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sábado, 30 de abril de 2016

UM POST AOS ALPINISTAS BRASILEIROS HELENA COELHO E PAULO COELHO - PELA SUA HEROICIDADE NO EVAREST - DESISTIRAM DA ESCALADA PARA SALVAREM JOÃO GARCIA

.Reposição deste poste editado neste site em Julho de 2010 - 

"Bem-aventurados aqueles que ganham a vida sem prejudicar ou pôr em perigo a vida de qualquer ser vivo"..."e se encontram livres das limitações do egoísmo"... "desfrutam o prazer na contemplação do que é profundo e realmente verdadeiro neste mundo"

Paulo
Coelho (Brazilian) and Helena Coelho (Brazilian) wife of Paulo, are credited with helping Joao part of the way back down. It must have been very difficult to be with an emotional Joao during those hours. Thank You Paulo & Helena ! Good Deed: The Georgian doctor that treated Joao after Joao descended. The Georgian doctor refused to accept any payment for his services. Good Deed: The Italian climbers and unknown sherpas who climbed back up to attempt to find Pascal and (you would assume) Tadeusz, only to arrive a little late. They saw Pascal fall to his death. EverestNews.com is sure others also deserve positive press from their actions. We say Thank You again to all who assisted.

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MAIO 1999
- "O casal Paulo e Helena não sabe quando poderá fazer nova investida no Everest. Dos 100 alpinistas desta temporada no lado tibetano, eles eram os únicos sem patrocínio. Gastaram 40.000 reais do próprio bolso, ficaram sem dinheiro, mas se orgulham de ter no currículo o salvamento de um colega. Esse comportamento é uma raridade em grandes altitudes. Uma prova disso é que, no acampamento, quando buscaram companhia para ir atrás de Garcia, ninguém se prontificou. Um italiano ainda afirmou: "Esqueçam, ele já deve estar morto".

Eu teria muita honra em continuar a defender o nome e a capacidade de Portugal, mas as pessoas não compreendem. A partir de agora irei com estrangeiros” 24 de Nov. Record - Declarações de João Garcia ao Record, em reacção à morte de Bruno Carvalho.

Olá Helena e Paulo Coelho: - Não é sem tristeza que faço esta denúncia - É meu compatriota , mas acho que tenho o dever cívico de não me conformar com tal procedimento, porque, tal como certamente terão notado na escalada ao Evarest, em que participaram e foram protagonistas, num dos mais belos exemplos de heroicidade e solidariedade nos Himalaias,

João Garcia deve andar, certamente, muito enganado com a prática e o verdadeiro espírito de quem ama e desafia a montanha: já deixou dois companheiros pelo caminho e, porventura, o mesmo poderá acontecer, numa outra escalada que eventualmente venha a organizar(talvez não com portugueses, porque ele jurou não o voltar a fazer) mas com algum alpinista de outra nacionalidade que desconheça o seu individualismo. Ainda por cima, é provocador para com a dor e o luto da família que perde o seu ente querido - Sim, o Bruno perdeu avida, ao que parece, muito por culpa da forma leviana e irresponsável como organizou e liderou a referirda expedição. Pois compreenderão que o espírito de quem abraça e arrisca a vida em escalar picos ou altas montanhas, não se compadece com a pressa daqueles que visam apenas a fama e bater recordes de competição - em que a vida dos outros parece não ser o bem mais precioso - Correm para a montanha não pelo espírito de desafio com a sua adversidade e de contemplarem a sua beleza - mas na ânsia egoísta de nomeada e mostrarem currículo.

Como é possível que esta afirmação tenha passado despercebida na reportagem de uma televisão: - "Seis da manhã!.. A duas horas do cume Schichapangma!…Nascer do sol!… Não sei quantos graus negativos!…O Bruno vem ali em baixo e nós temos que o deixar!..." - Confesso que só me me dei conta, recentemente, na sequência da homenagem prestada ao malogrado alpinista Bruno Carvalho, nas celebrações do Solstício do Verão, no Monte dos Tambores, em Chãs, em que esteve presente o seu pai e quando passei a debruçar-me, mais detalhadamente, sobre a tragédia que envolveu a sua morte. Vão completar-se no dia 31 de Outubro quatro anos. Se fosse vivo, o jovem português fazia 35 anos no próximo dia 20 de Setembro. Alpinista português morre depois de alcançar o Trono dos Deuses .O caso sempre me pareceu mal explicado, porém, longe de imaginar que pudessem existir tantas e flagrantes contradições no que foi publicamente afirmado e divulgado.

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 Shihsa Pangma - A montanha que vós bem conheceis e que tem servido até de vossa preparação - venho, pois, dar-vos os meus parabéns e um grande abraço de afecto e de reconhecimento pela vossa opção de vida - ou antes, por terdes conseguido conciliar a vossa vida profissional com tão sincero e expressivo amor à montanha. A luta maior do Paulo é o cancro mas eu acredito que a força de vontade dele - que o tem feito escalar as maiores montanhas da Terra - o há-de ajudar a sobrepor-se à doença . Meu pensamento estará com a sua coragem e as vossas preces. - Parabéns pela vossa determinação - e ainda pela vossa tão enternecedora generosidade, abnegação e alto heroísmo. 

Sei que, ambos, sacrificaram a vossa escalada para socorrem o alpinista português João Garcia, na escalada ao Evarest, em que também participáveis, nas expedições de Maio de 1999 . É talvez um pouco tarde, mas só agora tomei conhecimento. Sem dúvida, um gesto de elevado heroísmo e de generosidade. Eu já falei do vosso gesto nas minhas anteriores postagens, onde me referi ao exacerbado egoísmo e individualismo de Garcia: que, em vez de prezar a solidariedade e o companheirismo, de fazer da escalada um reforçar de convívio, de amizade e de fraternidade, deu-nos o mais deplorável exemplo de fingimento e de hipocrisia. Não se importando de deixar para trás (quer à subida quer à descida) um elemento da sua equipa na expedição que liderou ao Shisha Pangma - E vejam: ainda mal havia nascido o sol! - Já se ouvia naquele silêncio e pureza da montanha, tão desumana expressão: O Bruno vem lá em baixo… nós temos que o deixar.- E, de facto, deixaram-no mesmo - Lá ficou sepultado para sempre.






















Creiam, pois ( eu que também andei com a vida suspensa na vertigem aprumo de um dos mais difíceis picos de África - nunca antes escalado: o Pico Cão Grande, em São Tomé -  Não é um gigante coberto de neve mas clik e veja só esta beleza e imponência! cão grande em são tomé - a grande escalada ao pico vertica.  que emerge do coração da floresta e está quase sempre envolto de névoas e rasga e esconde o gargalo do seu cume nos céus equatoriais Great Dog - Pico Cão Grande,....isto para já não falar dos 38 dias sozinho numa frágil piroga nos atribulados mares do sul por razões científicas e humanitárias, sem meios de comunicação com o exterior e munido apenas de uma simples bússola .....A LONGA JORNADA DE SOBREVIVÊNCIA -...),sim, realizei ainda outras viagens solitárias e clandestinas, fui preso nas costas onde aportei e também conheci as masmorras da PIDE - pelas mesmas causas. Nunca corri atrás de prémios nem os pretendo. 

Vivi lado a lado com o perigo, com a adversidade e aprendi a valorizar princípios de amor à vida, à natureza e à solidariedade, de que não abdico . Creiam, pois, bons amigos da montanha e da humanidade, que fico muito preocupado e indignado com atitudes reveladoras de tão manifesta falta de companheirismo, que é o que , no fundo, posso depreender da audição de tão infeliz registo gravado durante a escalada, liderada por João Garcia, a uma das montanhas mais altas do inóspito e longínquo Himalaia. 

 Admiro e louvo , pois, o vosso ideal de vida, o vosso gesto, muito me sensibilizou, me tocou profundamente o coração - Jamais me esquecerei do vosso nome. E, além de vos manifestar o meu profundo apreço e admiração, desejo-vos, sinceramente, antes de mais a recuperação da saúde do Paulo Coelho (na sua luta contra o cancro) e que, ambos os dois - Helena e Paulo - continueis a desfrutar das maiores alegrias na montanha e na vossa saudável união, com muita energia e muita paz, por muitos e risonhos anos de vida.

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Como homenagem da maior admiração que tenho por vós, quero pois dedicar-vos este post - ilustrando-o com os sons ( creio que a enquadrarem-se no vosso espírito) de vídeos que seleccionei para vós - entre os quais a Montanha do inconfundível Roberto Carlos, tão vosso conhecido e os indispensáveis sons à espiritualidade do Tibete e dos Himalaias , assim como o imortal Mozart, a que associei alguns registos quando o bulício da cidade me dá lugar aos caminhos que peregrino. Outras imagens são vossas: que tomei a liberdade de ir buscar à Net - e, confesso, com alguma dificuldade, pois constatei que a vossa preocupação pelas montanhas não é propriamente fazer fotografias mas fazer vibrar o coração de alegria e de entusiasmo e ficar com a beleza, o espanto e a singularidade desses lugares na retina vossos olhos extasiados
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Um abraço de Jorge Trabulo Marques
Jornalista

ABANDONO E TRAGÉDIA - ESCALADA PARA A MORTE NO SHISHA PANGMA AO NASCER DO SOL


Claro que ninguém pode culpar, João Garcia, pela morte do Bruno Carvalho - pois os acidentes mortais nos Himalaias são frequentes - mas pergunta-se: será que, se ele tivesse procedido de outra maneira o seu companheiro teria tido tão trágico destino?!... É bem possível que não.

Na sua qualidade de líder da expedição, parece não ter previsto nenhuma forma de assistência para superar um problema, uma eventualidade -. Claro que, se fosse menos egoísta e tivesse sido mais cuidadoso com a segurança, revelasse outro sentido de companheirismo e de espírito de equipa (pois deixou o companheiro para trás e nem uma corda lhe estendeu e, o sherpa, que fora contratado para apoiar os menos experientes, usou-o para seu proveito: serviu-se dele unicamente para lhe carregar o saco! - Revelando o maior desprezo pelas dificuldades e justas ambições dos seus companheiros - Dois deles, a Hélder Santos e Ana Santos, desistem do último lanço, regressam ao acampamento base - João Garcia, Rui Rosado e Bruno Carvalho, arrancam pela madrugada em direcção ao cume. Ao nascer do sol, o Bruno, vai um pouco mais atrasado(meia-hora) mas é o bastante para que, João Garcia e Rosado, o desprezem - Mas o Bruno lá vai na sua passada e no seu ritmo, não desiste e alcança o cume - Garcia e Rosado dizem que o atingiram. E que fizeram lá a sua festa - Mas, se a fizeram, não só não esperaram pelo companheiro como o perderam de vista. E, no entanto, ele alcançou o cume - As provas do trio (Garcia, Rosado e Sherpa) são duvidosas.

No nosso modesto ponto de vista, não acreditamos nas suas afirmações. Enquanto os auto-retratos do Bruno (recuperados da sua câmara, falam por si. Porém, como tivemos oportunidade de referir, esse não é o aspecto para nós mais importante- mas o aparente abandono a que terão votado o companheiro . O jovem alpinista ( de 31 anos) na última comunicação, que se conhece diz : "estamos a optar por cruzar aqui a pendente para ir ao cume principal … mas o cume principal ainda é um bocado longe!..vamos a ver se lá chegamos… Estamos a 7900 metros mais ou menos". Ora, os outros, seguiram em frente ou cruzaram a pendente?... A reportagem não esclarece. ... E o sherpa foi lá mesmo ao cume principal?!... Ou terão dado meia volta?... Pois, segundo relatam, o Sherpa, nesse dia, queria voltar a casa: estaria ele pago para correr o risco (de passar pelo chamado "fio da navalha" do Shisha Pangma - considerada a parte mais perigosa e difícil?... E, se ele se recusasse a ir lá, Garcia estaria disposto a prescindir da sua muleta?.... Veja-se atentamente o vídeo da expedição (a partir do 23.52 Expedição Portuguesa ao Shisha Pangma e extraiam-se daí as conclusões... O Bruno Carvalho era considerado "a alma de qualquer expedição!”.Mesmo assim houve quem não tivesse alma para se juntar à sua alegria na concretização do seu sonho - e vergonhosamente o abandonasse! - Vindo a ser encontrado morto, mais tarde.



PAULO E HELENA COELHO UM GESTO DE RARO ALTRUÍSMO

Já li o que foi publicado sobre a ajuda que o Paulo e a Helena prestaram a João Garcia, no Evarest, aquando da morte do seu companheiro Pascal Debrouwer . Mas fiquei com a ideia (aliás não só eu) de que, além do vosso abnegado esforço e alto sacrifício que lhe dedicaram para o salvar, também foram generosos em não o criticar. Sim, compreendo a vossa tolerância. O mais importante não era olhar aos erros mas evitar mais uma morte. E foi isso que fizestes. E, afinal, tão próximos estáveis da concretização do vosso lindo sonho, que não vos importastes de o adiar. Sim, que maravilhoso foi o vosso sacrifício! - Num mundo em que a hipocrisia e os falsos valores, tendem a sobrepor-se a tudo e a todos - sem o menor amor, sem solidariedade e compaixão.


E agora vou tomar a liberdade de que transcrever alguns textos que se encontram editados na Net.

SACRIFICARAM A ESCALADA AO EVERESTE PARA SALVAREM A VIDA DE JOÃO GARCIA - O ALPINISTA PORTUGUÊS, DEPOIS DE IRREMEDIAVELMENTE TER-SE AFASTADO DO SEU COMPANHEIRO - É QUE QUERIA IR À SUA PROCURA
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1.25 -"Temos que ter a noção que a 8000 m de altitude com 30º negativos. Nós não podemos parar muito tempo senão arrefecemos! A máquina que produz calor e que nos aquece é o organismo. Mas só produz esse calor se nós estivermos em movimento! - Se parámos meia hora congelamos" Resgate de Bruno Carvalho.


MAS PÔDE PARAR 4 HORAS NO CUME DO EVERESTE! - À espera que Pascal chegasse .

O regresso foi feito já durante a noite, e, a complicar ainda mais a situação, as condições atmosféricas agravaram-se subitamente, surpreendendo-os na zona tecnicamente mais difícil e o belga sentiu-se mal e voltou a ficar para trás
, acabando por se estatelar num precipício - No dia seguinte, depois de ele próprio ter andado à deriva e a precisar que o ajudassem é que queria voltar a subir - mas era tarde de mais: Pascal já tinha morrido. Se já lá levaram um cego (veja-se o maravilhoso exemplo no vídeo atrás) e um amputado e esperaram o tempo que foi necessário, por que razão ele teve necessidade de ir tão apressado?!... Não teria sido preferível (em vez de lá ficar aquele tempo parado) ajudar o companheiro e procurar não se distanciar tanto? - Assim, obrigou-o a forçar uma escalada e, se o avanço não fosse tão grande, haveria pelo menos a possibilidade de voltar ao acampamento e encetar a escalda no dia seguinte com outra segurança ou a adiá-la para outra oportunidade.

Garcia só não morreu por muita sorte e porque teve duas almas generosas a renunciarem à sua escalada e a socorrem-no. Mas ele não fiz isso com o Bruno: abandonou-ou à subida e à descida - Pelos vistos, a escalada de João Garcia ao Evarest não é norteada pelos mesmos objectivos que, por exemplo, os casal Coelho, que o safou.

"O Casal Coelho chegou a ir ao Everest em 1998, incluído na expedição de Pascal Debrouwer (Bélgica), mas acabou não escalando a montanha. Aqui é necessário dar uma explicação sobre as atividades montanhísticas de Paulo e Helena. Oficialmente eles foram tentar o Everest em 1991, 1997, 1998, 1999, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. Onze vezes ao todo. Para o casal, contudo, a contabilidade é bem diversa. Eles diferenciam as reais tentativas de outras idas nas quais apenas desfrutaram o contato com o Everest, sem tentar efetivamente chegar ao cume".A História do Himalaísmo Brasileiro - Parte V - AltaMontanha.com-.

GARCIA DISTANCIOU-SE SEMPRE DE PASCAL - quer à subida quer à descida - Depois, quando a tragédia se abateu - talvez porque a consciência lhe terá pesado, já estava pronto a voltar para trás - só que despertou tarde e a más horas para os riscos inerentes à falta de espírito de equipa e de companheirismo - A seguir um excerto do que foi dito num dos relatórios do EverestNews.

.It has been confirmed then that Pascal fell, approx. 1000 meters, from other climbers who saw him fall. The point on the mountain of the fall varies in the reports to EverestNews.com.
* A few other bits and pieces: Joao Garcia fearing the possible loss of his friend wanted to go back up for Pascal by ALL reports. Numerous climbers finally convinced Joao to abandon the idea of going back up after he just came down and let others go to attempt to help Pascal.

HÁ, NO ENTANTO, QUEM NÃO DEIXE DE COLOCAR O DEDO NA FERIDA EM EXPOR OS PORMENORES...



MAIO 1999(...)"Pascal morreu na descida depois da escalada com João. (...) Pascal quis abrandar (...) mas João queria empurrar e montou um acampamento alto (que ainda não fora criado) (....) João montou um acampamento 3, e Pascal chegou um par de horas mais tarde, em torno de oito horas. .(...). Eles começaram a descer, ele foi ficando escuro (…) João seguiu em frente deixando atrás Pascal de novo ... João chegou ao acampamento alto, mas em péssimas condições. Pascal não volta ... poloneses no dia seguinte encontraram Pascal abaixo o primeiro passo, mas não poderia despertá-lo. Como o dia começou quente, Pascal acordou e começou a descer a montanha (...) Ele foi visto caindo da montanha por outros alpinistas - tradução Google...Death on Shishapangma


Everest
Capítulo 14 - EVEREST 1999 (8.850m)
.. In A História do Himalaísmo Brasileiro - Parte V - AltaMontanha.com-


(...) "O Casal Coelho chegou a ir ao Everest em 1998, incluído na expedição de Pascal Debrouwer (Bélgica), mas acabou não escalando a montanha. (...)
O lusitano João Garcia partiu ao cume no dia 18 de maio de 1999, pisando-o por volta das 2 da tarde do dia 19. Ficou no cimo aguardando Pascal Debrouwer, que lá só chegou muito tarde, pelas 16:00h. Na descida anoiteceu antes de eles atingirem o Segundo Escalão (que é a parte mais tecnicamente complexa da aresta nordeste). Para piorar as coisas, Pascal, acometido do mal agudo da montanha, ficou para trás e se perdeu. Não tendo como descer na escuridão, João Garcia dormiu ao relento, encolhido ante temperaturas congelantes. Mesmo debilitado, no dia seguinte resolveu procurar Pascal, sem saber que a esta altura ele já havia morrido (alguns montanhistas viram o belga cambalear e desabar para a morte face norte abaixo)(...)

João Garcia
"Nessa altura da história os brasileiros passam a ter papel crucial. Sabendo dos problemas com João, o Casal Coelho abdica do cume para auxiliar o colega em apuros; 'nosso grande desafio era salvar a vida do João, por isso desistimos de tentar chegar ao topo' (Revista Veja de 23 de junho de 1999). Paulo e Helena sobem mais de uma vez até encontrá-lo, por volta da meia-noite, e o conduzem até o campo de altitude. Depois conseguem trazê-lo, precariamente, até o base avançado. Paulo ainda contrata um grupo de escaladores tibetanos para descê-lo até um local onde pudesse ser evacuado de jipe para o hospital."
(...)
"Dessa expedição a lição que fica é o humanismo, a solidariedade, que vale mais do que mil cumes, gesto que não passou despercebido, tendo o casal angariado o merecido prêmio Fair Play Prize da Unesco. Helena, na volta ao Brasil, ainda deu mais uma demonstração bonita, procurando em suas declarações sempre preservar o alpinista lusitano, enfatizando que não o tinham salvado, mas apenas prestado alguma ajuda (Aventura e Ação 94, de 2002, p. 40)"A História do Himalaísmo Brasileiro - Parte V - AltaMontanha.com
SUBIR À MONTANHA NÃO É O MESMO QUE COMPETIR NUM RALY - EIS AINDA ALGUNS EXCERTOS DA REVISTA VEJA - DAS HORAS DE PESADELO COM QUE SE CONFRONTOU O O CASAL COELHO -


Fomos e a uns 150 metros achamos João (Garcia) vindo. Ele estava super stress, cansado, mas reconheceu a voz do P (Paulo). Agarramo-nos a ele e trouxemos para a barraca. Demos líquido, aspirina, luvas na mão, tiramos as meias molhadas, voltamos a colocar as botas. Congelados nariz, mãos, pés. Era quase meia-noite". - Excerto do diário


(..)Paulo Rogério Coelho e Helena Coelho, ambos professores em São Paulo. O casal arriscou a vida para salvar a de um outro alpinista, João Garcia, que estava morrendo congelado perto do topo da montanha. Garcia foi o primeiro português a chegar ao pico do Everest, a 8848 metros de altitude, em 18 de maio. Ao tentar descer, começou a delirar e ficou doze horas perambulando sem rumo no gelo. Foi encontrado pelos brasileiros rastejando, já quase sem sentidos, com a ponta dos dedos e o nariz congelados e em processo de necrose. Paulo e Helena desistiram de sua quarta tentativa de alcançar o cume para conduzir o colega português 750 metros montanha abaixo, onde encontraram atendimento médico. ..

Foram 32 horas de horror e desespero. Garcia e um companheiro de escalada, o belga Pascal Debrouwer, saíram do acampamento situado a 7000 metros, na madrugada de 17 de maio, para chegar ao cume sem garrafa de oxigénio. Paulo e Helena, que estavam a caminho desse acampamento, seguiam pelo rádio os passos da dupla. Para percorrer os 1848 metros que faltavam até o topo, Garcia e Debrouwer pretendiam caminhar o dia e a noite toda e atingir o objetivo por volta das 12 horas do dia seguinte. Depois, seria preciso voltar ao acampamento no máximo entre 6 e 8 horas da noite. O plano, porém, não funcionou.

(…)Garcia só chegou aos 8.300 metros ao meio-dia e, pelo rádio, avisou que tinha perdido Debrouwer. "Ele ficou desesperado, pegou uma garrafa de oxigénio e resolveu subir outra vez, atrás do amigo", conta Helena. "Pelo rádio, apelamos para que ele desistisse da ideia, mas não teve jeito". Segundo Helena, uma equipe polonesa chegou a ver Debrouwer sentado no gelo em estado de semiconsciência, mas preferiu seguir em frente sem ajudá-lo. Pouco depois, outra equipe viu-o sair do estado de torpor, caminhar em ziguezague e, num passo em falso, despencar num precipício.

(…) Desde as 20 horas, Paulo e Helena faziam rondas para tentar resgatar Garcia. "Íamos gritando o nome dele e procurando pegadas fora da trilha, na direção do precipício", conta Paulo. À meia-noite eles, finalmente, encontraram o alpinista português. O frio e a baixa oxigenação reduziram a irrigação das extremidades do corpo de Garcia.

Os dedos das mãos e dos pés e o nariz estavam pretos, congelados. Os tecidos começavam a necrosar. Em estado de choque, ele mal falava. Os brasileiros arrastaram-no até a própria barraca, onde lhe deram chá, sopa e aspirina. Depois esperaram amanhecer para levá-lo até a Base Avançada, a 6.400 metros, onde havia um médico. "Nosso grande desafio naquele momento era salvar a vida do João", lembra Helena. "Por isso, desistimos de tentar chegar ao topo".

Na semana passada, internado no Hospital Universitário de Zaragoza, na Espanha, Garcia ainda se recuperava das queimaduras provocadas pelo frio. Paulo e Helena chegaram a São Paulo há três semanas. O casal não sabe quando poderá fazer nova investida no Everest. Dos 100 alpinistas desta temporada no lado tibetano, eles eram os únicos sem patrocínio. Gastaram 40.000 reais do próprio bolso, ficaram sem dinheiro, mas se orgulham de ter no currículo o salvamento de um colega. Esse comportamento é uma raridade em grandes altitudes. Uma prova disso é que, no acampamento, quando buscaram companhia para ir atrás de Garcia, ninguém se prontificou. Um italiano ainda afirmou:
"Esqueçam, ele já deve estar morto". In Veja

.Na verdade, de que valia João Garcia ir procurar o companheiro Pascal, depois de o ter deixado para trás isolado - Aliás, tanto à subia como à descida - Manter o ritmo de escalada não significa perder o companheiro de vista ou através de meios de comunicação e a horas de distância - já não bastou esse infeliz exemplo, Garcia e fez a mesma coisa com Bruno Carvalho..


PAULO ROGÉRIO PINTO COELHO E HELENA GUIRO PACHECO PINTO COELHO - TAMBÉM JÁ ESCALARAM O SHISHA PANGMA - QUE USARAM SOBRETUDO COMO MONTANHA DE PREPARAÇÃO E ACLIMATAÇÃO PARA ESCALAREM O EVAREST


Capítulo 8 - SHISHAPANGMA 1997 (8.027m)
"O Shishapangma - também grafado costumeiramente Shisha Pangma e Xixabangma - é a décima quarta montanha mais elevada do planeta, com 8.027m segundo medições mais acuradas. Alguns mapas dão a ela 8.047m e a colocam em 13º lugar, à frente do Gasherbrum II (8.035m), mas esta altitude não é aceita por todos.
(...)
.Shisha Pangma
O Shishapangma tem uma particularidade interessante. A rota tradicional leva os montanhistas até o cume central (Shishapangma Central), 17 metros mais baixo que o cume principal. De lá é necessário fazer travessia por uma aresta exposta, em mais ou menos uma hora de caminhada, até o ponto culminante.
A maior parte dos escaladores, ou por falta de informação (há uma ilusão de ótica de que o cume central é mais alto do que o principal), ou por cansaço ou por má-fé, dão meia volta neste ponto mais baixo, e isso se reflete estatisticamente
(...)
Paulo Rogério Pinto Coelho e Helena Guiro Pacheco Pinto Coelho, ou carinhosamente Casal Coelho, tencionando escalar o Everest, resolveram primeiro ir ao Shishapangma fazer aclimatação e assim poupar tempo no Chomolungma.
Chegaram ao Shisha em abril de 1997, sem carregadores, cozinheiros ou sherpas. Como o período de escalada normal desta montanha é o segundo semestre, o casal a pegou completamente vazia, deserta, inteirinha para eles. Somente os dois e uma imensidão de gelo e rocha para desbravar.
Oito dias após finalmente uma expedição germano-italiana aportou, quebrando um pouco a solidão dos brasileiros. Subiram e desceram várias vezes a rota normal até 7.000m, máxima quota atingida. Embora não tenham fixado cordas, efetivamente foram eles que abriram caminho nesta temporada.
Tendo em vista que o objetivo principal não era fazer cume, mas apenas aclimatar (eles tinham apenas duas semanas para dedicar ao Shisha), deram a expedição por encerrada no dia 25 de abril de 1997 e partiram rumo ao Everest - Excerto A História do Himalaísmo Brasileiro - Parte IV - AltaMontanha.com

RODRIGO GRANZOTTO PERON - AUTOR DO HIMALAÍSMO BRASILEIRO - DIZ QUE PAULO COELHO E HELENA COELHO CULTIVAM UM ESTIO SIMPLES E MUITO PESSOAL NAS SUAS ESCALADAS

.EVEREST 1997 (8.850m)
Paulo Coelho e Helena Coelho têm definitivamente aventura circulando nas veias. Após conquistar inúmeras montanhas no Brasil e nos Andes, partiram para desafios mais distantes e mais elevados, na amplidão do Himalaya. De todos os predicados que atraem tantos admiradores, alguns sobressaem: a grande humildade; o humanismo, participando do auxílio e resgate de vários alpinistas em apuros; e o amor incondicional à montanha.
Everest
Nessa segunda ida ao Everest abandonaram o estilo da expedição de 1991 e começaram a forjar o alpinismo que é a marca registrada deles até hoje: escalada a dois (apenas o casal), leve, com pouca estrutura, sem grandes patrocinadores, por fair means, sem oxigênio suplementar ou sherpas, seguindo com fidelidade as regras do montanhismo enquanto esporte. Excerto de A História do Himalaísmo Brasileiro - Parte IV - AltaMontanha.com

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.Paulo Coelho, 56 anos, físico e alpinista


"Ele descobriu o câncer de próstata em 1999. Tratou-se e continua praticando alpinismo com a mulher, Helena. Há 30 anos, eles encaram as montanhas mais altas do mundo. Sem guia, sem tubos de oxigênio, sem carregadores de bagagem. O esforço para escalar os 8.850 metros é a resposta de Paulo ao câncer





Escalei o Everest umas oito vezes. A última foi em abril. É a montanha mais alta do mundo. O maior desafio do alpinista, em termos de altitute. Fui com minha mulher, Helena. Sem levar oxigênio extra, sem guia, carregando nossa própria bagagem, do jeito que achamos que é a forma mais correta de subir uma montanha. Chegamos a 8.400 metros de altitute. O Everest tem 8.850. Vamos voltar porque ainda falta um pedacinho a ser feito. Nenhum brasileiro fez o que gostaríamos de fazer. Mas a gente vai continuar tentando. Somos persistentes.

O Everest é um grande desafio, mas o câncer é mais difícil que ele. Convivo com a doença desde 1999, quando recebi o diagnóstico depois de fazer exames de próstata. A notícia foi como uma paulada, uma pancada na cabeça. Mas a fé em Deus me ajudou muito. Sou católico. Rezei, fiz tudo a que tinha direito. Só não fiz promessa.

A radioterapia e a quimioterapia me deixaram fragilizado. Não apenas fisicamente. Minhas reações psicológicas mudaram. Fiquei depressivo, intolerante, duro. Cheguei a pensar que nunca mais pudesse escalar. Mas, na virada do milênio, fomos para o Aconcágua. Foi difícil para mim, tinha enfrentado uma radioterapia forte algum tempo antes. Mesmo assim, continuei fazendo pelo menos uma escalada por ano.

Meu médico é mais que médico. Ele é meu gerenciador de qualidade de vida. Sabe que o esporte é muito importante para mim. Então ele tenta administrar o tratamento de forma que eu não tenha de abrir mão de meu prazer. Se eu não pudesse mais escalar, seria uma perda enorme. Seria como se um grande companheiro tivesse morrido.

Quando subo uma montanha, tenho a sensação do gol. É uma realização. O resultado de um ano de treino e planejamento. Volto da escalada, descanso para me recuperar fisicamente e já recomeço a treinar pensando na próxima. É uma coisa sem fim. Às vezes chego ao topo de uma montanha e de lá avisto outra com um caminho legal. Dá uma vontade de terminar aquele serviço e depois já pegar o outro.
Na primeira escalada ao Everest depois do tratamento, meu corpo estava fraco. Subi devagar, tive tremores, mal-estar, não cumpri exatamente meus objetivos. Mas não tive medo de morrer ali.



Com a montanha, eu consigo negociar. Com o câncer, não. No ano passado, ele voltou. Isso me fez repensar a vida. Passei a encarar tudo com mais serenidade, com mais calma. Vi que não valia a pena me estressar com pequenas coisas. Não sou um Super-Homem, tenho limites. Percebi que o câncer virou um sócio. Um sócio com quem tenho de lidar para o resto da vida. Voltei a tomar os remédios da quimioterapia. Estou tocando numa boa.

No Everest, não penso no câncer. Penso na vida. O visual lá de cima é maravilhoso. É estar num ambiente incrível, com pessoas legais do mundo todo. É isso que se leva da vida. Tenho um conhecido que não gosta de tirar retrato. O que interessa para ele é o que fica guardado na memória. Eu também tenho esse modo de encarar a vida. No Everest, convivemos com pessoas de outras culturas, gente do monastério budista ali perto. Escalamos pelo lado do Tibete, que é mais barato.

A doença é mais difícil que o Everest. Com a montanha, consigo negociar. Com o câncer, não tem negociação. No ano passado, ele voltou

Certa vez, no final de uma expedição, decidimos passar no monastério para doar alimentos. Mas a estradinha desbarrancou no meio do gelo. Nunca vou esquecer da cena dos monges que vieram ajudar. Da alegria deles enquanto trabalhavam. Era uma satisfação genuína. Não estavam felizes por causa da carga. Os monges com aquelas roupas, carregando pedras pesadas, refazendo a estrada numa alegria incrível. Essa experiência me marcou. Se não fosse o alpinismo, eu não a teria vivido.
O alpinismo tem riscos. Mas há riscos num monte de coisas na vida. Ainda não sabemos qual montanha será nosso próximo desafio. Só sabemos que teremos um desafio. Certamente vai aparecer algo legal no ano que vem. Não temos patrocinadores. Acho que eles percebem que nosso espírito não é de chegar ao cume a qualquer preço. Nosso estilo é outro.

Então juntamos o dinheiro e vamos. Por isso, só podemos saber o destino perto da data da viagem. Só aí podemos saber se vamos conseguir ir ou não. Até hoje fizemos muitas viagens. Gostamos de escalar tanto em rocha quanto em gelo. Estamos sempre escalando por aí. Brasil, Cordilheira dos Andes, Alpes, Himalaia... Enquanto a carcaça estiver agüentando, vou tocando. Quero viver muitos e muitos anos Oncoguia - Eles sobreviveram ao câncer.

.VALE A PENA TENTAR....

O destino é o caminho

Suponhamos, então, que você tenha cumprido todos os planos, autoavaliações, mudanças de percurso. E chegue à tão sonhada meta. O que vem depois? Maria Helena quer o mestrado. Para Aníbal, cada descoberta no laboratório lhe ocupa com um mundo de novas perguntas. E para quem compra uma casa? Ainda tem a reforma, o jardim. E para quem escalou o Everest? A montanha é a mais alta do mundo, o que haverá depois dela?

Os alpinistas Paulo e Helena Coelho – ele, 57 anos, ela, 56 – não têm dificuldade em responder: “A gente vai mudar de montanha. Já escalamos o Aconcágua (a maior da América, na Argentina), o Cho Oyu (a sexta maior do mundo, no Himalaia), o Kilimanjaro (maior da África), o Mont Blanc (maior dos Alpes). A gente volta sempre ao Everest só porque ainda não chegou no cume”, diz Helena. “É isso que nos move, o desafio. No dia em que não tiver mais nenhum desafio na vida, ela não tem mais sentido”, completa Paulo.

.O detalhe é que o desafio desse casal tem 8.850 metros de riscos e dificuldades. Primeiro, o dinheiro: só a autorização para subir a montanha custa cerca de 10 mil dólares. Depois, muito treino – musculação, corrida, pedalada, técnicas de escalada. Tudo para enfrentar o frio de até 30 graus negativos, carregar 20 quilos de equipamento e comida nas costas, montar a barraca nos três acampamentos do caminho, descongelar o gelo para beber água, manter-se pendurado numa corda com ventos de até 120 km/h. Ah, e ainda escalar. Fora o treino mental: “A gente também faz ioga, que é importante pra manter o controle emocional”. Além de tudo, ainda tem o imponderável: o tenebroso clima do Himalaia. “Lá, durante um mês você vai ter uns dois dias de tempo ideal para a escalada ao cume. Às vezes, nem isso”, conta Paulo.

Melhor arriscar

A sobrevivência de Paulo e Helena não depende de conquistar o topo do Everest – ao contrário. Tampouco ficarão ricos ou famosos. Simplesmente são apaixonados. Para muita gente, dedicar-se tanto a objetivos sem resultados práticos é loucura. Mas e se ninguém investisse? “Escolha qualquer projeto ousado e inovador na arte ou na ciência, no mundo esportivo ou empresarial: há uma profusão de razões lógicas e objetivas para não embarcar nele”, diz o economista Eduardo Giannetti em outro livro, Autoengano.- Excerto de - .Vale a pena tentar | Revista Sorria*.

.É VERDADE QUE A MORTE DE UNS PODE SER A FAMA OU A GLÓRIA DE OUTROS - JOÃO GARCIA DE IGNORADO A CITADO

Pascal Debrouwer was an interesting climber. A climber we have gotten to know well along with his partner Joao Garcia. Pictures of Pascal and Joao can be seen on our site here. (EverestNews.com does not usually post pictures of the News Page because many have problems loading the page.) One interesting picture is of Pascal with the North Face of Everest in the background. Pascal Debrouwer was also married, with one child. He was an independent, organizer of mountain travel, responsible of "Montagnes du Monde" in Belgium. He spoke French, English and Dutch. He had been an expedition leader and/or lead climber on several expeditions attempting mountains such as Cho-Oyu (8201m) in 92, Dhaulagiri (8167m) in 94, Annapurna (8091m) in 96, Everest (8846m) in 97. He planned an Manaslu fall 99 expedition. He was an young man, with an interesting future. His death is big news in Europe with radio and TV coverage May599.


MAS PASSAR A SER ASSIM TÃO FAMOSO!  - Com maior currículo entre os 






sexta-feira, 29 de abril de 2016

Taxistas contra a UBER – ao saque sem fronteiras: depois da invasão de lojas orientais – da bagunça desde o comércio à fruta, à banca, água e eletricidade - aí estão as máfias organizadas, furtando-se aos impostos e às formalidades legais, prontas a engolir o último reduto onde os portugueses poderão assegurar algum trabalho para sustento pessoal e da família

A Internet é hoje um vasto campo aproveitado por manobradores, vigaristas,  sacadores, descarados oportunistas, que facilmente se furtam ao controlo da lei, a  coberto do mais  fácil e  imediato acesso às novas tecnologias  – De vendas e de serviços, que o poder fiscal não controla, em detrimento de quem a cumpre e segue os seus trâmites. Uber, en la mira de la justicia y reguladores de varios países - La Prensa

Obviamente, que os taxistas fazem muito bem em marchar, marchar,  em marcha lenta mas firmes dos seus propósitos e das razões que lhes assistem, contra a ilegalidade, a iniquidade, a desenvergonhada corrupção e cobertura   às negociatas, sem escrúpulos  - Em defender  os seus postos de trabalho, contra a indigência, o egoísmo dos apátridas e corruptos, sem rosto e sem alma,   que permitiram que este país  - onde não é preciso vergar a mola e o lucro é mais fácil – desde as cadeias de hotéis, lojas de comércio e de frutas, a banca, as companhias de água e de eletricidade e por aí adiante  – tais interesses fossem objeto da cobiça  de organizações de incalculável  poder económico, em detrimento do povo português  - Vindas de países ditatoriais ou de outros onde a democracia é mera fachada, já porque nas mãos de castas, que desde sempre foram donos e senhores das suas riquezas – E, que, agora, com as liberdades instauradas pela dita Nova Ordem Global, pelo mais despudorado e selvagem liberalismo, atuam impunemente, estendendo os seus tenebrosos tentáculos à escala planetária

Dizem as noticias – e vimo-lo pela televisão – “Contra a Uber, marchar, marchar, lentamente. Esta manhã, os táxis trocaram a bandeirada pelo protesto, porque estão a perder mercado para um serviço que consideram desleal e ilegal. E acusam o Governo de fazer pouco para fiscalizar essas ilegalidades. As marchas lentas estão programas para Lisboa, Porto e Faro.

Cerca de 6.500 taxistas são esperados esta sexta-feira na manifestação nacional de protesto contra a atividade da Uber em Portugal, que será traduzida em marchas lentas pelas cidades de Lisboa, Porto e Faro. - Excerto de Táxis complicam trânsito: ouça e veja aqui as dificuldades


PORTUGAL UM PAÍS CADA VEZ MAIS À DERIVA E MENOS PORTUGUÊS - 

Portugal um pais cada vez mais à deriva e ao sabor da cobiça estrangeira - Lisboa é um bazar chinês. Em Portugal não há vila que não tenha lojas chinesas – Sim, porque não, mas com conta peso e medida. Favorecer o crédito aos jovens para se poderem estabelecer e evitar que houvesse concorrência desleal com o comércio local – em horários e no fisco. A distribuição da fruta, em Lisboa é dominada por redes de indianos e paquistaneses, que importam a fruta lá de fora, enquanto a nossa fica a apodrecer nos pomares; os antigos quiosques dos jornais, onde era tradicional empregaram-se deficientes, estão nas mãos de orientais – A banca e as grandes empresas, tudo sob controlo lá de fora. Ainda se ao menos fossem apenas de países da CPLP!... Mas vêm de ditaduras ou de países, que nada têm a ver com a nossa cultura. E então quais as oportunidades dadas aos portugueses? – A trabalhar no campo?!... – Se este também está votado ao abandono – Não lhe resta outro remédio senão emigrar - Quando é que teremos governantes que sejam amigos dos seus compatriotas e não se vendam aos milhões do oportunista e guloso estrangeiro? - Que nos dá uma morcela para levar um salpicão - Mas este é também o sinal da Nova Ordem Mundial, que permite o saque, sem fronteiras e à escala planetária




segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de Abril – Adelino Palma Carlos “ Está uma revolução na rua!!....E então o coronel, não sabe?!.”. - Está a ver!... Fui eu que informei o Coordenador de Segurança, que tinha rebentado a revolução “– Testemunho para a História de Portugal


Adelino Palma Carlos –  Primeiro-ministro do Iº Governo Provisório (de 16 de Maio a 18 de Julho de 1974, nomeado pelo General Spínola  – Nesta parte da entrevista que me concedeu em sua casa, editada no vídeo deste post, Palma Carlos, fala   da Revolução de  25 de Abril, que o fez chorar de alegria  até às lágrimas  e do Governo que formou com a participação de Álvaro Cunhal (um ministro consensual E também do seu ideal republicano. da sua oposição ao Salazarismo e dos revolucionários que defendeu, como advogado.

Professor, advogado e político. Destacou-se como primeiro-ministro do I Governo Provisório -(Faro, 3 de Março de 1905 — Lisboa, 25 de Outubro de 1992 (Faro, 
Dou-me a honra e o prazer de me receber em sua  casa e de ali me conceder uma interessante entrevista acerca de alguns dos mais importantes passos da sua vida profissional e politica, nomeadamente, como opositor ao regime ditatorial de Salazar, defensor dos presos políticos, da alegria que sentiu  - até às lágrimas - quando tomou conhecimento do golpe vitorioso da Revolução do 25 de Abril, assim como de vários episódios relacionados com a sua participação como 1º Ministro do 1º Governo Provisório Adelino da Palma Carlos – Wikipédia, 


Considerado como "personalidade forte, inteligente, culto e de extraordinária capacidade de trabalho, foi primeiro-ministro do I Governo Provisório (de 16 de Maio a 18 de Julho de 1974). Como 11.º bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses teve um importante papel na consolidação institucional e na internacionalização daquela corporação. Foi grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, a principal organização da maçonaria portuguesa. E fundador do escritório de advogados actualmente designado de G&F Palma Carlos

COMO ELE VIU A REVOLUÇÃO DE ABRIL

 «…fiquei contente!...Chorei, quando soube que era a Revolução!.. Que era para acabar com a ditadura!... Chorei! Chorei comi uma criança!... Não tenho vergonha nenhuma de dizer: chorei!!..

JTM  - Entretanto, chegou o 25 de Abril: o Sr. Prof. foi nomeado Primeiro-Ministro!
APC – Olhe… Essa história é engraçadíssima!... Eu não fazia  ideia nenhuma de que ia haver a Revolução… Aliás, eu era Presidente das companhias reunidas de gás e eletricidade: tinha sido convidado pelo General Gaspar dos Santos e era Presidente das Companhias… Quando eu vim para as Companhias, encontrei lá instalado, um coronel na Reserva, que era o coordenador de segurança das Companhias de Gás  e Eletricidade, da Sacor, da Companhia das Águas, da Companhia Nacional de Eletricidade  e da Petroquímica… Bom, esse homem, estava perfeitamente a par de tudo o que se desenrolava!... E até tinha uma coisa engraçada!... Sabendo que eu era uma pessoa, contra a situação, ele recebia todos os panfletos (não sei da onde) que saíam contra a situação e dava-mos para eu ler!... Ele é que fazia propaganda, junto de mim, contra a situação!... E estava sempre a par!... Quando foi da reunião dos capitães, em Évora, na Intentona de Março, ele disse-me: “Isto está mau!!..Agora o Movimento de Oficiais, em Évora!... Não se o que isto vai dar!...
Bem , continuámos, pacatamente!... No dia 25 de Abril de Madrugada!... Estava a dormir!...Aparece-me uma das empregadas, com o telefone, dizendo-me: “Sr. Douro! É o engenheiro da  Companhia do Gás, que tem muita necessidade de falara consigo!..” -Então traga lá o telefone!
Era o homem a dizer: “Sr. Presidente! Rebentou a Revolução?!...”
- Rebentou a Revolução?!...
-  “Rebentou a Revolução!!”
- E então o coronel, o que é que faz?!...
- “O Coronel, não está cá!... Não se sabe do coronel!...
Telefonei para o coronel, que eu tinha aí o número de telefone dele (que morreu, coitado, dois ou três meses, depois da revolução) … estava a dormir, como um anjo!...
- Então, Sr. Coronel!... Está uma revolução na rua!
- “Esta uma revolução na rua?!...”
- Está!... E então o Sr. não sabe de nada?!...
Está  a ver!... Fui eu que informei o Coordenador de Segurança, que tinha rebentado a revolução!...
Bom, eu fui para a Companhia, juntámo-nos lá os Membros  da Comissão Executiva,  que cá estávamos, que éramos cinco só, e passamos o dia, ali… Veio uma Ordem do Ministério do Interior, por intermédio da Direção Geral dos Serviços Elétricos (a que nós estávamos subordinados) para que se interrompesse a corrente elétrica, lá para cima, par o Parque Eduardo VII… E o Engº da Companhia disse: se nós interrompemos a corrente elétrica, nós ganhamos nada com isso!... Eles têm geradores e continuam a emitir da mesma maneira!
- E então eu disse: há alguma ordem escrita?!..
- Não há nenhuma ordem escrita!
- E então diga-lhe que mandem a ordem por escrito!... Nós estávamos subordinados ao Governo!... Era uma companhia concessionária!... Mandaram a ordem escrita… E então interrompeu!... Até que, às tantas, à tarde, eu mandei ligar!... Porque, já não havia Governo!... Não havia nada!..
Bom, estivemos ali todo o dia, sem saber o que se passava, com a televisão aberta!... Com a telefonia aberta!... Almoçámos, mesmo lá, na cantina da Companhia!. E olhe, nos dias seguintes, fiquei contente!...Chorei, quando soube que era a Revolução!.. Que era para acabar com a ditadura!... Chorei! Chorei comi uma criança!... Não tenho vergonha nenhuma de dizer: chorei!!..

JTM – Depois, foi entretanto nomeado Primeiro-ministro!...
APC – E depois… aí é que a coisa, começa a ter um certo pitoresco, começaram a ouvir dizer-me que eu ia ser nomeado Primeiro-Ministro!... Não sejam tontos!... Porque é que eu havia de ser nomeado Primeiro-ministro?... Que ideia é essa?!...
- Mas eu acho que você é que vai ser o Primeiro-ministro!.. Você é que vai ser o Primeiro-ministro!..
Até, que, um domingo (tenho este telefone, que não está na lista) e ligara-me por este telefone (era confidencialíssimo) as era da Presidência da República, era ali de Belém); era o Capitão António Ramos, a dizer-me: - Ó Sr. Dr.! O Sr. General Spínola, tem muita necessidade de falar consigo!” - Então está bem
Eu conhecia o Spínola, já há bastante tempo: “então quando é que ele quer que eu vá falar com ele?”
- “Amanhã às quatro horas! – No dia seguinte, às quatro horas eu fui lá, e ele disparou:
- Tenho um Governo pronto! Falta-me o Primeiro-ministro!... Você tem de ser o Primeiro-ministro!
- Não me fale nisso!.. Não tenho a minha vida organizada para isso!... Vivo da minha profissão!.. Não pode ser!... Deixe-me pensar!...
- Então pense até amanhã!...
Eu resolvi pensar dois dias mas não pude!... No dia seguinte, telefonava-me ele outra vez!..

JTM – E teve que aceitar!
APC – E tive que aceitar!.. Pronto!...
JTM – Foi um tempo agitado, na altura?
APC – Olhe!... Foi o pior tempo da minha vida!.. Foi o pior tempo da minha vida!... Extremamente agitado!... O Governo era um Governo não homogéneo!... Porque tinham querido fazer um Governo de coligação  - Quem  fazia o Governo não era o Primeiro-Ministro: o que estava na Lei Constitucional nesse tempo:  era o Presidente da República e o Primeiro-Ministro, só fazia trabalhos num Governo, que lhe tinham oferecido!...
E eu dizia: façam um Governo de Gestão, que é o que é preciso, nesta altura.
-“Ah mas é melhor fazer um Governo de coligação….”
- “Então façam um Governo de coligação” – Eu tive lá, desde o Álvaro Cunhal, até esse homem monárquico, que aí anda, o Ribeiro Teles!.. A Pintassilgo!... Estava no meu Governo!..

JTM - Havia então alguma confusão…
APC- Devo-lhe dizer que, nas reuniões do Conselho de Ministros, havia às vezes divergências… Pois cada um tinha a sua opinião sobre os problemas que se colocavam… Havia muitos problemas a resolver... Havia divergências!... Eu tentava soluciona-las mas elas … mas é uma justiça que eu nunca deixo de fazer ao Cunha, é esta:  é que, quando a coisa estava numa situação quase de impasse, o Cunhal encontrava sempre uma solução de equilíbrio, que todos acabavam por aceitar!... É um político extraordinário!...

JTM – Acha que o Partido Comunista Português devia ser chamado também a contribuir, também no Governo?
APC – Quando eu era Primeiro-ministro, veio cá, o Mitterrand e o d’Ferry, vieram cá: fora-me visitar. Estava um bocado preocupados por haver comunistas no Governo; era o Álvaro Cunhal e mais o Adelino Gonçalves, Ministro do Trabalho, que era um sindicalista bancário, o Porto, que tinham metido lá… O Mitterrand, às tantas, disse-me: - “mas você não se preocupa pelo facto de ter comunistas no Governo?”
- Bom, não sei porque é que você me faz essa pergunta, quando, você, agora, constitui em França,  a União de Esquerda, de Socialistas e de comunistas!... Se você lá, anda de braço dado com eles, não sei  porque estranha que eu tenha aqui dois ministros comunista, num Governo!... Onde estão numa minoria flagrante!...

JTM – Olhe, na altura quais foram os problemas mais difíceis que teve de enfrentar nesse período?
APC -  Tive logo de entrada uma greve dos correios… Passados, dois ou três dias, não havia correios, não havia telefones, não havia coisa nenhuma… E eu disse: isto não pode ser!... Não podemos estar sem comunicações… Chamei o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, que era o Costa Gomes, e disse-lhe: ó Sr. General! Nós temos de ocupar militarmente os correios para acabar com isso!...
- Oh diabo! Isso é uma coisa complicadíssima!"

NOTAS BIOGRÁFICAS  -Adelino Hermitério da Palma Carlos nasce a 3 de Março de 1905, em Faro, vindo a falecer a 25 de Outubro de 1992, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, com a nota final de 18 valores, foi delegado da Faculdade de Direito à Federação Académica. Conclui o doutoramento em Ciências Histórico-Jurídicas, também na Universidade de Lisboa, em 1934. Advogado reconhecido, defendeu inúmeras figuras oposicionistas à ditadura, como Norton de Matos, Bento de Jesus Caraça e Vasco da Gama Fernandes. Foi também professor na Escola Rodrigues Sampaio, no Instituto de Criminologia de Lisboa e, como Catedrático, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, da qual viria a ser director. Foi jubilado em 1975. Em 1949, foi mandatário da candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República. Em 1951 exerceu funções como Bastonário da Ordem dos Advogados portugueses. A 16 de Maio de 1974 é nomeado primeiro-ministro do I Governo Provisório, pedindo a demissão a 18 de Julho desse ano. Em 1975 funda o Partido Social-Democrata Português. Foi mandatário e membro da comissão de honra da candidatura do general Ramalho Eanes à Presidência da República (1979). Pertenceu ao conselho consultivo do Partido Renovador Democrático. Em 1986 recebe a insígnia de Advogado Honorário. Adelino da Palma Carlos | 1905-1992 - Memórias da .