onde eu revejo todas as forças da criação - O Deus Universal

Mas por que raio de conversa eu fui buscar!!!... Porque carga de razão eu devia agora trazer aquele distante episódio à baila, se uma coisa não tem nada a ver com a outra?... Quem sabe...talvez reminiscências do inconsciente, dum trauma, muito profundo, embora distante no tempo, a virem à tona, quando falo de sexo. Mas, de facto, o melhor é lembrar-me daquela primeira noite com a Bethe.... Que tão sensual e apaixonante foi!



Antes do amanhecer, fui buscar ao armário da cozinha uma garrafa de Vinho do Porto, onde havia metido uns pedacitos de pau três, que comprara a um santomense. E então aí é que foram elas... Foi debunda até dizer chega!... Sabia que as mulheres ficam ainda mais tontas... Tivera essa experiência com a minha companheira Margarida, em São Tomé... Depois de beber uns golos de wisque, atirou-se a mim..."Tenho tesão!... Tenho tesão!... Perdeu completamente a estribeira...

Ainda não era noite e lá tive que interromper o artigo que estava a escrever para uma revista angolana, de que era correspondente e lhe acalmar os calores.. O meu amigo curandeiro (vizinho),entre outros segredos, tinha-me ensinado a dose certa, de como fazer a mistura com wisque ou com aguardente de macieira e mais umas lasquinhas de cola - a castanha da coleira. Quem não souber adicionar os ingredientes com peso ou medida - e ainda há mais um que não revelo - não passa de uma vulgar beberagem sem qualquer efeito. Ele tinha várias mulheres (oito) e queria estar sempre em forma e elas disponíveis: mais doces e gostosas de que a jaca colhida no mato.

Quando um dia me bateu à porta, era para que eu lhe ensinasse as minhas magias... Mas o que sucedeu foi o contrário... A minha travessia de canoa à ilha do Príncipe, sozinho:(mais tarde fizera duas travessias; não de 3 dias mas de 13 e 38 dias) causara grande impacto nas ilhas: ele e muitas pessoas da terra achavam que eu tinha poderes sobrenaturais. Mas eu pouco mais conhecia de que os velhos rituais nocturnos nos sabattes em que participei em garoto na Quinta do Vale Cheínho - num solar em ruínas, que ali existe, numa canada fora da minha aldeia. Também conhecido por Vale Cheiroso - E onde só as bruxas entravam à noite. Vou lá a qualquer hora sem qualquer receio.

Bom, mas no tocante ao meu amigo santomense (já faleceu; se a sua alma andar por aí, entre em comunicação comigo) julgo que fui eu que mais aprendi e beneficiei com os ensinamentos dele...A magia negra é das mais ancestrais e enriquecedoras sabedorias que vão passando oralmente. Sendo bem aplicada tem a força sugestiva da mais bela e impressionante catedral.

Dizia-me o tal amigo: "o Sr. (...) tenha garrafa em casa... preparada com a dose certa e já de molho... Se alguma vez der com alguma «muála» mais fria e que não lhe abra as pernas....ou se o pau não se lhe endireitar....ataque logo com a bebida... Foi buscar o precioso néctar e dei a beber um cálice à Betthe, que o bebeu de uma só vez. É quando faz melhor efeito. ... Passou-se ainda mais... Creio que lhe passou a depressão, logo naquela primeira investida...

Provou e não me largou mais o pau... Ao despedir-se, convidou-me a hospedar-me com ela no Sheraton Lisboa Hotel, onde fora a dama principal. Ainda hesitei, pois não estava habituado a tais luxos, mas lá apareci ao fim do dia, já com alguma fome... Inicialmente apenas movido pelo espírito de descoberta e de uma fugaz aventura. Nunca forniquei tanto e tão bem instalado. Uma lua de mel de dois meses num hotel de luxo não é para todos.

Logo que me viram acompanhado com ela, os recepcionistas não tiraram os olhos de nós. Eu queria passar despercebido mas era impossível. Nos primeiros dias, sentia-me muito notado e não me sentia à vontade... Até cheguei a ouvir alguns rumores, como estes a duas empregadas: "Olha a nossa madame já deixou o Sr. K. e arranjou um namorado. Não parece português... Será que dormem juntos?!... Devem ter-se zangado..

Eu contei à Babethe, disse-lhe que era melhor mudarmos de hotel: "toda a gente aqui sabe quem tu és... Estão sempre a olhar para nós e não há necessidade de saberem da tua vida. E o hotel é muito caro. "Oh, não te importes. Eu tenho um desconto.. O K.  paga à administração...E até te vou apresentar, como amigo, ao Sr. Moura" - o português que estava abaixo do director-geral. E assim fez: encontrámos-nos no bar panorâmico do Hotel. Foi muito cordial. Pareceu-me uma pessoa muito simpática e tolerante. "Só te peço uma coisa: quando o empregado tocar à campainha para nos levar o jantar (o almoço era geralmente num dos restaurantes fora do hotel), mete-te na casa de banho. Não quero que ele te veja". 

Eu achava graça àquela peripécia, sentava-me sobre a sanita. Uma ocasião até me fotografou com o rolo de papel higiénico na cabeça. Não estava acostumado a hospedar-me num hotel daquele nível. E logo com a mulher que ali chegara a ser a figura principal a par do marido. Eu via aquela história apenas como passageira. Longe de imaginar que seria o começo para um longo romance. Frequentava a sauna e a piscina. De repente ate me parecia que estava a viver um conto de fadas ou as mil e uma noites num qualquer hotel longínquo e exótico.

Depois arranjamos um apartamento, fomos morar para o fundo da Avenida Infante Santo, em Lisboa, numa moradia nova (caríssima) que ali foi construída, numa rua à direita, que vem lá de cima do Palácio das Necessidades. À porta tínhamos sempre um polícia, pois residia lá o ministro Eurico de Melo, do governo de Cavaco Silva. Um ano depois mudámos-nos para uma excelente vivenda, com uma enorme piscina - que então se chamava Casal Santiago, situada entre a Praia das Maças e as Azenhas do Mar. Sei que posteriormente foi transformada numa instituição. Tinha três pisos e vários armazéns. E um amplo terreiro, com horta e pomar. E uma linda vista sobre o oceano


Nessa altura, conhecemos, em Sintra, um casal francês, muito simpático. Que ainda chegou a morar connosco. Era o que restava de uma ceita de 13 mulheres e um homem, a qual se havia instalado numa casa isolada, algures na serra de Sintra. Os seus membros acreditavam que, o Papa João Paulo II, era comunista, encarnava a vinda do ANTICRISTO-e que o fim do mundo ia acabar em sucessivas explosões atómicas no ano 2000. Thierne defendia que o anterior Papa João Paulo I, que tivera o mais curto reinado papal (menos de um mês)fora assassinado, num complô de Bispos do Leste, para instalar no Vaticano, Karol Woityla. Mostrou-me uma série de fotografias, nas quais fundamentava os seus argumentos. Fiquei com a impressão de que, pelo menos a eleição do Papa João Paulo II, foi obra muito preparada... E que o João Paulo I teria sido mesmo envenenado.

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Na imagem - Tyere e sua companheira,  a única mulher com que ficou - de entre as doze que formaram a ceita
Porém, a ceita foi-se desmembrando: pelo que me apercebi: Thierne não era só místico, também gostava de ser armar em cavalão. Ele,sim, é que era um verdadeiro Rasputin disfarçado de apóstolo!... Quem o visse: com aquele ar saudável, sorridente, irradiando simpatia, sempre bem disposto, alto, bem constituído, com as suas grandes barbas ruivas e cabeleira longa e loura, camisa branca sem colarinho, com um visual aparentemente normal mas cuidado à imagem que pretendia mostrar, não teria dificuldades em imaginá-lo a figura de um profeta, o Cristo ressuscitado e dos novos tempos....Porém, não passou de mais um impostor: a sua compulsão sexual iria criar-lhe alguns atritos com as demais mulheres, que foram convencidas a verem nele - não o boi cobridor - mas o enviado da palavra, o pastor iluminado...Porém, os seus constantes assédios, iriam contribuir para a debandada da pequena irmandade. À excepção da sua mulher.

  O seu maior medo  não era o fim do mundo mas que lhe faltassem mulheres... Quem tudo quer, tudo perde. Dizia-se descendente de uma família de sangue azul e usava um anel brasonado. Assumia-se também como pintor, tendo-me oferecido dois quadros. Mas também se dedicava à música.
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A Bethe, viajava duas a três vezes por ano a Los Angeles, onde, como já referi, o marido era o director-geral do Sheratin Los Angeles: um dos hotéis mais famosos da Califórnia, frequentado por actores e outras celebridades. Por várias vezes insistiu comigo para que acompanhasse, alegando que o K. não ia levar a mal. Mas nunca aceitei o convite por julgar que ia sentir algum incomodo ao ver-me junto dela com o marido. Embora ela não se importasse. Mas eu acreditava que o marido era uma excelente pessoa, que a adorava imenso (notava nos telefonemas que lhe fazia quase todos os dias) e tinha por ela um grande amor: não merecia essa afronta




Pintora Adérita Amor no Casino do Estoril- com pessoas amigas - entre as quais as Bethe

A Bethe confessava-me que ficava preocupada e tinha pena dele, por saber que ela lhe fazia muita falta, quando não estavam juntos, mas que já não podia aguentar mais as pressões da vida social do Hotel...Sentia-se esgotada..."Estou farta de representar...Não passo de uma boneca!... De ter que andar constantemente a mudar de toalete, de festa em festa... Estou saturada... Preciso da minha liberdade... Quero fazer o que me apetece... Longe, somos bons amigos, mas, juntos, passamos o tempo a guerrear-nos... Fico logo nervosa!.. Perco o humor e já não sou a mesma. Redobro a dose de comprimidos para me acalmar e conseguir dormir. E o Karl já não me dá nem carinhos nem sexo"

"Ele toma os seus remédios, deita-se e adormece...nem uns carinhos... E agora parece-me que só se excita com as prostitutas... Uma vez levou uma para a nossa suite... Senti-me tão afrontada e ultrajada que corri para a janela e parti os vidros....cortei-me toda... Ele evitou que eu saltasse lá de cima do último andar.... mas eu já não me importava de cair morta na rua; não queria saber da vida para nada" - Desabafou com os olhos rasos de lágrimas...e, logo de seguida, abraça-me e beija-me.... E eu, comovido, também a abraço e também a beijo. Ao mesmo tempo que, por entre soluços, desabava ainda: " Se não fosses tu eu já me tinha suicidado! Tu és a vitamina do meu corpo e da minha alma"

Não tinha a menor dúvida... E foi mais por esse facto que não sentia coragem de a deixar... Pois, constava que fora justamente esse tipo de vida, desgastante, que a tornava por vezes absorvente..Mas ela tinha uma grande auto-estima. E só desejava o amor e a felicidade. E não cultivava inimizades. A sua presença causava geralmente uma empatia sedutora, muito simpática. Ela lidou com muita gente e sabia que a declarada amizade da maior parte das amigas é forjada nas aparências e no cinismo. E nos meios sociais mais altos ainda é pior. Mesmo assim, esquecia rapidamente essas falsas aparências e era alegre e optimista. Apercebia-se facilmente dos ciumes e da inveja mas continuava na sua; fazia de contas que o problema era da pessoa ciumenta e invejosa e não era seu.... Deparava com muitas dessas pessoas no seu dia a dia. Agora, imagine-se o que não é sob apressão e as exigências de um ambiente como é o dos grandes hotéis!...




No entanto, embora tivesses ciente de que a vida num hotel também não é um mar de rosas, custava-.me a compreender as razões pelas quais a Bethe queria romper com esse mundo. Podendo ela viver num ambiente, tão cosmopolita e luxuoso! - Voltando as costas à famosa e mítica cidade de Los Angeles, e, aliás, com os estúdios, ali bem perto, a verdadeira meca do cinema , tão próxima e tão ao alcance dos seus olhos

Conviveu com os nomes mais famosos do cinema e da música. Mostrou-me as fotografias com as grandes estrelas de de Hollywood - aliás, muitas cenas de grandes filmes, e até filmes de publicidade, foram ali realizados.Tinha por hábito passar muito tempo na piscina do hotel ou na praia. Adorava o bronzeamento natural. Houve um escritor americano, célebre, que se hospedara num dos hotéis da cadeia Sheraton, onde também o marido fora director-geral, escrevia e dormia, fazendo dali a sua casa. Um dia fotografou-lhe as pernas e pôs a imagem na capa de um dos seus livros - É um enorme volume. Ela tinha de facto umas pernas sensuais e um corpo jeitoso, pois fora bailarina.

Houve quem a classificasse como a desestabilizadora de Cascais. Por fazer perder a cabeça aos maridos. Não era que ela se metesse com eles , eram eles que não tiravam os olhos dela, quando éramos convidados para as festas ou para jantar em suas casas. E deixavam de prestar atenção às esposas. E esses episódios por vezes causavam alguns sarilhos domésticos.



Uma ocasião estávamos num fila para comprarmos uns hambúrgueres, num dos bares das esplanadas da praia do Estoril. À nossa frente encontrava-se um casal. O marido de volta e meia virava-se para trás e olhava fixamente para a Bethe. Mas os olhos da Bethe fitavam eram os hambúrgueres, que fumegavam na grelha e estava impaciente, pois parecia que nunca mais chegava a nossa vez

Nisto, ao passar por nós, o dito casal, o cheiro atiça-lhe ainda mais o apetite: ao mesmo tempo que olha para o tabuleiro, relança um olhar sobre o sujeito:, algo sôfrego: não dele, que até já era cinquentão, mas aos hambúrgueres: como se os desejasse logo levar à boca e mastigar. Então não é que, acto contínuo, o marido coloca o tabuleiro nas mãos da Bethe: "Pegue lá madame!.. É muito simpática e não merece que esteja tanto tempo na fila. Tenho o prazer de lhe oferecer estes dois hambúrgueres!. Coma-os à sua vontade... Não se incomode que eu fico na fila e já compro outros.

Bom, estragou a noite à mulher... E que culpa tinha ela?... Ficou passada da cabeça. Não gostou do gesto do marido. Depois, como se não bastasse, foi sentar-se ali à nossa frente, não tirando os olhos da nossa mesa e deixando de prestar a menor atenção à esposa. A qual, de tão nervosa, já nem sequer tocou nos hambúrgueres. Ficara com uma autêntica cara de pau. Não conseguia disfarçar o azedume que lhe ruíam os ciúmes. Quando ele se levantava, ela ia logo atrás dele. Só lhe faltava o rolo da massa

Claro que as outras pessoas estavam à margem do que se desenrolava com as peripécias daquele casal. Por sua vez, a Bethe também nada se importava. Ia-se apercebendo perfeitamente da comédia, ou não tivesse passado muitos anos da sua vida no ambiente dos mais famosos hotéis. Além disso, já estava habituada a esse tipo de desestabilizações.


Uma das suas maiores amigas era a Ludmila mulher do Director do Hotel Ritz. Ele era francês e ela russa. Mas acabaram por não se dar bem: ele tinha gostos que ela não apreciava - Depois foi instalar-se na suite da amante com o marido desta. Ele há gostos para tudo. A Ludmila era um bocado mais requintada e cínica, o oposto da Bethe Não engraçava lá muito comigo: não porque eu fosse antipático para com ela, mas porque eu não tinha a carteira recheada dos seus amigos. E se não lhe falasse de astrologia ou de bruxaria, então é que nem devia olhar para mim.

Ela dizia muitas vezes para a Bethe: "não compreendo porque andas com um pindérico e não arranjas um homens rico ao teu nível! "- Mesmo assim, eu não dependia inteiramente dela. Gastava todo o meu ordenado: pois a Bethe, estava mais acostumada a receber, a que o marido lhe abrisse a carteira, de que a ter que ser ela a pagar. Quando jantávamos fora de casa, dividíamos a despesa.

A Ludmila era gorda, desinteressante, egoísta e ainda por cima gananciosa. Mas lá se governava...os milionários, quando andam com o cio, costumam ser muito generosos... Estava longe de imaginar como o putedo se movimentava tão à vontade nos hotéis... Então no Hotel Sheraton, durante aqueles dois meses em que lá estive hospedado, era um verdadeiro corropio:não havia dia algum que não me cruzasse com elas ou nos elevadores ou nos corredores.

E também por lá nos deparámos com alguns mirones: uma manhã, ao fazermos sexo no tapete, vejo as pontas de uns sapatos junto à porta.Ela esquecia-se, que não estava isolada no campo, dava uns gritinhos que se propagavam certamente ao corredor: "Olha, Bethe... está alguém lá fora a ver-nos pelo buraco da fechadura" - Ela não teve meias medidas: levanta-se, veste um roupão e abre a porta de repente, ao mesmo tempo que o empregado cai de cu no chão. Mas, antes que levasse uns pontapés, de que já se preparava, ele levantou-se atabalhoadamente e pôs-se logo andar.







Depois do divórcio, a Ludmila passou a viver sozinha na suite do director-geral. Lá no último piso(jugo que o sétimo), fazendo esquina com a Rua Castilho e Av. Eng. Duarte Pacheco. Um amplo e óptimo aposento com uma bela panorâmica sobre o Parque Eduardo VII e a cidade. Jantámos lá várias vezes (ela também jantava em nossa casa), festejámos lá uma vez o Natal. E, numa passagem do ano, depois de jantarmos, igualmente na suite, descemos até ao bar, onde passámos grande parte do resto da noite. Num ambiente a lembrar os grandes bares nova-iorquinos. Óptima orquestra. Ainda demos uns passos de dança. Cavalheiros de smoking e elas todas aperaltadas. Era quase tudo estrangeirada - Hoje tenho a sensação que, embora me divertisse bastante, também foi um tempo fútil. Em contrapartida, hoje passo mais tempo em minha casa. Talvez para compensar aquelas noites perdidas.



De entre os diversos lugares onde residimos, creio que os melhores momentos foram os que vivemos no Estoril e em Cascais. Outra das amigas da Bethe, morava na Av. de Portugal. Na vivenda que pertencera a uma princesa russa. Casara com um médico, de nacionalidade americana. Acho que ele veio cá passar uns dias de férias e depois apaixonou-se por essa portuguesa, quase metade da idade dele. Ao fim de um ano, já tinha uma bébé. O médico era muito rico: possuía uma colecção de quadros extremamente valiosa, bem como muitas esculturas da América latina e África, que lhe haviam sido oferecidas pela família do magnata rockefeller, da qual fora o médico pessoal durante vários anos.

Mas era também um reputado cientista e investigador. Naquela altura ele estava empenhado em descobrir uma forma de se fazer a despistagem da sida numa questão de horas: já que esses estudos ainda estavam muito atrasados. E a sua investigação até se encontrava já bem avançada. Infelizmente morreu no seu Mercedes numa das curvas da marginal - Ia sozinho. Despistou-se e catapultou. O carro ficou irreconhecível. Teve norte imediata. Foi um grande desgosto para a mulher. A filha já tinha sete anos. E também nos deixou a nós muito tristes.




Quando residimos na zona da Praia das Maçãs, as idas ou passagens por Sintra, eram obrigatórias, pelo que também guardo da sua romântica paisagem e casario, as melhores recordações. Porém, não há como Cascais e o Estoril. Claro que cada lugar tem as suas singularidades. E microclimas distintos. Subir à Serra de Sintra é maravilhoso, há perfumes e verdura por todo o lado. E passear pela marginal do Estoril ou de Cascais, em dias de sol, quem não adora?!.. Até uma viagem de comboio, de um extremo a outro da linha, com partida no Cais do Sodré ou de lá para cá, é aprazível e relaxante. Mas, na verdade, aquelas duas estâncias balneares, são fantásticas. Não há poluição que retire o encanto às duas praias tão maravilhosas.


.Nessas areias finas, era onde a Bethe mais adorava estender-se sobre a toalha e apanhar os seus banhos de sol. Vivemos juntos oito anos. À excepção dos curtos períodos que ia passar a Los Angeles. Depois cada um seguiu a sua vida. A partir de uma certa altura, eu fartei-me de ser pau de cabeleira e de sexo: e também de amassajar: era muito exigente.


De volta e meia também tinha as suas crises e ficava horas agarrada ao telefone a falar com o marido... E a fazer queixinhas de mim... A coisa que mais me feria era ela dizer-lhe que eu era um bruxo de um chulo...Quando me apercebia dessa intriga eu ia para minha casa... Mas não tardava que me fosse buscar de táxi.. E ameaçasse suicidar-se se eu a abandonasse... Simulou duas gravidezes para me amarrar... Uma ocasião eu estava a ler e ela já se havia deitado. Nisto começa aos berros:
"olha que a minha casa não é nenhum hotel!.. Quando é que te vens deitar?!... Depois dei-me conta que andava atrás de um dentista... Tinha ido lá a uma consulta e embeiçou com o homem... Era casado e já queria deixar a mulher.Vendo que eu já me tinha apercebido através dos telefonemas que lhe fazia, ela sai-se com este desabafo: "gostava de te pedir um favor. A mulher do meu dentista fica muito incomodada quando eu vou lá à consulta: não te importas de ir telefonar lá fora para ver quem é que atende o telefone. Depois desliga ou diz que te enganaste."

A resposta que eu lhe dei, foi esta: Bethe. Vamos ser sinceros. Eu não me importo de te fazer esse favor. E, já agora, quero também aproveitar para te dizer que é também chegada a minha vez de ficar no lugar do K. Ele cansou-se da cama mas ficou teu amigo. Faz sexo com quem quiseres e podemos ser bons amigos. Sim, ficámos amigos, mas, à medida que vi que ela já tinha com quem se entreter, pouco a pouco fui-me afastando e passei a preferir mais o meu modesto sótão de águas furtadas de que os luxos da casas que ela alugava.Não sei onde vive e como tem passado. E sinto pena. Houve naturalmente uma rotura mas ficaram muitas recordações.. Que foram comuns a ambos os corações... E, ao dedicar-lhe este poste, é o mesmo que reviver e ir ao encontro desses maravilhosos momentos..



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