expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

CAVACO SILVA - O PATRONO DO INÍCIO DA DESERTIFICAÇÃO E DO ABANDONO DO PORTUGAL PROFUNDO - O COVEIRO DA LINHA DO DOURO ACERTOU COM A FISGA EM CHEIO! - Não era ainda no emblemático brinde do Pavilhão Atlântico ao genro mas na ligação da principal via férrea duriense a Espanha - Mandou encerrar várias linhas, entre as quais o troço do Pocinho a Barca D'Alva, - Opina especialista que " a ditadura contabilística precipitaram o fim do comboio de via estreita em grande parte das linhas secundárias do Douro, deixando muitas povoações ainda mais isoladas e abrindo caminho ao incremento da rodovia e das empresas de camionagem. Ao abandono

Jorge T. Marques - Jornalista
LEMBRANÇAS DE UMA CAMINHADA DOURO ACIMA E PELA VIA FÉRREA QUE FOI ABANDONADA PELO MAIOR DITADOR E OPORTUNISTA PÓS 25 DE ABRIL



 
"É a coluna vertebral da região. Está mesmo no coração do Douro e liga ao centro do Porto. Está a ver o que era ir do Pocinho ao Porto em duas, duas horas e meia?", diz Aires Ferreira, o presidente da Câmara de Torre de Moncorvo" - Pois, mas não foi esse o pensamento do homem da fisga" .

Actualmente, os 172 quilómetros que separam o Pocinho de São Bento, no Porto, demoram três horas a percorrer de comboio. A viagem de carro demora menos 30 minutos. Mas o autarca - defensor igualmente da reactivação do troço entre o Pocinho e Barca de Alva - acha que não seria difícil reduzir o tempo do comboio, de modo a torná-lo competitivo" - Outros pormenores mais à frente 

Era a terceira caminhada :  foi em Março de 2013: já lá vão quase 6 anos, em que me associei a mais um  passeio pedonal promovido pela Associação Foz Côa Friends, com vista a pugnar pela reativação do troço Pocinho-Barca D’Alva –  

A primavera, já havia entrado, mesmo assim o tempo  decorria  frio e chuvoso. No entanto, no aprazado dia, numa Sexta-feira proporcionara alguma abertas, que até foram aproveitadas por alguns membros desta associação  ensaiar em novos passeios para novos desafios, por veredas do Vale do Côa,  mas, como então referia neste site, pairava alguma incerteza sobre  como  iria portar-se o  Sábado de Aleluia - Veio o Sábado e pôs um dia lindo

Foto de Luis Branquinho
Hoje lembrei-me de recordar essa belíssima peregrinação douro acima  pelo facto do, entre as lembranças  que o  facebook me  trazia, para o dia de hoje, configurar  uma excelente fotografia de Luis Branquinho Pinto - 

Pois, se bem que seja agradável caminhar ao longo da margem e com Douro ao lado esquerdo, porém, menos poético não deixaria de ser se se pudesse viajar de comboio tranquilamente e sem esforço, com os olhos maravilhados, ora no espelho prateado ou azulado do rio, ora as encostas que o bordejam - Aqui não há a monotonia das grandes planícies alentejanas mas o desfilar de uma constante e ondulante surpresa geológica -

Pena que, a insensatez de quem só via quilómetros de betão armado e asfalto, não tivesse tido o mínimo de sensibilidade para ver que estava a cometer uma enorme barbaridade

AQUI FICA UMA RESPOSTA PARA FAZER PENSAR -COM ALGUMAS IMAGENS DE MINHA AUTORIA DO PASSEIO, DESDE A ESTAÇAO DE ALMENDRA A BARCA D'ALVA  

"A Linha do Sabor, que ligava o Pocinho a Duas Igrejas, em Miranda do Douro, demorou 30 anos a construir. Mas os governantes que, depois da Revolução de Abril de 1974, tiveram a pasta ferroviária, em especial nos executivos liderados por Cavaco Silva, não precisaram de tanto tempo para acabar com aquela linha e encerrar os troços da Linha do Douro entre o Pocinho e Barca de Alva, da Linha do Tua entre Mirandela e Bragança, da Linha do Corgo entre Vila Real e Chaves e da Linha do Tâmega entre Amarante e Arco de Baúlhe. Em menos de três décadas, colocaram fim a um património formidável que levou muitas mais a construir e que custou a vida a muitos trabalhadores. Todas estas linhas foram criadas para servir as populações mais isoladas do interior-norte e para permitir o escoamento de alguns produtos da região, como aconteceu com a Linha do Sabor, principal meio de transporte do minério da serra do Reboredo, em Moncorvo.

A desertificação do interior, com a fuga dos mais novos para o litoral e os tradicionais destinos de emigração, o desinvestimento da tutela nas linhas e no material circulante e a ditadura contabilística precipitaram o fim do comboio de via estreita em grande parte das linhas secundárias do Douro, deixando muitas povoações ainda mais isoladas e abrindo caminho ao incremento da rodovia e das empresas de camionagem.
Ao abandono

É verdade que os troços encerrados não eram rentáveis, como não o são os metros de Lisboa ou do Porto, por exemplo. Mas, para muitas populações, o comboio era o único meio de ligação que tinham, e nem mesmo a abertura de novas estradas acabou totalmente com esse isolamento. O mais grave é que o encerramento das linhas deixou os carris a saque e inúmeras estações, algumas de grande beleza, ao abandono. -


Algumas estações passaram para a posse das autarquias, que as adaptaram a outros fins. Mas o grosso desse património continua abandonado e algum já não tem qualquer possibilidade de recuperação. Inúmeros apeadeiros e pequenas estações são hoje autênticos montes de escombros



No início desta década, o então presidente da Refer, Mário Frasquilho, ainda chegou a afirmar que a empresa estava a "pensar nas diversas alternativas possíveis para utilizar ao máximo o património, nomeadamente através do turismo". E até encomendou um estudo à Spidouro - Sociedade de Promoção do Investimento no Douro, extensivo ao troço desactivado da Linha do Douro e às linhas do Sabor, Corgo, Tua e Tâmega, com o sugestivo nome de "Relançamento dos Patrimónios Ferroviários". 

Comboios de há 30 anos


  achava que naquelas linhas havia "instalações com dimensão para poderem ser transformadas em centros turísticos". "O que não é aceitável", acrescentou, "é continuar a permitir que o património fique ao abandono e a degradar-se, quando há soluções exequíveis que beneficiam as populações das zonas por onde outrora passou o comboio". 

O estudo foi feito, o comboio a vapor para turistas foi recuperado, mas nada mais avançou. Mesmo a Linha do Douro continua a ser servida pelos mesmos comboios de há 30 anos, apesar do aumento do turismo na região.~


Hoje, face à nova realidade rodoviária, não há ninguém de bom senso que reclame a reabertura dos troços de via estreita já encerrados. Mas já há unanimidade quanto à Linha do Douro. "Devia ser a via rápida do Douro. É a coluna vertebral da região. Está mesmo no coração do Douro e liga ao centro do Porto. Está a ver o que era ir do Pocinho ao Porto em duas, duas horas e meia?", diz Aires Ferreira, o presidente da Câmara de Torre de Moncorvo. 

Actualmente, os 172 quilómetros que separam o Pocinho de São Bento, no Porto, demoram três horas a percorrer de comboio. A viagem de carro demora menos 30 minutos. Mas o autarca - defensor igualmente da reactivação do troço entre o Pocinho e Barca de Alva - acha que não seria difícil reduzir o tempo do comboio, de modo a torná-lo competitivo. PÚBLICO . 
 https://www.publico.pt/2008/09/15/jornal/as-estradas-mataram-o-comboio-no-douro-276025


Nenhum comentário: