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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Mário Cesariny – A foto inédita do poeta surrealista da rebeldia e da insubmissão (que abominava as grilhetas sociais, morais, sexuais, ideológicas) autor da “Pena Capital” no dia em que foi protestar empunhando um cartaz no hole do antigo Cine-Teatro Éden, de Lisboa, contra “necrofilia do poder” que se preparava para o entregar ao Grupo Amorim e fazer ali um hotel – Protesto atual e numa altura em que passam 7 anos sobre a sua morte












       
Esta é também a minha singela homenagem - Com a publicação de uma foto inédita de um protesto insólito de Mário Cesariny e a recordação de um poema escrito na  madrugada seguinte à noite  da sua partida - Editado em 2008 noutro site, na qualidade de Luis de Raziel  -  Ou só Pessoa podia ter os seus heterónimos? 



"A NECROFILIA DO PODER VEM APLAUDIR A PRÓXIMA DESTRUIÇÃO DO MAIOR  E MELHOR APETRECHADO TEATRO QUE SE CONSTRUIU EM PORTUGAL  - Protesta Mário Cesariny


1989 - Nesse dia, decorria o lançamento do livro  as IlhasSophia de Mello Breyner Andresen– Mas, Mário Cesariny , quis aproveitar o concorrido evento para se insurgir contra a "necrofilia do poder"  - Sim, que se preparava para o entregar ao Grupo Amorim e ali  fazer um hotel.  - Era de tal modo o aperto, no 1º piso, que, não podendo fazer o apontamento para a Rádio Comercial (mas sobretudo pelo facto da autora do “Nome das Coisas”, não dar mostras de  grande disposição  para entrevistas), resolvi descer – Nisto, ao chegar ao fundo das escadas, deparo com o poeta e meu grande amigo Cesariny, ostentando um cartaz por entre as  duas mãos, sem contudo esboçar  uma palavra, o qual  ao ver-me, sorri e  pergunta-me: “tens aí a maquineta?”...Sim, porque já não era a primeira vez que,  encontrando-me às desoras da noite pelos Restauradores, ao vir da minha estação de rádio, me fazia a mesma pergunta para me debitar o poema que lhe vinha cabeça, acabado de brotar e não se perder - Ainda possuo uma cassete com um desses maravilhosos versos, como que arrancados do fundo de uma avenida imersa por uma neblina fria e densa de Inverno.  A que eu prontamente respondo: “Tenho duas! O gravador e a máquina fotográfica”   -

Porém, antes de me aproximar para lhe ouvir de viva voz a as razões pelas quais ali se plantara com aquele cartaz, faço-lhe uma fotografia, passando a máquina fotográfica a um amigo, que viera comigo para assistir ao  referido lançamento e me fotografa de microfone empunhado.

 Entretanto, o poeta deu-se por satisfeito – Até porque, um zeloso funcionário, barafustando e tomando-o como louco, se apressara a correr para a rua a chamar um polícia. – E o agente, só não lhe pegou pelo braço, por me ver com o microfone apontado para ele. Claro, não voltei a subir as escadas – Tinha o dia ganho – Havia repórteres que entretanto continuavam a subir e a descer as escadas mas nenhum lhe prestou  atenção – Tal como outras pessoas que ali se encontravam.  tanto mais que era um protesto, vistoso mas ao mesmo tempo silencioso. Ele não ia às televisões, procurava passar despercebido nos seus “engates”, na intimidade da sua vida pessoal de poeta  e não desejava que fosse incomodado. Naquela altura, ainda não era reconhecido pelo grande público e, nomeadamente,  por aquela  gente (dos media) que só ia atrás de quem aparecia frequentemente na RTP 

DE FACTO, AQUELE FOI O DIA DO FUNERAL DA MAIS EMBLEMÁTICA SALA DE TEATRO LISBOETA
"A origem do Cine-Teatro Eden, situado na zona nobre dos Restauradores, remonta a 1902 quando Albert Beauvelet, um comerciante de automóveis, alugou as antigas cocheiras do Palácio Foz. (..) No entanto, o Éden iria decair com o passar do tempo para no último dia de 1989 transmitir o derradeiro filme: "Os Deuses devem estar loucos II".

Após ter sido adquirido pelo Grupo Amorim, este edifício transformou-se no Hotel Éden, albergando a Virgin Megastore (quem não se lembra da inauguração com a presença das Spice Girls?) que iria encerrar as portas pouco tempo depois. Logo a seguir, este espaço seria ocupado pela Loja do Cidadão, mantendo essa função actualmente. Eden: o "gigante" dos Restauradores… Cassiano Branco 



Homenagem igualmente prestada pelo autor deste site, com fotos pessoais ao poeta e pintor, auto-retratos nas personagens de Luis de Raziel e de Peregrino da Luz , bem assim a reprodução de um poema escrito na madrugada seguinte à morte de Mario Cesariny






















Foto registada em  2005





.












OS
 MÚSICOS E OS POETAS NÃO MORREM,
MESMO QUANDO CHEGADA A HORA,
A MORTE LHES FECHA OS OLHOS.

Cesariny já não faz parte dos vivos.
Morreu ontem ás 5, 30 da manhã, em sua casa!
Ainda o estou a ver…
Quando à mesma hora desceu a avenida da Liberdade
Em madrugada fria de Dezembro.






Madrugada já perdida
No silêncio do tempo.
Esquecida na memória dos dias.
Boina na cabeça.
Grossa gabardina de gola alta, cingida ao corpo,
Cascol escuro enrolado ao pescoço.
Defendiam –no da frieza húmida da noite.
Andar calmo e discreto.
Não de alguém que por ali deambulasse, sem destino
Ou por ali derivasse, sem propósito, nem rumo definidos.






Antes de o reconhecer, pelo mesmo passeio que sigo,
Evolui vulto que mal se destaca na névoa, tingida a
oiro turvo pela luz escassa, que a luz pública
mal divisa e distingue.
Estranho e dormente é também o silêncio
que só de vez em quando, é interrompido
por escassos carros que vão passando.
eles mesmos, lembrando, por vezes,
vagarosas silhuetas, difusas,
vindas de largas ruas
de alguma cidade fantasma!



Mas o que vejo é Cesariny,
nítido e inconfundível, na figura,
no andar seguro e tranquilo, no sorriso maroto
de uma inocência nunca perdida,
que a idade parece ter preservado intacta..


Aí está ele! Cabeça levantada. Olhar em frente,
Olhando, horizontalmente, à linha mal iluminada do passeio.
Estilo de ave a quem ninguém impede o voo
de animal selvagem, sem rédeas nem freio.
No passo certo carrega o saber para onde vai,
a indiferença ao caminho, a ausência de embaraço inoportuno,
como quem não trás nada sobre os ombros, o incomode:
nem peso em que vá derreado nem a própria gravidade..













.




Vetustos edifícios da antiga avenida,
árvores nuas, descarnadas,
imergem no nevoeiro que tudo ofusca.
Ambiente monótono, estranho! sem vivalma
nas horas de abandonar bares e discotecas, nem partidas
para outras aventuras na vertigem do cio.
A espessa atmosfera, transfiguração em espiral contínua,
confunde e disfarça - Mesmo sem o convite,
persistem o belo e o mistério.













Já lá vão uns anos – mais de vinte ! –
Oh Meu Cesariny! Como o tempo corre?
Como a vida foge! - E, todavia,
até parece que foi ontem! - Um repórter de rádio,
pequeno gravador na mão, atrás do imprevisto,
do inesperado, vagueando na solidão da noite húmida e fria,
quase despovoada de vida e de luz, na mira de algo
que valesse uma noite perdida! - E, um poeta, ateado pelo fogo
e a rebeldia dos seus mais cruéis demónios, fidelíssimos amantes
de inspiração altíssima nas horas mais solitárias e incandescentes,
tocado pelos deuses de Olimpo: Hermes, Apolo e Dionísios
- de quem era ao mesmo tempo enteado e dilecto mensageiro,
atraído pelas tentações e volúpias de uns e outros,
qual viajante solitário em busca de “ palavras
e nocturnas palavras gemidos,
palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever”..


















Oh, sim, o inseparável apaixonado “dos braços dos amantes”
que “escrevem muito alto” 
Muito além do azul onde oxidados morrem”
O insólito sonâmbulo que vai peregrinando, sem âncora
e sem bússola, de olhos fechados, mas com um grande à-vontade
de quem já trata por tu as avenidas, ruas e os mais discretos becos,
esventrando, por instinto nato, os seus mais recônditos recantos,
fazendo deles o centro do mundo,
e que, tão depressa neles é visto e aparece
aureolado com o brilho de uma estátua em jardim iluminado,
como, imediatamente, se transfigura e funde
ou, mesmo, como súbita névoa que ao pousar
se dilui na atmosfera e no ar desaparece!

.



















Vale a pena, pois, rever os passos de tão singular figura!
Passeando-se, com a subtileza de um mago,
ou com a altiva nobreza de um Príncipe encantado,
por lugares proibidos – devassando
os escombros das “sombras
que têm exaustiva vida própria”.
Indiferente às aparências, ao escárnio severo,
alheio aos múltiplos perigos e maledicências
que, nas horas mortas, no pico das horas
mais furtivas e silenciosas,
poderão reaparecer ou ressurgir
quando menos se espera: no dobrar de cada esquina
ou num passo mais em falso ou descuidado! Desafiando
convenções sociais, a censura alheia,
não se importando “de ser visto
na companhia de gente
altamente suspeita!”

.









Meu Caro Cesariny:
Como sabe, na vida há um tempo para tudo:
Há-o para o amor, a sensualidade, a poesia - para tudo
há o tempo que o homem quiser fazer enquanto for vivo.
E, também, após a morte! – há um tempo para o repouso absoluto!
- Este agora é o seu tempo! O do indomável guerreiro
ter também o justo descanso! – O do luminoso poeta ,
ao descer, lentamente, à Terra, que o criou,
subir, em espírito e, talvez também, em corpo inteiro,
imediatamente ao Céu!
















E, quanto a mim, amigo:
o meu tempo, pelo menos, por agora,
a estas tardias horas da madrugada,
em que a memória de novo me faz recuar
àquela fria noite de Dezembro,
é a de um longo momento de sentida emoção:
- tão só para recordar o belo poema,
os lindos versos, ditos palavra a palavra,
que tive o privilégio de gravar,
tal qual acabavam de ser criados,
por um inesperado poeta que, ali,
imerso em nevoeiro e névoa, quase irreal,
os dizia, com a mesma expressão
sublime e sagrada de quem diz uma oração!
(jtm)
Lisboa, 27 de Novembro de 2006


Lembra-te

Lembra-te 
que todos os momentos 
que nos coroaram 
todas as estradas 
radiosas que abrimos 
irão achando sem fim 
seu ansioso lugar 
seu botão de florir 
o horizonte 
e que dessa procura 
extenuante e precisa 
não teremos sinal 
senão o de saber 
que irá por onde fomos 
um para o outro 
vividos 

Mário Cesariny, in "Pena Capital"

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mário Cesariny - Exposição homenagem na Perve Galeria 7 anos depois do voo do pássaro nos ter deixado - Cruzeiro Seixas, Eurico Gonçalves, entre outras figuras das artes e das letras, associaram-se à efeméride -

(não deixe de ver a postagem seguinte sobre a foto inédita de Mário Cesariny yhttp://www.vida-e-tempos.com/2013/11/mario-cesariny-foto-inedita-do-poeta.html)











Completam-se hoje sete anos sobre a morte de Mário Cesariny - do poeta e do pintor surrealista. "26 de Novembro, dia exato em que passam 7 anos sobre a data da morte de Mário Cesariny, a Perve Galeria de Alfama inaugurou o 2º polo expositivo da mostra inaugural da Casa da Liberdade com a exposição “HOMENAGEM A CESARINY”(patente até 21 de Dezembro). A exposição de evocação contou com a intervenção de vários artistas que, por via da afinidade artística e da admiração nutrida por Mário Cesariny, se quiseram associar a este tributo"



A irreverência, o talento, a originalidade de Mário Cesariny, quer na poesia, quer na pintura, sim, a sua personagem, porque ele era realmente uma personagem, tanto nas palavras como nos atos, conquistaram-lhe muitos amigos e admiradores - . Era um surrealista à sua maneira, em tudo. Também tive o prazer  de ser seu amigo. Por isso, não o esqueço. E quem, das pessoas que o conheceu, deixará de se lembrar  dele?

OBRIGADO ADELAIDE

Agradeço à pintora, Adelaide Freitas, ter sido ela a dar-me conhecimento da realização deste evento. 

De facto, foi uma extraordinária surpresa. Pena, quando me falou na exposição, não ter percebido que era dedicada a Cesariny, perderam-se alguns momentos poéticos e da apresentação do 1º volume da obra “POÉTICAS PÓS-PESSOA. ANTOLOGIA DO SURREALISMO E SUAS DERIVAÇÕES EM PORTUGAL”.

 Uma edição artística bilingue, português e francês, da autoria de Isabel Mayrelles, realizada ao longo de 30 anos e assinados e numerados pelos autores – 

Todavia, ainda lá encontrei, entre outros convidados, Cruzeiro Seixas e  o  meu amigo Eurico Gonçalves, pintor e crítico de arte, juntamente com  Dalila d' Alte Rodrigues, sua companheira e também uma boa amiga

EM CESARINY NEM MORREU O POETA NEM A  SUA OBRA

Foi naquela madrugada fria de Novembro, de 26 de Novembro de 2007, que a morte o chamou no silêncio de sua casa. Os bons amigos nunca se esquecem daqueles que admiraram em sua vida  - É o caso  de Carlos Cabral Nunes,  Diretor da Galeria Perve, que resolveu recordá-lo através de duas importantes iniciativas  – Com uma  exposição coletiva de obras  de Mário Cesariny e  de outros dos  melhores surrealistas portugueses, tendo sido antecedida, no passado dia 8, com abertura da CASA DA LIBERDADE MÁRIO CESARINY.

Trata-se, com efeito,  "de um espaço artístico, polivalente, com características museológicas, que presta homenagem ao poeta e pintor surrealista Mário Cesariny de Vasconcelos. Localiza-se no centro histórico da cidade de Lisboa, em Alfama e em articulação com a Perve Galeria, que lhe é contígua, acolhe um espólio artístico e documental legado pelo artista que lhe dá nome e uma coleção que começou a ser reunida nos anos 90, constituída por diferentes núcleos temáticos, dedicados a áreas artísticas distintas. É de um espaço multifacetado que tem por base o conceito aglutinador de liberdade de Mário Cesariny e mais do que obras que se inscrevam no que se pode definir por Surrealismo ‘ortodoxo’, nesse espaço, são apresentadas obras cujo horizonte é delineado pela liberdade, seja ela formal, narrativa, epistemológica, ideológica, conceptual, política, ou religiosa.
BELÍSSIMA EXPOSIÇÃO QUE ATESTA O APREÇO QUE A DIRECTOR DA GALERIA PERVE TINHA POR CESARINY

Tive a honra de me deixar ser seu amigo e, especialmente, de me tratar como se fosse se seu igual fosse seu igual, o que era manifestamente uma enorme gentileza
Ao longo dos anos em que nos encontrávamos  com regularidade e até no penúltimo dia  da sua existência física, nunca deixou de me surpreender, capacidade criativa e alegria de viver, mesmo nos momentos mais difíceis, prova disso foi a conversa que mantivemos, nesse seu quase derradeiro momento de existência e o facto de ter querido que lhe fizesse um retrato, que se publica neste catálogo, onde aparece fumando, como que num gesto de afronta à morte próxima, querendo fazer-se acompanhar  por uma obra emblemática, a Naniora, a sua boneca Poesia, aqui em formato serigráfico, onde se pode ler um fragmento do brilhante poema  “Olho o côncavo azul” (in Pena capital). Essa obra, a original, é um dos tesouros que apresentamos nesta exposição de homenagem, a par com outras, como a maravilhosa pintura-colagem “Everything to learn 60 yeas ago”, realizada em Londres, na década de 1960” – Excerto do catálogo  HOMENAGEM A CESARINY

domingo, 24 de novembro de 2013

Um Milionário em Lisboa” – Segundo romance biográfico de Calouste Gulbenkian, por José Rodrigues dos Santos – O arménio de Constantinopla, que organizou o negócio do petróleo do seculo XX e legou uma das mais importantes fundações do Mundo - Na presença do sobrinho-neto, Micael Gulbenkian, que nos concedeu uma entrevista







Calouste  Gulbenkian – O milionário que Salazar chegou a mandar prender mas que nem por isso ficou desgostoso do país e do nosso Povo, que, aliás, o cativou, desde a primeira hora – Pois, o nativo arménio, (de raça, pois nasceu na Turquia) culto e viajado, com visão futurista, terá compreendido, desde logo,  que, Portugal, com um passado de oito séculos de história, não podia confinar-se ao medo da repressão, ao atraso cultural em que mergulhara, e, sobretudo, ao modo de ser campónio, beático e primitivo salazarista. Finalmente, aí está a segunda parte de uma excelente biografia – embora romanceada – a melhor que até hoje foi  editada – Segundo nos declarou o sobrinho-neto,  Micael Gulbenkian 

O livro que explica como o jornalista e o escritor foi à  descoberta do homem mais rico do Mundo, mostra o retrato daquele que escolheu Portugal, como  sua pátria, na qual nos legou uma das mais importantes fundações do Planeta
. – As duas imagens são da autoria da Gradiva, distribuídas à imprensa.



A sala principal do cinema do El Corte Inglês, em Lisboa, foi pequena demais, ontem ao fim da tarde,  para as centenas de pessoas que quiseram estar presentes no lançamento do segunda biografia romanceada de Calouste Gulbenkian, de autoria de José Rodrigues dos Santos, pela Gradiva  –  Sim, muitos tiveram que aguardar pela sessão de autógrafos, que decorreu, junto às bilheteiras, com filas que se prolongaram pela noite adentro. Tendo havido quem tivesse vindo, propositadamente, de Luxemburgo e outros que até fizessem questão de levar a obra completa – Um acontecimento cultural, sem dúvida, relevante, em tempos de crise.



Com um intervalo de dois meses, o jornalista e escritor, popular e emblemática figura da RTP, apresenta dois extensos e curiosíssimos livros,  misto de realidade e de ficção, sobre a vida e a obra do O Homem de Constantinopla, título com que iniciou a  descoberta do misterioso arménio, formado pelo King’s College, em Londres, naturalizado britânico, vindo afirmar-se como um dos principais pioneiros na exploração petrolífera do medio oriente – Tido como  “empresário, hábil e esclarecido” de reputado prestígio, que rapidamente se impôs, como um dos grandes financeiros  internacionais, na então chamada energia emergente. 


Num tempo em que a indústria internacional dos petróleos começava a tomar forma no fim do século XIX, o empreendedor, Calouste Gulbenkian organiza o grupo Royal Dutch, que serviria  de ligação entre as indústrias americanas e russas, dando assim o primeiro impulso à indústria na região do Golfo Pérsico – O qual, mais tarde, viria a revelar-se um importante filantropo, através da Função Gulbenkian – Instituição bem conhecida dos portugueses, pelo seu inestimável contributo  no fomento da nossa cultura, com valiosos benefícios de mecenato em várias áreas

UM MILIONÁRIO EM LISBOA –  ALICIANTE E DIVERTIDA AVENTURA PARA QUEM A ESCREVEU E A VAI LER





José Rodrigues dos Santos, a par da facilidade da escrita e de se revelar uma das mais carismáticas figuras da televisão, quer como repórter nos teatros de guerra, quer como pivô nos telejornais, é também um comunicador fluente, afável e simpático – Por isso,  ouvi-lo falar do seu livro, é  também um excelente estímulo e condimento para a sua leitura. Se ficciona, não parece, tal o realismo e o conhecimento como se refere aos factos sobre os quais se debruçou, detalhada e atentamente. Pelos vistos, como o mesmo à vontade de  autêntico peixe na água.


Durante a apresentação de “Um Milionário em Lisboa” não foi apenas o orador, que ali veio falar do seu livro e mostrar algumas das curiosas fotografais, no grande ecrã daquela sala, recolhidas na longa pesquisa de oito anos, mas também aceitou  submeter-se  às perguntas de uma entrevista conduzida por Manuela Moura Guedes. Tendo explicado que foi um trabalho aliciante e divertido. "Depois do romances em que partira de  Portugal para o mundo eu achei interessante que partisse do mundo para Portugal – Nós temos aqui o homem que organizou o negócio do petróleo do seculo XX, que arquitetou tudo;  o homem mais rico do planeta do seu tempo e que tinha a melhor coleção privada do Mundo e  que vivia em Lisboa. Portanto, achei que era uma outra ligação de Portugal  com o mundo!." 



Questionado se tinha alguma ideia, quando se lembrou de escrever sobre Gulbenkian, disse que partiu simplesmente à descoberta: "fui juntando informação e até trabalho de pesquisa mas na verdade não estive a pesquisar intensamente”. Até porque, segundo afirmou, tem uma grande capacidade de trabalho. Já conta com dezasseis obras entre a ficção e o ensaio, desde 2001, até 2013 Tendo na forja o que vai sair em 2015 . Sim, é verdade, escreve bem e com celeridade: - E, sendo também professor, naturalmente que mercê de uma grande disciplina, que lhe permite ter tempo para repartir com a família, com a qual ali se deixou  gostosamente fotografar

 Não é procedimento inédito a nível de escritor mas é uma evidência que, o jornalista escritor, leva a palma em produção literária. De Gulbenkian,  o homem mais rico do Mundo, que contava as maçãs, como quem conta os trocados , acrescentaria que “as pessoas que conviveram com Gulbenkian já morreram" No entanto deixaram descentes a quem contaram histórias, que também lhe chegaram ao seu conhecimento – Lembrando o caso do mordomo de Gulbenkian,  ali representado, na plateia pelo seu filho


Micael Gulbenkian. 

Declarou-nos que a biografia, de seu tio-avô, Calouste Sarkis Gulbenkian,  de autoria de HEWINS, RALPH, foi uma obra mal intencionada, tendo reconhecido que a de José Rodrigues dos Santos, é de longe a melhor, “excelente”,  porque vai dar uma grande liberdade  - por ser um romance e uma ficção – para as pessoas interpretarem à sua maneira, ao contrário do que sucede com o estilo biográfico.



 Contamos editar, no próximo post a entrevista que nos concedeu, Micael Gulbenkian


Não deixe de ler - neste site - a entrevista que me concedeu o primeiro Presidente da Fundação Gulbenkiam AZEREDO PERDIGÃO, O QUE ME REVELOUhttp://www.vida-e-tempos.com/2013/02/azeredo-perdigao-o-que-me-revelou.htm

E  também: O Homem de Constantinopla – José Rodrigues dos Santos faz romance do homem que foi o maior templo do sol na cultura em Portugal http://www.vida-e-tempos.com/2013/09/o-homem-de-constantinopla-jose.html

"José Rodrigues dos Santos é hoje um dos jornalistas mais influentes para as novas gerações e no panorama informativo nacional. No entanto, além da sua mais conhecida faceta como jornalista, José Rodrigues dos Santos é também um ensaísta e romancista. Especialmente nesta última vertente, tornou-se dos escritores portugueses contemporâneos a alcançar maior número de edições com livros que venderam mais de cem mil exemplares cada. Até ao final de 2012 publicou quatro ensaios e dez romances. O romance de estreia, intitulado Ilha das  foi reeditado pela Gradiva, em 2007, actual editora do autor.In José Rodrigues dos Santos –

Sinopse de Um Milionário em Lisboa

Baseado em acontecimentos verídicos, Um Milionário em Lisboa conclui a espantosa história iniciada em O Homem de Constantinopla e transporta-nos no percurso da vida do arménio que mudou o mundo - confirmando José Rodrigues dos Santos como um dos maiores narradores da literatura contemporânea.
Kaloust Sarkisian completa a arquitectura do negócio mundial do petróleo e torna-se o homem mais rico do século. Dividido entre Paris e Londres, cidades em cujas suítes dos hotéis Ritz mantém em permanência uma beldade núbil, dedica-se à arte e torna-se o maior coleccionador do seu tempo
.
Mas o destino interveio.




 O horror da matança dos Arménios na Primeira Guerra Mundial e a hecatombe da Segunda Guerra Mundial levam o milionário arménio a procurar um novo sítio para viver. Após semanas a agonizar sobre a escolha que teria de fazer, é o filho quem lhe apresenta a solução: 


 Lisboa. 

O homem mais rico do planeta decide viver no bucólico Portugal. O país agita-se, Salazar questiona-se, o mundo do pe­tróleo espanta-se. E a polícia portuguesa prende-o.

“Um estilo de escrita prodigiosamente poético e melódico  que enfeitiça o leitor.”

Literaturzirkel Belletristik, Alemanha

José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964 em Moçambique. Abraçou o jornalismo em 1981, na Rádio Macau, tendo ainda trabalhado na BBC e sido colaborador permanente da CNN.

Doutorado em Ciências da Comunicação, é professor da Universidade Nova de Lisboa e jornalista da RTP. Trata-se de um dos mais premiados jornalistas portugueses, galardoado pelo Clube Português de Imprensa e pela CNN.

Os direitos tradução das suas obras estão actualmente vendidos para 21 países – BRASIL, BULGÁRIA, REPÚBLICA CHECA, ESTÓNIA, FRANÇA, FINLÂNDIA, ALEMANHA, GRÉCIA, HUNGRIA, ITÁLIA, POLÓNIA, ROMÉNIA, RÚSSIA, ESPANHA, NORUEGA, SÍRIA, TAILÂNDIA, HOLANDA, TURQUIA e EUA.