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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Mercearia em Museu num Portugal pobre, que atinge mais de 640 mil crianças e jovens –– Setúbal continua a ser o distrito mais flagelado – É lá que agora renasce a antiga Mercearia Confiança de Troino -1926 – reabilitada para espaço cultural e convívio.



"Portugal  o país com maior aumento da taxa de risco de pobreza em 2014 logo seguido pela Grécia, segundo o Relatório da Crise da Cáritas Europa 2015, que é apresentado hoje em Lisboa. Portugal foi o país com maior aumento da taxa de risco de pobreza em 2014



No Portugal do desemprego e da pobreza, para não se morrer de fome, há que procurar inovar ou desenrascar - Não é propriamente este o caso mas para a memória perdurar.

"César Figueiredo da Silva (1904- 1998), natural do Monte do Fundeiro, da Vila de Oleiros, Castelo Branco, Aos 13 anos de idade, veio para Setúbal, onde, anos depois, já adulto, mas  ainda jovem, se estabeleceria  como merceeiro, criando a “Confiança de Troino”, que manteve até 1983, altura em que a trespassou por  motivos de saúde

Quase uma vida dedicada a uma atividade, que, nos dias de hoje, está praticamente extinta, por força das cadeias de hipermercados, que, além de concertarem os preços, visando encher os cofres com milhões, criaram precariedade de trabalho, com a consequente machadada em pequenos e médios comerciantes, que garantiam milhares de empregos, a nível familiar, mas não só -  quase para o resto da vida.  -  Pois, mas o capitalismo selvagem, não se compadece com a filosofia humanista e segue, sem meias contemplações, a nova ordem do capital: amealhar muito em pouco tempo a baixo custo - Tal como defende, Belmiro de Azevedo,  patrão da Sonae, “não se devem ter economias baseadas em mão de obra barata. Porque se não for a mão de obra barata, não há emprego para ninguémSem mão de obra barata não há emprego, diz Belmiro deAzevedo  .– Ou antes, se não houver escravos, não há milionários com colossais fortunas nas listas dos maiores endinheirados de Portugal ou do mundo -Américo Amorim e Belmiro de Azevedo sobem na lista dos mais ricos

Por Jorge Trabulo Marques – Jornalista  


Mercearia Confiança do Troino, uma das mais antigas de Setúbal, situada na Praça Machado dos Santos, antigo Largo da Fonte Nova, em Setúbal, fundada em 1926,  recuperada para museu e espaço cultural, desde o principio do ano. A qual, pela  singularidade revelada,  sim, por documentar profusamente   uma certa época, já  atraiu uma equipa de filmagens para uma telenovela, com uma  cena que decorre no bairro da Fonte Nova, vizinha da  Troino, “cuja origem se atribui a indivíduos vindos de Tróia no século XIII, nas cercanias do Convento, onde estão instaladas as freiras da congregação de Madre Teresa de Calcutá”.

 Espaço cultural este  que evoca costumes e traz à lembrança muitas estórias que os mais velhos gostam de reviver e os mais novos de ouvir contar – Pelo que se antevê, palco   de agradáveis momentos culturais e de convívio, tal como sucedeu agora  com a apresentação  "Do Mapa Cor de Rosa à Europa do Estado Novo// Diplomacias, macroeconomia.. e ainda o colonato judaico para Angola, de autoria do jornalista e escritor Álvaro Henriques do Vale, à roda de um grupo de amigos e curiosos., ao mesmo tempo que iam petiscando uns saborosos nacos de presento e um nutritivo pão, acompanhados de pastéis de nata e um vinho da região, a condizer. 




Pois, já lá vai o tempo em que, nas tradicionais mercearias, se tratavam os clientes, como amigos e familiares e se  fiava, quando era preciso, pagando ao fim do mês, de modo a ir emparando as dificuldades da vida de quem tinha que ir contando os trocados, com extrema minúcia, conta peso e medida até ao último centavo. 

Os tempos de agora vão de vento em popa para os hipermercados e  o liberalismo monopolista, que gera desigualdades sociais, mata postos de trabalho e propicia aos ricos ficarem cada vez mais ricos e os pobres ainda mais pobres. 

Diz o herdeiro de uma dessas velhas mercearias, que o negócio agora já não tem viabilidade. Os hábitos alteraram-se. Mas há um passado, com a sua história e que não deve ser esquecido, pelos mais novos.  – Sim, a figura do antigo merceeiro, não era só a do vendedor de géneros alimentícios  mas também o homem a quem competia aferir comportamentos sociais, das pessoas que tinham que ter um carimbo da mercearia para atestar o seu grau de idoneidade, nomeadamente para os contratos de rendas de casas, de água e eletricidade,  era praticamente uma instituição – E  é justamente esta e outras memórias que,  Eduardo Silva, antigo professor do liceu,  engenheiro químico-industrial aposentado da papeleira Inapa,  aos 75 “anos, decidiu  preservar. 



Ao  transformar uma antiga mercearia familiar num espaço cultural,  num lugar de tertúlia e de convívio de várias gerações.  Onde pais, filhos, a vós e netos, numa espécie de museu ao vivo, comercial e sociológico, de mostruário de utensílios (desde os pesos e balanças, às tulhas, talhas e caixa registadora), aos produtos e às embalagens, que os caracterizaram e deixaram de aparecer no mercado, ali possam convier e recordar os tempos que marcaram uma época. 

Este o louvável objetivo de Eduardo Silva, ao recuperar a típica do "Sr . César"”, como preito de homenagem ao seu pai, o Sr. César Figueiredo da Silva, (1904- 1998)– com a mesma imagem de como a conheceu na sua adolescência, e ao longo de muitos anos da sua vida, sem apoios oficiais mas com muito empenho, de modo muito carinhoso, afetivo, com fins  de carácter evocativo e pedagógico, especialmente às crianças e à população escolar.


Tal como é relatado, minuciosamente, no site do Correio dos Vinhos e Pestiscos, “como num filme de Vasco Santana e de António Silva, as mercearias portuguesas eram todas iguais na primeira metade do século XX, além de serem um esteio social, numa época de penúria e poupança.


Melhores dias chegaram e, desses tempos ficou a traça e o estilo de vida dos habitantes locais, cujo dia a dia passava pela mercearia. Todo esse modus vivendis da mercearia e seu quotidiano é hoje inspiração para novas actividades ligadas à gastronomia e ao convívio e tertúlias, como ocaso da antiga Drogaria Ideal, perto de Santos, ou a Mercearia Mimosa da Lapa.


Referindo-se à Mercearia Confiança de Troino, entre outras detalhas descrições, dia que  "neste  espaço podem-se ver balanças e os armários embutidos e um painel de fotografias antigas alusivas a figuras típicas do comércio setubalense à beira dos Anos de 1930, e também os proprietários, César e Maria Helena em duas épocas diferentes, fins dos Anos Quarenta e já Anos Oitenta

A um canto, vê-se a máquina vermelha de moer café ou “uma mistura popular mais barata, com chicória e cevada”. Fabricado em Algés, na antiga Estrada da Carapuça, em finais dos anos de 1920, o moinho de café funciona com duas mós em granito, explica-nos. Numa vitrine, a foto dos fundadores, César Figueiredo da Silva e Maria Helena Machado da Silva, onde se encontram os instrumentos, com pesos e medidas, e a primeira máquina calculadora, o sinete da casa usado nas cartas registadas. César nasceu em 1904 e, em 1986, deixaria o negócio aos 84 anos, trespassando a loja, que se manteria em actividade até 2011” –Excerto de Mercearia do Troino... desde 1926, recuperada para museu

“Mais de 640 mil crianças e jovens na pobreza” – Fora o que as estatísticas de desemprego não conhecem ou não dizem

Referem as últimas noticias que,"Portugal é o país da União Europeia onde o risco de exclusão mais subiu. Cáritas diz que direitos dos mais novos não estão garantidos.
Entre 28 estados-membros, Portugal foi o país da Europa onde o risco de pobreza ou de exclusão social mais aumentou: 2,1 pontos percentuais (pp), para os 27,5%, em contraciclo com a União Europeia (UE), que registou uma ligeira descida (0,2 pp), para os 24,5%. Isso mesmo revela o "Relatório da Crise da Cáritas Europa 2015 - O aumento da pobreza e das desigualdades", que é apresentado esta quarta-feira, em Lisboa, pelo secretário-geral daquela organizaçãoMais de 640 mil crianças e jovens na pobreza - JN

SETÚBAL –  LONGE VÃO OS TEMPOS ÁUREOS  DA PRINCESA DO SADO 



Longe vão os dias  em que  as fábricas setubalenses funcionavam e proporcionavam milhares de postos de trabalho. Pagos a preços miseráveis, é certo,  mas ao menos ainda havia algo em que lançar a mão para sobreviver. 

Agora, os que lá se descobre, são os escombros das antigas unidades industriais. Assim sendo, com governantes, apátridas, com a privatização e entrega das melhores empresas públicas aos estrangeiros, privilegiando  politicas que unicamente visam o favorecimento do acumular de riqueza por uns poucos em detrimento a grande esmagadora maioria da população, dir-se-á que os lusitanos estão em vias de extinção. Em  consequência o desemprego e  a diminuição da natalidade, havendo mais velhos de que jovens. Pois quem é que pode arranjar uma casa e ter filhos, se está desempregado ou não tem garantias no trabalho? Muitas aldeias, já completamente desabitadas, outras  onde   não se registam nascimentos há vários anos  – Atualmente, os elevados índices de  desemprego, de quem já não tem com que matar a fome, não só atingem, drasticamente,  a capital sadina, onde o desespero vai bater às portas das igrejas e centros sociais, como em todo o país. Mas é em Setúbal onde  os dramas sociais mais se têm feito sentir.

“Pároco da Igreja de Nossa Senhora da Conceição afirma que o tecido social está a ser destruído em Setúbal e fala de "uma epidemia silenciosa" (…)Todos os dias aparecem caras novas no atendimento social da Igreja de Nossa Senhora da Conceição - são pessoas que já não vêm apenas de bairros problemáticos. Estas são famílias a quem já não sobra dinheiro para comer e alimentar os filhos. Desemprego em Setúbal "é como um tsunami"

 E quem não se lembra dos apelos dramáticos do Bispo de Setúbal – O grave é que, a situação estendeu-se vai de norte a sul: Tal  como ele denunciava, em Novembro de 2012,  “Portugal está atualmente a viver uma situação idêntica à que se vivia em Setúbal nos anos 80, existindo cada vez “mais pobres, mais pessoas sem pão, sem trabalho, sem casa”, alerta o bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins. “Os mais pobres não têm outra alternativa senão gritar bem alto para serem ouvidos”, Bispo emérito de Setúbal: portugueses devem “gritar bem alto para serem ouvidos  .





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