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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

PINTOR COLUMBANO BORDALO PINHEIRO 1857-1929 - O PRAZER DE ADMIRAR A OBRA DE UM DOS MAIS GENIAIS E FAMOSOS ARTISTAS PORTUGUESES – Recordando, nomeadamente, alguns quadros que dedicou à pintura feminina - Entre os quais de sua esposa Emília Bordalo Pinheiro

Jorge Trabulo Marques 

HOJE VOU AQUI RECORDAR O CÉLEBRE PINTOR COLUMBANO BORDALO PINHEIRO – NOMEADAMENTE ALGUNS DOS RETRATOS QUE DEDICOU À PINTURA FEMININA 

"Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929) o mais destacado pintor português do século XIX, é o artista que melhor expressa valores de modernidade, numa situação única na arte nacional. O Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado possui na sua coleção cerca de 200 peças deste autor, que foi diretor do museu de 1914 a 1927, entre elas obras tão fundamentais como o O Grupo do Leão, o Retrato de Antero de Quental, Concerto de Amadores, ou a Luva Cinzenta. Este retrato da mulher do artista inscreve-se numa reduzida série de retratos no feminino muito raros na obra de Columbano. Assim, o carácter quase exclusivo deste retrato de Emília Bordalo Pinheiro, normalmente representada em temáticas associadas a naturezas-mortas ou espaços de intimismo, revela uma frontalidade singular, a par de uma excelente técnica que valoriza o expressivo rosto da figura, recortado sob um fundo de pintura em mancha, habitual nos seus retratos"

"O Retrato da mulher do artista (Emília Bordalo Pinheiro)da autoria de Columbano, é a mais recente aquisição do MNAC - Museu do Chiado e poderá ser visto, a partir de sexta-feira, dia 20 de fevereiro, e pela primeira vez, na exposição permanente deste museu, ao lado de A chávena de chá do mesmo autor.
Distintos momentos de intimismo em cenas de um quotidiano banal, que Columbano sempre gostou de explorar, registam uma sensibilidade cúmplice na sugestão do sentimento pelo gesto feminino e pelo detalhe do retrato, aqui na representação da sua mulher. Em ambas as obras permanece a emoção, mas o mistério de um esclarece-se no outro, através de um tratamento diferenciado da luz.
Pintado possivelmente nos primeiros anos da década de 1900, relaciona-se com um outro retrato de Emília, de 1903, da coleção do Museu de Grão Vasco. Parece tratar-se de instantâneos, apreciações do modelo em movimento, com igual chapéu que se torna num ponto de referência. Pontuado de pequenas flores brancas, em breves pinceladas impressivas, o chapéu cria uma propositada tensão entre a indefinição deste motivo e o realismo da face, criando assim um apontamento de modernidade. O rosto iluminado evidencia-se e transmite a tranquilidade do olhar. O fundo, pintura em mancha que revela o seu puro prazer de pintar, recebe uma luz difusa, como em muitas outras pinturas desta fase. http://www.museuartecontemporanea.gov.pt/pt/artistas/ver/14/artists

"UM MONGE PINTOR"


"Em Portugal , Columbano vai aumentar o número dos seus admiradores, criando-se uma mitificação em torno da sua personalidade que era alimentada pela crítica. O seu nome era associado com vocábulo religioso, relacionado com a natureza monacal da sua vida (18/3/1912)". – Análise editada no bogue
(In)Cultura: Um Retrato

Que diz  ainda, que,  O Retrato de Maria Cristina Bordalo Pinheiro corresponde a uma tentativa de Columbano conferir maior claridade à sua paleta e maior graciosidade aos seus modelos, seguindo o conselho de Batalha Reis de dar mais "variedade à sua obra variando nos retratos". A alusão ao lento ritual do chá bem como à sereniddade da pose constituem valores estáticos que contrastam com certos elementos do trajo que indiciam a sua ruptura iminente. Com efeito, o chapéu sobre a cabeça e a sombrinha na mão indicam que ela estava entre dois tempos, tendo acabado de entrar ou estando prestes a sair, sendo que o pintor a cristalizou num momento de fruição doméstica, anterior ou posterior a uma experiência de mundanidade".
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Depois de ler este trecho compreendi melhor Columbano. Viajei num período da História portuguesa conturbado e pude apreciar a evolução cromática do pintor.
Há uma tela deColumbano de que gosto especialmente: Inês de Castro, de 1902, que está no Museu Militar. Um dia destes colocá-la-ei.
 A  TEMÁTICA FEMININA É ESCASSA NA SUA VASTA OBRA PICTÓRICA

Inédito - 
Noutra analise, comenta-se  que “foram raros os retratos de mulheres na obra de Columbano, com excepção daqueles que pintou de Maria Augusta, a irmã que foi a sua mãe protectora. Já velha e cansada, Maria Augusta casou convenientemente Columbano com uma discreta senhora que a substituiu na vida prática, modelo também de outros retratos e, sobretudo, de infelizes composições de pintura histórica e alegórica, desprovidas de sensualidade ou sentido decorativo. Mas foi no círculo íntimo das suas cumplicidades intelectuais e afectivas que Columbano encontrou a excepção para esta quase misógina ausência de modelos femininos. A sua família, sobretudo, proporcionou a colmatação temática desta lacuna, em pequenas séries que traduzem o recato burguês da vida familiar. Neste duplo retrato das suas sobrinhas favoritas, Columbano atinge uma qualidade mundana muito rara na sua obra. A pincelada é rápida, num virtuoso esboçar de mancha pictórica que lembra a pintura de um Boldini.

A temática e composição são elegantes, no assumir da forma oval de um tondo que se repete picturalmente no espaldar do cadeirão, onde se senta uma rapariga que lê e sobre o qual a outra se debruça ternamente, em reforço intimista. A luz incide e irradia das páginas do álbum e repercute-se em virtuoso contre-plongée sobre o rosto da leitora, realçando uma atmosfera de recato crepuscular.
A nota mundana é reforçada pelo próprio trajar das figuras, ricamente vestidas, com os rostos moldurados por grandes chapéus emplumados de aba larga, na definição de um arquétipo feminino.  Rui Afonso Santos
http://www.museuartecontemporanea.gov.pt/pt/pecas/ver/394/artist



A sua formação artística desenvolveu-se num ambiente familiar, entre os estudos de pintura holandesa e flamenga, exigidos pelo pai, o artista Manuel Maria Bordalo Pinheiro e o contacto com o realismo, sob influência do seu irmão mais velho, Rafael Bordalo Pinheiro. Aluno pouco assíduo da Academia de Belas-Artes de Lisboa, Columbano estreou-se nas exposições da Sociedade Promotora das Belas-Artes com pequenos quadros de género, na década de 70. Em 1880 obtém o pensionato particular da Condessa d’Edla para uma estada em Paris, depois de ser preterido em dois concursos do Estado. Antes de partir, realiza um conjunto de pinturas, importantes pela observação crítica e irónica de ambientes burgueses portugueses e realiza, já em Paris, Concerto de Amadores, obra intimista de grandes dimensões, recusada no salão da Promotora de 1883 e mal entendida por uma crítica artisticamente pouco preparada. Em Lisboa, regista a camaradagem do Grupo do Leão, 1885, num grande retrato colectivo, centrado na figura do mestre da geração naturalista, Silva Porto. Realiza várias decorações em palacetes particulares, como o Valenças, Museu de Artilharia e sala dos Passos Perdidos da Assembleia da República, onde regista, em vastos painéis, um interessante conjunto de políticos contemporâneos que associa a figuras marcantes da História de Portugal.
Dedica-se preferencialmente ao retrato de amigos e familiares, nos anos 80, numa paleta de tonalidades claras, que posteriormente escurece, nos retratos de intelectuais portugueses, já na viragem do século, numa característica pintura em mancha e tonalidades, terminando numa obsessiva preocupação pelo tratamento da luz que desmaterializa a figura. Pioneiro do realismo, as suas obras referenciam artistas como Velázquez, Rembrandt, Manet, Degas, Courbet, Fantin-Latour. Amigo de Sargent, próximo da estética do alemão Leibl, Columbano constrói uma original modernidade.

A VASTA OBRA DE COLUMBANO  PODE SER VISTA EM https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pinturas_de_Columbano_Bordalo_Pinheiro

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