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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Morreu George Michael – Um dos ídolos da perversa era do vazio e do egoísmo, destituída de ideais, de sentimentos de generosidade, de solidariedade, o culto ao hedonismo, à droga, à violência e ao liberalismo selvagem - As televisões da publicidade enganosa e ao consumo desbragado, prestam-lhe largas espaços nos seus telejornais













Dizia-se do poeta inglês, Robert Burns – 1759- 1796,  “o coração do poeta era como uma abelha errante. Necessitava de mel e de muitas flores  silvestre do prado (…) Quando não estava nas tabernas, podia ser encontrado em casa, explicando aos filhos mais velhos passagens dos poetas ingleses. “Não há entre todas as histórias  que já foram escritas  narrativa tão pungente como a vida de um poeta, meu filho” – E, agora, qual o mel que alimentavam os vícios do famoso  cantor inglês, George Michael, que faleceu, aos 53 anos neste último domingo  - dia de Natal? – A droga, o sexo, o exibicionismo? – O culto de uma música, antípodas da sonoridade e da harmonia  



Autor do famoso tema natalício Last Christmas,, lançado  o ano passado na quadra natalícia, que mais não era de que,  noutros moldes, o culto ao consumismo exagerado e à sociedade do desperdício, da falsa ilusão de que o mundo é justo e pleno de prendas de natal para toda a gente, quando, afinal,  a esmagadora maioria  da população  mundial é marcada pelo desemprego,  por graves privações e pela fome.

Ironia do destino, deixa a terra dos vivos, justamente num dos dias do ano, que marca, não  o renascimento ou o exemplo de um mundo melhor e mais justo,  mas bem pelo contrário, o mundo que este ídolo do culto ao individualismo


"Estou em profundo choque. Perdi um amigo amado - o mais gentil, a alma mais generosa e um artista brilhante", disse o músico Elton John, um dos muitos com quem George Michael fez parcerias. "Meu coração está com a sua família, amigos e os fãs." – Declarações de outro da mesma cepa



Morre, no isolamento de sua casa, um dos mais  badalados ícones  do liberalismo selvagem da atualidade, da apologia das falsas aparências, da ausência de ideais de justiça e de fraternidade, do culto ao apelo à  droga, ao sexo, apenas como fonte  de prazer e da desbragada curtição, ao culto do individualismo egoísta, que tantos malefícios tem trazido à Humanidade, e, em particular ao descaminho da  Juventude, que, ao invés de ser levada a seguir exemplos edificantes, de valores solidários, generosos e  altruístas,  é compelida  pelos espaços televisivos   da publicidade enganosa e do consumismo,  à tentação da  ociosidade e da perdição, aceitando, sem contestação, amorfa e acéfala,  a imposição de uma sociedade exploradora, consumista  e castradora, um estilo de  música, sem harmonia, que não seja o do ruído até ferir os tímpanos ou cegar a iris com os potentes e hilariantes holofotes dos palcos exibicionistas,  destituída de sentimentos de amor e de paz, senão o da frivolidade do  abanar do “capacete”, do apetite ao sexo à droga, ao egoísmo e à  violência, ao salve-se quem puder..

Como não podia deixar de ser, as televisões - espelhos do culto da  mesma imagem hedonista -  dedicaram-lhe alargadas honras nos seus telejornais, pelo que,  uma vez mais, o grande público não foi poupado a levar com doses maciças, até à exaustão,  de enfastiados laudatórios ou sucessivos  flashes de degeneradas aberrações musicais.

"MORREU PACIFICAMENTE EM CASA”

Dizem as noticias que  o cantor “morreu pacificamente em casa” e devido a um “problema cardíaco”. A polícia britânica confirmou a morte de George Michael à BBC e referiu que não houve circunstâncias suspeitas no óbito.

Claro que não era suposto que alguém fosse matá-lo em sua casa, mas há muita maneira de ser morrer pacificamente em casa: seja por morte natural ou por via do consumo de qualquer narcótico “As altas taxas de mortalidade entre usuários de droga estão relacionadas a inúmeros fatores, tais como complicações devido ao uso da droga (por exemplo, Aids entre usuários de droga injetável), overdose, suicídio, acidentes e homicídio. 

As dificuldades em atribuir causas de morte a uma reação de overdose especifica são complicadas. Por exemplo, diferenciar overdose acidental de suicídio pode ser muito difícil.

Estes os agregados atributos de um ídolo da atualidade: A beleza física e a qualidade vocal transformaram o cantor em um dos favoritos do público desde que ele se dedicou à carreira solo, 5 momentos polêmicos na carreira de George Michael - 

HOJE JÁ NÃO PASSA MÚSICA NAS RÁDIOS E NAS TELEVISÕES, QUE TRANSCENDA E INEBRIE O SENTIDOS DE PURA MUSICALIDADE E HARMONIA.


As palavras, que a seguir reproduzo, são igualmente  do escritor Vergílio Ferreira, que podiam também ser subscritas na minha adolescência, mas não na atualidade, porque é muito difícil escutarmos temas musicais, quer nas rádios ou nas televisões (até na única rádio, que passa musica clássica, mais dados ao palavrado de que ao bom gosto musical)  

“Que música é esta que ouço na rádio? São onde da manhã, de céu nublado, ouço-a na transcendência de mim. É um coral solar  e nele ressoa toda a extensão de uma alegria serena  que veio vindo do fundo das eras. Expando-me eu também na sua infinitude, transposto a um outro mundo que traz os sinais do imaginário  do “outro” e é só dom incognoscível. Música celestial da terra dos homens para a grandeza que de si desconhecem. Ouço-a. E tudo em mim se pacifica por sobre a amargura de uma vida inteira que nela agora se dissolve e submerge.  

Que fascinação ele exerce  sobre mim, nascido entre as pedras da montanha. É a fascinação  do incomensurável  e majestoso e potente , a sedução dos em-limite, da sua infinitude, o absurdo do incansável das suas ondas, a beleza irrepresentável da sua alvura, a doce e larga dormência   do seu rumor - Vergílio Ferreira - Conta Corrente 1990 - 

“NO GRAU ZERO DA CIVILIZAÇÃO”

Estamos no grau zero de uma civilização e não há absolutamente nada visível para além de nós próprios. Nenhuma causa se pode inventar para se morrer por ela, como foi sempre grande sonho do homem. É o vazio do irrespirável e temos que o respirar. Todos os mitos se dissiparam e nada hoje em nós segregar um novo. Estamos no grau zero . E só em nós próprios podemos inventar  o calor que nos reanima.  10 de Sete – Vergílio Correia – Conta Corrente  - 1990 – E ainda a procissão  ia no adro 

ESTA É TAMBÉM "A ERA DO VAZIO" -ASSOCIADA AO LIBERALISMO SELVAGEM 

O liberalismo é a faceta mais cruel do capitalismo selvagem, deixando o cidadão á mercê dos mais poderosos, dos países, quer os governados pelas chamadas pseudo-democracias ocidentais, quer por castas (caso da índia e do Paquistão, que, além de se apoderarem do património dos seus países, podem corromper e comprar o património de outras nações)  e também dos milionários do  chamado capitalismo do Estado Chinês, que nada tem a ver com socialista defendido por Mau Tsé-Tung e que estão a perverter  e a estender o seu império a nível global, sem toda terem necessidade de pegar  numa arma – Se bem que um dia o venham a fazer, quando algum governante, lhes tentar sacudir os seus tentáculos – Mas, então, já será tarde demais  - Porque, este de peste depois de contagiada,  é incurável.  

Esta é a sociedade contemporânea,  que,  Gilles Lipovetsky,  intitulou nos eu livro  de A Era do Vazio”  . E, nessa altura, à era do Vazio, ainda não se havia associado o liberalismo selvagem, que caracteriza os dias que passa.   - Eis, em breves traços, que ele descreve na sua obra:


 “O despejo/vazio da sensação, do prazer, o vazio dos sentimentos e das ideias, faz com que aumente a angústia e o pessimismo. A infelicidade e a indiferença crescem e com isso surgem alguns problemas ditos de uma sociedade moderna, como o caso do suicídio. O suicídio é incompatível com uma sociedade indiferente e o desespero dessa indiferença faz com que seja definido pela depressão. O isolamento do individuo faz com que essa solidão seja maior e que mesmo que peça para ficar sozinho, este pode não se suportar.

Com o modernismo, o artista liberta-se da tutela financeira das igrejas, aristocratas que desde os sustentam desde a Idade Média ao Renascimento. Os valores passam a ser o individualismo, a liberdade, igualdade e revolução. Como modernismo começa a existir uma distanciação entre a obra e o espectador, como consequência desaparece a contemplação estética e interpretação em proveitos da “sensação, simultaneidade, caracter imediato e impacto”. A sociedade passa a ser vazia da função da comunicação e personaliza e dessocializa as obras, criando códigos e mensagens por medida, confundindo o espectador através da divisão do sentido e do não-sentido. A obra passa a ser aberta de interpretações. Numa sociedade moderna da era do consumo liquida os valores, costumes e tradições, emancipando o individuo, faz com esteja ao acesso de todos, reduzindo a diferenças instituídas entre sexo e gerações. O individuo passa a ter necessidade de se redescobrir, ou de se aniquilar enquanto sujeito, exaltando assim as relações interpessoais. Como modernismo existe também uma crise espiritual susceptivel de levar ao abalo das instituições liberais.

Numa sociedade moderna existe o culto dos mitos cómicos e o divertimento ocupa um lugar fundamental. A ironia, a sátira é um humor recorrente numa sociedade moderna. Ressuscitam tradições como Carnaval, onde se poderá utilizar o humor satírico para criticar algo que pensam estar mal, embora o Carnaval de hoje em dia não tenha a mesma carga tradicional como antigamente. Na publicidade muitas das vezes também utilizado o humor direccionado para mostrar a verdade sobre a publicidade, que é desprovida de mensagem e não é uma narrativa, nem uma ideologia, é apenas uma forma vazia de valores sociais e institucionais que fazem com que na realidade não transmitam nada. – Excerto de “A Era do Vazio” - Gilles Lipovetsky



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