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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Sporting 2 X 1 F. C. do Porto – Jesus, o Mestre Verde e Branco, antes do jogo acabar, com vitória arrancada das nuvens, ainda teve que ir prás bancadas a pregar o sermão, enquanto que, o Espírito Santo, nas vestes de Azul e Branco, certo que não ganhou mas sem mudar de lugar ainda assustou e brilhou


Jorge Trabulo Marques - Foto-Jornalismo

Sporting vence F.C. do Porto 2-1 mas com uma vitória pouco folgada e convincente – Até Jesus se endiabrou e teve de ser expulso para fazer sermão nas bancadas, na companhia de um dos seus discípulos. – Os leões ganharam mas não brilharam. E quem os assustou, logo quase ao início da jogada, foi um tal Filipe de pontaria bem afiada. Vão com dois de avanço sobre o Benfica mas ainda há pela frente muita jornada

Fiquei com a impressão, que este Sporting, não é a mesma equipa da época transata – Ainda é muito cedo para tirar conclusões mas, pelo que vi neste domingo em Alvalade,  quis parecer-me que nem de perto nem longe denota  ser a mesma fornada dos exímios  leões que só por um pontinho e por muito azar não se sagraram campeões da temporada passada.




O Porto abriu as hostilidades, aos oito minutos e, para surpresa geral das claques, tudo indicava que iam ser os dragões a  levarem os três pontos de uma assentada  – Sim, se pelo menos o jogo se mantivesse com a mesma toada, mas não tardou que ambas as equipas se envolvessem  em jogadas mais  talhadas ao empate do que para  lograrem vitória alcançada. – E, talvez, até teria sido este o desfecho final,  se o arbitro, em  vez de primar por tirar, tantas vezes, a cartolina amarela da algibeira, acertasse mais na apitadeira.

Pois, tal como é reconhecido por quem viu o jogo, com os olhos de ver, Felipe  não faz falta sobre Slimani mas esta  é assinalada. A bola chutada por Bruno César,  vai ao poste, e,  na recarga, por defesa incompleta de Casillas, a  bola é despachada por um Slimani, sempre muito oportuno e certeiro – Sem dúvida, o grande herói do jogo.

REENCONTRO DE VETERANOS NA FOTOGRAFIA

Momentos antes do inicio do jogo, pude reencontrar-me e dar um abraço a um velho amigo, que é o  repórter fotográfico do F.C, do Porto e o mais antigo do veteranos: eu sou um pouco mais novo, mesmo assim, deveremos ser os únicos, que andam nestas lides, acima do setenta.


A minha vida foi mais da imprensa e da rádio de que da fotografia. Começou em S. Tomé, em 1970, como correspondente da revista angolana, Semana Ilustrada, e, algum tempo depois, como operador de rádio. Porém, acabaria por ser  em Portugal, como repórter da Rádio Comercial, que eu daria maior expressão à minha atividade jornalística: a ligada ao fotojornalismo, seria mais tarde e unicamente movido pelo exclusivo prazer da fotografia – O equipamento é modesto mas assim terá de ser, a reforma não dá para outras veleidades. Vão-se fazendo uns bonecos, na medida do possível, nomeadamente nas equipas da grande Lisboa, pois é por aqui que eu tenho a minha residência – E dar um saltinho a um estádio de futebol, muito perto de casa, acaba por ser mais fácil de que se tivesse que me deslocar a outras bandas,  tenho pena mas não posso. 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Caixa Geral de Depósitos obriga Governo a rever contas – Não no enganámos quando há três anos, dizíamos que não tarda que a CGD se transforme num enorme buracão - Quem é que responsabiliza Faria de Oliveira por ser um perigoso mentiroso compulsivo?

(Atualizaçao) CGD: Marcelo recusa pronunciar-se sobre polémica que envolve Centeno

A Caixa Geral de Depósitos, com um enorme buracão de milhões, ainda não foi à falência porque tem a almofada do Estado – paga pelos contribuintes   - Isto porque o  banco do Estado, tem sido  gerido por gestores escolhidos por critérios de ordem politica e não pela sua competência e honestidade  - Pelas  mesmas sinistras caras ligadas aos Partidos do Poder. -Caixa. Injeção pública pode chegar aos quatro mil milhões de euros ... 


As últimas noticias referem que  "A nova administração da Caixa Geral de Depósitos vai entrar em funções no dia 31 deste mês e vai começar a trabalhar para pôr em prática o plano de negócios do banco público. Certo é que, tendo em conta que é preciso fazer um investimento público para a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, se ela acontecer ainda este ano, vai ser preciso um Orçamento Rectificativo.

A confirmação foi dada pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, numa conferência de imprensa onde detalhou o plano de recapitalização da CGD. “É verdade que a concretizar-se o aumento de capital, vai ser necessário um Orçamento Rectificativo”, disse o ministro. Mais tarde confirmou que ainda não é certo que o seja ainda em 2016, mas que o Governo tem a expectativa que assim o seja. “Se fosse este ano, necessita de um Orçamento. A expectativa não é que passe para o ano que vem. O trabalho será feito de imediato e nós temos alguma expectativa que seja feito ainda este ano”, disse - Excerto de Recapitalização da CGD vai obrigar a Orçamento Rectificativo - Público

DESVIO DE 3 MILHÕES – PARA ONDE FORAM PARAR?

O Presidente da República tem uma leitura mais seca do “desvio enormíssimo” referido pelo responsável das Finanças. Em declarações aos jornalistas, no Alto Douro, Marcelo Rebelo de Sousa disse que “já toda a gente tinha noção de que, quando se falava da reestruturação e da capitalização da CGD, é porque havia falta de capitalCenteno. Há um desvio de 3 mil milhões na CGD que vem do tempo

NÃO NOS ENGANÁMOS NAS NOSSAS PREVISÕES NÃO TARDA QUE O BANCO DO ESTADO ESTEJA TRANSFORMADO NUM GIGANTESCO BURACÃO


2013/05 - Tal como dissemos neste site, saída da Madeira para Offshores, tinha de acabar mal - Mas não apenas por esse fato – Trata-se, com efeito, do primeiro sinal de fuga de um banqueiro às suas responsabilidades, de uma gestão desastrosa que agora se complicou, ainda mais, com a fuga dos capitais com destino a  paraísos fiscais, dado a propagação do vírus de chipre, ser incontornávelhttp://www.vida-e-tempos.com/2013/05/faria-de-oliveira-deixa-presidencia-da.html…..http://www.vida-e-tempos.com/2011/12/caixa-geral-de-depositos-fuga-e-vida.html


CGD sai da Zona Franca da Madeira e vai para o offshore das ilhas Caimão


Dizíamos nós, neste site, em 22 DE DEZEMBRO 2011

Lá que um banco privado, se entregue à fuga ao fisco e às maravilhas fraudulentas do capital, ainda vá que não vá - Agora um banco do Estado!! - Mas, afinal, quem é que lucra com os depósitos das reformas dos portugueses, que, de um modo geral, ali são obrigados a depositar?!... Obviamente, meia dúzia de oportunistas (para não lhe chamar gatunos) que auferem bonomias de milhões. - Fala-se que a querem privatizar - Claro, qual não é o interessado que não espreita por tão tentadora oportunidade. É, por isso mesmo, que os administradores, gozam do privilégio de poderem estar com um pé no público e outro no privado sto ultrapassa a vidência e a própria imaginação - É demasiado surreal para ser verdadeiro - Mas é real, descarada e subversivamente real para passar despercebido. Que a Caixa Geral de Depósitos, há muito está totalmente nas mãos da bicharada, isso não constitui qualquer novidade - Pelo menos para quem não se entorpeça com drogas ou álcoois, mantenha a mente livre e solta ou não perca o seu tempo a olhar para o balão - Até Sócrates foi compelido a meter lá um maçon da confiança de Cavaco Silva, senão, em vez de uma Face Oculta, apanhava com meia dúzia - O banco do Estado é um autêntico ninho de víboras. Onde se movimentam umas trutas e uns tubarões, em negociatas, sem o menor pudor e vergonha - Ainda não lhe aconteceu o mesmo que o BPN porque engorda à custa das poupanças que são lá depositadas, com proventos milionários para os administradores e quase a custo zero.

ESTE HOMEM DEVIA SER PRESO POR SER UM PERIGOSO MENTIROSO COMPULSIVO


Em Dezembro de 2012 - Faria de Oliveira garante "boa saúde" da CGD - Ouvido na comissão de Economia e Obras Públicas, em Dezembro, a pedido da oposição para esclarecer política de concessão de crédito, o presidente não executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Faria de Oliveira, declarou que depois de alguns problemas em 2011, o banco está agora de boa saúde e em condições de ajudar a economia.


O QUE ESPERAVAM? Ministro das Finanças revela que há "um desvio enormíssimo" no plano de negócios da Caixa Geral de Depósitos, que é da ordem dos três mil milhões de euros. É preciso reforçar o capital, garante. Centeno revela desvio de 3 mil milhões na Caixa

Portugal recebeu 9 milhões por dia durante 25 anos

Engordaram a CGD com gestores da confiança politica, auferindo ordenados pornográficos, com um pé no público e outro no privado  - Chefe da quadrilha Faria de Oliveira, depois de dizer que a Caixa ia de boa saúde,  Faria de Oliveira garante "boa saúde" da CGD  afinal está cheia de rombos  - Quando é que este oportunistas são responsabilizados e postos atrás das grades?.. Mentirosos Em 10 de Fevereiro o prejuízo era de -CGD com prejuízos de quase 500 milhões de euros - Visao.pt Como passou depois para Caixa Geral de Depósitos apresenta prejuízos de 394,7 milhões




Eles que já têm idade para estarem reformados, com as suas milionárias pensões, aí estão de novo  de dentuça afiada, os mesmos lobos à solta vestidos de cordeiros: - os testas de ferro do ultra-liberalismo, despudorado e selvagem, com um pé no Público e outro no Privado - Mas quem perde é o contribuinte.

Rui Vilar – Um dos  coveiros engravatados  que  traiu a memória do fundador da Gulbenkian, de novo na ribalta dos Chulos VIPs do Estado - É   um dos notáveis nomeados para  controlarem e dominarem a Caixa Geral de Depósitos – afundada  por  milhões de prejuízo  por gestores políticos  - ambiciosos e incompetentes – Ele vai fazer parte do grupo dos mesmos “magníficos de sempre”,  parasitas e galifões, que agora surgem com a pomposa designação de "sábios"  - só se for dos expedientes e dos tachos que têm protagonizado: uns atrás dos outros; tacho a tacho!

AS ÚLTIMAS 
Referem as notícias que  "uma espécie de conselho de sábios composto por pessoas das mais diferentes áreas da sociedade civil que vão ajudar a pensar o banco público. E que tem à frente, no lugar de vice-presidentes, Leonor Beleza e Rui Vilar. Leonor Beleza e Rui Vilar vão ser vices da Caixa Geral de Depósitos ...António Costa confirma que Bruxelas vai avaliar Caixa Geral de Depósitos




O Banco do Estado é indispensável mas não tem necessariamente de ser gerido por políticos – Admitidos, não pelo que valem  mas pela sua subserviência partidária. . Caixa Geral de Depósitos com prejuízos de 172 milhões de euros 

 OS MELHORES NEGÓCIOS SÃO DESVIADOS PARA O PRIVADO – DIFICILMENTE A CGD DEIXA DE DAR AVULTADOS PREJUÍZOS

  ROMBOS ATRÁS DE ROMBOS
Nomeações para a CGD continuam a dar que falar -... Nomeações para a EDP ou CGD 'minam confiança dos cidadãos ......Passos não vê incompatibilidade na ida de Faria de Oliveira paracargo de "chairman" da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB).


"O PSD congratulou-se com a escolha de Faria de Oliveira para presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), reclamando ter travado a escolha para o cargo de "uma pessoa" ligada ao Partido Socialista CGDPSD de ter travado nomeação de socialista e aplaude ...Sociais democratas aplaudem nomeação de Faria de Oliveira ...Governo prepara privatização da Caixa - Correio da Manhã 


Para tapar o saque  - Veja isto: CGD concedeu crédito a fundação que não existe  - Na mira da justiça está o Sindicato dos Quadros dos Técnicos Bancários e, mais propriamente, o seu presidente, Afonso Diz que, segundo a RTP, é suspeito de ter desviado cerca de 38 milhões de euros dos cofres do sindicato. CGD concedeu crédito a fundação que não existe | 

Muitos dos gestores, estão lá com um pé no publico e outro no privado mas para defenderem os interesses privados e não do Estado  - No que pensam é privatizá-la aos amigos por uma bagatela, tal como fizeram aos hospitais e clinicas, que lhe pertenciam – De recordar que, em Agosto de 2015, antes das eleições, já se lançavam alertas, referindo que  “O sindicato de funcionários da CGD defende que o Governo parece estar à “procura de um contexto para pôr a Caixa na agenda das privatizações”, . Trabalhadores da Caixa criticam Passos Coelho



17/10/2013 JN -  “Novos pobres comem com os sem-abrigo” –  Não é realidade que não salte à vista dos olhos – A pobreza está estampada por todo o lado – Não apenas na rua, com os sem abrigo a dormirem ao relento,  como nas lojas, no minipreço e noutras superfícies. Vêm-se pessoas a comprar, simples carcaças,  pouco mais de um iogurte e a contar os centavos com minuciosa atenção.



Refere o JN  que a “população dos sem-abrigo passou a integrar ex-operários da construção e um ou outro idoso, dizem os técnicos no terreno. Nas filas para as ceias sociais, assiste-se hoje a uma invasão de famílias famintas.

"Há um fenómeno a crescer em Portugal, protagonizado por famílias que subsistem graças às refeições distribuídas diariamente por associações solidárias, um sistema criado originariamente para socorrer sem-abrigo. Novos pobres comem com os sem-abrigo - Jornal de Notícias


EDP: Chineses ofereceram menos pelos 4,14% do que o Estado fez no mercado - Quem se aproveitou dessa comissão ? - Dessas facilidades concedidas à máfia chinesa?! - Quem julga esta canalha que se vendeu aos interesses dos ditadores corruptos?!
"O valor oferecido pela Three Gorges para ficar com os 4,14% que o Estado ainda detinha na EDP “foi muito inferior” aos valor conseguido a semana passada na venda feita no mercado, disse ao DN/Dinheiro Vivo, o presidente da Parpública, Joaquim Jorge, à margem do evento de admissão destas ações na bolsa. Chineses deram muito menos pela EDP do que o Estado consegu

O QUE DISSEMOS HÁ TRÊS ANOS  (noutro site) - VALE A PENA SER LEMBRADO





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Em 2012 CGD deu prejuizo de milhões -  E o ano 2013, também não começou bem  - Diziam eles que "A Caixa Geral de Depósitos (CGD) irá voltar a dar prejuízos em 2013. A afirmação foi feita pelo presidente da instituição, José de Matos, na apresentação dos prémios da revista da Exame "As 1000 maiores PME" "Continuamos com uma rendibilidade negativa e continuamos a ser afetados pela situação económica. Por isso, tivemos e vamos continuar a ter em 2013 resultados líquidos negativos", adiantou o presidente da Caixa.CGD vai continuar a ter resultados negativos em 2013

Caixa Geral de Depósitos - à grande e à francesa - Desde há vários anos

Mais de que previsível: CGD vai continuar a ter resultados negativos em 2013 - Nos «offshore» e com ordenados milionários e mais administradores  com negócios privados - Aberto o caminho à privatização, depois de venderem hospitais e clinicas por uma mão cheia de nada - Dissemo-lo noutro site em 2011


 Hospitais da Caixa Geral de Depósitos despachados  através do Brasil

 Venderam os hospitais da CGD, através de intermediários brasileiros, que, dois dias depois, acabaram por ir parar a um grupo americano – campeão de fraudes -, instalado em Angola, o qual, desde há alguns meses, vem recrutando mão-de-obra escrava através de vídeos e anúncios em inglês, na Internet 

O  Novo Hospital de Cascais  inaugurado em 2010 – Para abranger uma população de cerca de 300 mil pessoas dos concelhos de Cascais e Sintra, - Cuja construção orçou em 50 milhões de euros; com equipamento no valor de 10 milhões de euros, gerido pela pela HPP Saúde, do Grupo Caixa Geral de Depósitos.
Considerado de extrema importância para a população, com  novos meios complementares de diagnóstico e terapêutica, como a mamografia, TAC, ecografia, implantes de pacemakers provisórios, entre outros, na área da medicina física e reabilitação, como a terapia ocupacional e terapia da voz e fala, exames de neurologia, oftalmologia e otorrinolaringologia, etc.TUDO ISTO POR UMA BAGATELA  Hpp Cascais....... HPP F o....... HPP Boavista........ HPP Sangalhos....HPP Lagos.... HPP Clínica Infante ..... HPP Lusíadas... HPP Clínica Forum Algarve -....HPP Albufeira ...... HPP Clínica Infante ..... HPP Lusíadas... HPP Clínica Forum Algarve -....HPP Albufeira - UnitedHealth Jobs grupo perto de Angola, Nova Iorque.....UnitedHealth Group Jobs near AngolaNY

Últimas Fisco deixou escapar quase €10 mil milhões para paraísos fiscais em quatro an http://expresso.sapo.pt/revista-de-imprensa/2017-02-21-Fisco-deixou-escapar quase-10-mil-milhoes-para-paraisos-fiscais-em-quatro-anosos
Em tudo o Fisco perdeu. Entre 2011 e 2014, a Autoridade Tributária deixou sair de Portugal quase 10.000 milhões de euros para paraísos fiscais (offshores), sem que grande parte dessas transferências fossem escrutinadas, conta o “Público” esta terça-feira. O Ministério das Finanças já deu ordem à Inspeção Geral de Finanças (IGF) para investigar o caso.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Em Chãs, hoje há festa na minha aldeia - É o dia consagrado à Nª Sra. da Assunção, a padroeira – O dia mais desejado e concorrido da santa terrinha, por emigrantes e forasteiros, no pino de Agosto e do mais belo e brilhante período do Verão

Estralejam foguetes e morteiros, passa a procissão
Com os anjinhos à frente do palio, devotos erguem velinhas na mão

(contamos atualizar com novos vídeos)




Como é linda a procissão na minha amada aldeia e todos vão alegres, felizes, cheios de fé e contentes!: é o 15 de Agosto! – Que belas imagens de um maravilhoso dia para recordação! - “Tocam os sinos da torre da igreja,/Há rosmaninho e alecrim pelo chão.//Na nossa aldeia que Deus a proteja!/ Vai passando a procissão. 
(..)Olha os irmãos da nossa confraria!//Muito solenes nas opas vermelhas!//Ninguém supôs que nesta aldeia havia/ Tantos bigodes e tais sobrancelhas! /Ai, que bonitos que vão os anjinhos!/ Com que cuidado os vestiram em casa!/ Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa! /Tocam os sinos na torre da igreja,/ Há rosmaninho e alecrim pelo chão./ Na nossa aldeia que Deus a proteja!/ Vai passando a procissão. 
Excerto – de A Procissão -António Nobre




É uma vez por ano e nos dias 14,15 e 16 de Agosto, os mais desejados por todos os filhos da terra, quer dos que aqui mourejam, todos os dias, quer dos que emigraram e vêm matar saudades, da sua linda aldeia, que, tal como tantas outras pelo pais fora, por este nosso maravilhoso Portugal, cada vez mais se desertificam e descaracterizam, mas talvez por isso mesmo, todos os que aqui nasceram e aqueles aos quais o destino da vida os levou a percorrer outras paragens, em França, nomeadamente, no Brasil (em África, agora já nem tanto), se esforçam por vir festejar este dia com os seus amigos e familiares, aliás, com todos os conterrâneos, pois, no fundo, todos fazem parte da mesma comunidade e da mesma estimada família



O ano passado, por esta altura, encontrava-me em S. Tomé, muito longe mas com o pensamento naquele meus tão queridos horizontes – Hoje, e desde sábado, aqui de novo, retorno ao meu torrão sagrado.


O  céu não tem o mesmo azul e a transparência dos dias anteriores, refrescou um pouco, corre uma brisa agradável, o calor suporta-se bem, o que até é desejável para que o dia de festa se torne, ainda mais atraente

As festividades que, se iniciaram, ontem ao fim do dia, com o desfile dos andores da igreja, até à capela de Nª Srª de Assunção, no alto do povo, onde, após missa ali celebrada pelo pároco da freguesia, se voltou ao adro da igreja, agora já com o andor da padroeira e ao som de uma pequena banda filarmónica, composta por uns quantos voluntariosos jovens da aldeia, que persistem em manter a herança das duas bandas que já existiram, há uns anos atrás.


Há noite houve espetáculo no adro,  com a presença de um grupo musical popular, que proporcionou alegres e divertidos momentos de dança, ao mesmo tempo que, junto ao edifício da Junta de Freguesia, também entusiasticamente empenhada em dar o melhor da sua colaboração, se serviam apetitosos  comes e bebes, cervejolas,  boas pingas e febras apetecíveis.

Hoje, está previsto, além do cortejo das oferendas, a tradicional procissão, abrilhantada com banda filarmónica, contratada e muita alegria e diversão.

HÁ 4I ANOS – UNS MESES DEPOIS, EM OUTUBRO E NOVEMBRO DE 1975, ANDAVA EU PERDIDO A BORDO DE UMA FRÁGIL PIROGA, VIVENDO DRAMÁTICOS MOMENTOS E COM CORAÇÃO PRESO À TERRA QUE ME VIU NASCER

SÓ A VOZ DO MAR!...


Levanta-se o dia. O Sol resplandece!...
O azul do espaço toca o infinito!...
Os meus pensamentos bóiam à flor das águas...
vagos, indefiníveis, indistintos!...
Beleza vã e enganadora!...



Ó  saudosa e branca aldeia!
É domingo. É o sagrado dia do descanso!
Repicam os sinos! - Não os ouço!...Imagino-os!
Aqui só se ouve a voz do mar!...- Do seu dorso
apenas me separa a grossura de uma frágil  tábua!... 
Que, todavia, é um madeiro escavado - Este é o meu soalho!...
 Mas eu sei que lá longe o dia é uma promessa!...
É a  hora de todos os fiéis devotos se dirigirem à igreja!...
 – De irem à santa missa! Entoarem os seus cânticos
 e   consagrarem as suas orações ao Altíssimo!...
 - Um gesto humilde e  piedoso, em torno  da liturgia cristã,
onde cada um vai buscar  o reconforto,
 que o  fará ao mesmo tempo retemperar
 das rudes agruras e  fadigas da vida! - Oh! ares límpidos!
Puríssimos espaços azuis! Quantos sacrifícios e fadigas
Quanto suor já testemunhaste através dos olhos 
devorados pelo sol dos esplendores deslumbrados
na imensidade ardente e calma dos largos espaços!



  

Oh, não estou desesperado mas vejo que nem sempre  
posso dar o rumo  que quero à minha piroga:
a tempestade levou-em quase tudo - Por isso,
face a tantos perigos e ameaças,  afloram-me à  mente, 
pensamentos desencontrados, as mais díspares emoções 
-  Umas vezes de fé e de esperança, outras 
de dúvida ou descrença ! - Oh, quanto  não daria 
para celebrar, com os meus, 
a tranquilidade e a paz de um santo domingo!... - Num ímpeto de alma 
e de intimidade,  percorrer distâncias,  fundir-me 
nos  horizontes que me cercam, 
desde os próximos aos mais longínquos e transladar-me, 
fisicamente, espiritualmente, a esses amáveis lugares 
da minha infância e adolescência - Apesar  de saber 
que a vida, ali, é  bem  madrasta!... Amarga e difícil!
Por isso, muitos vão procurar o seu ganha pão
em paragens longínquas do Brasil, em França, em África!
– Foi assim, em busca de melhor vida,  que um dia parti
em demanda de uma ilha nestes mares, em cujos águas 
me encontro  agora à deriva!....Desconhecendo, a que praia,
a que desconhecido lugar poderei aportar -  Por isso,
vogando que vou nesta incerteza, nesta contínua errância,
quanto não daria para agora poder contemplar
a beleza incomparável da linda Ilha, donde parti
ou poder regressar à liberdade dos tempos
dos meus humildes dias de criança.


Sim, relembro a alegria das airosas 
manhãs  primaveris da minha criação  
e tenho ainda bem presente o  adro ao domingo....
Vejo a igreja, o campanário e o velho negrilho
no centro do adro - E revejo-me à sombra dele
naqueles lânguidos e  quentes dias de Verão.
Ou nas tradicionais Festas de Nossa Senhora de Assumpção! 
Todo ele  enfeitado no centro do coreto! - Que dias maravilhosos!  
Com os foguetes a estralejar e a filarmónica  
acompanhando a procissão - Ou já a despedir-se
 e a dar a volta ao povo, parando e tocando 
junto à casa de cada novo mordomo.



Oh, quem  não se lembra de 15 e  16 de Agosto?!
Quem é que, ali, não teve desses dias as melhores recordações?!.. 
Dias alegres e felizes,  de convívio e de reencontro:  dos que emigram
e  ali voltam a matar saudades! -  Dias banhados de sol 
e de longos crepúsculos!  - Tão diferentes dos dias incertos
em que agora vogo e me encontro perdido- As noites são sempre iguais:
 o dia despede-se rápido e a noite cerrada avança para a claridade  do dia, 
quase sem me aperceber, sem se dar por isso, sem  alvorada. 
- Mal se põe o sol,  anoitece. Logo o mar e o céu se cobrem de penumbra 
 e, à minha volta, todo o horizonte  se  tolda e dilui-se em sombras e trevas. 



Novembro de 1975 -  Domingo 
O meu calendário no mar 
não é todavia o mesmo de quem pisa terra firme -
Conto os dias e gravo-os nos meu diário 
(sim, disponho de um modesto gravador que guardo 
num simples caixote de plástico, igual aos do lixo) 
mas não tenciono fazer o registo do dia da semana ou do mês. 
Não perdi o tino mas vivo num permanente mar de dúvidas e angústias:
 - pois não  tenho a certeza  se a minha piroga resistirá
às constantes investidas das vagas - E o que agora me interessa 
 é registar o tempo de vida em que assim vivo: 
Um violento tornado fez-me perder os remos e quase tudo 
- Fiquei  praticamente desprovido  de alimentos e de água potável. 
 Este suplicio vai durar quase 40 dias. Mas neste momento 
ignoro o meu destino, o longo e tormentoso calvário que me espera.

Sirvo-me apenas de uma modesta bússola - Não disponho
de quaisquer outros meios de navegação ou de comunicação.
Sei a direcção pela qual me arrastam as correntes e os ventos.
Por vezes navego, com um remo improvisado,
mas é um trabalho demasiado penoso e quase inglório.
Não  sei se estou muito longe, se muito afastado
 de  uma qualquer das luxuriantes ilhas  do Golfo 
ou de uma qualquer  misteriosa enseada  da costa africana.
O que eu sei é que este é o tempo dos tornados!
Das inesperadas e violentas tempestades  tropicais! 
Quantos tormentos, oh Deus!... Se o barco me largasse 
na corrente equatorial, não os enfrentava - azar meu!
Morto ou vivo seria arrastado para o outro lado do Atlântico -  
Mas pregou-me uma partida: queria   que abandonasse 
a canoa e ficasse  a bordo a trabalhar  
- Mas não era esse o meu objectivo.

 

Todavia, embora longe dos horizontes
da terra onde nasci, tenho bem presente 
na retina dos meus olhos, as ladeiras com os olivais, 
com as suas figueiras e amendoeiras floridas, o vale dos areais,
as fragas dos Tambores, cobertas de giestas em flor, a Cova da Moira, 
Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, o nosso Lavor do Ferro 
e o Vale Cardoso, o Cabeço D'oiro, a Serra,
o Vale das Boiças, o antigo solar 
do Vale Cheínho ou do Vale Cheiroso, 
que tão perfumado  é no tempo das maias.















Oh! e então a antiga Quinta de Santa Maria, 
no Côa, onde meu pai nasceu e onde íamos a crestar
as colmeias por altura da Primavera! - E a quinta do Muro,
alcandorada na encosta dos Areais, onde vivi
os melhores dois anos da minha adolescência,
subindo as encostas dos Tambores, a levar
a marmita ao pastor, que ali guardava o gado.
Debruçada sobre os choupos da ribeira, 
com as suas folhas  a desprenderem-se no seu constante rumorejar
à mistura com os sonoros  chilreios e estribilhos da passarada!
As vinhas, depois de vindimadas, colorindo-se 
de mil tons  e  amarelos brilhantes!  - Oh, 
mas  que bela e surpreendente aguarela!

Como agora o meu coração, se enche de lágrimas e se comove! 
ao sentir a ausência da saudosa aldeia  onde vim à luz do dia e cresci
 - Não tanto pela distância que dela o separa - bem longe!
Mas pela imensa e sofrida incerteza de  não saber
se a voltarei mais a ver.


Recordo a minha saudosa mãe 
a ir lavar a roupa à Ribeira dos Picos,
carregada com o cesto à cabeça - E depois 
vejo-a a subir aquela íngreme ladeira...
Mesmo cansada, ainda ir ter que fazer a comida!
 - Oh, tão sacrificada a sua vida foi - Já nos deixou 
E era ainda nova - Chorava por trás do postigo
quando se despediu de mim: "Filho!
Nunca mais te vejo! - E assim aconteceu.
Parece que avinhava - Eu tinha 18 anos e ela 52.

 O DIA EM QUE CAÍ A UM POÇO

Em casa, à mesa, juntávamo-nos seis.
Eu era o do meio. Quem havia de imaginar
que uns anos  mais tarde, e não tão tarde quanto isso,
pai e mãe, haveriam partir tão cedo para a eternidade...
E eu haveria de ser um dia o mais velho - Só ficaria
eu e o meu irmão mais novo - Que corajoso
não foi o Fernando, naquele dramático dia 
em que eu e a minha imã caímos a um poço!...
Eu estava uns metros abaixo do picanço
a desviar o caldeiro de uma pedra. A vara desprendeu-se 
e a minha irmã precipitou-se sobre mim 
e rolámos  os dois para o fundo - Eu tinha nove, 
ela treze, o Fernando sete anitos  - Vendo que faltava 
a água na regueira, correu em nosso auxílio.
Agarrou-se a uns juncos, estendeu uma cana 
à Conceição e depois foi ela que me salvou.
Gritava tanto!... Tanto!...Estranha coincidência...
Foi a  um domingo... A 13 de Maio. 
No dia de festa nas Tomadias.
Uma manhã tão alegre e tão bonita!....
A meio da tarde, tanta aflição!..
Tínhamos lá ido  à procissão.
E, como calhava no caminho, 
aproveitamos para ir ao nosso prédio da Serra.

Ela parecia mais aflita de que eu.. Chapinhava
desesperadamente e tentava agarrar-se à margem
Eu estava mais ou menos resignado... Já só via a morte...
Meus olhos turvos e embaciados, só faltavam cerrar-se...
Quando vinha à superfície, afrontado, tossia e soluçava...
E  depois fechava a boca para não engolir mais água...
Sentia que nada nos podia valer.... Arregalava os olhos...
Arregala-vos e via que a triste sorte parecia iminente....
Ela gatinhava na margem barrenta do poço. 
Mas em vão.... Arranhava a margem íngreme
e gritava por Nossa Senhora de Fátima...
Nossa Senhora de Fátima!!!..Parece
que ainda  a ouço gritar... Estávamos longe da aldeia. 
E ninguém mais ali nos podia acudir.
Ficou com os dedos todos esfolados.

Nesse dia o José não foi regar a horta.Ficou em casa.
Não sei como não ficámos lá todos!...Sorte a nossa... 
Vêm-me as lágrimas aos olhos só em pensar nisso...
Quando me vi livre do poço, nem queria acreditar que estava vivo... 
Cambaleava e vomitava água...Parecia um bêbado!..
Mas que ideia agora a minha!.. Porquê essa memória?!... 
 Não devia pensar  em tal episódio: - o afogamento é coisa horrível!
 - Voltei a ver essa mesma imagem, quando a canoa
se voltou na viagem de São Tomé ao Príncipe.



Era noite alta...  Solidão ameaçadora e escura!...
Adormeci rolando  com a minúscula piroga num estranho remoinho...
Tudo era negro... Negro, líquido e tumultuoso... 
Até o vento...Que parecia  empurrar-me,
envolver-me e confundir-me com as próprias trevas..
Acordei com a estranha sensação de asfixia!..
Água a entrar-me subitamente nos meus  ouvidos 
e pela boca adentro!..Foi horrível!... 
Autêntico milagre ter escapado.

Deveria ter juízo  mas o mar continua a chamar-me!...
Que hei-de eu fazer?!... - Talvez  não seja eu o culpado 
mas o mar que agora me arrasta...e não sei para onde...
Não sei para que ponto  do horizonte ele me leva...
Já me estou a desviar demais... Falava eu do Outono..
Sim,  parece-me que  ainda estou a ver o meu pai 
a lançar as sementes à terra e a lavrar 
as encostas da fraga alta,  pegando na rabiça do arado, 
indo atrás do macho,  encosta pejada de fragas,
por entre alguns carrascos e ladoeiros, terrenos agrestes 
que, na Primavera, farão despontar  as lindas verdes searas, 
polvilhadas de rubras papoilas, para que, depois no Estio 
se estendam como doiradas e ondulantes mares. 



 - Oh que dias de fadigas e canseiras! 
- Mas também de espanto e descoberta!
Hoje é domingo - Mas que nostálgico e solitário domingo!
Por lá, o Outono já vai adiantado e o Inverno está quase à porta.
- Os dias vão minguando, as noites, mais  frias, vão crescendo 
- Pelo que as chuvas já terão enlameado as ruas da aldeia, 
pois não estão calcetadas como as da cidade.
Usam-se os tamancos - é o calçado mais barato e dos pobres.
Não se atolam tão facilmente. Como é hora da missa, 
pressinto que devem estar  quase desertas, despovoadas
Ali, aos domingos, a igreja é sempre concorrida.

Porém, o silêncio  nunca é completo: os gatos miam
nos telhados, as galinhas  cacarejam e andam à vontade 
e há sempre um galo montês fora da capoeira
a ferir o espaço! - E um cão desatinado
que ladra ostensivamente aos ares
e desencadeia, em uníssono desafino, a ira de outros.
Um azino tresmalhado,  dentro  ou fora do palhal,
a quebrar o silêncio cósmico  - De um momento
para o outro desata a zurrar!...
As três badaladas do campanário já foram dadas...
sinal de que as pessoas já  entraram para a igreja
e que o senhor padre  já vestiu os paramentos,
deixou a sacristia e  se dirigiu para junto do altar.

Cá fora, não há ninguém, o adro está deserto, 
do interior da igreja ressoa um religioso recolhimento.
Alguém tosse ou  uma ou outra criança, desata a chorar
no colo da mãe - Sim, ali não há damas a tomarem conta dos bebés,
nem creches nem biberões que substituam o apego e o leite maternal
- O campo absorve  quase todos os dias do ano e da  vida - Não se descansa.
Só o domingo é sagrado - Mas não inteiramente livre. Há quem trabalhe.
Cumpra as obrigações religiosas e vá regar a horta ou buscar água
no cântaro à cabeça ou nas aguadeiras à fonte .
Mas, antes disso, vai à missa -  Há por lá quem pratique
o paganismo às ocultas  - Mesmo assim,
para disfarçar a sua heresia, não deixe de mostrar 
que não é do rebanho a ovelha mais tresmalhada.  

Sim, é hora da missa e a igreja está completamente cheia, 
apinhada:  - Mas a distribuição  dos fiéis não é toda por igual: 
os homens e os mais novos,  envergando  as farpelas domingueiras, 
estão à frente,  de pé e próximos do altar.
As mulheres, lá mais atrás, cobertas com os seus xailes e lenços negros, 
são em maior número e vão até ao fundo da porta principal
 -- Entretanto, o celebrante  já ergueu os braços 
 e   deu início ao sagrado sacrifício da Eucaristia!...
- Há cheiros e fumos brancos de incenso -  Não se usam perfumes. 
As roupas têm o cheiro da naftalina  - As casas de banho, 
quem as tem?!... Vai-se atrás de uma parede.
E ainda bem que o incensório se agita e  fumega 
nas mãos do sacristão ou ou do senhor abade - Purifica,
diviniza e harmoniza o ambiente.

Ecoam os primeiros cânticos -  Paira no ar 
não apenas o cheiro do incenso 
mas  uma mística solenidade...
-  O sacerdote, concentrado no seu ofício,  
não tardará a fazer o ofertório e a  repartir 
a sagrada comunhão  a quem se aproximar 
da mesa de Cristo e dela se  ajoelhar...

A atmosfera é  pois de aparente e visível religiosidade...
Perpassa por todos os rostos  um silencioso recolhimento
Transparece, algo que os fará esquecer de uma semana de esforços 
e de labuta -  São ainda os tempos   
em que  a fé religiosa anda de mãos dadas
 com  o analfabetismo endémico e algumas trevas.

 O povo acorre porque é também esta a única via de ligar 
o homem à pedra e à terra, lhe minorar o  sofrimento,  
no elo comum   dos mistérios do divino, 
do absoluto e do Universo.

Momento de devoção, belo! Abençoado!...
Hora alta!  Etérea e solene!... – Um cântico 
comovente e devoto, volta a ecoar por todo o templo,
invade  os corações   avidos do sagrado
que os reconforte e os retempere
das longas jornadas da semana, 
dos dias que vão de sol a sol,
do acordar cedinho e do regressar
ao lusco-lusco-fusco, quase à noitinha.
Oh, sim,  é domingo...
 - Mas que domingo mais solitário e triste!...
Quem me dera viver este dia no coração
da minha aldeia - Chegar ao fim do dia
e, tal como em criança e à luz da candeia,
 sentar-me à mesa  da cozinha, 
ali junto à lareira, comendo o caldo verde
e as batatas, regadas com o azeite
das nossas oliveiras,  um pouco de fumeiro,
mais das vezes quase sem peguilho  
- A ementa era apetitosa mas não variava muito:
Raramente se ia à mercearia: era tudo colhido da horta;
havia dois fornos comunitários, a minha mãe amassava
a farinha do nosso trigo ou centeio
que os moleiros moíam nos moinhos 
da ribeira ou do Côa e depois levava
o pão a cozer no tabuleiro
Uma sardinha, coisa ali rara, 
por vezes, não era inteira, mas dividida.
O pior era a fumarada da fogueira: pois havia  
que aquecer a água da beberagem para o "vivo"
E o caldeiro ficava sobre a lareira e desviava 
o fumo da chaminé. - A vida da lavoura, 
dá tantos trabalhos, Deus meu!... E para nada... 
Vida dura!... Nunca tive um brinquedo 
de feira, senão aqueles  que eu próprio construía.
Os meus quatro irmãos, a  mesma sina!



Mesmo assim... que saudades!...
Quão longe estou  eu desses lugares!
Quão distantes me parecem agora esses tempos?!..
Que todavia não me saem da retina  dos meus olhos..
Tão perto os sinto do meu coração! - Oh ânsia!...
 Oh impossibilidade de transformar
os meus pensamentos num voo de pássaro,
capaz de me fazer vencer todas as barreiras e mares!
Para que  num único voo fosse capaz de lá chegar 
- Mas não posso!... 



O que os meus olhos, em verdade vêem, 
é um outro mundo... Outros horizontes, outros espaços!...
Uma  vasta superfície azul ondulada e deserta... - Tudo a unir-se
no mesmo azul esbranquiçado num imenso círculo
a perder-se-me de vista....Olhe para onde eu olhar,
 só vejo mar e o céu ! ... Seja para que ponte for que me voltar...
A mesma solidão infinda... O mesmo azul infindo do mar!... 
Que cenário este meu Meu Deus!... O pior é à noite...
Depois do sol se pôr... Escurece e a tristeza é ainda  maior.
E, então se chove ou se houver alguma trovada!...
Oh, nessas trevas soltas o que sou eu, afinal?!..Não sou nada!... 
Não sou nada!..Não tenho palavras...Não tenho palavras..
Quando não há luar fica tudo escuro como breu.
É o negro vazio... É a noite assolada!....A noite no mar!...
Metido neste casco de árvore..Por vezes sinto que não existo..
Mas a vida!... A vida!... Não há milagre maior que a vida!
Não me resigno!...Não me dou por vencido! 
Sozinho!... Lá vou sendo arrastado... Às vezes à vela ou a  remar. 
Não me rendo e não desisto de lutar... Não me rendo!
Oh, para onde me arrastarão estas águas?!.. A que ponto?!..
 Até quando esta incerteza!...Até quando?!..




Ó inclemente oceano! Ó mares largos! Ó impiedosos  céus!
Onde está o altivo campanário da  antiga igreja, o adro, o negrilho?!.
Oh que saudades dos ondulantes montes de centeio, 
dos rolheiros nas eiras e da azáfama das ceifas e das malhas!
O brilho das espigas de milho e o dourado mar 
das lindas searas de centeio e trigo.

A ribeira com o marulhar dos choupos, o cantar dos pardais
nas belas manhãs e tarde primaveris, de estio ou outonais.
As suaves  noites de Verão de luar prateado, 
banhando o planalto,  ladeiras e montes e o Vale dos Areais!...
Só o mar! O mar a bramar! A bramar!!.. 
O mar!...O mar!!... E eu perdido!..
Eu sozinho! O Céu e o Mar!..






Ó aldeia querida que me viu nascer!
Ó horizontes dos longos e verdes  dias triunfais!...
Quanto   vos recordo!... Quão longe da minha vista estais!...
Quanta tristeza vai no meu coração atribulado!...
 Em que  ermo ponto, deste imenso horizonte, agora estais?!.
Oh, quanto, em vão, eu agora vos evoco! 
Oh, quanto,em vão, agora me lembrais!...

Jorge Trabulo Marques