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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Museu do Douro - Avô de Sócrates, era o Júlio do volfrâmio - Disse narradora de contos populares de Sabrosa e Vila Real - Na apresentação do livro “Património Imaterial do Douro, 3º volume de Contos. Lendas. Mitos de Alexandre Perafita










O avô materno de José Sócrates, fez fortuna no tempo do Volfrâmio, nas minas de Vale das Gatas, no concelho de Sabrosa -  Ele e muitos outros – “os mais espertos” – diz a contadora de memórias , que, tal como ele,  enriqueceram com a exploração e a venda daquele minério, no tempo da 2ª Guerra mundial, em que o ditador Salazar negociava com os ingleses e alemães. para não envolver Portugal diretamente  no conflito. - Puseram-lhe o alcunha de Júlio Reco, pelo facto de ter uma camioneta, cujo motor roncava como um porco.   

Quem o recordou   a história foi  Judite Mesquita, durante o lançamento do livro Património Imaterial do Douro: Narrações Orais (Contos. Lendas. Mitos), Vol. 3, de Alexandre Perafita, que teve lugar, neste último Sábado, no Museu do Douro, durante o III Fórum do Património Imaterial do Douro.

SÓCRATES E A FORTUNA DA FAMÍLIA

Pelos vistos, as historias que correm de Júlio “Reco”, vêm ao encontro do que havia afirmado o neto José Sócrates, numa entrevista, dada há um ano, ao semanário Expresso. –“Quando o meu avô morreu, a minha mãe herdou uma fortuna, muitos prédios, andares, que ainda hoje ela não sabe o que fazer com eles”


Esse Sr. fez realmente fortuna no tempo do volfrâmio. Muita gente fez fortuna e não passou dali. Foi para Lisboa e entrou no mercado imobiliário, numa época boa e conseguiu multiplica-la..  Recordou Judite Mesquita





A REVISTA VISÃO – ( de há dois dias) TAMBÉM FALA DE “JÚLIO RECO”

 (...) Que, em 1981, morreria de ataque cardíaco, ao assistir em Lisboa, onde vivia, ao atropelamento mortal da segunda mulher. E Maria Adelaide herdaria (mãe de José Sócrates) do que se tornara uma fortuna (ver texto sobre as partilhas). J

(…) Quanto à parte herdada por Maria Adelaide, rezam as lendas de Vilar de Maçada que "só em dinheiro recebeu 80 mil contos, fora o imobiliário", enquanto outros dizem que arrecadou muito mais. De seguro sabe-se apenas que a esta herança ela juntou, poucos anos depois, uma segunda: José Júlio, o seu único irmão do lado materno, era assassinado no Brasil, sem deixar descendentes. - Mais pormenores em
Caso Sócrates A saga do volfrâmio - Visao.pt -

NA ERA DO VAZIO – O QUE NOS RESTA?

As televisões e o Facebook (Internet) mataram as histórias aos serões. Os hábitos dos novos tempos são outros. 

À medida que as gerações  mais velhas vão envelhecendo, vão-se também perdendo  muitas dessas memórias., de lendas, rezas e mitos que eram contados após na ceia, sobretudo nas longas noites do Inverno, quando ainda não havia eletricidade, pelo que iam passando de voz em voz, dos avós para os netos ou mesmo dos  pais para os filhos. Era sobretudo, nas terras mais isoladas e do interior, onde essa tradição mais se manifestava –

 

Hoje, contam-se pelo dedos, até mesmo  quem recorde algumas dessas memórias. – São  já  muito poucas as pessoas que vão buscar ao baú das suas recordações da infância e adolescência, as historietas que ouviram contar  à luz da candeia de azeite ou do petróleo. Justamente por esse fato, para que o registo dessa memória não caia no esquecimento, é que, O Museu do Douro, quis distinguir, de forma simbólica, numa das sessões do III Fórum do património Imaterial do Douro, dezanove contadores de histórias, com o diploma de "Narrador da Memória", atribuído no âmbito de um projecto de inventariação do património imaterial da região duriense, desde 2007

CONCELHOS DE SABROSA E VILA REAL – TERRAS FÉRTEIS  DE LENDAS E HISTÓRIAS

Pelos vistos, nos concelho de Saborosa e de Vila Real, é onde ainda persistem alguns desses narradores, com a memória ainda muito fresca-  É, de facto, o que se pode constatar através de 96 contos populares compilados no 3º volume da obra "Património Imaterial do Douro", de autoria de Alexandre Parafita, no qual "são revelados registos lendários de milagres, lugares de memória, crenças e superstições, actos de bruxaria e outros rituais diabólicos, inquietações de almas penadas, lobisomens e transfigurações do demónio".

 

Lê-se na introdução do livro, no que, “os concelhos de Saborosa e Vila Real, sendo espaços geo-culturais muito marcados por singularidades naturais notáveis , mas também por vestígios de povos antigos, com os seus labores, os seus cultos pagãos, a sua religiosidade popular, foram gerando e alimentando, ao longo de séculos, interpretações populares, mais ou menos fundamentadas factual e historicamente, que hoje têm expressão nas suas lendas. Algumas, de profundo significado, revelam-se ainda como a alimentação memorial do mitos de acontecimentos  fundadores. Perderam-se, contudo, em muitas,  os ritos que sustentavam uma relação popular  mais profunda com a dimensão intangível  das celebrações pagãs, por outro lado, perdura uma energia maior na estética devocional presente na ritualização dos atos religiosos , assistidos por interpretações lendárias ainda marcantes no seio do povo."

"O corpus mítico-lendário desta obra é composto por 149 lendas, sendo 79 do concelho de Saborosa  e 70 do concelho de Vila Real. Contudo, na medida em que algumas narrações são acompanhadas das respetivas variantes , pode considerar-se um número total de registos  dos 180.
Os dois concelhos  foram um território muito propício às lendas. Estas têm sempre, como fundamento, uma componente real (esse é o fator que as distingue dos outros géneros narrativos),  essa componente é, geralmente, de duas naturezas: a)histórico/religioso; b) geográfico-territorial (paisagem). Por sua vez, as singularidades da paisagem apresentam-se em duas vertentes: a) singularidades naturais (natureza), com a configuração  dos penedos, as montanhas, os nevoeiros, rios, ruídos, etc., gerados pela erosão  e outros fenómenos naturais; b) singularidades culturais (Cultura), com expressão no megalitismo , insculturas, castros, torres, fornos, capelas, etc., sinais deixados pelo homem na sua passagem pelo tempo e pelo espaço.”

De entre os distinguidos, destacam-se os nomes de Raul Carvalho, 89 anos, capitão do exercito, com várias comissões na guerra colonial; Judite Mesquita, 75 anos, e José Marques Soares, 83 anos,  que foram os que mais contribuíram para o projeto de inventariação do património imaterial da região duriense que, segundo Alexandre Perafita (autor da citada obra e coordenador do projeto)  já permitiu resgatar um número superior a 600 narrações orais, entre contos populares, lendas e mitos da região do Douro.

VALORIZAR A HERANÇA IMATERIAL QUE AINDA NOS RESTA PRESERVAR 

Lugares de Memória, Rituais e Imaginário", este o tema orientador do III Fórum do Património Imaterial do Douro, que propôs ser  “mais um espaço de reflexão, debate e divulgação, com a participação de especialistas”, traduzido “na necessidade de preservar, valorizar e divulgar os testemunhos da cultura imaterial das populações que construíram a paisagem duriense.

“Num tempo de globalização, de consequências paradoxalmente homogeneizadoras e desintegradoras das identidades, a cultura da memória (dos lugares, dos rituais, do imaginário), assume, cada vez mais, um papel importante na compreensão do tempo e do espaço, num processo de construção e afirmação de uma identidade coletiva, inequivocamente aceite como estrutura de ancoragem para cada indivíduo. Da espiritualidade da paisagem, à emergência de uma interpretação mítica dos fenómenos naturais e culturais, a região do Douro é toda ela um imenso filão ativo de Património Cultural Imaterial.”

A obra “ Património Imaterial do Douro – Narrações orais, contos, landas e mitos, de Alexandre Perafita,  que foi apresentada pelo Diretor do Museu do Douro, Fernando Seara e o Jornalista Fernando Alves, teve lugar pouco depois da sessão de abertura, presidida por Fernando Pinto, Presidente da Fundação Museu do Douro, bem como das intervenções oficiais de António Ponte, Diretor Regional de Cultura do Norte, Fernando Pinto, Presidente da Fundação Museu do Douro, Nuno Gonçalves, 

SALA CHEIA  COM DEBATES  MUITO VIVOS E INTERESSANTES - NUM SÁBADO INVERNOSO



Dir-se-ia que foi um Sábado em beleza no Museu do Douro, com a sala cheia, um auditório muito atento e participativo, pese o facto da manhã ter começado fria e chuvosa - Lá pude encontrar a arqueóloga Mila Simões, rodeada de alguns alunos, seu marido, filha e genro - Sem dúvida, uma presença sempre atenta e simpática à defesa do nosso património fisco e imaterial.




 – Após a entrega simbólica dos certificados de "Narradores da Memória", com a presença de Rui Santos, Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, bem como de José Marques, Presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, decorreu, então, um dos momentos mais aguardados da sessão da manhã – o da apresentação   do livro de Alexandre Perafita, com as interessantes e intervenções de Fernando Seara, Diretor do Museu do Douro e de Fernando Alves,, jornalista da TSF.

Feita a apresentação da obra, com palavras elogiosas e outras que serviram para recordar  histórias fantásticas,  teve lugar a primeira das palestras agendadas:  A Patrimonialização das Tradições Orais do Douro: das recolhas no terreno ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, por Paulo Ferreira da Costa (Antropólogo. Direção-Geral do Património Cultural)

Depois de um excelente almoço, no refeitório da próprio Museu, deu-se inicio à 2ºpainel   dos trabalhos do Fórum, com as palavras Fernando Seara, Diretor do Museu do Douro – Após o que se entrou de novo na fase dos palestrantes – Com o tema “O Património Cultural Imaterial e a Comunidade Escolar: algumas respostas e problematizações. Moderadora: Assunção Anes Morais (Professora do Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar)eu sou paisagem - Para um trabalho de campo com pessoas e sons - Mostra do Serviço Educativo do Museu do Douro - Samuel Guimarães (Coordenador do Serviço Educativo do Museu do Douro), O património cultural imaterial como dinamizador das aulas de EVT; Comunicação de Ana Bárbara Parchão Trabulo (Mestre, Instituto Politécnico de Viseu)

"NA SENDA DOS TEMPLOS DO SOL" - Tema exposto no III Fórum do Património Imaterial do Douro


De seguida foi a vez da nossa participação, em conjunto, com António Lourenço, subordinada ao tema, Na Senda dos Templos do Sol em Terras de Foz-Coa – 



Terminada a nossa intervenção, que foi  documentada com a projeção de várias imagens e vídeos,  seguiu-se a dissertação sobre Contos anticlericais da tradição oral mirandesa: Imaginário, curas e culache frates, por António Bárbolo Alves (Professor do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro, Centro de Estudos em Letras/UTAD)

Por último, coube a palavra a António Vermelho do Corral (Antropólogo. Presidente da Secção e Antropologia da Sociedade de Geografia de Lisboa) para falar Da oralidade ao simbólico, integrando a realidade. Rito propiciatório de um processo de cura em medicina popular – Finda a interessante palestra foi feito um balanco, por Assunção Anes Morais, em jeito de breve resenha, porém,  muito explicita, sobre as várias intervenções apresentadas
Os debates do Fórum  terminaram com uma visita guiada por Fernando Seara e Samuel Guimarães




Agradecimento - Uma vez mais desejo aqui expressar uma palavra de elogio à Fundação do Museu do Douro, pelo alcance de tão importante acontecimento cultural: o III Fórum do Património Imaterial do Douro, subordinado ao tema “Lugares de Memória, Rituais e Imaginário” – E também o meu sincero agradecimento pela oportunidade que me foi dada, pela honra e o prazer  concedidos,  em ter sido um dos seus participantes, e, desse modo,  ter  relatado  a  minha experiência pessoal, a que eu dei o título “Na Senda dos Templos do Sol”,  acerca de um dos maravilhosos lugares do património imaterial da região duriense 

Alexandre Parafita, natural de Sabrosa (Trás-os-Montes) possui o Doutoramento em Cultura Portuguesa pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e o Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior (UBI). Estudou também na Escola Superior de Jornalismo do Porto e na Universidade de Coimbra.

É docente do ensino superior, investigador em áreas do património cultural e jornalista. Lecciona na UTAD e é professor convidado do IPB (Pólo de Mirandela). Como investigador, integra o Centro de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa. Como escritor, é autor de várias dezenas de títulos, e a sua obra incide, fundamentalmente, na literatura infantil e infanto-juvenil e nos estudos do património cultural imaterial. Tem livros publicados nas principais editoras portuguesas. É lido por muitos milhares de crianças e os seus livros têm tido reedições sucessivas.

A sua obra figura em manuais escolares. Vários livros seus são bibliografia obrigatória em Universidades e Institutos Superiores e muitos integram o Plano Nacional de Leitura (PNL) – Mais pormenores em Biografia - Alexandre Parafita 



JTM



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