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quinta-feira, 5 de março de 2015

Fernando Mimoso – O Artista do Côa dos novos tempos – O homem que surpreendeu os próprios arqueológos, quando, na polémica das gravuras, passou a registar em placas de xisto as habilidades dos homens pré-históricos - E a revelar-se uma das mais imaginativas surpresas no cortejo etnográfico da quinzena da amendoeira.




Por Jorge Trabulo Marques - jornalista


O ponto alto da quinzena da amendoeira, culmina com o desfile etnográfico, e é já neste domingo. É um dos eventos em que as freguesias descem à sua cidade para mostrarem, nos carros alegóricos, um misto de tradição e de fantasia. Claro que, nestas coisas, não basta apelar aos antigos costumes e retratá-los, é preciso também arte e alguma imaginação. 

E, de facto, neste capitulo, apraz-me aqui prestar uma singela homenagem a Fernando Mimoso.  Sem dúvida, uma das figuras que, durante vários anos, era o grande animador do cortejo alegórico: dele, esperavam-se sempre as mais artísticas surpresas. Ou, envergando a cruz do Calvário, a lembrar os dias da quaresma, evocando a paixão de Cristo, ou  cobrindo-se de peles, tal como naqueles longínquos tempos, pré-históricos, o que, genialmente fez,  na altura mais polémica das gravuras, chegando  mesmo a gravar em placas de xisto,  ao jeito dos artistas do Côa, alguns trabalhos de inspiração paleolítica. Claro, todo esse seu grande entusiasmo, se passa nos anos 90. Hoje, mais velho, e, como na vida há um tempo para tudo, certamente que mais remetido ao papel de observador atento. 

De resto, sempre me pareceu, um homem de múltiplas facetas: um tanto poeta, um tanto artista, visionário e pensador. E também o homem de acção, nomeadamente no ramo  da construção cível, tendo chamado a si a responsabilidade de muitas habitações, dir-se-á mesmo  de bairros inteiros, sobretudo em foz Côa, sua terra natal.

Sim, com a Primavera, quase à porta, o  mês de março a brindar-nos com a floração da amendoeira, e muitas flores campestres a mostrarem-nos  o seu colorido, não posso deixar de me lembrar daquela  figura, algo bizarra e fora do nosso tempo, destacando-se do alto de uma camioneta, a modos que empoleirada num tronco de árvore descarnado, e no qual dava ares de ter acabado de sair da mais recôndita das cavernas  - Creio que terá sido, até hoje,  a imagem mais surpreendente de todos os desfiles que se realizaram.
Tal como ele próprio reconhece, as  suas origens estão intrinsecamente ligadas ao  campo, nomeadamente a pastorícia,  razão pela qual o seu pai até era conhecido pelo Sr. Cabreirinha • uma alcunha que ele muito preza e recorda com muito carinho, segundo nos contou, numa visita que fizemos a sua casa, e também na altura em que apresentou alguns dos seus trabalhos artísticos,  num dos certames da Expo-Côa, de cujo agradável encontro deixo aqui algumas imagens, a par de outras do cortejo etnográfico, já com alguns anos, juntamente com um vídeo.


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