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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Processos Casa Pia: "Não ponho as mãos no fogo por ninguém" Diz ao DN Carlos Mota - Oportunista de expedientes, que conheci na Rádio Comercial - Carlos Cruz, vitima de processo político - Entrevistei vários miúdos no Parque Eduardo .XVII - Ninguém quis saber - Porquê, só anos mais tarde?!

Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Informação e análise

POST ATUALIZADO - PORMENORES MAIS À FRENTE
Carlos Cruz vai dar entrada na cadeia - Possivelmente, já nos próximos dias. Já lhe arruinaram a saúde e o deixaram falido materialmente e vão querer destruí-lo - Teve o azar de um dia ser um dos mandatários de campanha da coligação Amar Lisboa e passou a ser odiado - Tribunal Constitucional rejeitou liminarmente a possibilidade de interpor recurso - Deu-lhe algumas dicas para poder vir a recorrer com novo processo mas, entretanto, não se livra do martelo da Justiça

ATUALIZAÇAO - 26-06-2018  -ANTES TARDE DE QUE NUNCA -  SETE ANOS DEPOIS – MESMO ASSIM É MUITO SOFRIMENTO - O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) deu esta terça-feira razão a alguns dos argumentos invocados no recurso de Carlos Cruz para contestar a aplicação da justiça no processo Casa Pia, por que foi condenado há sete anos.


O Tribunal dos Direitos do Homem deu razão ao antigo apresentador de televisão Carlos Cruz na parte de uma queixa que este tinha apresentado referente à recusa de provas submetidas pela defesa no processo Casa Pia.
No documento hoje divulgado, o TEDH diz que o Tribunal da Relação de Lisboa devia ter aceitado a análise de novas provas quando o ex-apresentador ali as apresentou.  https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/casa-pia-carlos-cruz-venceu-recurso-no-tribunal-europeu-dos-direitos-humanos




Conheci pessoalmente Carlos Cruz e Carlos Mota na Rádio Comercial, onde trabalhei vários anos. E também Herman José - sobre quem já me pronunciei noutra postagem . Acredito que, Carlos Cruz, foi vítima de um processo político, que tinha, na altura várias direcções - Entre os quais, Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso  Vítima da Casa Pia volta a implicar Ferro Rodrigues -.**José Maria Martins acusa Ferro, Pedroso e Gama  - Os crimes de abuso sexual, são demolidores  para as vítimas - Mas também devastadores para os acusados - Sobretudo, as vítimas de erros judiciais. - Mesmo para anónimos, quanto mais para figuras conhecidas. E não falta quem veja nisso (mesmo sem justa causa) a mesma arma que a inquisição quando queimava na fogueira os homossexuais ou quem fosse acusado de bruxaria ou de  heresia.


Quanto à opinião que tenho de Carlos Mota, que foi também assistente de realização de José Freire, na Rádio Comercial, confesso que sempre me pareceu um oportunista de expedientes -  Colou-se especialmente a Carlos Cruz, visto também trabalhar na televisão  como, certamente, ter-se-á  colado a outras pessoas onde pudesse aproveitar-se. Tenho uma péssima impressão desse jogador. Sempre com ar empertigado, sorriso hipócrita, tipo fala Barato; quando ali entrava,  até parecia que era ele que mandava na Estação. Não creio que ele fugisse, para Espanha, para não prejudicar o processo contra Carlos Cruz. Escapou-se por ter vergonha do seu passado, das incriminações que pendiam sobre ele, dos processos em que fora incriminado de pedofilia.  Ele, sempre me pareceu,  algo estranho, demasiado egoísta para se preocupar com quer que fosse, que não o do seu próprio ego.  Carlos Cruz (generoso, culto e bem intencionado) teve o azar de se deixar  iludir por esse hábil ilusionista. Normalmente é que acontece: os vígaros só intrujam os incautos e os que não usam a mesma cartilha. Carlos olhava (olha) sempre olhos nos olhos, frontalmente, enquanto, o Mota, era esquivo e malicioso  - No Bar O "Coice" da Rádio Comercial, onde ia pedir a cerveja da ordem, a sua entrada nunca passava despercebida  - Sempre galhofeiro, forçando nota humorada, alta e sonante, era dos tais que fazia crer que falava para toda a gente mas dificilmente encarava olhos nos olhos quem quer que fosse.

"Não ponho as mãos no fogo por ninguém" - Carlos Mota ao DN - 24-02-2013

DN foi descobrir Carlos Mota a viver no País Basco. Saiu de Portugal há quase dez anos e durante oito a justiça procurou-o, sem êxito. Diz só ter sido visitado por três vezes: pela ex-companheira Cristina, por duas jornalistas do 'Sol' e há uma semana pelo DN. Sobre a frase "Se Carlos Cruz é pedófilo eu também sou", diz agora: "Eh pá, nunca disseste uma grande burrada na tua vida?"
Saiu de Portugal para não atrapalhar a defesa de Carlos Cruz?
Eh pá, essas teorias são para vocês fazerem. Eu nunca mais na vida falei com o Carlos.
Mas há uma lista de 400 chamadas que fez antes de sair de Portugal, que incluem contactos com a então mulher de Carlos Cruz, a Raquel [Rocheta].
Só mandei uma mensagem à Raquel no dia de anos do Carlos, a dar-lhe os parabéns, em março de 2003. Depois nunca mais voltei a falar com eles.
Sabe que ele agora vai preso, o TC indeferiu o recurso!
Não sabia. Não faço ideia de como está o processo. Não tenho notícias de Portugal. Eu nem tenho computador. E tenho muitas dúvidas neste processo.

(...)Foi um golpe muito duro ter sido despedido pelo Carlos Cruz?
O Carlos não me despediu. Aliás, na altura recebi uma carta dele a lamentar o sucedido e a dizer: a Marajó [empresa criada por Carlos Cruz e pela ex-mulher Marluce] continuará a pagar-te o ordenado. Eu é que me vim embora e depois fiz-lhe uma nota em que aceitei deixar de trabalhar para ele.
Mas não falhou ao Carlos como amigo por não o defender em tribunal...
Não lhe falhei porque ele retirou-me do rol das testemunhas. Com o processo de Odemira passei a ser persona non grata para a defesa do Carlos. Mas posso ir ao processo do Carlos, tranquilamente, dizer que não tenho o mínimo conhecimento ou indício que o Carlos seja culpado.
Põe as mãos...
Não ponho as mãos no fogo pelo Carlos Cruz nem por ninguém. Ponto! Mas posso dizer-te que era impossível - há outros que dizem o contrário - haver atos sexuais com crianças no cinema Europa ou no Vasco Santana, que foi onde o Bibi dizia que eu levava os miúdos.
Há aí uma ligeira alteração à frase: "Se o Carlos Cruz é pedófilo, eu também sou!".
Eh pá nunca disseste uma grande burrada na puta da tua vida? Tenta não dizeres. Essa foi uma burrada de todo o tamanho. Leia o resto em "Não ponho as mãos no fogo por ninguém"

 OS ENGATES DE PEDOFILIA HÁ MUITO ERAM PRATICADOS NO PARQUE EDUARDO  VII E NOS JARDINS DO MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS -  TODAVIA,  NINGUÉM QUIS SABER  - E AINDA HOJE, NINGUÉM QUER SABER


No princípio da década de 80, fui o primeiro repórter a entrevistar prostitutas (cujas cópias das gravações me foram depois pedidas pela dirigente de  NINHO e creio que também fui eu quem, pela primeira vez, nas cadeias portuguesas, entrevistou alguns dos nomes mais sonantes do crime. Antes disso, já havia entrevistado  miúdos que andavam a engatar no Parque Eduardo VII, para o programa Ora Hora!  transmitido das 07-09 horas, de segunda a sexta. Dir-se-ia num horário nobre da  manhã. Com muita gente a levantar-se ou a ir de carro para o emprego,  dispondo, assim, de  uma excelente audiência, até porque, naquela altura,  ainda não existia a proliferação de rádios  - Por esse tempo, também o Jornal  Tal/Qual, se ocupava do mesmo assunto, tendo publicado um extenso artigo com a manchete: "Prostituição masculina tinha mercado na casa Pia"

 Se houve investigações ou processos, ficou tudo em águas de  bacalhau.   A moda das denúncias da pedofilia ainda tardaria a chegar - E, sobretudo, o seu aproveitamento religioso e político - Não é que não houvessem casos desta natureza (eu conheci-os na pele e no espírito, bem cedo), mas é a tal coisa: modas são modas - Sobretudo a partir do momento que passaram a ser usadas para queimar figuras de topo. Umas vezes por factos verdadeiros, outra, unicamente, por calúnia e com objectivos sórdidos


Curiosamente, em Setembro, de 2002, rebenta então o chamado "Escândalo da Casa Pia" - A divulgação é feita no Expresso, por Felícia Cabrita, através de uma entrevista a um antigo aluno que alega ter sofrido abusos sexuais, enquanto jovem.- Mas porque raio nunca foi entrevistar os miúdos  e vai falar com alguém que era capaz de ter mais escola de que ela? -Década 'Casa Pia' registou mais de 6 mil casos de pedofilia De resto, ainda é a mesma jornalista que, em Dezembro de 2011 "descobre" o estripador José Guedes"O Sol descobre estripador de Lisboa - A polícia não decifrou o enigma mas o Sol descobriu quem foi - Quando o jornalismo sensacionalista  substitui  às policias, é no que dá.'Estripador de Lisboa' absolvido pelo tribunal - Claro que também depende das conveniências.

QUANDO A PALAVRA DA JORNALISTA TEM MAIS CRÉDITO QUE A  DENUNCIANTE QUE LHE FORNECE A LISTA - EM QUEM ACREDITAR?  - NO MÍNIMO ESTRANHO


"O Tribunal da Relação de Lisboa manteve a condenação de Teresa Costa Macedo por crimes de falsidade de testemunho no julgamento do processo Casa Pia e de difamação da jornalista Felícia Cabrita.


Em causa, recorde-se, estavam as declarações da antiga secretária de Estado da Família enquanto testemunha do processo Casa Pia, em Janeiro de 2007, em que negou ter entregue a Felícia Cabrita um documento por si manuscrito com uma lista de nomes de envolvidos no caso, entre os quais o do apresentador de televisão Carlos Cruz e o de diplomatasCaso Casa Pia: Teresa Costa Macedo condenada 

PROCESSO KAFKIANO DIZ A MAGISTRADA  A QUEM COUBE O ARQUIVAMENTO DO PRIMEIRO PROCESSO CASA PIA

"A magistrada frisou que o processo de Cascais, arquivado em 1987, nada tem a ver com o outro desencadeado por queixas de 2001 e 2002 e que levou agora à detenção do ex-funcionário Carlos Silvino ("Bibi"), por alegados actos de pedofilia com alunos da Casa Pia de Lisboa.

Na sua perspectiva, tudo o que está a acontecer à volta do processo de Cascais "é absolutamente kafkiano", resultando de muitas confusões, para algumas das quais admite ter contribuído, como sejam as declarações proferidas à comunicação social sobre o que leu do despacho de arquivamento na Procuradoria-Geral da República." - PÚBLICO


PEDOFILIA É O QUE NÃO FALTA - OUÇAM A VOZ DAS  VÍTIMAS, ENQUANTO MENORES -   -E, MESMO ASSIM,  SE JÁ ESTIGMATIZADAS, É COMPLICADO - MAS NÃO É ISSO QUE PREFEREM - E, QUANDO O FAZEM, OUVEM OS ADULTOS E  SOBRE AS FIGURAS MAIS MEDIÁTICAS 

- De 6000 denúncias, nos últimos dez anos, apenas três casos estão em investigação - É a tal coisa: sobre figuras que podem dar que falar; as demais são carne para canhão.

O Diário de Noticias, dedicou a edição de ontem, ao  'Processo da Casa Pia', em que se faz o balanço de tudo o que sucedeu nesta última década e se revela que, ao longo deste tempo, surgiram mais de seis mil denúncias de casos de pedofilia. Neste momento estão em investigação Neste momento, estão em investigação três casos, relacionados com a Igreja, entre eles um de abusos no seminário do Fundão e dois na diocese de Lisboa. Quanto aos arguidos, a maioria afirma-se falida. A Grande Investigação prossegue amanhã com o ponto da situação em que se encontram as vítimas."

VÃO AOS JARDINS DE LISBOA QUE NÃO FALTAM POR LÁ MUDOS A PROSTITUÍREM-SE E ADULTOS A APROVEITAREM-SE DELES

Era assim quando trabalhava na Rádio Comercial - Julgo que o panorama não mudou de figura. Recordo que, quem ali passasse à noite, no Parque Eduardo VII - e eu passei por muitas vezes, quando, mais tarde,  trabalhei nos horários nocturnos - continuava a ver o  habitual corropio de carros, para cima e para baixo - E, então, pergunto eu: porque razão, só, tantos anos depois, em 2002, se falou dos casos de pedofilia, sendo certo e sabido, que, muitos dos miúdos, que ali andavam ao engate, eram rapazes da Casa Pia?  - Esta é realmente a questão que continua a intrigar-me.

Quando  perguntei àqueles miúdos, quem eram os seus clientes, todos me responderam que havia de tudo: desde desconhecidos a gente famosa - do meio artístico à política. E também falei com um predador  - aceitou que entrasse no seu carro, pois o engate, era geralmente feito de carro mas  furtou-se à gravação. Contou que era um habitual frequentador deste parque e também dos jardins frente ao mosteiro do Jerónimos   Era estudante, maior idade. Confessou-me que já tinha sido assaltado por várias vezes, tendo-me mostrado uma luxa de metal para se defender.

A FOME AGUÇA A INTELIGÊNCIA E A ESPERTEZA O ENGENHO - NÃO SE PODE FIAR EM QUEM SE PROSTITUI -

 Não queria tornar-me demasiado extensivo, mas, já agora, aproveito para recordar um episódio, algo esclarecedor. Nos finais da década de 90, vindo da minha aldeia e  ao  sair da Estação de Santa Apolónia, no comboio que chegaria ali ao romper do dia,  não é que, ao encaminhar-me para a rua, com a bagagem pela mão, vem junto de mim um miúdo, com ar visivelmente doentio, famélico, suplicante (não consegui precisar, ao certo, a idade, mas julgo que não devia ter mais do que uns catorze ou quinze anos), média estatura, franzino, magro, aspecto andrajoso, cara cheia de impinjas e de feridas, num estado verdadeiramente lastimável, que até causava arrepio e metia dó, só em olhar para ele, pedindo-me uma moeda. Acto contínuo meti as mãos ao bolso e dei-lhe, sem hesitar, uma moeda de 100$00. Pois bem, e qual foi o seu agradecimento, a reacção imediata do espertalhaço rapaz?!...  Em vez de  um simples olhar de agradecimento, imediatamente começou aos gritos, com inesperado desaforo: “Seu filho da puta! Só me dás isso, seu cabrão! Quero quinhentos escudos! Quero quinhentos escudos!” - E, nisto, sabe o que é que eu vejo à minha volta?!... Não os olhares das pessoas em direcção à miséria daquele rapaz, mas  quase fuzilando-me, olhando-me desconfiadas. A presenciar o episódio, estava um militar de uma aldeia vizinha da minha - Não o reconheci: mais tarde disse-me: "Eu vi a cena, quando ele o abordou. Porque é que o Sr. não lhe pregou duas bofetadas!" - Então é que  arranjava ali um enorme sarilho!  Claro que, se fosse no ano em que rebentara o famoso "escândalo da Casa Pia" com a neurose que para aí campeava, ter-me-iam comido vivo! Teria sido irremediavelmente queimado!  - Conheço um caso, num litígio de divórcio, em que, a ex-mulher, acusava o ex-marido de pedofilia, pelo facto de levar o filho (bebé) ao banho, com ele em peloto. 

pedófila é um crime grave para quem o comete e tremendo para quem o sofre . Aos 12 anos, como marçano, em Lisboa, conheci essa situação. Desempregado e sem onde me acolher, fui deitar-me no recanto de uns arbustos de um  jardim.  Às tantas da noite, um vadio puxou-me desalmadamente para junto do seu corpo. Consegui fugir mas a surpresa foi avassaladora. Jamais a esqueço. Mais tarde, aos 14 anos, foi um sacerdote. Já falei disso. É melhor não repetir.

PEDOFILIA É UM CRIME DE EXTREMA GRAVIDADE - E, ENTÃO SE MISTURADA, COM PROSTITUIÇÃO,AS CONSEQUÊNCIAS PODERÃO SER AINDA  MAIORES. 



Daí que pergunte: que grau de credibilidade poderá  ser dado  àqueles, a quem o infortúnio atirou para a condição de vítimas e de infelizes, ao mesmo tempo os faz resvalar  para a prostituição?!...   - É um facto indesmentível que, os alunos da Casa Pia, tal como noutras instituições (internatos) onde são albergadas crianças desprotegidas, quer interna ou quer externamente, além de não terem a devida assistência, são alvo de oportunistas predadores. E é também onde cedo desponta a homossexualidade juvenil. Mas também não menos verdade é o facto de que, quando a iniciação ou tendência, resvala para a prostituição, maiores ainda são os problemas, os desajustamentos e as perturbações de carácter formativo e psíquico - Enquanto forem menores, obviamente, os culpados serão  sempre os adultos - E, depois, como se portarão essas mentes?!... Essa é a grande questão. 


RAUL SOLNADO - Acredita na inocência de Carlos Cruz?


Não acredito que o Carlos Cruz esteja envolvido em coisa nenhuma que tenha a ver com pedofilia. Conheço-o muito, muito, muito bem. Viveu em minha casa durante oito meses quando veio dos Estados Unidos e todo o seu comportamento, tudo o que conversávamos, não levava para esse caminho. Além disso, é um homem muito inteligente que nunca se sujeitaria à chantagem de uma teia de pedófilos. Foi uma armadilha.

Se ele for absolvido, acha que poderá algum dia voltar à televisão?
Tenho esperança que sim, porque a sua qualidade profissional é tanta, tanta, tanta que acredito que ele consiga sobreviver a isto tudo.  Raul Solnado - Artes - Sábado

DN Vítimas arriscam ficar sem indemnizações


Com a maioria dos condenados em dificuldades financeiras, será complicado os ex-alunos da Casa Pia receberem os 500 mil euros que os arguidos têm de lhes pagar. Uma questão que, segundo o advogado Miguel Matias, ainda não foi suscitada por nenhuma das vítimas
Os 500 mil euros de indemnização que Carlos Silvino, Carlos Cruz, Ferreira Diniz, Manuel Abrantes e Jorge Ritto terão de pagar às vítimas do processo principal da Casa Pia poderão nunca chegar aos destinatários. É que quase todos os condenados dizem estar em grave situação financeira ou mesmo falidos, devido aos "milhões gastos" nos dez anos de processo e porque o pagamento das indemnizações não tem lugar nos seus orçamentos. Vítimas arriscam ficar sem indemnizações - Portugal - DN



29/03/2006 – Tribunal Arbitralconstituído para ressarcir alunos e ex-alunos molestadosdecidiu atribuir a indemnização máxima de 50 mil euros a 40 das 50 vítimas que ... Pedofilia: Tribunal Arbitral decidiu indemnizações ... O Estado vai pagar mais de dois milhões de euros em indemnizações às vítimas de abusos ...

Todos os arguidos acusados dos crimes da casa de Elvas, cometidos contra antigos alunos da Casa Pia, foram absolvidos esta tarde na 8.ª Vara Criminal de Lisboa.




Constitucional confirma fim do processo para arguidos da Casa Pia ...


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

AZEREDO PERDIGÃO, O QUE ME REVELOU – O HOMEM QUE CONDUZIU 37 ANOS OS DESTINOS DA FUNDAÇÃO GULBENKIAN – DEPOIS DELE- BALLET EXTINTO E PALACETE EM PARIS, VENDIDO

24-02-2015 - Finalmente, neste post, além do texto, também a voz  - O único registo gravado  do português mais notável da Fundação Gulbnkian  - Foi o seu próprio neto, Miguel de Azeredo Perdigão, que me  confirmou não ter conhecimento de outro registo gravado, tendo constituído para ele um momento muito emocionante, voltar a ouvir a voz de uma pessoa que lhe era tão querida


.José de Azeredo Perdigão - Os Grandes Portugueses

"EU NÃO SOU VELHO, SOU ANTIGO!... QUE É UMA COISA DIFERENTE". -
Quem sabe fazer a distinção, entre o que é velho e  antigo, entre velharias e antiguidades, são precisamente os homens que têm gosto pela arte.
 

José Henrique de Azeredo Perdigão, no seu tempo, foi um deles. E, certamente, não teve rival. Era um homem simples, culto, afável e comunicativo. Aliás, as grandes figuras são generosas e despidas de vaidade. Ele era um desses extraordinários exemplos. 

O seu diálogo infundia um prazer especial. É justamente a impressão que ainda hoje tenho, sempre que reouço a  entrevista que me deu a hora e o prazer de conceder,  parecendo-me que inada o estou a rever  atrás da sua enorme secretária, pejada de dossiers e de papéis. Com uma transbordante jovialidade, rara para a sua idade. Já lá vão 24 anos. 





Este é o único registo sonoro do Dr. Azeredo Perdigão, daquele foi o braço direito do milionário Calouste Gulbenkian, desde que escolheu Portugal para seu retiro, devido à guerra que grassava além dos
Pirenéus, personalidade que soube sempre manter uma vida simples, discreta, mas muito intensa e trabalhosa, longe da comunicação social e também um respeitoso distanciamento dos sucessivos governos que conheceu. 

  A entrevista, que me deu a honra e o prazer de me conceder, senão a única mas das raras  em sua vida, ficou a dever-se ao excelente relacionamento que mantinha com o Arquiteto Sommer Ribeiro, que, além de Diretor do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, ali desempenhava importantes funções.– E porquê este raro privilégio? – Nomeadamente, pelo meu papel na divulgação das atividades culturais desta instituição, através da Rádio Comercial RDP, na qual era repórter.


Quando me acompanhou ao seu escritório, o que inicialmente estava previsto eram apenas umas breves declarações, sobre o papel da Fundação nos novos países de expressão portuguesa, e o que pensava sobre as comemorações dos descobrimentos – De facto, não se podia exigir mais de quem se apresentava por detrás de uma enorme secretária toda ela coberta de papéis e com ares de que todo o tempo lhe era pouco, tanto mais que não tardaria a completar 91 anos de idade . Porém, para minha agradável surpresa, o diálogo evoluiu naturalmente
–E mesmo para além do que ficou registado no gravador.  O que é editado em vídeo ( e  transcrito para texto) é apenas um excerto da longa e interessante  entrevista que aqui tenho a honra de apresentar, se bem que os temas que ali me levaram não estejam incluídos neste registo: não por serem menos importantes mas para não tornar o vídeo demasiado long

JOSÉ AZEREDO PERDIGÃO, O HOMEM QUE FEZ MAIS PELA CULTURA EM PORTUGAL DE QUE TODOS OS GOVERNANTES, DEPOIS QUE ELE MORREU

Fundação Calouste Gulbenkian. GOZA DE PRESTÍGIO INTERNACIONAL, SENDO CONSIDERADA UMA DAS MAIS IMPORTANTES A NÍVEL MUNDIAL NO SEU GÉNERO


Tive o privilégio - o grande prazer de entrevistar - algumas das mais importantes figuras da vida nacional, em vários domínios, guardo em cassete(cerca de 300) parte dessas entrevistas. José Azeredo Perdigão, foi uma dessas figuras. Recebeu-me no seu gabinete. E, aquilo que inicialmente estava previsto apenas para uma curta declaração, transformar-se-ia numa longa e interessante entrevista - Parte da qual vou aqui transcrever - Pois, o seu magnífico exemplo, julgo que se insere perfeitamente neste site de Os Templos do Sol - Ele que ajudou a fundar - e foi seu primeiro administrador - um dos maiores Templos da Cultura em Portugal..

NA SENDA DOS TEMPLOS DO SOL E DOS RAIOS DE LUZ DAQUELES QUE CRIARAM OS MAIS BELOS TEMPLOS DA TERRA - DESDE OS PRIMÓRDIOS DA HUMANIDADE AOS NOSSOS DIAS - JOSÉ AZEREDO PERDIGÃO É UM DESSES RAROS ESPÍRITOS 



 
Da extensa entrevista, que me concedeu, apenas breves minutos foram transmitidos na Rádio Comercial, onde era repórter. Veja   como ele conheceu Calouste Gulbenkian e o que ele pensava sobre o futuro da mais importante fundação de Portugal - Hoje, bem diferente do que foi: extinguiram a Companhia de ballet e venderam o Palacete de Paris, uma das maravilhas arquitectónicas, que fora a residência de Gulbenkian - possivelmente para eventual jogada financeira.


"EU NÃO SOU VELHO, SOU ANTIGO!... QUE É UMA COISA DIFERENTE"
(...) JTM - Uma vida ligada à fundação, a muita coisa, a muita actividade: valeu a pena o que fez? 

JAP - Se eu pudesse ou tivesse a possibilidade de retornar a viver, eu faria as mesmas coisas mas com menos erros, evitando os erros com a experiência que a vida me deu.
São tantas as coisas que eu desejaria fazer e não posso fazer, mas não quero mostrar-me excessivamente ambicioso ou excessivamente ingrato com a sorte que o destino me deu, porque me permitiu realizar algumas coisas que outros não tiveram a sorte de o fazer.
Eu tenho na realidade de agradecer, digamos, a Deus, o dar-me capacidade e os meios de eu poder ser útil ao meu semelhante durante os anos de vida longos que eu já tenho.

JTM - Vai fazer 91 anos em 19 de Setembro. Aqui à frente de uma secretária com muitos papéis, muitas coisas, muitos livros! Ainda a escrever com essa acuidade mental!...Com essa garra?... Com essa força?!... Como é que explica, essa sua força, essa sua longevidade! Mercê de alguma disciplina interior?...como é que explica tudo isso?...


"EU NÃO SOU VELHO, SOU ANTIGO!... QUE É UMA COISA DIFERENTE"
(...) JTM - Uma vida ligada à fundação, a muita coisa, a muita atividade: valeu a pena o que fez? 

JAP - Se eu pudesse ou tivesse a possibilidade de retornar a viver, eu faria as mesmas coisas mas com menos erros, evitando os erros com a experiência que a vida me deu.
São tantas as coisas que eu desejaria fazer e não posso fazer, mas não quero mostrar-me excessivamente ambicioso ou excessivamente ingrato com a sorte que o destino me deu, porque me permitiu realizar algumas coisas que outros não tiveram a sorte de o fazer.
Eu tenho na realidade de agradecer, digamos, a Deus, o dar-me capacidade e os meios de eu poder ser útil ao meu semelhante durante os anos de vida longos que eu já tenho.

JTM - Vai fazer 91 anos em 19 de Setembro. Aqui à frente de uma secretária com muitos papéis, muitas coisas, muitos livros! Ainda a escrever com essa acuidade mental!...Com essa garra?... Com essa força?!... Como é que explica, essa sua força, essa sua longevidade! Mercê de alguma disciplina interior?...como é que explica tudo isso?...

JAP - Eu não posso explicar a longevidade, que não depende de mim... Agora o que eu procuro é não praticar atos que possam direta ou indiretamente reduzir-me o tempo de vida. Sou uma pessoa disciplinada... mas nem por isso, por ser disciplinado, deixo de fazer tudo aquilo que me agrada e tudo aquilo que devo realizar



JTM - Mas... desculpe-me a pergunta: deve-se também a alguma dieta especial ou aquele sono, enfim, àquelas horas de se deitar sempre em determinado período ou isso tem a ver com uma força espiritual interior?

JAP - Sou um indisciplinado! mas simplesmente tenho uma disciplina interior, sim, mas na vida, na maneira de ser, na maneira de me conduzir, eu não posso ter disciplina, não posso ter programas; as circunstâncias é que me dominam, as circunstâncias é que me forçam e as circunstâncias é que me orientam!

JTM - A nível de dieta: pratica alguma dieta especial?
JAP - Não pratico dieta nenhuma especial! Eu sou uma pessoa normal, modesta, simples... Tenho uma vida simples!... Simplesmente trabalhosa!

JTM - E a nível de desporto: chegou a praticar algum desporto?


JAP - Quando jovem pratiquei vários desportos... até joguei futebol!... Fiz esgrima...Montei a cavalo... Ainda hoje, se tivesse tempo, por exemplo de montar a cavalo, ainda hoje montava a cavalo. Me sentia com forças de montar a cavalo!
JTM - Isso é realmente espantoso!... Porque, há pessoas, que aos sessenta ou setenta anos, ficam velhas!... Envelhecem!..
JAP - Bem vê... eu costumo dizer quando me perguntam a idade que tenho – eu não digo a idade que tenho, porque não quero gabar-me da idade que tenho – eu não sou velho!... Eu sou antigo! que é uma coisa diferente!...Faço uma distinção entre a antiguidade e a velhice: eu pertenço à categoria dos antigos!.. E não à categoria dos velhos!

.DEZ HORAS POR DIA A TRABALHAR, QUE NÃO DÁ PARA LER TODA A CORRESPONDÊNCIA QUE RECEBE.


JTM - Ser velho, é digamos, é ser velho em espírito! É já não fazer coisas... é deixar passar o tempo!...
JAP - Pois é... Eu não!... Eu continuo a trabalhar em média dez horas por dia..
JTM - Neste momento, está a escrever algum livro?
JAP - Não tenho tempo para escrever livros...O tempo falta-me até para responder às cartas que me escrevem.
JTM - Cartas?!...
JAP - Sim!... Eu recebo centenas de cartas por mês!
JTM - E responde a todas a essas cartas?!...
JAP - Não respondo a todas mas respondo à maior parte..
JTM - Nesta altura, a sua maior atenção vai para essa toda correspondência e, naturalmente, aqui para a Administração da Fundação?
JAP - É a Administração da Fundação Gulbenkian que, no fundo, me absorve toda a minha atividade... tudo se centraliza na Fundação Gulbenkian... Hoje a minha vida é esta cadeira, onde estou sentado e todas as atividades que emergem dos despachos que eu dou e das relações com o Conselho de Administração que eu presido

JTM - -Digamos, tem sido uma vida inteiramente votada à Fundação!.. Ou pelos menos substancialmente votada à Fundação.
JAP - Não!... Antes da Fundação eu tive outra vida, que foi da advocacia.
JTM - Quero-me referir desde que entrou para a Fundação.
JAP - Exclusivamente dedicado à Fundação Gulbenkian. Mesmo pelos estatutos da Fundação...Pelo testamento do Sr. Calouste Gulbenkian, eu não posso exercer qualquer outra atividade lucrativa, além da Presidência da Fundação Gulbenkian... Razão porque eu cancelei a minha inscrição como advogado. Hoje sou advogado honorário mas sem exercer qualquer atividade profissional

CALOUSTE GULBENKIAN - UM HUMANISTA E UM AMIGO DE PORTUGAL
JTM - Conheceu esse grande homem!...O fundador desta Fundação: uma palavra para esse homem... Nunca é por demais sublinhá-lo. 

JAP - É um homem que eu conheci como meu cliente... Convivi com ele durante o tempo em que aqui esteve até falecer. Eu considero-o uma pessoa superior, em todos os sentidos! Na inteligência!.. Na da ação! Mesmo na generosidade!.. Porque, o facto de ele ter constituído esta Fundação, é uma prova do seu espírito humanista!... Ele era, sem dúvida, um humanista!

JTM – Um amigo de Portugal!..

JAP - Sim!... Muito!... Ele simpatizou com Portugal... Ele veio para aqui para estar, simplesmente, uma semana ou duas semanas em período de repouso... e foi ficando... Foi prolongando... E aqui esteve uns poucos de anos até morrer... Porque acabou por morrer em Portugal... A prova evidente que o nosso meio, o meio social, o meio político e económico lhe agradavam!... Ele sentia-se bem aqui, assim...

JTM - Adotou o país como pátria sua!


JAP - Sim, adotou o país... É difícil saber qual era a pátria dele... Porque ele era arménio de raça...Nasceu na Turquia!... Tinha o seu domicílio em Paris e estava naturalizado inglês. Por isso, já vê que é difícil dizer-lhe a pátria dele...Veio viver para Portugal... Suponho eu, com a intenção de poder repousar... Foi no período da guerra, não é verdade...em que a França foi ocupada... A França foi ocupada e depois foi dividida em França livre e França ocupada... O governo de Pétain veio paraVichy e ele entendeu que devia ir para Vichy . Esteve em Vichy algum tempo ... Havia naturalmente dificuldades em Vishy...Estavam em guerra... e pensou em vir para um país, no sul da Europa, que estivesse em paz... E escolheu Portugal. E veio, digamos, para um período de férias!... E, afinal, interessou-se por nós... Achou-se bem... Foi bem acolhido!... Foi bem acompanhado por bons médicos. Porque foi uma das coisas muito importantes, a confiança que ele tinha nos médicos... Porque ele preocupava-se muito com a sua saúde... Ele teve aqui médicos muito bons.. Quero citar um nome que é Fernando do Fonseca , já falecido e que foi realmente uma das figuras notáveis da medicina portuguesa, um dos médicos do Sr. Calouste Gulbenkian(não foi único!), mas foi um deles.... Foi um conjunto de circunstâncias... A paz pública! Que nós gozávamos aqui em Portugal... isso encantava-o!

JTM - O Sr. Dr. conheceu-o no principio da sua vida aqui?...

JAP Imediatamente... Se não foi no próprio dia, foi um dos dois dias imediatos...
JTM - Foi consigo que ele tratou a criação da Fundação?..

JAP - Foi comigo que ele tratou a criação da Fundação Gulbenkian... Não admira... pois era o seu advogado... Era o seu consultor jurídico... E, consequentemente, ele necessitava de um consultor jurídico para criar um Fundação em Portugal...

"O RISCO DA FUNDAÇÃO ACABAR EM CONSEQUÊNCIA DE UMA CARÊNCIA DE MEIOS FINANCEIROS, NÃO EXISTE"

JTM - Quando o projeto apareceu era um projeto menos ambicioso ou que foi galgando, foi tornando-se forte com o tempo?...

JAP - Eu estou convencido que no espírito dele a Fundação talvez não tivesse a dimensão que ela tem hoje!... Eu pergunto a mim próprio se porventura me tivessem perguntado quando a Fundação foi constituída, se ele teria o desenvolvimento e a dimensão que hoje tem, eu diria que não.
Os fundos.... Naturalmente, que, à primeira vista, com estas despesas todas, faz-nos criar aquela dúvida ou pelo menos a interrogação: será que os fundos darão para que a Fundação possa viver muitos anos?... Ou eles terão seu limite?

Uma das minhas preocupações foi precisamente assegurar a continuidade, digamos assim, a perenidade da própria Fundação... Esse risco de a Fundação acabar em consequência de uma carência de meios financeiros não existe.


JTM - Portanto, é questão que não se põe no seu espírito!.. Esse risco não existe!...
JAP – Porque a Fundação está bem assegurada!... A Fundação tem realmente um património que garante a sua sobrevivência...

JTM . Para muito!... Muito tempo!...

JAP - Por muito tempo...nunca se sabe... Nada é eterno!... E sobretudo nós não podemos prever como evoluem os investimentos que ele tem... A sua fortuna...Como evoluem esses investimentos. Onde é que as coisas em que ele investiu podem realmente ser produtivas ou deixar de ser produtivas... ou extinguirem-se mesmo.. É um contingente na vida moderna, que nós não podemos ter a certeza de sobreviver física e economicamente...

JTM - O importante é sublinhar o que se fez!...que foi imenso! Que foi bastante...em vários domínios: na cultura, na ciência, na saúde e noutros sectores de atividade. E, Portugal, teria naturalmente enfrentado algumas dificuldades se não fosse o apoio da Fundação?

JAP - É evidente que a Fundação da Gulbenkian tem ajudado a resolver alguns problemas da vida nacional... Mas, se a Fundação não existisse, os governos encontrariam outros meios para resolver essas dificuldades... É claro que a Fundação Gulbenkian tem feito muito... Mas, não quer dizer que, se a Fundação não existisse, não encontrasse para os mesmos problemas, soluções, talvez até soluções melhores

(Nestas duas imagens  -  o autor da entrevista)


(.....) Nunca pensei em que a Fundação Gulbenkian se substituísse ao Governo, nem se imiscuísse na governação pública. A Fundação Gulbenkian tem tido sempre uma independência total do Governo, uma independência colaborante, mas nunca uma dependência.

Na mesma entrevista (igualmente gravada) foram ainda colocadas questões sobre o apoios da Fundação aos novos países de expressão portuguesa e as comemorações dos descobrimentos, entre outros temas. Em of contou-me que a Fundação Gulbenkian chegara a emprestar dinheiro ao governo de Oliveira Salazar para evitar a banca rota.



DEPOIS DA SUA MORTE TUDO MUDOU ... E PARA PIOR - DANTES HAVIA MAIS CRIATIVOS E ARTISTAS - VIAM-SE SAIR E ENTRAR, PELAS PORTAS DA FUNDAÇÃO GULBENKIAN, MÚSICOS E BAILARINOS, QUASE DE MÃOS DADAS: AGORA VÊM-SE MAIS CARROS ESTACIONADOS DE EXECUTIVOS E EXECUTIVAS

 Dir-se-ia que a sua vida estava intrinsecamente ligada ao crescimento e à morte das plantas e das flores. Cuidavam dos jardins com o mesmo carinho e esmero como se sentissem parte da mesma casa e do mesmo património. Até os patos os reconheciam e grasnavam, quando passavam junto dos lagos. - Creio que, desde o mais humilde servidor, jardineiro, contínuo, vigilante, escriturário, músico ou artista, consultores jurídicos, económicos ou culturais, Directores do Museu e Centro de Arte Moderna, das Bibliotecas, Orquestra e do Ballet, aos mais destacados corpos gerentes da sua administração, ao seu Presidente, se sentiriam unidos na mesma grande família, verdadeiramente irmanada e empenhada em honrar os propósitos do grande patriarca Calouste Sarkis Gulbenkian 
Extinguiram a Companhia de Ballet (Fundação Gulbenkian extingue Ballet) e venderam uma das maravilhas da Fundação Gulbenkian, em Paris - Autênticos crimes Lesa-Património, Lesa-Humanidade

A MELHOR HOMENAGEM ERA TEREM SABIDO PRESERVAR O QUE ELE LEGOU E NÃO É ISSO QUE SE VÊ

Setembro do16 - Homenagem a Azeredo Perdigão A 19 de Setembro assinalam-se os 120 anos de nascimento de José de Azeredo Perdigão, que presidiu à Fundação Calouste Gulbenkian desde a sua criação, em 1956, até à data da sua morte, em 1993. A inauguração de um novo busto no edifício da Coleção Moderna, uma conferência, com a participação de dois antigos presidentes da República, e um concerto com o Coro e Orquestra Gulbenkian, são alguns dos momentos da homenagem preparada pela Fundação ao seu primeiro presidente. https://gulbenkian.pt/wp-content/uploads/2016/05/NL_FCG179web.pdf



VENDERAM O PALACETE, QUE FOI A RESIDÊNCIA DE CALOUSTE GULBENKIAN - DESCONSIDERANDO A SUA MEMÓRIA 


- Argumentam os mesmos  do desaparecimento o Ballet Gulbenkian que a venda do histórico imóvel, serviu para cobrir a abertura de instalações mais modernas e ao lado de outras do mesmo género, mas onde a concorrência é bem maior e cujo local jamais poderá superar a importância da mais bela obra arquitetónica, situada no 51 Avenue d'Iéna 75116 Paris, France coração do histórico Paris, onde desde há quase meio século, esteve instalado o Centro Cultural da Fundação Gulbenkian - Agora, que fizeram a negociata, e cometeram a suprema barbaridade, andam por lá, pelas ditas novas instalações, armados em velhas e azougadas carpideiras, com badaladas exposições emMemória do sítio


Se, José de Azeredo Perdigão, por um eventual ou hipotético milagre divino ressuscitasse do jazigo onde repousam os seus restos mortais e visse o que resta da herança que legou, a mesma que, com tão inexcedível zelo, carinho e dedicação teve a seu cuidado, assumindo dignamente a Presidência do Conselho de Administração, cargo com o qual soube sempre honrar o nome, o espírito humanista e visionário do seu fundador, Calouste Gulbenkian , estou certo que, por tão desiludido, por tão profundamente dececionado, perderia imediatamente os sentidos e, regressado à plena consciência, depressa desejaria voltar ao reino dos mortos, à tranquilidade dos que morrem mas cuja memória jamais se apagará na vida dos que estão acima da mediana e trivial mentalidade material, hipócrita e egoísta.



OXALÁ NÃO ACONTEÇA AO Coro e Orquestra Gulbenkian O QUE FIZERAM AO BALLET

Hoje a vida da Fundação é uma pálida imagem dos tempos áureos em que era dirigida por José Azeredo Perdigão. Basta dizer que os jardins eram cuidados por jardineiros,  pagos directamente pela própria fundação. 


ABANDONOU-SE O CENTRO ARTÍSTICO INFANTIL – ONDE AS CRIANÇAS APRENDIAM A ARTE PARA DAR LUGAR A UMA CAFETARIA DE LUXO

Antes existia lá um centro artístico infantil, onde as crianças aprendiam os primeiros rudimentos artísticos, agora encontra-se lá instalada mais uma cafetaria, onde uma chávena de chá lhe custa 2 euros, ou seja – Ao oportunismo liberal consumista, onde poder extrair lucro, nada escassa- Para disfarçar, puseram à dita Cafetaria- geladaria, o nome pomposo de Centro Interpretativo  Gonçalo Ribeiro Teles

Fica sitiado unto à entrada lateral para a “Fundação, pela Av. Marquês Sá da Bandeira, no local onde antes funcionara o Centro Artístico Infantil (conhecido por “Centrinho”), desocupado há mais de dez anos, está a nascer um novo projeto que alia um centro de informação multimédia sobre o Jardim, dirigido a todos os públicos, a um espaço de lazer onde os visitantes poderão deliciar-se com um gelado no verão ou uma bebida quente no inverno. O horário de funcionamento deste novo equipamento acompanha o do Jardim: das 10h às 19h. Jardim com centro interpretativo e nova esplanada



Os jardins da Fundação Gulbenkian foram concebidos por bons mestres: os arquitetos paisagistas António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Teles. E creio que, pelo menos enquanto o Dr. Azeredo Perdigão foi presidente, houve o cuidado de ser fiel à sua conceção naturalista – mas também humanista – dos seus autores. E essa harmonia foi mantida, porque havia os chamados jardineiros da casa. E agora já não há.
 
Hoje não me parece que seja assim: tanto pode lá estar amanhã um Manuel como no dia seguinte um Joaquim. E se calhar noutros serviços acontece a mesma coisa.

Fala-se num projeto de recuperação - e não é sem tempo. Quem o diz é um dos autores do Jardim, o arquiteto Ribeiro Teles. "O projecto tem por objectivo defender e recuperar a forma e conceção que presidiu à realização do Jardim, consolidando a sua estrutura ecológica, valorizando panorâmicas, abrindo novos caminhos e lugares amenos de estar" In.Os jardins da Fundação Calouste ... - Urbe - Revista Electrónica



DE ROTEIRO DA ARTE A ROTEIRO DO ENGATE -

POIS "sexo explicito só na gulbenkian!
" In.Bares e discotecas LGBT em Lisboa/Arredores. O pior é que, atrás do engate, vai muita bicharada... "Sítios gay-freindly há vários... (...) os jardins da Gulbenkian, o Castelo de S.Jorge, o Miradouro da Graça, o Chiado (...), a Bica, resumindo, sítios onde estejam as pessoas com mentes mais abertas". In Espaços gay friendly em Lisboa. Onde?, "Junto a Gulbenkian... no Corte Ingles...junto ao Hospital Curry Cabral no estacionamento da Rua Beneficência" - In locais públicos em lisboa.. "sítios homossexuais em lisboa..... a não ser que penses ter mesmo sexo explicito na gulbenkian!" In.Bares e discotecas LGBT em Lisboa/Arredores...

POLICIAMENTO NÃO FALTA - A PARTIR DA CINCO DA TARDE É REFORÇADO - OS POLICIAS DIZEM QUE É UM LOCAL TRANQUILO -


António Ramos Rosa - Era um dos frequentadores dos jardins da Gulbenkiam, pelo menos enquanto morou na Rua do Bocage - Numa das imagens, sentado num banco  em profunda reflexão, tranquilamente e como que abstraído do mundo e, noutra oportunidade,  junto a um dos velhos eucaliptos.
.

Estar Só é Estar no Íntimo do Mundo
Por vezes cada objecto se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma plantaé estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo


António Ramos Rosa


LUGARES ÚNICOS E ÍNTIMOS DO MUNDO, TENDEM A DESAPARECER - 

Pois bem,
dos tais jardineiros que por lá cresciam e envelheciam, como que seguindo o mesmo curso das plantas em cada estação do ano, apenas encontrei um deles, que não deixou de me falar das saudades, que lhe vinham ao pensamento de outros tempos, de um outro espírito do lugar e camaradagem:



José Henrique de Azeredo Perdigão

 Viseu - 19 de Setembro de 1896 — Lisboa, 10 de Setembro de 1993
Funcionário n.º 1 da Fundação Calouste Gulbenkian e seu presidente vitalício entre 1955 e 1993, ano em que faleceu com 97 anos.

Natural da Casa do Miradouro, em Viseu (19 de Setembro de 1896) filho de José Cardoso Perdigão e de sua mulher Raquel de Azeredo, licenciou-se em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e pós-graduou-se em Ciências Jurídicas, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. No ano de 1919 estabeleceu-se como advogado em Lisboa e, a 26 de Julho de 1920, casou pela primeira vez com Alice Raquel Xavier Dantas da Silva, da qual teve um filho e uma filha. Foi um dos advogados mais solicitados do seu tempo em Portugal. Participou em alguns dos maiores processos civis, criminais e comerciais, ganhou fama de implacável e era pago a peso de ouro.

Democrata republicano participou na fundação, com Raul Proença, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro, Raul Brandão, Faria de Vasconcelos e outros, a revista Seara Nova, onde publicou diversos estudos e comentários sobre economia. Além de exercer a advocacia, deu aulas e regeu cadeiras em várias universidades, publicou numerosos trabalhos. Exerceu funções públicas como conservador do Registo Predial, fez parte do Conselho Superior Judiciário, pertenceu ao Conselho de Administração do Banco Nacional Ultramarino e de outras empresas, foi presidente da Assembleia-Geral do Banco Fonsecas, Santos & Viana e da Sacor, e presidente da Assembleia-Geral e do Conselho de Auditoria do Banco de Portugal. Em 1942 conheceu o milionário e filantropo Calouste Gulbenkian (que escolheu Portugal como refúgio durante a Segunda Guerra Mundial), que impressionou, sendo contratado como seu assessor jurídico. Em 1948 Gulbenkian decidiu fazer o seu testamento, para dar destino à sua fabulosa colecção de arte, e a sua confiança em Azeredo Perdigão foi decisiva para a criação da futura fundação em Portugal, que negociou as condições mais favoráveis com o governo português. A 8 de Julho de 1949 falecia a sua primeira mulher Alice Raquel Xavier Dantas da Silva. Calouste Gulbenkian morreu em 1955 e, após uma batalha jurídica entre com Cyril Radcliffe, o advogado inglês do milionário, Azeredo Perdigão venceu e foram aprovados os estatutos da Fundação Gulbenkian, a 18 de Julho de 1956, com sede em Portugal. Azeredo Perdigão não queria a interferência de Salazar na fundação e consegui essa independência, pois o Presidente do Conselho, que não gostava das suas opiniões políticas, também não duvidava do seu patriotismo e acreditava que ele defendia os interesses nacionais. Azeredo Perdigão foi nomeado presidente vitalício da Fundação Calouste Gulbenkian e, desde então, abandonou a sua actividade de advogado para se dedicar inteiramente à fundação, sendo nessa ocasião homenageado pela Ordem dos Advogados Portugueses.José de Azeredo Perdigão 

José Henrique de Azeredo Perdigão
Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa e pós-graduado em Ciências Jurídicas pela Universidade de Coimbra. Foi doutor honoris causa em Direito pelas Universidades de Coimbra, do Porto, Nova de Lisboa, Baía, Rio de Janeiro e São Paulo, em Artes pelo Royal College of Arts de Londres, em Ciências Humanas pela Universidade de Southeastern (EUA), em Humanidades pela Universidade de Sophia (Japão) e em Arquitectura pela Universidade Técnica de Lisboa.

(…) Foi sócio de mérito da Academia Nacional de Belas-Artes e da Academia Portuguesa de História, entre outras instituições. Foi governador da Fondation Européenne de la Culture.  -Chanceler das Ordens de Mérito Civil, foram-lhe atribuídas numerosíssimas condecorações nacionais e estrangeiras, entre elas as grã-cruzes portuguesas da Ordem da Torre e Espada, da Ordem de Cristo, da Ordem do Infante D. Henrique e da Ordem do Mérito. Foi membro do Conselho de Estado. Azeredo Perdigão


O QUE SE DIZ SOBRE A ADMINISTRAÇÃO DE JOSÉ AZEREDO PERDIGÃO E DAS ADMINISTRAÇÕES QUE LHE SEGUIRAM 

"Os grandes vultos de Azeredo e Madalena Perdigão foram os motores de uma instituição com um prestígio e dignidade notáveis. O amor pelas pessoas e pela cultura de Azeredo Perdigão obrigava a preços muito económicos nos concertos, Perdigão se visse pessoas à porta do grande auditório sem bilhete, muitas vezes jovens sem dinheiro, dizia aos porteiros: “deixem entrar toda a gente, não fica ninguém à porta na Fundação Gulbenkian”. Longe estão os dias de Azeredo Perdigão, longe está a elegância e a qualidade do homem que fez da instituição o verdadeiro ministério da cultura de Portugal. Hoje em dia a administração da Gulbenkian decide acabar com um património, que já não é pertença de uma instituição mas universal, de um dia para o outro, sem reflexão pública, de forma autoritária e como se tratasse de uma empresa que se quer deslocalizar. O respeito pelo público e pelos artistas foi o primeiro património a desaparecer o que se seguirá?" Gulbenkian - memória - Crítico.

"A Fundação tem recrutado para a sua Administração gente oriunda da vida política e "banqueiros" (melhor seria dizer gestores bancários): Isabel Mota, Teresa Gouveia, Marçal Grilo, André Gonçalves Pereira, Artur Santos Silva, Diogo Lucena, Rui Vilar. Nenhum destes gestores tem a menor sensibilidade ou currículo académico na área cultural." Gulbenkian- uma nota - Crítico

(...)o Ballet Gulbenkian já não pertence a 9 membros de um conselho de Administração, pela sua história já é um património Português e Mundial. Pelo facto de uma Fundação ser privada não lhe assiste o direito moral para a destruição gratuita de algo que é de todos. Existem limites para a barbárie Ballet Gulbenkian - Contrariar o Medo De Existir - Crítico



 Jorge Trabulo Marques
Jornalista