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quinta-feira, 31 de março de 2016

Natália Correia – “Quando estou estou a escrever um poema é um ato de comunhão com o Universo!... um ato cósmico!... “ – Diz a autora do poema “Creio nos Anjos que andam pelo Mundo” – 1990 – Botequim – Por ocasião do Prémio da APE - pelo seu livro “Sonetos Românticos”




Por Jorge Trabulo Marques - Fotos da WEB - Excepto as imagens das pinturas extraídas do Livro Erros Meus Má Fortuna Ardente  

A 13 de Setembro de 1923 nascia nos Açores, na ilha de São Miguel, a escritora e mulher que viria a dar um dos maiores contributos para a cultura portuguesa do século XX, Natália Correia. Autora de extensa e variada obra, com predominância no ensaio, teatro e   poesia. Deputada à AR;  (1980-1999 – Faleceu em Lisboa, a 23 de Março de 1993



“Os meus livros são profundamente espiritualistas!.. Porque o materialismo já deu cabo do comunismo, vai dar cabo  do capitalismo e ainda vai dar cabo de muita coisa!... Dar cabo do homem é que não pode dar!.... O erro foi este: socialismo, sim, mas nunca esquecendo a dimensão existencial e espiritual do ser  humano!... Não estou a falar de igrejas, que são todas iguais!" .

Estas algumas das palavras, que me concedeu, na entrevista, que hoje aqui transcrevo e reproduzo em som (mais à frente) e que,  vistas à luz dos dias de hoje, mas pronunciadas, em 1990, no mítico Botequim, situado no Largo da Graça, sim, para quem não conhecesse a personalidade de Natália, mas soubesse que fora deputada do PPD (atual PSD/PPD, ficaria um tanto ou quanto confuso – De certo modo, é verdade, isto porque, a bem dizer, a personalidade de Natália, por ser tão  complexa, culta, ousada e visionária, sim,  estava acima de qualquer rótulo politico ou definição social - Era uma personagem de um mundo, ainda por surgir.




Foi deputada na AR, por um partido liberal, como podia ter sido do PS ou de outro partido, dentro do  quadro parlamentar e democrático, pois, no fundo, o que pretendia, com o surgimento da democracia, era ter uma tribuna, um auditório mais vasto,  para fazer soar mais alto a sua voz livre, corajosa e independente, além da que já expressava em poesia (a mesma que já lhe havia trazido grandes dissabores no tempo do fascismo)  ou mesmo  expandir a outros níveis o seu grito de ousadia, de extrema lucidez e  inconformismo,  além de conferências ou do  espaço confinado  às famosas tertúlias do Botequim  – Mas, também, o fez  por pouco tempo,  pois não tardou a que, as suas palavras, começassem a ferir os tímpanos  de muita gente - dentro e fora do hemiciclo - ,  onde calorosa e energicamente, esgrimia os seus argumentos

Restava-lhe, pois, voltar à tranquilidade da  sua escrita (se é que alguma vez a abandonara) e ser a condutora-mor  do  «IATE DE LUXO » – No qual  segundo refere, Fernando Dacosta, em  "O Botequim da Liberdade"  - "Navegava-se delirantemente  em demanda de continentes venturosos (ilhas e amores) que nunca se encontravam"

«o importante não era alcançá-los, mas procurá-los», sobre ondas de fantasia e desmesura»

«As tertúlias proporcionavam  a "comunhão com pessoas de espírito e de ousadia. vingará ela, «por isso, são fundamentais para se evitar  a cultura desvivenciada, pois  só quando se está muito na vida se pode transmiti-la aos outro. As reverberações das músicas, das luzes, dos vinhos, dos fumos, tudo faziam possível, apetecível." - Refere o mesmo autor, que a define como:

TOCADA PELO SAGRADO - "Não se tornava fácil compreende-la, nem amá-la. Fazê-lo, exigia sentimentos, disponibilidades especiais. Era um ser tocado pelo sagrado, um desses seres que não cabem no espaço que lhes foi destinado, nem no corpo, nem nas normas, nem nos modelos, nem nos sentimentos. Chegava a assustar."

"Os que não a aguentavam combatiam-na não pelas suas ideias, mas pelos seus tiques, não pela sua criação, mas pela sua distração, tentando reduzi-la a anedotários de efeitos fáceis e falsos."

"Ao mesmo tempo forte e desprotegida, imponente e indefesa, egoísta e generosa, arguta e ingénua, dissimulada e frontal, sentia-se, ante as coisas rasteiras (e as pessoas, e as acções), perdida; só as grandes a tocavam, galvanizando-a. Então, toda ela era golpe de asa, vertigem"

TAMBÉM NAVEGUEI NA MESMA NAU  - ANCORADA A UM CANTO DO CASARIO DO LARGO DA GRAÇA

Sim, tal como já referi noutro post deste site, Tive o prazer de ser um habitual frequentador do Botequim  - De ser um participante das acaloradas tertúlias – Do qual guardo as mais  inesquecíveis memórias:  naquele espaço, tão único e tão singular das noites lisboetas, ao  mesmo tempo poético e político, social, sociável e cultural, esotérico, intimista,   amistoso, confessional e familiar. 

Pequeno mas, que, em certas noites, parecia ser a grande aeronave espacial que nos levava nunca se sabia bem a que parte - tanto ao  perto, como bem ao longe: aos enredos e  intrigas de Belém, de S. Bento, no cotejo desta ou daquela figura,  em  conciliábulos conspiratórios, acaloradas discussões ou inesperados debates, mostras de pintura, lançamento  de livros, récitas de poesia, música e canto, fazendo-nos divagar, sabe-se lá por onde e por que confins, e a falar de alguém, morto ou vivo,  indo ao fundo da história e da literatura, levando-nos por oceanos a fora, não só ao Brasil, como a Cabo Verde, S. Tomé, Angola, Moçambique, a Macau e a Timor, aos vários pontos do Mundo. Temas não faltavam:  falava-se de tudo, frontalmente  e não em surdina ou de forma brejeira - Falava-se, sem  preconceitos mas sempre de modo vivo, curioso  e interessante, mas com a reverência de que havia ali uma rainha  que exigia vassalagem, culta, multifacetada  e carinhosa, que  adorava o convívio, que encantava e provocava a  curiosidade,   o diálogo, a ousadia, a imaginação,   conquanto não raiasse o palavrão ou o insulto

-Tal como na sua escrita (desde a poesia, narrativa ao teatro) e na suas intervenções públicas,  Natália Correia, era a mulher da insubmissão, que criticava e questionava, abrindo as portas à  indignação e  à rebeldia, num tom mesclado com a tónica do humor, do  sarcasmo. Tinha resposta imediata, tal como ao fingimento ou à sobranceria:

De tal modo incómoda foi, para certos espíritos mesquinhos, que, mesmo depois de ter falecido – diz Fernando Dacosta -  alguém na RTP" convida-me para fazer um programa para a rubrica "letras e Artes" sobre a sua vida. Dias volvidos, a mesma pessoa contacta-me, envergonhada: os responsáveis da estação opunham-se, Natália continuava-lhes (mesmo morta), insuportável.



Foto obtida pelo autor deste site à saída de uma festa de gala no Casino Estoril - Natália Correia e a sua corte - Na qual está também - no primeiro plano à direita, a minha grande amiga e dama, a Elizabeth; vemos Dórdio Guimarães, o fiel companheiro de todas as horas de Natália,  de costas voltadas para o fotógrafo; um pouco mais à esquerda, está  Fernando Grade, e,  quase a servirem de guarda-costas, Francisco Baptista Russo e Fernando Dacosta, agora de novo com mais uma bela surpresa literária  - Não me ocorre o nome das outras suas amigas.
Quando a crise não é geradora de grandes audácias, mais indicado é dar- lhe o nome de agonia. - Natália Correia 13 de Setembro - 90º aniversário nascimento de Natália Correia A última grande tertúlia de Lisboa - que marcou culturalmente, politicamente várias décadas portuguesas - teve lugar no Botequim, bar do Largo da Graça criado e projectado por Natália Correia.

Neste seu mais recente livro, Fernando Dacosta, diz que "No Botequim “fizeram-se e desfizeram-se revoluções, Governos, obras de arte, movimentos cívicos; por ele passaram Presidentes da República, governantes, embaixadores, militares, juízes, revolucionários, heróis, escritores, poetas, artistas, cientistas, assassinos, loucos, amantes em madrugadas de vertigem e de desmesura”



Se passou alguma vez pelo Botequim, é livro de culto e de romagem obrigatório. De todo o modo,  se é ou não admirador da personalidade e da obra de Natália, pouco importa, ficará a conhecer ou pelo menos a recordar-se -da última tertúlia do século XX lisboeta, e talvez no país,"onde se jantava ,cantava, dizia atoardas e recitava poesia até altas horas. Foi a última tertúlia animada por ela e pelo seu extraordinário talento" - Escreve o autor do Botequim da Liberdade, citando Baptista Bastos


O vídeo seguinte é de minha autoria - feito a partir de uma de  três centenas de gravações que guardo no meu arquivo, de registos com várias personalidades - e ambientes - E até em  casa de Amália, Fernando Namora, Vergílio Ferreira, Fernanda de Castro, José Gomes Ferreira, Azeredo Perdigão, Dorita Castelo Branco, Carlos Villaret, Costa Gomes, Franco Nogueira, Palma Carlos, Ary dos Santos, Moreira das Neves, entre tantos outros nomes da  nossa vida cultural, social e política. E até as grandes figuras do mundo do crime (Muleta Negra, Dragão, Zé da Tarada e Manuel Alentejano) excertos da entrevista e diário deste, passados a livro, a que o Fernando Dacosta  faz referência.  Pena ter de me repartir por outros domínios da escrita e ocupações. 




Algumas das entrevistas da minha atividade profissional,  foram congeminadas sob a inspiração de Natália Correia, nomeadamente as publicadas no Tal e Qual,  sobre "a primeira relação sexual" - A Graça Lobo; Afonso Moura Guedes; Carlos Botelho; Raul Solnado; Ivone Silva; Narana Coissoró; Ary dos Santos; Raul Calado; Simone de Oliveira; Vitorino de Almeida


E  uma entrevista à  própria  Amália, parte da qual ainda inédita, que teve como epílogo a fuga rocambolesca  de sua casa.  

Às tantas desistiu da entrevista, quis apanhar-me o gravador e a  cassete e eu tive que raspar-me, com ela e a Maluda  a correrem escadas abaixo até à rua atrás de mim e mais o Vicente, a irmã e duas amigas. Só descansei quando apanhei um táxi.  Mas a culpa também era dela, porque, quando ali cheguei, a conversa já era picante. E nem ela nem ninguém alterou a tónica dos episódios,  nem sequer ela deu mostras de ter pressa. Pelo contrário,  diverti-me com as  risadas, sentindo-me perfeitamente  integrado na tertúlia, como se fizesse parte das visitas habituais da casa. Aliás, já ali havia estado por duas vezes, para a entrevistar para a Rádio Comercial, e esta era a terceira. Pois  admirava muito a minha faceta de navegador solitário nas canoas pelo Golfo da Guiné.


Embora não tendo mostrado a gravação, respeitando pois o desejo de Amália,  o simples facto de ter narrado o episódio no Botequim, foi motivo de hilariantes chalaças e  de sonantes gargalhadas por Natália e outras amigas, que se divertiram com os  tabus da grande fadista - Até porque a entrevista também havia sido combinada diretamente pelo telefone do bar. Com a entrevista a Afonso Moura Guedes, então  Presidente   Parlamentar da bancada do PPD, também viria a passar-se algo inesperado, com a publicação agressiva e destemperada de Vera Lagoa, no jornal o Diabo, a cujo artigo, Natália Correia, soube dar resposta adequada, no Diário de Notícias.

“A POESIA É MÁGICA POR NATUREZA – E a via escolhida por  Natália Correia  - uma Anteriana convicta – foi a do soneto: do neo-romantismo.  

“Tal como Antero, foi fazer sonetos em plena época ultra-romântica, quando o soneto estava atirado para o caixote do lixo, ele foi busca-lo e pôs-lhe uma essência, uma mensagem completamente diferente! – E até aparece como pioneiro do existencialismo: pondo, precisamente, a questão da essência, da existência…
Portanto, eu fiz a mesma coisa: ao dizer que o conteúdo é o mesmo!  - embora eu me sinta muito Anteriana!... Mas, não é por acaso que o livro é só de sonetos.
JTM  - Mas esse livro de sonetos…
NC -  É!... Porque eu acho que nós já passamos essa da desconstrução!... Para entrar na época da construção!... E arte… o hermetístico!...  desintegrou todas as formas!... O  que correspondiam a uma atitude!...  A uma descrença humana!... Quer dizer… nos mitos! Nos ideais!... Nos paradigmas!...E hoje é preciso encontrar um novo paradigma!...
Portanto, nós temos que caminhar para uma unidade!... E o soneto é uma expressão de unidade!...  

Estas palavras, fazem parte da entrevista que, Natália Coreia me concedeu, a par da leitura de um dos seus belos poemas, no interior do próprio ambiente do Botequim, sobre a hora da ceia, no dia em que foi distinguida com o Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, pelo seu livro “Sonetos Românticos, – Foram vários os registos que ali tive o prazer de gravar para a Rádio Comercial – Hoje vou aqui reproduzir  um desses muitos registos, em som (video editado um pouco atrás) e o seguinte texto:.


JTM  – Acredita-se que, Natália, vem cultivando a substância mágica da poesia!... Continua nessa linha?
NC – A poesia é mágica, por natureza!... A palavra mágica e a poesia, são consubstanciais!... Porque… vamos lá a ver… O que é a magia, em termos poéticos?!... É precisamente o encantatório!... Que chama!... Que arrebata!... E faz cair num êxtase!... Neste caso  o leitor… Ou o  auditor!...  Para uma mensagem, que, de outra maneira, não chegaria tão facilmente!... E aí é que está precisamente o lado estético-mágico!... E não só!... E não só!...

JTM -Por outro lado, diz-se que  o romantismo é uma corrente ultrapassada: a palavra romantismo!
NT – Quem é que disse que o romantismo está ultrapassado?..  Quem foi esse cretino?!..
JTM – São alguns críticos que o afirmam…
NT – Mas quem?!... Eu não conheço!...  Tudo o que é vanguarda diz que estamos numa época neo-romântica!... Bem, eu digo-o há dez e quinze anos!...
As pessoas já estão fartas!... Já estão fartas  dos pragmatismos!... Dos utilitarismos! De tudo isso!... As pessoas, querem sentimento!.. Emoção!... Amor!... Percebe?!...… Estamos numa época neo-romântica!.. Eu até tiro o neo!… Romântica!... Isso é a sociedade de consumo!...

JTM – Acha que a atribuição do Prémio da Associação Portuguesa de Escritores, é uma forma da sua poesia chegar ao grande público?
NC – Ora!… Muito bem! … Até que enfim que alguém faz uma pergunta a sério! … A pergunta é acertada!...  Eu penso que o prémio, os prémios como é o prémio do nível da  APE (estou a prestar a minha homenagem à APE) têm o mérito de tornar, de dar uma maior expansão à palavra poética!... Que eu considero, hoje, um agente importantíssimo na transformação das sociedades!... Não sou eu!... São os cientistas!... São os cientistas!... São os  filólogos, os filósofos, etc….
Portanto,   é o mérito que eu reconheço mais notório nesse prémio..  E neste prémio, particularmente, que é um prémio que se tem destacado no nosso panorama literário!... Que foi atribuído antes, a dois grandes poetas: ao Eugénio de Andrade e ao Ramos Rosa!... Coube-me agora a minha vez…(sorrindo)  
E também quero fazer notar uma coisa!... De forma nenhuma me parece ser despiciendo que o prémio seja atribuído a uma mulher !... Porque, a grande missão da mulher, é na cultura!... Não no campo da competitividade!... Não exercendo funções  no sentido de competir  com os padrões masculinos.
JTM – Daí o significado, a importância que este prémio tem!.. Por um lado é atribuído a uma poetiza…. E, por outro, vai contribuir para a divulgação da poesia  do grande público.
NC -  Eu não sei o que é o grande público, sabe!..
JTM – Há quem afirme que a Natália é elitista! … Que não tem essa preocupação…
NC – Já sei. Já sei!...  Eu quando tinha 15 anos e comecei a ler o Fernando Pessoa, toda a gente me dizia isso!... Hoje não há ninguém que não o leia… Isto é  o costume!...

JTM – Mas fica satisfeita que o grande público leia a sua poesia ou não tem essa preocupação!... Ou quando escreve…
NC – Ó meu Caro Senhor!... Eu quando faço um poema!... Quando estou a estou a escrever um poema... é   um ato de comunhão com o Universo!!... Percebe!... Se quiser… até é um ato cósmico!...
É um ato que implica o social! Que implica o pessoal!... Mas que exige realmente um envolvimento cósmico!...
A poesia, é integrante!... A poesia vai desde o social ao cósmico!... Incluindo o existencial, etc!...
JTM – Naturalmente que ficará satisfeita se  a sua poesia tiver um maior auditório!...Um maior público, não é?...
NC – Eu não sei… A Virgínia Woolf disse um dia uma coisa muito importante!... Disse que os autores – eu agora estou a colocar-me na posição de autor -  tinham um drama de ambiguidade!... Que ficam muito tristes senão eram conhecidos mas que também ficavam muitos tristes, se eram muito conhecidos! … Eu compreendo-a, muito bem!..
JTM – Naturalmente, que a Natália é uma pessoa conhecidíssima: a questão  é que a sua poesia não é lida pelo grande público!
NC – Como é que você sabe?!... Já fez inquéritos?!...  Sou mas lida pelo povo de que pelos falsos intelectuais!
JTM – Tem a palavra!... Acha que sim?
NC – Bem, pelo menos há gente do povo que chega ao pé de mim … Inclusivamente me entende  melhor de que os mistificadores da intelectualidade!.. …Esses é que não gostam nada de mim!!...
JTM – De Pessoa, diz-se que, tanto se falou que até enjoa!... Acha que o facto de divulgar excessivamente um poeta, também pode ser negativo?...
NC- Naturalmente que tudo o que tenda a vulgarizar ou a banalizar, excessivamente,  evidentemente que as pessoas cansam-se!... Mas isso não quer dizer que o poeta fique prejudicado por isso!... Porque, depois vem outra geração, que descobre!... Depois  encobre!... Depois ressurge!... Esta é a história da arte!...

NC - Os meus livros são profundamente espiritualistas!.. Porque o materialismo já deu cabo do comunismo, vai dar cabo  do capitalismo e ainda vai dar cabo de muita coisa!... Dar cabo do homem é que não pode dar!.... O erro foi este: socialismo, sim, mas nunca esquecendo a dimensão existencial e espiritual do ser  humano!... Não estou a falar de igrejas, que são todas iguais!


Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. amém.

Natália Correia

MAIS DADOS BIOGRÁFICOS – 
    
(....)Em 1976, recebeu do Centre International de Poésie Néo-Latine e do Comité des Prix Petrarque de Poésie Néo-Latine o prémio literário La Fleur de Laure que anualmente consagrava uma poetisa de língua romântica.
    
Podemos ainda dizer que a obra de Natália está traduzida para várias línguas, o que prova o seu valor e reconhecimento também a nível internacional, e que obteve o Grande Prémio da Poesia de 1991 da Associação Portuguesa de Escritores. Foi ainda galardoada com a Grande Ordem de Santiago e a Grande Ordem da Liberdade.
   

A 16 de Março de 1993 morria Natália Correia, um dos grandes ícones portugueses Excerto . Natália Correia






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