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terça-feira, 30 de abril de 2019

FOTOJORNALISTA ARLINDO HOMEM – Exposição em Vila Nova da Barquinha: a sensibilidade em perpetuar a imagem e o instante em mágicos momentos de sublimidade artística – Patente até ao 10 de Junho no Espaço Memória Payo Pelle,

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e foto-jornalista



Depois da trilogia, bem  portuguesa,  “Portugal e os três efes: Futebol, Fado e Fátima – vistos pela sensibilidade artística de Arlindo Homem, em vários salões,  o prestigiado e bem conhecido fotojornalista,  apresenta, agora, no seu concelho um conjunto de 21 fotografias a cores, de 50 por 70 centímetros, um notável registo, entre 2012 e 2016,  selecionado pelo curador da exposição, com instantâneos de João Nuno Reis. Ronaldo, o Presidente da República, as cantoras Áurea e Gisela João ou a figura de Nossa Senhora de Fátima com o Castelo de Almourol em fundo são alguns dos temas retratados.

A mostra foi inaugurada, no passado dia 25 de Abril, integrada nas comemorações do 45 anos da Revolução, com a presença, entre outras personalidades, além de amigos e admiradores, de Fernando Freire, Presidente da Câmara Municipal, António Ribeiro, Presidente da Assembleia Municipal, e Benjamim Reis, Presidente da Junta de Freguesia da Praia do Ribatejo, entre outros convidados e populares.
Após a visita guiada pelo Comissário João Reis, seguiu-se um momento de poesia com Manuel João Pedro, Maria Antónia Coelho, Manuela Aranha e José Azevedo. A cerimónia de inauguração terminou com a voz da fadista Rita Inácio, acompanhada pelos músicos Paulo Marques (viola) e Nuno Martins (guitarra portuguesa).
A exposição pode ser visitada aos domingos à tarde, ou por marcação, através do telefone 249733940 – Refere o site MEDIOTEJO http://www.mediotejo.net/vn-barquinha-fotografo-do-concelho-expoe-trabalhos-de-fotojornalismo/?fbclid=IwAR3cFngBXTEYIp15o-FH1RjnE-47bma5ghFa6hgVHUXnDGoyDrjdccbYR1E

Tive a honra e o prazer  de estar presente na inauguração da sua exposição, na   Casa Manuel Guimarães, em Tomar,   no passado mês de Fevereiro, tendo, a respeito da referida mostra, escrito as  linhas, que a seguir volto a reproduzir, com muito gosto, de um colega do foto-jornalismo, no futebol, bom amigo,  excelente camarada e  grande profissional 

A fotografia e um Homem profundamente humano, místico, sensível e vertical. Dizia eu, dirigindo-lhe estas palavras: a  sensibilidade intuitiva e genial, que aflora  à retina do teu olhar, em  fixares a suprema metamorfose da luz e  de a transformares em perpetua e apoetótica matriz ou  partitura do tempo passado com o tempo perene ou presente, ao misto e  latejante sentido ou sopro de oportunidade, ali constatei, sem margem para dúvidas, como és   capaz de perpetuar a quietude   ou o esplendor do instante e traduzi-lo em singular beleza e arte, quer  na multiplicidade dos enredos do quotidiano, quer do espetáculo desportivo, musical ou teatral,  quando não mesmo do imprevisto acidente,  a pose e o retrato de pessoas ou coisas,  as expressões mais bem conseguidas das nossas tradições musicais, profanas e religiosas, sim, em todas essas díspares vertentes,  pude comprovar que, o Arlindo Homem, é, sem dúvida alguma,  um grande profissional - Os meus sinceros parabêns por mais esta riquissima exposição  fotográfica. 









HISTÓRIAS ATRAVÉS DE IMAGEM E  DE SENTIR AS PESSOAS FELIZES QUANDO AS CONTEMPLAM  

Segundo Arlindo, “o interesse pela fotografia, surgiu quando tinha 20 anos, num estágio na secção fotográfica da BA3 em Tancos”, mas porque “a fotografia é contar histórias, fonte e registo de memória, testemunhar momentos, fazer gente feliz… fotografia é paixão!” o fotojornalista não mais parou. Em 1992, viu pela primeira vez, as suas fotos serem incluídas no livro “Fátima 75 Anos” (Livro Oficial das Comemorações dos 75 anos do Santuário de Fátima). A partir daí as colaborações sucederam-se sendo “O Peregrino da Esperança”, da Editora Prime Books, o mais recente livro publicado a incluir trabalhos seus.

Arlindo Homem é fotojornalista na Agência Ecclesia, e colabora com outras entidades como a Academia Portuguesa de História, tendo fotografais suas publicadas em várias obras, entre elas, “Marcelo Rebelo de Sousa/  O Presidente dos Afetos”, de Cláudia Sebastião, e “Portugal Católico”, de José Eduardo Franco.



quinta-feira, 25 de abril de 2019

Recordando o Cónego José da Silva – – Já não está entre nós há cinco anos o sacerdote humanista, que respondia sempre a todos com um sorriso e uma palavra amiga – Estava previsto homenageá-lo, com a sua presença no solstício do Verão, 2014 , na Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora – Agora passamos recordar a sua memória.

Jorge Trabulo Marques - Jornalista - 



TEXTO E VIDEO QUE EDITEI EM SUA MEMÓRIA NO DIA 25 DE ABRIL DE 2014



Foz Côa está de luto – Pois não há ninguém, nem na sede do concelho, nem nas freguesias, que não tivesse pelo cónego José e pelo seu sacerdócio, uma profunda amizade e simpatia e sinta a mágoa da sua ausência – Nasceu em   Penude em 13-02-1927, em cujo cemitério foi hoje sepultado, com a presença do Bispo de Lamego e de vários sacerdotes, tendo-se associado, ao cortejo fúnebre centenas de pessoas, muitas das quais ido diretamente  da sua última paróquia.

Eram cinco horas da tarde, de ontem dia 24, esperava-se que o Cónego José se deslocasse, como habitualmente, à redação do jornal OFOZCOENSE, de que era seu dedicado e dinâmico diretor.  Estranhando-se a sua ausência e, não atendendo o telemóvel,  nem abrindo a porta, foram encontra-lo  caído junto à sua cama. Depois do almoço, era costume ir descansar um pouco, porém, desta vez o coração traiu-o, estava inanimado e com sinais de vida. Levado para o hospital da cidade da Guarda, pelo helicóptero do INEM, já não foi possível a sua recuperação. Tendo falecido às 4 da manhã do dia 24 de Abril. 

Segundo soubemos através do Dr. Manuel Daniel, grande amigo do Cónego José,  “O funeral teve início na Igreja Matriz de Foz Côa, seguindo o féretro para Penude, em cuja Matriz se celebrou Missa sob a presidência do Sr. Bispo de Lamego, D. António Rocha Couto.



A população de Foz Côa, freguesias e terras vizinhas, de vários concelhos, estiveram presentes, acompanhando-o uma grande parte da verdadeira multidão até ao cemitério da sua terra natal - Penude"





Não quis ser outra coisa senão ser Padre e nunca se arrependeu de ter seguido a vida de sacerdote - . “Eu não procurei ser outra coisa. Procurei ser Padre. Procurei cumprir o meu dever. Quando me ordenei, eu tinha um primo, em Barcelos, que era director de um colégio e convidou-me para ir para lá como professor. Eu respondi-lhe: ordenei-me não para ser professor mas para ser padre. Agradeci-lhe por se ter lembrado de mim mas eu nasci para ser padre, não aceitei o convite

E Deus fez-lhe a vontade, durante  mais de seis décadas ao serviço da igreja. Filho  único mas de pais humildes. A mãe queria que ele fosse para o seminário, porém, seu pai, receando ficar sozinho na velhice, chegou a deslocar-se a pé a Lamego para  demovê-lo a voltar para casa. A mãe tinha opinião diferente do marido e ficou contente pela sua determinação.


Uma vida de um longo sacerdócio

Em 1941, após  a 4º classe ingressa no  seminário de Rezende.Três anos depois frequenta o Seminário Maior de Lamego  e é ordenado padre em 1953 – Nesse mesmo ano, em Setembro,  o Bispo destaca-o para uma freguesia da diocese onde se manteve 31 anos e meio. Foi para lá em 6 de Setembro de 53 e saiu em 13 de Março de 85 para pároco das freguesias de Foz Côa e chãs.

Gostava de lá estar. Pois, durante esse tempo estabelecera profundos laços de afeto com os seus paroquianos. Casara pais e filhos. Por isso,  é  com muita pena que vai ter que deixar a paróquia que abraçou mas as ordens superiores são para se cumprir e o cónego José quis ser sempre  obediente ao seu Bispo, respeitador da doutrina da igreja e das  leis eclesiásticas.

- “O que o fez ficar em Foz Côa?”....- perguntei-lhe. " Foi as ordens..... Quando a gente se ordena, promete ao Sr. Bispo obediência. E a coisa que mais me custou na vida, depois da morte dos meus pais, bem entendido, foi  sair de lá …Já estava muito habituado com aquela gente; conhecia pais, conhecia filhos…porque, durante 31 anos e meio, fiz muitos casamentos, conheci os filhos. E casei pais e filhos”.

Custou-lhe muito....Mas não está arrependido de ter vindo para Foz Côa?

- “Não estou arrependido, porque, quando a gente faz aquilo que deve, e, como o padre promete ao Bispo obedecer-lhe, de maneira que eu não podia dizer ao Sr. bispo que não vinha .Portanto, viu que era preciso aqui; vi que era preciso obedecer ao Sr. Bispo e é evidente
- Quantos anos já tem em Foz Côa?
- 28 anos
 - Já está com 86 anos: vai continuar aqui até ao resto da sua vida?
 - E o resto é já, com certeza, muito pequeno. 
Declarou-me, numa breve entrevista, em Agosto  do ano passado, no Café do José Pilério, em mais um dos agradáveis momentos convívio, que   pude estabelecer com um dos sacerdotes mais admirados e respeitados da diocese da Lamego e do Distrito  da Guarda. Naquele dia para lhe comunicar que era desejo  da Comissão Organizadora das Celebrações do Solstício e dos Equinócios, convidá-lo a não ser apenas mero espetador mas a aceitar a ser um dos homenageados que costumámos ali distinguir, ao fim da tarde do dia mais longo do ano. Conversador e simples como era, e também por gostar daquela aldeia e daqueles montes, aceitou honrar-nos mais uma vez com a sua presença, prometendo-nos que, se a saúde não lhe faltasse,  tinha muito gosto em estar presente
.
Mas a vida tem destas coisas: troca-nos a voltas quando menos se espera.

Dois dias antes da sua morte, desloquei-me à redação do OFOZCOENSE para voltar a falar com ele sobre o assunto mas já tinha saído. Estava apenas o Padre Ferraz, a quem  aproveitei para expor a nossa intenção, tendo-nos respondido que achava a ideia interessante.


25 DE ABRIL -2019- ADELINO PALMA CARLOS - ENTREVISTA GRAVADA PARA A HISTÓRIA DE PORTUGAL – PRIMEIRO-MINISTRO DO 1º GOVERNO PROVISÓRIO - Faro, 03-03-1905 — Lisboa, 25-10-1992- Professor universitário, advogado e político português - Primeiro-ministro do I Governo Provisório. Fui eu que informei o Coordenador de Segurança, que tinha rebentado a revolução “– Testemunho para a História de Portugal

JORGE TRABULO MARQUES  - JORNALISTA -  3ºPARTE DA ENTREVISTA QUE ME CONCEDEU EM SUA CASA



Adelino Palma Carlos –  Primeiro-ministro do Iº Governo Provisório (de 16 de Maio a 18 de Julho de 1974, nomeado pelo General Spínola  – Nesta parte da entrevista que me concedeu em sua casa, editada no vídeo deste post, Palma Carlos, fala   da Revolução de  25 de Abril, que o fez chorar de alegria  até às lágrimas  e do Governo que formou com a participação de Álvaro Cunhal (um ministro consensual E também do seu ideal republicano. da sua oposição ao Salazarismo e dos revolucionários que defendeu, como advogado.

Professor, advogado e político. Destacou-se como primeiro-ministro do I Governo Provisório -(Faro, 3 de Março de 1905 — Lisboa, 25 de Outubro de 1992 (Faro
Dou-me a honra e o prazer de me receber em sua  casa e de ali me conceder uma interessante entrevista acerca de alguns dos mais importantes passos da sua vida profissional e politica, nomeadamente, como opositor ao regime ditatorial de Salazar, defensor dos presos políticos, da alegria que sentiu  - até às lágrimas - quando tomou conhecimento do golpe vitorioso da Revolução do 25 de Abril, assim como de vários episódios relacionados com a sua participação como 1º Ministro do 1º Governo Provisório Adelino da Palma Carlos – Wikipédia, 




Considerado como "personalidade forte, inteligente, culto e de extraordinária capacidade de trabalho, foi primeiro-ministro do I Governo Provisório (de 16 de Maio a 18 de Julho de 1974). Como 11.º bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses teve um importante papel na consolidação institucional e na internacionalização daquela corporação. Foi grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, a principal organização da maçonaria portuguesa. E fundador do escritório de advogados actualmente designado de G&F Palma Carlos

COMO ELE VIU A REVOLUÇÃO DE ABRIL

 «…fiquei contente!...Chorei, quando soube que era a Revolução!.. Que era para acabar com a ditadura!... Chorei! Chorei comi uma criança!... Não tenho vergonha nenhuma de dizer: chorei!!..

JTM  - Entretanto, chegou o 25 de Abril: o Sr. Prof. foi nomeado Primeiro-Ministro!
APC – Olhe… Essa história é engraçadíssima!... Eu não fazia  ideia nenhuma de que ia haver a Revolução… Aliás, eu era Presidente das companhias reunidas de gás e eletricidade: tinha sido convidado pelo General Gaspar dos Santos e era Presidente das Companhias… Quando eu vim para as Companhias, encontrei lá instalado, um coronel na Reserva, que era o coordenador de segurança das Companhias de Gás  e Eletricidade, da Sacor, da Companhia das Águas, da Companhia Nacional de Eletricidade  e da Petroquímica… Bom, esse homem, estava perfeitamente a par de tudo o que se desenrolava!... E até tinha uma coisa engraçada!... Sabendo que eu era uma pessoa, contra a situação, ele recebia todos os panfletos (não sei da onde) que saíam contra a situação e dava-mos para eu ler!... Ele é que fazia propaganda, junto de mim, contra a situação!... E estava sempre a par!... Quando foi da reunião dos capitães, em Évora, na Intentona de Março, ele disse-me: “Isto está mau!!..Agora o Movimento de Oficiais, em Évora!... Não se o que isto vai dar!...
Bem , continuámos, pacatamente!... No dia 25 de Abril de Madrugada!... Estava a dormir!...Aparece-me uma das empregadas, com o telefone, dizendo-me: “Sr. Douro! É o engenheiro da  Companhia do Gás, que tem muita necessidade de falara consigo!..” -Então traga lá o telefone!
Era o homem a dizer: “Sr. Presidente! Rebentou a Revolução?!...”
- Rebentou a Revolução?!...
-  “Rebentou a Revolução!!”
- E então o coronel, o que é que faz?!...
- “O Coronel, não está cá!... Não se sabe do coronel!...
Telefonei para o coronel, que eu tinha aí o número de telefone dele (que morreu, coitado, dois ou três meses, depois da revolução) … estava a dormir, como um anjo!...
- Então, Sr. Coronel!... Está uma revolução na rua!
- “Esta uma revolução na rua?!...”
- Está!... E então o Sr. não sabe de nada?!...
Está  a ver!... Fui eu que informei o Coordenador de Segurança, que tinha rebentado a revolução!...

Bom, eu fui para a Companhia, juntámo-nos lá os Membros  da Comissão Executiva,  que cá estávamos, que éramos cinco só, e passamos o dia, ali… Veio uma Ordem do Ministério do Interior, por intermédio da Direção Geral dos Serviços Elétricos (a que nós estávamos subordinados) para que se interrompesse a corrente elétrica, lá para cima, par o Parque Eduardo VII… E o Engº da Companhia disse: se nós interrompemos a corrente elétrica, nós ganhamos nada com isso!... Eles têm geradores e continuam a emitir da mesma maneira!
- E então eu disse: há alguma ordem escrita?!..
- Não há nenhuma ordem escrita!
- E então diga-lhe que mandem a ordem por escrito!... Nós estávamos subordinados ao Governo!... Era uma companhia concessionária!... Mandaram a ordem escrita… E então interrompeu!... Até que, às tantas, à tarde, eu mandei ligar!... Porque, já não havia Governo!... Não havia nada!..
Bom, estivemos ali todo o dia, sem saber o que se passava, com a televisão aberta!... Com a telefonia aberta!... Almoçámos, mesmo lá, na cantina da Companhia!. E olhe, nos dias seguintes, fiquei contente!...Chorei, quando soube que era a Revolução!.. Que era para acabar com a ditadura!... Chorei! Chorei comi uma criança!... Não tenho vergonha nenhuma de dizer: chorei!!..




JTM – Depois, foi entretanto nomeado Primeiro-ministro!...
APC – E depois… aí é que a coisa, começa a ter um certo pitoresco, começaram a ouvir dizer-me que eu ia ser nomeado Primeiro-Ministro!... Não sejam tontos!... Porque é que eu havia de ser nomeado Primeiro-ministro?... Que ideia é essa?!...
- Mas eu acho que você é que vai ser o Primeiro-ministro!.. Você é que vai ser o Primeiro-ministro!..
Até, que, um domingo (tenho este telefone, que não está na lista) e ligara-me por este telefone (era confidencialíssimo) as era da Presidência da República, era ali de Belém); era o Capitão António Ramos, a dizer-me: - Ó Sr. Dr.! O Sr. General Spínola, tem muita necessidade de falar consigo!” - Então está bem
Eu conhecia o Spínola, já há bastante tempo: “então quando é que ele quer que eu vá falar com ele?”
- “Amanhã às quatro horas! – No dia seguinte, às quatro horas eu fui lá, e ele disparou:
- Tenho um Governo pronto! Falta-me o Primeiro-ministro!... Você tem de ser o Primeiro-ministro!
- Não me fale nisso!.. Não tenho a minha vida organizada para isso!... Vivo da minha profissão!.. Não pode ser!... Deixe-me pensar!...
- Então pense até amanhã!...
Eu resolvi pensar dois dias mas não pude!... No dia seguinte, telefonava-me ele outra vez!..

JTM – E teve que aceitar!
APC – E tive que aceitar!.. Pronto!...
JTM – Foi um tempo agitado, na altura?
APC – Olhe!... Foi o pior tempo da minha vida!.. Foi o pior tempo da minha vida!... Extremamente agitado!... O Governo era um Governo não homogéneo!... Porque tinham querido fazer um Governo de coligação  - Quem  fazia o Governo não era o Primeiro-Ministro: o que estava na Lei Constitucional nesse tempo:  era o Presidente da República e o Primeiro-Ministro, só fazia trabalhos num Governo, que lhe tinham oferecido!...
E eu dizia: façam um Governo de Gestão, que é o que é preciso, nesta altura.
-“Ah mas é melhor fazer um Governo de coligação….”
- “Então façam um Governo de coligação” – Eu tive lá, desde o Álvaro Cunhal, até esse homem monárquico, que aí anda, o Ribeiro Teles!.. A Pintassilgo!... Estava no meu Governo!..

JTM - Havia então alguma confusão…
APC- Devo-lhe dizer que, nas reuniões do Conselho de Ministros, havia às vezes divergências… Pois cada um tinha a sua opinião sobre os problemas que se colocavam… Havia muitos problemas a resolver... Havia divergências!... Eu tentava soluciona-las mas elas … mas é uma justiça que eu nunca deixo de fazer ao Cunha, é esta:  é que, quando a coisa estava numa situação quase de impasse, o Cunhal encontrava sempre uma solução de equilíbrio, que todos acabavam por aceitar!... É um político extraordinário!...

JTM – Acha que o Partido Comunista Português devia ser chamado também a contribuir, também no Governo?
APC – Quando eu era Primeiro-ministro, veio cá, o Mitterrand e o d’Ferry, vieram cá: fora-me visitar. Estava um bocado preocupados por haver comunistas no Governo; era o Álvaro Cunhal e mais o Adelino Gonçalves, Ministro do Trabalho, que era um sindicalista bancário, o Porto, que tinham metido lá… O Mitterrand, às tantas, disse-me: - “mas você não se preocupa pelo facto de ter comunistas no Governo?”
- Bom, não sei porque é que você me faz essa pergunta, quando, você, agora, constitui em França,  a União de Esquerda, de Socialistas e de comunistas!... Se você lá, anda de braço dado com eles, não sei  porque estranha que eu tenha aqui dois ministros comunista, num Governo!... Onde estão numa minoria flagrante!...

JTM – Olhe, na altura quais foram os problemas mais difíceis que teve de enfrentar nesse período?
APC -  Tive logo de entrada uma greve dos correios… Passados, dois ou três dias, não havia correios, não havia telefones, não havia coisa nenhuma… E eu disse: isto não pode ser!... Não podemos estar sem comunicações… Chamei o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, que era o Costa Gomes, e disse-lhe: ó Sr. General! Nós temos de ocupar militarmente os correios para acabar com isso!...
- Oh diabo! Isso é uma coisa complicadíssima!"

NOTAS BIOGRÁFICAS  -Adelino Hermitério da Palma Carlos nasce a 3 de Março de 1905, em Faro, vindo a falecer a 25 de Outubro de 1992, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, com a nota final de 18 valores, foi delegado da Faculdade de Direito à Federação Académica. Conclui o doutoramento em Ciências Histórico-Jurídicas, também na Universidade de Lisboa, em 1934. Advogado reconhecido, defendeu inúmeras figuras oposicionistas à ditadura, como Norton de Matos, Bento de Jesus Caraça e Vasco da Gama Fernandes. Foi também professor na Escola Rodrigues Sampaio, no Instituto de Criminologia de Lisboa e, como Catedrático, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, da qual viria a ser director. Foi jubilado em 1975. Em 1949, foi mandatário da candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República. Em 1951 exerceu funções como Bastonário da Ordem dos Advogados portugueses. A 16 de Maio de 1974 é nomeado primeiro-ministro do I Governo Provisório, pedindo a demissão a 18 de Julho desse ano. Em 1975 funda o Partido Social-Democrata Português. Foi mandatário e membro da comissão de honra da candidatura do general Ramalho Eanes à Presidência da República (1979). Pertenceu ao conselho consultivo do Partido Renovador Democrático. Em 1986 recebe a insígnia de Advogado Honorário. Adelino da Palma Carlos | 1905-1992 - Memórias da .


Adelino Hermitério da Palma Carlos - Faro, 3 de Março de 1905 — Lisboa, 25 de Outubro de 1992-  Professor universitário, advogado e político português. Personalidade forte, inteligente, culto e de extraordinária capacidade de trabalho, foi primeiro-ministro do I Governo Provisório (de 16 de Maio a 18 de Julho de 1974). Como 11.º bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses teve um importante papel na consolidação institucional e na internacionalização daquela corporação. Foi grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, a principal organização da maçonaria portuguesa. Foi fundador do escritório de advogados actualmente designado de A.Palma Carlos.

Adelino Hermitério da Palma Carlos foi um professor universitário, advogado e político português. Antifascista desde a juventude, cidadão de grande estatura intelectual, era uma personalidade forte, inteligente, culto e de extraordinária capacidade de trabalho. Apesar da sua assinalável competência como jurista, foi afastado compulsivamente de todas as funções no Estado, em 1935, apenas por perfilhar opiniões políticas divergentes, e sem que lhe fosse imputada qualquer infracção disciplinar ou menor dedicação ou competência no exercício dessas funções.
Fez parte de um afastamento colectivo de 33 funcionários públicos, demitidos das funções que exerciam, em 14 de Maio de 1935, ao abrigo do DECRETO-LEI N.º 25:317 assinado por Carmona e Salazar, (“Diário do Governo”, I Série, n.º 108, de 13 de Maio de 1935), nos seguintes termos: «Os funcionários ou empregados, civis ou militares, que tenham revelado ou revelem espírito de oposição aos princípios fundamentais da Constituição Política, ou não dêem garantia de cooperar na realização dos fins superiores do Estado, são «aposentados ou reformados, se a isso tiverem direito, ou demitidos em caso contrário», não podendo ser «nomeados ou contratados para quaisquer cargos públicos nem admitidos a concurso para provimento neles.» - EXCERTO DE  https://www.facebook.com/FascismoNuncaMais/photos/adelino-da-palma-carlos-1905-1992adelino-hermit%C3%A9rio-da-palma-carlos-foi-um-profe/716643091778406/



quarta-feira, 24 de abril de 2019

V. Nova de Foz Côa - De volta ao mais antigo festival de poesia e música – De 23 a 27 de Abril - Nomes como, Manuel Alegre, Eduardo Lourenço, Guilherme D´Oliveira Martins, Arnaldo Saraiva, são alguns dos autores presentes no Festival de Poesia e Música de Vila Nova de Foz Côa.


Jorge Trabulo Marques - Jornalista  


Segundo refere o site da CM de V. Nova de Foz Côa, do qual tomámos a liberdade extrair algumas imagens o Festival de Poesia e Música teve ontem, dia 23 de abril, a sua sessão de abertura pelas 14h30m, na biblioteca do agrupamento de Escolas de Vila Nova de Foz Côa. Dando cumprimento ao programa o dia foi preenchido pelas seguintes atividades:
- Encontro - leitura com alunos do agrupamento, no qual participaram os escritores Aurelino Costa, David Capelenguela, Maria Estela Guedes, Raquel Patriarca, Rui Fonseca e Zetho Cunha Gonçalves.

 Um workshop de “african music” com Chalo Correia.

- Antologia poética coletiva “Os direitos das crianças” por Raquel Patriarca.
- Apresentação do volume coletivo de ensaios “A Dinâmica dos Olhares – Cem Anos de Literatura e Cultura em Portugal”, no Pequeno Auditório, do Centro Cultural.

 No período da noite, a comitiva deslocou-se à freguesia de Almendra, onde se realizaram os  “Encontros de Almendra” com os escritores Zetho Cunha Gonçalves, Maria Estela Guedes, e Aurelino Costa sendo  acompanhados à guitarra por Rui Fonseca (Guitarra e Voz).  Assistiu-se a um brilhante momento musical na Igreja da Misericórdia em Almendra.https://www.cm-fozcoa.pt/index.php/centro-multimedia/arquivo-noticias/1300-festival-de-poesia

Noticia da TSF, frisava que a "A particularidade deste projeto é que se realiza no interior do país e ter sido indicado em 1984, numa altura em que não havia iniciativas ligadas à literatura  ou leitura", palavras de Jorge Maximino.
O programador e cofundador do festival acrescenta que este é "um encontro diferente dos outros, é filho da democracia. Os convidados dos primeiros anos foram corajosos, aceitaram vir de Lisboa e fazer 400 km em estradas em mau estado. Pessoas como Natália Correia, Ernesto Manuel de Melo e Castro".
Um encontro que marcou a vida cultura desta região, "tem uma vertente pedagógica muito forte, o impacto no interior é grande, sobretudo juntos dos mais jovens".
Este ano, o Festival de Poesia e Música de Vila Nova de Foz Côa homenageia Manuel Alegre.
O festival conta ainda com a participação de nomes como Rosa Alice Branco, Casimiro de Brito, Luís Quintais, Paulo Sucena, Rui Spranger, Daniel Rocha, Aurelino Costa, José Viale Moutinho, etc.
Do programa do festival faz também parte uma sessão com o poeta italiano Marco Fazzini, promovida em parceria com a Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na Guarda.
No dia 25 de abril, o festival acolhe a apresentação do livro "A Águia e a Água", de Mia Couto, e de "A canção do jardineiro louco, antologia coletiva de poesia para a infância".
Cinco dias de música, poesia, apresentação de livros, leituras de poemas, debates, etc. O Festival de Poesia e Música de Vila Nova de Foz Côa decorre de 23 a 27 de abril, a entrada é livre.




António Matinho Baptista - E o seu livro - "UMA ESCRITA ANTES DA ESCRITA" - Estudo que fala da arte rupestre dos Montes Gião, distrito de Braga, - Considerado um dos mais notáveis santuários de arte rupestre do noroeste peninsular - O arqueólogo que dirigiu as pesquisas e a inventariação das gravuras do Vale Sagrado, elevado a Património da Humanidade e esteve à frente da direção do Museu do Côa, desde que foi inaugurado, está agora envolvido noutros importantes trabalhos de investigação

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 


António Martinho Baptista, que deixou  a direção do Parque arqueológico do Côa, há dois anos, e aos 67 de idade,  mesmo depois de reformado, nem assim deixou de continuar a ser o entusiasta e ativo investigador


Foi  um dos principais arqueólogos, a quem  se ficou a dever   o estudo aprofundado e a inventariação museológica das   gravuras rupestres em 1982,  bem como todo um riquíssimo espólio de  material lítico, trabalho esse desenvolvido  com muito empenho e saber,   por empenhados investigadores que  tudo fizeram para que o mais vasto e valioso  conjunto  de gravuras e pinturas do paleolítico e a céu aberto, fosse salvaguardado e elevado a Património da Humanidade  mundial e ficou


.

Em  plena noite, no Vale do Côa, com luz artificial
Atingida a idade da reforma, e depois de 22 anos de intenso trabalho para salvaguardar e promover o património do  parque criado em 1996, elevado a património mundial dois anos depois, Martinho Baptista, voltou às terras da sua origem, no distrito de Braga,     para estudar o complexo de arte rupestre do Gião, em Arcos de Valdevez, se bem que, com gravuras mais recentes e   muito diferente da que vemos no Côa que é sublime  nem por isso menos relevantes

E os resultados estão à vista: com a publicação de um livro juvenil, que já teve  honras de convivios e de apresentação diversas, no mês de Abril, a que deu o ttulo de:   Vozes das Pedras – A vida no Neolítico” – Inerido no projeto Pedras – Área Arqueológica Mezio-Gião  - ARDAL/Porta do Mezio, que  visa dar resposta a uma crescente procura do turista do Parque Nacional da Peneda-Gerês e da Porta do Mezio, em particular, por estes monumentos culturais, oferecendo-lhe novos suportes e experiências relativos a esta temática, contribuindo, ao mesmo tempo,  para a preservação e valorização desta área arqueológica, de relevância para a região

UMA ESCRITA ANTES DA ESCRITA -   LIVRO SOBRE A ARTE RUPESTRE DOS MONTES DE GIÃO – Considerado um dos mais notáveis santuários de arte rupestre do noroeste peninsular
O evento teve início no dia 4 de Abril, com o “Vozes das Pedras… na Escola”. Esta ação foi organizada no Agrupamento de Escolas de Valdevez, dirigida aos alunos do 5º e 7º ano, teve como objetivo dar a conhecer todo o projeto ao público escolar, bem como oferecer um livro juvenil “Vozes das Pedras - A vida no Neolítico” e um jogo de mesa “Vozes das Pedras – Área Arqueológica Mezio-Gião ”Excerto de . http://www.correiodominho.pt/noticias/ardal-porta-do-mezio-apresenta-resultados-do-projeto-vozes-das-pedras/117154

O Projeto Vozes das Pedras- promoção e valorização da Área Megalítica do Mezio/Gião, apresentado pela ARDAL e aprovado pelo Programa Operacional da Região Norte 2020 – Património Cultural, financiado pelo FEDER e apoiado pelo Municipio de Arcos de Valdevez, foi apresentado esta semana em 3 eventos. Na Casa das Artes de Arcos de Valdevez foi apresentado o livro “Uma Escrita antes da escrita”, com textos e fotografias de António Martinho Baptista e que retrata a arte rupestre dos Montes do Gião.

Nesta apresentação, o  autor, António Martinho Baptista, afirmou sentir uma forte ligação ao local, pois logo que chegou ao PNPG realizou trabalhos no Gião, e fez um breve enquadramento deste santuário, referindo e enaltecendo o facto de este local ter marcas de há 5000 atrás.
O Gião é uma zona que apresenta uma arte antropocêntrica, avançou António Baptista, dizendo que se centra na figura humana, a qual se encontra explanada em centenas de gravuras. “É uma notável coleção de representações de figuras humanas, interligadas entre si” e “uma notável mistura de paisagem natural e humanizada. É um santuário rupestre e a arte rupestre é um elemento agregador da paisagem”, atestou.
Para o autor este local deve ser uma referência naquilo que toca aos locais de visitação da pré-história do Norte de Portugal.




Miguel Portas - Jornalista e politico português - Lisboa 1 de maio de 1958 – Antuérpia, 24 de abril de 2012 UM CRAVO COM CHEIRO A ROSMANINHO PARA UM ANDARILHO DO VALE DO CÔA – Foi um dos intervenientes ativos na defesa das Gravuras rupestres - Por várias vezes, aqui se deslocou para levantar a sua voz pela salvaguarda daquele que é hoje considerado o património da humanidade - Faleceu há sete anos mas a sua imagem continuará viva na memória do Vale Sagrado, dos familiares e amigos e de quem o conheceu

Jorge Trabulo Marques - Jornalista

Faz hoje 7 anos que morreu, Miguel Portas, na sequência de um cancro do pulmão.” Um rosto difícil de esquecer, de um grande lutador e democrata, quer para quem o conheceu através das suas intervenções políticas, mas  sobretudo para os seus familiares, camaradas  e amigos   - Morreu, dia 24 de abril, aos 53 anos, por volta das 18h00, em Antuérpia, depois de dois anos a lutar contra um cancro no pulmão



MIGUEL PORTAS - UM CRAVO COM CHEIRO A ROSMANINHO PARA UM ANDARILHO DO CÔA – VEIO  VÁRIAS VEZES PARA DEFENDER AS GRAVURAS RUPESTRES - FALECEU MAS CONTINUARÁ VIVO NA MEMÓRIA DO VALE SAGRADO E DE QUEM O CONHECEU - 



Uma vida intensa e  dedicada à democracia, à cultura e às causas nobres. Foi um corajoso combatente – Morreu Miguel Portas mas não morre a sua memória. – Faleceu, nas véspera do 25 de Abril, vítima de doença prolongada – Desde 2010, que ele lutava contra um cancro,  ele sabia que a vida lhe podia escapar em qualquer momento – Mesmo assim, nunca abandonou o seu posto, como eurodeputado  - Nunca deixou de intervir e de dizer o que pensava.



Já lá vão uns anos, mas até me parece que ainda o estou a ver, com outros amigos e companheiros das mesmas jornadas no Vale do Côa – No auge da polémicas das Gravuras: - Ele foi um dos que esteve a primeira linha da barricada, em prol da preservação do património milenar das gravuras dos homens do paleolítico – Ele residia em Lisboa e, vir lá de tão longe, só por muito amor à nossa cultura e arte ancestral – Também esteve frente ao Mosteiro dos Jerónimos, num acampamento organizado pelo Movimento da Salvaguarda da Arte Rupestre do Vale do Côa – Onde pontilhava, então, a dinâmica Mila Simões.

 
Curiosamente, o primeiro dia, coincidiu com o Casamento do Dom Duarte Nuno de Bragança – E não é que conseguimos levar, junto dos nossos cartazes, alem do próprio nubente,  personalidades, como Marcelo Rebelo de Sousa, entre outras figuras do PSD, do CDS e do PPM – Foi, de facto, uma excelente oportunidade para se despartidarizar  a causa – Felizmente que, muitos daqueles que, naquela altura se opunham, já reconheceram a sua importância e batem-se pela sua defesa





 Miguel Sacadura Cabral Portas GCL, mais concedido por Miguel Portas  nasceu em  Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 1 de maio de 1958 – Faleceu  em Antuérpia, 24 de abril de 2012  - jornalista e político português

"Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa em 1986, onde ingressara em 1976 — nesses anos dedicou-se à militância na União dos Estudantes Comunistas (UEC), o braço universitário do PCP (1973), chegando à sua Comissão Central em 1974, com 18 anos de idade. Também presidiu à Associação de Estudantes do ISEG e coordenou o Secretariado da Reunião Interassociações.

Antes de se tornar jornalista, Miguel Portas foi animador cultural no concelho de Ourique (1984) e, posteriormente, animador sóciocultural na serra algarvia e formador de agentes de desenvolvimento (1987). Entretanto foi diretor da revista cultural Contraste (1986), iniciando depois a sua carreira profissional no jornalismo como redator do Expresso, onde entrou em 1988. Quatro anos depois assumiria a função de editor internacional da Expresso Revista (1992-1994). Foi ainda diretor do semanário Já (1996), repórter da revista Vida Mundial (1998-1999), além de cronista no Diário de Notícias (2000-2006) e no semanário Sol (2008-2012).

Na televisão foi coautor e apresentador de duas séries documentais para televisão dedicadas ao Mediterrâneo: Mar das Índias (2000) e Périplo (2004); Périplo seria também título de um livro, publicado em 2009. Publicou ainda E o resto é paisagem (2002), de crónicas, ensaios e entrevistas, e No Labirinto (2006), sobre o Líbano[carece de fontes]

Miguel Portas iniciou na adolescência a sua atividade política, como dirigente do Movimento Associativo dos Estudantes do Ensino Secundário de Lisboa (MAESSL). A experiência valeu-lhe a detenção da PIDE, quando tinha apenas 15 anos.

Depois de ter passado pela UEC, a cujo Comité Central chegou aos 18 anos, e de ter sido dirigente estudantil no ISEG, Miguel Portas abandonou o PCP em 1989, na sequência do primeiro processo de expulsões do partido desencadeado pela Perestroika.

Entretanto, em 1992, foi um dos fundadores da Plataforma de Esquerda, onde também estavam, entre outros, Joaquim Pina Moura, Mário Lino ou José Magalhães, que viriam a ingressar nas fileiras do Partido Socialista. Com a dissolução, em 1994, dessa estrutura, Portas cria a Política XXI, que agrupava outros membros da Plataforma de Esquerda, como Daniel Oliveira; do MDP e independentes que se haviam destacado nas manifestações contra as propinas no ensino superior, impostas pelo governo de Aníbal Cavaco Silva.- Mais pormenores em https://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Portas

Miguel Portas morreu, dia 24 de abril, aos 53 anos, por volta das 18h00, em Antuérpia, depois de dois anos a lutar contra um cancro no pulmão.

Numa entrevista publicada na CARAS em maio de 2006, Miguel Portas abriu as portas do seu lado mais pessoal, falando dos filhos, das paixões da sua vida, do gosto pela política e até dos irmãos, Paulo e Catarina Portas. Uma conversa com a jornalista Maria Inês de Almeida,
Quando começou a interessar-se por política?

Desde muito novo. No meu tempo de juventude a palavra 'político' não existia, havia fascistas e antifascistas. Os antifascistas nunca se consideraram "políticos", na acepção que o termo hoje tem. E eu também não, embora tivesse, desde os meus 12, 13 anos, actividade política. Participava em associações não legais de estudantes http://caras.sapo.pt/famosos/2012-04-24-miguel-portas-em-entrevista-a-caras-espero-estar-presente-na-vida-dos-meus-filhos-mesmo-que-ausente

 Foto de Helena Sacadura Cabral  - feira do Livro 2013

Tenho uma grande admiração por Helena Sacadura Cabral – Quer como escritora, quer como jornalista. Pela sua frontalidade, pela forma calorosa e bem-humorada como escreve e também como personagem.  É das tais pessoas de quem se guarda sempre a imagem de um sorriso e de um rosto que infunde natural simpatia e ternura.

"Um mês depois do falecimento de Miguel Portas, a mãe, Helena Sacadura Cabral, apresentou o livro Aquilo em que Eu Acredito, na Fnac do Chiado, no qual fala dos valores, atitudes, sentimentos e lições inspiradoras que tem tido ao longo da vida e que nunca a fizeram deixar de sorrir e dizer o que pensa." 

"Há muito tempo que eu pensava fazer um livro destes, mas depois surgiam outras coisas e fui adiando, até que chegou uma altura em que decidi que não adiaria mais. Este livro é um produto de dois anos de coisas que fui fazendo avulso e de textos que acabei por reescrever”,explicou  a escritora”.

SIMGELA HOMENAGEM À ESCRITORA, À MULHER E MÃE - A  QUEM ACREDITA NOS VALORES PERENES -

Num dia que não é de sorrisos mas de evocação dolorida, de um sofrimento que dificilmente o tempo tão cedo apagará, sim,  ao mesmo tempo que  aqui lembramos a memória de seu amado filho Miguel, queremos também prestar a nossa singela homenagem a Helena Sacadura Cabral, transcrevendo, justamente,  alguns textos, do livro  "Aquilo em que Eu Acredito, que a autora nos honrou com o seu autógrafo

AQUILO QUE EM QUE ACREDITO  provém do que me ensinaram, do que vi e ouvi e, sobretudo, daquilo que vivi.
Não são grandes os princípios, nem tão-pouco utopias filosóficas. São mais interpretações do mundo que nos rodeia e códigos de carácter.
Nunca me furtei a dizer aquilo que penso e terei por isso pago preço que lhe está associado. Creio na família que é o meu suporte e sem o qual não existo. Creio nos amigos cujos braços e abraços são fonte de permanente inspiração. Creio na solidariedade e na coragem que nos obrigam a pensar nos outros. Creio na competência e na ética como fundamentos do labor. Creio no inconformismo responsável  porque é o motor das transformações sociais. Enfim, creio em Portugal, o país onde nasci e onde quero morrer.

Helena Sacadura Cabral, Abril 2012.

AUTO-RETRATO

Tenho sempre alguma dificuldade em fazer um auto-retrato. Sei analisar-me por áreas comportamentais, mas sinto dificuldade no somatório delas, ou seja, a panorâmica geral não é fácil. Aliás, ninguém é bom juízo em causa própria , como se sabe.
Por isso, quando me pediram que descrevesse, que dissesse quem era , recorri a uma amiga que costuma dedicar-se à filosofia do quotidiano – que é a que mais aprecio, confesso -, e esta sugeriu-me que seriasse sete coisas de que gosto e outras tantas que não gosto. Essas respostas constituíram o meu retrato. Aqui tem, para vosso juízo, o que lhe respondi.

Sete coisas de que gosto

da família
dos amigos
de trabalhar
de ler
de ouvir música
de silêncio
do meu amor

Sete coisas que detesto

a mentira
a hipocrisia
a inveja
a tristeza
a estupidez
a política
a maledicência

Pronto aqui está a prova do que sou . E também do meu gosto de clareza nas respostas que dou.
Tente agora, caro/a leitor/a, fazer o mesmo exercício  e ver se é muito diferente de mim. Sorrio, porque acredito que não! Acertei?

UMA FAMÍLIA QUE GOSTA DE RIR


Num sábado, aproveitando ter cá a família alargada e para espantar a diatribe do dia seguinte, dei um jantar para sete. Filhos, neto, irmão mais novo, cunhada e uma amiga do Miguel, da esquerda radical, de quem gosto muito.
 Os infantes estavam ligados à electricidade  e dedicaram-se todo o repasto a contar as vicissitudes da vida parlamentar. Um de esquerda, europeu e com rica vida. O outro de direita, com o salário cortado.
A partir daqui o guião foi o relato das bolandas por que ambos passam nas campanhas dos respectivos partidos.
Uma, de morrer a rir, foi o Miguel ter revelado que havia recebido vinho  e um queijo de um apoiante do CDS para “entregar ao Dr. Paulo, seu irmão”, com um abraço da gente da terra. E, depois, a confissão descarada de que a caravana, esfomeada, decidira, por maioria absoluta, apropriar-se do presente, que, evidentemente, marchou todo.
Como esta, outras histórias se seguiram, passadas em mercados e feiras, sobretudo no Norte, cuja graça está no vocabulário usado e que não posso, claro, aqui reproduzir.
Quem assistisse a este jantar, dificilmente acreditaria  que aqueles irmãos iriam, no dia seguinte, votar em campos tão diferentes.
Não há dúvidas que jamais – ai, o incómodo desta expressão … - me poderei queixar  de a minha vida ter sido, alguma vez, sensaborona. Mas, apesar disso, daqui a uma semana, piro-me para descansar a linda cabecinha!

FAZER ANOS


Fazer anos tem sempre, a partir da idade adulta, dois lados.
Um positivo, expresso no “aqui já eu cheguei”, e outro negativo, que é contar mais um na idade e menos um no tempo de vida.
Enquanto a minha Mãe foi viva, fazer anos era homenagear o seu amor por mim, que estendia do meu Pai, embora em moldes diferentes. Com efeito, foi no ventre materno que deambulei, comodamente, com os nove meses da minha risonha existência, e do seu leite que me alimentei outros tantos.
Agora, por um qualquer mistério da existência, são os amigos e os que me amam que me lembram e celebram o meu aniversário. Com uma curiosa característica: é que o fazem duas vezes, porque, como nasci  à meia-noite de 7 para 8 de Dezembro, acabo por festejar os dois dias.
Felizmente para mim que os anos não contam a dobrar…

PORTUGAL VISTO DE FORA

Numa recente edição da revista francesa L’EXPRESS,veio um longo artigo sobre a génératinon fanchée  de Portugal. Vale a pena ler. Não traz nada que não saibamos, mas tem a vantagem de ser um olhar de fora para dentro de nós.
Aliás, esta publicação tem sempre manifestado grande interesse pelo que se passa neste rectângulo à beira-mar plantado, sobretudo a partir da Revolução dos Cravos.
Está lá tudo o que é importante: os desempregados, em que cerca de 30 por cento têm entre os 18 e os 24 anos; o que a divida pública já representa; o défice público; o recuo do BPN salvo com o dinheiro dos contribuintes e, finalmente, o resultado eleitoral. Nenhuma novidade, portanto. Já sabíamos de tudo isto.
Mas quando se lê esta análise feita por outros, em que as palavras têm, ocasionalmente, a entoação que menos desejaríamos, parece que dói mais, que o retrato fica mais perto.
Se aconselho a leitura, não é por masoquismo, mas apenas por que se detetam, no arrigo, algumas subtilezas a que convém estar atento.

MAIS RESPEITINHO, POR FAVOR


O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apelou aos portugueses para serem “mais exigentes”, “menos complacentes” e “menos piegas”.porque só assim será possível ganhar credibilidade e criar condições para superar a crise.

Começo a andar muito cansada com este tipo de conselhos. Depois de arcarmos com uma série de sacrifícios, o menos que se pode pedir  é que quem nos governa  tenha por nós mais respeitinho.
Gostaria muito de saber – já não estarei entre os vivos – se Passos Coelho, na minha idade, alguma vez trabalhará 12 horas que trabalho, sem me queixar.
Por isso, e porque estou longe de ser a única, jugo que o primeiro-ministro deve ter algum cuidado com as palavras que usa  e com o  modo como avalia os portugueses.
Porque este discurso levantou muito celeuma , decidi ouvi-lo, na íntegra, na Net. Embora a frase esteja fora do contexto, o conteúdo não foi, a meu ver, adulterado. Por isso mantenho que o primeiro-ministro tem de mostrar pelos portugueses, muito apreço, nomeadamente quando lhe pede sacrifícios que, para muitos, são insuportáveis. E respeitinho, sim, porque o merecemos, mais do que ninguém. 


 Helena Aires Trindade de Sacadura Cabral, , jornalista e escritora, nasceu em Lisboa, onde reside, mas tem raízes na Guarda, por parte de seu pai, Zeferino de Sacadura Freire Cabral, e do Alentejo,  Beja, por lado de sua mãe, Ivone Marinho Aires da Silva Trindade

Sobrinha do comandante e aviador Artur de Sacadura Freire Cabral, do lado paterno. “Recebeu uma educação tradicionalista e prosseguiu estudos universitários, contra a vontade do seu pai. Licenciada em economia pelo Instituito Superor de Ciências Económicas e Financeiras, tendo sido a melhor aluna do seu curso e a primeira mulher portuguesa a ser admitida nos quadros técnicos do Banco de Portugal..   Colunista de diversos jornais e revistas  e da televisão. Autor de duas dezenas de livros, nomeadamente"O amor é difícil", em (2013), "Os nove Magníficos", em (2012), “Coisas que sei... ou julgo saber,” em 2010. “As nove magníficas, em 2008”.  “Porque é que as mulheres gostam dos homens”, em 2007. “Bocados de nós, em 2006;  “Um certo sorriso, em 2005.