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quarta-feira, 18 de março de 2015

Poeta José do Carmo Francisco e as inesquecíveis recordações do 1º Encontro de Poesia Peninsular

Image.jpgA imagem que aqui edito, e que fui buscar ao transportesentimental.blogs.sapo.pt de José do Carmo Francisco, já tem uns anos - Mas é das tais recordações que não esquecem facilmente: por um lado, tinha menos 32 anos e, por outro, porque, falar de poesia e num local tão agradável, numa quinta de sonho, algures nas imediações da Figueira da Foz  (o nome é que já não me ocorre) foi realmente um acontecimento bonito.

Há boas memórias que não se redescobrem por acaso - Mas quem é que diz que os acasos acontecem por acaso: acontecem porque tinham mesmo que acontecer - Julgo que é  também o que sucedeu com a  história da foto e do relato à volta da mesma, feito  pelo autor de  «As Emboscadas do Esquecimento»e muitos outros títulos de poesia  - Senão veja, o que o poeta e jornalista  escreveu no seu "transporte sentimental" com uma mensagem dirigida  "para Anabela Natário - um recado onde quer que esteja" 

"Aqui estávamos na Figueira da Foz em 1983 depois de uma conferência de Imprensa para preparar o I Encontro de Poesia Peninsular. Descobri a foto à bocado numas arrumações. Estamos todos muito novos, Anabela. Mas isso já tu sabias. O que eu queria dizer é que recebi uma mensagem no telemóvel para o lançamento de um livro na Bertrand mas atrapalhei-me com aquilo (novas tecnologias…) e perdi o contacto. Só percebi que era um livro teu porque fui directamente à Livraria Bertrand. Já tenho o livro, agora só falta lê-lo e fazer uma resenha. Assim de repente vejo a primeira fila e lembro-me de ti, do Joaquim Pessoa, do Francisco Belard, do Rogério Ferreira, do Fernando Dacosta, do Jorge Trabulo Marques, do Acácio Barradas, da Maria Antónia Fiadeiro, do Pina Cabral, do Luís Machado, do António Viana, do senhor Palma do Jornal «Poetas e Trovadores». Algumas das caras já não as conjugo com os nomes mas os anos passam – já lá vão mais de 30 anos, é muita coisa, muita vida, muita morte e muito sangue pisado. Do teu livro sei apenas que trata da vida rocambolesca do Diogo Alves, o ladrão que aterrorizou meia Lisboa no século XIX. Ainda não o li porque tenho tudo em caixotes, estou a arrumar de novo 38 anos de vida mas como vês até as coisas desagradáveis podem trazer boas surpresas. Descobri esta fotografia de 1983, quando todos éramos muito novos ali na Figueira da Foz onde mais tarde fui membro do Júri do Prémio Joaquim Namorado e também ajudei a descobrir a escrita da Dulce Maria Cardoso. Mas isso foi mais tarde, já nos anos 90, muito depois da nossa fotografia. Estamos todos muito novos na fotografia, o tempo passou, deixou marcas e só tu continuas a ser hoje a menina da primeira fila. José do Carmo Francisco -- para anabela natário - um recado onde quer que esteja ...


Conheço, José do Carmo Francisco, desde o principio da década de oitenta, nas minhas lides de repórter da extinta Rádio Comercial RDP . Tenho pela sua obra poética, jornalística e literária, uma grande admiração  - E também pela sua pessoa, a maior estima. Foi ele que teve a amabilidade de prefaciar o cartólogo da exposição de fotografias das minhas aventuras nos mares do Golfo da Guiné, que apresentei na Torre de Belém, por altura da EXPO99, com um poema de António Ramos Rosa e outro de sua esposa, Agripina Costa marques . .Pelo apreço que tenho por ele, vou-lhe dedicar este post, com um dos seus belos poemas e alguns dados da sua profícua atividade 


Aldeia 

Eu fiz dos teus olhos uma aldeia
Uma daquelas aldeias pequeninas
Por cima um monte, a vida cheia
Por baixo o rio de águas cristalinas 
Sinal de vida, o fumo das lareiras
Todos os dias o trigo é a verdade
E as mulheres casadas e solteiras
Cozem o pão no forno sem idade
Eu fiz dos teus olhos uma aldeia
Na esperança de ser um habitante
Acabei preso na grande cadeia
Numa cidade afastada e distante
Hoje sou um citadino desolado
Bate o frio, vem a chuva pela rua
Na aldeia que sonhei do teu lado

Vejo uma casa vazia que é só tua

José do Carmo Francisco
  
 Nasceu a 13 de Fevereiro de 1951 em Santa Catarina (Caldas da Rainha). Frequentou o Instituto Comercial de Lisboa e o Instituto Britânico. É juiz social no Tribunal de Menores desde 1993. É jornalista – carteira profissional nº 4149. Colaborador das RDP-Açores desde 2002 e redactor da Revista «Ler», estreou-se no «Diário Popular» em 1978 e em «A Bola» em 1979. Colabora no mensário «Voz de Alcobaça» com a coluna «O lugar do poema» e no semanário «Gazeta das Caldas» com a rubrica semanal «Um livro por semana» e a coluna quinzenal «Estrada de Macadame». 

 Organizou duas antologias para o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas: «O Trabalho – antologia poética» e «O Desporto na Poesia Portuguesa». É co-autor do livro «Glória e vida de três gigantes» sobre o Sporting, o Benfica e o F.C.Porto, editado em 1995 por «A Bola».
 É autor dos seguintes livros: «Iniciais» (1981), «Universário» (1982), «Transporte Sentimental» (1987), «Jogos Olímpicos» (1988), «1983 – Um resumo» (1991), «Leme de luz» (1993), «Mesa dos Extravagantes» (1997), «As emboscadas do esquecimento» (1999), «De súbito (2001), «Os guarda-redes morrem ao Domingo» (2002), «O Saco do Adeus» (2003), «Pedro Barbosa, Jesus Correia, Vítor Damas e outros retratos» (2005) e «Mansões Abandonadas» (2007). «Iniciais» venceu em 1980 o prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores atribuído por um júri constituído por Armando Silva Carvalho, Fernando J.B. Martinho e Pedro Támen.  
                   Em 2006 foi publicada uma versão da tese de mestrado de Ruy Ventura («José do Carmo Francisco - uma aproximação») nos 25 anos da sua obra poética. O Júri (Clara Rocha, Silvina Rodrigues Lopes e António Cândido Franco) atribuiu à tese («Representações da Memória e do Quotidiano na poesia de José do Carmo Francisco») a classificação de «Bom com distinção». O poema «Café contigo» está gravado num CD de José Cid. O Jornal «ABC» de 15-11-2008 dedicou-lhe uma página no seu Suplemento Cultural In  JOSÉ DO CARMO FRANCISCO

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