expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

sábado, 30 de agosto de 2014

Morcegos em casa – Companheiros da mais uma noitada ou vampiros da noite?

Companheiros de mais uma noitada ou atrevidos vampiros da noite?...Não se surpreenda ou arrepie - o Agosto está no fim e, neste mês do ano, acontece um pouco de tudo - Desde os incêndios mais devastadores (se bem que este ano estejam talvez mais reservados para Setembro) até  aos maiores espetáculos pimba, às mais solenes festas religiosas ou férias mais divertidas - Sim, para quem as pode gozar. Mas, como reagiria, se às tantas das noite, o seu quarto de dormir  fosse invadido por morcegos? -  Para desanuviar, ofereço-lhe, desde já, a opereta cómica dos morcegos.






Só me faltava mais esta - Não basta a canzoada não parar de ladrar quando depois da meia noite saio de casa - Sim, porque, quando estou na minha aldeia,  por vezes também sou perigrino da noite...E, de dia, quando deambulo pelos penhascos dos Templos do Sol e em certas caminhadas, encarno a figura de  peregrino da luz. - Ontem encarnei as duas peronsagens: fui a pé ao Côa (8km - que maravilha estava a água!) e cheguei à noitinha sob uma chuva miudinha. Pelo caminho - a partir da Quinta do Monte - um mocho acompanhou-me até à Costeira da Taça, Ora levantando voo ora pousando. Saltitando de oliveira em oliveira ou de amendoeira em amendoeira. Porventura, algum mocho solitário com problemas de solidão.

São duas e tal da manhã, do dia 30 de Agosto, mais uma vez recebo a imperada visita, não de um morcego mas de dois morcegos, que, subitamente começam a voltear o meu quarto – Por baixo, no sótão, há um ninho de andorinha mas como a mãe já fez a criação, fica fora do ninho com os filhotes, pousados num fio. Num dos quartos, o mais pequeno, estão as gaiolas das minhas aves tropicais, em sossego, só durante o dia é que as coloco  junto à janela. 

Como se pode ver, embora professando o celibato, companhias não me faltam. Mas, para ser sincero, confesso que bem dispensava a presença dos morcegos. 

Preferia que não fossem atraídos pela luz do meu quarto e andassem lá na sua vidinha noturna. Mas, se aqui entram, o problema é deles, não é meu. Desta vez, não apago a luz. Espero que aprendam a lição de que a noite não é só para morcego  fazer as suas caçadas – Há também quem faça da noite as suas noitadas e há que respeitar os seus caprichos ou necessidades.Às quatro e pico da manhã, edito este post e o raio de um dos morcegos não despega do teto.

Mas, recapitulando: Deixo o computador, onde estava a selecionar  umas quantas fotos para editar num dos meus sites e pego na máquina fotográfica para registar os inesperados visitantes.  Um, assustado pelo flashe, escapa-se por uma das abertas da porta, por onde entrou, o outro, esse não quis sair: depois de esvoaçar de um lado para o outro, pendurando-se ora no teto ora na porta da janela, acabou por se familiarizar com a minha presença e de se pendurar junto à janela, quase por cima da mina cabeça - De  orelhas arrebitadas e focinho bem afunilado, como que  observando todos os meus gestos.   Obviamente que não lhe faço mal e,  nem
 ele, com certeza, entrou no meu quarto armado em vampiro.


A propósito: “O morcego é um animal mamífero da ordem Chiroptera cujos membros superiores (braços e mãos) têm formato de asas membranosas, tornando-os os únicos mamíferos naturalmente capazes de voar. No Brasil, o morcego pode ser raramente chamado pelos seus nomes indígenas andirá ou guandira.

"Os morcegos têm a dieta mais variada entre os mamíferos, pois podem comer frutos, sementes, folhas, néctar, pólen, artrópodes, pequenos vertebrados, peixes e sangue. Cerca de 70% dos morcegos são insetívoros, alimentando-se de insetos, sendo praticamente todo o restante frugívoros, ou seja, alimentam-se de frutas. Somente três espécies se alimentam exclusivamente de sangue: são os chamados morcegos hematófagos ou vampiros, encontrados apenas na América Latina."


"Os morcegos não são malvados como parecem! - Eles são importantes para a natureza: ajudam na reprodução das plantas e no controle de pragas. Eles têm fama de malvados. E não são muito bonitos. Mas se os conhecer melhor você vai saber que, apesar da cara esquisita, têm um papel importante na natureza e ajudam outros seres vivos".– Excerto de Bil - O morcego é um animal mamífero da ordem Chiroptera ..

NA ÚLTIMA SEXTA DE AGOSTO


Era para ter aproveitado a noite de Sexta para Sábado para ir até ao antigo solar do Vale Cheinho, situada numa canada, entre a minha aldeia e a povoação de Quintãs: gosto do lugar, e, quando mais escura estiver a noite, no meu ponto de vista, mais apelativa se torna, mais mistério infunde – E quem é que não sente o apelo das coisas ou dos lugares misteriosos?  Sim, conheço as ruinas do Vale Cheinho, desde a minha adolescência. E, na minha aldeia, também toda a gente conhece as casas velhas de uma antiga quinta, que tinha tudo, desde lagares de azeite e de vinho, fornos, cabanais para o gado, só não tinha capela. Mas também só por lá passam, no caminho  ao lado,  se for durante o dia. Depois do pôr do sol, nem sequer olham para dentro do grande portal. 


Corre a superstição de  que, às tantas da noite, aparece por lá o homem do garruço vermelho e que era onde, antigamente, as feiticeiras se encontravam no seus sabats. 


Seja como for, os jovens, sobretudo os filhos dos emigrantes, em gozo de férias, ávidos de novas aventuras e de levarem histórias para contar depois do regresso a França, já me apercebi que, não se importam de ir lá a qualquer hora – Salvo seja: de noite, só na minha companhia. E foi justamente o que sucedeu, há uns dias – alguns deles vestindo farpelas numa espécie Halloween antecipado – Divertiram-se, tocando tambores, houve pequenos sustos, enfim,  lugar para variadíssimas emoções. Deixo aqui algumas dessas imagens, numa postagem propiciada pela visita dos morcegos  esta noite a minha casa.

 A CASA DA BICHARADA

Tal como tive ocasião de referir, noutro post anterior, quando deixo a capital, onde resido habitualmente  e venho de visita à minha aldeia, instalo-me na antiga casa dos meus país, que, aliás, já nem me pertence mas por cá me abrigo, graças ao favor da minha sobrinha. Como está desabitada,  faz-me  o favor em troca de a poder arejar, lhe abrir as portas e janelas. Pois a casa está quase como foi construída há mais de cem anos.  

O ano passado deparei com uma cobra no sobrado, confesso que não gosto muito desses bichos, tendo-a sacudida à vassourada. Os morcegos, por vezes,  também aqui os descubro a voltear quando acendo a luz mas, dou-lhes uns instantes de escuridão e lá vão à vida deles e eu fico na minha.

Velha, desabitada, é verdade: uma geleira no Inverno e uma estufa no Verão, com ninhos de escorpiões e algumas teias de aranhas nas paredes graníticas do sótão, ao qual aqui chamam de "loija".Todavia, mesmo no estado de abandono em que  se encontra, sinto-a e ouço-a repleta de muitas memórias.  E para mim, este é o aspeto mais importante  - Com ou sem morcegos. 

Nenhum comentário: