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segunda-feira, 4 de maio de 2015

António Vilar - 1981 – Ator mais célebre do cinema português dos anos 50 - Nas inesquecíveis Noites do Botequim da Liberdade de Natália Correia – Entrevista sacada a ferros por entre fados de Coimbra e sons de piano, que terminou com notas brasileiras dedicadas à persistência do repórter: Você abusou, tirou partido de mim, abusou!


Por Jorge Trabulo Marques -  Imagens recolhidas da WEB

Lisboa – 1981  -  Ao som do piano do maestro Vitorino de Almeida - O canto e a Voz de um dos mais famosos atores portugueses do século XX - António Vilar numa das alegres tertúlias do Botequim  de Natália Correia – Registo gravado espontaneamente  num gravador de cassetes e agora recuperado para vídeo – Do  ator mais célebre do cinema português dos anos 50  - Actor português, nascido em 1912 em Lisboa e falecido em Madrid em 1995.  Contracenou com Brigitte Bardot, no filme  La Femme et le Pantin  de Julian Duvivier (1959). Mais nenhum português pode dizer que teve a Bardot nos braços.  . Foi um dos actores mais famosos do seu tempo, trabalhando tanto no país como no estrangeiro (nomeadamente em Espanha, França, Itália, Argentina e Brasil), com uma projecção internacional, numa carreira nunca igualada.

CONSIDERAVA-SE PROFUNDAMENTE CONSERVADOR - VEIO AO BOTEQUIM  PARA  "CONVERSAR COM A NATÁLIA, TOMAR UMA COPO   E DEPOIS SE IR DEITAR"  - O ator português que mais anos  passou fora do seu país.



"Foi o mais internacional galã do cinema português. Estreou-se nos palcos em 1931 na peça Romance, no Nacional e, no mesmo ano conseguiu um pequeno papel no primeiro filme sonoro português, Severa, de Leitão de Barros."

Não foi fácil arrancar-lhe algumas palavras. A voz soltava-se-lhe facilmente para cantar mas não para ser entrevistado – Não vinha ali para entrevistas:  “Vim ao Botequim da Natália para conversar um pouco com ela,  tomar uma copa e depois vou-me deitar” –Declarou-me, entre outras coisas,   que poderá ouvir no vídeo.

“Quando eu era pequenina"

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“Quando eu era pequenina/ Acabada de nascer”- Composição popular, imortalizada pela Amália Rodrigues, que, o actor António Vilar, cantou naquela noite, entre outras cações populares e fados de coimbra, acompanhado ao piano pelo maestro António Vitorino, com quem ia acertando o tom do piano com o da sua voz.

As tertúlias no boletim eram habitualmente musicadas. Os sons não perturbavam o convívio e as conversas. Bem pelo contrário, era um condimento desejável. Por isso, não faltavam improvisações musicais: umas vezes para harmonizar o ambiente, outras para acompanhar quem  se sentisse dotado ou inspirado no momento. Foi o que sucedeu na noite em que  ali encontrei o famoso ator António Vilar, expondo os seus dotes musicais , que, nalguns dos filmes e peças de teatro onde participou, também chegou a revelar o seu talento de cantor e tocador de guitarra e viola.



Com um pequeno gravador à mão, com que habitualmente fazia vários registos no exterior para a reportagem de um programa matinal na Rádio Comercial (sim, muitas das vezes, quase nem dormia, quer na procura de motivo, quer depois, em casa, nas horas gastas com a  seleção das faixas e redação dos textos), pois, ao ver cantar, António Vilar, ao lado do piano, aproveitei a oportunidade (depois de ter feito uma  divertidíssima entrevista, ao  Mestre Martins Correia, sobre a reencarnação, que ainda cobservo), sim, de juntar mais um apontamento  à minha reportagem dessa noite. .

“Você abusou, tirou partido de mim” – esta dedicada no final ao repórter

Já me tinha apercebido que ele não gostava de dar entrevistas a ninguém, e, chegou mesmo a dizer-me, que não aceitava estar a “toureá-lo, ou mesmo é dizer, a fintá-lo; a lograr os meus intentos, porém, lá o fui conseguindo,  com alguma persistência e tato, ora gravando-o a cantar ora dialogando com ele, acabando, no fim, por ser prendado com a popular cantiga brasileira, de Toquinho: Você abusou, tirou partido de mim, abusou / Você abusou / Tirou partido de mim, abusou / Tirou partido de mim, abusou / Tirou partido de mim, abusou!”

A última grande tertúlia de Lisboa - que marcou cultural e politicamente várias décadas portuguesas - teve lugar no Botequim, bar do Largo da Graça criado e projetado por Natália Correia. Tive o prazer de ter sido um dos frequentadores – Quer na qualidade de repórter de rádio (onde é gravado este apontamento, entre outros), quer pela admiração que tinha pela personagem de Natália e pelo, gosto das noites que ali se viviam 

“Nele fizeram-se, desfizeram-se revoluções, governos, obras de arte, movimentos cívicos; por ele passaram presidentes da República, governantes, embaixadores, militares, juízes, revolucionários, heróis, escritores, poetas, artistas, cientistas, assassinos, loucos, amantes em madrugadas de vertigem, de desmesura.

A magia do Botequim tornava-se, nas noites de festa, feérica. Como um iate de luxo, navegava-se delirantemente em demanda de continentes venturosos, de ilhas de amores a encontrar. O futuro foi ali, como em nenhuma outra parte do País, festivamente antecipado. Nunca houve, nem por certo haverá, nada igual entre nós “ – Fernando Dacosta, na contracapa do referido livro sobre o Botequim




 Se puder mão deixe de ler  - Natália Correia – “O Livro dos Mortos” – “Quando me derem por morta de lágrimas nem uma pinga” - Ouça  estas palavras na voz de quem as escreveu  e que vamos homenagear na Pedra dos Poetas e na Pedra do Solstício do Verão, aldeia de Chãs, Foz Côa, 21 de Junho http://www.vida-e-tempos.com/2015/05/natalia-correia-o-livro-dos-mortos.html

Biografia de António Vilar

"Ator português, de seu nome completo António Vilar Justiniano dos Santos, nascido a 13 de outubro de 1912, em Lisboa, e falecido em Madrid a 16 de agosto de 1995. Foi um dos atores mais famosos do seu tempo, trabalhando tanto no país como no estrangeiro (nomeadamente em Espanha, França, Itália, Argentina e Brasil). Nos anos 50, tornou-se a par de Virgílio Teixeira, num dos atores nacionais com maior projeção internacional. Com apenas 18 anos, tornou-se ator amador, até que foi descoberto pelo realizador Leitão de Barros que o convidou para um pequeno papel em A Severa (1931), o primeiro filme sonoro português. Continuou a conciliar a sua carreira teatral com a cinematográfica, tendo desempenhado pequenos papéis em Feitiço do Império (1940) e Pão Nosso (1940). Mas o seu rosto só se tornou familiar do público português com a sua prestação em O Pátio das Cantigas (1942), onde desempenhou o papel do guitarrista Carlos Bonito e contracenou com Laura Alves, António Silva, Vasco Santana e Ribeirinho. Gradualmente, tornou-se num dos galãs mais requisitados do cinema nacional: foi Simão Botelho em Amor de Perdição (1943), onde fez par romântico com Carmen Dolores, e em Inês de Castro (1944) encarnou D. Pedro, o Justiceiro. Personificou Luís Vaz de Camões em Camões (1946), antes de assentar arraiais em Espanha, onde viveu até ao fim dos seus dias. Entre 1946 e 1978, protagonizou perto de 40 filmes castelhanos, dos quais se destacam La Mantilla de Beatriz (A Mantilha de Beatriz, 1946), Reina Santa (A Raínha Santa, 1947), Una Mujer Cualquiera (1949), Don Juan (1950), Alba de América (1951), El Redentor (1957), Muerte Al Amanecer (1959), Comando de Asessinos (Fim-de-Semana Com a Morte, 1967) e Disco Rojo (Sinal Vermelho, 1973). Nesse período, trabalhou também no Brasil, em Guarany (1948), em Itália, onde protagonizou Santo Vermelho, 1973). Nesse período, trabalhou também no Brasil, em Guarany (1948), em Itália, onde protagonizou Santo Disonore (Honra e Sacrifício, 1949) e Il Padrone Delle Ferriere (1959), regressou a Portugal para encabeçar o elenco de O Primo Basílio (1959) de António Lopes Ribeiro e filmou esporadicamente em França, participando ao lado de Brigitte Bardot em La Femme et le Pantin (1959). O seu último filme foi Estimado Señor Juez (1978). Nos anos seguintes, perseguiu o sonho de produzir, realizar e protagonizar um épico sobre Fernão de Magalhães, tendo gasto a sua fortuna pessoal na pré-produção do filme, após as recusas de subsídios governamentais por parte de Portugal e de Espanha. Para esse efeito, conseguiu construir uma réplica duma nau da frota de Magalhães, que foi oferecida à Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses, após a sua morte.


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