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terça-feira, 24 de março de 2015

Faleceu Herberto Hélder – O poeta de “A Morte Sem Mestre” e do Ofício Cantante”, autor de mais de duas dezenas livros de poesia, ficção e antologias. – Homenageado, na Primavera de 2014, nos Templos do Sol, com a leitura de "Agora até as Musas Mudas Cantam a Primavera" - Quem diria que um ano depois a sua musa se calava para sempre!


 












Herberto Hélder, de seu nome  completo Herberto Hélder Luís Bernardes de Oliveira, natural do Funchal (23 de Nov. 1930)  de ascendência judaica, considerado o "maior poeta português vivo da segunda metade do século XX" até à data da sua morte, faleceu ontem, aos 84 anos, e sua casa, mas só hoje foi possível confirmar o óbito.


Avesso a entrevistas, optou por levar uma vida discreta, tendo recusado o Prémio Pessoa  -  A Morte Sem Mestre, pelos vistos, livro premonitório, editado, em junho do ano passado,  pela Porto Editora, pondo assim fim a um longo percurso com a Assírio e Alvim, 

"Herberto Helder foi um poeta poderoso, a sua obra foi um centro de atracção e um horizonte em relação ao qual todos os seus contemporâneos tiveram de se situar. Como antes tinha acontecido com Fernando Pessoa, também houve um 'efeito Herberto Helder', diz ao PÚBLICO o crítico António Guerreiro.Morreu o poeta Herberto Helder

"Em 1948, Herberto Helder matricula-se em Direito mas cedo abandona esse curso para se inscrever em Filologia Românica, que frequenta durante três anos. Ao longo da vida colaborou em diversos periódicos como A Briosa, Re-nhau-nhau, Búzio, Folhas de Poesia, Graal, Cadernos do Meio-dia, Pirâmide, Távola Redonda, Jornal de Letras e Artes. Em 1969 foi director literário da editorial Estampa. Viajou pela Bélgica, Holanda, Dinamarca e em 1971 partiu para África onde fez uma série de reportagens para a revista Notícias.

Em 1994, foi-lhe atribuído o Prémio Pessoa pela sua obra que, segundo o júri, iluminava a língua portuguesa. Herberto Helder, no entanto, recusou a distinção, uma dos mais importantes atribuídas em Portugal. Herberto Hélder sempre se quis manter um poeta oculto e por isso pediu ao júri que não o anunciassem como vencedor e que dessem o prémio a outro".




Quinta-feira, 20 de Março de 2014 - Equinócio da Primavera celebrado hoje ao nascer de um sol radioso no calendário pré-histórico da Pedra de Cabeleira de Nossa Senhora, aldeia de Chãs, com poemas de Herberto Hélder, Olinda Beja e Manuel Daniel


Quarta-feira, 19 de março de 2014 Equinócio Primavera com Holderlin Friedrich e Herberto Hélder


“Onde aguardas por mim, espécie de ar transparente
para levantar as mãos? onde te pões sobre a minha palavra,
espécie de boca recolhida no começo?
E é tão certo o dia que se elabora.
Então eu beijo, de grau a degrau, a escadaria daquele corpo.
E não chames mais por mim,
pensamento agachado nas ogivas da noite.
É primavera. Arde além rodeada pelo sal,
por inúmeras laranjas.
Hoje descubro as grandes razões da loucura,
os dias que nunca se cortarão como hastes sazonadas.
Há lugares onde esperar a primavera
como tendo na alma o corpo todo nu.
Apagaram-se as luzes: é o tempo sôfrego
que principia. – É preciso cantar como se alguém
soubesse como cantar.
Herberto Helder  – Excerto do poema Agora até as musas mudas cantam a primavera

Neste site  - domingo, 26 de janeiro de 2014 - Expresso no Largo da Misericórdia – A última boa tertúlia dos cafés de Lisboa: de Herberto Hélder, Sebastião Alba, Manuel da Fonseca, Luís Pignatell, António Assunção, Baptista Bastos, Firmino Mendes, Pepe, Júlio Pinto; Janita e o Vitorino Salomé – poetas, atores, escritores, jornalistas ou simples cidadãos anónimos – Além do Snack-Bar Expresso, da Trindade Coelho, só o Botequim, no Largo da Graça de Natália Correia – Este noturno e pela madrugada, aquele mais diurno e pela tarde


Foi junto ao Balcão do Snack-Bar Expresso, que, pela primeira vez, tive ocasião de falar com Herberto Hélder e Manuel da Fonseca. Já lá vão uns anos mas tenho esse agradável encontro ainda bem presente na memória – Mas o tempo muda muita coisa e, também, nem  o ambiente, nem quem o frequentava, é o mesmo – Além de que a  idade não perdoa –  Alguns, já nem vivos são.   Por outro lado, a nova lei do arrendamento urbano, veio dar uma enorme facada ao centro histórico lisboeta, e o Largo da Trindade, mais conhecido por Largo da Misericórdia, creio que também já sofreu o seu abalo "misericordioso" .  Livraria Olisipo com ordem de despejo Até porque Esta cidade não é para velhos ... Largo Trindade Coelho.

DE JORNALISTA A PERSONAGEM DE AVENTURAS DO MAR



Ia à procura de histórias do  autor de Cerro Maior e Rosa dos Ventos (entre outras obras de contos, poesia e romances, natural de Santiago de Cacém)  para a Rádio Comercial e eu é que acabo por ter de contar as minhas aventuras do mar. 

Deparo-me com o poeta dos Passos em Volta e um pequeno mas animado grupo de intelectuais – Alguns dos presentes, já os conhecia e, inclusivamente,  entrevistado noutras circunstâncias – E também houve quem, conhecendo-me, não fosse de meias palavras: em vez de querer saber ao que ali me levava, com um pequeno gravador na mão (por razões profissionais), queria era que lhes falasse das minhas aventuras marítimas – ou, não haverá, nas veias de cada português, também um pouco de mar dos Lusíadas de Camões ou  da Mensagem de  Pessoa? – e dissesse, sem rodeios,  para que todos ouvissem:

FOI EM LISBOA, NA TERTÚLIA DO SNACK-BAR EXPRESSO QUE PESSOALMENTE O CONHECI - Aqui está o navegador solitário! O homem das Canoas, em São Tomé” 
 
Foi junto ao Balcão do Snack-Bar Expresso, que, pela primeira vez, tive ocasião de falar com Herberto Hélder e Manuel da Fonseca. 
 
 "Aqui está o navegador solitário! O homem das Canoas, em São Tomé”  Foi deste modo que me cumprimentou, mal ali entrei. Foi assim que pela primeira vez dialogámos. Levando-me a falar das minhas aventuras, no que, aliás, sempre gostei de recordar.  
 
 
Pelo que depreendi,  já me conhecia da minha habitual colaboração na “Semana Ilustrada, de Luanda”, revista na qual havia relatado, em cinco capítulos, a minha primeira aventura marítima, a bordo de uma frágil piroga de S. Tomé ao Príncipe –De cujas aventuras me refiro no meu sitehttp://www.odisseiasnosmares.com/2012/02/cao-grande-em-sao-tome-grande-escalada.html Por isso,  em vez de querer saber ao que ali me levava (no que ele não ia colaborar, dado ser avesso a entrevistas) queria era que  falasse das tais aventuras marítimas – Até porque, além daquele revista, também, em Portugal, quer a RTP, quer o Século Ilustrado, o Jornal Novo e o Diário Popular (em quatro suplementos) se haviam referido às minhas odisseias nos mares do Golfo da Guiné.
Pois, nessa tarde, lá se foi a entrevista, que tencionava fazer , a Manuel da Fonseca, para outro dia – Conquanto, por várias vezes, ali voltasse e me sentasse em torno dos tertulianos, e até os fotografasse – (foi pena, num dia em que não estava lá o Herberto, julgo que não iria ser desmancha prazer dos seus amigos), a bem dizer, as razões da minhas idas aquele bar, eram mais de  carácter  casual ou profissional de que propriamente para me integrar nos seus conciliábulos. Não era que não os apreciasse, mas para isso já tinha a minha habitual frequência no botequim da Natália Correia. No largo da Graça, bem mais abrangente e versátil. 
Uns tempos depois, deu-me o prazer de me receber em sua casa em Cascais, mas de gravador off. Mais uma vez a conversa descamba para as aventuras do mar, tendo, então, aproveitado para lhe oferecer uma fotografia dessas minhas proezas marítimas, cujo gesto apreciou. 

Já me haviam dito que ele não gostava de dar entrevistas mas que era um excelente conversador. E lá tinha e tem as suas razões ..Herberto Helder (Não digam a ninguém)... "Meu Deus faz com que eu seja sempre um poeta obscuro .Por isso, também não quis enveredar  por essa via, preferindo o diálogo espontâneo e o do convívio. 

Não se pode querer tudo. Hemingway também não gostava de dar entrevistas. E, quando um fotógrafo, quis fotografá-lo, contra a sua vontade, não hesitou em atirar-lhe o uísque do copo à cara. E, sempre que ali o encontrei – nas várias vezes que passei a frequentar o “Expresso” para tomar um café, comer uma sopa ao balcão (muito boas, por sinal) ou uma refeição (económica)  na zona do restaurante,  aproveitava a oportunidade de dialogar mas, sobretudo, para ser mais um observador de que interveniente. A bem dizer, ali sentia-me mais na pele de jornalista de que o participante na  referida tertúlia. 

Esse duplo sentimento tive-o no Botequim da Natália Correia. Era outro género de tertúlia. No Bar Expresso, o convívio, era mais restrito e decorria, normalmente,  pela tarde a diante, confinando-se praticamente  ao balcão  ou junto às duas mesas da entrada, logo ali à  porta. Enquanto, que, no Largo da Graça, embora, em área geral, não fosse maior, havia mais espaço - Estava lá a Natália -Bastava a presença dela, com a sua corte de admiradoras e admiradores para dar outro fulgor e transformar, cada noite numa festa ou centro de  polémicas e controversas.  De resto, foi através de algumas sugestões da autora da Mátria, que acabaria  por fazer uma série de entrevistas para o semanário Tal & Qual, sobre a primeira relação sexual, nomeadamente, o pintor Carlos Botelho e Amália Rodrigues, entre outras figuras, a  que me refiro em: Natália Correia e "O Botequim da Liberdade" .....romance no sheraton lisboa hotel ea fuga da casa da amália

  De facto, os anos 80, constituem para mim, os anos dos meus encontros com os maiores nomes das artes e letras portuguesas – Mas não só: com personagens das mais diversas atividades, desde os mais sonantes nomes do crime, até aos mais ilustres poetas, escritores, músicos, atores, políticos, cantores – Gente anónima e mui diferenciada. Guardo, ainda, muito desses registos gravados em cassetes. Pena não ter feito também fotografias, salvo Vergílio Ferreira, Mário Cesariny, Lídia Jorge, Jorge Amado e António Ramos Rosa (pouco mais) porém, quando se trabalha numa estação de rádio (na então Rádio Comercial-RDP)  a preocupação principal do repórter é a do som. –  E essa faceta também me deu imenso  prazer. Tal como agora, quando  recordo as gravações. Bom, mas fiz algumas fotografias na tertúlia do Bar Expresso, duas das quais  aproveito para aqui editar.


Naquele dia não estava lá  Herberto Hélder ,Armando Baptista-Bastos   Manuel da Fonseca  António Assunção  Júlio Pinto Janita Salomé  Vitorino Salomé Luís Pignatelli  Zetho Cunha Gonçalves  - . Entre outros notáveis frequentadores mas estavam lá outros assíduos. Nomeadamente, os poetas Luís Carlos Patraquim  Firmino Mendes  Sebastião Alba   

Excerto do post editado neste site - Expresso no Largo da Misericórdia – A última boa tertúlia

Biografia - Excerto  (...) "Em 1954, data da publicação do seu primeiro poema em Coimbra, regressa à Madeira onde trabalha como meteorologista, seguindo depois para a ilha de Porto Santo. Quando em 1955 regressa a Lisboa, frequenta o grupo do Café Gelo, de que fazem parte nomes como Mário Cesariny, Luiz Pacheco, António José Forte, João Vieira e Hélder Macedo. Durante esse período trabalha como propagandista de produtos farmacêuticos e redactor de publicidade, vivendo com rendimentos baixos. Três anos mais tarde, em 1958, publica o seu primeiro livro, O Amor em Visita. Durante os anos que se seguiram vive em França, Holanda e Bélgica, países nos quais exerce profissões pobres e marginais, tais como: operário no arrefecimento de lingotes de ferro numa forja, criado numa cervejaria, cortador de legumes numa casa de sopas, empacotador de aparas de papéis e policopista. Em Antuérpia, viveu na clandestinidade e foi guia dos marinheiros no sub mundo da prostituição.

Repatriado em 1960, torna-se encarregado das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, percorrendo as vilas e aldeias do Baixo Alentejo, Beira Alta e Ribatejo. Nos dois anos seguintes publica os livros A Colher na Boca, Poemacto e Lugar. Em 1963 começa a trabalhar para a Emissora Nacional com redactor de noticiário internacional, período durante o qual vive em Lisboa. Ainda nesse mesmo ano publica Os Passos em Volta e produz A máquina de emaranhar paisagens. Em 1964 trabalha nos serviços mecanográficos de uma fábrica de louça, datando desse ano a sua participação na organização da revista Poesia Experimental. Nesse ano reedita ainda Os Passos em Volta, escreve «Comunicação Académica» e publica Electronicolírica.

Em 1966 participa na co-organização do segundo número da revista Poesia Experimental e no ano seguinte publica Húmus, Retrato em Movimento e Ofício Cantante. Data de 1968 a sua participação na publicação de um livro sobre o Marquês de Sade, o que o leva a ser envolvido num processo judicial no qual foi condenado. Porém, devido às repercussões deste episódio consegue obter suspensão de pena, facto este que não conseguiu evitar que fosse despedido da Rádio e da Televisão portuguesas. Refugia-se na publicidade e, posteriormente, numa editora onde desempenha o cargo de co-gerente e director literário. Ainda nesse ano publica os livros Apresentação do Rosto, que foi suspenso pela censura, O Bebedor Nocturno e ainda Kodak e Cinco Canções Lacunares. - Excerto de Herberto Helder (Biografia) - CITI

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