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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Diogo Gaspar – Mais um franco-atirador amedalhado e sorridente a servir-se do património do Estado – Com quartel-general montado no Museu da Presidência da República – Os espertos tantas fazem até que tropeçam


Foto - Web
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Não é o vinagre que atrai as vespas mas o mel  - O mel da cobiça que atraiu um Duarte Lima, um Oliveira e Costa e outra casta de parasitas, de aldrabões corruptos, de chico-espertos, de apátridas, ao  pódio dos mais altos cargos da Nação – Se o exemplo não vem de cima, como é que os  apóstolos, hão-de ser melhores? – As cumplicidades ou interesses cruzados, são de vária natureza, maçónicas, religiosas, partidárias, etéreo ou homossexuais mas, a bem dizer, são apátridas, nem conhecem credos, nem ideologias, senão jogos de cifrões

Salazar era fascista, no seu ideário mas honesto nas suas convicções  - Não se lhe conhece fortuna deixada a herdeiros, bem pelo contrário – O que não acontece, como certa fauna de  políticos da atualidade (sim, porque não se pode meter tudo no mesmo saco), que, mesmo ocupando os mais altos cargos da Presidência da   Republica, permitem que, membros da sua família, se apoderem de valiosos bens do Estado, nos quais se gastaram varias dezenas de  milhões de euros para depois de oferecerem por menos de metade do seu valor, através de empréstimos de duvidosa credibilidade – As obras emblemáticas da Expo-98, custaram na altura o equivalente a cerca de 50 milhões de euros e vendido por 21,2 milhões de euros ao Consórcio Arena Atlântico, no qual se inclui Luís Montez, ..

OS CHICOS-ESPERTOS TAMBÉM TROPEÇAM

O Cântaro, tantas vezes vai à fonte, até que um dia, lá fica a asa  - Mais outro, finalmente,  a tropeçar num campo onde ninguém lhe tolhia os movimentos – “Diversos bens culturais e artísticos alegadamente "descaminhados de instituições públicas" foram esta quinta-feira apreendidos pela Polícia Judiciária na operação "Cavaleiro" que levou à detenção do diretor do Museu da Presidência, Diogo Gaspar informou a PJ.

A PONTA DE UM ICEBERGUE - COMO NÃO PODIA DEIXAR DE SER  - Uma aranha tem o seu núcleo mas estende a teia por muitas pontas

Enquanto diretor, tem tentado alargar as fronteiras do museu além do Palácio de Belém? Acha que tem tido sucesso?

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Um dos objetivos estratégicos foi que este espaço, contido dentro do Palácio de Belém, seja apenas a ponta do icebergue. O nosso objetivo foi trabalhar as temáticas que se relacionam com o tema “Presidentes da República” e tratá-los de uma forma alargada, diversificada e muito abrangente. Tendo isso em conta, procuramos estabelecer parcerias com inúmeras autarquias, instituições públicas e privadas e particulares. Penso que esta prática de sair do espaço do museu para o exterior aproxima-nos das populações, abrem-se de outra forma as portas do palácio, como também se estabelece esta aproximação entre o cidadão e o Presidente da República. Temos aumentado o número de visitantes, os espólios, e temos recebido mais propostas de parcerias.”

CONDECORADO, POIS ENTÃO

Diogo Gaspar, de 44 anos, foi condecorado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Santiago, em 2014, pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva. Já antes, em 2006, tinha sido condecorado pelo Presidente Jorge Sampaio com o grau de Comendador da Ordem Nacional do Infante D. Henrique. Em setembro de 2001 tornou-se coordenador do Museu da Presidência, tendo sido nomeado seu diretor em outubro de 2004.

OS SORRISOS DOS MALABARISTAS E APARTIDÁRIOS E APÁTRIDAS SEDUZEM TUDO E TODOS  - ESTÃO SEMPRE NA CRISTA DA ONDA E ENGANAM TODO O MUNDO

“Jorge Sampaio, optou por escolher pessoas que não emanam dos partidos, mas da sociedade civil e que, na sua maioria, não são das suas relações pessoais”.
“O Museu da Presidência da República, situado no Palácio de Belém, foi criado por iniciativa do antigo Presidente da República Jorge Sampaio e era dirigido desde a sua fundação pelo historiador Diogo Gaspar” – CM

 Aníbal Cavaco Silva assinalou no passado sábado, 4 de outubro, o 10.º aniversário do Museu da Presidência da República numa cerimónia ao ar livre que decorreu no Pátio dos Bichos, no palácio de Belém. “Este museu foi uma feliz iniciativa do meu antecessor Jorge Sampaio, a que tenho procurado dar continuidade”, afirmou Cavaco. Após o discurso, o chefe de Estado e a mulher, Maria Cavaco Silva, visitaram as instalações do museu, que esteve encerrado durante dois meses para renovação e atualização de conteúdos. 


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Arthur Cupertino de Miranda – Confissões inéditas do Banqueiro Mecenas, roubado em milhões de dólares em obras de arte, soube quem foi o ladrão que lhas foi leiloar na Christie's mas razões de ordem sentimental, impediram-no de apresentar queixa crime e de ir além das que lhe transmitia a valiosa coleção dos mais famosos pintores do Mundo - "Sofri muito!... Sofri muito!...Mas não podia tomar medidas…."

Por Jorge Trabulo Marques – Jornalista - As declarações  - inseridas no vídeo - até hoje nunca foram divulgadas e nem a acusação foi publicamente pronunciada pela voz de A. Cupertino de Miranda  



Em Outubro de 1987, pouco depois de completar 95 anos, e um ano antes da sua morte, Arthur Cupertino de Miranda, dava-me o prazer  e a honra de me receber na sua residência, em Lisboa – Ia para mais uma das minhas entrevistas, ao serviço da Rádio Comercial,  às grandes personalidades nacionais, em vários domínios – Sim, entre os mais diversos  trabalhos  de reportagem, de gente anónima e nos vários sectores da sociedade, também fiz questão de conhecer gente ilustre e distinta - E de o fazer mesmo em sua casa.

Arthur Cupertino de Miranda -  5 de Setembro de 1892 — Lisboa, 13 de Julho de 1988 

 A minha visita, não fora previamente combinada - e, a bem dizer, confesso que também nem eu conhecia muito bem o passado de quem ia entrevistar, senão de uma curta biografia inserida numa revista de personalidades, com que   por vezes me orientava, já que, naquela altura, a  informação disponibilizada pela Internet, dos dias de hoje, não passava ainda um sonho - Mesmo assim, sabendo da sua avançada idade, preferia agir pela surpresa, olhos nos olhos, cativando a simpatia do próximo interlocutor , pois depreendia,  que, o famoso banqueiro,  nos seus noventas e tais, não estaria muito inclinado a  quebrar a sua rotina para receber um inoportuno repórter.

Felizmente, fui bem sucedido, e creio que, desta vez, em boa parte, graças  à  minha companheira, daquela altura, a  Elisabeth – De origem judia,  nascida numa das antigas colónias francesas, do norte de África, simpática e bonita, e,  para desbravar obstáculos, não havia melhor companhia de que a  dela: bastava aquele seu jeito de expressão amável, caloroso, espontâneo  e sorridente, a que ninguém recusava uma palavra amiga ou corresponder com idêntico sorriso –  E foi na verdade o que sucedeu, após hesitação, nos primeiros momentos, de  Cupertino de Miranda, mas logo superados pelo breve diálogo travado em fluente francês, tanto pela língua pátria de Elisabeth, como do ilustre anfitrião,  tendo-nos imediatamente  franqueado a entrada em sua casa.  

E o curioso, é que, além da primeira surpresa, que se me estampava numa das paredes da sala, com a imagem de um famoso quadro,  daqueles que só são possíveis de ver nos grandes museus ou em réplicas de postais ilustrados ou então em livros da arte mundial, afinal, quem vou ali encontrar é justamente um homem,  embora franzino -  mas ainda cheio de uma grande cordialidade e jovialidade , a fazer-me lembrar Azeredo Perdigão, que havia entrevistado, igualmente acima dos 90 e ainda muito ativo   –  O mais complicado era no falar: pois, tal como nos explicara, ele recusava-se a usar prótese dentária, recomenda pelo seu médico, o  que dificultava a articulação de algumas palavras, e, como a gravação se destinava a uma estação de rádio, esse era realmente o maior handicap – Daí a  razão de praticamente  a maior parte da entrevista, ainda hoje se conservar inédita. 

Fora esse aspeto, ficava  com a impressão de que, o peso dos anos, não contavam na magra e estatura   daquele simpático, famoso e dialogante cidadão, de  quase centenária idade –  E, pelos vistos, em parte graças a uma certa disciplina, tanto em horários, como em distribuição de tarefas, imposta por ele, levando  uma vida metódica e organizada,  preenchida de ginástica matinal e de alguns passeios, com o carinhoso apoio da  governanta de sua casa, a D. Irene, a quem ele chamava por seu anjo da Guarda.

ROUBADO, EM 1965, DE VALIOSOS QUADROS DA SUA COLEÇÃO DE ARTE  - POR GENTE QUE LHE ERA PRÓXIMA - E QUE LHA FOI LEILOAR EM LONDRES NA CHRISTIE´S
 Com 75 anos  - Ainda longe dos 96 anos da sua morte mas também é das tais idades em que, nas famílias ou da parte de amigos ou entes próximos, se farejam mais as heranças de que as afectividades e recordações vividas ou deixadas. 


Foi um diálogo, muito interessante, uma excelente oportunidade para conhecer o  perfil de um   notável português, alguns dos passos de uma vida exemplar e coroada de extraordinários êxitos, mas também conhecedor de algumas vicissitudes, deferidas pelo velho regime, com alguns dias nos calabouços pela PIDE, e , até mesmo após o 25 de Abril, com a privatização das suas empresas - Cujo conteúdo integral da entrevista espero  poder  vir a reproduzir,, em texto - talvez em forma de pequena brochura  - e também em vídeo, com uma reprodução técnica mais aprimorada, que  não disponho neste momento, pois o registo foi feito em cassete e já conta quase 30 anos - Mas não só por esse facto, pela articulação das suas expressões, pelas razões atrás explicadas

Por agora,  apenas aqui reproduzo, um breve excerto, nomeadamente do grande desgosto que sofreu pelo roubo de muitos dos mais famosos quadros da sua coleção de arte - Mas não apenas pela perda irreparável de famosas obras, avaliadas em milhões de dólares - que hoje valariam,por certo, ainda muito mais - mas sobretudo por saber quem tinha sido o autor do roubo e, por razões de ordem sentimental, se ver impedido em apresentar queixa crime.


Quando, a dado passo do diálogo, lhe observei que "o Sr. Cupertino de Miranda, era um grande apaixonado pela arte", ele começou a chorar e tive que suspender a gravação por alguns minutos para  a voltar a retomar, pouco depois - Não vou aqui apontar nomes nem ele me indicou nome algum  Porém, tanto ele com a Sr. Irene,  foram muito claros em apontar  a origem da  autoria desse crime -  Levada a cabo por pessoa que lhe era próxima - Mas essa é uma questão que não dizia  - nem mesmo hoje -  diz respeito ao repórter mas aos herdeiros da sua fortuna.

Na sua resposta, que a seguir se reproduz e gravada da cassete para o video que aqui edito, com algumas fotos gentilmente oferecidas pela Câmara Municipal de Famalicão - cortesia essa que aqui desejo sublinhar - , sim, creio estarem implícitas pelo menos  as razões pelas quais o levaram  a retrair-se  num doloso sofrimento e a coibir-se de  apresentar a devida queixa crime, que o roubo justificaria -  E até estou em crer  que, um tal desabafo, o fazia   pela primeira vez, além da esfera  íntima e restrita,  que dava mostras de manter com o seu anjo da guarda e única confidente, ou seja, a D. Irene -    Pois pareceu-me, que, naquele momento, foi mais a emoção que  superou a frieza racional, que, no seu ponto de vista, o caso aconselharia, face à preservação do que ele, certamemnte,  consideraria a defesa  de certos princípios e valores pelos quais orientara a sua vida e da sua família: desde os filhos aos netos.


Arthur Cupertino de Miranda – Banqueiro Mecenas, roubado em milhões de obras arte, soube quem foi mas razões de ordem sentimental, impediram-no de ir além das que lhe transmitia a sua valiosa coleção - No vídeo o breve enxerto de uma extensa entrevista.



Excerto de alguns minutos de uma entrevista de meia hora

JTM - O Sr. Cupertino de Miranda, sempre gostou da arte! Teve sempre uma grande inclinação para a arte!
ACM - Tive uma coleção dos artistas mais célebres, que me roubaram, em 1965…Gauguin!  Renoir! Matisse! Salvador Dali! Tive obras notabilíssimas, que hoje valiam mais de 20 milhões de dólares!... Uma das quais vendida na leiloeira Christie's,    por milhão e meio de dólares
JTM - E então a Policia, a Interpol, não tomou medidas?
Não, não tomei…
JTM – Não se importou?!...
ACM – Sofri muito!...Sofri muito!... Mas  não podia tomar medidas….
JTM  - Mas, desse roubo, o roubo foi total ou ainda ficaram algumas obras?
ACM – Ficaram algumas poucas…Ainda tenho aí uma Madona, que deve valer mais de um milhão de dólares”… Ainda tenho lá em Casa do Louro  um quadro de um pintor francês… Tenho Silva Porto! Malhoa, Tenho Columbano! Pousão e vários.
JTM - E, em relação aos artistas contemporâneos,  tem algum gosto especial pela atual pintura que se faz em Portugal?
Tenho dado à Fundação mas tenho três painéis de Cargaleiro à entrada de minha casa
JTM – E Vieira da Silva?
ACM – Já tive… Mas…
JTM -  Desapareceram.
ACM – Pois…
JTM – Naturalmente que, para um Homem,  não é só o valor pecuniário, que está em causa mas a estimativa, o gosto…
ACM – Tínhamos muita coisa!.. Mas em minha Casa do Louro, ainda tenho muita coisa!....
JTM – Mas eu queria sublinhar o seguinte: - Para si não foi só a perda, em termos materiais! Mas também o valor estimativo, que tinham essas obras... Naturalmente que sofreu por isso!...
ACM – Não é só a estimativa mas adoração que tenho pelas artes!... Mas ainda tenho Soares dos Reis! Teixeira Lopes! E outros…
JTM – Olhe, para além da poesia, nunca pintou? – Já que tem assim um gosto, tão grande, pelas artes plásticas?
ACM – Pintar, nunca pintei… Não sei pintar.
JTM – Gosta de ver…
ACM – às vezes, pinto o diabo!..
JTM – Como disse?... Pinta o diabo?!- sorrindo - O Sr. tem mau feitio, às vezes?... Às vezes, irrita-se, é?... Quando a vida não lhe corre… Mas o Sr. é um pessoa calma, não é?
ACM -  Sou. Outras vezes, sou impetuoso!
JTM – Gosta que as coisas avancem!... Não gosta que as coisas parem!.. É por isso, não é!... Mas, em casa, é um pessoa calma?

ACM – Sou, sou uma pessoa muito calma
Ao leu lado, estava a D. Irene, a governanta da casa, que ele apelidou de Anjo da Guarda.
JTM – Eu queria-lhe perguntar se teve oportunidade de conhecer gente ilustre das nossas letras e das nossas artes?

ACM – Conheci o Sampaio Bruno! Conheci o Guerra Junqueiro! – Quando eu era ainda era rapaz do Liceu. Conheci o Teixeira de Pascoaes! Conheci o Leonardo Coimbra! – fui íntimo de Leonardo Coimbra!... De Aquilino Ribeiro!...  – íntimo!

ARTHUR CUPERTINO DE MIRANDA  - TALVEZ O ÚNICO BANQUEIRO COM TÃO RARA SENSIBILIDADE E SENTIDO VISIONÁRIO 

Ao banqueiro mecenas, fundador da Fundação Arthur Cupertino de Miranda, em Famalicão, sede do seu torrão natal,  e a quem Salazar recorreu, em aperto de crise,  para fundar um banco, com a solidez que não existia,   houve quem lhe chamasse, um predestinado para outras funções diferentes de cantor de musas e de ninfas, do poeta, prosador, escritor  - Sim, inegavelmente, além do grande banqueiro visionário, que  fundou o primeiro banco comercial em Angola e em S. Tomé e Príncipe, do autor de alguns livros e poemas dispersos em jornais, revistas e obras literárias, na verdade, se os acasos dos destino não o tivessem encaminhado pelos negócios financeiros, em Portugal, no Brasil e em África, o mais certo era que o seu nome apenas estivesse associado às mais belas páginas da literatura portuguesa, pois talento e mestria, não lhe faltavam  - Sem dúvida, uma figura de rara sensibilidade e também de generosidade – Longe de ser a imagem do banqueiro usurário, egoísta, açambarcador e monopolista – Mas um homem cultivador de ideais  - E esforçando-se por os materializar – Tendo mesmo chegado a ser preso pela antiga polícia ditatorial do  chamado Estado Novo, visto que, os seus ideais, eram os democráticos, que havia abraçado com a implantação da República.

Pois, tal como se lê num dos textos, assinado por Mário de Oliveira, no livro “Tudo Começou no Louro, alusivo à inauguração da Fundação Cupertino de Miranda, em 8 de Dezembro de 1972,  “a vida do banqueiro Cupertino de Miranda; homem de ânimo criador para prosperar nos negócios, é uma vida também cheia de ideais, pois nunca esquece que a cultura faz parte integrante do homem e dá a este o direito de viver a sua vida e sentir essa transcendente necessidade vital de estar com Deus. A frase feliz de São Paulo: - «Cada homem se converteu em uma lei para si mesmo»; é bem adaptada a Cupertino de Miranda.

Mário de Oliveira, no seu texto intitulado, Arthur Cupertino de Miranda  - Um Homem  - começa por referir o seguinte: 

Para se falar de um homem como Arthur Cupertino de Miranda não basta conhecer a sua triunfante obra como banqueiro. Torna-se necessário fazer um conhecimento directo: conviver. Foi precisamente a convivência que tive com Cupertino de Miranda que me revelou uma personalidade extraordinária, de aquelas que aparecem muito pouco em cada país e em cada geração.

Nascido de uma família relativamente abastada de Vila Nova de Famalicão, cedo começou a revelar o seu destino para a vida. De seus pais herdou qualidades que o adornam: trabalhador incansável, um amor à terra natal que depois transmudará no amor da Pátria, uma fé religiosa, um estrito sentido de vida familiar e uma capacidade para analisar os temas financeiros a uma dimensão universal e não meramente local ou nacional. Homem de inteligência superior, vontade e energia, de uma enorme rapidez mental permanecendo, sempre, profundamente humano, é ao mesmo tempo, um homem de pensamento e um homem de acção.

Disse Heródoto que o ânimo do homem é o seu destino. Foi, efectivamente, o ânimo que traçou todo o destino da vida de
Cupertino de Miranda, uma vida cheia de fé, francamente positiva - que no tempo perspectivado, já fez história.

É que o homem, só é verdadeiramente homem quando faz história, ou quando é história. E, Arthur Cupertino de Miranda é um Homem histórico até porque, no futuro, ele será sempre lembrado, já pela sua acção no domínio das finanças em que teve sempre um alto sentido dos problemas económicos já ainda como homem de espírito, que no silêncio do seu «habitat» ( onde o rodeiam magníficas obras de arte), ele soube encontrar na literatura dos clássicos portugueses o seu melhor «hobby» para se esquecer da vida fatigante que o destino lhe colocou no caminho.

Para mim, Cupertino de Miranda foi sempre um homem de espírito, porque sempre o tenho encontrado quer em conferências, quer em exposições de arte, quer em concertos de música, quer ainda em homenagens a intelectuais seus amigos. E nesses encontros sempre abordamos temas referidos à vida artística e intelectual-  a perene vida do espírito.

Cupertino de Miranda esteve sempre ligado aos problemas da criação artística: e lembro-me - é mesmo uma das mais gratas lembranças da minha vida de estudante no Porto - de quando, assiduamente, frequentava a sua bela casa das Antas e muito «matreiramente» procurava as horas de jantar para assim receber um convite para ficar. A Pensão onde estávamos não era muito propícia a alegrar os estômagos - e discretamente Dona Elzira instava para eu jantar com o fim de trocarmos impressões sobre Arte ...

Recordo-me, como se fosse hoje, que no fim de um desses jantares, Cupertino de Miranda, se dirigiu para uma paisagem de Artur Loureiro e me disse: - «Cada vez estou mais convencido de que a arte é um dos maiores lenitivos para a vida do homem. Sempre que analiso esta paisagem; sinto a natureza em toda a sua infinita beleza; e os meus nervos tranquilizam-se».
Também me recordo das suas viagens a Paris e das obras de arte que o acompanhavam no seu regresso ao 'Porto.

É que o autêntico Homem - como é o caso de Arthur Cupertino de Miranda - vive no seu mundo físico aquilo que ele afinal criou sem mais finalidade do que servir-se desse cenário para representar a sua vida dentro de um trabalho ordenado numa completa harmonia entre o individual e o social. Procurando no fim uma integração entre os valores espirituais com os materiais, quando ele é realmente união entre a cidade terrena e a cidade de Deus.

A vida do banqueiro Cupertino de Miranda; homem de ânimo criador para prosperar nos negócios, é uma vida também cheia de ideais, pois nunca esquece que a cultura faz parte integrante do homem e dá a este o direito de viver a sua vida e sentir essa transcendente necessidade vital de estar com Deus. A frase feliz de São Paulo: - «Cada homem se converteu em uma lei para si mesmo»; é bem adaptada a Cupertino de Miranda.

O  triunfo na vida deste singular Homem; explica-se  por ter ânimo para traçar o seu destino e para o converter também numa lei para si mesmo.

Por tal razão é que ele ama a arte e por ela; ainda teve sempre pelos artistas uma grande simpatia e um sincero carinho a tal ponto que tem sido um verdadeiro Mecenas para muitos, mormente para que tiveram ou sentiram enormes necessidades materiais  nos princípios da sua carreira artística , e a quem Cupertino de Miranda   sempre ajudou com o maior entusiasmo. 

"O HOMEM , O BANQUEIRO E O BENEMÉRITO"

Diz a dado passo, Rebelo Mesquita, num extenso e curiosíssimo  texto publicado também em "Tudo Começou no Louro 

(...) No· Liceu e na Escola Politécnica faz-se rodear dos melhores amigos. A fulgurância do seu talento, a cativante verbosidade, o brilho da sua palavra sempre fluente e de arroubos literários, a sublimidade dos seus conceitos tudo revelando um estudante de excepcional envergadura, tornam o nome de Arthur Cupertino de Miranda conhecido e estimado.

Cultiva as relações e passa a viver em permanente convívio com os artistas, escritores, jornalistas e tribunos. :É uma das revelações da academia, que diremos mesmo o último abencerragem.
Durante o período de estudos, onde é um dos mais aplicados estudantes de economia e finanças, não deixa de se dedicar, sempre que possível. à vida literária, que é uma das suas mais curiosas facetas e uma das suas mais estuantes paixões.

E sempre que vinha ao Louro no remanso das fertilíssimas propriedades e nas margens românticas do Este, Arthur Cupertino de Miranda, em plena e radiosa mocidade, continua a versejar, a sentir e amar as musas .

Jovem poeta com 18 anos apenas  - escreveu em 1911 este outro soneto que não nos furtamos à tentação de transcrever de Andorinhas.

Partiste! E ao partir ainda ficaste
Em saudade a ocupar todo o. meu ser!
Rosa que o vento desprendeu da haste,
Seu perfume ficou-me a entontecer.

Partiste! E  ao partir não reparaste
Que em meu peito ficavas a viver,
Por isso hás-de voltar –  é forte o engaste
Deste amor que jamais pode morrer!

Também as andorinhas, pelo azul
Do céu, voam em busca do arminho
De uma longa, infinda primavera...

Desiludidas, breve, asas do sul
Batendo, voltam a construir seu 'ninho

No dúlcido beiral que as espera.


ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS 

Arthur Cupertino de Miranda nasce a 15 de Setembro de 1892 na Quinta de Felgueiras, na freguesia de Santa Lucrécia do Louro, concelho de Vila Nova de Famalicão. Filho de um casal de abastados lavradores, Francisco Cupertino de Miranda e Joaquina Nunes de Oliveira, é o mais novo de quatro irmãos – José, Augusto, António e Arthur.
Com apenas 19 anos, casa com Elzira Celeste Maya de Sá Cupertino de Miranda e fixa residência no Porto.
Torna-se pela sua visão financeira e profícua actividade numa das maiores figuras da banca portuguesa. Em 1919, abre no Porto, com o seu irmão Augusto, a Casa Bancária Cupertino de Miranda & Irmão, Lda., transformada em 1942 no Banco Português d Atlântico.
Nos anos 60, adquire uma quinta no Algarve, com 1700 hectares, e concebe um grande projecto turístico, dotado de marina, hotéis, casino e campos de golfe, fundando deste modo a Lusotur.
Deu vitalidade a várias empresas, como a Companhia Vidreira Nacional (Covina), a Companhia Vidreira Brasileira (Covibra), a Companhia de Fomento Colonial e a Sociedade Algodoeira de Portugal.
Foi condecorado com a Comenda da Ordem Militar de Cristo (1934); Grã-Cruz da Ordem de Mérito Civil, de Espanha (1964); Medalha de Ouro da Municipalidade de Vila Nova de Famalicão (1964); Comenda da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul (1965); Medalha da Imperatriz Leopoldina, do Instituto Histórico-Geográfico de São Paulo, Brasil (1967); Grã-Cruz da Ordem de Benemerência, de Portugal (1969); Medalha de Ouro da Cidade do Porto (1969).
Institui uma Fundação com o seu nome, para fins de educação, cultura e assistência. Dela foi fundador, juntamente com sua mulher, D. Elzira Cupertino de Miranda, e Presidente vitalício do seu Conselho de Administração.
Após a morte de D. Elzira, em 1978, fixa residência em Lisboa.
Arthur Cupertino de Miranda faleceu, em Lisboa, a 13 de Julho de 1988. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

Portugal - Polónia - Obviamente que em frente - E com passaporte carimbado para as meias-finais




A seleção polonesa tem feito boa figura e conta com habilidosos craques, nomeadamente na defensiva. Não permitindo que o seu reduto seja violado – A Equipa Lusa, a bem dizer também tem sido junto à área da sua baliza, que mais heroicidade tem manifestado – Às hostes do ataque, tem faltado alguma inspiração e também alguma pontinha de sorte – Mesmo assim, não se podem queixar de todo – Os empates permitiram-lhe ascender aos oitavos e, quase sobre a maratona dos 120 minutos, um golo milagroso, provindo de um  chuto que sai dos pés de Ronaldo, desliza nas pontas dos dedos do arqueiro  croata e é enfiado no seu galinheiro, sem apelo nem agravo, deu-lhes o passaporte para os quartos de final

 Agora, Portugal, vai medir forças com a Polónia, que ganhou na roleta dos penaltis com Suíça por  (5-4) – E Deu-nos livre destes desfechos, que destroçam os corações do jogadores-perdedores e da imensa multidão de torcedores – Quer naquela que está nas bancadas do estádio quer na que vê pela TV 

Mas vamos acreditar que, mais uma vez , a boa estrelinha vai brilhar à gesta lusa. Vamos pegar na nossa pedrinha e torcer por eles   - Aliás, de um talismã destes não se pode queixar Fernando Santos, pois que lhe passei um para as suas mãos, no início do jogo de preparação da nossa seleção Portugal França; não o ganhámos, pois também não era a sério -   Tal como, de resto, havia feito   com Mourinho, no jogo inaugural do Estádio do Dragão, a quem ofereci uma pequena - 15-11- 2008 josé mourinho - templos do sol - tambores-mancheia - 

Claro que não são os talismãs que  determinam o desfecho de um jogo mas eu creio, que, como bons catalisadores energéticos, não deixam de ter o seu peso  - Que mais não seja no redobrar da fé e da confiança de quem os possui - Logo, pois, a podê-la convictamente transmitir aos seus jogadores

sábado, 25 de junho de 2016

Portugal - Croácia - Em frente - Um começo sem chama mas a candeia que mais ilumina é a que vai na frente - E essa luz ainda está na Lusa-gente

O jogo é ao fim desta tarde e, Portugal, tem agora a oportunidade de fazer a diferença e de passar em frente mais esta etapa - Vamos acreditar na habilidade de Ronaldo e nos demais magníficos porque o sol é de Verão e de sorriso à lusa-gente   - Neste site em 06/05/2009 -cristiano Ronaldo na senda de gloriosos títulos - templos do sol ...


Cristiano Ronaldo - A estrela luzente que os "Templos do Sol" apadrinharam aos 26 anos - Ultimamente nem sempre tem sido bem sucedido - No final de época, o desgaste é imenso em quem deu o máximo das suas energias e talento, ao serviço da sua equipa, todavia, ainda continua a ser o menino de oiro decisivo nos momentos cruciais, em quem os portugueses e milhões de admiradores (de expressão luso-especialmente) por esse mundo fora, podem confiar - Obviamente que não é uma andorinha que faz a Primavera mas há andorinhas que, sem elas, a Primavera não seria tão alegre e enriquecida 




Neves de Sousa – Um repórter que andarilhou por todos os continentes , foi o rosto das maratonas da Grande Noite de Fado da Casa da Imprensa e, a sua memória, deixou muitos amigos e imensas saudades.

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista

Recordando Neves de Sousa – Ele foi o rosto, que deu corpo e alma à organização da Grande Noite de Fado da Casa da Imprensa, ao longo de 16 anos   - O Repórter, que se dividia pelos  jornais e revistas, a rádio e a televisão, na crónica e na reportagem, desde o desporto, ao espetáculo, aos mais variadíssimos acontecimentos, em todas as frentes, tendo viajado  por 75 países: a sua palavra e o seu estilo, a sua voz,  era apaixonante, franca, calorosa, lúcida, independente e inconfundível

Sportinguista assumido mas os seus comentários eram apreciados por todos os amantes de futebol, pois  nele a franqueza e o sentido da análise critico, não se deixavam toldar por distorções clubísticas – Informava com emoção, rigor e verdade. Deixou muitos amigos e admiradores

Hoje, ao consultar o meu arquivo de algumas centenas de registos, deparo, na mesma cassete, com duas pequenas entrevistas, que fiz no Páteo Alfacinha, por ocasião dos 40 anos de carreira de Neves de Sousa e os 30 de Rui Castelar, na noite, em  que, a gerência daquela afamada  casa de fados, decidira homenagear estes dois grandes profissionais da comunicação social  - A do  meu grande amigo, Rui Castelar, com quem tive o prazer de colaborar nalguns dos seus programas noturnos na Rádio Comercial, ficará para um destes dias, pois ainda faz parte do nosso convívio, o que não é o caso de Neves de Sousa, que nos deixou  há precisamente 21 anos.

Falta-me muito para ser um bom repórter; eu sou um mediano cronista  e um sofrível repórter” -  disse-nos - Mesmo grande e expressivo em tudo o que fazia, nunca perdia o sentido de humildade e de nobreza.

A sua biografia é vasta e daria matéria para um apaixonante livro – julgo mesmo que o fez – mas eu vou aqui a reportar-me a algumas das declarações que me concedeu

Páteo Alfacinha - WEB
Começou aos 19 anos a sua carreira no jornalismo: o seu primeiro trabalho foi impresso, em Dezembro de 1949, na revista Flama, com uma entrevista ao jogador  Félix do Benfica, que não foi fácil de obter, dado tratar-se de um craque, que fazia gala em fechar-se na sua redoma.
Feita a prova na imprensa escrita, veio depois a da rádio na Rádio Renascença e no antigo Rádio Clube Português

De entre o múltiplos trabalhos que fez, recordou-nos o atentado contra o  Papa, João Paulo II, em Fátima,  que testemunhou a  escassos metros de si, as reportagens dos incêndios do Teatro de D. Maria e da Igreja de S. Domingos, a do  choque de combóios  no Porto, um desmoronamento de terras, em Gibraltar, que também fez várias vitimas – E o dia, em que, ao fazer a cobertura das cheias de Lisboa,  tal era devastação, que se estampava aos seus olhos, que estes também se inundavam de lágrimas, ao mesmo tempo que tomava as suas notas.

REGISTOS DA SUA MEMÓRIA 

Neves de Sousa (1931 - 1995)
Neves de Sousa faleceu em 1995, aos 64 anos, sendo conhecido pela energia e dignidade com que exercia a profissão.  Sportinguista lúcido e independente, foi uma referência deontológica no seu tempo. Considerado uma personalidade no jornalismo nacional, José Neves de Sousa exerceu a sua actividade essencialmente no extinto "Diário de Lisboa", tal como em vários jornais desportivos, entre eles o "Record", “A Bola” e a “Gazeta dos Desportos”. Colaborou ainda com a Renascença, Antena 1 e Comercial, além de apontamentos episódicos na RTP.



PARECE QUE FOI ONTEM – diz Alexandre Pais, num artigo publicado o ano passado, em 29 de Junho

Neves de Sousa partiu há 20 anos
É referência recorrente nesta página e volta a sê-lo agora, duas décadas decorridas sobre o dia 7 de Julho de 1995, em que José Neves de Sousa nos deixou, aos 64 anos
O Zé abriu-me, em Fevereiro de 1972, as portas do Diário de Lisboa, então carregado de nomes extraordinários da imprensa portuguesa. Dele colhi não só a oportunidade, mas também regras de ouro que ditaram o meu futuro: a pontualidade – ele era sempre o primeiro a chegar, às 7 da manhã! –, a entrega, a humildade para reconhecer os erros, a capacidade para descobrir o que quer o leitor e, em especial, a virtude que faz a diferença: trabalhar mais do que os outros, sem horas para sair ou namoradas à espera.

Como referiu Hernâni Carvalho, na SIC, a propósito de Teresa Pais, o Zé "não tropeçou numa caixa de sorte", impôs-se pelo talento e por cá ficou – embora ele saiba que às 7 da madrugada comigo não conta



Jornalista único
Bom em tudo, o Zé era insuperável na reportagem
Neves de Sousa jamais permitiu que a jactância dominante na classe o diminuísse pelo facto de a sua maior especialidade ser o futebol. Bom na escrita e na crónica, a editar e a dar notícias – oh, onde já vai no jornalismo essa mania! –, a entrevistar e a produzir opinião, foi na reportagem que o Zé atingiu um nível insuperável. NoDiário de Lisboa, a entrada clandestina na aldeia olímpica de Munique, em 1972, após o atentado terrorista, ou a capacidade, única, para descrever os funerais do toureiro Manuel dos Santos, em 1973, e do ciclista Joaquim Agostinho, em 1984, foram exemplos da sua dimensão como repórter, um repórter extraordinário Neves de Sousa partiu há 20 anos - Alexandre Pais - Sábado

terça-feira, 21 de junho de 2016

Solstício do Verão - Celebrado nos Templos do Sol e já com a lua-cheia erguida a ocidente – Ao som do Grupo Lua-Nova Gaiteiros de Mogadouro - Francisco Moita Flores, convidado de honra, falou do seu livro “O Dia dos Milagres”, que evoca o dia em que Portugal recuperou a soberania e a afirmação desta imensa Pátria, que é língua Portuguesa! - E talvez não haja sítio melhor para falar do Milagre da Língua que não seja este local onde estamos!... Porque aqui está a memória mais profunda daquilo que é a civilização na qual nós nos construímos como Povo! E nos afirmámos como país!”

Por Jorge Trabulo Marques -Jornalista - Coordenador do evento - E autor das descobertas 






Evocação de “ O Dia dos Milagres” Nos Templos do Sol – de Francisco Moita Flores – No dia Maior do Ano  - Imagens e sons inesquecíveis do dia mais longo do ano, que vale a pena recordar, ao som do Grupo Lua Nova-Gaiteiros de Mogadouro,  num dos lugares mais belos e místicos da Pré-História de Portugal, com a evocação das  mais antigas tradições, que caldearam as  raízes da lusitanidade  e, também  recordando a  história de há três séculos,  do  dia em que, Portugal, em 1 de Dezembro 1640, reconquistou a soberania, defendeu a sua língua e   preservou o  seu futuro, graças à valentia  de um punhado de corajosos heróis, momento épico, esse, que o escritor, Francisco Moita Flores, transpôs para uma espantosa obra literária,  a que deu o título de “O Dia dos Milagres.


Solstício do Verão 2016 - Celebrado nos Templos do Sol, com os sons mais genuínos do Portugal profundo e rural, pelo Grupo Lua Nova-Gaiteiros de Mogadouro - Em percursos e locais de memória e de cultos ancestrais - Em dia de lua-cheia, dupla coincidência astronómica, que só ocorre de 70 em 70 anos – Fenómeno festejado com momentos de poesia e de reflexões históricas de "O Dia dos Milagres” através da palavra atenta e sábia do escritor Francisco Moita Flores - Autor do livro que recorda o dia em que Portugal recuperou a soberania. Pois, se não tem havido a sublevação dos bravos de 1640, "a nossa língua era hoje uma língua regional, do tamanho do Catalão, do Galego ou do barço, – E,por esse facto, seguramente que “estávamos aqui a evocar o sol e o solstício, em castelhano"  - disse o escritor, que ainda haveria de ler um poema de António Botto e outro de sua autoria  

"E por isso, daí nasceu O Dia dos Milagres!  - E talvez não haja sítio melhor para falar do Milagre da Língua que não seja este local onde estamos!... Porque aqui está a memória mais profunda daquilo que é a civilização na qual nós nos construímos como Povo! E nos afirmámos como país!

CORTEJO CELTA - DO ADRO DA IGREJA AOS TEMPLOS DO SOL


Às cinco  e meia, tal como o previsto, chegavam, em dois carros,  os nossos amigos gaiteiros: vindos de cidades diferentes - de Castelo Branco e Coimbra, pelo que o ponto de reencontro foi mesmo no adro da igreja, que, pouco depois seria também o ponto de partida para uma arruada pela aldeia, com o intuito de lembrar ao povo que a tarde era a do primeiro dia  de Varão e que merecia ser festejada e onde os nossos mais longínquos antepassados o haviam feito, noutras eras.

De regresso ao adro, foram recebidos pela Presidente  da Junta de Freguesia, a  médica Maria Teresa Duarte Marques Baltazar, que, encontrando-se na cozinha, com um pequeno grupo de voluntárias, que confeccionavam alguns dos alimentos para a festa sanjoanina da noite, os convidou a  comerem e a tomarem alguma coisa, que, naturalmente, aceitaram, com muito gosto, sobretudo bebidas frescas,,  que vinham mesmo a preceito, depois do caloraço apanhado, aldeia acima e aldeia abaixo. Entretanto, também chega, o escritor Francisco Moita Flores, que igualmente se associa ao breve convívio. No adro, ainda havia pouca gente - além de alguns velhotes do Lar, por ali sentados. Mas, pouco depois, à seis e meia, hora prevista para o inicio do  cortejo evocativo, este lá se compôs com um simpático e caloroso grupo de "sacerdotes e sacerdotisas celtas", com as suas túnicas brancas  coroas de flores, a fazerem lembrar tempos idos  - Ou pelo menos  - com a alvura das suas vestes - a sentirem-se mais libertas do stress quotidiano do dia a dia 

PEDRA DA CABELEIRA DE Nª SRª - LOCAL DE CULTO E DE SACRIFÍCIOS  - E TAMBÉM POSTO DE OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICO

     O gigantesco templo megalítico, conhecido pelo povo da aldeia por “Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora”, tem aproximadamente  4,5 metros de altura, por 4, 5 de comprimento e 2,60 de largura. Ao centro e junto à sua base de apoio, é atravessado por uma câmara, que abre em arco, com 2,08 de largura, por 85 cm de altura, terminando com uma abertura um pouco mais baixa e larga. Fica situado próximo de um antigo castro, numa vasta área  de enormes afloramentos graníticos e de abundantes vestíguios pré-históricos, conhecido por “fragas dos Tambores”, nos arredores de Chãs.

     Observado de costas, a nascente, faz lembrar um enorme crânio humano. A fronte, pelo contrário, abrindo em forma de gigantesco leque a poente, e com a face completamente lisa e inclinada, parece ter sido talhada de alto a baixo por um só golpe.Atravessa-a uma galeria, de cerca de 4,5 m de extensão, semicircular, na cúpula da qual, num dos recantos, se encontra um nicho com uma pintura rupestre – Uma espécie de tosco emaranhado, negro, que tem dado origem a várias lendas, e talvez também ao nome pelo qual passou a ser baptizada e, porventura, a ser preservada.- Porém, para o Prof. Moisés Espírito Santo, a referida pintura rupestre, poderá estar associada ao feixe dos raios solares, que a atravessam.

A outra fraga, fica um pouco ao lado - e também não é  uma pedra vulgar. A sua orientação é ligeiramente diferente. Vista de  costas para poente, parece um enorme boné semi-pousado ou cabeça de réptil de olho aberto. Ma também fazendo lembrar um enorme ouvido, pelo que também é conhecida por Pedra da Audição, não apenas pela forma mas pela ressonância produzida no interior da sua caverna. Porém, o lado que está voltado  para Norte, uma boa parte do seu fundo, sai do lajedo que o sustenta, é oco, fica incrivelmente suspenso em  vazio, tomando a forma de uma gigantesca campânula. 

UM DOS  MAIORES ENIGMAS  OU, TALVEZ, MESMO,  UMA DAS MAIORES MARAVILHAS DO VALE DO COA

Templos solar e sacrificial - Registo de véspera  - Alinhado com os equinócios - Na mesma área

      Só quem esteja no local, e naqueles escassos momentos, em que os raios solares atravessam de extremo a extremo a sua câmara, poderá ter a plena consciência de estar perante a revelação de um fabuloso mistério, de um verdadeiro hino à Natureza! – à Terra, aos Céus, ao Cosmos! – a Deus!
     Pois bem, foi esta  a sensação que eu tive, quando, pela primeira  vez, em 20 de Setembro de 2002,  tive a oportunidade de assistir a tão deslumbrante fenómeno! E, creio, que  é justamente a  mesma emoção que sentirão  todas as pessoas que participam na celebração do Equinócio, ao contemplarem, com os seus próprios olhos, tão auspiciosa ascensão solar!  A pedra abre-se em Luz! Tudo se funde em múltiplos raios! Ante o olhar surpreendido e extasiado, tudo se eclipsa à volta e em torno de um único feixe de ouro, de prata e de brilho! - Em todo o caso, a pedra é já de sim um imponente monumento megálito  - Um majestoso altar, abrindo em forma de leque, a impressionar muito mais de que muitas igrejas ou catedrais.  

Adriano Vasco Rodrigues, um dos investigadores mais prestigiados da região, natural de Longróiva, freguesia limítrofe de Chãs, foi o primeiro investigador, desde a década de 50,  a debruçar-se sobre o estudo do santuário rupestre da Pedra da Cabeleira de Nª Srª, que classificou como local de culto ou de sacrifícios  “Stonehenge Português” – O mais importante Templo - templos do sol  

Na verdade, lugares  há que são um verdadeiro centro de emanações, de eflúvios, de espiritualidade, propensos ao deleite, ao esquecimento e à sublimação. Para bem da existência humana, o nosso planeta é contemplado com muitos desses privilegiados lugares, onde, dir-se-ia, até que as pedras falam, e através delas se pode escutar a voz de Deus! Nos dias de hoje, para muita gente, talvez já não seja fácil tal perceção, porém, no passado, quando os homens viviam em estreita ligação com a Natureza, de que dependia a sua própria sobrevivência, eles compreendiam o maravilhoso, e sabiam-no interpretar.

CERIMÓNIA  NO FRONTÍSPÍCIO DA PEDRA DA CABELEIRA - FRANCISCO MOITA FLORES, RENDIDO AO ENCANTO DESTE "NINHO DO PORTUGAL MAIS FUNDO"


Feita a leitura, por António Lourenço,  de algumas referências, do  livro O Dia dos Milagres, e também ao seu autor, foi a vez  de Francisco Moita Flores,  explicar a razão da escolha deste título - Fizemos a transcrição mas vale a pena ouvir na íntegra o vídeo, que aqui editamos. .  

Partilhe neste vídeo da alegria com que evocámos e celebrámos alguns dos significativos e maravilhosos momentos, não só alusivos ao nosso passado longínquo, como o de há de três séculos, quando ainda não éramos mais de 5 milhões de falantes da língua portuguesa e hoje somos a 5ª mais falada do Mundo. - Obviamente, graças à coragem, heroicidade. e sentido patriótico daquele punhado de sublevados

 (,..) A este ninho do Portugal mais fundo! Do Portugal mais belo! Que eu conheci de outros andares, quando investiguei a vida da D. Antónia Ferreira. E passei por estes campos: pela Meda, pro Foz Côa e pela Pesqueira, muito tempo.

E queria agradecer-vos ter vindo a este templo, à memória dos homens! Porque, aquilo  que mais importante nos identifica, não são os números, não são os prédios! Não são os automóveis, não são os sapatos de tens!... Aquilo que nos identifica, como gente, como pessoa e dá dimensão à nossa existência, é exatamente a nossa memória: a capacidade de não esquecer, ou, esquecendo, não deixar de recordar, de evocar e de rememorar aqueles que são os nossos antepassados e que deram identidade e conseguiram! E permitiram a nossa afirmação no mundo neste presente, que é ponte para o futuro.

O Dia dos Milagres, surge neste contexto: em 1640, nós não chegávamos a 5 milhões de falantes em Português, não éramos mais – mesmo contando alguns que falavam português, no Brasil - , não passaríamos de cinco milhões. Passados 300 anos, são 250 milhões de pessoas que falam em Português!  E só  falam 250 milhões de pessoas em português, foi porque houve o 1640! Porque, se não tem havido 1640 e a Restauração de Portugal, a nossa língua era do tamanho do Catalão, do tamanho do Galego  ou do barco, éramos uma língua regional, e, seguramente, estávamos aqui a evocar o sol e o solstício, em castelhano!
E foi afirmação de Portugal, sobre si própria, sobre a sua língua, que permite o crescimento espontâneo desta imensa Pátria, como lhe chamou Fernando Pessoa! Desta imensa Pátria, que é língua Portuguesa!

E foi graças a esse dia, a essa data, que se abriu as portas do Universo, as portas do Mundo, para que em todo o lugar, hoje, , em todos os fusos horários, em todos os lugares da Terra, hja alguém que  se cumprimente e fale em Português! Consiga dizer bom-dia! Boa-tarde! Até à manhã! Em português!  Pois fazemos parte dessa imensa família: que se aprendeu, que se reconheceu, que recorda, que  tem memória, falada em português!... Somos a 5ª língua mais falada do Mundo! Somos a 5ª língua mais falada do Hemisfério Sul! Passando à nossa frente, quatro países, um deles a Chima, mas a China. Multiplicam-se em coelhos!...

Deixámos de aprender a multiplicar-nos, estamos todos a envelhecer; se não fosse assim, éramos a 4ª língua maior do Mundo!...

E, portanto, o milagres é este: como é possível, que um Povo pequenino, este povo pobre – fomos sempre pobres, maltrapilhos, salteadores,  de Melgaço até Vila Real de Santo António,  consiga produzir o milagre, que outros países, com mais poder, com maior força, com maior sustentabilidade, não conseguiram produzir!

Devo-vos dizer que, a Srª Merkel e Alemanha, tem muito mais euro do que tem Portugal, mas no que respeita à língua, é muito mais pobre de que nós!
E, por isso, é este grande orgulho,  é esta grande alegria de fazer parte desta imensa pátria, porque eu decidi escrever sobre essa data histórica! Fundamental! O maior ativo que Portugal deu ao Mundo! A  maior dádiva, que Portugal deu ao Mundo, foi a sua língua! Não há outra data igual a esta! E foi lamentável que houvesse homens e mulheres, que a desprezaram! E que a desprezaram em nome de línguas de contabilidade! Outros em nome das suas próprias ideologias e convicções, mais tontas, que este dia não interessava à História de Portugal: é o dia mais importante, depois da fundação de Portugal! É dia em que nós abrimos as portas do Mundo a nossa língua! Ao falar em português ou amar em Português e ao chorar em Português!

Vocês não se esqueçam, que nós nos conhecemos através dos corpos e do falar: é pela fala eu nós aprendemos o sentido da maternidade: é a nossa mãe, a primeira que ouvimos. Com ela aprendemos as primeiras palavras, os primeiros gestos, os primeiros  sons, as primeiras  palavras que dizemos, quando somos bebés,    são ditas em português! Não é a escola que nos ensina a falar Português, é o ventre materno! É o ventre desta terra maior, que nos ensina  a falar em Português e a falar o português, como uma dádiva divina, que entregamos ao mundo!

E por isso, daí nasceu O Dia dos Milagres!  - E talvez não haja sítio melhor para falar do Milagre da Língua que não seja este local onde estamos!... Porque aqui está a memória mais profunda daquilo que é a civilização na qual nós nos construímos como Povo! E nos afirmámos como país!
E, por isso mesmo, é com uma emoção grande, que partilho convosco este momento  e fico profundamente  grato ao Trabulo e a vocês todos por me terem trazido a este lugar!
Bem-hajam por isso! Pelo amor que têm à vossa terra e a este lugar



Francisco Moita Flores, na Pedra dos Poetas,– diz um belo poema de sua autoria - 





Francisco Moita Flores - Diz  um poema de António Botto, intitulado "Homens que vens de Humanas Desventuras"  

COINCIDÊNCIA ASTRONÓMICA - CONTEMPLADA  COM  DEVOÇÃO E SIMPATIA 

Curiosa coincidência - No  dia mais longo do ano, o brilhante astro sideral   na sua plenitude máxima – Um privilégio de encanto e alegria para aqueles que se associaram à nossa celebração, a quem dirigimos um vez mais um grande e afetuoso abraço – Gente simpática, evoluída e amiga da Sacra Mãe-Natureza  e dos Templos que a divinizam e celebram - Tantas e tão intensas as emoções, que nos faltam as palavras para as descrever – Vieram dos concelhos limítrofes e de  vários pontos do país – De lisboa, veio expressamente o nosso Convidado de Honra, Francisco Moita Flores - 

Da região do Porto, vários peregrinos, alguns com laços a estas terras, nomeadamente a Almendra, gente amiga e amável,  que nos costuma brindar com a sua colaboração e a sua amável presença –  Meda e Foz Côa, Muxagata e Santa Comba, sempre muito bem representadas, especialmente pelos nossos amigos de Foz-Côa Friends  - Eles sabem em quem pensámos: -  Pedro Daniel, José Lebreiro, Adriano Ferreira e esposa,  Paulo Laurento e família, Mendes, o "ermita" dos Gamoais, pelo que, escusado seria, apontar aqui os seus nomes, senão apenas o renovar do nosso sincero agradecimento, o nosso Bem-Haja. - Naturalmente, que também extensivo ao Município, na pessoa do Sr. Eng. Gustavo Duarte, que nos deu o seu apoio para custear a vinda do simpático  grupo de gaiteiros de Mogadouro E também o nosso reconhecimento pela saborosa e variada ementa regional  da noite sanjoanina, oferecida pela junta de freguesia. – E, com certeza, às pessoas da nossa aldeia, que não quiseram deixar de se associar a uma festa, que também é sua -  Foram vários os rostos amigos, que se incorporaram no cortejo e a partilharem dos momentos de tão esplendorosa   beleza e alegria.  Outro  obrigado muito especial ao pastor José Júlio, por nos ter emprestado um borreguinho, que, mais de que representar os antigos sacrifícios, foi o mascote e o animador de pequenos e crescidotes



 Noite Sanjoanina no Solstício do Verão -  Febras, sardinha assada, bebidas  e muita alegria



Depois das celebrações do Solstício do Verão 2016, nos  Templos do Sol, a  Junta de Freguesia, ofereceu aos visitantes e residentes, no adro da igreja, frente ao edifício da autarquia, um excelente manjar de comes e bebes  - Desde a sardinha assada, febras grelhadas, caldo verde, arroz doce, cerveja, vinhos e refrigerantes – Uma gracinha que propiciou um caloroso e entusiástico convívio. 




Momentos de poesia de João de Deus e Manuel Daniel, ao som dos gaiteiros de Mogadouro, lidos por José Lebreiro e António Lourenço

IMPRENSA NACIONAL - MAIS VOLTADA  PARA A TRADICIONAL ROMARIA DE LONDRINA - STONEHENGE  - 

Ontem, dia 20, primeiro dia do Verão,  o antigo cromeleque  de Stonehenge,  localizado na planície de Salisbury, no condado de Wiltshire, próximo a Londres, na Inglaterra, era noticia em todo o mundo – Repetem o que dizem nos anos anteriores  -  Referem as noticias por cá que “Milhares de pessoas juntam-se todos os anos em Stonehenge, o famoso monumento pré-histórico britânico, ver o pôr-do-sol neste que é o dia mais longo do ano” Raro solstício de verão e lua cheia em junho é o primeiro desde 1948 Aliás, acampam para assistir ao  nascer do sol – Pois é esta a orientação deste alinhamento – Também o temos, mas é nos equinócios

A imprensa portuguesa, agência Lusa, os jornais, as rádios  e até as nossas televisões, seguiram o mesmo figurino, a mesma moda: preferindo, todos os anos,  falar do que já é falado e ignorar o nosso património – Por sinal,  até  sabem  que, em Portugal, nos arredores da aldeia de Chãs, do concelho da V. Nova de Foz Côa, além das famosas gravuras paleolíticas, também se assinalam as já tradicionais celebrações, junto dos recintos das  estruturas megalíticas alinhadas com a estações do ano – Conquanto, não tenham a mesma fama e monumentalidade,  o cenário envolvente, seguramente que é mais vasto, mais belo e impressionante, de que a monótona planície, onde aquele circulo de pedras se encontra erguido.

Já foram noticia, nos principais órgãos de C.S nacionais e  também por agências estrangeiras. Na Internet, não faltam alusões  - Mas, por cá, ainda bem que não estão na moda – E oxalá que nunca possam correr esse risco: as romarias populares, não cremos que se enquadrem no espírito destes  singulares festejos  - E, se  alguma dúvida houvesse, em qualquer das  pessoas que  regressavam ao adro, donde haviam partido, em direção aos Templos do Sol, integradas no  cortejo evocativo, ao som alegre e animador  dos gaiteiros de Mogadouro, sim,, ao chegarem ali, depressa as desfaziam    – Pois, tal como no ano passado, éramos uma pequena minoria, comparada com o número de  pessoas que a se acercavam das mesas, nos comes e bebes, que a Junta de Freguesia, havia ali  proporcionado a residentes e visitantes, integrados no espírito das chamadas festas dos santos populares.

Certo que, aquilo que é belo, deve ser partilhado mas por quem o mereça, o compreenda, não o conspurque ou vandalize  -  Á  cautela, é por isso mesmo,  que, as autoridades, em Inglaterra,  que têm a seu cuidado a preservação e a salvaguarda  monumento de Stonehenge, condicionam as visitas, abrindo uma exceção para a celebração do solstício do Verão.

Tais megálitos, fazem parte de uma herança pré-histórica, que ainda persiste nalguns sítios arqueológicos – É justamente o exemplo dos vários monumentos megalíticos, que ainda se conservam nalguns pontos do maciço dos Tambores – Não se sabe, donde vem o eco deste nome, mas por ventura que não deverá estar muito longe da configuração que fazem lembrar alguns daqueles rochedos e  dos antigos povos que o escolheram para seus abrigos, cultos e sepulturas – De que existem vários vestígios, que remontam ao neolítico, calcolíticos, idade do ferro e do bronzes

Vários investigadores, desde Adriano Vasco Rodrigues,  Sá Coixão, Gonçalves Guimarães, António Faustino de Carvalho Carvalho,  do Parque  Arqueológicos, e a que já nos referimos noutras postagens, têm-se debruçado no estudo de alguns sítios deste planalto e quebradas, encontrado materiais e feito os seus estudos e descobertas -  O que se desconhecia é que ali pudesse haver calendários pré-históricos  - E são vários; além dos cinco por mim descobertos, também o investigador, Albano Chaves, fez a descoberta de um interessante alinhamento,  a que deu o nome de portas do Sol (1) solstício do inverno nos templos do sol – albano chaves 

MOMENTO MAIS AGUARDADO  - FEZ SALTAR PALMAS  DE DESLUMBRAMENTO 



A medida que o sol ia descendo sobre o ocaso, maior crescia a  expectativa no espírito  dos participantes   - O sol mal pousara sobre o perfil do relevo na margem a ocidente, depressa se ia esconder para lá das colinas - Porém, são instantes que, pela surpreende beleza e deslumbramento, dir-se-ia provocarem a emoção de algo transcendente e surreal, que nos  entra pelo coração como um tónico harmonioso e ao mesmo tempo balsâmico e revigorador - Instantes, esses, que , embora muito efémeros, se fixam na retina como algo que não se esconde mas perpetuará na memória



 Registo de véspera  - Ao nascer do Sol, em  Stnohenge - Ao pôr do Sol - Nos Tambores

VISTA DO QUADRANTE NORTE OU DO QUADRANTE SUL TOMA A FORMA DE UM ESTRANHO CRÂNIO - TAL COMO A PEDRA DA CABELEIRA VISTA DE TRÁS


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FRANCISCO MOITA FLORES - O CONVIDADO DE HONRA   - Na mesma pedra onde, um mês antes de partir para eternidade. o poeta, jornalista e escritor, Fernando Assis Pacheco,  se postava perante os céus e a largueza daqueles vastos espaços, talvez  numa já instintiva premonição como quem se despede de um dos lugares belos e sagrados e espera que outro maravilhoso e eterno o acolhesse    - Passou a ser chamada a Pedra dos Poetas - 

DISTINGUIR HOMENS DE VALOR NOS TEMPLOS DO SOL



Fernando Assis Pacheco 
Em todas as nossas celebrações, quer nos equinócios do Outono ou da Primavera e  no  Solstício, temos procurado saudar os ciclos da natureza e ao mesmo tempo celebrar os poetas ou homenagear outras figuras que achemos que se enquadrem no espírito destes eventos. Desta vez, além da justíssima homenagem, proposta pela Comissão Organizadora,  a  Joaquim Manuel Trabulo, pessoa muito estimada nesta aldeia, autor de duas importantes monografias, que publicou por sua conta e risco,  vamos também poder contar com a  presença do escritor Francisco Moita Flores - E quem, em Portugal, não conhece a voz e o rosto de um maiores especialistas da criminologia, sempre afável e disponível para contribuir para o esclarecimento e formação da opinião pública, através dos jornais, da rádio ou da televisão - E, naturalmente, do contributo da  vasta obra literária, de que é autor, em múltiplos aspectos e vertentes históricas, cientificas, ficcionistas  e culturais.

FRANCISCO MOITA FLORES – CONHECIDO POR SER UM TRABALHADOR INCANSÁVEL, MINUCIOSO E RIGOROSO - Esta uma das referências que lhe são  feitas por biógrafo

“Francisco Moita Flores é reconhecido do público pela sua obra literária e pelo seu trabalho como dramaturgo para televisão, cinema e teatro. Tem uma vasta obra publicada e produzida; os romances: Mataram o Sidónio!, A Fúria das Vinhas, o Bairro da Estrela Polar, entre muitos, e séries : A Ferreirinha, o Processo dos Távora, Alves dos Reis, João Semana, Quando os Lobos Uivam. Considerado pela crítica como o melhor argumentista do país, foi distinguido em Portugal e no estrangeiro pela qualidade da sua obra, foi condecorado pelo Presidente da República com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante pela carreira literária e pública. Colaborador em vários órgãos como comentador tem marcado a sua intervenção pelo rigor e clareza com que aborda os temas da sua especialidade. Francisco Moita Flores - Woo

Francisco Moita Flores nasceu no ano de 1953. É casado com a actriz e produtora Filomena Gonçalves. Tem três filhos e é avô de três netos. Nasceu em Moura onde estudou até aos 15 anos. Depois continuou nos seus estudos em Beja e depois em Lisboa
Fez o bacharelato em Biologia e até 1977 foi professor do ensino secundário.
Nesta ano ingressou na Polícia Judiciária e foi o primeiro classificado no curso de investigação criminal
Até 1990 pertenceu a brigadas de furto qualificado, assalto à mão armada e homicídios.

Varias vezes louvado deixou aquela instituição para se dedicar á vida académica – Excerto de - Portal da Literatura

JOAQUIM TRABULO - Natural desta aldeia, autor da monografia, CHÃS DE FOZ-CÔA  - A sua  história e a sua gente  - e ainda de outra interessantíssima obra: POR VEREDAS DO VALE DO CÔA, acerca dos percursos mais antigos e sugestivos desta freguesia


Joaquim Manuel Trabulo nasceu a 2 de Maio de 1938, embora o respetivo registo aponte a data de 2 de Julho do mesmo ano, na freguesia de Chãs, concelho de Vila Nova de Foz Côa, tendo ali vivido durante a infância e parte da juventude.
Fez o curso Geral dos Liceus, em Lisboa, e exerceu a atividade bancária em Lisboa e Porto, encontrando-se, presentemente, na situação de aposentado.
Faz parte do Grupo Coral de Professores e Educadores de Vila Nova de Gaia, desde 1996.


Em 1992 publicou a monografia "CHÃS DE FOZ CÔA - A sua história, a sua gente" e tem colaborado na imprensa local. 

O  DIA DOS MILAGRES  - 


Lê-se na badana do próprio livro, que " O Dia dos Milagres é uma viagem apaixonante aos últimos dias do regime filipino que haveria de baquear no golpe de Estado que daria início à dinastia de Bragança. 
O autor centra a acção em Vila Viçosa, onde viviam os duques de Bragança, e conduz-nos pelos dias terríveis de ansiedade, vividos entre crenças e superstições, marcados por revoltas e sofrimento, num Portugal pobre e cansado, traumatizado pela tragédia de Alcácer Quibir, de onde espera que chegue o rei D. Sebastião.
Moita Flores cruza os vários ambientes da época. Desde o fatalismo supersticioso, à preparação cautelosa da conspiração que iria mudar o curso da História de Portugal. João de Bragança e Luísa de Gusmão são os protagonistas, a que associa figuras populares como o Laparduço, mercador de ervas milagrosas, e Efigénia Pé de Galinha, bruxa afamada.




O Dia 1 de Dezembro de 1640 foi um momento único da História de Portugal. Uma data que foi desprezada, até deixou de ser feriado, decisão que enxovalha a memória portuguesa. Um punhado de fidalgos, apoiado pelo Povo de Lisboa, enfrentou o mais poderoso Império do mundo. E devolveu a dignidade a Portugal. São os preparativos dessa saga extraordinária que percorrem as páginas deste romance apaixonante, terno, para que a memória colectiva não esqueça, aquilo que os novos servos do nosso tempo esqueceram, julgando Portugal do tamanho de um mero livro de contabilidade.

FRANCISCO MOITA FLORES







"Regressa com uma história empolgante corrida nos dias que antecederam o golpe que haveria de restaurar a independência de Portugal no dia 1 de Dezembro de 1640.
Depois de Segredos de Amor e Sangue, o novo romance O Dia dos Milagres é mais uma pedra no caminho de sucessos literários que marcam o  percurso deste conhecido escritor que assinou obras como A Fúria das Vinhas, A Opereta dos  Vadios, O Bairro da Estrela Polar, Mata Sidónio!, entre muitas outras.
Autor de grandes séries para televisão, A Ferreirinha, O Bairro, Ballet Rose, A R, Medos e Alves dos Reis, reconhecido pela crítica, premiado em Portugal e fora do país, a sua obra foi agraciada pela República ao ser condecorado  como Grande Oficial da Ordem do infante Actualmente é o presidente da Sociedade da Língua Portuguesa

EXTRAÍDO DO ENREDO LIVRO - "Corria o Verão de 1578. As cigarras cantavam, em coro, pelos olivais e chegavam patos e rolas de arribação aos campos do Alentejo. Por essa altura, ainda respondia por Efigénia do Abegão. Apelido de homenagem ao pai, artesão com mãos de ouro, conhecido nas redondezas pela sua arte na feitura de rodas para carroças de trabalho com a mesma perfeição daquelas que burilava para os coches da Casa de Bragança. Conseguira, devido a este talento raro, ganhar as graças do senhor duque, pai de D. Teodósio 1, e, aos dez anos, a sua única filha entrava para a criadagem da cozinha do Paço de Vila Viçosa.
(…) Nesse dia, fosse ele qual fosse, dizia-lhe o coração, o grande berço onde nascem os sonhos estava marcado na palma da mão como destino. Por tal crença prometera a Nossa Senhora da Conceição e ao seu Santo Filho dez terços de enfiada. E escutava, noite após noite, o vento e os rouxinóis, à espera do seu cavaleiro encantado, que se descobriria perante os seus olhos, vindo dos nevoeiros que se acomodavam nos vales da serra.