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sexta-feira, 30 de março de 2012

(1) SOLSTÍCIO DO INVERNO NOS TEMPLOS DO SOL – ALBANO CHAVES E A DESCOBERTA DE OUTRO ALINHAMENTO SAGRADO NO MACIÇO DOS TAMBORES-MANCHEIA.


O SOLSTÍCIO DO INVERNO - NAS PORTAS DOS TEMPLOS DO SOL - NO PLANALTO DOS TAMBORES - DESCOBERTO, OBSERVADO E ESTUDADO POR ALBANO CHAVES - Já conhecíamos os alinhamentos com os Equinócios da Primavera e do Outono e o Solstício do Inverno - única dúvida que havia, finalmente foi desfeita.




"1- Dedico este trabalho ao meu prezado e ilustre Amigo Dr. Adriano Vasco Rodrigues, por intermédio de quem vim a conhecer o sortilégio de Chãs. Para o Amigo Jorge Trabulo Marques, um abraço pelo que tem feito pela divulgação dos «Templos do Sol» em Chãs.

Os meus agradecimentos aos meus Amigos engenheiros geógrafos António e Miguel Lázaro da Silva, respectivamente pai e filho, que do princípio ao fim deste trabalho me apoiarem com o seu saber técnico e científico. Ao António Sabler, aquele abraço pela revisão e composição da capa".
Albano Chaves - Leça da Palmeira Janeiro de 2012 -
leia os pormenores mais adiante

EXISTEM VÁRIOS ALINHAMENTOS EM TODO O MUNDO - MUITOS DOS QUAIS NAS CONVERGÊNCIAS DE VEIOS DE ÁGUA, EM SÍTIOS ENERGÉTICOS ESPECIAIS - O MACIÇO DOS TAMBORES, COM OS VÁRIOS OBSERVATÓRIOS, É UM DESSES PRIVILEGIADOS LUGARES -Imagens de Archaeoastronomy

 
É desta opinião o autor da Livro Agulhas de Pedra - A Acupunctura da Terra - Tom Graves considera que "só é possível ir ao encontro das verdadeiras raízes da história e da compreensão dos fenómenos naturais através da chamada linguagem vibratória dos sentidos" - – O investigador esteve no Planalto dos Tambores, há dois anos - Andou por lá nas suas pesquisas e constatou igualmente que “os lugares sagrados são centros para os quais muitas das linhas de água convergem umas com as outras e também com os centros padrões de linhas acima do solo, à semelhança do que acontece com as artérias do corpo humano” – Acredita que “esses lugares não foram escolhidos por obra do acaso”

 
Por isso, depois dos contributos valiosos dos professores: Adriano Vasco Rodrigues, o primeiro investigador a debruçar-se sobre o estudo da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, de Moisés Espírito Santo, Lima Garcia, astrónomo Máximo Ferreira, arqueólogo Sá Coixão e do investigador e radestesita Tom Graves, faltava-nos um especialistaa em Arqueoastronomia .Bom, isto para já não falarmos das visitas ao local de vários arqueólogos do PAVC e de Mila Simões, que integrou uma visita de professores e estudantes do Erasmus, área da arte rupestre – E, de facto, em boa hora ali se deslocou Albano Chaves

 
AS COINCIDÊNCIAS NEM SEMPRE SÃO FRUTO DO ACASO - TAL COMO NÃO SERÁ, COM CERTEZA, ESTE PEQUENO CÍRCULO NO FRONTISPÍCIO DA PEDRA DA CABELEIRA


Há algo predestinado na vida dos homens e dos povos - Umas vezes para o bem e outras para o mal - Se Hitler não tivesse nascido, decerto que milhões de vidas teriam sido poupadas na Europa - O mesmo se pode aplicar ao próprio Salazar - Evitou que Portugal entrasse na segunda guerra mundial - pelo menos de forma directa - mas empurrou-nos para o pesadelo de uma longa guerra colonial . Acredito, pois, que há homens diabólicos e outros providenciais. Claro que, mesmo estes têm os seus defeitos: não existe ninguém que não tenha o seu lado bom e o seu lado mau - Defeitos e virtudes - O mau é quando são mais os defeitos do que as qualidades - Vem isto a propósito da feliz circunstancia de, apesar dos vestígios arqueológicos dos Tambores (incluindo os seus Templos Solares), não terem sido estudados por muitos investigadores, pelo menos, mereceram atenção dos mais qualificados nas diferentes áreas de saber . E, de facto, quem havia de imaginar que, depois de um dos mais famosos especialistas internacionais em Radiestesia, surgiria um outro mago (dir-se-ia da mesma craveira) sobre a decifração dos segredos que nos legaram os homens da era da pedra. - Não usa a técnica da varinha do vedor mas um apuradíssimo sentido de observação. E o mais curioso é que, mesmo sem se conhecerem, analisando os estudos de um e do outro, até parece que andaram por lá juntos - Constato, pois, com agradável surpresa que as pedras que chamaram atenção de Albano Chaves, também já haviam despertado a curiosidade de Tom Graves - E, outro dado em comum: ambos se serviram dos GPS. Tom Graves teve a gentileza de me enviar as suas fotografias, devidamente assinaladas - Conto noutra oportunidade vir aqui a divulgá-las - Mas, para já, não perca o minucioso e brilhante estudo que nos proporcionou Albano Chaves. - Siga os seus passos através das explicações, gráficos e imagens, que não vai dar por perdido o seu tempo - Sobretudo se for um interessado pela jornada civilizacional da Humanidade.


Albano Chaves é natural de Leça de Palmeira mas tem a ligação maternal ao concelho de Vila Nova de Foz Côa, através do apelido Donas-Boto - Tradutor e especialista de línguas germânicas . Foi professor de Alemão, Alemão Comercial e Inglês Comercial no ITFI (Instituto Técnico de Formação Intensiva) e no Instituto Riley de Línguas, no Porto. Orientou o estágio de finalistas do curso de Alemão / Tradução da Faculdade de Letras da Universidade do Porto – Tem vários estudos publicados nas áreas da genealogia, antologia e romances. Em Zurique foi distinguido com o prémio "Tradutor do Ano" – É um investigador apaixonado pela Arqueoastronomia


Deu-nos o prazer da sua presença, na celebração do Solstício do Verão, o ano passado – Participou no colóquio, Templos do Sol e A Cosmologia dos Lugares, onde nos revelou o alinhamento das capelas de Leça de Palmeira, com a constelação Cisne – a que nos referimos neste site, em (2)IMAGENS DO SOLTÍCIO DO VERÃO 21 - Além disso, integrou o próprio cortejo celta e foi um observador atento – De tal maneira, que voltou lá, propositadamente, para um estudo mais aprofundado daquela área e das suas pedras, que, ao leigo em astroarqueologia, poderão parecer simples fragas e não ter a menor relevância – Ele, porém, faz outras interpretações: olha com olhos de ver e não olha apenas por olhar. Observa atentamente os astros e as constelações, perde muitas horas a fazer equações, entre o que à primeira vista, poderá parece casual, mas não é. Pois, o mundo, não começou agora e já passaram, pelo planeta Terra, muitas civilizações: umas extinguiram-se, outras evoluíram e deram lugar ás actuais. Porém, houve segredos, com os quais se fizeram maravilhas e que se perderam com os milénios – Cabe a devotados e talentosos investigadores redescobri-los . Creio que é na senda desse trilho, que vão muitos dos seus passos, em demanda de um passado ignorado e esquecido - Que tão enriquecido ficou com o seu excelente vídeo, as fotografias (são todas as que têm margem) e, naturalmente, todo o conjunto da sua investigação


DESCOBERTA DO SOLSTÍCIO DO INVERNO - POR ALBANO CHAVES.

Um sono milenar está a chegar ao fim. Pedras, enormes umas, mais pequenas outras, emitem sons, balbuciam palavras continuamente desde há muito. Dez, quinze, vinte, cinquenta mil anos? Ninguém as ouvia, no entanto. Falam por si, entre si, estabelecem ligações. Formam figuras geométricas no terreno, que é preciso olhar, ver, identificar, ler, entender, integrar em expressões, frases, períodos, textos, crónicas.


O Maciço das Lapas e das Quebradas, na freguesia de Chãs, concelho de Vila Nova de Foz Côa, onde a Meseta Ibérica se despede, despenhando-se para o Graben de Longroiva, acorda agora ao som de pétrea vozearia, que acorre a pétreo chamamento. 


Chãs, contrariamente ao que poderia parecer – terreno chão ou plano – provém do acádico shamsh [lê-se xâmexe], que significa o astro «sol», a divindade «sol» e também «relógio de sol», como diz o Prof. Moisés Espírito Santo, professor universitário, etnólogo, sociólogo, filólogo e linguista[1][1][1].
 
Que ouve Chãs?
Que vê Chãs?
Que sente Chãs?
Parece que ouve, mas nenhum som compete com ladrar de cão ou balir de ovelha.
Parece que vê, mas o que vê é apenas o que pensa ter visto sempre: pedras.
Parece que sente, mas o que parecia sentir esvaiu-se como sonho ao acordarmos.
Acorre gente de fora, trazida por alguém da terra.
Mede-se, perscruta-se, rodam varas de vedores, há quem use GPS. Porquê? Para quê?
Uma pedra começou a falar mais alto. Vamos ouvir o que tem para dizer.
Nota: São do autor as fotos sem indicação de origem.
II
Pedra do Solstício
(Pedra A)
(40º 59' 35,59 N / 07º 10' 43,89" W)
Para amplas reportagens sobre o assunto:


Circulando no IP2 no sentido Sul Norte, entre o desvio para Longroiva e o desvio para Chãs, é possível ver, à direita, na encosta, uma pedra quase esférica, abaixo de duas árvores, que podem servir de referência. Digo que 'é possível ver-se', porque essa pedra, não apresentando características marcantes, não é fácil de localizar em toda essa encosta, no meio do caos de pedras com as quais com demasiada facilidade se confunde

Chegados à freguesia de Chãs e percorrendo a pé o resto do caminho até às Lapas, deparamos, no fim do caminho, com uma pedra com a forma de ovo colocada no limite ocidental de um pequeno terreiro. À sua frente, a cerca de 1 m, uma covinha circular. Chamaram-lhe Pedra do Solstício, porque um observador colocado uma meia dúzia de metros a nascente dela vê o Sol, pelas 20 horas e 45 minutos do dia 21 de Junho de cada ano, a despedir-se atrás dos montes para os lados de Ranhados, alinhado com essa pedra e com a covinha.


O jornalista Jorge Trabulo Marques organiza todos os anos nesse dia uma celebração muito interessante com figurantes vestidos com túnicas brancas até aos pés, com a cabeça coroada com um ramo de loureiro e segurando utensílios diversos, como foicinhas, pratos com flores, etc.. Um grupo de gaiteiros e a recitação de poemas tanto em frente a essa pedra como na Pedra dos Poetas fazem parte das celebrações.
Uma ampla reportagem sobre o assunto pode ser vista no seu blog: http://ostemplosdosol.blogspot.com/2011_06_01_archive.html







 




..TOM GRAVES O ESCRITOR RADIESTESISTA QUE VEIO DA AUSTRÁLIA...
 
 
O conhecido vedor, investigador e escritor australiano Tom Graves visitou a área em 2008 e fez as suas investigações. Entre outras coisas, detectou a presença de dois fios de água subterrâneos sob a referida covinha. Vista do lado sul e do lado norte, esta pedra apresenta diferentes perfis "humanos" (Figs. 4, e 6). Ergue-se sobranceira ao Vale da Ribeira Centieira, em cujo curso, a jusante, se situam as gravuras dos Piscos, um dos principais núcleos da arte rupestre paleolítica, Património da Humanidade dos principais núcleos da arte rupestre paleolítica, Património da Humanidade  [2][2][2]






 







 
Voltando costas à Pedra do Solstício e trepando a colina pedregosa que lhe fica sobranceira (Fig. 7), atinge-se um muro baixo que circunda os vestígios de um castro; ultrapassado esse muro, fica-se num ponto a que se pode dar o nome de ‘Observatório’, pois daí se avista, lá em baixo, a poente e a meia encosta, a já nossa conhecida Pedra do Solstício com a sua covinha e o já referido Graben, com o IP2. Ao longe, o planalto beirão (Fig. 8).

O ponto onde agora nos encontramos, a covinha, a Pedra do Solstício e o Sol poente no dia 21 de Junho formam um alinhamento solsticial, que faz 302º com o Norte geográfico – iniciando a contagem a partir do Norte e no sentido do movimento dos ponteiros do relógio, ou 58º para Oeste do Norte







A montagem fotográfica da Fig. 10 pretende dar uma ideia da visão que há do ‘Observatório’ simultaneamente para a Pedra do Solstício e para uma outra pedra, à direita, à distância de 240 metros. É a Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora.
Vamos até lá.

Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora
(Pedra B)

(40º 59' 39,552" N / 07º 10' 34,968 W)
Trata-se de uma enorme massa granítica arredondada com a face virada a poente estranhamente plana com 4,50 m de largura e cerca de 3 m de altura. Um pequeno túnel atravessa-a aproximadamente na direcção nascente–poente. Um observador colocado em frente a essa pedra, junto de determinada pedra uns vinte metros a poente, vê o Sol, ao nascer nos equinócios, preencher a abertura desse túnel. Por isso lhe chamaram também Pedra do Sol.




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O eminente historiador, arqueólogo, investigador e autor Dr. Adriano Vasco Rodrigues descreve assim esta pedra[1][1][1]: O penedo tem o seu assento sobre uma vasta superfície rochosa granítica. A face poente está desbastada como uma enorme testa. Na parte inferior rasga-se uma abertura com cerca de um metro de diâmetro, que dá entrada para uma espaçosa câmara com uma altura de um metro e meio. Este espaço comunica com o exterior por outra abertura rasgada na face oriental.


No tecto desta câmara notam-se manchas avermelhadas de sais de ferro parecendo resultarem de uma pintura destruída pela erosão produzida pela corrente de ar, estabelecida pelas duas entradas.


Na vasta câmara, rasga-se, à direita de quem entra pela face ocidental, um nicho onde se pode introduzir um homem. A cúpula desse nicho é arredondada, ajustando-se perfeitamente a uma cabeça humana e tendo desenhado de forma impressionante, como se houvesse sido escalpelada, uma cabeleira humana negra, longa e desgrenhada. O material da coloração é constituído por sais de manganésio, como revelou a análise.


Levei ali um geólogo, o Sr. Eng. Carlos Pires Lobato, visto ter dúvidas se devia considerar a "cabeleira" como o resultado dum capricho da natureza, ou uma intencional pintura humana. As dúvidas persistiram. De qualquer modo é evidente que a "cabeleira de Nossa Senhora" serve desde remotas eras uma tradição cultual.


No exterior, a curta distância da entrada poente, está uma pedra quadrangular com 1,50 m de lado por 15 cm de espessura, em forma de arco. Devia ter sido adaptada à entrada. No alto da enorme cabeça está uma tosca escultura simbolizando uma figura humana, com a cabeça do tipo triangular.


(…) O povo ligou uma lenda cristianizada àquele lugar. Assim, a Virgem Maria na sua caminhada para o Egipto, num dia de estio, à semelhança do que ainda agora fazem os pastores com os rebanhos, recolheu-se naquela lapa para repousar. Ao partir, os cabelos, que haviam tocado na rocha, focaram ali gravados para sempre...


Quanto ao período de utilização deste santuário, ele remontaria à revolução neolítica.
Diz ainda o Prof. Adriano Rodrigues[2][2][1]: Em 1957, tive oportunidade de estudar a fraga conhecida com o nome da Cabeleira de Nossa Senhora, que classifiquei como santuário pré-histórico, integrado cronologicamente na revolução neolítica. Pelas suas características sugere a existência de um culto ao crânio, característico, na Península Hispânica, da transição do Paleolítico para o Neolítico, segundo o Prof. Pericot. A identificação com uma entidade feminina, que sofreu consagração à Virgem Maria, acompanhada de lenda popular, sugere um culto inicial à Deusa Mãe, símbolo da fertilidade.





[1][1] Adriano Vasco Rodrigues, Terras da Meda – Natureza e Cultura, pág. 25 – ed. Câmara. Municipal da Meda, 1983.

 
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Na face lisa desta pedra vê-se seis covinhas (Fig.17) e um disco solar tosco (Fig. 18).




São estas as duas únicas pedras neste planalto que até agora têm sido faladas em relação ao Sol. De cada uma delas não se vê a outra e só do local que aqui se baptizou como ‘Observatório’ é possível ver as duas.
Estarão essas duas pedras sozinhas?
E não haverá uma espécie de diálogo entre elas?
Como que dando uma primeira resposta a essas perguntas, verifica-se que uma recta que passe pela Pedra da Cabeleira (B) e pelo ponto a que chamaremos O, à irrelevante distância de 5 metros da covinha à frente da Pedra do Solstício (A), faz um ângulo de 58º com o Norte, que é precisamente, na latitude local, o ângulo que faz o Sol quando nasce no Solstício de Verão, o que significa que a partir do ‘Observatório’, que é sobranceiro a esse ponto O e muito próximo dele, se verá o Sol nascer alinhado com a Pedra da Cabeleira (B) no dia 21 de Junho de cada ano.
Como já atrás foi referido, desse ponto de observação também se vê, nesse mesmo dia 21 de Junho, o ocaso do Sol alinhado com a covinha e com a Pedra do Solstício. No chamado ‘Observatório’ é, portanto, possível observar dois alinhamentos solsticiais no mesmo dia: o nascer e o pôr-do-sol.
A Fig. 21 é uma imagem do GoogleEarth da zona, com a indicação dos três pontos até agora referidos: Pedra do Solstício (A), ‘Observatório’ (O) e Pedra da Cabeleira (B). Como A e O são muito próximos um do outro, passaremos a referir apenas o ponto A.
Coincidências?
E serão estas as duas únicas rochas de interesse que o planalto das Lapas tem para nos oferecer?







Os nossos antepassados de há dez ou quinze mil anos terão ficado por aqui na marcação no terreno dos pontos de viragem do Sol no seu eterno movimento de vaivém para Norte e para Sul, curiosamente formando uma cruz de Santo André? Será que aqui em Chãs haverá rochas cujas posições relativas permitam formar uma cruz de Santo André também no terreno com base em orientações solsticiais? Espicaçados pela curiosidade, vamos deambular pela zona, armados de GPS e "almofadados" com os conhecimentos especializados e sempre disponíveis de dois bons amigos, os engenheiros geógrafos António e Miguel Lázaro, respectivamente pai e filho. Sem eles, de facto, de nada me serviriam as leituras do GPS.
Vamos ver! Vamos ver se este planalto de Chãs tem mais segredos que nos queira revelar.

 

Esta Pedra G tem algo de comum com a Pedra da Cabeleira, pois apresenta uma face lisa virada a poente, onde se nota um início de túnel. Com alguma boa vontade, tem parecenças com uma caveira, quando vista de leste ou sul (Fig. 23).






Fig. 24 – Pedra G, cónica, ao fundo, à esquerda.

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Situa-se a poucas dezenas de metros a ENE da Pedra da Cabeleira e também muito perto de uma outra pedra interessante, a Pedra H, situada a NE da Pedra da Cabeleira e que vamos ver como é.
.












Pedra H
(40º 59' 40,81" N / 07º 10' 32,59" W)





Esta pedra também tem algumas parecenças com a Pedra da Cabeleira (B), embora seja muitíssimo mais pequena, pois tem um minúsculo túnel que a atravessa na direcção Norte – Sul, aproximadamente.

Curiosamente, apresenta-se alinhada com a Pedra da Cabeleira (B) e com a Pedra do Solstício (A), como se pode verificar na fotografia da Fig. 27 e no esquema da Fig. 32.








Pedra C
'Porta do Sol'
(40º 59' 36,85" N / 07º 10' 27,04" W)


O caminho que sai de Chãs para as Lapas passa por um curral de onde se retira o anho que participa nas festividades do pôr-do-sol no Solstício de Verão. Esse anho é colocado na covinha sacrificial (?) junto à Pedra do Solstício A, mas, evidentemente, nos tempos actuais, não é sacrificado.

Umas dezenas de metros adiante desse curral, vê-se, à esquerda, um afloramento granítico de aspecto um pouco caótico, que aqui se baptiza como Pedra C. Esse afloramento ovalado alonga-se aproximadamente na direcção Norte-Sul e na sua face oriental, do lado do caminho, portanto, surge um perfil de velho desdentado virado para a esquerda, para Sul, como que a guardar uma abertura (natural?) a que se poderá chamar ‘Porta do Sol’, que se encontra logo à sua frente. Adiante veremos o motivo da denominação ‘Porta do Sol’.

Uma linha recta traçada dessa ‘Porta do Sol’ C (40º 59' 36,85" N / 07º 10' 27,04" W) para Noroeste e fazendo 122º com o Norte vai intersectar, num ponto que designaremos por D, a recta já nossa conhecida que passa pelas rochas A (Pedra do Solstício) e B (Pedra da Cabeleira). Como já foi dito, o ponto A e o ponto O distam apenas 5 m entre si, pelo que referimos apenas o ponto A. Prolongando esta recta CD para poente, atinge-se uma enorme pedra aqui designada de ‘Cogumelo’ devido à sua forma.


Ora, isso significa que um observador colocado na 'Porta do Sol' verá, no fim do dia do Solstício de Verão, o Sol a desaparecer atrás das montanhas alinhado com o 'Cogumelo', pois considerando-se a largura desta pedra e a da 'Porta do Sol', a diferença entre 57,30º e 58º é irrelevante, podendo, no terreno, corresponder a um simples passo do observador para a esquerda ou para a direita.


Vejamos a seguir a rocha 'Cogumelo' na Fig. 29, a sua localização na Fig. 30 e, na Fig. 31, em esquema, o que até agora foi dito com palavras e fotografias.


 
















 
Pedra ‘Cogumelo’
(40º 59º 42,25" N / 07º 10' 37,88" W)



 
Esta enorme pedra que aqui se designa de ‘Cogumelo’ encontra-se alinhada com o ponto de intersecção D e com a Pedra C.

 Fig. 30 – Além de a Pedra 'Cogumelo' estar alinhada com o ponto de intersecção D e com a Pedra C, a linha traçada entre a Pedra 'Cogumelo' e a Pedra C faz 57,30º com o Norte

Surge de novo a pergunta: será que os habitantes desta região ficaram por aqui nas suas mensagens de pedra? Vamos continuar a procurar, talvez haja mais e as consigamos detectar.

Para isso, agora, num exercício simples de geometria, trace-se uma recta que passe pelo ponto C e seja paralela a ABD, isto é, fazendo 58º com o Norte;

– uma recta que passe por A e seja paralela a CD, isto é, fazendo 122º com o Norte;
– designemos por E o ponto de intersecção dessas duas rectas.

Obtém-se assim um paralelogramo ADCE como o que é representado no esquema da Fig. 32.

O ponto E situa-se ao fundo de um vale, penso que em terreno particular, e ignoro se coincide com algum marcador especial.

 


No texto do Dr. Adriano Vasco Rodrigues referente à Pedra da Cabeleira, que na devida altura se transcreveu, lê-se a seguinte passagem: A alguns metros deste Santuário pré-histórico (Pedra da Cabeleira), encontra-se a Fonte da Tigela. Trata-se de uma cavidade do tamanho da concha das mãos, afundada numa rocha. Esta fonte não pode ser dissociada daquele Santuário[1].

[1] Adriano Vasco Rodrigues, obra citada.

 
A alguns metros da chamada Pedra dos Poetas, onde, a seguir às festividades que acompanham o pôr-do-sol do Solstício de Verão, é homenageada a memória de Fernando Assis Pacheco e são recitadas as poesias de autores vários, existe uma pedra a que dei o nome de “Altar” devido à sua forma e à falta de melhor designação. Tem um pedestal e uma cavidade com escoadouro. Penso que esta pedra não pode ser dissociada das já consideradas. Junto a ela, uma ideia me surgiu. Verifiquei as suas coordenadas com o GPS e regressei a casa para consultar os meus amigos António e Miguel Lázaro. Pedi-lhes então mais um favor: que me calculassem as coordenadas do centro do paralelogramo atrás referido. Cálculo e esquema feitos… as coordenadas desse ponto central – a que chamamos F –, coincidem, mais passo para a direita, mais passo para a esquerda (o equivalente a décimos de segundo), com as coordenadas do "Altar", determinadas no terreno (Fig. 33).

Coordenadas do "Altar"no terreeno
40º 59’ 35,916” N
07º 10’ 34,824” W
Coordenadas calculadas do "Altar"
40º 59’ 36,177” N
07 10’ 35,377” W

Fig.33
"Altar" visto da Pedra da Cabeleira




Fig.34 - "Altar". Ao fundo, é possível ver-se as
pedras "Cogumelo" e da Cabeleira


Passo a assinalar um facto curioso que só detectei no terreno. Segundo os cálculos realizados a partir das coordenadas dos pontos A, B e C, o ponto de intersecção D ficou rigorosamente definido no esquema da Fig. 31. Ao sobrepor esse esquema a um mapa GoogleEarth, verifiquei que esse ponto D se situava numa determinada curva do caminho, que identifiquei de imediato por lá ter estado algum tempo antes. Lá chegado, porém, verifiquei o seguinte:
­– no terreno, esse local não tem as coordenadas indicadas no esquema;
­– no terreno, esse local não está alinhado com a Pedra da Cabeleira B e com a Pedra A, muito longe disso;
– no terreno, o local que tem as coordenadas calculadas e indicadas no esquema situa-se um pouco mais a norte do local onde esse ponto (D) foi recair no mapa GoogleEarth e que se encontra assinalado nas Figs. 31 + 32.



Foi seguindo as indicações do GPS que localizei, no terreno, o ponto com as coordenadas calculadas para D: 40º 59’ 40,109” N / 07º 10’ 33,760” W. Nesse ponto, sim, salta à vista o seu alinhamento com B e A. Embora desse ponto D não seja possível ver-se A devido à convexidade do relevo do terreno, é possível determinar-se perfeitamente a sua localização, graças a uma árvore de grande porte e isolada, que lhe fica sobranceira, que é a mesma que se vê nas Figs. 7, 8, 9 e 10. Aliás, a localização, no terreno, desse ponto D é, como direi, mais “apropriada”, “faz mais sentido” do que no local assinalado no mapa GoogleEarth.
Porquê?



A escassos metros a ENE desse ponto, encontra-se a já referida e sugestiva Pedra G. Também a escassos metros desse ponto D, mas para NE, uma outra pedra de formas interessantes, a que demos o nome de H, e que se encontra perfeitamente alinhada com os pontos D, B e A. É de notar que a linha recta que passa por estes três pontos faz um ângulo de 58 º com o Norte
A Fig. 36 mostra o vasto campo de visão que tem um observador colocado na ‘Porta do Sol’. Da esquerda para a direita: Pedra da Cabeleira, ‘Cogumelo’ no alinhamento do ponto de intersecção D (não visível daqui devido à configuração do terreno), e a Pedra G, não alinhada



Como facilmente se pode verificar na Fig. 37, estamos perante uma cruz de Santo André, formada pelas rectas que passam, respectivamente, pelos pontos C, D e 'Cogumelo' e pelos pontos A, B, D e H, cruzando-se no ponto D.




















Fig. 38 - Reúne os pontos, os ângulos, as rectas e as distâncias a que foi feita referência

Conclusões - leia a postagem seguinte.
Leia a continuação do estudo que não foi possível editar neste post, em (2solstício do inverno nos templos do sol

Nota - pedimos desculpa pelo facto dos gráficos e das imagens não poderem ser editadas em maior dimensão, tal como Albano Chaves. no-los enviou, mas não é possível, pelo facto da postagem não poder comportar maior densidade

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