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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Salazar “O Fim e a Morte”: - Macieira Coelho, o cardiologista que aplicou os choques elétricos ao coração do ditador, revela os momentos de tensão por tamanha responsabilidade – Sobrinho neto de Egas Moniz e filho do Eduardo Coelho, médico assistente, recorda “o vespeiro de intriga nos corredores da Cruz Vermelha, desde políticos às mulheres da alta burguesia lisboeta” – Fala da calúnia lançada à memória de seu pai – acusado de diagnóstico errado - e do teste à virgindade: do vergonhoso toque vaginal à governanta D. Maria, depois de morta.


"Há um mês, o presidente Salazar  estava sentado numa cadeira  e o calista tratava-lhe os calos. O presidente lia o jornal, a cadeira desconjuntou-se e o presidente caiu  e deu ligeiramente  com a cabeça no chão. Levantou-se facilmente auxiliado pelo calista. Não ficou com dores e continuou a ler.  -Poucos dias depois veio o dia da minha visita normal. Relataram-me o sucedido" In Salazar -O Fim e a Morte 


Oliveira Salazar  “era muito amado pelas senhoras” que “alimentavam um culto à sua volta” e a Cruz Vermelha  “um vespeiro de intriga política”  Américo Thomaz nunca informou Salazar da sua exoneração por Marcelo Caetano, todavia, “do ponto de vista clínico era um homem   acabado; nunca mais podia ser 1º ministro– Revelações ao vida-e-tempos.com  pelo cardiologista Eduardo Macieira Coelho, um dos médicos da equipa  na  fase terminal do ditador. Que entrava, sempre pelas traseiras, no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa,  "para não ser incomodado" 

Se alguma coisa de mal sucede, o meu filho matou o Salazar” – Macieira recorda a “angústia desses momentos”  e a preocupação do seu pai, Eduardo Coelho, médico assistente. Mas “ao 2º choque o coração estremeceu e ficou estabilizado” – “A Pide estava sempre no corredor” O Professor  da Faculdade de Medicina de Lisboa, especialista em Cardiologia,  autor de vários estudos científicos e das artes e letras, sobrinho neto de Egas Moniz, confessa que ainda hoje não sabe “se  ele era um homem de extrema direita ou se era um homem extremamente anti-esquerda”

ASSISTIDO NA FASE TERMINAL POR AUTÊNTICO BATALHÃO DE MÉDICOS,  CUJOS SERVIÇOS E TRATAMENTOS  CUSTARAM AOS COFRES DO ESTADO MAIS DE 1,5 MILHÃO DE EUROS

Durante mais de duas décadas apenas um médico conhecia o perfil clinico e psicológico de António Oliveira Salazar  e algumas das suas confidências - era o médico assistente   Eduardo Coelho  – Porém, depois da célebre queda da cadeira,  foi rodeado por “uma vastíssima equipa de médicos, disponibilizados e pagos pelo Hospital da Cruz Vermelha. Segundo uma listagem feita pelo Expresso, foram 43 os clínicos que o trataram, das mais variadas especialidades (desde neurologia e neurocirurgia, até anestesiologia, passando por urologia e nefrologia

A listagem baseia-se no próprio processo clínico de Salazar, existente no Hospital da Cruz Vermelha, completado por dois dos principais trabalhos sobre o fundador do Estado Novo: a biografia "Salazar", de Franco Nogueira, e "Salazar. O Fim e a Morte", do seu médico Eduardo Coelho, escrito em parceria com o filho António Macieira Coelho Salazar foi acompanhado por 43 médicos – Um dos artigos publicados no dia 27 de Julho de 2008, ou seja, inseridos no  dossiê Salazar morreu há 40 anos


MUITOS MÉDICOS E GRANDE CONFUSÃO   - POLÉMICAS QUE ACABARIAM POR TER EPÍLOGOS NA IMPRENSA E NOS  TRIBUNAIS

Não foi por falta de médicos que Salazar foi para a cova. Foram muitos e nem sempre se entenderam muito bem. Houve acesas  discussões e, algumas delas, quase em vias de facto. Ao terem nas mãos a responsabilidade da vida de Salazar, alguns dos médicos conheceram pressões que os marcaram, dividiram para sempre" 

A história – jogo de bastidores do mundo clínico, de interesses e de equívocos, orgulhos e despeitos, poderes e perversidades – é longa, desconcertante, com lances  incomuns de manipulação e de hipocrisia” – Escreve Fernando Dacosta, em Máscaras de Salazar 

"Cenas de pugilato" - Diz ainda Dacosta no mesmo livro

"A versão de Eduardo Coelho só virá a público 20 anos depois. Ao preparar um artigo sobre a efeméride para o semanário O Jornal, recebo a indicação, através de António Valdemar, da existência de um texto  escrito pelo visado. A família faculta-mo.

“Fui eu que assumi”, lê-se nele, a responsabilidade de um hematoma intracraniano subdural e da intervenção cirúrgica, por os neurocirurgiões presentes não concordarem com o diagnóstico”. E acrescenta: “Quem fez a operação não foi Vasconcelos Marques, foi o Álvaro Athayde. Ao abrir o cérebro de Salazar, ele até exclamou: «É um grande hematoma»” .

A revelação do documento provoca alvoroço nos meios políticos, médicos, jornalísticos. Vasconcelos Marques vê-se obrigado  a assumir em público o que divulgara em privado. “ – Excertos transcritos de Máscaras de Salazar



EDUARDO MACIEIRA COELHO FALOU-NOS DO LIVRO “SALAZAR - O FIM E A MORTE” – COM TEXTOS DE SEU PAI EDUARDO COELHO E  DO SEU IRMÃO MAIS VELHO,   António Macieira Coelho


"Está aqui tudo escrito" - diz-nos mostrando-nos a obra que, entre outros aspectos do perfil psicológico de Salazar e das observações da última doença que o vitimou, visava defender a honorabilidade de Eduardo Coelho, acusado por Vasconcelos Marques, director dos Serviços Neurocirúrgicos dos Hospitais Civis,  de limitar-se a dar, durante um mês, aspirinas ao paciente, de não ter a coragem de determinar a intervenção cirúrgica, culpabilizando-o pelo desfecho dos acontecimentos"

  Um livro que chegou a ser anunciado, em 1970, com o título "Salazar Visto pelo seu médico".  mas que a sua morte veio a protelar. Refere a obra, que, Eduardo Coelho pretendia inseri-lo  "num conjunto de ensaios relativos a personagens que estudou, nacionais e estrangeiros,  de diferentes épocas, na sua projecção científica,  histórica e cultural, queria deixar o seu testemunho sobre Oliveira Salazar, também um dos seus doentes e que conheceu bem ao longo  de quase vinte e cinco anos"


Imagem Web)



Sobre, Vasconcelos Marques, esclarece: "Um mês depois do artigo de Fernando Dacosta, o semanário O Jornal, nº 707 ( de 9 a 15 de Setembro)publica em página inteira  uma carta de Vasconcelos Marques com o título “Só eu fui responsável  pela operação de Salazar” (doc.1 pág.197) única maneira de avaliar
 a injúria.
Finalmente vinha a descoberto a origem das inverdades que recheavam as páginas 391 a 492 da biografia de Franco Nogueira. Vasconcelos Marques denunciava-se: nas mentiras, na deturpação dos factos, nas contradições, na invenção de situações, nas calúnias

 (...) "Vasconcelos Marques tinha-se aproveitado da ocasião que lhe era proporcionada pela ingenuidade e a boa fé de um autor , para se vangloriar  por haver sido chamado para operar o presidente  do Concelho, Oliveira Salazar. Não havendo  percebido o diagnóstico  e não o aceitando, receoso da intervenção cirúrgica, recusou operar o doente; mas como já era o único dos principais protagonistas clínicos, insinuou-se junto do historiador para passar à história."

 (…) "Face  ao artigo difamatório perfilavam-se três caminhos: esclarecer publicamente os desígnios obscuros de Marques, utilizando a mesma imprensa; intentar uma acção penal quanto ao crime de difamação com a agravante que a lei prevê tratando-se de uma pessoa falecida; apresentar queixa na Ordem dos Médicos por graves ofensas à deontologia, claramente patentes no Código Deontológico da profissão."

SALAZAR DEU PLENA LIBERDADE AO SEU MÉDICO ASSISTENTE DE FORMAR A EQUIPA QUE ENTENDESSE - A GOVERNANTA SÓ NÃO QUERIA QUE HOUVESSE ALGUM CONTRA O REGIME - Mas um dos médicos convidados -  era militante do PC - recusou o convite. Macieira Coelho não nos falou do nome do colega mas o Expresso, também cita o referido episódio.

 "Perguntei se podia chamar um neurocirurgião da minha confiança. Salazar deu-me toda a liberdade para eu escolher o que entendesse. " - diz Eduardo Coelho, em "Salazar - O Fim e a Morte

 "Só a Maria de Jesus me afirmou: “Veja lá se vem alguém que seja contra a situação”. Respondi-lhe: “Tomo a responsabilidade pelo cirurgião que eu chamar”.

(...) Avisado o chefe de Estado  do ocorrido, os membros do Governo e amigos políticos do presidente Salazar . Exposição e discussão do caso clínico, enquanto não chegava o chefe do Estado.

Para mim o caso clínico punha-se com grande nitidez. A história clínica era bem significativa: que as alterações motoras, quer as psíquicas e as de sensibilidade, aparecidas 4 a 6 semana depois do traumatismo, são características. Tratava-se de um hematoma intracraniano, subdural, e o doente tinha que ser operado sem demora. O neurocirurgião punha dúvidas  e pensava que devia tratar-se de uma trombose , portanto, sem indicação operatória"

(...) A situação do doente agravava-se progressivamente  desde as 20 horas, quer dizer desde que saiu  do Forte de Santo António . Perguntei se queriam ouvir mais alguém . Assistiam à discussão deputados, ministros  e outras entidades que ficaram muito impressionadas.

O Dr. Mário de Figueiredo  e o Dr. Bissaia Barreto, em vista ao nosso desacordo, propuseram a vinda  do Prof. Almeida Lima, que chegou meia hora depois.

Este colega admite poder tratar-se  de uma "trombose"  da carótida  interna esquerda. O Dr. Vasconcelos Marques  aceitou imediatamente  este diagnóstico. Concluíram nada haver a fazer, o doente estava perdido, sem recurso cirúrgico. Tratou-se de um discussão acesa , até violenta. O Dr. Soares Fonseca disse-me dois dias depois  que nunca me vira assim. De um lado, um neurocirurgião que negou a existência de um hematoma, e se afastava portanto do diagnóstico. Do outro, o médico assistente que o chamara para operar , totalmente seguro do seu diagnóstico

OUTROS EXCERTOS DE " Salazaro fim e a morte: Historia de uma mistificacão

Salazar tem apenas alguns amigos íntimos. Um dia contou-me a razão pela qual se privava de alagar as amizades; far-lhe-iam um chuva de pedidos sem poupança. “Eu tinha de me libertar dessa pecha”- acentuou.

A solidão constituiu um factor de vulto, para o poder criador de Salazar
.
2. Madame Garnier, autora de uma biografia íntima de Salazar, fala das razões que o levaram a desviar-se do casamento. Parece ter havido a intenção de se casar com a filha de um proprietário da Beira, de cujas propriedades  o pai de Salazar era feitor. Outros casos haveria. Salazar escreveu alhures  que o casamento o privaria de dar a sua vida integralmente à Nação. Na verdade, sacrificou tudo ao País, até a sua vida íntima afectiva.
(…)Mas outro caso ainda se passou comigo, dizendo-me respeito e onde mostrou a sua frieza.

Visitava-o no dia em que dois dos meus filhos partiam para destinos bem diferentes – um para os Estados Unidos para uma especialização  médica que prosseguia, outro para a Índia como médico, chamado pelo exército em guerra. À pergunta de Salazar notando qualquer alteração no meu estado de espírito, disse-lhe o que se passava quanto a dois dos meus filhos: um ia especializar-se para continuar as suas especializações e ganhar a vida; outro, talvez fosse perdê-la. Salazar imperturbável atalhou: “se a perder será pela Pátria e isso constituirá motivo de orgulho”. O desfecho da Índia foi o que se sabe mas Salazar nunca mais me falou no assunto.

(,,,) 3 Maria de Jesus, a governanta de Salazar desde há 50 anos, tem desempenhado um papel excepcional na vida do Presidente Salazar. Inteligente, discreta, com muito senso comum, “advinha” os desejos do chefe e segue-lhe os passos. Apreende as suas ideias e dirige-lhe a vida doméstica. Ao fim do dia ouve-lhe o desabafo das arrelias que o incomodaram, que ela procura suavizar  com as suas frases “não faça caso”, “não  se consuma”. Sabe retirar-se a tempo. Tem a noção perfeita  do lugar que ocupa  e do que deve fazer. Depois da doença vascular coronária de que a D. Maria foi cometida, Salazar tem com ela cuidados paternos

5. Salazar tinha uma vida de colegial. Este era o segredo do trabalho intenso que ele executava sem descanso. Levantava-se às oito horas, lia os jornais da manhã, trabalhava até às catorze. Recebia em geral determinados visitantes às quinze. Descansava das dezasseis às dezoito. Tomava o chá e continuava a trabalhar até às 21-22 horas, com os ministros ou com o subsecretário de Estado da Presidência, ou com os secretários. Deitava-se à meia-noite.

Era frugal nas refeições e nas bebidas. Bebia apenas um decilitro do vinho do Dão, das suas pequenas propriedades. O café era para Salazar “a melhor bebida depois da água”. Não podia todavia tomar café porque o excitava . Nunca fumou.

A sua vida estava organizada de uma forma regrada e simples. Muitas vezes dizia que esperava acabar os seus dias  em Santa Comba apenas com a sua pequena reforma  que lhe chegaria desde que a Maria lhe tratasse das couves e das batatas.

Aí pensaria escrever as suas memórias. Uma frase de Maria: “ essa pequena reforma chegará se a conta da farmácia não aumentar”

7. O mundo moderno provocava-lhe tristeza, sobretudo as fraquezas do Ocidente, “que resvalava para o abismo” (…)A Europa a continuar como faz , deixa de existir como valor de influência no Mundo e ficará em situação secundária. Será no tempo dos seus netos.
A China é um enigma. Daqui a 20 ou 30 anos o que será ela? Combaterá a Rússia? É muito provável. Uma guerra entre ambas poderá salvar a Europa. - Excertos copiados linha a linha directamente do livro Salazar - O Fim e a Morte

As recordações inesquecíveis, de Maceira Coelho, o sobrinho Neto de Egas Moniz  - Sem com isto pretendermos misturar os  dois temas, que prometemos não associar, todavia, como ponta final deste trabalho, é também um gesto do nosso sincero reconhecimento pela amabilidade de nos ter concedido a entrevista - Cientes de que estamos aqui a deixar um registo histórico, sobre o testemunho de duas figuras muito diferentes -  a de um ditador que governou quase meio século Portugal e um dos nomes mais prestigiados da medicina  portuguesa e mundial. 




Eduardo Maceira Coelho mostrando a capa do livro da biografia de António Egas Moniz , de autoria de João Lobo Antunes , outro distinto investigador merecedor do mais alto galardão João Lobo Antunes: “Egas Moniz merecia dois prémios Nobel ..


Macieira Coelho - Também ele um investigador com prestígio internacional - Afável, simples e de uma grande generosidade -Professor  da Faculdade de Medicina de Lisboa, especialista em Cardiologia,  autor de vários estudos científicos e das artes e letras, sobrinho neto de Egas Moniz,

- O nosso sincero agradecimento pelo prazer e honra de nos ter recebido em sua casa e nos ter proporcionado tão agradável  como interessante diálogo – 

"Um dos exames mais conhecidos pelo público é a cinecoronariografia, que é realizada como parte fundamental do exame hemodinâmico, possibilitando a realização das cirurgias de by-pass de safenas e artérias mamárias (hoje chamadas torácicas).(...) Quem teria criado esse exame, que possibilitou em grande parte tanto avanço na cardiologia? Se perguntarem aos cardiologistas, a maioria deles dirá que foi o Professor Sones (Mason), dos USA. Na realidade, Sones tornou operacional e prático o exame em 1958, difundindo-o pelo mundo. Contudo, seu criador, o primeiro a fazer a demonstração radiológica de uma Coronariografia, feita em um exame hemodinâmico com injeção de contraste, foi outro. Foi um cardiologista que trabalhava em Lisboa, Portugal, o Professor Eduardo Coelho, em 1952.-


O autor desta coluna de Cardiologia valeu-se, ao escrever esta matéria, das contribuições: “OLHARES/VIEWS”. Fragmentos para uma História da Cardiologia Portuguesa. Eduardo Coelho e a Escola de Cardiologia de Lisboa. Autor: Professor Dr. E. Macieira-Coelho. Editores:Carlos Perdigão, Manuel Valente Alves. Sociedade Portuguesa de Cardiologja, 2006. Comunicação Pessoal: Dr. E. Macieira-Coelho, julho 2006 Excertoshttp://dev.atmosferafeminina.com.br/internas/interna_generica.aspx?page=colunistas/detalhe_coluna.ascx?colunas_id=57 

Outros trabalhos de Eduardo Macieira http://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/viewFile/1184/836  -----http://eurekamag.com/research/007/671/postexercise-electrocardiographic-medical-patients-sick-sinus-syndrome.php



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