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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Pintor Carlos Botelho - 1982 - Entrevista no ano de sua morte: "Até à última tela que eu farei na minha vida eu estou aprender" … - Único registo em vídeo gravado disponível na Internet

Por Jorge Trabulo Marques -  Entrevista a Carlos Botelho um dos mais notáveis artistas da pintura portuguesa do século XX



Entrevista a escassos meses da sua morte  - Autor de banda desenhada (BD), decorador, desenhador, ilustrador e pintor português, Carlos António Teixeira Bastos Nunes Botelho, mais conhecido por Carlos Botelho,  nasceu a 18 de Setembro de 1899, em Lisboa, e faleceu a 18 de agosto de 1982, na mesma cidade. 


Carlos Botelho – “Insiste-se sempre! Porque aprende-se sempre: até à última tela que eu farei na minha vida, eu estou aprender! – Declarou-me no final da breve entrevista que me concedeu, em sua casa,  a cinco meses antes da sua morte, a 18 de Agosto de 1982, ou seja, um mês antes de completar 83 anos. Ouvinte da rádio, quando trabalhava pela manhã, confessou-me que gostava de ouvir o programa para o qual eu fazia as habituais reportagens.





Recebeu-me por três vezes em sua casa. Sempre com uma  visível amabilidade, simplicidade e bom humor. Esta última vez foi para lhe pedir umas palavrinhas sobre ao 3º aniversário do  programa de rádio onde era repórter.  A penúltima havida sido para o semanário Tal & Qual, acerca da “Primeira vez”, inserida no conjunto de entrevistas a várias personalidades, sobre  a primeira relação sexual, entre outras perguntas, para se aferir como iam as desinibições a nível da nossa elite artística e intelectual com a democracia. 

Depois de nos voltar a manifestar o seu agrado pelo programa. Diz-nos o seguinte:

C.B. - O curioso nestas entrevistas que eu tenho dado é que o nosso amigo repórter do “Hora Ora”, me aparece sempre de surpresa. E, com tanta sorte que me apanha sempre ; porque, em geral da parte da manhã, é quando trabalho, quando pinto, sou uma espécie de fã da Fundação Gulbenkian, a que eu chamo aquilo o meu clube, porque há sempre um filme, uma conferência, um concerto, uma exposição; há sempre qualquer coisa com interesse

J.T.M – O programa “Hora Ora” comemora agora três anos: o que é que diz ao facto?
C.B. – Três anos?!... Isso para mim não é nada…É que eu já estou com 82 vírgula seis!... De maneira que isso até me faz rir… Isso não vale nada, é poucachinho.

J.T.M - Bom, mas de qualquer modo, já são três anos! São muitos esforços!...
C.B. Bem, mas isso que acredito eu. Vocês terem de dar de comer, todos os dias a uma baleia, a um camaleão, como é a rádio, eu tenho realmente muita consideração: deve ser muito difícil manter, durante tantas horas, um programa que possa satisfazer todas as classes, desde as mais eruditas às mais populares.

(…) Pinto ao relentim… Agora já não pinto como quando trinta anos, mas não deixo de trabalhar todos os dias, porque a parte oficinal é muito importante… e a trabalhar é que a gente aprende… Eu lembro-me muito, até, de uma frase do Ramalho Ortigão: dizia ele que estava sempre a escrever e, quando aparecia a inspiração, agarrava-a!.... E nós é a mesma coisa: a gente vai sempre pintando!... E se vem a inspiração, ajuda!

J.T.M – Quer então dizer que há dias em que a inspiração não ajuda, lá muito!... Mas insiste-se!
C.B. – Insiste-se sempre! Porque aprende-se sempre: até à última tela que eu farei na minha vida, eu estou aprender!

 CARLOS BOTELHO - "FOI NO BAIRRO ALTO COM A MENINA "AMÉLIA DOS 20" 

Felizmente, os alemães perderam a guerra. Quando não, Carlos Botelho, consagrado pintor português, com obras altamente cotadas no mercado, seria hoje, como ele garante, «simples abat-jour de modesto candeeiro». Mas, os alemães perderam e o homem de Berlim em Lisboa não pôde punir a ousadia de um artista que todas as semanas crucificava Hitler no «Sempre Fixe» e fazia do Führer trinta por uma linha, sempre que pegava no lápis. 

Se os alemães tivessem ganho a guerra, Carlos Botelho não teria ido a S. Francisco, em 1951, envergonhar o fabuloso Salvador Dali, a quem deixou num modesto segundo lugar, numa exposição internacional. 
Bem: se eles tivessem saído vencedores, Carlos Botelho não estaria possivelmente aqui, hoje, a falar da sua ... vida amorosa, designadamente a sua «primeira vez”

"Como foi isso, Carlos Botelho?  - Leia em  Foi no Bairro Alto com a menina Amélia” - Confidências

Biografia
"A sua atividade desenvolveu-se ao longo de um período dilatado do século XX e repartiu-se por uma multiplicidade de atividades. Nos anos de 1920 Botelho foi um dos pioneiros da  banda desenhada nacional, trabalhou em artes gráficas  e no desenho de humor; na década seguinte pertenceu à equipa de decoradores do SPN, o que lhe deu oportunidade para viajar e tomar contacto com a dinâmica artistica do seu tempo. A partir dessa altura desenvolveu uma obra plástica autónoma que o destaca como uma das figuras maiores da 2ª geração de pintores modernistas portugueses 2 .
A paisagem urbana ocupa um lugar central na sua obra. Na etapa inicial, marcada por um pendor declaradamente expressionista, pinta cidades, retratos, narrativas. Tema recorrente desde a primeira hora, a sua cidade natal irá afirmar-se como tema central, acompanhando a evolução do seu modo de pensar e fazer. Será Lisboa a protagonista do apaziguamento expressivo e acentuação poética da década de 1940; será Lisboa a servir de mote às experiências abstratizantes dos anos de 1950; e será Lisboa a ocupá-lo, quase em exclusivo, nas décadas finais". Carlos Botelho – Wikipédia,

"Autor de banda desenhada (BD), decorador, desenhador, ilustrador e pintor português, Carlos António Teixeira Bastos Nunes Botelho nasceu a 18 de setembro de 1899, em Lisboa, e faleceu a 18 de agosto de 1982, na mesma cidade.
Aos 30 anos ingressou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tendo saído um ano depois, frustrado com um ensino marcadamente clássico, rumando para França, num ambiente muito mais propício ao contacto com a vanguarda artística da época. Em Paris estudou nas Academias de Chaumière e de Colarossi. De regresso a Portugal, expôs no Salão dos Independentes (1930).
Esteve ligado ao ABCzinho, onde publicou banda desenhada (1924-1929) e foi presença assídua no suplemento "Sempre Fixe" do Diário de Lisboa, onde semanalmente apresentou uma página de BD, os "Ecos da Semana". Viu publicadas 1177 páginas de BD dos "Ecos", em que abordava assuntos, nacionais ou estrangeiros que tinham sido referência na semana anterior. Como se calcula, várias foram as páginas censuradas, que discretamente assinalou desenhando um mocho, tendo os "Ecos da Semana" sido publicados durante 22 anos e meio, entre 17 de maio de 1928 e 14 de dezembro de 1950. – excerto de
Carlos Botelho -

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