expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Vou indo à deriva, sereno e grave, sem precisar de ninguém Pois, mesmo que precisasse, ninguém me estenderia a mão! Atento e indiferente - Vestido com as vestes da nocturna solidão Recordando minha odisseia 38 dias à deriva numa canoa no Golfo da Guiné

Escura é a noite, escuros os  caminhos dos mares e dos céus  que se me abrem em todas as direções....E também  escuros  serão certamente os caminhos que  me conduzirão a Deus...  “O tormento no meu coração me dá alegria; que a esperança enganosa fique longe de mim”



Si dolce è’l tormento

Versos de Claudio Monteverdi

Si dolce è’l tormento
Ch’in seno mi sta,
Ch’io vivo contento
Per cruda beltà.
Nel ciel di bellezza
S’accreschi fierezza
Et manchi pietà:
Che sempre qual scoglio
All’onda d’orgoglio
Mia fede sarà.

Excerto de Monteverdi - Si Dolce e'l Tormento | Magnificat




"Tão doce é o tormento que dentro de mim está.   que eu vivo contente por cruel beleza;   No Céu de beleza cresce a frieza  e falta piedade"
 






















Escura é a noite, escuros os  caminhos dos mares e dos céus
que se me abrem em todas as direcções....E também  escuros
serão certamente os caminhos que  me conduzirão a Deus...
 Vou indo à deriva, sereno e grave, sem precisar de ninguém
Pois, mesmo que precisasse, ninguém me estenderia a mão!
Atento e indiferente - Vestido com as vestes da nocturna solidão.
Absorto com a crua verdade transfigurada do  assombro!
As trevas adensam-se na atmosfera e, por tão habituais,
quase  já não me impressionam, não me comovem.
Fazem o seu percurso. Eu  vou no seu seio mas não sei bem qual é o meu...
Sim, as sombras estão por todo o lado e também invadem o meu coração!
- Vagueio sem destino  com a coragem e o medo que ainda não sei vencer.
Não recuo a nada....Porque, enquanto tiver algum medo é sinal de que vivo....
Vou indo com o soooar do mar! Com o mar que soa! Com o mar que brâaame!..
Vou indo, derivando com o mar que voa!... Com o mar a bramaar!

Sou o cavaleiro andante sonhando acordado!... Sonhando cavalgando
este vasto largo, neste imenso mar!... Sonhando e cavalgando o mar..
porque, ao sonho, não há limites nem barreiras
e a noite acompanha-me nos meus sonhos,
os astros estão ocultos, longínquos e escondidos,
o silêncio foi submerso pelo rugido do vento e do mar,
só a roupagens da noite, as tenho por  únicas companheiras!..


 
















Mas, ó  piedade impiedosa dos céus!..
Nenhum sinal de vida! Ninguém...Vivalma!
Só as vagas.... e atrás das vagas, outras vagas ainda!
O vento soluça e geme. Perpassa-me pelos ouvidos
como um fino acorde - Estou envolto nele.
Sonâmbulo abandono o meu, estranha vida!...
Onde irei numa noite de breu assim?!.. A que distância
haverá um porto de abrigo?!... As nuvens correm
sobre a minha cabeça, galopam enroladas e escuras!..
Quase me esmagam e sufocam!.. Em que ponto
do mar ou do céu poderei pousar o meu olhar?!..

 










Bravio deserto! espectral cenário! - Estranha e cruel beleza!
Quem se compadece de mim?!... Tão prolongado já vai
o sofrimento, a angústia que me aplaca e não se esvai,
que, de tanto penar neste deserto varrido e sombrio
e, dos céus cerrados, vir somente a indiferença e a frieza,
sim, tamanha já  é a minha dor, a amargura intensa que não se me apaga,
que, esta contínua incerteza, este permanente amargo sofrer,
este   resignado sentimento que me fustiga e perturba,
se transforma, simultaneamente, não só em persistente dor
mas também num misto de sereno e doce contentamento!
Como se eu fosse - mesmo diluído e  errante como as sombras-
O Deus de mim próprio e das escuras névoas, o meu próprio Criador!

É o vento, são as vagas!
Há um marulho que tumultua, se levanta e uiva.
Soergo-me ajoelhado, tímido levanto o húmido oleado
com que cubro a piroga, envergando ainda a capa com que durmo, debruço-me sobre a  frágil borda,
espreito por uma nesga o que vai lá fora,
olho a noite de olhar turvo e arregalado
para descortinar o que vai ao largo....
É o fuzilar de relâmpagos e mais relâmpagos
a rasgar negridão. Fico preocupado…
Além dos sinistros raios a incendiar o mar, além de mim,
nada mais  ouço que o uivar do vento e, nos confins, agora o trovão!
Nada mais enxergo que manchas difusas!
Vultos disformes! …Vultos montanhosos!
E, atrás desses vultos, alterosos e escuros, outros maiores se enrolam!
Ameaças fugidias sobre a imensa e negra vastidão!....
Em vão perscruto o denso horizonte,
a ondulante massa que  meus olhos cega e turva...
Em vão, neste  longo tormento, nem a lua
nem as estrelas, dão sinais da sua existência.
Só farrapos de penumbra!... Espessas névoas
que pairam à superfície  lívida e líquida!
Novelos fantasmagóricos, baixos e fugidios
que se movem como se fossem navios fantasmas!..
Nenhum raio de luz vem do alto!.. E, no entanto,
as águas enrolam-se e refletem um brilho baço!
 Não há uma aberta, um  assomo de claridade!..
Por isso, sinto-me agora mais triste, sozinho e abandonado!
Imerso numa paz podre e angustiante, tendo por cenário,
um quadro que tem tanto de sombrio, como de horrível e belo!
Traz nas pastosas vagas que se revolvem e quebram ao meu lado,
ameaça iminente de mais umas longas e atribuladas horas de vigília! 
De sono perdido, enfrentando as sucessivas investidas!
Que nunca se sabe donde vêm e donde partem!
O que eu sei é que o ambiente do mar
e da noite se altera, as vagas encrespam-se!
Quando é de dia, vê-se donde vêm as ameaças!
Porém, quando à escura  noite, sobrevém o tornado
ou a tempestade, tudo é medonho!...- Não há palavras!..




 













Vento e vagas! negros estão os mares e os céus!
Dentro de mim, onde vogo, em redor ao largo e ao alto
reina a solidão e o peso da noite mais funda! - Estou só!
Angustiado, face ao abandono do mundo e de Deus.
Estômago a dar horas, encolhido e vazio como um fole!
Em vão aperto o cinto, martirizado por fome atroz!
Sequioso de água potável - Corroído e atormentado
pela sede  - No equador o sol é a pino! Agora que eu faço?!..
Água potável, só a das chuvas ou recurso à do salgado mar!
Oh, sim!..Dorido das chagas, as feridas da muita humidade,
das pústulas  que me cobrem as partes! Vogando enfim
por caminhos ínvios que eu não sei - Silente e prostrado,
taciturno no fundo  de mísero esquife que flutua- Deste caixão
vergastado vogando na solidão de escuras águas de espuma!
Solitário e silencioso, nem um murmúrio balbucio mas sofro.
E choro por vezes as lágrimas sofridas da minha cruel sorte.
Errando na confusa superfície, derivando à toa e sem norte!
Qual vida sem rumo ou névoa que se esbate, esvai desfaz ou apaga.
Qual moribundo! Qual Cristo que espia descido da cruz do calvário!

Não desesperado, não rendido mas já mais inseguro e menos calmo,
sem que alguém me responda, inquieto, pergunto ao meu coração:
- Serei apenas a onda fugidia que se ergue franjada e se desfaz?!..
O espectro diluído e esfumado, a alma  errante de outro mundo?!..
Afinal, o que serei eu à flor deste mar negro fugidio e encapelado?!...
Serei o homem só no vasto oceano revolto vogando perdido
à espera de cair  no tumultuoso negrume da  mais horrível tumba,
envolvido pelos dedos crespos do mais insondável poço ou abismo?!..

Ó negros e opacos céus, ó negros e corridos mares!...
- Longe já vão essas noites nas densas trevas envolto
pelo bafo  permanente da aragem viscosa da morte,
as vergastadas  ou os salpicos violentos da salgada espuma!
Todavia, quão perto os tenho ainda na minha memória!
Quão posso agradecer a Deus e aos Céus, a minha sorte!

Jorge Trabulo Marques 


(...) Devem ser  oito horas... É noite do 30º dia. Choveu, como previra, no fim de tarde. Por acaso apenas foram os reflexos de uma trovoada que deve ter ocorrido, lá para longe, lá para o sul... Mas as vagas estão demasiado fortes!... O que veio realmente dar um certo desequilíbrio à canoa.

Há formações de nuvens negras a norte, noroeste...Vejo que algumas estão realmente a deitar chuva.Noutras bandas....vê-se a escuridão. E, para o sul, não sei se ainda terão chuva....Espero...Só peço a Deus que a noite não seja chuvosa.....Porque é muito chato...

Não comi nada...Quer dizer, limitei-me a comer as barbatanas do tubarão que tenho aí. Tentei pescar mas não consegui absolutamente nada!... Hoje, digamos, é um jejum limitado a água.... Não pude arranjar mais nada, visto ter estado ocupado quase todo o dia com o remo improvisado para dar a direcção à canoa..." Excertos do meu diário de bordo  - registado para um pequeno gravador que preservei no interior de um antigo caixote do lixo  - O meu baú - imagem ao lado

A terminar ocorre lembrar-me de uns poemas de Henri Michaux  - Sim, houve noites e dias, em que cheguei a desejar o fim do meu calvário:

"Náusea ou é a Morte que se Aproxima"

Rende-te, coração.
Lutámos tempo de mais,
Que se acabe a minha vida,
Não fomos cobardes,
Fizemos o que pudemos.

Oh! Alma minha,
Ou ficas ou vais,
Tens de te decidir,
Não me apalpes assim os órgãos,
Ora com atenção, ora com desvario,
Ou vais ou ficas,
Tens que te decidir.

Eu, por mim, não posso mais.

Senhores da Morte
Nem vos aplaudi, nem blasfemei contra vós.
Tende piedade de mim, viajante de tantas viagens sem
bagagem,
Sem amo, sem riqueza, sem glória,
Sois de certeza poderosos e ainda por cima engraçados,
Tende piedade deste homem transtornado que antes de
saltar a barreira já vos grita o seu nome,

Apanhem-no no ar,
E, se for possível, que se adapte aos vossos
temperamentos e costumes,
Se vos aprouver ajudá-lo, ajudai-o, peço-vos.
Henri Michaux - In Equador

Francisco Balsemão - Para a História das Televisões Privadas – Entrevista ao fundador e presidente do Grupo Impresa e presidente do Conselho de Administração da SIC, que foi a primeira estação de televisão privada em Portugal.

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador

Estoril 1985 - 
Francisco Pinto Balsemão , prestando declarações, ao autor destas linhas , acerca da exposição de pintura de  Isabel Torres, filha do seu grande amigo, César Torres - Ela era ainda muito nova e ele dizia que ia ser uma grande promessa na pintura - e parece que foi. - Mais tarde, , mas já na Redação do Expresso, pronunciar-se-ia para o mesmo repórter, sobre a concessão das televisões a operadores privados.



A história dos canais de TV privados, em Portugal, desde a aprovação da lei até ao inicio das emissões, teve os seus episódios e protagonistas – Ao recordar-se esse tempo, um dos  nomes, que ressalta, imediatamente, sobretudo para quem acompanhou de perto as discussões e as polémicas, à volta desta questão, é o de Francisco Pinto Balsemão – Sem dúvida, o grande pioneiro dos media em Portugal, antes e depois da Revolução de Abril. - Atualmente lidera o grupo mais poderoso da Comunicação Social Portuguesa, ombreando com os mais importantes grupos internacionais.

BALSEMÃO: Defendia, que o grupo mais bem posicionado para a concessão de um canaL privado de televisão, era o que ele liderava.


Já lá vão uns anos decorridos, à volta da discussão da nova lei da Comunicação social, que, depois de aprovada,  viria a permitir a concessão de canais televisivos a grupos privados. 

Na corrida, estava o Grupo liderado por Pinto Balsemão, Proença de Carvalho e a Igreja Católica – As concessões viriam a ser atribuídos, ao Grupo Impresa, de Balsemão, que arranca com as emissões da SIC, em Outubro de 1992,  constituindo-se como  o 1º canal de televisão privada em Portugal. E à Igreja católica, que, começa as suas emissões,  em Fevereiro de 1993, sob a sigla de Televisão Independente ( TVI), que, naquela altura tinha o nome de "4" por ser a 4ª rede nos canais de televisão portugueses

BALSEMÃO, A FIGURA INCONTORNÁVEL NA HISTÓRIA DAS TELEVISÕES PRIVADAS EM PORTUGAL - Recordamos um artigo que neste site em 6 de Janeiro de 2013 http://www.vida-e-tempos.com/2013/01/expresso-de-pinto-balsemao-40-anos-um.html

Naturalmente que, a ser atribuída a concessão de canais de televisão a grupos privados, Francisco Balsemão, pese o facto de ter sido primeiro-ministro e co-fundador de um partido, era quem, à partida, reunia mais créditos para chamar a si esse justificado direito e responsabilidade. Este era pois um dos argumentos de peso que jogava a seu favor. Todavia, conquanto os dois Governos de Cavaco, liderados pela AD, obtivessem a maioria absoluta, o processo  foi-se arrastando e levou algum tempo a que passasse das intenções à prática.

Nesse interregno – já não nos ocorre em que data precisa – na altura em que trabalhávamos  como repórter na Radio Comercial-RDP – pessoalmente tomámos a iniciativa de nos dirigirmos à redação do semanário Expresso, que era ainda ali próximo da rotunda do Marquês Pombal, parta ouvir Francisco Pinto Balsemão, acerca deste candente assunto - O qual prontamente acedeu expor as suas razões..
O tema da privatização  está em foco, em termos gerais: não apenas no que respeita à comunicação social. Isso resulta do resultado das eleições, resulta do programa do Governo. E penso que é esse o caminho a seguir, embora com naturais cautelas em relação à organização política do Estado e á intervenção que o Estado terá que ter sempre na economia.

No caso concreto da comunicação social  - fico com muita pena não estar presente do debate  recentemente realizado no Clube dos Empresários, pois tinha outro compromisso  inadiável - , penso que a privatização da comunicação social é inevitável e é desejada. Quanto aos jornais, não faz qualquer sentido que o Estado tenha jornas: nenhum país europeu, em nenhum país do mercado comum, isso acontece.  Quanto à rádio, a privatização já existe, a privatização já existe apesar da lei ainda não estra a ser aplicada e aí há que regulamentar o modo, o exercício dessa privatização. 
Quanto á televisão, também penso que, não apenas porque nos países europeus isso está a acontecer mas também é a única  maneira de darmos uma resposta em termos culturais e de identidade nacional à invasão das televisões estrangeiras, é realmente a privatização. É haver a possibilidade de canais privados em Portugal.

Portanto, por tudo isto eu sou defensor se que este tipo de medidas sejam tomadas rapidamente. Até aqui não foi possível, na medida em que não havia uma Governo maioritário, uma maioria na Assembleia nesse sentido. Mas, quanto à televisão, todos os partidos apresentaram propostas de lei, tendentes à existência de televisão privada. 

Vejo a televisão privada, acima de tudo e como primeira prioridade, através da abertura de  um concurso público para a exploração existente, o segundo canal, que é a nossa primeira prioridade,  minha e do Grupo Sójornal : empresa proprietária do Expresso e que compreende vários outros jornais e publicações. Como a empresa proprietária do semanário Jornal; empresa proprietárias das revistas Nova Gente, Maria e outras: O Tempo; o Diário de Coimbra; Diário de Aveiro; O Motor. E depois, um segundo grupo, com empresas bem conhecidas em Portugal: como é o caso dos Filmes Castelo Lopes; de Costa do Castelo (filmes); da Valentim de Carvalho, Telecine-Moro e outras.

Este Grupo é um Grupo que se considera competente, porque tem experiência em matéria de comunicação social. E, por isso, julgo que as regras, no caso da televisão, devem atender à experiência no campo da  comunicação social dos concorrentes – Excerto da entrevista, parte da qual editada em vídeo. 

BALSEMÃO E A TEMPERA DE UM NATIVO SERRA DA ESTRELA

Pinto Balsemão tem a têmpera do granito da Guarda - Seu pai Henrique Patrício Pinto Balsemão nasceu no dia 9 de Setembro de 1897 na cidade mais alta de Portugal - O filho Francisco nasceu em Lisboa no dia 1 de Setembro de 1937 - Tal como seu pai é um nativo virgiano. Ambos nasceram em dias ímpares mas ele prefere o número par. "Quando posso, arranco com os meus projetos num dia 6: o Expresso começou a 6, o PSD foi anunciado num dia 6, a Caras saiu num dia 6. A SIC Notícias só não iniciou as emissões a 6 porque era um sábado. Não sou supersticioso, mas, se puder ser a 6, é."JN - Acho que faz bem  - É assim que se contrariam os enguiços: ao número seis só faltam, dois tracinhos: um de cada lado para tomar a forma de cifrão



No dia 6 de Janeiro, dia em que o semanário expresso, completava, 40 anos,  Henrique Monteiro, diz que, quando este jornal foi "lançado, em 1973, existia censura prévia, os partidos políticos eram proibidos (apenas um grupo tinha assento no Parlamento), havia guerras em Angola, Moçambique e Guiné para onde eram mandados rapazes de todo o país, o PIB per capita, a preços que podem ser comparados (preços constantes) era metade do valor atual, o número de pessoas empregadas era muito mais baixo (porque havia muito menos empregos e a população ativa era menor), além de que o país"Expresso por mais 40 anos. Parabéns

Também somos da mesma opinião: - A grande incógnita está na era pós Balsemão


Sem dúvida, o Expresso  está de parabéns - E, por enquanto, ainda  está nas mãos que lhe dão algum rumo -  por sinal, também faturam bem  - Depois dele, poderá suceder o mesmo que à Fundação Gulbenkiam, com Azeredo Perdigão - Vão acabando com tudo, só não acabam com a administração.

Não cremos que venha a ter o mesmo rumo - plural e objetivo -  nas mãos de familiares diretos ou seja lá quem for,  sim,  possa ficar  melhor - Os bons anos do jornalismo, em Portugal, também já passaram à história - Se estivesse nas mãos de Miguel Relvas, estaria bem pior - Depois de ter ajudado a fazer a venda do Diário de Notícias, Jornal de Notícia e TSF, ao genro de Cavaco Silva -28/02/2014 Mosquito e Montez formalizam entrada na Controlinveste ..não faltariam telefonemas do seu gabinete para as "boas notícias" do seu regime:  não com ameaças do jeito das que fez ao PÚBLICO, pois já deve ter reconhecido  que não é com vinagre que se apanham as moscas

Indubitavelmente, sem  o semanário Expresso, o jornalismo português teria ficado mais pobre, muitas noticias não teriam sido publicadas e muitas pessoas teriam ficado ignoradas, umas vezes criticadas, outras promovidas - isto para já não falar nos destinos da política -  O Expresso nasceu em 1973, na chamada primavera Marcelista, ou chamar-lhe-ia o Advento do 25 de Abril – Por esse tempo, o autor destas linhas encontrava-se  em São Tomé. Depois de uma experiência, bem amarga pela vida da roça  (para onde foi estagiar como técnico agrícola) era então operador no ERSTP e correspondente de uma revista de Angola, a Semana Ilustrada" - Nessa altura, já tinha plena consciência do que era o bisturi  e até dos calabouços da PIDE e dos seus britais mimos. 


UM JORNAL QUE COMEÇOU COM ALGUM CHEIRO A MANJERICÃO 


Foi através do semanário Expresso que chegaram os primeiros cheiros a manjerico  - Antes disso, só se fosse a bosta de boi da censura e da repressão. O cheiro dos cravos, viria um ano depois. - Entretanto, "após sucessivas desilusões, os deputados da Ala Liberal, foram abandonando a Assembleia. Sá Carneiro foi o primeiro, em 1973, com a famosa expressão "É o fim!", seguindo-se-lhe vários outros. Passaram à oposição, nomeadamente através de artigos publicados no jornal Expresso, fundado por Pinto Balsemão em Janeiro de 1973. Os esforços dos "liberais" terão tido o efeito de desacreditar a experiência marcelista junto de largos sectores das classes médias portuguesas"


ACTUALMENTE  - MUDANÇAS GRÁFICAS, SIGNIFICAM QUALIDADE INFORMATIVA? -  
Bem essa é uma questão que só cada leitor poderá fazer. .

 Não vou aqui escalpelizar essa análise: está à vista de quem o lê. Mas o futuro ainda vai ser  pior: a dita A Tirania da Comunicação denunciada por Ignacio Ramonet, cada vez refina e diaboliza ainda mais os  métodos dos media da atualidade.

O capitalismo não larga mão dos meios de comunicação social e, ao mesmo tempo que devora tudo o que lhe fizer concorrência e se espalha como as lojas do Pingo Doce, num super-patrão, o mesmo sucede nos media, cada vez tudo nas mesmas mãos - E não se pense que  é pensar no pluralismo e na liberdade  de expressão. As tecnologias da era digital deram um contributo importante mas estão a perverter o jornalismo objectivo, torná-lo mercadoria e, aos jornalistas, meros mandaretes dos editores e dos seus patrões,  podendo ser chutados a troco de nada. Apesar de tudo, o Expresso - e outros títulos e outros órgãos de comunicação, fundados por Francisco Pinto Balsemão, ainda vão dando algumas abébias, talvez no único país europeu, onde não existe um único jornal de esquerda


"Francisco José Pereira Pinto Balsemão (Lisboa, 1 de setembro de 1937) é um empresário português, que foi primeiro-ministro de Portugal entre Janeiro de 1981 e Junho de 1983.
Jurista de formação, foi igualmente dirigente político ativo, até se dedicar exclusivamente à vida empresarial, no setor da comunicação. Pinto Balsemão é fundador e presidente do Grupo Impresa e presidente do Conselho de Administração da SIC, que foi a primeira estação de televisão privada em Portugal.

Francisco José Pereira Pinto Balsemão nasceu a 1 de setembro de 1937 em Lisboa.[1]
Filho de Henrique Patrício Pinto Balsemão (Guarda, 9 de Setembro de 1897 - ?) e de sua mulher (Lisboa, 21 de Maio de 1922) D. Maria Adelaide van Zeller de Castro Pereira (Sintra, 11 de Agosto de 1897 - ?); neto paterno de Francisco Pinto Balsemão e bisneto paterno de Henrique António Patrício; bisneto materno de Rodrigo Delfim Pereira, filho bastardo de Pedro IV de Portugal e da Baronesa de Sorocaba; primo em segundo grau de Teresa, António e Alexandre Patrício Gouveia EXCERTO DE https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Pinto_Balsem%C3%A3o




quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Invasões Napoleónicas , em V. Nova de Foz Côa, marcadas também por incêndios e pilhagens

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador 


AS TROPAS DO GENERAL MASSENA TAMBÉM PASSARAM POR FOZ CÔA- E ESTIVERAM AQUARTELADAS EM ALMENDRA

"A Terceira Invasão Francesa teve início em Julho de 1810 e terminou em Abril de 1811, com a retirada das forças francesas para Cidade de  Rodrigo. O exército invasor era o maior dos que já tinham invadido Portugal, em 1807 sob o comando de Junot e 1809 sob o comando de Soult. O comandante deste exército, o marechal Massena, era um dos mais conceituados marechais de França. Para a sua derrota contribuiu não só a qualidade do exército anglo-luso, sob comando de Wellington, mas também a estratégia utilizada por este general e desenvolvida com base nas Linhas de Torres Vedras. https://pt.wikipedia.org/wiki/Terceira_invas%C3%A3o_francesa_de_Portugal


Estiveram aquarteladas em Almendra, servindo-se do Solar do Visconde de Almendra - Na debandada, pegaram-lhe o fogo, deixando uma das suas  partes completamente consumida e  destruída pelas chamas.

Este facto foi-me relatado por um dos atuais herdeiros deste solar na altura de uma exposição da história do solar e de uma visita de D. Duarte Pio Duque de Bragança, amigo da família - De facto, não há ninguém que, ao passar junto a este solar - e é ponto de passagem obrigatório quem demande Foz Côa ou viaje para Figueira de Castelo Rodrigo e Almeida que não repare neste gracioso edifício, c
onstruído em granito no século XVIII, sendo  considerado  um dos melhores exemplos da arquitetura civil barroca.

Igreja matriz de V.Nova de Foz Côa
Trata-se, com efeito, de um dos mais belos solares  do concelho de Vila Nova de Foz Côa, que, "tem sido  testemunho das vivências de muitas gerações de nobres ilustres, foi última habitante do solar Márcia Augusta de Castilho Falcão Mendonça de Morais Sarmento, filha mais nova do 3º Visconde do Banho. Atualmente, o palácio de Almendra pertence aos herdeiros de Márcia Augusta.In Solar do Visconde de Almendra– 


´
Presume-se que os invasores franceses, não terão deixado de cometer - enquanto permaneceram em Almendra - entre outras barbaridades, também abusos sexuais sobre as mulheres, cujos maridos assassinavam, tanto mais que é das freguesias do concelho, onde há muitas pessoas de olhos verdes e aspeto nórdico, sendo, porém, a sua principal origem árabe. Aliás, é das únicas terras que tem quase o mesmo sotaque que os alentejanos. Contudo, o que passou para os dias de hoje é praticamente fruto de transmissão oral –  


Contudo, já o mesmo não sucede com a sua passagem pela sede do concelho: É, ainda, num dos capítulos, de “A História do Culto de Nossa Senhora da Veiga, que o seu autor, o Cónego José António Marrano, faz a descrição da passagem das tropas napoleónicas por Foz Côa – Todavia, nem uma palavra à matança dos Judeus – sendo ele (marrano) um dos descendentes dos judeus convertidos.

 Diz o antigo pároco que “Foi  no dia 28 de Agosto de 1810, que os franceses fizeram a terceira invasão a Portugal, comandados pelo General Massena. Acompanhavam-nos os melhores generais  de Napoleão, Resnier, Ney e Junot.

Tomaram a posição de Almeida e dirigiram-se a Viseu, onde entraram no dia 10 de Setembro. Na passagem foram tomando diversas terras que ficaram ao sul do Douro e entre outras visitaram também  Vila Nova de foz Côa, que se preparou para a resistência, pois já tinha conhecimento da invasão e já receava o ataque.

A aproximação dos soldados de Messena foi conhecida com alguma antecedência. Vieram pelos lados do Flor da Rosa. O velho Domingos, homem de prestígio entre a população e alcaide do Castelo, anunciou do alto das muralhas deste, que o inimigo se aproximava.
A vila, naquele tempo, restringia-se quase às moradias  do Castelo; por fora, estava apenas a igreja e poucas casas.

A população fugiu espavorida, foi um pânico enorme, como é de supor!
Ficaram os soldados e o velho Domingos. Muitos abandonarem tudo e fugiram imediatamente. Outros ficaram pouco tempo, o suficiente para esconder aquilo que não podiam levar.

Num esconderijo de uma casa pertencente à velha Cereja, ao lado nascente, detrás de uma cozinha, foram arrecadar as Imagens de Nossa  Senhora da Soledade e das Dores. Os paramentos da igreja foram depositados debaixo do altar , onde estavam as mesmas imagens, do lado norte. Muitos estragaram-se com a chuva e a humidade. Uma rapariga que andava a guardar uma vaca na Lameira e não teve conhecimento da fuga, quando veio à tarde ficou espantada por não encontrar ninguém, além do velho Domingos que lhe referiu o acontecido e lhe disse que fugira tudo em direcção às Cortes da Chã.
A rapariga não se precipitou.

Foi a casa, escondeu algumas coisas no tal segredo da cozinha, onde estavam as imagens de Nossa Senhora; tomou o dinheiro que os pais deixaram numa tigela de barro, pão e outras coisas e dirigiu-se para as Cortes de Chã. Perto das Cortes do Margarido, gritou pela Mãe, que pouco tempo depois apareceu. Queixou-se-lhe amargamente  porque a deixara sozinha.

A mãe respondeu-lhe: a aflição foi tão grande que me esqueci de tudo, até que te tinha a ti, minha querida filha! Os nossos soldados, para deterem os invasores, foram colocar uma peça de artilharia  no terreiro da Capela de Nossa Senhora da Conceição, para ali oferecerem resistência, mas não conseguiram nada, retiraram na mesma direcção que o povo levou, pelo caminho de Chã, em cujas cortes alguns populares foram esperando até ver no que aquilo dava. Os soldados franceses entraram na vila, que encontraram deserta. A isto e coisas semelhantes, se referiu o general Massena  numa carta a Napoleão. Caminhamos por desertos, dizia ele. Era a táctica dos portugueses; retirar e levar consigo tudo o que pudessem.

À frente, do grosso do exército,  os franceses mudavam  as guardas avançadas, que puderam conhecer a direcção que os foz-coenses tinham tomado e marchavam em sua perseguição.

Os nossos que isso perceberam foram retirando em direcção Pocinho, para tomarem a barca que os levasse além Douro.
Chegados ao Pocinho, os cavaleiros franceses não avançam mais. Traziam intérpretes que procuravam atrair  o último grupo dos nossos que já ia a meio do Douro em direcção à Quinta do Campo.
Chamavam: Marie. Marie…..
Alguns dos nossos, que já estavam do outro lado, gritavam ao mesmo tempo: “Não voltei atrás porque são franceses”. Se voltassem, apanhavam-lhes a barca e estavam todos perdidos.
Não podendo avançar , a guarda francesa, desistiu de seguir para Trás-os-Montes e foi juntar-se aos seus que se dirigiam para Viseu.






quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Vale do Rio Côa no seu esplendor - Património da Humanidade - Propicio a uma praia fluvial: águas mais limpas e quentes que noutros rios e onde se pode contemplar uma belíssima paisagem mediterrânica e vinhateira


Águas correntes, limpidas, sob fundo arenoso e quentes no Verão




-  Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador -  O rio que   conheço como a palma das  minhas mãos, desde criança - Na Quinta da Ervamoira, antiga Quinta de Santa Maria, no tempo em que era apenas semeada de Trigo Centeio e Cevada, e aproveitada como pastoricia,  foi  trabalhada por sucessivas gerações do meu lado paterno, desde quase 200 anos.

Ali chegou, como caseiro meu bisavô, vindo da aldeia do Colmeal, tendo ali nascido o meu avô  e meu  pai (o Manuel da Quinta que ali chegou  ser barqueiro), bem como os meus tios e meus primos,  aos quais fora dado o apelido da Quinta: foi vendida à empresa Ramos Pinto,  em 1974 Ervamoira - Ramos Pinto que já se desfizera e passara  à condição  de administradora, sendo pertença de franceses, sim, tais íngremes encostas, situadas naquela espécie de concha sagrada, que se abre na margem esquerda do Vale Sagrado, na verdade, dizem-me muito; prendem-me a ela  laços  afetivos, muito profundos



   Quase todos os anos, por altura de Agosto, vou até lá   numa espécie de romagem de saudade, aproveitando para dar um mergulho nas águas quentes do  Côa,  como que a recordar os recuados tempos da minha adolescência, onde cheguei a pernoitar algumas vezes ou acompanhar  o meu pai, quando ali  ia tirar o mel das suas colmeias – A paisagem é diferente mas não mudou a memória.


Sim, este é o vale na sua  mais vasta e surpreendente beleza e abertura, que se livrou de ser submerso por uma mega-barrgaem.  com aquele belíssimo vinhedo a estender-se, como hino de vida e de verdura, distribuindo-se como que em numerosos quadros,  tais são as muitas parcelas em que, com impressionante alinhamento, e dividas por caminhos, se encontram as ramadas ou talhões dos cerca de 200 hectares de videiras, prefigurando um autêntico oásis, enquanto, nas encostas em frente, despontam  escassas oliveiras ou amendoeiras e o solo se mostra como que torrado de secura.


Na verdade, a  partir de meados de Agosto, e muito antes de se falarem em vindimas no Douro e noutras regiões vinícolas, já se colhem uvas na Quinta da Ervamoira (Muxagata) e nalgumas ladeiras de Chãs, dirigidas pela Casa Ramos Pinto  – É o culminar de um longo rosário de trabalhos e canseiras, de entrega, amor e de muitos sacrifícios. 



CONCELHO DE FOZ CÔA – NA LINHA DA FRENTE DAS VINDIMAS E DOS VINHOS MAIS FAMOSOS DO MUNDO


Foz Côa faz parte da sub-região do Douro Superior, concelho onde se produzem os vinhos mas afamados de Portugal, e, porventura, do mundo: desde o emblemático Barca Velha e Duas Quintas, a outras marcas, que já conquistaram o mercado e prestígio nacional e internacional. Além disso, é aqui que se iniciam as primeiras vindimas. - Pormenores em 

Cascata do Côa na Cardina - Termo de Santa Comba
NÃO SE FEZ A BARRAGEM MAS PODE SER ERGUIDA UMA MAGNÍFICA PRAIA FLUVIAL  - E, talvez, das águas mais quentes  e menos poluídos de Portugal, num rio,  que é inteiramente português

Rio Côa, junto ao afluente do Massueime 
O Rio Côa  é um rio que nasce nos Foiosno concelho do Sabugal,  mais concretamente na Serra das Mesas, a 1.175 m de altitude, próximo da Serra da Malcata. Percorre cerca de 135 km até desaguar na margem esquerda do rio Douro, perto de Vila Nova de Foz Côa, a 130 m de altitude. É dos poucos rios portugueses que efetuam um percurso na direção Sul-Norte.
A zona de Riba-Côa é dominada por bosques, pinhais, fortalezas (castelos), planaltos e fantásticas paisagens típicas da Beira Interior. Cidades na zona de Riba-Côa: Pinhel, Sabugal, Meda.  As espécies vegetais predominantes são os freixos, os salgueiros e os amieiros. As zonas ribeirinhas são povoadas por diversas espécies animais nomeadamente patos, galinhas-de-água

Massueime 
É caraterizado por clima mediterrânico, pois na suas margens se produz muito do que o Mediterrâneo oferece. Nas suas águas abundam a truta, arisca e seletiva, que lhe povoa as águas inquietas. –Justamente, devido à sua amenidade, é que foi procurado pelos povos do neolítico, que ali se refugiavam dos frios e dos gelos, que abundavam naqueles recuados tempos

Um dos afluentes do Rio Côa é a Ribeira de Massueime,  sua nascente situa-se próximo da cidade da Guarda, e atravessa os concelhos de Trancoso, Pinhel, Mêda e Vila Nova de Foz-Côa. 















A frieza das águas atlânticas ao longo da costa portuguesa, cada vez mais frias por via dos degelos no Pólo Norte, estão a desviar as atenções dos veraneantes para as praias fluviais, que têm vindo a ser erguidas em vários rios portugueses, nas quais são colocados equipamentos, desde parques de campismo, balneários, cafetarias e abertos caminhos pedonais.   

Ora, nada mais adequado que o aproveitamento do leito do Rio Côa, num projeto conjunto das freguesias de Castelo Melhor e Chãs  - Podendo mesmo servir Muxagata  - Os termos de Santa Comba e de Almendra, ficam um pouco mais acima mas poderiam também acabar por servir estas duas freguesias, claro, além quem ali as quisesse desfrutar, seja do concelho de V. Nova de Foz Côa,  seja donde for.

A barragem evitou que as gravuras ficassem submersas e ali fosse erguido mais um enorme pântano para gerar nuvens de mosquitos, assim como intensos nevoeiros que iram infetar ainda mais as vinhas de míldio

Águas paradas do regolfo do Pocinho

Não posso deixar de me esquecer da expressão de uma agricultor do Rio Douro, ao lamentar-se que havia dado cabo dos pulmões em sulfatagens, devido à humidade que veio alterar as  margens nos vinhedos sobranceiros ao rio.  


No entanto, o leito do Côa, liberto que foi desse estigma das barragens, a partir da Ervamoira, poderia ser aproveitado para ali se erguerem pequenos açudes de águas fluviais, um pouco à semelhança dos que eram erguidos pelos moleiros para levarem a água aos moinhos.

Mas, além de poder contemplar esses antiquíssimos  tesouros, declarados pela UNESCO, Património da Humanidade, o visitante poderá,  também, sobretudo no Verão, desfrutar de um excelente passeio ao longo do seu leito, cujas águas são mais quentes de que, no Algarve ou mesmo até nalguns mares tropicais.

Esta vertente, não tem sido explorada, dada a necessidade de ali se criar uma praia fluvial: não propriamente, aproveitando as águas do regolfo da barragem do Pocinho, paradas e suscetíveis de criarem limos mas as que correm livremente do Rio Côa e um pouco abaixo da Penascosa,  num areal que ali existe, entre o termo das freguesias de  Castelo Melhor e Chãs, ou seja, onde, em tempos chegou a ser construída uma ponte mas que, uma tempestade, acabou por destruir, deixando unicamente alguns caboucos nos extremos.

Ervamoira - Antiga Quinta de Santa Maria 
Era ali que existiam uma represa, um açude e onde se faziam as ligações fluviais através de uma velha barca, com um fio de arame, quase a rasar o leito do rio: enquanto a pá do remo, iam assentando no fundo das águas e fazendo deslocar a barca, esta, para não perder a direção e ser arrasada, ia deslizando ao longo do arame, que passava por um anilho encaixado na modesta embarcação,  na qual chegavam a ser transportados, além de pessoas, também animais domésticos. – Sim, num tempo em que chovia mais e ali se pescavam, além de enguias e peixes,  gostosas ameijoas de água doce

GRAVURAS DO VALE DO CÕA – O TESOURO MAS ANTIGO DOS POVOS QUE POVOARAM A PENÍNSULA HIBÉRICA.

Parque Arqueológico do Vale do Côa, referem os roteiros turísticos, “é   uma visita única e obrigatória no nosso país. Para todos, novos e velhos, muito ou pouco instruídos, com ou sem sensibilidade artística, este deve ser um local a visitar, pois as gravuras de Foz Côa são um dos tesouros da Humanidade, constituindo um verdadeiro museu ao ar livre da arte do Paleolítico, em cujas margens se fixaram os mais recuados antepassados da península ibérica.

Apesar de existirem várias dezenas de núcleos arqueológicos de gravuras, distribuídos principalmente pelos últimos dezassete quilómetros do rio Côa (mas também se estendendo pelo vale do Douro), estão abertos ao público apenas três núcleos de gravuras: Canada do InfernoPenascosa, e Ribeira de Priscos. As visitas decorrem em pequenos grupos de um máximo de 8 pessoas, que acedem ao sítio apenas e só acompanhadas com guias do Museu do Côa, ou com agentes autorizados, requerendo marcação prévia. É possível fazer também visitas à noite, particularmente ao núcleo da Penascosa, recorrendo a luzes artificiais para proporcionar uma iluminação rasante das gravuras, o que permite uma melhor visualização (e um ambiente mais fresco no Verão!). https://www.viajarentreviagens.pt/portugal/explorando-gravuras-de-foz-coa/


O   DOURO É BELO E APRAZÍVEL - ÚNICO NO MUNDO NO SEU GÉNERO - MAS A ÁGUA É MAIS FRIA DE QUE O SEU AFLUENTE CÔA E ESTÁ SOB A AMEAÇA  DA POLUIÇÃO RADIOACTIVA DO ÁGUEDA 

Poucos são os rios onde a poluição, de uma forma ou de outra, não constitui uma ameaça. O Côa não é exceção mas bem mais limpo de que muitos outros rios, e com menores riscos de que o seu vizinho  Águeda. Por isso, se passar por estas paragens, banhe-se em pleno Verão, tal como veio ao mundo e experimente a sensação da languidez suave das suas águas mornas: conquanto não tenha a limpidez de outrora, bem longe disso!  No entanto, que serenidade e tranquilidade! Que paz de espírito mais reconfortante e vitalizadora!... Sai-se de lá mais rejuvenescido e limpo de toda a mácula - Foi o que experimentei,  numa tarde maravilhosa de Agosto, num dos açudes frente à Quinta da Ervamoira. 





Mas atenção: saiba  fazer a escolha e  evite atirar-se de mergulho. O açude mais fundo, ladeado por chorões, amieiros e  e altas árvores frondosas, poderá ser a área mais propícia à pesca  mas não creio que seja a mais indicada para a natação. O fundo é lodoso e ainda existem alguns troncos submersos, junto às margens, que  poderão constituir-se como perigos ocultos.  Um pouco mais acima, o rio espraia-se, a profundidade é menor mas o fundo é arenoso.Não há sinais de troncos submersos   mas o xisto, por vezes, entra pelo rio adentro - Banhe-se as vezes que quiser e não deixe de se estender sob as copas daqueles magníficas sombras,. Os acessos atravessam a Quinta mas há pelo um deles que é do domínio público e que se encontra identificado. .


Massueime 
Num período histórico em que predominavam os gelos eternos por vastas superfícies, não só no resto da Europa como em toda a Península Ibérica, naturalmente que o vale do Côa,  dir-se-ia uma terra de promissão. sobretudo nos três meses dos dias  mais longos do ano. O clima era mais ameno, havia abundância de caça, de pesca, e, certamente, de frutos silvestres. 


Côa - Cardina - Termo de Santa Comba
As  verdadeiras águas santas, essas, situavam-se numa zona mais exposta aos frios e muito acima dos seus principais acampamentos, todavia, tal não impedia (tal como sucede hoje) que a sua  nascente sulfurosa espalhasse, como que por efeito milagroso, as  suas riquíssimas propriedades medicinais no caudal do rio que nasce na Serra das Mesas, a 1.175 metros de altitude, próximo da Serra da Malcata, correndo de sul para norte..

Tive o prazer de já lá ter estado. Chamam-lhe as águas termais da Fonte Santa de Almeida  -. Ficam "Na margem direita do rio Côa, o local das termas é um espaço aberto sobre o leito do rio numa larga curva do seu curso. Para jusante e montante adivinha-se o estreito vale do rio, talhado em tempos glaciares. 

O local da fonte descrita no Aquilégio ainda se conserva, embora com modificações posteriores, e é possível imaginar os “moradores” a tomarem banhos ou "lavando com ela as partes exulceradas ou pruriginosas" Fonte Santa de Almeida - Águas Termais Claro que o resto do rio não é nenhuma terma mas tem o condão de as ter numa das suas margens.