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sexta-feira, 27 de março de 2015

Israel em Angola? - Milhões de Judeus podiam ter-se instalado no planalto do Bié e alterado o rumo da história em África, Europa e Médio-oriente mas Salazar opôs-se - Revelações inéditas no livro “do Mapa cor-de-rosa à Europa do Estado Novo", de autoria de Álvaro Henriques do Vale, que diz que D.Carlos I, ao ceder ao ultimato dos ingleses, evitou que os alemães nos ocupassem tudo.





A criação do Estado de Israel para o retorno da grande diáspora judaica às terras bíblicas de Canaá, na Palestina,    surgiu nos finais do século XIX, pelo chamado movimento sionista, que defendia  o regresso a uma  região que  já haviam habitado há milénios e da qual haviam sofrido várias perseguições. 

"Expulsos da Judeia (actual Palestina) pelos romanos, em 70 d.C., os judeus nunca abandonaram a ideia de um dia regressarem à sua Terra de origem. As sistemáticas perseguições religiosas que foram vítimas, durante toda a Idade Média, tiveram o condão de manterem viva a ideia deste regresso à Palestina"  Que viriam alcançar, em 27 de Novmbro de 1947, depois da ONU ter aprovado a partilha da Palestina em dois estados: um palestiniano (muçulmano) e outro judaico.

– Porém, tal sonho podia não ter-se concretizado se Salazar não se tivesse oposto à instalação do colonato Judaico, na zona planáltica do Bié, ao sul de Angola – A proposta,  apresentada pela primeira vez, em 1912, sob a égide da Sociedade das Nações (organização que antecedeu a ONU)  ao então novo regime republicano, e se bem  que mais tarde aprovada pelo Parlamento da Ditadura do  Estado Novo, acabaria por esbarrar com o não do nativo de Santa Comba Dão, receando que tal cedência pudesse abrir caminho a outras brechas maiores  -  Possivelmente o curso da descolonização, na região da África Austral,  teria  sido outro, a segunda guerra mundial, talvez pudesse ter sido evitada, assim como os conflitos no médio-oriente - Tais hipóteses foram levantadas pelo jornalista e investigador, Álvaro Henriques do Vale, na sessão de lançamento do seu livro “ do Mapa cor-de-rosa à Europa do Estado Novo,  uma das grandes novidades literárias da semana, que teve lugar  no auditório do bar-livraria  “Desassossego” em Lisboa, da Chiado Editora,  situado na rua de São Bento . Numa cerimónia, atentamente seguida, com muitos curiosos, amigos e admiradores da carreira  do jornalista e escritor, com vários cursos de formação académica   - Trabalhou na redação do semanário Tempo (Tempo Económico), editor-adjunto de Vida Empresarial  e da edição Tempo Internacional . Assim como um dos profissionais na revista EXAME, tendo ainda, em 1992,  ingressado na secção de economia da Agência LUSA, à qual tem vínculo de pós-aposentado.


Trata-se, com efeito, de uma aprofundada abordagem histórica,  que abarca o período  entre 1871 e 1939, que   levou três anos de aturadas pesquisas ao seu autor no Arquivo Histórico- Diplomático  do Ministério dos Negócios  Estrangeiros, mas que agora, finalmente, vê o seu trabalho editado e com rasgados elogios - Pois foi esta a impressão que nos ficou das palavras de apresentação de Fernando Dacosta e de Ernesto Rodrigues – personalidades  sobejamente conhecidas no panorama literário português

Mas outra das importantes revelações desta obra, é, sem dúvida, a questão do chamado Mapa  Cor-de-rosa, que ainda hoje continua a suscitar  muitas interrogações e viva polémica,  como espinha cravada nos nacionalismos mais exacerbados, havendo quem culpabilize o Rei D. Carlos I pelo facto de se ter rendido ao ultimato inglês, desconhecendo (tal como este livro esclarece) que, afinal, por detrás estava   toda uma política de Berlim, bastante mais agressiva, "agendada e prevista para o século que se avizinhava", as ambições dos homens do Kaiser e de Bismarck, de uma Alemanha que pretendia rivalizar  com a expansão ultramarina da Grã-Bretanha

Este é, pois, um dos um temas abordados, logo num dos primeiros capítulos, do qual tomamos a liberdade de aqui transcrever alguns excertos:  - “O Mapa cor-de-rosa e o sonho africano da Alemanha”

"O sonho alemão de um grande império colonial em grande império colonial transformou-se em obsessão quando o kaiser Guie II subiu ao poder em 1888. Herdeira e resultante unificação dos principados em órbita da velha Prússia, a Alemanha apesar do seu formidável exército, não tinha, porém, uma tradição naval, nem ultramarina .E se ser potência ultramarina era necessário dispor de os navais ou antecedentes históricos e alianças; ter inclusivamente potência naval como foi Portugal nos séculos XV e XVI; como também a Holanda que, ombreou com Portugal no século XVII, ao lado da Espanha. Portugal continuaria a ter preponderância devido ao know-how naval militar e mercante até à Batalha de Matapan, no tempo de D. João V (1689-1750), em vésperas da Revolução Industrial, cuja tecnologia do vapor ia a revolucionar por completo os navios e respectivos armamentos. Portugal perde o "comboio" dos novos navios e das novas artilharias de bordo, mas continua a ter possessões ultramarinas pela sua presença histórica e também mercê da aliança tradicional com a Inglaterra, va grande potência marítima, a partir de meados do século XVIII
.

O Mapa cor-de-rosa estava condenado à partida a ser fracasso, porque colidia com os interesses da Inglaterra de algum modo a entente secreta entre Portugal e Alemanha pode ser interpretada como uma traição ao tratado luso-britânico de Portugal. O Mapa cor-de-rosa foi também uma alternativa à política de Andrade Corvo (1824-1890), ministro dos Estrangeiros, que propunha investimento estrangeiro na África portuguesa (14), refere o  embaixador José Calvet de Magalhães. 

 Considerado um dos maiores estadistas portugueses  do século XIX, Corvo seria fortemente censurado pela sua política liberal, contribuindo para o fim da sua carreira política (15). 



Esta abertura ao capital estrangeiro, era no fundo a  demarcação da influência alemã tão patente na corte portuguesa, que a inteligentsia portuguesa se atrelou mais por entusiasmo e romantismo, do que por sensatez ou conhecimento técnico da economia real e das relações internacionais. De facto, Andrade Corvo interpretava a "mobilidade de capitais internacionais" (juntamente com quadros técnicos e operariado especializado, quase inexistentes em Portugal) que se estava a verificar como a oportunidade de abertura ao investimento estrangeiro no ultramar português, nomeadamente Angola e Moçambique, um sinal contrariado pelos seus adversários políticos, já então, sem qualquer visão macroeconómica dos tempos.


Portugal estava em crise há décadas, na sequência de lutas e facções liberais, E, ao não possuir  grandes   grandes bancos  ou grupos económicos, não dispunha de capitais próprios. Por isso pouco ou nada podia dinamizar com uma burguesia doméstica, bem instalada, provincianista e sem  horizontes. Restava-lhe em alternativa ter outra jogada na manga, ou seja , o caminho mais fácil, que se abria com a emergência política da Alemanha de Bismark."


Noutro passo da referida obra, e ainda sobre a mesma questão  "-4. O Ultimato inglês de 1890  e a viragem da diplomacia portuguesa"
"Ao ultimato da Inglaterra a Portugal em Janeiro de 1890, segue-se um mutismo absoluto da nossa legação Berlin em matéria de assuntos políticos e coloniais . 

Nunca mais se ouviu falar de ultramar e colónias. Assunto encerrado. A Alemanha nem reage ao ultimato, infere-se pela ausência de conteúdo sobre a matéria. Sente-se um arrefecimento nas relações luso-alemãs. Termina aqui o “reinado” de Barros Gomes, que vai ocupar a pasta da Marinha e Colónias. Há uma viragem na política externa portuguesa, que passa a ser liderada por D. Carlos I e com grande apoio de Luís de Soveral, embaixador em Londres. 

 É precisamente em 1890 que Luís de Soveral vai para Londres chefiar a legação portuguesa, onde ficará até à queda da monarquia portuguesa, passando a ser íntimo família real inglesa, e desempenhando um papel importante na diplomacia lusa, de tal forma que por duas vezes graças à acção concertada entre ele e D. Carlos I, a diplomacia portuguesa evita o deflagrar de um conflito à escala mundial entre britânicos e alemães em Lourenço Marques e na Baía dos Tigres, no sul de Angola” – Excerto 


"7.2 – Colonato Judeu para Angola em 1912 ou embrião do Estado Israelita


"Mal passada a exuberância do novo regime do 5 de outubro de 1910, os responsáveis do governo republicano cedo perceberam que não seria pela mudança ideológica de regime, só pelo espírito filosófico dos valores libertário-republicanos que se resolveria a questão da dívida externa, acrescida da contínua despesa pública, quer em funcionários da Administração, quer em regalias. O problema era muito mais bicudo e seria preciso atender à coisa pública com espírito científico, olhando para os factos práticos passíveis de uma resolução. 

Por isso, a tentação de alienar uma parcela do vasto território ultramarino continuava subjacente. Houve sempre vozes defensoras da alienação de alguns territórios ultramarinos, por falta de recursos para gerir tantas parcelas numa tão grande dispersão geográfica, para evidentemente arranjar uma almofada financeira que alimentasse os défices e contas públicas. 

Quase não fazia· sentido o vasto território  ultramarino espalhado por três continentes, que se manteve aticamente incólume até ao 25 de Abril de 1974, e projectos de desenvolvimento arcaicos e ambíguos, que reflectiam uma burguesia nacional passiva, sem uma iniciativa privada  arrojada  e sempre protegida pelo Estado; um Estado que ironicamente no pós Segunda Guerra, mesmo sem ter aceite o Plano Marshall passou a ter um superavit bastante interessante nas suas contas públicas.2 - excerto 


Atente-se na análise que, Álvaro Vale,  faz de como ia Portugal no  principio do século XIX - 1.2. Liberalismo português: uma burguesia passiva e sem horizontes.

"O atraso e a decadência de Portugal eram evidências, e já no século XIX pagaria caro a sua factura país periférico, sem quadros políticos, com uma burguesia doméstica saída das facções liberais e voltada p o seu umbigo, acomodada e sem horizontes, apesar possuir um vasto império ultramarino. Andrade Corvo homem que tenta fazer a diferença. Mas o problema da periferia portuguesa, que afasta a sociedade portuguesa do importante debate de ideias por essa Europa f o sobrevém evidentemente da falta de universidades e empreendorismo privado, num país, onde os engenheiros militares são pau para toda a obra, como Barros Gomes, o homem do Mapa cor-de-rosa, engenheiro militar, que além de liderar vários ministérios, foi também director dos Caminhos de Ferro e do Banco de Portugal; ou Fontes Pereira de Melo (1819-1887), também engenheiro militar, mas que seria essencialmente um brilhante primeiro-ministro deixando a sua chancela ligada às infra-estruturas de transportes e comunicações, conheci por fontismo. Mas uma andorinha não faz a Primavera, o grande génio de Fontes acabaria por ser µma ilha nu meio empresarial tacanho, provinciano e egocêntrico".  – Excerto 

Sinopse – Exposta na contracapa 

"Do Mapa cor-de-rosa à Europa do Estado Novo abarca o período  entre 1871 a 1939, com um tronco comum – a unificação da Alemanha por Bismarck e a sua emergência , procurando ser contrapoder à pax britânica . Até 1913, esta Alemanha verá as suas exportações aumentarem 250%, o triplo da Grã-Bretanha! Mais 60% deste estudo baseia-se  em despachos diplomáticos  investigados no Arquivo Histórico- Diplomático  do Ministério dos Negócios  Estrangeiros, e passa em análise  o último quartel do século XIX peninsular , a nova geopolítica de África  saída da conferência de Berlim em 1885 e, as influências prussianas no dossiê Mapa cor-de-rosa. Fala-se da banca rota portuguesa  de 1892 e das repúblicas do Transval e Orange pretenderem comprar  parte da dívida pública portuguesa… Surge entretanto a guerra anglo-bóer, onde o jovem Winston  Churchill é prisioneiro de Pretória , na qualidade do Morning Post. O tema tem implicações transversais à doutrina  Monroe, quando os EUA Monroe, quando os EUA despojaram a Espanha de Cuba, Porto Rico e Filipinas… enquanto os bóeres perdiam a independência . Mas continuava a disputa pela Baía  dos Tigres (sul de angola), e pela Delagoa Bay (Lourenço Marques), onde por duas vezes esteve iminente um conflito á escala mundial. A paz seria salva pela acção diplomática do rei D. Carlos I e Luís Soveral, seu embaixador em Londres. Destaque para o dossiê internacional  sobre o colonato judeu para Angola, aprovado pelo parlamento da República em 1912 e suspenso devido à Primeira Guerra …e retomado nos Anos 30 pela Ditadura Militar. Descobre-se as figuras de  Armindo Sttau Monteiro e Rui Ennes Ulrich, professores de Finanças Públicas e grandes pilares de Oliveira Salazar , tanto em matéria legislativa como  no campo ministerial  e diplomático.


Fomos encontrar  César Sousa Mendes (irmão gémeo de Aristides Sousa Mendes) como ministro  dos Estrangeiros  em 1932 e mais tarde embaixador  de Varsóvia … quando a Polónia pretendia administrar o hipoctécio colonato judaico no planalto  do Bié! Depois é a diplomacia portuguesa durante a guerra civil  de Espanha, a acção do Ministro Armindo Monteiro, anglófilo e estratega na política externa portuguesa , ostracizado … por divergências com Salazar . Inclui também items  sobre a Espanha de Afonso XIII, as duras criticas do economista Keynes ao Tratado de Versalhes; a reconversão do marco alemão em 1923 pelo génio Schacht, que recusaria ser chanceler da Alemanha; a Frente Popular e ascensão de Franco e, a sua visão macroeconómica  quanto ao futuro de Espanha, fechando com os elefantes brancos  do império  e o programa Kennedy para Angola


Recomendamos também a analise a esta obra pelo jornalista Jorge Heitor, no seu blogue,  MÁXIMO:


A Alemanha esteve por trás do Mapa Cor-de-Rosa Em 1873, Portugal apresentava-se em Angola e Moçambique, como chave da diplomacia alemã, de uma Alemanha potência emergente, que se unificara há pouco e que queria grandes negócios para os seus banqueiros, comerciantes e armadores. – Ler mais em   Mapa cor-de-rosa: Portugal ao serviço da Alemanha ..


Dedicatória especial de um jornalista aos jornalistas: 


“A todos os jornalistas independentes que às vezes dizem algumas heresias entre aspas, procurando, sem sofismas, contribuir para melhorar as sociedades e torná-las mais justas e coerentes. Uma palavra à memória de João XXIII, João Paulo II e Nelson Mandela pelos seus esforços em prol da paz, do diálogo e da concórdia entre todos os povos. Também a Prem Rawat, paladino da paz que nos últimos 40 anos tem sido uma referência singula

Iniciou a sua carreira em 1975 no República, e foi colaborador do Diário Popular , e nas delegações em Lisboa do Primeiro de Janeiro, Jornal de  Notícias e Comércio do Porto. Actualmente é responsável pela revista digita Correio dos Vinhos"




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