expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

sexta-feira, 19 de abril de 2019

SEXTA-FEIRA SANTA – O SAGRADO RITUAL DE HÁ DOIS MILÉNIOS - QUE RECORDA A CRUCIFICAÇÃO, MORTE E O SEPULCRO DE JESUS CRISTO EM NOME DA SALVAÇÃO DA HUMANIDADE







Hoje, Sextafeira- Santa- O Dia considerado, pela liturgia católica, em que o mundo cristão recorda  o julgamento, paixão, crucificação, morte e sepultura de Jesus Cristo, através de diversos ritos religiosos.– Vila Nova de Foz Côa, onde a população é maioritariamente católica, mantem  viva a tradição – 

Estas imagns, foram registadas  há cinco anos  - Eram dez horas da noite quando a procissão, presidida pelo padre António Ferraz, saía da Igreja Matriz para evocar o Auto da Paixão de Cristo em alguns pontos da cidade.

Passos mais ou menos cadenciados, orações e cânticos, sons de banda filarmónica  entrecortados por   silêncios  ou algumas palavras furtivas, emprestaram ao ato momentos de impressionante pendor religioso e místico.


v



A tradição já não é como antigamente. Os sinos deixavam de tocar e os únicos sons que se ouviam eram o das matracas.  E também já lá vai o tempo dos  longos jejuns  e da abstinência de carne, salvo quem comprasse as bulas. Hoje a procissão é acompanhada por uma banda filarmónica,  a de Freixo de Numão, por sinal a única no concelho, mas nem por isso deixa de continuar a ser um ritual que apela  - mesmo para quem não professe o catolicismo – para os sentimentos mais profundos sobre a  meditação dos mistérios da vida e da morte.




HOJE SEXTA-FEIRA SANTA - DIA DE RECOLHIMENTO E DE REFLEXÃO


 

Canto a Deus
a terra e o sol que me viu nascer
Envolto em ténue névoa,
fluindo em etéreo véu de brancura e mistério,

a sós, em perfeita harmonia comigo próprio e com os astros,
longe do bulício da cidade,
longe de tudo, do tumulto da vida e do mundo,
aspirando os odores de terra, das flores e das fragas,
canto o vosso cântico, ó Senhor Deus, meu Sol eterno! Astros Amigos!
Não, não estou só. Neste sítio tão calmo, de solidão e de imenso espaço.
Tudo é igual a mim. Sou tudo o que me rodeia.
A abóbada do ar que me cobre. A luz que cai do alto e unge os meus olhos.
A pedra que piso e me faz pulsar o peito da adolescência perdida.
A débil névoa que me envolve e me transfigura.
Tudo habita em mim e eu habito o coração de tudo .
Oh, aqui, onde me encontro, não há tempo nem lugar definidos,
tudo é assombro, esplendor,
tudo faz parte do mesmo Deus,
tem a matriz do Criador,
só há eternidade, eternidade!






segunda-feira, 15 de abril de 2019

Fernando Namora, escritor e médico, completaria hoje 100 anos se fosse vivo - O meu último encontro com o autor “Retalhos da Vida de Um Médico”, foi em 1987, doís anos antes da sua morte – Na altura em que foi nomeado Cidadão Honorário de Idanha-a-Nova, em 1987 - Hoje o Presidente Marcelo lembrou o autor, um dos maiores, segundo a Associação Portuguesa de Escritores, em Condeixa-a-Nova, na casa museu Fernando Namora


O Presidente da Repúblic, Marcelo Rebelo de Sousa,  lembrou  hoje  a figura e a obra de Fernando Namora, , um dos maiores, segundo a Associação Portuguesa de Escritores.
As reverências realizadas esta segunda-feira em Condeixa-a-Nova, na casa museu Fernando Namora, assinalam o dia em que o autor completaria 100 anos, e são merecidas, de acordo com o presidente da Associação Portuguesa de Escritores.
A sua poesia "é assim como uma vida que vagueia pelo mundo,/ por todos os caminhos do mundo, desencontrados como os ponteiros de um relógio velho". Escrevia assim Namora, e José Manuel Mendes lamenta que sobre a sua obra tenha aflorado a sombra. A obra "foi, de algum modo, esquecida". Tem de ser "reposta, para encontrar novos leitores". "Isso é o que verdadeiramente importa na celebração de um autor, no centésimo aniversário do seu nascimento", analisa o representante da Associação Portuguesa de Escritores, à conversa com Fernando Alves, jornalista da TSF. https://www.tsf.pt/cultura/interior/fernando-namora-faria-100-anos-a-sua-obra-tem-de-ser-reposta-para-encontrar-novos-leitores-10798482.html
Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista (fotos recolhidas da Net) - Ouça as suas palavras (intervaladas com breves sons musicais)




Cidadão Honorário de Idanha-a-Nova, em 1987  - "Eu ontem, tive conhecimento, através dos jornais da manhã…realmente, não me passava pela cabeça que a Câmara de Idanha-a-Nova tivesse tido essa iniciativa!... Como digo, foi para mim uma surpresa muito agradável” 

Dois anos antes da morte do Fernando Namora, que padecia de doença prolongada, a Câmara Municipal de Idanha a Nova, atribuiu por unanimidade  ao escritor que residiu neste concelho e ali escreveu parte da sua vasta obra literária, o título de cidadão honorário – No dia seguinte, à noticia, avançada pelos jornais, que, segundo nos confessara,  surpreenderia,  agradavelmente,  o próprio autor de Retalhos da Vida de Um Médico (de cerca de três dezenas obras publicados, algumas das quais elevadas ao cinema, das  mais divulgadas e traduzidas nos anos 70 e 80), fomos recebidos em sua casa, para que nos falasse  dessa sua experiência, como médico, como homem e como escritor naquela região.

 Nessa altura, eu era jornalista na redação da Rádio Comercial RDP, colaborava na equipa da 24ª hora, e uma das minhas tarefas diárias, consistia, em todos os programas, apresentar declarações ou entrevistas com personalidades do nosso meio, nos vários domínios de atividade – Tendo tomado conhecimento, da referida distinção, telefonei a Fernando Namora, se não se importava  de me dar a sua opinião, pedido a que acedeu amavelmente, tanto mais que já nos conhecíamos de anteriores entrevistas, e, até de algum convívio, quer na sala de sua casa, como em acontecimentos literários – Sim, pois cheguei a ser quase seu vizinho, da Avenida Infante Santo, quando ali tive um romance amoroso.

Fernando Gonçalves Namora nasceu em Condeixa-a-Nova em 15 de Abril de 1919 e faleceu em Lisboa, 31 de Janeiro de 1989 - .Dois anos depois destas suas declarações
Pertenceu à geração de 40, grupo que reuniu personalidades marcantes como Carlos de Oliveira, Mário Dionísio, Joaquim Namorado ou João José Cochofel.

O seu volume de estreia foi Relevos (1937), livro de poesia, “porventura sob a influência de Afonso Duarte e do grupo da Presença. Mas já publicara em conjunto com Carlos de Oliveira e Artur Varela, um pequeno livro de contos Cabeças de Barro. E, em 1938”,  o seu primeiro romance, As Sete Partidas do Mundo. A partir daí foi realmente o catapultar de uma obra vasta e rica, que estende por 27 títulos, cujo temática, partindo do espaço português, que o levaria como um viajante em demanda do mais largo conhecimento do mundo e das mais diversas gentes que o habitam.
É justamente considerado, como um dos nomes cimeiros da nossa literatura, e mesmo até Universal!.. Os dois últimos livros foram  Sentados na Relva, cadernos de um escritor – 1986 ; Jornal sem Data, cadernos de um escritor – 1988.

Sem dúvida, um homem simples mas de uma grandeza de alma fantástica, de uma grande generosidade, mas  a quem o destino haveria de reservar um fim de vida de enorme sofrimento – Ele que tinha ainda tanto para nos oferecer! –Morreu aos 69 anos.

 Um dia abriu-me uma das gavetas da sua secretária, e disse-me: Jorge! Está a ver o que aqui tenho ainda por publicar!...  Mas já não vou ter  tempo de o fazer!” – A que eu contrapus:  Senhor Dr: não diga isso!... Como sabe, a medicina, está muito avançada  e vai curar-se com certeza” – Sua resposta: Jorge!... Eu sou médico! Sei o que tenho! – E, de facto, pelo que me apercebi, tinha plena consciência da sua enfermidade, que, segundo ainda me recordo, o teria levado a implante esfíncter artificial.

Uns anos antes, recordo também o dia em que o encontrei num evento cultural, que decorria num dos salões do Hotel Sheraton (onde, afinal, iniciaria o dito romance )
creio que por altura do Natal: apareceu lá vestido com uma espécie de capote, parecendo mais um campesino de que um homem da cidade. Mas não se demorou por ali muito tempo, confessando-me: “já me vou embora! Estas coisas, cansam-me! E, de facto, tal como entrou, discretamente, assim saiu.

Eis como  é recordado pelo jornalista e escritor Baptista Bastos: “A notícia da próxima saída de um livro de Namora causava grande alvoroço. Ocasiões houve em que, antes de sair a público, a primeira edição de alguns dos seus livros (cinco mil, sete mil e quinhentos exemplares) já estavam esgotadas. E há títulos de Namora que constituem importantes documentos literários da vida portuguesa. O seu impressionante êxito: edições de milhares e milhares de exemplares, traduções constantes, ensaios, estudos exegeses, teses sobre a sua obra, amiudadas vezes requisitado pela Imprensa a fim de depor acerca de este e de aquele assunto; entrevistas, comentários - enfim, essa glória que o envolveu não deixou de causar invejas e ressentimentos. A vida literária portuguesa não é diferente da vida literária em outros países [leia-se, a título de exemplo, "Écrits Intimes", de Roger Vailland, outro grande esquecido]. E Namora, cuja generosidade e camaradagem eram lendárias, sentia, profundamente, a circunstância. No entanto, jamais deixou de ser amável e cortês, até efusivo, com muitos daqueles que o atropelavam nas tertúlias dos cafés." 

"Uma boa parte da minha obra, está ligada à Beira-Baixa!"

Eis como, Fernando Namora,  nos descreveu a sua experiência como médico, como homem e como escritor naquela região, referindo que foi uma surpresa agradável ao tomar conhecimento desta distinção

Suponho que devo confessar mais uma vez – já o tenho dito – frequentemente, sempre que se justifica, bem entendido,

A minha ida para a Beira Baixa – e mais concretamente a minha estada, durante dois anos e tal e depois ao longo dos anos que se seguiram, o facto de, com uma certa frequência, eu ir passar férias, enfim, ou ir passar uns tantos dias, a Monsanto, do Concelho de Idanha-a-Nova, deu-me um conhecimento muito íntimo, muito autêntico dessa região!... E teria bastado para isso o facto de eu ter sido lá médico: fui médico, não apenas em Monsanto, como também tinha sido anteriormente numa aldeia dos arredores de Castelo Branco e também médico de umas minas efémeras no concelho de Pena Macor –De qualquer modo, sempre na mesma região.

De modo que, essa experiência, enfim, como cidadão, como homem, e a experiência como médico; ou seja, o quanto essa experiência humana repercutiu depois na minha obra literária?... Pois é um facto!... E é um facto, enfim, confessado da minha parte e sabido  de umas tantas pessoas.

Não há dúvida nenhuma, que uma boa parte da minha obra, está ligada à Beira-Baixa! Está ligada a essa região!... Se eu não tivesse tido essa experiência humana, não a teria escrito!... Teria escrito outros livros, bem entendido, mas não aqueles.

Ora, o facto de ter havido da parte da Câmara de Idanha-a-Nova, o reconhecimento de que, efetivamente, assim aconteceu…. Isto é, que tanto a minha vida, como a minha obra literária foram bastante influenciadas pelo meu conhecimento, tão direto da vivência da Beira-Baixa, pois é um facto agradável e que eu não posso deixar de assinalar para mim próprio, tanto mais que constituiu uma surpresa!... Eu ontem, tive conhecimento, através dos jornais da manhã…realmente, não me passava pela cabeça que a Câmara de Idanha-a-Nova tivesse tido essa iniciativa!... Como digo, foi para mim uma surpresa muito agradável.

Na informação dada, há, no entanto, aqui um elemento que não será inteiramente exato: associa-se, essa tal minha vivência, essa  minha experiência literária da Beira Baixa,  com o livro “Retalhos da Vida de Um Médico”… Ora, efetivamente, eu escrevi, parte da primeira série da Vida de Um Médico, em Monsanto, ou seja, na Beira Baixa, ou seja no concelho de Idanha-a-Nova… mas o resto do livro, foi escrito, já no Alentejo, e, posteriormente, aqui em Lisboa.

O que eu escrevi, inteiramente em Monsanto, foi, por exemplo, A Noite e Madrugada, parcialmente, Minas de São Francisco…. E digo parcialmente, porque eu suponho ter começado esse livro, ainda nos arredores de Castelo Branco!... Depois, em Monsanto, é que eu escrevi, quase tudo, o restante do livro, na sua maioria. E ainda outras obras… Mesmo, quando Monsanto, não está, declaradamente,    presente, Monsanto ou a região, a verdade é que me aconteceu, ou tem-me acontecido ao longo destas últimas décadas, eu, de um modo geral, até terminar os livros em Monsanto!... Ou pelo menos, acelerá-los! … Começo os livros, em Lisboa, e, quando os livros, já adquirem o seu ritmo próprio,  e quase, que, enfim, se me impõem, então eu vou para Monsanto e então é lá que eles são elaborados!... Numa outra atmosfera íntima de  serenidade, de conciliação, entre mim e o meio-ambiente!... Quer dizer, que ao longo destes anos , tem sido muito estimulante do ponto de vista literário, as minhas várias estadas em Monsanto!... Isto é apenas uma informação no que diz respeito  à relacionação de alguns dos títulos do conjunto da minha obra essa região de que acabámos de falar.
Quanto aos “Retalhos da Vida de Um Médico”, poderemos dizer que talvez seja, ainda hoje, o meu livro mais popular, porque transmite uma autenticidade de vida de uma maneira muito mais direta de que outros livros!... Mas não sei se será o mais significativo!....

Quando me fazem a pergunta… e, aliás, ela é-me feita repetidamente: qual o livro que eu suponho ou mais importante ou mais bem acabado!... Ou mais equilibrado!...Em suma, mais significativo no conjunto do meu trabalho?!... Eu costumo dizer que a minha resposta varia de dia para dia!... E não é porque haja leviandade nesse tipo de resposta!... É porque, também os livros correspondem a uma atmosfera íntima!... E a nossa atmosfera íntima … - isso acontece com todas as pessoas, bem entendido – nem sempre é a mesma!... Mas é curioso que eu é raro citar os “Retalhos da Vida de um Médico”, quando essa pergunta me é feita!... Talvez porque há uma tendência valorizar mais  os romances de que qualquer outro género literário, concretamente da ficção!... Se é esse um dos motivos, não sei!...  Agora, que, há da parte dos leitores uma  relativa fidelidade aos “Retalhos da Vida de Um Médico”, há!, isso sim, suponho que é um facto!...

Efetivamente, a Câmara da minha terra natal, ou seja, Condeixa, adquiriu, recentemente, a Casa donde eu nasci e pretende transformá-la numa Casa Museu!... Claro que foi para mim, também muito agradável, este gesto da Câmara da minha terra natal!.. E não posso deixar também de sublinhar essa iniciativa e esse interesse manifestado pelos meus conterrâneos!...

OUTROS DADOS BIOGRÁFICOS DE FERNANDO NAMORA

Ainda estudante e com outros companheiros de geração funda a revista Altitude e envolve-se activamente no projecto do Novo Cancioneiro (1941), colecção poética de 10 volumes que se inicia com o seu livro-poema Terra, assinalando o advento do neo-realismo, tendo esta iniciativa colectiva, nascida nas tertúlias de Coimbra, de João José Cochofel, demarcado esse ponto de viragem na literatura portuguesa. Na mesma linha estética.
A sua obra, em termos de correntes literárias, evoluiu no sentido dum amadurecimento estético do "neo-realismo", o que o levou a enveredar por caminho mais pessoal. Não desprezando a análise social, a sua prosa ficou marcada, sobretudo, pelos aspectos do burlesco, observações naturalistas e algum existencialismo

Colaborou com várias publicações periódicas, como Sol Nascente, O Diabo, Seara Nova, Mundo Literário, Presença, Altitude, Revista de Portugal, Vértice, entre outras.
É Autor de várias colectâneas de poesia e de uma pouco conhecida obra como artista plástico, é sobretudo como ficcionista que o nome de Fernando Namora marca a literatura portuguesa contemporânea, tendo granjeado um sucesso a nível nacional e internacional  e que, durante os anos 70 e 80, foi das mais divulgadas e traduzidas.
Por uma questão de sistematização da sua obra, poderemos  identificar as seguintes fases distintas de criação literária:

O ciclo de juventude, principalmente enquanto estudante em Coimbra, coincidente com o livro-poema Terra e o romance Fogo na Noite Escura;
O ciclo rural, entre 1943 e 1950, representado pelas novelas Casa da Malta (escrita em 8 dias) e Minas de San Francisco, ou pelos romances A Noite e a Madrugada, O Trigo e o Joio sem esquecer os Retalhos da Vida de um Médico, cuja edição espanhola (1ª tradução) apresenta o prefácio de (Gregório Marañón);

O ciclo urbano, coincidente com a sua vinda para Lisboa, marcado pela solidão e vivências do quotidiano, e que se terá reflectido no romance O Homem Disfarçado, em Cidade Solitária ou no Domingo à Tarde;

O ciclo cosmopolita, ou seja, dos cadernos de um escritor, balizado no final dos anos 60 e década de 70, explicado pelas muitas viagens que fez, nomeadamente à Escandinávia, e pela sua participação nos encontros de Genebra;
O ciclo final, entre a ficção contemporânea, onde se insere o romance O Rio Triste ou Resposta a Matilde, intitulado pelo próprio divertimento, e as reflexões íntimas de Jornal sem Data (1988)
Em 1981, foi proposto para o Prémio Nobel da Literatura, pela Academia das Ciências de Lisboa e pelo PEN Clube.
O seu espólio constituído por correspondência recebida, rascunhos de cartas enviadas, manuscritos de textos da sua vasta produção e colaboração dispersa por publicações periódicas, textos de conferências, entre outros, encontra-se incorporado no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea (ACPC) da Biblioteca Nacional de Portugal,
na casa que foi residência dos seus pais e sua, em Condeixa,  foi inaugurado, em 30 de Junho de 1990, um museu onde se encontram objectos e documentos pessoais, bem como quadros da sua autoria e livros
Entre os muitos títulos que publicou em prosa contam-se:
1943 - Fogo na Noite Escura;
1945 - Casa da Malta;
1946 - As Minas de S. Francisco;
1949 e 1963 - Retalhos da Vida de um Médico;
1950 - A Noite e a Madrugada;
1952 - biografias romanceadas de Deuses e Demónios da Medicina;
1954 - O Trigo e o Joio;
1957 - O Homem Disfarçado;
1959 - Cidade Solitária;
1961- Domingo à Tarde (Prémio José Lins do Rego);
1972 - Os Clandestinos;
1980 - Resposta a Matilde;
1982 - O Rio Triste (Prémio Fernando Chinaglia, Prémio Fialho de Almeida e Prémio D. Dinis);
Em Poesia publicou:
1940 - Mar de Sargaços;
1959 - As Frias Madrugadas (Toda a sua produção poética seminal foi reunida numa antologia)
1969 - Marketing;
1984 - Nome para uma Casa;
Fontes:
Fernando Namora. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-07-21]. Disponível na www: http://www.infopedia.pt/$fernando-namora>













sexta-feira, 12 de abril de 2019

Noite de Estrelas na Luz - Benfica vence Eintracht com hat-trick de João Félix 4-2 com um artista feliz até às lágrimas

Jorge Trabulo Marques - Foto-jornalismo  -  Fotos do meu arquivo























Confirma-se a vitória do Benfica, que prognosticámos ao principio da tarde noutro site  - Benfica vence Eintracht com hat-trick de João Félix (4-2) – O Benfica venceu o Eintracht na Luz com três golos de João Félix e outro de Rúben Dias (4-2). Os alemães reduziram por intermédio de Jovic e Gonçalo Paciência. A segunda mão joga-se na próxima semana. https://observador.pt/2019/04/11/benfica-eintracht-frankfurt-gedson-e-cervi-no-onze-corchia-no-lugar-de-andre-almeida-e-seferovic-e-pizzi-no-banc

Estas eram as minhas palavras  ao principio  da tarde em Odisseias Nos Mares - TAREFA DIFÍCIL, MAS MISSÃO NÃO IMPOSSÍVEL - ESPERA-SE QUE O BENFICA, HOJE, POSSA DAR ESTA ALEGRIA AOS BENFIQUISTAS E QUE O ÁRBITRO NÃO CONSTRUA CASOS INDESEJÁVEIS

É noticia que a UEFA nomeou o árbitro Anthony Taylor para o Benfica-Eintracht Frankfurt da próxima quinta-feira (20 horas), no Estádio da Luz, partida referente à primeira mão dos quartos de final da Liga Europa.


Taylor, 40 anos e internacional desde 2013, será auxiliado pelos compatriotas Gary Beswick e Adam Nunn, enquanto Lee Betts assumirá funções como quarto árbitro.

Será o terceiro encontro do árbitro britânico com equipas portuguesas depois de ter apitado o FC Porto-Besiktas (1-3) da fase de grupos da Liga dos Campeões, na época passada, e o Belenenses-Altach (0-0), nos play-offs da Liga Europa, em 2015/16. - Diz a Bola em https://www.abola.pt/Nnh/Noticias/Ver/782434

 CONFIRMA-SE A VITÓRIA DO BENFICA 





Não estivemos no Estádio nem vimos o jogo na televisão – Mas reproduzimos, com muito gosto, estas linhas
"João Félix viveu uma noite de sonho esta quinta-feira no Estádio da Luz. O jovem avançado do Benfica apontou três golos na receção ao Eintracht Frankfurt e no momento em que completou o hattrick, aos 54 minutos, não conteve as lágrimas ao mesmo tempo que estava a ser abraçado pelos companheiros de equipa   Um, dois, três. João Félix chegou ao hat trick e não conteve as lágrim

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Meu Guia, Minha Luz e Farol - Obrigado Jesus por me iluminares nas horas em que mais preciso de Vós



Ó Senhor Jesus, de Israel, de olhar puro e azul
Sagrado rosto de imortal fulgor e brilho sagrado
Viver consumindo a luz da Tua Santa graça
É sublime dádiva de sol cósmico encantado

Um dia Feliz e Pleno de Bênçãos e Divinas Graças.
É manhã alta. Estou em jejum, sem me ir deitar
Ouvindo hinos de oração de esplendor e luz
Mas quando no meu leito ir descansar
Quero que meu corpo e meu coração
Possa tranquilamente se espiritualizar







domingo, 7 de abril de 2019

SÃO TOMÉ - NESTA ILHA DE NOME SANTO, NASCEU, JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS, HÁ 126 ANOS, NA ROÇA SAUDADE, FREGUESIA DA TRINDADE - 7-04-1893 – 15-06-1970 – Um dos mais destacados artistas do movimento modernista português do século XX., que abraçou todas as artes - desenho, pintura, romance, poesia, ensaio e dramaturgia. Naquele berço encantado, que haveria deixar ainda em criança, por morte de sua mãe, sim, das ruínas e do triste abandono em que se encontrava, foi erguido, há quatro anos, a casa museu, com o seu nome, mercê do abnegado esforço de um empreendedor jovem santomense - Seu filho Afonso, no ano em que ali me quis acompanhar, quis o destino que partisse ao encontro da alma de seu pai

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador




"Naquele berço encantado, que era a sede da Roça Saudade, nasceu José de Almada Negreiros, a 7 de Abril de 1893. Da terra da sua naturalidade foi arrancado, na tenra idade de 2 anos, e transplantado para Lisboa, em 23 de Abril de 1895, passando a viver em Cascais, em casa dos avós e tios maternos, da família Freire Sobral" - Padre. António Ambrósio.



"
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce." – E assim também renasceu das ruínas a casa onde nasceu Almada Negreiros, na Roça Saudade, em São Tomé, graças à corrida solitária de
Joaquim Cabangala Victor, guia turístico, natural de São Tomé. 

Certo de que a sua ideia  podia transformar uns já irreconhecíveis caboucos numa Casa de Artes e Museu, em memória do genial pintor, poeta, romancista e dramaturgo e abraçar um apaixonante projeto de vida,  foi o pensamento que norteou Joaquim Victor, mesmo partindo quase de mãos vazias, confiante na sua determinação e no alcance cultural e turístico da sua iniciativa  -A edificação de uma casa de madeira, alpendrada, assente justamente sobre algumas colunas e rebocos do antigo solar, é já uma espantosa realidade

Situada na antiga Roça Saudade, a cerca de 800 metros de altitude, próxima da antiga Pousada Salazar, e também relativamente perto de uma das mais belas cascatas de São Tomé, a cascata de São Nicolau e do Jardim botânico.

Joaquim Victor, que recolheu vários apoios em Portugal, menos oficiais “por se tratar de uma iniciativa particular”, é, com certeza, agora  um homem muito feliz. Teve a gentileza de nos dar a boa nova, há dois anos,  através de um telefonema 

 Já nos havíamos apercebido dessa comovente surpresa, a que neste site fizemos referência, nomeadamente, na visita que ali fizemos em Outubro de 2014, numa fase em que ainda decorriam obras de acabamento, mas, finalmente, aí está a concretização de um projeto cultural e turístico, muito interessante. inaugurado, oficialmente, com a presença de familiares, amigos e admiradores da  vida e obra do autor do autor do “Manifesto Anti-Dantas
 





Arquiteto José Afonso de Almada Negreiros - Filho de José de Almada Negreiros e de Sarah Afonso  

Imagens registadas no ano de sua morte - em 2009

COMO O TEMPO PASSA...

 - Sim, como o tempo passa!... Até parece que foi ontem, que  eu e o meu amigo, o pintor João Neves, tomávamos um café com ele na Calçada do Combro, na Pastelaria Oreon,  com vista a combinar a sua deslocação à Roça Saudade - Era a terceira vez que falava com ele, depois que o conhecera nos habituais convívios do  Botequim  de Natália Correia  situado no Largo da Graça, em Lisboa. 

Na primeira vez, procurei-o para lhe comunicar que ia ser leiloado um importante espólio de  seu pai e de sua mãe, Sarah Affonso, quadros inéditos que ele devia desconhecer, dado terem sido pintados há muitos anos - Talvez, com ele, ainda criança. Um amigo meu, havia-me pedido para tratar desse assunto - A esposa, filha de um casal (português e espanhol) e que mantivera estreitas relações de amizade com o artista, era herdeira de uma vivenda , em Belém, na zona das vivendas dos embaixadores e queria vender a casa, o vitral de Almada e várias obras. A segunda vez, foi para o avisar de que havia deparado com vários desenhos(falsificados)  à venda na Feira da Ladra, como se fossem obras assinadas por seu pai. Pediram-me 120 contos por cada um. Por fim, já me ofereciam vários por 5000$00.  A imitação da assinatura era perfeita. Mas vi logo que só podia ser falsificação. Não era o primeiro caso. Também outros famosos artistas eram ali igualmente pirateados.





 O último encontro foi  casual  e ocorreu na esquina da Calçada do Combro, com a Rua Marchal Saldanha, tendo-o convidado a tomar um café, sugerindo-lhe  a possibilidade de o acompanhar numa visita à Ilha de São Tomé, para ali ir conhecer as instalações (já em ruinas) onde seu pai viera à luz do Equador, sugestão que ele aceitou com muito agrado, acrescentando que era um sonho que alimentava há muito tempo.  Dia para a dia para nos voltarmos a encontrar e acertar essa viagem (pois deu-me um cartão com a sua morada e o contacto) agora é tarde de mais.  




Almada, artista multidisciplinar que se dedicou fundamentalmente às artes plásticas e à escrita, ocupando uma posição central na primeira geração de modernistas portugueses.
Quem gostaria de também ali estar era o seu filho Arquiteto  José Afonso Almada Negreiros, que, no mesmo ano em que falecera, nos chegara a manifestar o seu grande desejo de ir conhecer a Roça onde seu pai nascera 

José de Almada Negreiros nasceu em São Tomé  na Roça Saudade, freguesia da Trindade, às 3 hora da manhã do dia 7 de Abril de 1893.
Da terra da sua naturalidade foi arrancado, na tenra idade de 2 anos, e transportado para Lisboa, em 23 de Abril de 1895, passando a viver em Cascais, em casa dos avós e tios maternos, da família Freire Sobral.

«Aos vinte e quatro dias do mez de Junho do anno mil oitocentos e noventa e três, nesta Egreja Parochial da Santíssima Trindade, Concelho de S. Thomé, Diocese de S. Thomé e Príncipe, baptizei solemnemente um indivíduo do sexo masculino, a quem dei o nome de - JOSÉ- e que nasceu nesta freguesia, na Fazenda Saudade, às três horas da manhã do dia sete do mês d' Abril do anno de mil oitocentos e noventa e tres, filho illegítimo de digo legitimo de António Lobo d' Almada Negreiros, casado, natural de Portugal, proprietário, agricultor e de Dona Elvira Sobral de Almada Negreiros, casada, natural desta freguesia, proprietária, parochianos desta freguesia, moradores na mencionada Fazenda, neto paterno de Pedro d' Almada Pereira e de Margarida Francisca de Almada Lobo Branco de Negreiros. Foi padrinho José António Freire Sobral, casado, proprietário e agricultor e madrinha Dona Marianna Emília de Souza Sobral, casada, proprietária e agricultora, os quaes todos sei serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de ser lido e conferido perante os padrinhos comigo o assignaram”-In Almada Negreiros  Africano - António Ambrósio

Este o poema que, seu pai, lhe dedicaria, no livro Equatoriaes, escrito no dia 7-4-1894  - Ou seja, um ano depois do seu nascimento:

Um anno! Um beijo de luz
Na tua fáce, criança!
Suavíssima esperança
Que desabrócha e seduz!

Nunca se acábe a bonança
Que a tua frônte tradúz,
Como um beijo de Jesus
Da Mãe na virginea trança

António Lobo de Almada Negreiros



Os meus olhos não são meus, são os olhos do nosso século", palavras recordadas na exposição dedicada a um dos artistas mais ativos e completos do modernismo português, que "tentou fixar uma linguagem universal".

– A Fundação Gulbenkian, há dois anos, dedicou-lhe uma exposição especial,  "José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno", constituída  pelo roteiro artístico de  400 obras do trabalhos,  acompanhada pela edição de um livro, "cujos olhos mostraram o século XX". O próprio Almada Negreiros (1893-1970) admitia que os seus olhos eram grandes, "e que se tornaram uma metáfora para a condição do artista que tem de olhar para o mundo", recordou, no ato inaugural, Mariana Pinto dos Santos, a organizadora da historiadora de arte e investigadora.


Amada Negreiros, o homem que quis comer todas as artes” – Disse, na ocasião, o PÚBLICO
São 400 obras distribuídas por duas grandes galerias, muitas delas inéditas. Pintura, desenho, vitral, cerâmica, cinema, novela gráfica, teatro, dança... Almada Negreiros, “o omnívoro”, numa exposição que quer mostrar que o modernismo pode ter várias caras, é plural

Atravessa-se a exposição com uma sensação de familiaridade – Almada Negreiros faz parte de um certo imaginário colectivo quando se fala da arte do século XX em Portugal – e de descoberta. Os inéditos são muitos e surpreendentes: uns, como o retrato de Tareca, uma das meninas da alta burguesia lisboeta com quem o artista cria os seus bailados, não parecem sequer feitos por ele; outros, como o que terá pertencido a Gonçalo de Mello Breyner, tio de Sophia e amigo de Almada, mostram corpos de género indefinido cobertos por linhas finas e são como um mistério. https://www.publico.pt/2017/02/03/culturaipsilon/noticia/o-homem-que-quis-comer-todas-as-artes-1760305




A ROÇA SAUDADE: UM SONHO E UM BERÇO 

Sim, foi um sonho e um berço para quem lá nasceu e viveu. Mas a vida das pessoas não é eterna, tal como também não são as construções humanas. E a sua longevidade é curta, sobretudo quando desabitada e deixada ao abandono. Foi o que sucedeu ao principal edifício da Roça Saudade, que, muito antes de se falar da independência de S. Tomé e Príncipe,   acabara por ficar reduzida a meras ruínas. irreconhecível - Mas eis a descrição do que chegara a ser

 "A casa  onde Almada nasceu, na sede da Roça Saudade – diz ainda António Ambrósio – “estava suspensa sobre uma profunda grota, e aberta a nascente, por uma varanda corrida, ao estilo tropical, para um mar de verdura, que, depois da primeira quebra, se espraiava, numa ondulação aparentemente suave, por vários quilómetros de extensão, em forma de leque rendilhado, até ao mar-oceano.

(…)Por fora, a Saudade era um mimo. O comendador José António Freire Sobral fizera da sede uma estância modelar: além das instalações para habitação e trabalho, das sanzalas  e dos secadores, e do hospital de boa construção, a Roça tinha um amplo terreiro, onde, como uma bandeira hasteada, se erguia uma elegante palmeira de 54 metros de altura (Veja-se: Almada Negreiros, História Ethnographica da Ilha de S. Tomé, p.272). Na parte superior do terreiro, em zona mais elevada, situavam-se os jardins, dispostos em socalcos. No meio, sobressaía  um artístico  caramanchão, todo coberto de buganvílias e trepadeiras. Junto, uma nascente de água puríssima foi aproveitada para construir  uma pequena  fonte, bem adornada de azulejos  pintados  e com dois grandes jarrões de porcelana envidraçada, aos lados” Im Almada Negreiros Africano”

"Almada, todas as peças da mesma coisa"

"Olhar para Almada Negreiros, O menino d'olhos de gigante, é ver muitos: o Almada das Belas-Artes, o Almada das Letras, o Almada da Geometria, o Almada dos palcos e das performances ... E, dentro destes, tantos outros. Tantos que se torna fácil imaginá-lo dentro do tudo com que ele próprio assinou o Manifesto Anti-Dantas e por extenso (1916): «José de Almada-Negreiros Poeta d'Orpheu Futurista e Tudo». - Por Sílvia Laureano Costa"



OUTROS TRAÇOS DA SUA BIOGRAFIA -
 
(...) "Pela sua obra plástica, que o classifica entre os primeiros valores da pintura moderna; pela sua obra literária, que vibra de uma igual e poderosa originalidade; pela sua ação pessoal através de artigos e conferências - Almada-Negreiros, pintor, desenhador, vitralista, poeta, romancista, ensaísta, crítico de arte, conferencista, dramaturgo, foi, pode dizer-se que desde 1910, uma das mais notáveis figuras da cultura portuguesa e uma das que mais decisivamente contribuíram para a criação, prestígio e triunfo de uma mentalidade moderna entre nós". Assim apresenta Jorge de Sena, no primeiro volume das Líricas Portuguesas, o homem que, com Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, mais marcou plástica e literáriamente a evolução da cultura contemporânea portuguesa 

Órfão desde tenra idade, viajou para Lisboa com sete anos para casa de uma tia materna. Frequentou os estudos primários e liceais em Lisboa, no Colégio Jesuítico de Campolide, Liceu de Coimbra e Escola Nacional de Lisboa. Entre 1919 e 1920, seguiu estudos de pintura em Paris, aí trabalhando como bailarino de cabaré e empregado numa fábrica de velas, redigindo na capital francesa muitos dos textos e grafismos que viriam a ser célebres, como o "autorretrato". Viveu entre 1927 e 1932 em Espanha, onde realizou várias encomendas para particulares e públicos – E
xcerto de
Almada-Negreiros -


A ALMADA NEGREIROS

Voltaste enfim ao regaço das palmeiras
onde serpentes volteiam
e navegam na claridade. Voltaste
porque os teus olhos mitigavam
palavras entontecidas cheias de água fresca
da Cascata. Voltaste trazendo cânticos
de outras terras
cânticos de trovadores desconhecidos
teceste roupas diferentes mas sempre
com as cores das buganvílias da Saudade
apagaste pegadas antigas no
luchan
da tua meninice. Mas voltaste!

esperaste que o ranger da porta
da casa onde nasceste se prolongasse
no júbilo do teu regresso

hoje
sentado no presídio da marginal
onde ninguém nota o teu vulto altivo e belo
só eu sei que voltaste
e por que voltaste

Olinda BEJA in "Água Crioula" Pé-de-Página