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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Para onde vai o mundo?... A queda de um Boeing 777 da Malaysia e a ofensiva de Israel à faixa de Gaza - Testemunhos de um mundo que caminha à beira do precipício - Se o mundo vai assim é porque o ódio ofusca as mentes e supera o amor – Adeus mundo, cada vez pior – Pelo menos enquanto for dominado pelo liberalismo selvagem - Valha-me o silêncio de uma casa centenária na minha aldeia, habitada por morcegos, andorinhas e lacraus mas repleta de muitas memórias



 


Não tenho seguido atentamente as notícias. Contudo é quase impossível passar indiferente às más notícias. E o dia de ontem e a noite, trouxeram  más novas à paz mundial - o brutal abate de um avião civil e o  atear da fogueira israelo-arabe, com consequências altamente perturbadoras para a tranquilidade, o progresso e o bem-estar  da Humanidade. 

Mesmo quando não se ouve a rádio, se não leem jornais ou não se veem telejornais. Depois dos factos eclodirem, algo os faz ecoar como o trovão por todos cantos do horizonte. E é justamente do que venho falar. Não disponho de televisão, nem ouço rádio nem tenho lido jornais. Aliás nem considero que me façam falta. Estou na minha aldeia e, na antiga casa dos meus país, que, aliás, já nem me pertence mas por cá me abrigo, graças ao favor da minha sobrinha, quando deixo a capital. Que, como está desabitada,  me faz o favor de a poder arejar, lhe abrir as portas e janelas. Pois a casa está quase como foi construída há mais de cem anos.  Para que os vidros das duas janelas voltadas para a sacada, não acabassem de cair, ontem dei-lhe uma passagem de tinta branca, que escorreu pelas vidraças e não ficou nada a condizer com o granito e o verde desbotado da madeira, mas paciência. Não tenho jeito para pintor de construção civil e a reforma é magra, há que desenrascar.



Velha, desabitada, é verdade: uma geleira no Inverno e uma estufa no Verão, com ninhos de escorpiões e algumas teias de aranhas nas paredes graníticas do sótão, ao qual aqui chamam de "loija", e onde o meus pais tinham a tulha da azeitona, a salgadeira da matança do porco, a arca do azeite, os tuneis do vinho, as duas tulhas do cereais, onde a minha mãe amassava o pão que ia levar ao forno, nada disso já resta, senão um amplo espaço húmido e quase vazio - Ah!, por cima da sanita improvisada e junto ao caibro da camieira, há um ninho de andorinha. O outro, mais ao lado, este ano não fez criação.Não apareceu.

Todos os anos, ali vêm criar os filhotes. E  não se assustam, mesmo quando faço barulho a abrir ou a fechar a porta de ferro. Anteontem, em Foz Côa, vi um filhote caído no chão, por baixo de um beiral, na Praça do Tabulado, peguei nele acariciei-o, e, como gostasse dos meus carinhos, resolvi trazê-lo e colocá-lo neste ninho. Receava que o rejeitasse mas até agora, felizmente que isso não sucedeu.
 
O ano passado deparei com uma cobra no sobrado, confesso que não gosto muito desses bichos, tendo-a sacudida à vassourada. Os morcegos, por vezes,  também aqui os descubro a voltear quando acendo a luz mas, dou-lhes uns instantes de escuridão e lá vão à vida deles e eu fico na minha. Os formigueiros é que é mais dificil extingui-los: não largam as sementes dos pássaros. 

Todavia, mesmo no estado de abandono em que  se encontra, sinto-a e ouço-a repleta de muitas memórias.  E para mim, este é o aspeto mais importante   - Pois, já não tenho outros bens que os caminhos por onde passo e, dos cinco que éramos - quando nos púnhamos à volta de mesa para cear, comendo as batatas do mesmo prato, apenas existo eu e o meu irmão mais novo, que, há mais de trinta anos, aqui não vem. Não sei bem porquê - que   ares de brumas ou de desencanto o dececionaram ou ares de pita choca lhes deram na mona para esquecer este nosso antigo lar velhinho mas tão querido onde não fomos paridos, é certo, mas onde as nossas adolescências cresceram e foram  moldadas.


 

Como ia dizendo, aqui não me interessam particularmente  as notícias. Claro que tenho computador mas também procuro passar ao lado dos noticiários. Vim para passar aqui uns dias, longe da confusão. 

 

Todavia, ontem, ao fim da tarde, num curto diálogo telefónico com meu velho amigo, Luis Pereira de Sousa, perguntando-lhe que noticias me dava, fiquei a saber que um míssil tinha atingido um avião, provocando a  morte de quase trezentas pessoas. E o seu comentário, era de espanto e de preocupação, tal como o meu. Nem podia ser de outro modo. Mas, vendo bem, quem é que hoje  se espanta com estas barbaridades, se elas dominam diariamente as manchetes dos jornais e os espaços informativos das televisões.


Quando soube, encontrava-me, na altura, a deambular pelo maciço dos Tambores, onde fui observar o pôr do Sol na Pedra do Solstício – Para admirar o poente e ver a que distância já se punha  o grande leão dos céus, fora do eixo daquele calendário solar, transcorrido que vai quase um mês sobre a entrada do Verão. Afinal, por agora,  a distância do afastamento ainda é curta. Mas é um facto que os dias vão minguando progressivamente, se bem que de forma ainda pouco percetível - Em contrapartida, por este andar, aumenta a nossa apreensão, a incerteza em dias melhores.




 
Antes de regressar a Casa, dei uma vista de olhos pelo Altar dos Poetas e fui atraído por a coachar das rãs numa charca para a caça, não resistindo a gravar um vídeo, tal era o altisonante concerto. Depois passei pelo curral das ovelhas do José Júlio. Mais uma vez os cães, não fosse a sua pronta intervenção, quase se atiravam a mim, como lobos. 

Pois é sabido, que, a canzoada, estranhando as minhas peregrinações  às desoras, quando às tantas deixo a aldeia sonolenta e deserta, não para de ladrar e de agressivamente assinalar a minha presença. De seguida dei uma espreitadela pelo Café do José Clara para beber uma água e travar dois dedos de conversa com os meus conterrâneos - também numa aldeia cada mais deserta e envelhecida. Fiquei então a saber mais pormenores da horrível  queda de um Boeing 777 da Malaysia Airlines no Leste da Ucrânia – Kiev e separatistas acusam-se mutuamentepela queda do . 

Agora, já no silêncio do meu quarto (com as minhas aves sossegadas, com a gaiola coberta por um pano no quarto mais escuro, pois não param de gritar se não lhe concedo o sossego que requerem ou se não as descubro quando amanhece), sim,  ouvindo do Youtube, como que em pano de fundo celestiais mantras,  já madrugada adiantada  (pois esta noite não fui dar a habitual  escapulidela noturna, lá pelos penhascos, ou pelo terreiro do solar do Vale Cheínho (onde gosto de vestir as minhas túnicase martelar alguns sons no jambé, como que evocando aquelas alegres e divertidíssimas noites dos sabats, que por ali  praticavam umas quantas mulheres, saudando a estrela da manhã, acompanhadas cada qual com o seu garoto, vindas das várias aldeias vizinhas) e, então, agora com uma  lua que, por tão luminosa e grande, até tem parecido estar quase ao alcance de uma mão,   sim, ao preparar-me para escrever este texto,  constato pela Internet, que, afinal, o dia fora marcado não apenas pelo macabro ato, como se agravou o conflito de Israel com os seus vizinhos árabes – De que “O primeiro-ministro de Israel,  Benjamin Netanyahu, instruiu os militares nesta quinta-feira a começar uma ofensiva terrestre na Faixa de gaza, Premiê de Israel ordena ofensiva terrestre na Faixa de Gaza

 

QUE DIZER FACE A ESTAS TERRÍVEIS NOTÍCIAS?

"Adeus Mundo, cada vez a pior", é um lugar-comum. Uma frase que as gerações mais velhas ouviam dos seus pais e avós. E, por sua vez, estes dos seus pais, avós e bisavós.

Mas é mesmo verdade: aquilo que o  mundo conquista no domínio da ciência e da inovação, perde em bom senso, em lugar do amor, supera a violência e o ódio. 

É claro que o mundo nunca foi um lugar de paz, de amor e de concórdia. E guerras, as mais terríveis, barbaridades, sempre as houve  Só que, há umas décadas atrás, sim, antes da descoberta do nuclear, os conflitos, as guerras, quando as havia, eram regionais, de um ou vários países, ou até mesmo intercontinentais,  tal foi o caso da 1ª e da 2ª guerra mundial, mas agora, a ameaça pendente pode ser bem mais destruidora e global. 

Em vez de fazer varrer  duas cidades, como foi o caso de Hiroxima (25 de Julho de 1945) e Nagasaki (6 de Agosto) - até parece que o calor do verão perturba ou enlouquece os nervos dos dirigentes das nações – pode muito bem destruir por completo um ou mais países, num simples premir de um botão.


AS ARMAS NUCELAR NÃO ESTÃO NAS MELHORES MÃOS

A NATO,  liderada pelos americanos, invadiu o Iraque, a pretexto de que, Sadam, estaria na posse de armas químicas e nucleares, destroçaram um país, que ainda hoje não se reencontrou. Fizeram o mesmo à Líbia, matando Kadhafi, destruindo vilas, aldeias e cidades, provocando a morte de  milhões de pessoas, a que deram o nome de Primavera Árabe - Eu diria a Primavera da Roubalheira do Petróleo.  

O mesmo estão fazendo na Síria, levantando o fantasma de arsenais químicos, deixando o país de rastos, com o inevitável sofrimento de imensas vidas inocentes. E agora qual o capítulo que se vai seguir?!...


"Ninguém sobreviveu. Os repórteres no local descreveram um cenário grotesco: cadáveres ainda presos ao assento com o cinto de segurança, dezenas de corpos desmembrados, misturados com os destroços do avião. Alguns incêndios e o cheiro intenso a combustível de avião compunham o palco de uma tragédia que voltou a acontecer a um avião da companhia malaiaObama confirma que míssil terá sido disparado de zona ...

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