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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Augusto Pinochet, em Lisboa para comprar armas: a grande confusão no aeroporto no dia em que o ditador chileno foi confrontado com um microfone a um palmo do nariz, "¿Dónde están mis guardias? no entiendo o português” - Respondia ele às perguntas incómodas dos jornalistas – Eu desencadeei as hostilidades


O dia em que irritei o ditador Augusto Pinochet – Com o microfone a um palmo do nariz 


Foi na manhã de 15 de Maio de 1991, que, o ex-presidente Augusto Pinochet, então chefe do Estado- maior das Forças Armadas chilenas, vindo diretamente do Brasil, desembarcava no aeroporto de Lisboa para uma curta visita algo misteriosa, desconhecendo-se com que entidades ia  encontrar-se  e qual o objetivo  do encontro - 

De véspera, soubera-se  (já não sei  de que fonte) que o general Pinochet vinha ao nosso país, mas, quer da parte do Governo de Cavaco Silva, não só não  havia qualquer informação ou comunicado, como também nenhuma entidade oficial o aguardava. Senão apenas um escasso grupo de repórteres mas o bastante para desencadearem uma grande confusão.


Porém, na tarde desse mesmo dia, o DIÁRIO POPULAR. e a CAPITAL, publicando a notícia - citavam fontes políticas e militares brasileiras que admitiam  tratar-se apenas de uma mera escala técnica, a caminho da África do Sul ou de Israel, após ter estado quatro dias no Rio de Janeiro. Mas, se assim fosse, não teria sido preciso sair do aeroporto. 

Oficialmente, ninguém quis dar a cara mas nem por isso deixou de um automóvel o conduzir para o interior da cidade e logo atrás dele os da segurança e comitiva.

GEROU-SE UMA GRANDE CONFUSÃO QUANDO CONFRONTADO COM PERGUNTAS – NEM ELE NEM A SEGURANÇA ESPERAVAM SEMELHANTE ASSÉDIO

Como é sabido, os ditadores, que reprimem e usam os meios mais ignóbeis de tortura ou de massacre para com os seus opositores,   não gostam da liberdade de expressão.  E detestam os jornalistas que não se verguem aos seus desígnios. Um desses sinistros exemplos, passou-se com Augusto Pinochet. No Chile, certamente que ninguém ousaria romper o cordão da sua guarda de segurança e chegar a dois palmos dele,  com  um gravador numa das mãos e com a outra empunhando um microfone, ousando fazer-lhe perguntas embaraçosas. Mas ele estava em Portugal e urgia saber os contornos da insólita passagem por Lisboa. Pois, tudo o que se sabia, até áquele momento, não passavam de especulações e rumores.Todavia,  a visita era já apontada como tendo por objetivo a compra de armas para as forças chilenas – Ou seja, para massacrar ainda mais o povo que se manifestava publicamente, além das constantes perseguições aos seus opositores.

FUI EU QUE DESENCADEEI AS PRIMEIRAS HOSTILIDADES - EMPUNHANDO UM MICROFONE À SUA FRENTE  - TAL COMO DOCUMENTAM AS IMAGENS

Era então repórter da  Rádio comercial-RDP. Ante alguma hesitação inicial do pequeno grupo de jornalistas, temendo serem repelidos pelos “gorilas” que o rodeavam,  sim, não obstante o aparato, fui dos primeiros a avançar e a questioná-lo, alto em bom som. Ainda esboçou um sorriso mas, vendo-se, cada vez mais acossado pela insistência das perguntas, que lhe começavam a cair,  ficou embaraçado e  a sua única preocupação era abandonar o local.


 

Mal transpusera  a porta da saída dos VIP, acompanhado da mulher e por um musculado corpo de guarda-costas, imediatamente procurei acercar-me dele, com duas perguntas engatilhadas: “O que vem fazer a Portugal, Sr. General Pinhochet?!”.. O Sr. é acusado de crimes de tortura e de espancamento!... Não tem remorsos dos crimes que cometeu?! – Estas as perguntas, com que o confrontei, alto e em bom som, com o microfone a um palmo do nariz, ante a grande confusão que imediatamente se estabeleceu Pois, logo atrás de mim, irrompia  mais o microfone da TSF, creio que também uma câmara de televisão e os repórteres fotográficos e jornalistas dos principais jornais – Não obstante a insistência dos jornalistas, dele apenas se ouvia e repetidamente: "¿Dónde están mis guardias? no entiendo  o português” – E mais não disse. Ah, sim: disse ainda que a  democracia no Chile ia de boa saúde.


Morreu aos 91 anos, em 12 de Dezembro de 2006, no hospital de Santiago, no Chile,

De acordo com os registos oficiais, nos 17 anos do governo do general Augusto Pinochet ,  além de abusos aos direitos humanos e fraudes cometidos durante os 17 anos em que esteve no poder, soube-se que ele ordenou a morte de pelo menos três mil chilenos, que foram mortas pela sua polícia secreta. 

O juiz Alejandro Solis declarou o envolvimento do ditador falecido Augusto Pinochet em todos os crimes contra a humanidade. Morreu em 2006 antes de ser julgado – Esse tirano passou por Portugal, há 23 anos –A breve estadia pela capital do nosso país,  ainda hoje
 continua por esclarecer

OS VERGONHOSOS APOIOS DE THATCHER  - AO REGIME DE PINOCHET - MAS NÃO SÓ

O governo de Thatcher não tinha escrúpulos. Thatcher apoiou Israel em suas atrocidades contra os palestinos. Ela apoiou o tirano do Egito, Hosni Mubarak, o rei Fahd da Arábia Saudita, PW Botha da África do Sul, o general Zia-ul-Haq no Paquistão, Pol Pot no Camboja, e assim por diante.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Benfica- Guimarães 1-O - A equipa de Jorge Jesus soma mais três pontos e a do Rui Vitória ficou a ver castelos – Nosso site vida-e-tempos dá-lhe as imagens do golo solitário e algumas das mais empolgantes no Estádio da Luz


O desporto também faz  parte de vida-e-tempos.com - Não se trata de clubismo mas de profissionalismo



Não vimos aqui contar a história do jogo Benfica - Guimarães  - Nós fomos ao Estádio da luz para fotografar e apenas por essa razão.  Já aqui dissemos que a nossa maior paixão não é propriamente o futebol mas a fotografia. E, realmente,  parece não haver outro acontecimento desportivo, que ofereça tão variados como intensos momentos: não faltam episódios, acrobacias e expressões: desde o público aos intervenientes - Olhe bem para esta foto - Tal a energia despendida que até parece que as unhas da mão esquerda lhe cresceram como as garras da águia!

Um jogo disputado taco a taco, com excelentes jogadas de parte a parte - Os  Vimaranenses nunca se vergaram às Águias nem aos Olés


Benfica venceu o Guimarães pelo magro resultado de 1-0 mas valeu  à equipa de Jorge Jesus, mais três pontos e o reforço da liderança. Dir-se-ia que, na primeira parte, viu-se mais a equipa vimaranense no meio campo do Benfica de que ao contrário. Porém,  um golo solitário de Markovic, que deixou o guarda-redes  fora da sua capoeira, e, já com esta toda escancarada e o arqueiro batido ,  levantou a bola e teve todo o tempo do mundo para  fazer a performance que quis. . Registámos a sequência. Foi o momento mais espetacular de todo o jogo – Diga-se em abono da verdade - E com que mestria e à-vontade! Até parecia que o homem era mais um ilusionista de que um futebolista! - Mas não se pense que o Vitória alguma vez se rendeu aos anfitriões, bem pelo contrário. Alguns assobios da assistência, chegaram a facilitar mais o folgo aos visitantes de que aos visitados. 



Tal como já referimos em postagens anteriores, o nosso site vida-tempos, passou a ser um pouco mais abrangente, graças à colaboração que passamos a prestar  ao jornal desportivo de um nosso amigo – E, muito embora sem carácter regular, decidimos passar a incluir alguns acontecimentos desportivos. 

Mais uma vez estivemos no Estádio da Luz – e, já nesta quinta feira, contamos lá voltar. Mas, dentro do possível,  também é nosso desejo fotografar em Alvalade, no Dragão ou noutros estádios – Não vamos ao futebol por amor à camisola desta ou daquela equipa mas pelo gozo da imagem. 


CADEIRINHA CHINESA ARTICULADA, QUE NOS PREGOU UMA PARTIDA Temos é que arranjar outra cadeirinha articulada ou banco, para nos sentarmos junto ao relvado, que não seja na mesma loja - Fomos a uma grande superficie chinesa, junto à Morais Soares, pois não é que, logo na estreia da mesma, esta dobra e caímos de costas no relvado! - Até já parecia que nós éramos o espectáculo!  E lá foram oito euros à vida. Pediram-nos 90 euros numa loja da especialidade, de artigos fotográficos, em Alvalade, obviamente, que estava fora do nosso magro orçamento. Soubemos, contudo, que, a Sport Zon, no Colombo, vende os mesmos apetrechos por 5  euros - "Imbatível", pelos vistos, segundo reza a publicidade  - Temos é que, entretanto, improvisar até que chegue nova remessa, pois fomos informado que se encontra esgotada.   


                                                       
Ecos da imprensa:

RECORD - O Benfica carimbou esta segunda-feira um importante triunfo para encerrar a 20.ª jornada do campeonato a alargar a vantagem para Sporting e FC Porto. Markovic foi a grande estrela do encontro, ao realizar uma exibição endiabrada, coroada por um golo sensacional. Triunfo seguro dos encarnados, que viram Oblak realizar apenas uma defesa mais complicada. Jornal Record

A BOLA - O triunfo sobre o Vitória de Guimarães deixa o Benfica com margem mais confortável sobre Sporting (5 pontos) e FC Porto (7), rivais na luta pelo título, porém, o treinador dos encarnados garante que nada muda na estratégia da equipa.Benfica ainda tem muito para sofrer» - Jorge Jesus - abola.

RENASCENÇA - Golo solitário de Markovic garante triunfo justo mas sem nota artística do Benfica. Encarnados cimentam liderança da Primeira Liga. Recorde as principais incidências do desafio Benfica 1-0 Vitória de Guimarães (Final) - Renascença

EXPRESSO - Com o triunfo de hoje, o Benfica passou a somar 49 pontos e tem agora o segundo classificado, o Sporting, a cinco pontos, já que o FC Porto caiu para terceiro, com 42, à entrada do último terço do campeonato. Benfica vence Vitória de Guimarães e reforça liderança 



domingo, 16 de fevereiro de 2014

Fim-de-semana em Chãs e no Orgal – O Douro e o Côa engrinaldam-se de amendoeiras em flor. Águas correm por todos os ribeiros e regatos com verdes mimosos e floridos a darem o ar de sua graça – Pelo Vale-cheiroso, lá continua o solar das bruxas com o seu ar vetusto e misterioso







Diz a meteorologia que, na segunda-feira, vamos ter tempo chuvoso e frio. Entretanto, fomos presenteados, com um bonito Sábado e Domingo.  


 Aproveitando uma boleia do meu sobrinho, fui da cidade até à minha aldeia, em Chãs, e desta até ao Orgal. De  facto, mesmo que o tempo nos volte a fazer negaças, já  me dou por feliz.  Saí de Lisboa, por volta das dez da manhã, de Sábado: almocei em  Meda, bem e barato .Há muito que não comia frango do campo, muito saboroso e bem servido. Com bebida e sobremesa, tudo por 5.50 euros e  muita simpatia


Depois, após uma breve passagem por Chãs,  fomos até ao Orgal,  com uma curta paragem junto à ponte do Rio Côa para contemplar o rio florido e, de seguida, irmos ao encontro dos pais do Gualdim 

Estava apenas a sua mãe Inês em casa, o pai António tinha ido limpar umas oliveiras. Mas desencontramo-nos: sabendo que o filho estava para chegar, antecipou o regresso a casa. Ele voltou por um caminho e nós  atalhámos por outro. Valeu a pena. Lá fomos, subindo e descendo bonitas colinas cobertas de giestas e de rosmaninho. Regatos correndo por todos os lados. Fontes de nascentes em pedra xistosa, que transbordavam de água cristalina, rodeadas de hortas e de plantas aromáticas. Na vinha, as videiras, ainda pareciam chorar os cortes da poda, ainda muito atrasadas, contrariamente às amendoeiras, que já vão surgindo com algumas manchas floridas. 


Depois da ceia, confecionada pela Inês  - com uns excelentes  grelos das nabiças e  batatas assadas, regadas com o inigualável azeite destas terras xistosas, a fazer-me lembrar a comida feita por minha saudosa mãe nas velhas panelas de ferro à  fogueira do chupão e à luz da candeia - sim, o Gualdim e o pai tiveram ainda a amabilidade de me levar às Chãs, onde os convidei a tomar um cafezinho do Café do José Clara. Como não tinha dormido na noite anterior, não pude aproveitar a magnífica noite de lua-cheia para ir  até ao Pinhal da Raposa, Quebradas e Lapas.






Numa das encostas, lá encontramos o pastor Mário, com o seu rebanho de noventa ovelhas e os seus belos cães. Há vinte e tal anos nesta vida. Apesar das canseiras, não a troca por outra “Ao menos assim não somos mandados por ninguém.” Queixa-se de que nunca teve tão pouco leite como este ano: tudo por causa da chuva e do frio. O que vale é que a Primavera, embora timidamente, já  começou a dar alguns sinais. Mas, se viessem mais uns dias como o de ontem e de hoje, então é que os campos ainda se mostrariam mais belos e alegres. Pelos vistos, a meteorologia, numa espécie de contranatura,  é que vai ditando as suas leis - Pois já basta de frio, de charcos, de enxurradas, de chuva.  Mas também muito por culpa das agressões humanas, com que a poluem e turvam.







DOMINGO MARAVILHOSO

 
Hoje, na tarde de domingo, decidi ir até ao nosso Vale Cardoso. Pelo caminho, quem haveria de encontrar. O Gualdim e o pai  António, sogro da minha irmã,  que regressavam do Cabeço Douro e da Talisga, onde as amendoeiras ainda estão com a floração um bocado atrasada. Tinham ido às azedas e a dar por lá uma olhada - Havia algumas nuvens no céu mas o dia até estava convidativo.


Para aproveitar melhor o resto da tarde, pedi-lhe uma boleia até à "Serra". Tive oportunidade rever um dos terrenos e a velha casa de pedra solta, que me traz à lembrança muitas recordações da minha adolescência, que dariam quase um livro. Lá estava  a grande mimosa brava, rodeada de um matagal de rebentos, que eu plantei quando tinha seis anitos. Dormi ali muita vez com os meus país e irmãos. Os machos voltados para a manjedoura. Nós, deitados ao lado da palha e da lareira. Cobertos por toldos e algumas mantas das albardas. Adormecíamos com o remoer do próprio gado. Era um regalo ver nascer o sol, lá longe, para lá das margens do Côa, junto à Serra da Marofa. E, também, que nostálgico e belo não era aquele panorama, quando  íamos ver o pôr-do-sol, no alto de uns penhascos virados para a Relva, Longróiva e Meda - Oh quanta memória por estas amáveis lugares que viram nascer! 


Grande dor de alma é ver que as gentes envelhecem, a aldeia não se renova e se deprime -  Embora à distância até pareça uma pequena cidade, vai-se despovoando e perdendo a vida de outrora

EM CRIANÇA, IA MORRENDO AFOGADO NUM POÇO BARRENTO E LARGO - NO VALE CARDOSO


O poço, que nos meus tempos de criança, ainda não tinha sido emparedado, agora está rodeado de silvas, mas, naquela altura, eram hortas. Tenho uma má recordação deste poço. Revejo o episódio ainda com a mesma clareza. Num domingo, quando fomos regar a horta, eu e a minha irmã, íamos lá morrendo afogados. O picanço, com que ela tirava a água, rebentou, e, como eu estava uns metros abaixo a desviar o caldeiro de uma pedra, fui arrastado com ela. Eu tinha nove anos e ela 15. Quem nos salvou foi o meu irmão mais novo, que encaminhava a água para as valeiras.

Apercebendo-se da falta da água da regueira e dos gritos da Conceição, correu para junto do poço - Ela  gritava muito,  quando veio à superfície, ao mesmo tempo que tentava  gatafunhar na margem barrenta - Eu também gatinhava e chapinhava num sítio menos íngreme mas não conseguia subir  e fechava a boca e não  pronunciava nem uma palavra para me livrar do afogamento. Vendo-nos aflitos, foi buscar uma cana. Desceu até à pedra onde eu estava e, agarrando-se a um braçado de juncos, estendeu a cana a minha irmã, que, com a sua ajuda, pôde erguer-se gatinhar. Depois foi ela que corajosamente me salvou a mim. Quando nos vimos cá fora, ainda tossindo,  a mim até me parecia ter estado  mais resignado a morrer de que a viver, pois, como ainda não sabia nadar, creio que já tinha  mergulhado umas quantas vezes.

Atualmente, aquele terreno está sem vinha e por cultivar. A velha casa, destelhada. Há por lá umas figueiras, umas oliveiras e amendoeiras, mas não dão para o trabalho. É o que sucede com muitos dos terrenos nesta e noutras aldeias. Têm donos mas estão ao abandono. Todavia, muitas  árvores teimam em frutificar mas não se lhe apanha o fruto. E, de facto, é pena ver amendoeiras, que, não obstante o desprezo a que são votadas, teimam em florir: mesmo já velhinhas e sem qualquer tipo de poda ou tratamento, lá vão embelezando a paisagem com as suas imaculadas flores. Lamentável é porém quem receba o subsídio para as cuidar e preservar e nem assim cuide dos amendoais. 

A HISTÓRIA DE AMOR DA  VACA QUE NÃO QUERIA PERDER O VITELO


De volta, já junto à estrada, enquanto o Gualdim se entretinha com um estranho besouro negro, que parecia dançar no asfalto e correr para a sombra, mal se lhe tocava, pedi ao António que me contasse (para gravar em vídeo) a história da vaca que não queria perder o seu vitelo.- Por duas vezes, deixou o cabanal e foi do Orgal a Chãs , descendo e subindo íngremes ladeiras e atravessando o Câa, para se juntar à sua cria, que havia sido vendida.   Ouça o vídeo, pois vai ver como o amor de uma vaca pela sua vitela ou vitelo, não fica atrás do amor humano: do amor de uma mãe para com o  seu bébé. Deixaram-me junto ao caminho do Cabeço Douro, visto querer fazer o regresso a pé e descer até ao Vale Cheiroso, mais conhecido por Vale Cheinho.










SOLAR DAS BRUXAS

Quando entrei no velho solar, estava-se a pôr o sol. Cheguei a casa, já era de noite, pois quis deambular por lá, ainda um bocado. Sim, gosto muito deste velho solar. Contam-se muitas histórias. Depois do pôr-do-sol, quem ali passasse no caminho defronte ao grande portal (e, se calhar, ainda hoje) não se olhava lá para dentro. Pois dizia-se que, de noite, aparecia por lá o homem do garruço vermelho e andavam por lá a dançar as feiticeiras. 

E, de facto, havia nessas histórias um certo fundo de verdade: pois  era lá que se reunia a velha irmandade das denominadas filhas do "Anjo da Luz", que adoravam a estrela da manhã. Vinham das várias aldeias vizinhas e juntavam-se lá. 


Mal a "Vénus" assomava, no altinho, por cima das carrasqueiras, começava imediatamente a dança no centro do terreiro em volta do seu ídolo. Umas quantas voltas para a frente e umas quantas voltas para trás. Até que cada participante, ficava a   girar isoladamente em rodopio, até entrar quase em voo. Cada uma levava o seu garoto para que a diversão fosse mais completa.

Claro  que o culto era regido sob o máximo secretismo.  A tradição há muito foi extinta. Curiosamente, consta nos roteiros de algum cultos pagãos. Que vão lá, que mais não seja para lembrar a mulher que foi queimada no período negro da inquisição.  E também porque a impressão que passa é a de que, além da beleza, o sítio oferece um recolhimento e um misticismo  muito especial. Sem dúvida, um bonito passeio, que maravilhou os olhos e avivou muita memória.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Benfica de Jesus deixou o Sporting com o credo na boca por 2-0: Vai ser difícil aos leões acertarem o passo mas ainda há muito campeonato pela frente. O futebol não é nenhum templo de sol mas é o maior espetáculo das multidões e os estádios a sua arena – Finalmente, a noite foi serena e bem iluminada, não houve lã de fibra a esvoaçar pelo relvado e chapas a soltarem-se da cobertura sobre as bancadas

Texto e e fotos de JTM - autor deste site - registadas no Estádio da Luz e na área reservada à reportagem





No domingo passado, à noite, o relvado do Estádio da Luz, mais parecia um lugar onde um rebanho de ovelhas acabava  de ser tosquiado. Dois dias depois, a relva, brilhante e limpa de todos os detritos, mais se afigurava ao gramado de um lindo  jardim -Naturalmente,  para tristeza do treinador do Sporting, que não fez jus ao nome – Na verdade, se há milagres, o Benfica pode dizer que foi beneficiado por  dois milagres num curto espaço de 48 horas: o  das enormes chapas de cobertura não terem caído uns minutos antes: se tal acontecesse, certamente que a noite não teria sido apenas de ventania e de chuva mas de tragédia. O segundo milagre foi a extraordinária vitória sobre o seu mais antigo rival – Indubitavelmente, bem merecida. No princípio da segunda parte, os leões ainda estrebucharam e encurralaram o seu adversário no meio-campo, mas não tiveram garras para irem além dos dribles e até permitiram que a equipa anfitriã os brindasse com alguns olés ao jeito do que acontece nas faenas do Campo Pequeno.



Confesso que o principal motivo que me levou ao Estádio da Luz foi mais a fotografia de que  propriamente o futebol. Pois, tendo a carteira profissional de Jornalista e  o colete do CNID, quis aproveitar essa possibilidade, sendo natural   que volte em reportagem fotográfica noutros jogos - Neste ou noutros estádios.

Isto pelo facto de saber que o futebol pode proporcionar imagens humanas de todo o tipo: desde as reações do público nas bancadas à exibição dos  jogadores no campo. É o espectáculo das grandes multidões. Muito diferente daquele que eu procuro no silêncio e  na solidão quando divago lá pelos arredores da minha aldeia., depois do sino da torre da igreja bater as badaladas da meia-noite. E por lá divagar até ao raiar do dia. No espectáculo da noite passada, há que reconhecer que,  mesmo por vezes turvado com ruidosos  assobios, foi  realmente empolgante! Fiz centenas de fotos (e até com  as bolas a entrem no poleiro) a pedido de um amigo que tem um jornal digital na Internet, dedicado ao desporto. Se tivesse na minha aldeia preferia fotografar as pedras (as fragas dos Tambores e outras paisagens) mas como resido pela capital,  acaba por ser de algum modo uma forma de devaneio desportivo e artístico.


Já há muito tempo que não entrava num estádio de Futebol. A última vez foi na inauguração do Estádio do Dragão. Já lá vão uns anos. Fui lá a fazer uma reportagem fotográfica. Era treinador o José Mourinho e, o clube visitante, o Barcelona. 

Pouco antes do jogo começar, ofereci ao atual treinador do Chelsea um pequeno talismã: uma pedrinha que havia trazido do Monte dos Tambores. Sim, tenho um especial culto pelos grandes penedos e também pelas pedrinhas. Sempre que vejo uma que me chame atenção, lá estou eu a metê-la ao bolso e guardá-la como talismã. Há três anos encontrei um em osso, que tem cinco mil anos, dizem os arqueólogos.

Pois foi justamente uma dessas pedrinhas mágicas que resolvi oferecer a Mourinho, naquela noite. Cheguei junto dele e disse-lhe: tome lá esta pedrinha e guarde-a”. Ele esboçou um sorriso de surpresa: “o quê?!”… A que eu acrescentei, sem mais explicação: “É uma lembrança minha, guarde-a bem guardada”. Já me não  recordo de mais nada. Mas tenho ainda bem presente a sua expressão de sorridente surpresa. E ainda até tenho as fotos que lhe fiz nessa noite. O que eu agora não posso adivinhar é se a guardou .Mas lá que aceitou, isso foi verdade.  



Naquela altura ainda não tinha descoberto os alinhamentos solares mas era já minha convicção de que se tratava de um lugar sagrado – Sim, a minha religiosidade não é a mesma que é professada no interior das igrejas, pois acredito (mas não só eu) que há lugares que se comportam como as veias no corpo humano, possuídos de correntes de energia, que antigos povos souberam escolher para erguerem os seus santuários – E, por outro lado, que dizer de certas coincidências?.... Sim, que dão mesmo que pensar: umas vezes porque a sorte ou a nossa boa estrelinha nos acompanha e ilumina  - e quantas vezes a mim não me iluminou quando andei perdido 38 dias no alto lar, naquelas negras e tempestuosas noites! – outras, enfim, porque o destino nos trai. 


No fundo, tudo isto também um pouco a  propósito do que se passou no Domingo passado no Estádio da Luz. Pois, não é demais sublinhar, que, se não se tivesse dado a feliz circunstância de alguém se ter lembrado de ordenar o adiamento do jogo e pedir a saída do público, o que não teria acontecido?...

Este é um aspeto gravíssimo em que não  pode deixar de se refletir – Nomeadamente quanto às responsabilidades da  empresa à qual foi confiada  a cobertura do estádio- Pois quem sabe se, devido à sua incompetência, este não será apenas o primeiro sinal de outros episódios, bem piores, que poderão um dia vir a ocorrer. 

Bom, mas para já, o importante é ressalvar os aspetos positivos do adiamento: quem decidiu, fê-lo com o melhor sentido oportuno, Pois é inimaginável o que poderia ter acontecido, se não houvesse alguém que tivesse tido essa coragem!   - E quem o adiou para o principio da noite passada, pelos vistos, também acertou em cheio. Sem uma aragem ou gota de chuva. Sem frio e com muita alegria e entusiasmo – Até mesmo para as claques sportinguistas, que nunca deixaram de acreditar nos ídolos da sua equipa e que, só após o segundo golo do Benfica, emudeceram um pouco. Pois, mas estes espetáculos futebolísticos, são mesmo assim: a alegria de uns é a tristeza de outros. O verdadeiro prazer  da vitória, só se saboreia depois de se conhecer o desgosto da derrota. E certamente que até ao fim da jornada, ainda vai haver lugar  para muitas alegrias e tristezas de parte a parte.