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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Navegar no Douro Maravilhoso – Rio acima e rio abaixo, com partida do Pocinho, a bordo do Barco Rebelo de Nª Srª da Veiga


Jorge Trabulo Marques - Jornalista, natural desta região

Viajar por Foz-Côa, Pocinho, é viajar por dois Patrimónios da Humanidade - É vogando à flor da tranquilidade do Douro telúrico e primevo, sob o côncavo dos grandes ou confinados espaços da singular tipologia da sua geológica monumentalidade, que ora ascendem ora mergulham em vales profundos, que os olhos se pasmam e maravilham. Que o coração se apazigua de todas as suas máculas, a alma se purifica e engrandece




É no Douro monumental, suave, alcantilado e agreste, que os mais nobres sentimentos casam com a espiritualidade enérgica e rejuvenescedora - Este é o “Doiro sublimado de Miguel Torga: o prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. (… )Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta."  -  “é, no mapa da pequenez que nos coube, a única evidência incomensurável com que podemos assombrar o mundo”. Em 2001, a UNESCO concedeu-lhe a distinção de Património da Humanidade, como paisagem viva, evolutiva e cultural.

E é aqui que nos reencontrámos com a terra, com os ritmos da natureza, com a quietude e o sossego que dela emanam, sentindo o passo do dia e da noite, do sol, da lua e das estrelas, longe das luzes artificiais da cidade..

Viajar por Foz-Côa é viajar por dois Patrimónios da Humanidade, é percorrer os trilhos da memória e contemplar as formas deslumbrantes da natureza, da história e da arte paleolítica. Mais que um lugar-comum, a luta e os confrontos épicos do passado com o presente fazem estas gentes resistentes, heróis e autênticos construtores de sonhos e de esperança. As oportunidades perdidas rapidamente se transformam em olhares cativos, e as paisagens das rudes encostas do Douro e do Côa, com os seus vinhedos, mais não foram, no passado, do que janelas abertas à imaginação e à criatividade. Se o Museu do Côa narra uma história com uma riqueza imaterial invulgar e os socalcos do Douro respiram uma civilização ancestral ímpar, então, podemos alavancar um caminho turístico sustentável idealizando a conjugação destes dois fatores".





A construção da embarcação “SENHORA DA VEIGA” propriedade do Município de Vila Nova de Foz Coa desde 2004, tem como objetivo desenvolver a oferta turística local. Este barco RABELO é uma réplica dos tradicionais barcos denominados “rabelos”, que transportavam as pipas de Vinho do Porto do Alto Douro, até às caves em Vila Nova de Gaia – Porto. Aqui, o vinho era armazenado e, posteriormente, comercializado e enviado para outros países. Fazer um cruzeiro de barco no Douro é viajar, segundo Torga, no “… reino maravilhoso já não existe. Existem – em seu lugar – paisagens, declives, montanhas, enseadas junto do rio mais belo que conheço, esconderijos pelas colinas, florestas que resistem ao granizo do tempo. E existe a luz, a luz fantástica do Douro, a luz misteriosa das suas águas e da poeira que vai de uma margem a outra (...).”

O Douro vem através dos séculos definindo o seu caminho, num caldeamento das margens, contribuindo para a ligação do Homem e da terra ao rio. Ao longo das escadarias dos socalcos, nestas montanhas desmesuradas, aparecem testemunhos de civilizações e culturas diversas.


Da ementa possível constam as tradicionais “migas de peixe à moleiro”, os “peixes do rio fritos em molho de escabeche com salada mista” e o “lombo assado com batata assada e arroz”. A Sobremesa é Fruta da época e os vinhos servidos são sempre do Concelho de Vila Nova de Foz Côa.


DOIRO - De Mguel Torga 


Suor, rio, doçura.
(No princípio era o homem ...)
De cachão em cachão,
O mosto vai correndo
No seu leito de pedra.
Correndo e reflectindo
A bifronte paisagem marginal.
Correndo como corre
Um doirado caudal
De sofrimento.
Correndo, sem saber
Se avança ou se recua.
Correndo, sem correr,
O desespero nunca desagua ...

.......

DOIRO
Corre, caudal sagrado,
Na dura gratidão dos homens e dos montes!
Vem de longe e vai longe a tua inquietação...
Corre, magoado,
De cachão em cachão,
A refractar olímpicos socalcos
De doçura
Quente.
E deixa na paisagem calcinada
A imagem desenhada
Dum verso de Frescura
Penitente


Miguel Torga




terça-feira, 30 de janeiro de 2018

BELENENSES 1- BENFICA 1 – CRUZADOS DE BELÉM ESGRIMEM EMPATE COM AS ÁGUIAS, IMPEDEM COM UM PASTEL DE NATA QUE ESTAS LIDEREM O VOO ENCARNADO NA LIGA


 JorgeTrabuloMarques - Foto-jornalismo - colaboração especial em  https://www.facebook.com/footballdream.pt/

Foi efémera a vitória,aos 73 minutos mas muito festejada e saborosa prá gente da casa





A equipa de Belém não venceu, no seu relvado, mas saiu de braços levantados e ainda fez a festa, que só não foi coroada com pleno entusiasmo pelos seus adeptos, com os 3 pontos da vitória, porque o árbitro prolongou o jogo de 5 para 7 minutos, além do tempo marcado quando a tabuleta do cronómetro se ergueu após os 90 regulamentares.


Os homens do emblema da cruz de Cristo, e da camisola da cor azul do céu e do mar, até se bateram bem com o adversário, travando, desse modo, com jogo solto e bem disputado, as aspirações da equipa treinada por Rui Vitória, que poderia ter ascendido à liderança isolada da tabela, à 20ª jornada, se bem que na expetativa dos jogos que faltam realizar do FC Porto, terça-feira (sem contar com o caso-Estoril) e do Sporting, em Alvalade, quarta-feira






Benfica, ao 73 minutos, chegou a desfrutar da oportunidade de ter o pássaro na mão, com a bola nos pés de Jonas para punir uma penalidade de uma falta de Gonçalo Silva sobre Cervi, mas deixou-o escapar: - O brasileiro, que é o melhor marcador do campeonato, desta vez não acertou na capoeira e permitiu que Filipe Mendes, sacudisse a pelota para fora das malhas da sua gaiola.- Mas vá lá que se redimiu da falta de pontaria com o brilhante golo enfiado in-extremis, reduzindo a penalização .do encontro.




É assim o futebol,! Que, além da arte exibida por duas equipas, em saber driblar, cabecear e pontapear, empolgar as suas claques e marcar golos na baliza adversária, o resultado é quase sempre uma caixa de surpresas: que poderão fazer cantar vitória ou impor o desapontamento do empate e da derrota – Desta vez o desfecho foi o empate, que não contentou ninguém, mas, a bem dizer, foi realmente aquele que traduz a história de uma partida entre duas equipas lisboetas.



ECOS DA IMPRENSA

Diz o DN –Um grande golo de Jonas já para lá do último minuto de compensação evitou a derrota do Benfica no Restelo e redimiu o brasileiro de um penálti falhado aos 73'. O Belenenses, que tinha chegado à vantagem já perto do fim, pelo estreante Nathan, aos 86',  viu assim fugir entre os dedos uma vitória que já parecia certa, na estreia de Silas como treinador em jogos caseiros.  https://www.dn.pt/desporto/interior/benfica-testa-belenenses-de-silas-e-procura-lideranca-da-i-liga-9083015.html


domingo, 28 de janeiro de 2018

VERGÍLIO FERREIRA – “Para Sempre” - Em memória de um grande escritor e de um bom amigo – Se fosse vivo, hoje completaria 102 anos







159 (…) Há no homem o insondável da sua interrogação. Mas só o artista a conhece e a pode revelar aos outros para ela ser desses outros e a verdade do ser se lhes iluminar. Escrever bem. Ser sensível ao que se quer revelar e ser só a sua revelação. E o mundo existir, porque ele o revelou. E é tudo.
160 Vir a morte e levar-nos. E não fazermos falta a ninguém. Nem a nós. Que outra vida mais perfeita? - Do Livro “Pensar”

VERGÍLIO FERREIRA - EM MEMÓRIA DO ESCRITOR: “EM NOME DA TERRA”  E “PARA SEMPRE”

Foi justamente a sua paixão pelo mar que fez com que, entre o escritor e o jornalista, se estabelecesse o elo de um amistoso  e respeitável relacionamento, desde meados dos anos 80 até escassos dias da sua morte - Tal como o tenho feito em anos anteriores, também neste dia o não podia deixar de lembrar

179 - Ir ver o mar. Vê-lo de vez em quando e sempre com a mesma fascinação. Que é que vem dele para assim nos fascinar? A sua força imensa diante da nossa pequenez. O seu mistério visível e inquietante porque é o invisível da sua visibilidade. O irrisório da sua absurda convulsão e o aceno indistinto que vem de trás do horizonte e não sabemos o que é. O aroma a espaço, uma memória confusa de aventura, o sinal presente da sua infinitude ausente, a dilatação de nós a um poder intenso, um certo conluio com Deus – Do Livro “Pensar





Vergílio Ferreira não era apenas o grande escritor mas o existencialista, o pensador. Deu-me o prazer de me receber várias vezes em sua casa – Algumas das quais no próprio dia do seu aniversário. É uma data que dificilmente me pode passar despercebida. Nasceu em Melo, no dia 28 de Janeiro, tendo como fundo a Serra da Estrela, ambiente e paisagem que iria moldar a sua personalidade e influenciar a sua vasta obra -Faleceu na sua casa de campo, em Fontanelas, nos arredores de Sintra e muito próximo da Praia das Maças, igualmente ao fim da tarde,  . Se fosse vivo, faria hoje, 99 anos. Mas morreu aos 80. 

Foi dos autores  portugueses  - através da leitura do livro Manhã Submersa - que mais cedo despertou a minha curiosidade e com o qual viria a manter um relacionamento amistoso, desde o principio da década de 80, até a escassos dias antes da sua morte - Já que, nessa mesma semana, lhe tinha telefonado para o ir visitar a Fontanelas, onde acabaria por falecer.  

"Este homem reuniu em si diversas facetas, a de filósofo e a de escritor, a de ensaísta, a de romancista e a de professor. Contudo, foi na escrita que mais se destacou, sendo dos intelectuais contemporâneos mais representativos. Toda a sua obra está impregnada de uma profunda preocupação ensaística. Vergílio Ferreira



1980

28- Janeiro (segunda) Aqui estou, pois, no gueto, até se cumprir um mês sobre o acidente. E para não haver grandes intervalos de escrita, aqui estou eu a escrever, Dá-se o acaso, aliás, de cumprir hoje 64 anos. Sem comentários. Perdi no dia 4 uma boa oportunidade de não ter de fazer mais contas. Como é nova e vida esta sensação de que tudo está feito, de que é perfidamente aceitável que a vida, os outros, nos excluam. Mas fiz 64. É curioso. E já agora talvez que venha a reflectir um pouco que fui nesses 64. E a ideia mais forte que se me impõe (qual a que se impõe aos outros?) é a de que fui uma espécie de «falso», como se diz dos «falsos» da pintura. De um lado está o nosso ser que é normalmente, bons deuses, péssimo; e do outro o parecer, que já não é mau de todo. Entre os dois nos corre mais ou menos a vida. Ela é assim quase sempre velhacoide. Quanto a mim, deu-me pouco; e o pouco que me deu foi extremamente regateado. Oh, que a comédia acabe depressa, quero lá saber. Mas sem muita maçada, se não é muita maçada. São os votos que eu faço no dia do aniversário.


"Há dias a RDP passou-me à porta e um jovem subiu com uns aparelhos. Que é que pensava da carga que já me pesava?Ora. Que era uma «conta calada» e tão calada que já apelava em mim para o silêncio. Ouço o apelo e aqui me fico" In Conta-corrente Janeiro 1982


«Vergílio ferreira, autor de mais de meia centena livros (romance, contos, ensaio e diários) Nasceu em Melo, no concelho de Gouveia, em Janeiro de 1916, filho de António Augusto Ferreira e de Josefa Ferreira. A ausência dos pais, emigrados nos Estados Unidos, marcou toda a sua infância e juventude. Após uma peregrinação a Lourdes, e por sugestão dos familiares, frequenta o Seminário do Fundão durante seis anos. Daí sai para completar o Curso Liceal na cidade da Guarda. Ingressa em 1935 na Faculdade de Letras a Universidade de Coimbra, onde concluirá o Curso de Filologia Clássica em 1940. Dois anos depois, terminado o estágio no liceu D. João III, nesta mesma cidade, parte para Faro onde iniciará uma prolongada carreira como docente, que o levará a pontos tão distantes como Bragança, Évora ou Lisboa.
Este homem reuniu em si diversas facetas, a de filósofo e a de escritor, a de ensaísta, a de romancista e a de professor. Contudo, foi na escrita que mais se destacou, sendo dos intelectuais contemporâneos mais representativos. Toda a sua obra está impregnada de uma profunda preocupação ensaística.
Vergílio foi também um existencialista por natureza. A sua produção literária reflecte uma séria preocupação com a vida e a cultur
a – Excerto de 
Vergílio Ferreira: Biog


Já me referi a Vergílo Ferreira neste site - mas volto aqui a recordar a sua memória, com muito gosto - Tomando a liberdade de aqui transcrever algumas passagens dos seus diários.

Entretanto, o mundo, que é um pouco maior de que nós (será?), vive uma tensão pavorosa. A URSS invadiu o Afeganistão.O imperialismo que vive nela e tem tentado disfarçar, desta vez veio ao de cima sem disfarce. Mas não há inconveniente para a fé dos correlegionários. Contei na Alegria Breve a história (real) de uma rapariga que negava estar grávida, mesmo quando o médico lhe fez saltar o leite do peito. A Tarde pediu-me um depoimento.Lá o dei. Outros «intelectuais» o deram também. Cito o de Augustina: depois de nos dar a extraordinária notícia de que os governos estáveis são normalmente « maquiavélicos», acha que «não há sínteses felizes para definir as políticas das persuasões» Não sejamos ambiciosos. Há o que é para entender e o que e só para admirar.


1982 - 28 Janeiro (quinta) Pois. Cá fiz às três da tarde a sexta capicua. Quando imaginaria eu esta prenda do destino. Mas os favores pagam-se e eu não sou se estou em débito. Ah, mas que manhas a vida inteira para ir ficando de pé. De vez em quando a rasteira. Mas lá me endireitei. Agora, se ficar por terra, já ninguém dirá que. Amém. - Excerto

Foi justamente a sua paixão pelo mar que fez com que, entre o escritor e o jornalista, se estabelecesse o elo de um amistoso  e respeitável relacionamento, desde meados dos anos 80 até escassos dias da sua morte - Tal como o tenho feito em anos anteriores, também neste dia o não podia deixar de lembrar

179 - Ir ver o mar. Vê-lo de vez em quando e sempre com a mesma fascinação. Que é que vem dele para assim nos fascinar? A sua força imensa diante da nossa pequenez. O seu mistério visível e inquietante porque é o invisível da sua visibilidade. O irrisório da sua absurda convulsão e o aceno indistinto que vem de trás do horizonte e não sabemos o que é. O aroma a espaço, uma memória confusa de aventura, o sinal presente da sua infinitude ausente, a dilatação de nós a um poder intenso, um certo conluio com Deus – Do Livro “Pensar







(…) Há no homem o insondável da sua interrogação. Mas só o artista a conhece e a pode revelar aos outros para ela ser desses outros e a verdade do ser se lhes iluminar. Escrever bem. Ser sensível ao que se quer revelar e ser só a sua revelação. E o mundo existir, porque ele o revelou. E é tudo.
160 Vir a morte e levar-nos. E não fazermos falta a ninguém. Nem a nós. Que outra vida mais perfeita? - Do Livro “Pensar”




Vergílio Ferreira não era apenas o grande escritor mas o existencialista, o pensador. Deu-me o prazer de me receber várias vezes em sua casa – Algumas das quais no próprio dia do seu aniversário. É uma data que dificilmente me pode passar despercebida. Nasceu em Melo, no dia 28 de Janeiro, tendo como fundo a Serra da Estrela, ambiente e paisagem que iria moldar a sua personalidade e influenciar a sua vasta obra -Faleceu na sua casa de campo, em Fontanelas, nos arredores de Sintra e muito próximo da Praia das Maças, igualmente ao fim da tarde,  . Se fosse vivo, faria hoje, 99 anos. Mas morreu aos 80. 

Foi dos autores  portugueses  - através da leitura do livro Manhã Submersa - que mais cedo despertou a minha curiosidade e com o qual viria a manter um relacionamento amistoso, desde o principio da década de 80, até a escassos dias antes da sua morte - Já que, nessa mesma semana, lhe tinha telefonado para o ir visitar a Fontanelas, onde acabaria por falecer.  

"Este homem reuniu em si diversas facetas, a de filósofo e a de escritor, a de ensaísta, a de romancista e a de professor. Contudo, foi na escrita que mais se destacou, sendo dos intelectuais contemporâneos mais representativos. Toda a sua obra está impregnada de uma profunda preocupação ensaística. Vergílio Ferreira

Do seu livro – PENSAR

“Hoje fui ver o mar. Na realidade não ia vê-lo mas aproveitei. E à primeira impressão eu via-o mas não o via, porque via dele apenas a realidade imediata em ondas e espuma. Foi preciso que depois deixasse vir ao de cima o que oculto se me queria revelar. Abandonei-me a ele e deixei. 

Mas o que então se me revelou foi uma nebulosa confusa de emoções, memórias, associações indistintas, qualquer coisa que se anuncia como numa casa desabitada. O indizível. O flagrantemente presente e que se não acaba de esclarecer. O estranho que nos perturba e não sabemos donde vem.

A praia estava deserta e o mar convulsionava-se num mundo ainda por nascer. Mas havia sol e a alegria dele era gratuita, sem finalidade nenhuma, e isso agravava-lhe o absurdo de ser. As águas brilhavam até ao indeciso do seu limite. Um homem ocasional, eu, olhava o seu mistério inquietante, tentava entender a estranheza de tudo isso. Sentia a presença de uma realidade inexistente, porque ela não existia senão no que estava vendo e, no entanto, eu sabia, na minha inquietação, que estava lá. Eu podia enumerar todos os elementos do que presenciava, mas havia outra realidade que ficava intacta à minha enumeração. Essa, essa - dizê-la. Não é aí precisamente que começa o «escrever bem»? Por isso a escrita não tem que ver com o real mas com o outro real dele. Assim ela constrói outro mundo que aponta apenas para o primeiro mas se não parece nada com ele, mesmo quando se parece e todos os elementos se lhe ajustam. Porque aquilo com que se parece é o invisível dele, a outra coisa das coisas, o mistério que lá mora e se reconhece, depois, que lá mora e o reconstrói na sua invisibilidade para ser enfim o real como tal reconhecido. Há no homem o insondável da sua interrogação. Mas só o artista a conhece e a pode revelar aos outros para ela ser desses outros e a verdade do ser se lhes iluminar. Escrever bem. Ser sensível ao que se quer revelar e ser só a sua revelação. E o mundo existir, porque ele o revelou. E é tudo. 


"Conta-Corrente - 1982 - 26 - Março (sexta). E aqui estamos em Fontanelas. A Primavera já cá estava instalada em flores domésticas e bravias. Os caminhos bordam-se de florinhas brancas e amarelas, o portão do quintal tem uma coroa de glicínias. Queria colaborar com a festa, ir pelos campos, olhar a Natureza, ir talvez até à praia olhar o mar que já deve estar a acomodar-se para a época estival. Mas encafuei-me logo no escritório porque tenho o Beldemónio a esgalhar para uma palestra. Não conhecem Beldemónio? Não conhecem. Conheço eu, porque é da minha terra. Ou melhor: ele é de Gouveia, que é a cabeça do meu concelho, e eu sou de Melo, que fica a uns sete quilómetros. Terra produtiva em letras o meu concelho, como vêem. Ora corno há festa do concelho lá para Maio e me pediram oratória, lembrei-me de restaurar a glória deste esquecido. Viveu nos fins do século XIX, durou trinta e seis anos, e foi desgraçado. Com o talento que lhe coube, escreveu coisas. Mas como tenho de contar como isso foi, não me vou antecipar. Vou é acender o fogão da sala, porque ainda está frio. Fui buscar lenha, armei os paus por cima das pinhas e jornais, agora é só chegar um fósforo. Estou cansado, é bom repousar e olhar o lume. Talvez que olhando as chamas eu tenha boas ideias sobre o Beldernónio que é um nome infernal. Portanto, a condizer.



158 A enorme desproporção entre aquilo que fazemos e o que escolhemos ou alguém em nós escolheu ter sido. O destino da vida é o esquecimento. Mas nós lutamos desesperadamente por ser o lembrar. O sol atravessa a janela da sala, ilumina os cortinados suspensos. É um instante fugidio que em breve desaparecerá. Vivo-o ainda, agora que contemplo a janela iluminada, mas em breve virá a noite e tudo findará. Lembrá-lo-ei amanhã? Não o lembrarei dentro em breve, o seu milagre será inútil. Tento, todavia, segurá-lo, fazê-lo perdurar contra a morte que é sua. Mas quantos estratagemas de que nos servimos para ter razão contra a morte. (…) – In Pensar



Estás vivo. Não o estarás por muito tempo. Aspira a vida que tens ainda, vive-a intensamente, não a desperdices, em breve já o não poderás fazer. E essa vida que te coube e não pode durar muito é absolutamente irrepetível. Tiveste a oportunidade de viver - quantos biliões de homens possíveis a não tiveram? Plasma-te a ela com a múltipla modalidade de seres, absorve-a, sente-a milimetricamente para que nada dela se desperdice. Breve tudo será findo. E a rua oportunidade não mais se repetirá.  – 30 de Agosto 1982 -In Conta-Corrente


38 DIAS À DERIVA NUMA PIROGA NOS MARES DO GOLFO DA GUINÉ - AVENTURA QUE  IMPRESSIONARIA O AUTOR DE "A MANHÃ SUBMERSA"  E SERIA O PRINCIPIO DE  UM  AMISTOSO, RESPEITÁVEL  E DURADOURO  DIÁLOGO - De seguida alguns excertos do meu diário de bordo, publicado noutro site, que subscrevo


Diário de Bordo "Passei uma tarde calma. Agora a minha preocupação começa a estar precisamente no local  onde irei aportar...Não sei...Será um local habitado?!...Pode ser desabitado...Enfim, o que me interessa é que seja terra, fundamentalmente, é que seja terra! Local seguro..." 

 Ainda não fiz referência à noite passada: passei uma noite todo encharcado! Envolvido num plástico mas por fim até adormeci e sonhei..Sonhei e tive uns sonhos muito esquisitos, acordei a falar!...Supondo que tinha chegado realmente a terra. Tive assim  sonhos muito esquisitos."- Excertos do diário do 29º dia - Excerto do meu diário - 38 dias à deriva numa acanoa29ª dia - são tomé - odisseias nos mares dos tornados rafia



sábado, 27 de janeiro de 2018

Davos – George Soros no fórum mundial dos mais ricos e poderosos: aos 87 anos, ergue a bandeira no ataque concertado ao “fantasma” da liberdade de expressão - Facebook, a Google, as redes sociais o bombo feroz da nata ultraliberal, que não se conforma que as grandes alavancas dos media lhes escapem do seu controlo Era para ser um discurso de meia-hora, mas acabou por falar quase uma hora no jantar-gala anual na cimeira de Davos, atribuindo o facto ao estado preocupante do mundo tal como ele o vê.

Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Informação e análise


SOROS FOI O SORO SORVIDO NO GRANDE BANQUETE FINAL DO QUEIJO SUÍÇO  EM DAVOS

Para que não sejam perturbados dos protestos e dos olhares incómodos dos que são subjugados pelo poder absoluto da alta finança,  Davos, numa das mais confortáveis estâncias geladas das montanhas suíças, vem sendo, anualmente, o ponto de encontro das palestras dos figurantes das elites mais ricas e influentes  a nível planetário global, desde políticos, a empresários, emissários da media-propaganda e convidados de vários graus e origens para ajudarem a compor o ramalhete  

Referem noticias que, o Fórum de Davos, que, em 1917,   começou como uma pequena conferência de Klaus Schwab, sobre gestão, intitulada” como introduzir as técnicas de gestão norte-americanas para melhorar o baixo desempenho das empresas europeias, teve este ano como tema oficial: “Criar um futuro compartilhado num mundo fraturado”.

Mas o que é que, de útil ou positivo,  se poderia esperar daqueles que, afinal, são os principais agentes dessa homogenia fracturação?, Sim, senão apenas o reforço da quebra da solidariedade e do agravamento das injustiças e desigualdades sociais, o aperto ao crivo da liberdade de expressão, num tempo em que os ricos se tornam ainda mais ricos e os pobres mais pobres, com a classe média em vias de extinção



Tal como já vem sendo recorrente pelas vozes mais reaccionárias à liberdade de expressão, “o multimilionário George Soros juntou-se na quinta-feira ao coro de críticas às grandes empresas tecnológicas que se tem vindo a ouvir na edição deste ano do encontro de Davos, classificando o Facebook e o Google como empresas monopolistas que não só constituem uma “ameaça para a sociedade”, como também representam “obstáculos à inovação


Estes alguns dos pontos da ferocidade de bilionário húngaro-americano – que se tornou famoso pelo seu papel nos ataques especulativos à libra nos anos 90 do século passado – não poupou nas palavras quando se referiu aos gigantes tecnológicos da atualidade.

Soros criticou o Facebook e o Google dizendo que "o aumento e o comportamento monopolístico" das empresas da plataforma tecnológica se tornaram um "problema global"; Ele chamou as duas empresas para "explorar" os ambientes sociais e causar "uma variedade de problemas"; Soros sugeriu que as empresas poderiam ser tentadas a "comprometer-se" para ter acesso a mercados como a Rússia e a China; Um dos problemas críticos que as redes causam é a capacidade de influenciar a forma como as pessoas pensam e se comportam, muitas vezes sem que elas sejam conscientes disso, ele disse; Soros disse na sua taxa atual, o Facebook ficará sem novos usuários para se juntar
O Facebook e o Google tornaram-se gigantes publicitários, controlando mais da metade da receita de publicidade na internet, disse Soros


TODA A POLÉMICA À VOLTA DOS ATAQUES ÀS REDES SOCIAIS, TÊM COMO ALVO EVITAR O ENFRAQUECIMENTO DA EFICÁCIA DA PROPAGANDA DAS FORÇAS LIBERAIS  

Referem estudiosos que “A propaganda é tão velha como as sociedades humanas. No entanto, ela desenvolveu-se consideravelmente na era de massas e segue agora regras precisas. Thierry Meyssan revê a história e os princípios desta ciência da mentira.

(.)A propaganda é uma técnica militar que se distingue da astúcia. A primeira visa enganar o próprio campo, geralmente para obter o seu apoio. A segunda, cujo velho arquétipo é o cavalo de Tróia, visa enganar o adversário. Como de costume, esta técnica militar conheceu inúmeras aplicações civis, tanto no domínio comercial como no político.
(..)

A propaganda na era industrial
provocou um êxodo rural maciço, a criação de vastos agrupamentos urbanos e da classe operária. Quando as «massas» entraram na política, o sociólogo francês Gustave Le Bon estudou a psicologia das «multidões», quer dizer a infantilização do indivíduo no seio de um amplo grupo. Ao fazê-lo, ele identificou o princípio básico da propaganda moderna : — para ser manipulável, o indivíduo tem primeiro de ser imerso numa multidão.http://bloguepedroamota.blogspot.pt/2016_05_01_archive.html?view=classic

 O QUE SE DIZ DO CONTROVERSO GEORGE SOROS:

George Soros Budapeste, nascido em Budapeste,em 12 de agosto de 1930, escapou da ocupação da Hungria pelas tropas da Alemanha Nazista e depois emigrou para a Inglaterra em 1947. Soros estudou na London School of Economics graduando-se com um bacharelato e por fim um mestrado em filosofia. Ele começou sua carreira de negócios trabalhando em bancos mercantis antes de se entranhar no negócio de fundos de cobertura, na Double Eagle, em 1969. Com o dinheiro que começou a construir  a Soros Fund Management em 1970”  - Estas são algumas breves linhas descritas em George Soros – Wikipédia, 

NÃO FALTAM , PORÉM,  AS MAIS DÍSPARES VERSÕES


"O nome George Soros O 22º homem mais rico do mundo, de acordo com Forbes, agora vale US $ 20 bilhões. Mas Soros não é apenas digno de nota pelo dinheiro que ele tem - ele é notável pelo dinheiro que ele deu. Desde o lançamento de suas Fundações da Open Society em 1984, a Soros doou mais de US $ 8 bilhões a instituições de caridade em todo o mundo.

(.) Ele ajudou a fomentar as revoluções, prejudicou as moedas nacionais e os radicais financiados em todo o mundo. Soros foi condenado por negociação de informações privilegiadas na França e multado com US $ 3 milhões, multou com mais US $ 2 milhões em sua Hungria natal. Suas "fundações foram acusadas de proteger os espiões e infringir leis cambiais" e sua estratégia de investimento foi alvo de prejudicar várias moedas nacionais.
(…) Aqui nos Estados Unidos, o dinheiro de Soros fornece a base para organizações liberais que promovem tudo, desde o casamento gay e a legalização da droga até as estratégias anti-pena de morte. Enquanto suas dádivas de caridade vão para organizações liberais com laços estreitos com o Partido Democrata, sua doação política é quase inteiramente a Democratas.

Programas e aulas financiados pela Soros em universidades de todo o mundo promovem sua ideologia radical. As Fundações da Sociedade Aberta da Soros concederam US $ 407.790.344 em presentes e compromissos para o ensino superior desde o ano 2000. Os irmãos Koch foram vilipendiados pela esquerda política americana por doar quase US $ 7 milhões para as universidades, enquanto o amado Soros deu mais de 50 vezes isso equivale ao mesmo tipo de grupos. A Alternet, financiada por Soros, reclamou de um "acordo sombrio" que ajudou o fundo Kochs da Florida State University. A Colorlines, também financiada pela Soros, disse sobre a mesma doação: "FSU Trades Academic Freedom for Billionaire Charles Koch's Money".

Tanto a Universidade da Europa Central como o Bard College receberam muito mais dinheiro da Soros do que cada centavo que os Kochs doaram ao ensino superior. A CEU recebeu mais de um quarto de bilhão de dólares das fundações de Soros. E Bard recebeu US $ 76 milhões deles.   https://uprootedpalestinians.wordpress.com/2017/03/13/special-report-george-soros-godfather-of-the-left/



Soros diz que sua luta contra a intolerância está enraizada em sua própria experiência de viver a ocupação nazista da Hungria - que sua família sobreviveu ao esconder suas identidades judaicas. Ele deu US $ 12 bilhões até o momento, de acordo com as Fundações da Open Society.

Dessa forma, US $ 400 milhões foram para a Hungria, onde Orban, o primeiro-ministro, tomou medidas que poderiam forçar o fechamento em Budapeste da aclamada Universidade da Europa Central, que Soros fundou em 1991 para ajudar a apoiar as democracias emergentes da região.  Gg https://www.timesofisrael.com/demonization-of-soros-recalls-old-anti-semitic-conspiracies/

"Por algum tempo, vivemos em um mundo pós-constitucional, pós-americano onde o Irã tem uma bomba nuclear, os ilegais têm melhores benefícios e proteções nas nações ocidentais do que os cidadãos dos referidos países e o extremismo muçulmano radical é usado para exterminar o Ocidente - Valores judeus cristãos. Isto é devido em grande parte a uma coalizão de vários globalistas proeminentes, entre eles George Soros, Vartan Gregorian e Ruben Vardanyan, que canalizam a mensagem de sua agenda para "as pessoas" através do grande propagandista de Hollywood, George Clooney. 

Todos são conduzidos por uma luxúria insaciável de poder e dinheiro. Para continuar alimentando seu narcisismo e contas bancárias, o capitalismo de mercado livre, a Constituição e a soberania de U. S., bem como a soberania das nações em todo o mundo, devem cair para criar uma governança "mundial" em que se designem líderes. Através de várias medidas de "justiça social", como "mudança climática", "agenda gay" e "islamophobia", esses homens esperavam garantir os meios pelos quais as elites de 1% governariam a população mundial restante enquanto alegavam ser apoiantes de " democracia "e" direitos humanos ". Se George Clooney é seu propagandista de cultura pop, sua esposa Amal Clooney desempenha o papel de seu canal de propaganda da ONU. Hitler e Goebbels ficariam orgulhosos do que eles conseguiram realizar em tão curto período de tempo; No entanto, os ventos da mudança agora recuam contra a tirania. A história se lembrará de George Clooney como o líder simbólico do elitismo de Hollywood que tentou minar a soberania americana por seus mestres globalistas, e não o cuidadosamente trabalhado "Sr. Everyman "e" do povo "imagem em que se baseou sua carreira de ator.

(..) O site Greek National Pride informou: "[Soros] foi parte da imprensa judicial completa que desmantelou a Iugoslávia e causou problemas na Geórgia, na Ucrânia e em Mianmar [Birmânia]. Ao se chamar filantropo, o papel de Soros é apertar o estrangulamento ideológico da globalização e da Nova ordem mundial, promovendo seu próprio ganho financeiro. Ele é sem consciência; Um capitalista (vulture) que funciona com amoralidade absoluta ". Recentemente, sua herança nativa multou Soros 2,2 milhões de dólares por" manipulação ilegal do mercado ". Elizabeth Crum escreve que" a economia húngara está em um estado de transição quando o país procura se tornar mais financeiramente estável e ocidentalizado. [Soros]] deliberadamente diminuindo o preço da ação de seu maior banco colocou a economia da Hungria em um pedaço perverso, um dos quais ainda está tentando se recuperar ". O recente impulso para" fronteiras abertas "através da" crise dos migrantes "como meio pelo qual as elites estão tentando apagar fronteiras e usar o islamismo radical e a "xenofobia" para eliminar o cristianismo, o país nativo de Soros, na Hungria, declarou que vai construir um muro de Trump para manter a política globalista do tipo Soros fora de sua nação soberana. À medida que mais nações tomam essa postura, Soros e a Nova ordem mundial perdem poder ... e suas mentes coletivas.IMG_1789 Uma área que Soros não conseguiu controlar é a Rússia. Em 1994, Soros declarou-se triunfalmente como o mundo primeiro comunista quando declarou na Nova República que "o ex-Império Soviético é agora chamado de Império Soros". _ Excertos de   https://rednationrising.wordpress.com/2016/01/01/the-clooneys-enemies-of-democracy/