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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Freixo de Numão: "Valem mais as nossas batatinhas e o azeite do que o melhor que tem a cidade" : “Ó maria já tens a trouxa pronta!” "Olha! e tu queres um copito e a salada com mais vinagre?" – Memórias de um repórter de rádio de há 30 anos.

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista   - Com vídeo do registo em cassete da década de 80


- Memórias de um Repórter de Rádio e da imprensa -  “Ó lindo Freixo terra adorada! Queremos-te muito! Nobre torrão. Por ti ó Freixo, terra sagrada, aqui palpita meu coração” 
  
Estes alguns dos versos  cantados e tocados, ao som de acordeão, por um grupo de alegres e divertidíssimos excursionistas de Freixo de  Numão, que, ao mesmo tempo que iam puxando pelos farnéis, que haviam trazido de casa, com as  comidas, petiscos e  o  indispensável copinho do  “Escorna Bois”, produzido lá das boas cepas das terras das margem esquerda do Douro, onde os romanos, se instalaram e fizeram  as suas lagaretas para esmagarem as uvas,  dizendo uns alegres ditos, cantarolando e tocando. Enfim,  entregando-se igualmente aos prazeres de quem está habituado a comer o pão que o diabo amassa, bebericando, satisfazendo o apetite com os comes e bebes genuínos da sua terra.

Eis, pois,  a bonita surpresa, saudosa e calorosa,  que me fez comover até às lágrimas, quando a descobri no meu vasto arquivo das minhas entrevistas e reportagens, que aqui dedico   às gentes desta histórica freguesia de Foz Côa, que faz parte do meu concelho, pois estou certo que, para quem reconheça as vozes no registo gravado, que passei de cassete de áudio para vídeo, certamente que não deixará de soltar uma lágrima no canto do olho.

Não posso precisar o ano, em que fiz a reportagem mas sei ter sido nos princípios da   década de 80 - Por um  feliz acaso, pude encontrar-me com um grupo de   pessoas de Freixo de Numão. Ao passar ao lado do Parque Eduardo VII, quando me dirigia para a Rádio Comercial, chamou-me a atenção a forma divertida e alegre, como conviviam, confraternizavam, cantando e tocando cantigas  da sua terra, ao mesmo tempo que iam puxando  do farnel antes de tomarem o autocarro de regresso.“   O vídeo, que editei no Youtube, com cópia nesta página,  é ilustrado,  com sítios históricos e  algumas  imagens da procissão da Nª Srª da Carvalha

SURPRESA MÚTUA

- Donde São? – Pergunto: 
 -O que é que deseja? – Responde-me,  uma voz, a que eu acrescento: “Sou jornalista” – Para logo de seguida me dizer: “Eu sou de Foz Côa, distrito da Guarda”
 -Ah! São da minha terra!  - Digo eu.   Também sou de Vila Nova de Foz Coa.– atalho com espanto.
 -Ah!, é!... E então a quem pertence?”…- Sim, por naqueles anos, nas pequena aldeias,  ainda toda a gente se conhecia.
- Nós somos de Freixo de Numão.

Feitas as apresentações, a partir daquele  momento, eu era um dos seus, pelo que  não me fora difícil  acompanhar o ritmo e o balanço do frenético e divertido convívio. Expressando os  falares típicos do mais genuíno do Portugal profundo, que cada vez mais se despovoa e descaracteriza – Que vêm  à capital para ver os grandes barcos no cais de Alcântara, subir  até ao Castelo S. Jorge, visitar o Mosteiro dos Jerónimos, passear pelo Terreiro do Paço e pelo Rossio, nas praças, ruas e avenidas, estátuas e outros lugares de que ouvira falar ou vira na televisão. Apreciar as montras e modas; comprar pequenas recordações. Por fim, subir a Avenida da Liberdade, onde o autocarro os espera para o regresso .Desatar os taleigos e toca de merendar. Mesmo assim, ouve quem dissesse gostar mais do Porto de que Lisboa: “Acho o Porto mais familiar!... Lisboa dá ares de  mais importante! Mais senhoril!..."
"Valem mais as nossas batatinhas! O nosso azeite que comemos, de quanto cá têm os da cidade!..- Diz a mulher mais divertida do grupo - Para logo acrescentar:
"Valha-me Nª Srªa!... Trazemos arroz! Massa!... Vinho fino e grosso!.. Abre!... 

Temos lá uma escola bem linda na nossa terra!.... Não somos pobres, carago!... (…) Queres mais arroz?!.. E a salada com muito vingare?!.. Ah!... e não queres um bocadinho de bolo?!...
Diz um homem ao  lado: "Ah! Se muitos lisboetas se apanhassem aqui!"..
"Também digo!..” - Volta a sentenciar  a voz mais sonora e  comunicativa do alegre grupo excursionista . Uma mulher já idosa mas cheia de vida e de genica: “Não viste que há bocado, dois vieram-nos pedir um bocado de pão e que depois um deles até queria o peixe!... Dois rapazes novos, cheios de vida e saúde!..". “Que vão cavar, como nós” Diz outra mulher ao lado

Bom, não vou aqui reproduzir palavra a palavra o que se passou naquele meu inesperado e simpático encontro. Até porque, o mais interessante, nem será tanto o que, à posteridade, agora possa recordar e  escrever mas o registo sonoro que aqui que lhe deixo, posto em vídeo, dos diálogos espontâneos, do ambiente ali vivido,  das  expressões e timbres que vão caindo em desuso, por força da destrutiva massificação que nos é imposta pelo consumismo desenfreado dos novos tempos.




FREIXO DE NUMÃO –  ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL

É a freguesia mais populosa do concelho de Vila Nova de Foz Côa, com um passado arqueológico  antiquíssimo, de que existem abundantes vestígios de ocupação humana, desde o neolítico, calcolítico, idade do bronze à romanização,  com uma população acolhedora e comunicativa, onde o visitante pode encontrar vários circuitos de interesse – Graças ao labor e entusiasmo do  arqueólogo e historiador, Prof.António Sá Coixão, natural desta aldeia (classificada como vila), com trabalhos de investigação que remontam ao inicio da década de 80, mas não só nesta freguesia como noutros pontos do concelho e da região, logrando pôr a descoberto  sítios e centenas de material lítico da maior relevância histórica

De resto, profusamente testemunhado através de várias publicações de sua autoria, gozando por isso da maior estima, prestigio  e admiração, quer das gentes da sua terra e do concelho, em todo o distrito da Guarda, mas também  junto da comunidade cientifica e estudiosos – Assim o diz, por exemplo, Paula Matos dos Santos, num elogioso artigo publicado no jornal Pessoas e Lugares

08/10/2010- "Há mais de 20 anos, ainda ninguém sonhava com as gravuras paleolíticas do Côa, e já este homem calcorreava a região em busca de vestígios do passado. Depois do curso (História), na Faculdade de Letras do Porto, António Sá Coixão regressa às origens - a Freixo de Numão, uma pequena aldeia do concelho de Vila Nova de Foz Côa - , cheio de ideias. Várias batidas de campo, ainda enquanto estudante, começaram a alimentar um projecto. Depois, como ele próprio confessa, foi uma questão de arrancar. "Quando o projecto começou, em 1980, estava longe de sonhar que iriam ser descobertas as gravuras rupestres no Côa. A associação (Associação Cultural, Desportiva e Recreativa – ACDR - de Freixo de Numão) surge quase a reboque da própria actividade arqueológica que aqui já se desenvolvia com um grupo de jovens. E, também, da necessidade de criar um organismo que começasse a apoiar essas iniciativas porque a título individual era muito difícil. Aliás, ainda hoje o é. Mas na altura, era quase impossível obter quaisquer apoios financeiros. Os jovens entusiasmaram-se, e a partir daí..

Atrás da investigação arqueológica, veio o futebol, a banda, e a associação foi crescendo e, rapidamente, os objectivos da sua fundação foram ultrapassados. António Sá Coixão até costuma dizer que a ACDR é uma escola em formação contínua de dirigentes, considerando-se ele próprio um "agente de desenvolvimento local". "Para mim, desenvolvimento local é motivar os agentes locais mas, primeiro, é ser motivador dos agentes locais". Mas neste caso, como em tantos outros, o mais importante é o rosto do projecto. E quando os projectos são identificados com um rosto e este com aqueles... é tudo mais fácil. Naturalmente, convicção, empenho, alma e alguma carolice – predicados que assentam como uma luva ao professor de Freixo de Numão - também ajudam. – Excerto de  Portfolio: António do Nascimento Sá Coixão - "As gravuras ...

A FANTÁSTICA SURPRESA QUE ESPERA O VISITANTE CURIOSO DE VIAJAR AO PASSADO DISTANTE E ÁVIDO DO PRAZER DE CONTEMPLAR BELAS PAISAGENS   

No texto seguinte, do qual reproduzimos  um excerto,  dá-lhe algumas dicas importantes – “Freixo de Numão, uma aldeia do concelho de Vila Nova de Foz Côa. Num planalto, rodeada de montanhas verdes e com o rio Douro ao fundo, este é um local de rara beleza que é um encanto para os sentidos. As vinhas a perder de vista e o casario de granito, rude tal como o chão, são também marcas da aldeia de Freixo de Numão. O aglomerado de casas muito juntinhas destaca-se no enquadramento verde que rodeia a população. Aqui a aposta é no vinho de qualidade que sai destes terrenos.

Está tudo a postos? Então prepare-se para uma visita prolongada a Freixo de Numão. É que além da arquitetura local, que pode observar nas casas e ruas empedradas, há espaços verdes para descobrir e ainda o Museu da Casa Grande para visitar. Depois de um passeio pela aldeia, em que descobrirá as características rurais mas também diversos edifícios nobres, trace a pé o Percurso Pedestre do Circuito Arqueológico. As minas de volfrâmio, o sítio arqueológico da Coladreira e o sítio arqueológico do Rumansil estão ali a dois passos e são testemunhos da passagem do tempo por este local. De diversos pontos da aldeia pode também usufruir de miradouros que oferecem uma deslumbrante paisagem, enquanto se vai cruzando com outros edifícios de interesse, como a Fonte da Bica, a Fonte da Carvalha, o Moinho das Regadas, o Pelourinho, a Ponte sobre a Ribeira de Teja, o Castelo Velho, o Núcleo Museológico Casa Moutinho, o Tanque do Sapo, a Casa de Fidalgos, a Casa de Cristão Novo, ou a antiga Casa da Justiça. Leis os demais pormenores em Freixo de Numão - Aldeias de Portugal


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