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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

José Saramago – Recebeu o Prémio Nobel há 17 anos – Mas deu-nos uma entrevista há 30 anos, em que assumia o ceticismo da fé religiosa: “Não há vida para além da morte!...” E férias, felizes?! “Só as da minha infância!”

Por Jorge  Trabulo Marques - Fotos, texto e  entrevista em vídeo


 Homenageado na C.M. de Lisboa, após ter recebido o Prémio Nobel


Recebido na C.M. de Lisboa, após o Prémio Nobel
No 10 de dezembro de 1998 José Saramago recebeu em Estocolmo o Prémio Nobel de Literatura, vai fazer, portanto, 17 anos -  Data que  assinala o Dia Internacional dos Direitos Humanos – E, por isso mesmo,  uma efeméride “particularmente especial para a Fundação José Saramago” entrega do Prémio Nobel a José Saramago


MEMÓRIAS DE UM REPÓRTER - Breve entrevista, ao escritor José Saramago, na feira do livro de Lisboa: mais em jeito de inquérito, que ali estava a realizar com escritores e pessoas anónimas – Os temas colocados: a vida para além da morte, o papel da rádio em Portugal e as recordações das melhores férias.

VÍDEO COM A ENTREVISTA




JS- O meu pensamento é extremamente simples: penso que não há vida para além da morte!... Não há mais nada para responder senão isto ! JTM - Férias felizes?... – JS “Todas as férias da minha infância!... É a única coisa que lhe posso dizer…. Essas foram todas boas!... As outras… São assim, assim: uma vezes melhores outras vezes piores!...


O nosso Nobel da Literatura, nunca foi dado a entrevistas – Ele que,  nos anos 80 - pese o facto de já ter sido distinguido com importantes prémios- , longe estaria, certamente, de imaginar vir um dia a ser laureado, com tão alta distinção – O diálogo que então ocorreu, não estava previsto: sucedeu de forma casual  e espontânea. E foi praticamente  sacado a ferros, já que, desde o inicio, procurou sempre a esquivar-se às minhas perguntas,  considerando-as terem a ver com questões do  foro pessoal.  Em todo o caso, aqui fica o curioso  registo para um melhor conhecimento da personalidade de um dos maiores vultos da literatura portuguesa, com expressão Universal.

“NÃO HÁ VIDA PARA ALÉM DA MORTE”




JTM - O que é que pensa da vida para além da morte?  Qual é o seu pensamento a esse respeito?

JS- O meu pensamento é extremamente simples: penso que não há vida para além da morte!... Não há mais nada para responder senão isto !
JTM - Nunca se interrogou a esse respeito?
JS – Acho que não tenho que me interrogar!... Emito uma convicção… Portanto, eu ao dizer isto exprimo uma convicção: a de que não há vida para além da morte!... É só!

OUÇO MAIS RÁDIO DE QUE VEJO TELEVISÃO

 
JTM – O que pensa da rádio, em Portugal?
JS – Como é que se há-de responder a essa pergunta!... Tanto se pode responder do que se pensa da rádio, em Portugal, como da televisão, como da literatura, em Portugal!... Penso que a única coisa que nós temos é a obrigação de fazer o melhor possível, que é da nossa área profissional. Eu faço o melhor que puder e a rádio faz  o melhor que pode!...

JTM – Naturalmente que escuta a rádio: tem uma opinião formada!...
JS – Eu ouço-a, muito fragmentariamente,  dado que, como deve calcular, não tenho assim muito tempo para ouvir rádio!...
JTM – Entre a rádio e a televisão: ouve mais a rádio? Vê mais televisão?...
JS – Olhe! Nesta altura, ouço mais rádio. Muito mais rádio!
JTM – A que horas?!...
JS – Geralmente de manhã ou à noite!...À noite adiantada!...
AS MELHORES FÉRIAS: “AS DA MINHA INFÂNCIA”
Na sede da Associação Portuguesa de Escritores

JTM – Outra questão: férias -  Qual a melhor recordação de férias que até hoje tenha vivido na sua vida?...
JS – Isso é complicado!... Eu não sei… 
JTM – É um bocado difícil?!..
JS  - É muito difícil!... Há várias boas recordações!...  Não vou responder, porque não é possível, sequer!

JTM  - Mas umas férias, particularmente agradáveis!.. Felizes!... 
JS – Todas as férias da minha infância!... É a única coisa que lhe posso dizer…. Essas foram todas boas!... As outras… São assim, assim: uma vezes melhores outras vezes piores!,,,
JTM – Mas não costuma dedicar algum tempo, a férias?....Ou esse tempo é mesmo de escrita, também!
JS – Não!... Quando faço férias, faço férias!... Quando estou de férias, não faço outra coisa senão férias.
JTM – Onde é que costuma gozar as férias?... 

Vasco Gonçalves, sorridente
 
JS – Ah, isso depende!... Uma vezes no campo, outras vezes   na praia mas não tenho uma rotina de férias.
JTM – E no estrangeiro?...
JM –Às vezes saio!...
JTM  - Mas as férias mais agradáveis, a melhor recordação que tem até hoje teve, foram  as da sua infância?!.
JS – ... Francamente as da minha infância!...
JTM – E porquê?!...
JS – Isso é difícil!... Não vale a pena entrar agora em pormenores!... São coisas íntimas da vida de cada um de nós!...
JTM – Naturalmente… Desde então é o trabalho que o absorve: são outras preocupações?
JS –É o trabalho!... E o resto, a vida inteira!... Porque a vida, também não é  só isso!.. É tudo aquilo que eu tenho de fazer, como qualquer de um de nos!... Temos os nossos amigos! Temos as nossas relações!..

JTM – Mas, pelo que vejo, todos os anos dedica algum tempo de férias!
JS – Tenho direito a férias, como qualquer pessoa!... (graceja)

...Quer dizer: o eu fazer férias... É tão importante, como qualquer outra pessoa, que as faças!... Com a família, ou outra pessoa!
JTM – E, no seu caso: com a família ou só?
JS – É sempre com a família… Mas esta conversa, já está a ir um bocado para questões de caráter pessoal!...

JTM – Se bem que, sendo uma figura do domínio público, já não é bem pessoal: o lado pessoal também interessa aos ouvintes!...
JS – Férias, todos fazemos!... Ou melhor, todos devíamos fazer!... E há milhões de portugueses, que não fazem férias!... É nesses que tem que se pensar!.. Por que é que não fazem férias e que condições deveria haver para que as fizessem!


BIOGRAFIA
"Filho e neto de camponeses, José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, província do Ribatejo, no dia 16 de Novembro de 1922, se bem que o registo oficial mencione como data de nascimento o dia 18. Os seus pais emigraram para Lisboa quando ele não havia ainda completado dois anos. A maior parte da sua vida decorreu, portanto, na capital, embora até aos primeiros anos da idade adulta fossem numerosas, e por vezes prolongadas, as suas estadas na aldeia natal.


Fez estudos secundários (liceais e técnicos) que, por dificuldades económicas, não pôde prosseguir. O seu primeiro emprego foi como serralheiro mecânico, tendo exercido depois diversas profissões: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, tradutor, editor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, um romance,  Terra do Pecado, em 1947, tendo estado depois largo tempo sem publicar (até 1966). Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na revista  Seara Nova. Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do jornal Diário de Lisboa, onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante cerca de um ano, o suplemento cultural daquele vespertino.


Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores e foi, de 1985 a 1994, presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do jornal  Diário de Notícias. A partir de 1976 passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor. Casou com Pilar del Río em 1988 e em Fevereiro de 1993 decidiu repartir o seu tempo entre a sua residência habitual em Lisboa e a ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias (Espanha). Em 1998 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel de Literatura. - José Saramago faleceu a 18 de Junho de 2010.  - Biografia de José Saramago| José Saramag




Início da Vida Literária

"Aos 25 anos, publica o primeiro romance Terra do Pecado (1947), no mesmo ano de nascimento da sua filha, Violante, fruto do primeiro casamento com Ilda Reias  Ilda  – com quem se casou em 1944 e com quem permaneceu até 1970. Nessa época, Saramago era funcionário público .. Viveu, entre 1970 e 1986 com a escritora Isabel Nóbrega.  . Em 1988, casar-se-ia com a jornalista e tradutora espanhola Maria del Pilar Rio Sánchez que conheceu em 1986 e ao lado da qual viveu até à morte. Em 1955 e para aumentar os rendimentos, começou a fazer traduções de Hegel, Tolstói e Baudelaire, entre outros – Excerto de José Saramago – Wikipédia



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