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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A Bruxa de Grade - Aliciante aventura literária policial, com 54 capítulos alucinantes, fundo Celta e Viking, cenas de amor, ódios, traições, bruxaria e machismo, incesto, homossexualidade e tráfico de carne humana . – Narrativa que se estende desde o campo à cidade, a países de vários continentes – Obra de Paula Teixeira de Queiroz, premiada em 2013 e que se recomenda ainda para 2014.


Narrativa policial, de autoria de Paula Teixeira  de Queiroz, com histórias atrás de histórias, envolvendo as mais diferentes personagens, desde a filha lésbica que se apaixona pelo pai  e a mãe que tem um fraquinho pelo irmão do pai, ao machismo violento do meio rural, às mulheres que desaparecem misteriosamente nas garras da rede de traficantes de armas e seres humanos  Uma das surpresas literárias de 2013 e ainda uma sugestiva leitura para 2014.





O primeiro contacto que tive com Paula Teixeira de Queiroz foi  na Feira do livro de 2013, a que me referi  noutro site  - Trocou a carreira de advocacia  pela de escritora. E creio que em boa hora o fez - Advogados já há muitos e bons escritores, contam-se pelos dedos.  Além de que, a experiência entretanto acumulada, a par do extraordinário talento que rapidamente revelou, vai, com certeza, enriquecer ainda mais a sua oficina de escrita.

 É uma mulher afável e cativante às primeiras palavras.  A sensibilidade e a inteligência, nunca se elevam à sobranceria. Agora, casualmente, voltei a encontrá-la na FNAC do Chiado - Pois, ao relançar um olhar para o auditório-café, apercebi-me de um rosto que me não era desconhecido. Com um pouco mais de atenção, é justamente a escritora que, esboçando um sorriso, me desfaz as dúvidas. Assisto ao resto da sessão e com muito gosto. 

Tendo comigo a máquina fotográfica, não hesitei em fazer o registo. Vou agora editá-lo, conjuntamente com algumas imagens nas vestes de Luís de Raziel e outros vídeos de cariz místico - Uma forma simpática de corresponder a algum paganismo do livro - Foi pena só agora poder editar este post. Pois estava a ver que tinha de ir à Bruxa de Grade para descobrir onde havia guardado o cartão de memória das imagens. Vá la que não estava perdido. Por isso, antes tarde de que nunca. 

VAI ALÉM DE UM EXCELENTE EXERCÍCIO DE ESCRITA


"Bruxa de Grade, uma alusão à sua parente que tinha fama de curandeira e de feiticeira, que vivia lá numa casinha afastada, no meio das suas ervas medicinais, cães e gatos. A Helena pensava que ela não sabia, mas ela sabia muito bem quem era a Bruxa de Grade. E também já lhe tinha passado pela cabeça que os achaques de sua filha Leonor podiam ter a ver  com qualquer coisa de transcendente, sem uma explicação lógica. Por mais inteligente e racional que fosse, o seu sangue traía-a. E se havia fenómenos paranormais  e a sua filha mais nova tinha premonições, não iria esconder a cabeça na areia como a avestruz, não, não iria! Só nada tinha feito até agora porque receava que a achassem louca, ou que lhe tirassem à cara os seus antepassados das montanhas, gente simples e complexa ao mesmo tempo. Aparentemente, primitivos e no entanto… tão sabedores. A herança celta falava mais alto de que a sofisticação lisboeta onde se movimentava! Por vezes irritavam-na aquelas meias-tintas, aquela tibieza onde todos se escondiam e, sobretudo, a arrogância dos Lisboetas. Na maioria eram filhas e filhos de porteiros e de empregados de mesa que tinham vindo da província para escaparem à fome e à míngua e, no entanto, olhavam com sobranceria as famílias da província. Pobres coitados!"


No livro há apenas um capítulo dedicado à Bruxa de Grade, que serve de título à obra, “coisas terríveis” que a escritora foi buscar às raízes da sua ancestralidade, da sua aldeia, contadas por pessoas que as presenciaram, mas há muitas histórias diabólicas e alucinantes.

Não deixe de ler uma obra sedutora e bem escrita e estruturada, distinguida com o Prémio Literário Aldónio Gomes, atribuído pela Universidade de Aveiro (UA), "É um romance em que o leitor vai tendo várias linhas que vão seguindo em paralelo, que aparentemente nada têm haver umas com as outras, mas que no final se encontram e surpreendem o leitor -- Disse Guilherme de Oliveira Martins





“Num quase policial, o assalto, um  tiro no aeroporto, o  beijo 2001,o segredo, a traição de Helena, a bruxa de Grade, saga do russo, uma menina ruiva, um terramoto, o jantar supressa, a zaragata, um intrujo na noite, a psicopata, prisioneiro, remorsos, a viagem, o gato e o rato, o ciúme,  o esquecimento, o exército,  uma cena indecente, o rescaldo, um encontro no elevador, mulheres em lágrimas, um grito pelo nordeste, os ratos, o velho das rouças, o Infante Sagres, Quo Vadis?,  a francesa diabólica, adeus Olinda, o que tens, mulher?, na prisão de Toronto,  a bofetada, renascer, rapto, final, epílogo mesmo” – Estes alguns dos 54 capítulos de  uma narrativa de 200 páginas, com uma personagem principal que, aparentemente, vive bem e não precisa de trabalhar. Mas, com o avançar das páginas, o leitor vai-se apercebendo que a realidade não é bem essa…



DÚVIDAS


(...) “A Luisinha estava com uma crise de identidade. Sofria sem a presença do pai. Conscientemente, de uma forma  racional. A Leonor manifestava-se através dos ataques de pânico pois era incapaz de racionalizar a situação.

Ela bem ouvia as histórias dos amigos. Não eram para ela ouvir, mas não tinha culpa de que se pusessem a conversar no jardim mesmo por baixo da janela do seu quarto.

Era cada cena! Aqueles tipos e tias pareciam mesmo malucos! Sentia-se uma privilegiada por o seu pai não descobrir que era gay e sair de casa para  viver com outro homem; por não conhecer uma brasileira na Internet e ter desaparecido de dia para a noite; por sua mãe não se apaixonar pelo irmão do pai e ter ido viver para os EUA com ele; por o pai não ter feito um desfalque no banco ou coisas do género e andar fugido à justiça; por a mãe não ter fugido com o professor  de equitação, vinte anos mais novo. Ui, que histórias! Quando o pai chegava de mais uma viagem sentava-se com a mãe no jardim, e a mãe contava-lhe o que se estava a passar entre o grupo de amigos e conhecidos. E ela, sem querer, ouvia, quando eles pensava que dormia. Seria uma menina má por isso? Não tinha mesmo culpa de ouvir.

Depois, os seus amigos eram confrontados no colégio pelos outros que também ouviam conversas que não deviam , e choravam . Não por ela, ela nunca tinha feito isso. Morreria de vergonha se soubesse que escutara conversas indevidas às escondidas, ou que fizesse algum amigo chorar por causa das coisas que os pais fizeram. Só pensava que tinha muita sorte por os pais serem tão felizes juntos. Quando o pai estava presente, claro. Se se viam naquela embrulhada toda era porque o pai estava a demorar mais do que o costume.

A Lena, que sabia  sempre tudo porque falava sempre com as empregadas dos outros quando as ia buscar à escola, dizia que elas tinham muita sorte por os pais serem como eram. Mas punha sempre ênfase no pai. A Luisinha desconfiava que a Lena tinha um fraquinho pelo pai. Derretia-se toda quando ele brincava com ela, até corava! Mas ela sabia – todos sabiam – que o pai só tinha olhos para a mãe: Afonso e Anna, o casal indestrutível. E pôs-se a pensar na Lena: como é que ela estaria? Encontrar-se-ia na aldeia, em Grade? A Lena dizia que lá na aldeia não era como em Cascais, as mulheres tinham respeito aos maridos, até apanhavam se fosse preciso. E calavam-se, tinham medo. Contou que, uma certa vez, uma mulher de lá tinha apanhado  uma tareia tão grande que foi preciso cozer-lhe a orelha. O marido vinha sempre com os copos, e quando lhe respondia ele ainda ficava mais furioso e batia-lhe mais. E ela, depois de tanta tareia, fugiu-lhe e foi para França. O homem, abandonado, matou-se com um tiro de caçadeira. Foi a vergonha de ser abandonado, dizia a Lena. E os filhos? Foram levados  por uma assistente social para um lar de crianças e, mais tarde, a mãe veio busca-los. Também lhe parecia que não eram conversas para a idade dela… mas ela adorava ouvir e prometia que não contava aos pais. A Lena tinha saudades da sua aldeia minhota, ela sabia, e deixava-a falar.

Todos confiavam muito nela, porque seria? Só tinha treze anos!



Também não percebia porque é que os homens batiam nas mulheres! Por serem fisicamente mais fortes? Lá no colégio, os rapazes tinham também a mania de correr atrás  delas, levantar-lhes as saias e bater-lhes. Começavam a gritar e aparecia a irmã Graça que os punha de castigo. Elas nem sequer faziam nada além de rirem por tudo e por nada. Mas eles gostavam de mostrar que  eram superiores, e aos outros, os que não batiam, chamavam-lhe “mariquinhas”. E o curioso é que as raparigas apaixonavam-se pelos maus. Até ela,  muito secretamente, gostava que se metessem com ela! Havia qualquer coisa de errado nos dois sexos, tanto nas crianças como nos adultos. Tinha de falar com alguém. Tentou falar com a Constança, a sua melhor amiga, mas ela não percebeu nada. Talvez quando o pai voltasse pudessem conversar. Com a mãe.. hum, até resolverem aquela situação, não queria conversas íntimas . Estava zangada com ela. - Excerto





GUILHERME D'OLIVEIRA MARTINS FEZ APRESENTAÇÃO DA OBRA NA FNAC DO CHIADO, EM LISBOA
"É um romance em que o leitor vai tendo várias linhas que vão seguindo em paralelo, que aparentemente nada têm a ver com as outras mas que acabam por se encontrar num epílogo "– Diz Guilherme d' Oliveira Martins, na sessão do lançamento com que a FNAC quis distinguir as obras mais recomendáveis  na quadra natalícia

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"Para  Guilherme d'Oliveira Martins – " A Bruxa de Grade" é uma obra muito interessante, muito bem construída. Um romance moderno, muito importante, com bom domínio da palavra - Não é uma verdadeira bruxa que aqui está, porque, a autora, vai-nos encaminhando, progressivamente, para o epílogo mas no meio há uma grande surpresa -Temos as referências sociais da autora, que também é um óptimo código genético, uma vez que é bisneta do grande romancista português, Bento Moreno"


DISTINGUIDA NO DIA DO AUTOR PORTUGUÊS.

Nessa sessão, o livro de Paula Teixeira Queiroz, mereceu igualmente os melhores elogios. De acordo com António Manuel Ferreira, professor no DLC, este é um livro “estruturado como uma narrativa policial”, ou não fosse a autora admiradora de Agatha Christie. Isto reflete-se na facilidade com que se lê o livro, uma vez que se trata de um “narrativa de grande destreza e ritmo compulsivo”. “A autora sabe contar muito bem uma história num ritmo contagiante e viciante”, considera. Em contrapartida, “sendo um livro tão rápido e com um conjunto de personagens tão vasto, não se entra em profundidade nelas".  “Existem nesta obra várias histórias à volta umas das outras, mas sem o aprofundamento típico dos romances”, afirma António Manuel Ferreira.





Além de muitas personagens, a autora apresenta em “A Bruxa de Grade” uma multiplicidade de espaços físicos, sociais e culturais, conseguindo mover-se com bastante à vontade nos diversos tipos de personagens que criou, focando desde as relações entre as pessoas, os espaços, passando por um mundo vasto onde vários países e locais se encontram.




Paula Teixeira de Queiroz nasceu em Arcos de Valdevez e vive em Lisboa. Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, é advogada de profissão. Concluiu o curso de Tradução pelo Instituto Superior de Línguas e Administração - Lisboa e trabalhou com a Apimprensa - Associação Portuguesa de Imprensa, em Assuntos Europeus, representando os editores de jornais e revistas em Bruxelas junto da EMMA - European Magazine Media Association e ENPA - European Newspaper Publishers Association. Em 1996 realizou o curso de Desenho com o escultor Sebastião Quintino na Sociedade Nacional de Belas Artes. É ainda cronista em vários jornais.


  Em 2010 publicou a sua primeira obra, “Contos do Destino e do Desatino”, na editora Opera Omnia, e em 2012 “Contos de Amor e Desamor”, na editora Animedições. Com a atribuição deste prémio, vai ver agora a sua terceira obra publicada. Em elaboração encontra-se já um quarto livro, a editar no próximo ano. Paula Teixeira de Queiroz vence Prémio Literário


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