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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Noite de Natal O Céu não estava estrelado mas uma estrela luzia, - De Manuel Daniel - O Poeta, quase invisual, que divide o coração entre Meda, sua terra natal e Foz Côa, onde constituiu família e tem vivido - Autor de vasta obra literária e da notável antologia “Cem Poemas Portugueses Sobre o Portugal e o Mar



OS OLHOS JÁ QUASE NADA VÊEM MAS O CORAÇÃO CONTINUA ACORDADO   --

Pese o facto dos seus olhos já não poderem contemplar a luz e a beleza que o inspiraram a escrever os mais belos poemas, tendo como temas os costumes da terra e das suas gentes, mas também os valores pátrios, religiosos   e  de pendor universal, sim,  pensámos que os demais sentidos, reforçados pela sua fé e determinação inabalável pela paixão da escrita e pelo gosto  da vida, continuarão, certamente, ainda mais sensíveis, para poder ir ao fundo do baú da sua memória e poder continuar a brindar-nos  com os seus excecionais dotes literários, desde o teatro, à  poesia e à ficção  - Obviamente que uma tal tarefa, além de só ser possível com o amparo da esposa, dos filhos e netos, que nunca lhe negaram o indispensável carinho e apoio, naturalmente que exige um esforço hercúleo a quem contraia a cegueira adulto: a vida espiritual, por certo, se intensificará mas as limitações físicas, vão-se tornando num calvário que só Deus e quem leva essa pesada cruz,   compreenderá o drama na sua verdadeira extensão.


Neste sagrado dia da Natividade,  ao mesmo tempo que aqui temos o prazer de transcrever dois dos seus  lindos poemas, inseridos no Espírito Natalício, aproveitámos para lhe expressar os votos amigos de um Feliz Natal, junto dos que lhe são queridos e desejando que  a deficiência visual, que tão profundamente o afecta, recupere e não se agrave 



GLORIFICAR O NATAL NAS TREVAS É CERTAMENTE O MAIOR TRIUNFO DO QUERER HUMANO


Noite de Natal
O Céu não estava estrelado
mas uma estrela luzia,
Num barraco desprezado
estavam José e Maria.
Num monte distanciado
A branca neve caía.
Mas no negrume fechado
De repente se fez dia.



Uma criança chorava
quando a luz se refectia
num espaço onde ecoava
um cântico de alegria,
cântico que reboava
numa perfeita harmonia
enquanto José Louvava
e aos céus agradecia.


Era um mistério sagrado
o que ali acontecia.
Um pastor admirado,
cantava, dançava e ria.
O próprio  tempo, abismado
em dois tempos se repartia.
E sobre palhas deitado
.
Manuel Daniel – do Livro  Chão de Areia











Natal  - “Sempre assim foi: Mistério, encantamento,
anjos cantando, a Estrela de Belém,
céus e Terra louvando o nascimento
de Jesus que nasceu para o nosso Belém…


E sempre assim será. Mas vão passando
os anos na natureza dos seus trilhos.
e só é já Natal para mim quando

se renova nos olhos dos meus filhos.

Manuel Daniel – do Livro  Chão de Areia




Em "Cem Poemas Portugueses sobre Portugal e o Mar" - Aqui se juntam cem poemas sobre o Portugal e o Mar, entidades indissociáveis  ao longo de séculos de história  e de poesia. O melhor do que somos e do que fomos passa pelo nosso património poético  e não se deixa afogar em modas, crises ou tiques de ocasião. O  mar  e o Portugal de que estes poemas falam não  tem prazo de validade , Só prescrevem quando a nossa identidade prescrever, e talvez ainda falte um mar inteiro para que  isso aconteça. 
Este é e pretende ser um livro sobre o Portugal de hoje de sempre



Nasceu na cidade da Meda em 18 de Novembro de 1934.
A partir dos 20 anos de idade , propôs-se e fez os exames do ensino secundário e frequentou, como voluntário, o curso de 1973-1978 da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, por onde veio a ser licenciado.
Tendo começado a trabalhar aos 11 anos, fez uma longa carreira da função pública nas tesourarias e repartições das Finanças da Meda, Pombal, Reguengos de Monsaraz, S. João da  Pesqueira, Vila Nova de Foz Côa e Guarda, culminando como dirigente superior da Direção Geral do Tesouro, no Ministério das Finanças, onde foi responsável pelos serviços técnicos e financeiros das Tesourarias de Fazenda Pública.

O seu gosto pela literatura foi-se manifestando no jornalismo, na poesia e no teatro, tendo publicado “Caminhada Imperfeita” (poemas), “Auto da Juventude”, “Lourdes”, “Eram meninos como nós” (teatro), “A porta do labirinto” (poemas, textos e teatro) e visto uma letra de forma uma conferência sobre “O Feriando Municipal da Meda e S.Martinho”, promovida pelo respetivo município.

Tem inéditas cerca de uma vintena de peças de teatro, a maior parte das quais para crianças e jovens. Colaborou em diversos jornais e revistas e manteve durante mais de um ano uma crómica dominical  na “Rádio Altitude da Guarda”






Foi sócio da extinta Sociedade Portuguesa de Escritores e é membro da Sociedade Portuguesa de Autores; co-fundador do quinzenário” Luz da Beira” (Meda 1954.1974), do mensário “Palavra”, (Reguengos de Monsaraz a partir de 1966), co-fundador e diretor do boletim intermunicipal “Terras e Gentes” (mensário, 1986-1995) dos municípios de Meda, S. João da Pesqueira e Vila Nova de Foz Côa.
Em Vila Nova de Foz Côa presidiu durante 12 anos à Assembleia Municipal  e, durante 23, foi provedor da Santa Casa da Misericórdia. Pela sua ação social,  foi distinguido pelo “Diploma de Mérito” pela Câmara Municipal. Reside desde 1971 na cidade de Vila Nova de Foz Côa, onde exerce advocacia.



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