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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Festa do Equinócio do Outono 2015, dia 23, às 08 horas, ao som de violinos, poesia e misticismo, junto ao altar da pedra que é atravessada pelos raios do nascer do sol - Povo da aldeia de Chãs, entusiasmado com o anúncio da participação do Bispo de São Tomé e Príncipe


GRUTA  ATRAVESSADA PELOS RAIOS SOLARES NO EQUINÓCIO DO OUTONO - Dia 23 - 08-00 -08.30 - UMA VEZ MAIS O CENÁRIO MARAVILHOSO    A LEMBRAR TRADIÇÕES PERDIDAS NO TEMPO - MAS COM FORTE PENDOR MÍSTICO  E RELIGIOSO DA ATUALIDADE - Ponto obrigatório de passeios e de peregrinações, nomeadamente  de grupos de catequeses, até aos anos 70, acompanhados por  sacerdotes ou missionários  - Assim era uma tradição, que se foi perdendo, devido à  desertificação da aldeia, que já teve duas escolas  com várias turmas e hoje já nenhuma funciona.






A entrada da estação mais nostálgica e romântica do ano, das colheitas e dos frutos, momento em que a Terra é iluminada  de igual forma no hemisfério sul como no hemisfério norte, vai ser celebrada, no próximo dia 23, às 08.00, no afloramento granítico  dos Tambores, aldeia de Chãs, de Vila Nova de Foz Côa,  no interior do recinto amuralhado do Santuário Sacrificial da Pedra da Cabeleira de Nª Sra, com momentos de violino e de poesia, com a presença do Bispo de São Tomé e Príncipe, Dom Manuel dos  Santos, que lerá poemas de sua autoria.

O enorme penedo, que é suposto ter servido de antigo local de culto e de posto de observação astronómico,  está orientado no sentido nascente-poente e possui uma gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento, que é iluminada no seu eixo no momento em que o Sol se ergue  no horizonte, proporcionando uma imagem invulgar.
O evento, que conta com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, é organizado pela Comissão das Celebrações dos Equinócios e dos Solstícios, desde 2003, com o objetivo de recuperar  costumes ancestrais e suscitar o estudo e a preservação dos enormes monumentos megalíticos  pré-históricos de rara beleza e singularidade.  





É crescente o entusiasmo à volta da visita do Sr. Dom Manuel dos Santos, Bispo da Diocese de São Tomé e Príncipe, ao Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, com inicio às 08 horas do dia 23,  na festa do Equinócio - A Junta de Freguesia, fez distribuir pela aldeia, vários panfletos,  “convidando a população a estar presente no dia 23/09/2015, para receber o Outono.

Pintura rupestre - no interior da Pedra da Cabeleira
Vamos estar pelas 07.30 no Largo do Fundo do Povo para receber o Sr. Bispo a Diocese de S. Tomé e Príncipe, natural de Castro Daire, que irá estar conosco neste evento"

 O MONUMENTO PRÉ-HISTÓRICO DA PEDRA DA CABELEIRA DE Nª SRª  É VISTO PELA ALDEIA, NÃO COMO TEMPLO PAGÃO MAS  COMO UMA PEDRA SAGRADA  - Há uns anos, ponto obrigatório nos passeios da catequese e das semanas missionárias

 

A   Pedra da Cabeleira  de Nª Srª, vista à luz da tradição oral da aldeia de Chãs., em cujos arredores se situa, é mais a presença de uma monumental pedra sagrada de que um templo pagão. Ninguém aqui lhe atribui essa conotação - O seu longínquo passado  - de ter servido  de observatório astronómico e local de culto pelos povos que, no afloramento granítico dos Tambores, procuravam o seu refúgios e os seus abrigos -  esse, passado caiu praticamente no esquecimento -  Nunca ali foi rezada missa  - tal como acontece em algumas ermidas incrustadas em enormes penedos, mas a verdade é que, desde há muito que é um local que toda a aldeia conhece: para onde têm peregrinado todas as gerações. Isoladamente ou em grupos, muitos dos quais acompanhados por sacerdotes.



Até aos anos da minha adolescência, eram frequentes estes géneros de visitas - Tanto pelo pároco da freguesia . - em passeios da catequese - ou no período pascal, pelos missionários, convidados pela paróquia para os sermões e confissões. Porém, desde há uns anos a esta parte, com a crescente desertificação, por via do fenómeno emigratório para a França, associado a algumas alterações no fenómeno religioso, perdeu-se, de algum modo, esse costume. No entanto, quem nunca o  perdeu, foi o falecido Cónego José da Silva, mesmo já depois de ter deixado de ser pároco desta freguesia – Sem dúvida, um dos grandes apaixonados por aquele antigo santuário, a Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, que ali tive o prazer de acompanhar, por várias vezes, junto à qual lhes prestamos justíssima homenagem, após nos ter deixado para sempre.


 
Vamos celebrar o Equinócio do Outono, com sons de violino e poemas de Dom Manuel dos Santos - Bispo de São Tomé, natural de São Joaninho,   Castro Daire  - Eis um dos seus belos poemas - que é ao mesmo tempo um Hino de Amor e de Luz ao Criador

Tu és a Luz
Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor
Quem me segue não anda nas trevas,
mas terá a luz da vida (Jo. 8.12)

Nos caminhos escuros da noite
nas veredas das montanhas esquecidas
Tu me guias, Tu és a  luz!

Nas horas de angústia e de medo
nos momentos de solidão e dor
Tu me guias, Tu és a luz!

Nas tempestades do mar do silêncio
nas horas de abandono e tristeza
Tu me guias, Tu és a Luz

Nas veredas da sede e do cansaço
nos desertos  de areia e de miragens de enganos
Tu me guias, Tu és a Luz!

Eu sei que quem te segue
pode morrer numa cruz
mas descobre caminhos de vida
caminhos de luz!

São Tomé, 17 de Março de 2013
Do livro  Poemas de Vida e Fé



Não quis ser outra coisa senão ser Padre e nunca se arrependeu de ter seguido a vida de sacerdote - . “Eu não procurei ser outra coisa. Procurei ser Padre. Procurei cumprir o meu dever. Quando me ordenei, eu tinha um primo, em Barcelos, que era diretor de um colégio e convidou-me para ir para lá como professor. Eu respondi-lhe: ordenei-me não para ser professor mas para ser padre. Agradeci-lhe por se ter lembrado de mim mas eu nasci para ser padre, não aceitei o convite

E Deus fez-lhe a vontade, durante  mais de seis décadas ao serviço da igreja. Filho  único mas de pais humildes. A mãe queria que ele fosse para o seminário, porém, seu pai, receando ficar sozinho na velhice, chegou a deslocar-se a pé a Lamego para  demovê-lo a voltar para casa. A mãe tinha opinião diferente do marido e ficou contente pela sua determinação



HÁ 13 ANOS  - FINALMENTE A DESCOBERTA! Ocorreu numa bela manhã de 21 de Setembro de 2002,  e na sequência ainda de muitas peregrinações a este local. – Tudo começara na véspera à noite, quando,depois do pôr-do-sol, sentado junto ao frotispicio da Pedra da Cabeleira de Bª Srª.  observando a lua-cheia a erguer-se a levante, maravilhado, constatava, que os raios do luar  atravessavam  a extensa caverna, que, na sua base e em forma de semi-arco,  percorre o dito penedo de extremo a extremo. Ao aperceber-se, casualmente, do fenómeno, depreendi que,  a descoberta,  há tanto esperada, surgia finalmente ao alcance dos meus olhos.

Estava-se em plena  noite do Equinócio do Outono, Admitindo, então, que, se a luz lunar fazia aquele percurso,  o mesmo poderia ocorrer pelos raios solares no raiar da manhã seguinte! E, de facto, tão convicto fiquei, que,  para testemunhar e registar o fenómeno, decidi ir buscar a  máquina fotográfica, após que,  enrolando-me no cobertor que trouxe comigo, ali fiquei deitado atrás da rocha, até ao nascer do sol.

E, realmente, confirmou-se o meu pressentimento - Instantes depois das oito horas, lá estavam os riaos solares a invadir a graciosa gruta.  - Mas que esplendorosa  surpresa!
Naquela altura, ainda não me tinha apercebido que o alinhamento solar era para ser visto, não priopriamente junto à curiosa caverna mas no enfiamento do seu eixo e no prolongamento de um muro que parte da base do altar, onde termina o lajedo sobre o qual assenta o monumental bloco granitico. 

Na verdade, é das tais imagens que silenciam as palavras, que convidam à contemplação, ao pasmo e à sublimidade, que é também uma outra forma de oração. Sim, só quem se encontre naquele local e,  durante os momentos, em que os raios solares atravessam de extremo a extremo o eixo da curiosa câmara, poderá ter a plena consciência de estar perante a revelação de um fabuloso mistério, de um verdadeiro hino à Natureza! – à Terra, aos Céus, ao Cosmos! 


CULTO DO SOL  NO SANTUÁRIO RUPESTRE DA CABELEIRA DE NOSSA SENHORA – UM SEGREDO DURANTE MUITO TEMPO BEM GUARDADO.

Imponente megálito, que parece apontar para a existência de um antigo culto solar - Já por aqui passaram muitos arqueólogos e investigadores, e em todos parece ter transparecido a  impressão de que o local foi cultuado.

A primeira referência a este enorme fraguedo, foi feita por Adriano Vasco Rodrigues, no seu estudo publicado em 1982, sobre a História Remota de Meda., de cuja investigação aqui transcrevemos, com a devida vénia, um pequeno excerto:  “Também na freguesia de Chãs, que foi outrora anexa de Longroiva e agora pertence ao  concelho de Vila Nova de Foz Côa, localizei, a curta distância da povoação, na Lapa de Nossa Senhora, no interior de um penedo com forma de crânio, um nicho contendo algo que parece a pintura de uma cabeleira humana”

“O  penedo tem o seu assento sobre uma vasta superfície rochosa granítica. A face poente está desbastada como uma enorme testa. Na parte interior rasga-se uma abertura com cerca de um metro  de  diâmetro, que dá entrada para uma espaçosa câmara com o exterior por outra abertura rasgada na face ocidental.”

No tecto desta câmara notam-se manchas avermelhadas de uma pintura de ferro parecendo resultarem de uma pintura destruída pela erosão produzida pela corrente de ar, estabelecida pelas duas entradas.”.

“O território delimitado pelos concelhos de Meda e de Vila Nova de Foz Côa é de comprovada antiguidade, oferecendo por vezes surpresas e imprevistos arqueológicos. Há mais de 50 anos que venho estudando a Pré-História desta região, tendo em 1956 encontrado testemunhos da presença do Homem do Paleolítico, num abrigo conhecido por Gruta do Cavalinho, onde estava representada a gravura de um cavalo. Esta gruta situa-se perto da Ribeira Teja, na freguesia do Poço do Canto, Meda. Outros testemunhos da arte paleolítica vieram juntar-se a este, principalmente no Vale do Côa e mais a norte do Douro e Vale do Sabor.

Em 1957, tive oportunidade de estudar a fraga conhecida com o nome da Cabeleira de Nossa Senhora, que classifiquei como santuário pré-histórico, integrado cronologicamente na revolução neolítica. Pelas suas características sugere a existência de um culto ao crânio, característico, na Península Hispânica, da transição do Paleolítico para o Neolítico, segundo o Prof. Pericot. A identificação com uma entidade feminina, que sofreu consagração à Virgem Maria, acompanhada de lenda popular, sugere um culto inicial à Deusa Mãe, símbolo da fertilidade.

O início da agricultura está ligado ao culto da Deusa Mãe, privilegiando a germinação das plantas. Foi trazido do Médio Oriente para o Ocidente peninsular pelos primeiros povos agricultores.
Junto deste santuário localizei uma pequena cavidade em forma de concha, que poderá ter servido para recolha de sangue proveniente de sacrifícios. Em frente de uma das entradas do abrigo interior daquela fraga, havia uma pedra quadrangular, com 1,5 m. de lado, em forma de arco, que se adaptava perfeitamente, deixando uma abertura suficiente para permitir a entrada dos raios solares.

O jornalista Jorge Trabulo Marques, natural das Chãs, do concelho de Vila Nova de Foz Côa, que meritoriamente tem pesquisado toda esta área, levantou o problema de se tratar de um calendário solar, tendo o homem pré-histórico aproveitando este monumento natural e adaptando-o, como se comprovou pela presença da pedra, que atrás referi. Esta hipótese não foi levantada despropositadamente, pois está comprovado por testemunhos de períodos coevos em que foram levantados calendários relacionados com a marcação de solstícios de Verão e de Inverno. O culto ao Sol é fundamental nas sociedades primitivas e o conhecimento do calendário das estações para poderem fazer as sementeiras. O culto à Deusa Mãe e ao Sol dos primeiros agricultores está relacionado.

Também já num tempo pré-histórico mais próximo dos nossos dias, temos o exemplo de Stonehenge, convidando à observação do Sun rose e do summer solstice. Na Irlanda, o túmulo chamado New Grange, mostra uma abertura pela qual entra a luz solar no dia do solstício de Inverno percorrendo a câmara até à sua parede final.

Poderei citar muitos mais testemunhos da riqueza pré-histórica da região, os quais localizei através das minhas prospecções, entre eles, necrópoles, grutas, abrigos, castros e dos mais representativos a Estátua-menhir de Longroiva, representando um homem, possivelmente um caçador, acompanhado pelo mesmo equipamento do homem encontrado na geleira do Tirol, em Setembro de 1991, entre a Itália e a Suíça, conhecido por Ossi.”







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