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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Líquenes do Vale do Côa – Fazem arte nas gravuras (sumindo-as) e eu faço-a sobre os líquenes há mais de duas décadas- A Bióloga Joana Marques, fascinada pela “joalharia” do micromundo da alga com o fungo, diz que as maravilhas são tantas que “não é preciso escolher. – Ali, “um santuário de arte rupestre”, é também “um santuário para os líquenes” – Explicou ao PÚBLICO









O PÚBLICO, de ontem, trouxe um  artigo muito interessante sobre os líquenes do Vale do Côa, baseado num estudo mandado realizar pelo  Parque Arqueológico do Vale do Côa – Tendo  ficado a saber-se que, enquanto os arqueólogo, os classificam como uma praga, responsabilizando-os  pela destruição de gravuras rupestres em Foz Côa. Uma bióloga revela-se fascinada por eles e entende que devem merecer “um pouco mais de respeito”. Pelos vistos, vêm dar a razão aos defensores da barragem, de que, as gravuras mantidas por baixo de água, estariam mais bem conservadas e defendidas dos vários agentes destruidores ou erosivos – Claro, não  há bela sem senão: submersas não eram vistas, enquanto que, a céu aberto, podem ser contempladas - Pormenores mais à frente.



 Como já alguém disse, “a inteligência de um grão de areia” é provavelmente mais subtil daquela que vai na cabeça do mais iminente sábio. O que significa que a vida existe em toda a parte com as suas capacidades físicas e psíquicas. Revelando-se, esplendorosa, tanto  no cérebro de um cientista, como num oceano, num pedaço de argila, árvore, montanha, pedra, em qualquer dos estados da matéria: vegetal, mineral, animal, líquido, aeriforme, aos infindos espaços, às longínquas estrelas e galáxias, a todos os corpos: onde haja luz, energia, massa em fusão, ou mesmo um imenso vazio, negrume e trevas.




Deus, não tem rosto nem tem nome, e muito menos é uma criatura, tal como o concebe a  maioria das religiões - Deus é Tudo! Está em toda a parte! - E estará mesmo na mente de um assassino? Claro que está! Porque a perfeição, ainda é uma meta, em constante busca, elevação e mutação, pelo que, nesse sentido,  também as manifestações, os degraus,  as expressões da imagem de Deus, são infindas!... Além de que o mal, não está tanto na mente de um assassino, mas sim no eclodir do seu ato, na loucura fulgurante e perturbadora do seu crime, em cujo cérebro a serenidade deu lugar à inconstância e à aridez, e se eclipsou a harmonia. Ou não será verdade que, a  ocasião que faz o santo, também faz o ladrão?... No entanto, o mal é, realmente, a  negação, o lado oposto da virtude,  o retrocesso do longo caminho que haverá de conduzir o ser humano, através de sucessivos graus de evoluções, e por etapas, na senda do Supremo Pensamento Universal.









Nesta imagem ao lado esquerdo - Cinco mil anos de história é quanto calculam ter o amuleto em osso encontrado pelo autor deste site - Há mais de dois anos para estudo, já era tempo de voltar à procedência.. E quantos anos terá o anterior amuleto, em calcário e o punhal de xisto e da mais dura têmpera? Gostaria muito de saber mas para já contento-me apenas em mostrá-lo. - Já identifiquei material lítico de todo o tipo - e tenho muito gosto em colaborar com a ciência e em receber dos investigadores úteis esclarecimentos - De resto, assim tenho procedido, e fi-lo, com António Faustino Carvalho, o  arqueólogo que fez as primeiras escavações nesta  área e na Quinta da Torrinha. Os sítios de Quebradas e de Quinta da Torrinha Ainda recentemente consultei o   jardim Botânico do Porto, acerca da identificação de uma orquídea que floresce na Primavera no interior do recinto do Santuário da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, e, além de prestáveis, foram rápidas  - É no mínimo o que se pede. De outro modo, não vale a pena perder tempo - Pois, além do tempo perdido, podem ocorrer desencontros.

ESTE O VALE MARAVILHA - QUANDO CHEGA A PRIMAVERA, VISTO  DA ESTRADA QUE O CONDUZIRÁ À ALDEIA DE CHÃS E AO MONTE DOS TEMPLOS DO SOL




A vida e organização das fabulosas formigas - vídeo registado no Verão passado - não fica atrás de muitos vertebrados



AS GRAVURAS DEFENDEM-SE MELHOR DEBAIXO DA ÁGUA DOS LÍQUENES?

Não há dúvida que ficou demonstrado, quando o nível da albufeira do Pocinho desceu alguns metros, permitindo que se fizessem as escavações na margem do Côa, nomeadamente nas faldas do Fariseu, que as gravuras em rochas de xisto, que ali foram descobertas (e com a garantia da sua datação ser ainda mais rigorosa)sim,  estavam de tal maneira em excelente estado de conservação, afundadas nos seus vinte e tais mil anos de longínqua idade, que até pareciam ter sido enterradas de véspera. Pessoalmente tive o prazer de partilhar da alegria desse fantástico achado. Infelizmente, lá tiveram que continuar adormecidas no seu sono letárgico.

Agora ficou-se a saber que o casamento do fungo com a alga, que dá um ser minúsculo a que chamam de líquen, não acasala bem  com as gravuras a céu aberto. Bom, mas se as gravuras resistiram tantas milénios, como é possível que, de um momento para outro, possam ser ameaçadas de destruição por agentes naturais?....Claro, em parte a resposta está na própria degradação do clima – incêndios devastadores, chuvas ácidas e por ai adiante. Qualquer dia, é tal a poluição, que vamos ter de começar a pensar nas famosas vinte mil léguas submarinas de  Júlio Verne, visto cá fora o ar ser irrespirável.

TUDO TEM O SEU TEMPO...





Muitos destes símbolos estão já quase impercetíveis   - A imagem ao Deus-Sol, fotografada dias depois e que hoje também está quase irreconhecível, curiosamente gravada a curta distância daquela que mais tarde viria a ser descoberta como a Pedra do Solstício




Olá Fernando! ainda te vejo
Ali a sorrir e abrir os teus braços!
Sempre que por ali passo, não deixo de me lembrar de ti
e de olhar o centro da mesma pedra, o pequeno altar granítico
que emerge quase ao rés-vés com o distante horizonte a poente,
num dos pontos mais destacados do vasto planalto rochoso,
sulcado de morros e giestas! - E, ao deter-me junto a ele,
ao circunvagar tudo à minha volta, dificilmente
perco a oportunidade de contemplar
os mesmos espaços que tu abraçaste
num sorriso e num abraço, tão largo,
tão amplo e aberto, que dir-se-ia
quereres ao mesmo tempo respirar
aqueles puros ares e abraçares todo o Universo!...

QUANDO COMECEI A ADMIRAR O MUNDO MARAVILHOSO DOS  LÍQUENES E A FAZER DOS SEUS PAINÉIS A MINHA TELA DE EXPRESSÃO ARTÍSTICA?







Na altura da polémica das gravuras, chegou ao conhecimento dos técnicos do Parque Arqueológico, de que, no termo da freguesia de Chãs, além das gravuras da quinta da Barca, nas rochas xistosas, também haveria algumas no granito dos Tambores – Nunca consegui saber quem lhe transmitiu essa informação, porque eram feitas de noite -e, é claro, sem assinatura. O certo é que, numa das manifestações em defesa das gravuras do Côa, tendo-me cruzado com João Zilhão e Martinho Baptista, e sabendo eles que eu era jornalista e natural desta freguesia, perguntaram-me 
se tinha algum conhecimento das tais gravuras dos Tambores. Respondi-lhe que eram  de minha autoria. Que  ali esculpia ou gravava, depois do pôr-do-sol,  com cinzel e maceta, desde há alguns anos,  especialmente nas noites de luar. Aproveitando as pedras mais curiosas, as que me chamavam mais atenção, fazendo das cores dos líquenes, das linhas naturais da pedra e dos tons da oxidação dos seus minerais, a paleta dos meus desenhos.


Disse-lhe que tinha muito gosto em mostrar-lhe essa arte, sim, pelos vistos, depois da dos moleiros, seria então a mais recente do Rio Côa e seus afluentes. Aceitaram o convite e deram-me o prazer de me acompanhar por alguns desses e de outros sítios. Elogiaram a minha criatividade, mas com um pedido: de que não falasse dessas gravuras na comunicação social - Prometendo que um dia mandariam ali alguém para as estudarem melhor.  Mas, de momento, era inoportuno, receando, que, tal constatação pudesse prestar-se a especulações, colocando em causa  a idade das gravuras paleolíticas, já por si alvo de acesas contestações.


Assim procedi. Além de dar por terminado esse meu devaneio artístico e espiritual, que já ia em cerca de uma centena de gravuras, de todas as formas e feitios, respeitei o pedido - Hoje, muitos desses desenhos de carácter iniciático, nuns casos, noutros simples exteriorizações ao sabor do instinto e dos apelos da pedra,    estão irreconhecíveis – Pois, os líquenes têm vida própria: morrem uns, nascem outros, secam e desprendem-se com o vento, devido à inclemência do sol, do efeitos das neve, geadas ou chuvas e dos incêndios criminosos. E são esses que vão tapar as ranhuras ou riscos que os anteriores tinham proporcionado. Salvo as pedras mais abrigadas das erosões climatéricas e  onde as oxidações ou os líquenes, se defendem melhor, tal é o caso da imagem ao lado: de um extra-terrestre em diálogo com  outro estranho ser de outro mundo.  Talvez por serem ainda mais minúsculos,  não provocando a mesma degradação ou encobrimento.

Vídeo registado de véspera - dia 20 de Junho 2013 ao pôr do sol



DOENÇA GRAVE HAVERIA DE MUDAR O PERCURSO DA MINHA VIDA E REFORÇAR A PAIXÃO PELAS PENEDIAS DOS TAMBORES.


Na verdade, o Maciço dos Tambores tem sido para mim, a par de um fantástico local de peregrinação, também de estudo e de investigação. Conheço estas pedras desde criança. Nomeadamente desde o tempo em que os meus pais eram caseiros na Quinta do Muro, sobranceira ao vale da Ribeira Centieira, situada  lá ao fundo da grande muralha das penedias dos Tambores – De volta e meia, lá tinha que subir pelas íngremes e rochosas vertentes acima para levar a marmita ao nosso pastor. Pelo que, não há canada, largo ou penhasco em que eu não tenha estado ou passado por lá, nas mais diversas circunstâncias.


Houve um tempo, em que quase lhe ia perdendo o rasto; sucedeu depois da minha ida para a Ilha de São Tomé. Foi tal o impacto recebido, por via daquela força da natureza virgem que, a bem dizer, me senti como que transposto para outro mundo. Parti com 18 e voltei aos 30. E doze anos é muito tempo. O bastante para, mesmo depois de me ter fixado em Lisboa, só, uma vez por outra,  voltar à minha ladeia.  

Porém, há dois factos na minha vida que iriam aproximar-me ainda mais destes espaços que me viram nascer: um deles, o despedimento coletivo na Rádio Comercial (sim apenas para quem não tinha o cartão de militante do então primeiro-ministro, que agora é Presidente da República), que me lançou para o desemprego. O segundo facto, começou uns anos antes, ao deparar-me com uma doença grave, que parecia incurável – Felizmente, já lá vai o pesadelo. Mas, como é sabido, as enfermidades têm sempre esse condução, o do recolhimento, o da profunda introspeção – Se tivesse um pequeno barco,   teria voltado ao mar, este é o meu palco introspetivo e meditativo de eleição, tal como fizera nas minhas aventuras de  pirogas, em São Tomé,  porém, não tendo tido essa possibilidade, resolvi fazer do Maciço do Tambores, o retiro predileto da minha peregrinação. Sim, e embora residindo habitualmente em Lisboa, não há dia ou noite, estação do ano, fizesse frio ou calor, que não tivesse deambulado por lá. 

O CASAMENTO DO FUNGO E DA ALGA –  A QUE CHAMAM ASSOCIAÇÕES SIMBIÓTICAS DE MUTUALISMO - O FILHO CHAMA-SE LÍQUEN
O que dá origem ao líquen é o casamento do fungo com a alga. A que chamam de associações simbióticas de mutualismo. Pelos vistos, quanto mais minúsculos são os seres, mais difícil se torna a decifração dos seus mistérios. Diz a ciência que “os “líquens sãos seres vivos muito simples que constituem uma simbiose de um organismo formado por um fungo (o micobionte) e uma alga ouciabobactéria (o fotobionte). Porém a "a verdadeira natureza desta simbiose é ainda tema de debate pelos cientistas, em que alguns casos afirmam que o fungo é um parasita do fotobionte porque através de seus haustórios que penetram a célula da alga controlam seu ciclo reprodutivo; no entanto, em muitos casos, a alga sozinha não sobrevive no habitat, assim como o fungo isolado também não sobrevive e, portanto alguns defendem uma relação mutualística
Um santuário de Líquenes – diz o Público
Um estudo prévio, realizado em 1999, inventariou uma dezena de espécies de líquenes nas rochas xistosas do Parque Arqueológico do Vale do Côa. Joana Marques identificou 206 espécies. “Ainda não é um número final. Haverá mais”, diz. “Mas as que crescem nas superfícies que têm as gravuras estão inventariadas.” No Côa a bióloga descobriu uma espécie nova, a Peltula lobata(e que, se não fosse um líquen, muito provavelmente teria sido capa de uma conceituada revista científica), e outras duas espécies que eram desconhecidas no continente europeu — uma delas só existia na Austrália e na África do Sul, a outra no deserto de Sonora, na Califórnia.
Remover ou não remover, eis a questão
"Antes de 2000 houve uma operação de limpeza de superfícies rochosas com arte paleolítica que estavam cobertas de líquenes — para possibilitar o registo documental das gravuras e mostrá-las ao público. Os processos de remoção são agressivos e podem acelerar a degradação da rocha. E a recolonização liquénica já voltou em força em certas rochas. “De 20 em 20 anos vamos estar a tirar líquenes? Daqui a cem anos, mil anos, já temos que olhar para uns traços gravados muito menos fundos”, nota António Batarda. “Há casos em que poderá fazer muito sentido retirar os líquenes. Mas de um modo geral sou contra.”


O arqueólogo considera que os líquenes fazem parte do património do vale do Côa. “O tempo geológico mede-se em milhões de anos. O tempo humano em milhares de anos. Estamos aqui há muito pouco tempo. Não sabemos quantos mais. Parece que isto é muito importante, que somos os maiores. Mas temos de ter uma certa atitude de humildade perante um continuam que é a história deste planeta connosco cá agora.”
Não me surpreende o fascínio, que a bióloga da Universidade de Porto, ao serviço do PAVC, revela pelos líquenes, para a qual são autênticas joias:   os líquenes ganham subitamente relevo e minúcia, como peças de ourivesaria requintada. No caso de Joana Marques, as analogias vão sempre parar à doçaria. “As estruturas parecem tartelettes porque têm um rebordo crocante que parece massa de tarte folhada com um interior gelatinoso. Eu digo que são bolachinhas. E as pessoas concordam. Há umas bolas ocas com pintinhas brancas — parecem mesmo aquelas arrufadinhas com o açúcar em pó... É um micromundo. Havia quem lhes chamasse florestas em miniatura. Aliás, os arquitectos paisagistas usam líquenes nas maquetas quanto querem representar árvores. O que significa que algumas espécies de líquenes têm forma de árvore em miniatura.”As gravuras ou os líquenes? Felizmente, no Côa não é preciso escolher

MACIÇO DOS TAMBORES E MANCHEIA É UM MUNDO DE SURPRESAS -  NA ASTRONOMIA PRÉ-HISTÓRICA E NO MARAVILHOSO MUNDO DO REINO VEGETAL E  MINERAL - OS ANTIGOS POVOS QUE AQUI VIVERAM ERAM VERDADEIROS OBSERVADORES E VENERADORES DOS ASTROS - 


AS ENIGMÁTICAS COVINHAS - SIMBOLOGIA DA URSA MAIOR

  Pedra do Sete Estrelo, com sete fossetes (petróglifos) formando a Ursa Maior, que despertou a atenção de Tom Graves, em Outubro de 2008 quando visitou os Templos do Sol e os alinhamentos sagrados.  Aliás, fui eu que o encaminhei a esta pedra, que já há muito me intrigava.  Fizeram-se vários conjunturas mas nenhuma nos levou a  tal possibilidade. Agora é que me dei conta de que as enigmáticas covinhas, formam a Ursa maior  - É  uma rocha muito estranha com duas configurações completamente diferentes,  que indica os quatro pontos cardeais.  E é sabido que, o sete estrelo,  em todos os tempos, foi uma das constelações com maior simbolismo. Veja as imagens e outros pormenores em http://www.vida-e-tempos.com/2014/01/pedra-da-ursa-maior-nos-templos-do-sol.html

ADRIANO VASCO RODRIGUES - UM NOME INCONTORNÁVEL DO ESTUDO DESTES SAGRADOS LUGARES

"O início da agricultura está ligado ao culto da Deusa Mãe, privilegiando a germinação das plantas. Foi trazido do Médio Oriente para o Ocidente peninsular pelos primeiros povos agricultores."

Junto deste santuário localizei uma pequena cavidade em forma de concha, que poderá ter servido para recolha de sangue proveniente de sacrifícios." 

"Na vasta câmara rasga-se, à direita de quem entra pela face ocidental, um nicho onde se pode introduzir um homem. A cúpula desse nicho é arredondada, ajustando-se perfeitamente a uma cabeça humana e tendo desenhada de forma impressionante, como se houvesse sido escapelada, uma cabeleira humana negra, longa e desgrenhada. O material da coloração é constituído por sais de manganésio, como revelou a análise.
Levei ali um geólogo, o Sr. Eng. Carlos Pires Lobato, visto ter dúvidas se deveria considerar a “cabeleira” como resultado dum capricho da natureza, ou uma intencional pintura humana. As dúvidas persistiram. De qualquer modo é evidente que a “cabeleira de Nossa Senhora”, serve desde remotas eras a uma tradição cultual.

No exterior, a curta distância da entrada poente, está uma pedra quadrangular com 1,50 de lado, por 15 cm de espessura, em forma de arco. Devia ter sido adaptada à entrada. No alto da enorme cabeça está uma tosca  escultura simbolizando uma figura humana, com a cabeça do tipo triangular. A alguns metros deste Santuário pré-histórico, encontra-se a fonte da tigela. Trata-se de uma cavidade do tamanho da concha das mãos, afundada numa rocha. Esta fonte não pode ser dissociada daquele Santuário.

O povo ligou uma lenda cristianizada àquele lugar. Assim, a Virgem Maria na sua caminhada para o Egipto, num dia de estio, à semelhança do que ainda agora fazem os pastores com os rebanhos, recolheu-se naquela lapa para repousar. Ao partir, os cabelos, que haviam tocado na rocha, ficaram ali gravados para sempre.

Quanto ao período de utilização deste santuário, ele remonta á revolução neolítica. De qualquer modo podemos concluir com segurança, que na região da Meda, o povoamento se desenvolveu em núcleos urbanos sedentários a partir do neolítico. Este aumento demográfico não pode ser dissociado do pastoreio e da metalurgia."


ANTÓNIO LOURENÇO, O JACINTO E OUTROS AMIGOS - TAMBÉM ACEITARAM O BATISMO NA PEDRA INICIÁTICA.
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Oh abençoada terra natal!
Altares sagrados dos tempos imemoriais!
Ó tu, sacro chão das minhas raízes, que tanto me atrais!
Só tu, que me gerastes, sabes o que eu sei dos teus segredos!
Aprendi a conhecer, muitos deles, como as linhas da  palma das mãos!
Sempre que posso, eu, o habitual caminheiro 
respondo ao vosso apelo, peregrinando,
por desfiladeiros de ígneas fragas,
Cova da Moura, Castelo Velho, Pedra
da Cabeleira, legendas antiquíssimas
da minha aldeia, aspirando 
o perfume silvestre
das ervas ou das giestas,
fragâncias, inebriantes, 
que são o regalo dos deuses
e um consolo para a alma

Calcorreando, por veredas e atalhos, 
por ermas ladeiras e penhascos!
subindo e descendo as fragas
ou simplesmente vagueando,
qual sonhador ou sonâmbulo, 
perdendo-me, ante 
o meu próprio espairecimento
ou amplidão daqueles largos espaços! 



A sós,
em perfeita harmonia comigo próprio,
com a Terra, com Deus, os astros, o céu!
Longe do bulício da cidade e da sua estéril selva,
longe de tudo, do tumulto da vida e do mundo,
aspirando os odores da terra, das giestas, das fragas
e dos seus milenares musgos! - 
Oh, os abençoados perfumes da flores campestres! 
Oh, como isto me é grato revisitar, 
sempre que posso, 
ó casa velhinha  dos meus pais! 
Ó meu berço pacífico e amado!


Eu vos bendigo, ó transcendente e mística beleza!
Vinde, vinde até mim,  ó doce esperança a ornar a sagrada mesa 
dos vossos sacros altares  de dura pedra
que o natural poder dos elementos vos concebeu!
Vinde, ó benévola luz, irradiando dos astros inertes e vivos!
Vinde adornar de  brilho os vossos genuínos templos!
Vinde ver como é santo o sentimento
e quão belo é o infinito,
quando, os corações, 
profundamente meditando
imersos em doce pensamento,

extasiados vos contemplam!




Oh, a maravilha das criptas, das abóbadas e arcadas,
das esferas e estátuas de santuários e catedrais
que natura edifica em telúricas e fantásticas fragas,
com formas estranhas, as mais bizarras!
Gigantescos penedos, que,  em criança, 
já tanto me fascinavam! - De pé ou sentado
sobre os ressequidos  líquenes  ou do suave musgo.
Oh assombro primordial da minha inocência!
Marmita pela mão ao pastor o almoço levava.
Ribeiros e canados que eu subia e descia.
Ermos enegrecidos coroados de mitos 
e de fábulas, que eu calcorreava!
Tamancos no Inverno 
e descalço no Verão




(Excerto de reflexões poéticas)
Jorge Trabulo Marques




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