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quinta-feira, 24 de maio de 2018

António Arnaut – O poeta e o politico que fundou o Serviço Nacional de Saúde - Escreveu: “Morrer é regressar /ao tempo primordial: terra e sal da terra, verbo desencarnado a escutar o silêncio do caos horizontal. ,


Jorge Trabulo Marques - jornalista -   - MORREU UM CAVADOR DE SONHOS QUE DEU SAÚDE E PROLONGOU A VIDA A MUITA GENTE: - “Agora que disseste adeus para sempre/ é que sei o que é a eternidade” -  Deixem-me sonhar ,  à procura / dos sinais ocultos do caminho / é nas asas do sonho que a loucura faz o ninho – Da Voz do Poeta, António Arnaut, que partiu a caminho da eternidade
 

"Os meus antepassado eram cavadores
da terra e vento, sonhos e presságios
Deles me ficou apenas  esta enxada
com que procuro na bruma outros adágios

Deles apenas me ficou esta enxada
Com que procuro na bruma outros adágios"

Houve umas eleições em Vila Nova de Poiares – Jaime Marta Soares foi presidente daquela autarquia durante quase 40 anos – que estavam a ser muito disputadas. Ele nem queria pensar em perder a câmara e então fez uma promessa numa ermida: só mudaria de roupa e cortaria a barba se ganhasse". Quem conta esta história sobre o atual presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses não sabe precisar os dias que a mesma roupa esteve por mudar mas, confidencia, "foram muitos". Jaime Marta Soares, 74 anos, filho de um comerciante de Vila Nova de Poiares, dinossauro do poder político (em 1974 tornava-se um dos autarcas mais jovens do País), presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, chegou também a ser presidente da Comissão Política do PSD de Coimbra, ainda hoje sofre por ter deixado a autarquia da terra onde nasceu. "Principalmente porque quem veio a seguir não reconheceu o seu trabalho", conta um amigo próximo. O seu sucessor na Câmara de Poiares acusou-o de lhe deixar em herança uma dívida superior a 30 milhões de euros e o tribunal chamou-o, em 2012, para defender Paulo Penedos, então arguido no processo Face Oculta e seu opositor nas autárquicas de 2011 (a quem tratava por Paulinho e que chamou de ‘medricas’). Protagonismo a quanto obrigas "Desgasta-se em batalhas desnecessárias, é demasiado emotivo, embora seja um líder nato", dizem-nos. "De certa forma, com todos os cargos que foi tendo, interiorizou que era o dono disto tudo, por isso procura o protagonismo", acrescenta o mesmo amigo. "Tanto que chegou a inaugurar mais de uma dezena de vezes o Mercado Municipal de Poiares", diz outro. Já com os 60 anos cumpridos inscreveu-se no curso de Direito, foi presidente de filarmónicas, centros de convívio e até fundou a Confraria da Chanfana, o seu prato preferido. "Menos transparente", acusa-o um adversário, é na gestão das múltiplas tarefas. "Chegou a vir para Lisboa para as reuniões do Sporting, mas depois quem pagava os hotéis era a Liga dos Bombeiros". Também não há muito tempo, um presidente de câmara de uma terra, que encarecidamente nos pediu para não o nomear, jurou que nunca mais o convidava para discursar. "Numa cerimónia dos bombeiros, pediram-lhe para a sua intervenção não exceder os 15 minutos porque os bombeiros estavam todos na parada ao sol e ele falou durante duas horas", conta um dos presentes. "Ele pensa que tem um estatuto especial. Nos Bombeiros de Carnaxide, no desfile de fanfarras aqui há meia dúzia de anos, o Jaime Soares estava na tribuna, passou uma bombeira muito gira que levava o estandarte e ele não se coibiu de alto e bom som dizer: "Eh pá, aquela gaja é mesmo boa". Estavam uma série de entidades importantes na tribuna e toda a gente ouviu, tirando o som da fanfarra de fundo fez- -se um silêncio sepulcral".

Ler mais em: https://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/jaime-marta-soares-o-maestro-da-fanfarra
Houve umas eleições em Vila Nova de Poiares – Jaime Marta Soares foi presidente daquela autarquia durante quase 40 anos – que estavam a ser muito disputadas. Ele nem queria pensar em perder a câmara e então fez uma promessa numa ermida: só mudaria de roupa e cortaria a barba se ganhasse". Quem conta esta história sobre o atual presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses não sabe precisar os dias que a mesma roupa esteve por mudar mas, confidencia, "foram muitos". Jaime Marta Soares, 74 anos, filho de um comerciante de Vila Nova de Poiares, dinossauro do poder político (em 1974 tornava-se um dos autarcas mais jovens do País), presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, chegou também a ser presidente da Comissão Política do PSD de Coimbra, ainda hoje sofre por ter deixado a autarquia da terra onde nasceu. "Principalmente porque quem veio a seguir não reconheceu o seu trabalho", conta um amigo próximo. O seu sucessor na Câmara de Poiares acusou-o de lhe deixar em herança uma dívida superior a 30 milhões de euros e o tribunal chamou-o, em 2012, para defender Paulo Penedos, então arguido no processo Face Oculta e seu opositor nas autárquicas de 2011 (a quem tratava por Paulinho e que chamou de ‘medricas’). Protagonismo a quanto obrigas "Desgasta-se em batalhas desnecessárias, é demasiado emotivo, embora seja um líder nato", dizem-nos. "De certa forma, com todos os cargos que foi tendo, interiorizou que era o dono disto tudo, por isso procura o protagonismo", acrescenta o mesmo amigo. "Tanto que chegou a inaugurar mais de uma dezena de vezes o Mercado Municipal de Poiares", diz outro. Já com os 60 anos cumpridos inscreveu-se no curso de Direito, foi presidente de filarmónicas, centros de convívio e até fundou a Confraria da Chanfana, o seu prato preferido. "Menos transparente", acusa-o um adversário, é na gestão das múltiplas tarefas. "Chegou a vir para Lisboa para as reuniões do Sporting, mas depois quem pagava os hotéis era a Liga dos Bombeiros". Também não há muito tempo, um presidente de câmara de uma terra, que encarecidamente nos pediu para não o nomear, jurou que nunca mais o convidava para discursar. "Numa cerimónia dos bombeiros, pediram-lhe para a sua intervenção não exceder os 15 minutos porque os bombeiros estavam todos na parada ao sol e ele falou durante duas horas", conta um dos presentes. "Ele pensa que tem um estatuto especial. Nos Bombeiros de Carnaxide, no desfile de fanfarras aqui há meia dúzia de anos, o Jaime Soares estava na tribuna, passou uma bombeira muito gira que levava o estandarte e ele não se coibiu de alto e bom som dizer: "Eh pá, aquela gaja é mesmo boa". Estavam uma série de entidades importantes na tribuna e toda a gente ouviu, tirando o som da fanfarra de fundo fez- -se um silêncio sepulcral".

Ler mais em: https://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/jaime-marta-soares-o-maestro-da-fanfarra
Morreu um poeta e um homem apaixonado pela causa pública – Houve reconhecimento nacional pelos notáveis serviços prestados à Nação, a que não faltaram os oportunismos de quem,  em vida,  o atacou e tudo fez para entregar à voragem gulosa dos privados, a maioria dos hospitais e clínicas do SNS, e, mesmo os que não tiveram tempo de privatizar, ofereceram a maioria dos serviços, desde os refeitórios, ar condicionado, limpezas etc,etc aos correligionários e amigos 


“António Arnaut, "pai" do Serviço Nacional de Saúde e um dos fundadores do PS, faleceu esta segunda-feira, num dos hospitais da Universidade de Coimbra, onde se encontrava internado . https://www.publico.pt/2018/05/21/sociedade/noticia/morreu-antonio-arnaut-pai-do-servico-nacional-de-saude-1830839 ... https://eco.pt/2018/05/21/morreu-antonio-arnaut-pai-do-servico-nacional-de-saude-e-um-dos-fundadores-do-ps/ 

DADOS BIOGRÁFICOS -António Duarte Arnaut GOL • GCL (Penela, Cumeeira, 28 de janeiro de 1936 – Coimbra, Santo António dos Olivais, 21 de maio de 2018) foi um advogado e político português.
Era advogado, tendo obtido a licenciatura em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1959.


Desde jovem se envolveu na oposição ao Estado Novo. Participou na comissão distrital da candidatura presidencial de Humberto Delgado, em Coimbra, em 1958, foi arguido no processo resultante da carta dos católicos a António de Oliveira Salazar, em 1959, candidato à Assembleia Nacional, pela Comissão Democrática Eleitoral, no círculo de Coimbra, nas eleições legislativas de 1969.
Militante da Acção Socialista Portuguesa desde 1965, foi cofundador do Partido Socialista, em 1973, na cidade alemã de Bad Münstereifel, tendo sido seu dirigente até 1983.

Ministro do II Governo Constitucional, formado por coligação entre o PS e o CDS de Diogo Freitas do Amaral, coube-lhe a pasta dos Assuntos Sociais, tendo nessa qualidade lançado o Serviço Nacional de Saúde[1]

Exerceu diversos cargos na Ordem dos Advogados, nomeadamente o de presidente do Conselho Distrital de Coimbra[2]. É autor de um Estatuto da Ordem dos Advogados Anotado, bem como de um ensaio intitulado Iniciação à Advocacia, destinado a estudantes e jovens advogados. Em 2007, recebeu a Medalha de Honra da Ordem dos Advogados.[3]. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Arnaut

Tive o prazer de o entrevistar na altura do lançamento do seu livro de poemas, Miniaturas e outras Sinais,  em Novembro de 1987  - Os poemas, de ambos os capítulos, não estão intitulados mas numerados poemas  encontram  - No dia da sua morte fui à minha extensa biblioteca procurar o maravilhoso livro, que me deu o prazer de me autografar e cuja leitura é sempre o convite para uma viagem de pensamentos e de sonhos – Não de quem, mercê da sua cultura, procura versejar e rimar, mas do profundo pensador e humanista  

Num dia destes vou ver se consigo  também descobrir. no meu vasto arquivo de cassetes, as suas amáveis declarações, acompanhadas com a leitura de alguns versos,  sim, de entre as  muitas entrevistas e reportagens que fiz para a ex-Rádio Comercial RDP    Já perdi uma noite mas não é trefa fácil  - Sim, António Arnaut, era também o poeta, que, em cada um dos versos, expressava a imagem de mil palavras - Isto, porque, segundo diz: Maior de que tudo é o nada 
e cabe numa mão fechada 

MINIATURAS

1

Assim te quero poesia

descoberta, canto e profecia
2
Ousar a palavra:

o poema não é o que se escreve

mas o que nele se atreve
3
Descobrir a palavra secreta:

o poeta é um exorcista,

desde que não desista
4
Inventarei um novo adágio:

O vento é o canto do naufrágio
5
Gritei meus versos ao vento, para ouvir

A chuva de pedra dos seus ecos.

6

Na fogueira ateada do poema

uma chama invisível consome

o silêncio liberto das palavras
 27
Suspenso no adeus dos teus olhos

o  adeus chora ainda na distância



Agora que disseste adeus para sempre

é que sei o que é a eternidade



18
Os meus antepassado eram cavadores
da terra e vento, sonhos e presságios
Deles me ficou apenas  esta enxada
com que procuro na bruma outros adágios

Deles apenas me ficou esta enxada
Com que procuro na bruma outros adágios
39
Exaltação da noite:
nem só de luz os olhos e embriagam,
é nas trevas que o teu corpo resplandece
 40
A noite é quando os bichos adormecem
e as estrelas se levantam
44
Se o vento chora  e canta nas ramadas,
como dizem os poetas,
que mensagens secretas
voarão na quilha das nortadas ?
49
Cada homem precisa do seu chão.
O meu é onde este areal onde um pinheiro
é um náufrago na solidão
sem mar que lhe embale o sonho verdadeiro
51
 Perdi a memória numa esquina do vento
entre espadas de sombra e algemas de medo
e agora só retenho os contornos da noite
com quem despe o mar da folhagem das ondas
52
Morrer é regressar
ao tempo primordial:
terra e sal  da terra,
verbo desencarnado
a escutar
o silêncio do caos horizontal. 

 
OUTROS SINAIS
3
Poeta, decifrador da dor,
canto como quem chora.
Uma lágrima que me aquece e outra que me devora
.Poeta, libertino da noite,
canto como quem foge
das  espadas candentes deste dia de hoje.
4
Não sei qual é o mais efémero
se a espuma da onda
se o próprio mar.

Que importa
o tempo
se tudo tem um tempo
De acabar?
8
Colhe a seara  pelo verde,
não iludas o sonho da semente.
O tempo não perdoa a quem o perde,
nunca os rios voltaram à nascente

O futuro nem tem prazo nem medida,
mas se o queres verdadeiro
faz que nele caiba a tua vida
como num verso cabe o mundo inteiro

 


   











9
Fazer da esperança os elos da corrente,
como de um barco o sonho navegado.
O futuro é o desejo semeado,
todo o fruto é a fome da semente
17
Deixem-me sonhar , à procura
dos sinais ocultos do caminho
é nas asas do sonho que a loucura
faz o ninho

Deixem-me ser livre como o vento
sem rumo nem compromisso.
O sonho é o lugar  do pensamento
insubmisso
24.
E agora confesso:
O que eu gostava era de ser
uma nau que partiu no seu regresso.

Mas nunca serei o que sou
O vento derruba o mastro
do sonho, cada vez que recomeço
27
Terra!
Quando digo terra, digo vento
batalhas e poemas  - os socalcos
onde o sol é a raiz do pensamento.

Quando digo terra. Diga céu
labaredas, estrelas – os Sinais
que o tempo promete a Prometeu

Quando digo terra, digo rios
searas, oceanos – os caminhos
ancorados na proa dos navios.

Digo terra, companheiro, e a voz canta
a esperança que nos mastros se levanta
35
Grande é o mar, a solidão e a noite,
a distância entre as mãos caídas
e o remorso dos  gestos levantados

Grande é o sepulcro das palavras traídas
e a esperança que move
o silêncio de tantas horas mortas.

Grande é o pensamento feito de obra
E a ilusão das estrelas que povoam
As crateras dos sonhos acordados.

Grandes foram os impérios da terra,
e deles apena resta
a memória arruinada do seu fausto…



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