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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Solstício do Verão 2019 nos Templos do Sol - Enamorados para toda a vida – Casal de médicos, Manuel Reis e Isolina Gil, comemoraram os seus 40 anos de casados, no altar da Pedra dos Poetas, com um grande abraço e afetuosos beijos, após terem assistido à cerimónia da celebração do dia maior do ano na Pedra do Solstício - Corolário de uma tarde magnífica, brilhante e ensolarada, assinalada por momentos de poesia de vários poetas e música de inspiração celta, por um grupo de gaiteiros de Miranda do Douro – “Mirandum” – Num dos lugares consagrados pelos antiquíssimos povos que aqui viveram, se abrigaram e cultuaram os seus deuses, celebrando os ciclos das estações do ano

Jorge Trabulo Marques  -  Jornalista e investigador - O PROF. MOISÉS ESPÍRITO SANTO, FEZ UM ESTUDO SOBRE A TOPONÍMIA DOS TEMPLOS PRÉ-HISTÓRICOS, NO MONTE DOS TAMBORES, ALDEIA DE CHÃS, QUE AQUI LHE RECORDAMOS NESTE POST -  Temos um video em preparação, para editar neste post, verdadeiramente apoetótico da celebração na Pedra do Solsticio - Não deixe de voltar  -  Além disso, ainda não é  hoje que damos a  nossa reportagem por terminada 



Tal como dizia Platão,  "A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro e, no caso do namoro ou do enamoramento para toda a vida, sim,  o sentimento do amor é ainda mais nobre e mais profundo, pois  tem como suporte valores como a  fidelidade, o espírito de entrega,  de compreensão e de  respeito mútuo, de tolerância, solidariedade, reciprocidade, doação e companheirismo. .




A sociedade de consumo, em que vivemos, mais propriamente subordinada à globalização do monopolismo capitalista, sem ideário, sem fronteiras e apátrida, também apelidada pela era do vazio, cada vez mais destituída de valores sociais, familiares e individuais,  acentuando o culto do egoísmo, da vaidade e da ostentação, em detrimento da solidariedade e de uma verdadeira amizade: 

Sim, aqueles tempo em que o matrimónio  era um compromisso social e religioso para toda a vida, vai sendo cada vez mais raro: hoje em dia, o que está na moda são os divórcios - São as uniões de facto por conveniência e temporárias - No entanto, pese a crescente ausència ainda vai havendo bons exemplos - É o que lhe vimos aqui documentar.

Na postagem que dedicamos à celebração do Solstício do Verão, do passado dia 21,  que decorreu  numa tarde de sol e com belos momentos poéticos e de alegria, no já consagrado e místico lugar do maciço dos Tambores,  prometemos dar mais pormenores, com imagens e videos, logo que nos fosse possivel.

Pois é justamente o que hoje vimos retomar, embora com algum atraso, devido a outros compromissos jornalisticos -  Na verdade,  além de termos contado com a inesperada presença de Isabel Santiago, cidadã santomense,  professora universitária e investigadora na área de saúde de instituições académicas em Portugal, que o Bispo da diocese de STP, Dom Manuel dos Santos, como reconhecimento pelo seu trabalho na mobilização de doações e projetos sociais, designaria como a Embaixadora da Boa Vontade, e a que já nos referimos,   vimos  hoje aqui recordar outra bonita supressa, com que nos congratulamos,  naquele auspicioso fim de tarde do maior dia do ano,

Indubitavemente, Manuel Reis e Isolina Gil, demonstraram-nos configuarem  um magnífico testemunho de amor e de fidelidade, com um caloroso e expressivo abraço de eternos apaixonados,  ante um cenário vasto, místico e mágico, que também os deixou rendidos e maravilhados.
Pois ficamos a saber, que, desde há 40 anos, repartem as suas vidas, vivendo em comunhão, tanto as  adversidades como as  felicidades, as alegrias e apreensões, os vários momentos das suas vidas  – Sim, porque, casar não é só juntar  os pertences, vai muito além disso. “Casar é dividir tudo, construir um novo mundo e continuar amando. É ter responsabilidades, compreensão e união”

«Amar não é apoderar-se egoisticamente. É viver uma atitude de dádiva desinteressada. Amar é também receber. Humildemente, agradecidamente. E isto, às vezes, é mais difícil do que dar. O amor é o intercâmbio de dois seres em tudo. Amar é compreender. Amar é sentir-se responsável pelo outro e conduzi-lo desinteressadamente. É abrir-se ao serviço do outro.» (Ibid.:22-23)”

Namorar, amar, casar, estimar, cuidar, são atitudes e sentimentos que não têm idade e ninguém pode provar que uma amizade, dita tardia, sentida, vivida, oferecida por uma pessoa sénior, seja menos intensa, menos verdadeira e menos sólida do que esse mesmo sentimento, experienciado aos vinte ou trinta anos porque, em boa verdade, há valores, sentimentos e emoções que vivenciados ao longo da vida, poderão ter exuberâncias, causas e consequências diferentes e, cientificamente, parece que ainda não há conclusões sobre qual a faixa etária em que aquelas atitudes e sentimentos são mais autênticos e sólidos”  - http://www.caminha2000.com/jornal/n622/cmd2.html.


GENEROSOS E HUMANISTAS - UNIDOS PELA MESMA PROFISSÃO, AMOROSA E SOLIDÁRIA 

Manuel Reis e de Isolina Castelo Gil, médicos em Castelo Branco,  além de nos terem honrado com a alegria e o prazer da sua  amável presença, quer no cortejo alegórico, envergando as túnicas brancas, com que, desde há vários anos,  evocamos antigas tradições perdidas no tempo, quer  participando na  cerimónia evocativa nos Templos do Sol, pois veja-se qual o espanto que nos estava ainda reservado, justamente na ponta final da leitura de vários poemas no  Altar dos Poetas que é   onde costumamos terminar as celebrações, quer dos equinócios, quer dos solstícios.

Quando menos se esperava, ei-los a revelarem-nos, um segredo que ali ninguém iria imaginar!  O de que, naquele mesmo dia, 21 de Junho de 2019, completavam 40 anos de casados – E, logo de seguida, para surpresa de todos, a  abraçarem-se e beijarem da forma mais expressiva e poeticamente amorosa sobre o circulo da pedra que batizámos por “Altar da Pedra dos Poetas”, em memória do poeta, escritor e jornalista,  Fernando Assis Pacheco ( 01-02-1937- 30.11.1955) que,  ali erguera os braços aos céus e para os vários quadrantes do horizonte, um mês antes da sua morte, acedendo à minha sugestão,  depois de ter visitado esta área, de que se mostrara encantado, no seguimento de uma reportagem, que viera fazer para a revista Visão, a um dos núcleos das gravuras rupestres, em  Foz Côa.



videos que registamos em celebrações anteriores 


 Quando passámos a celebrar os equinócios e os solstícios, no altar  dos calendários aqui existentes, incluímos no programa destas romagens, a leitura de poemas, quer nos junto aos alinhamentos sagrados, quer  na pedra onde, Fernando Assis Pacheco, se despediria para a eternidade  - Tendo começado com a recitação de poemas de sua autoria e na presença da esposa e familiares – A que nos referimos em http://www.vida-e-tempos.com/2008/06/homenagem-ao-poeta-fernando-assis_10.html


Na verdade, foi sobre esta caprichosa pedra, que, o  jornalista e escritor português, um mês antes da sua morte, ali erguera os braços, como expressão da sua alegria a estes sagrados e encantadores lugares, nomeadamente, depois de ter andado anichado no interior da gruta da Pedra da Cabeleira de Nº Sra, que, naquela altura, embora  já classificada pelo investigador e professor,  Adriano Vasco Rodrigues, como local de culto ou de sacrifícios,  ainda se desconhecia de que era também um fantástico calendário pré-histórico.

Ao regressarmos  do  Castro do Curral da Pedra, e, vendo-o no seu rosto, um tal encantamento , sugeri-lhe para erguer os braços numa pedra, em forma de altar que estava ali junto a um dos muros da área castreja. Era Outubro, com o outono, já matizar as folhas de mil aguarelas ou mesmo já a desprende-las – Curiosamente, um mês depois, despedir-se-ia da vida para sempre

 MANUEL DANIEL - ADVOGADO, POETA, ESCRITOR, JONALISTA E DRAMATURGO, ATUALMETE CEGO - No dia em que ali evoucou a memória do poeta Fernando Assis Pacheco  ,


Junho 2008  - Rosa Ruella - Filha  de Fernando Assis Pacheco 
JÁ SE HAVIA POSTO O SOL QUANDO DALI SAÍAMOS - E também já estava a fazer-se demasiado tarde para a longa viagem que tinha pela frente, até Lisboa, com o repóter fotográfico, que o acompanhava- . Ao vê-lo tão feliz , quando descíamos do alto do Castro do Curral da Pedra, onde se avista uma panorâmica, de raro alcance e beleza, e ao passarmos junto a uma pedra que parecia quase um pequeno altar, disse-lhe:

 Olha, Fernando! Já que vais tão contente, sobe para aquela pedra e agradece ali aos deuses que aqui foram adorados, pelos antigos povos; agradece-lhe a tua vinda aqui! E assim fez, irradiando uma enorme alegria, abrindo espontaneamente os braços aos céus, num largo e expressivo sorriso, voltando-se em várias posições para com os quadrantes da Terra e repetindo umas palavrinhas que, em jeito de evocação, eu lhe dissera. A última das quais foi com a mão esquerda estendida ao longo do corpo e a direita apontando para onde se havia posto o sol! – Hoje quando revejo essa imagem só penso numa coisa: que aquela direcção para onde ele então apontava, só poderia estar já a indicar-lhe o caminho da eternidade!... O caminho dos deuses! Como não tinha película na máquina, pedi um rolo emprestado ao José Oliveira. Ele foi ainda mais generoso, registou o momento e deu-me o negativo.




A MORTE UM MÊS DEPOIS - Um mês depois, e justamente quando dali regressava a casa, ao ligar o rádio, qual não é o meu espanto e a minha tristeza quando ouço a notícia da sua morte, que o surpreendeu com uma mão cheia de livros à saída da livraria Bucholz, em Lisboa.

Foi a 30 de Novembro, aos 58 anos .No dia seguinte dirigi-me à mesma pedra e, com ajuda de um pequeno cinzel, fixei, dentro de um pequeno triângulo, as iniciais do seu nome, como singela homenagem à sua memória. Depois disso, já por lá passei muitas vezes, e, sempre que por ali passo, não deixo de o imaginar lá, com a mesma postura e expressando aquele seu largo sorriso aberto, que, aliás, lhe era tão familiar e que os seus entes queridos e muitos amigos, dificilmente esquecerão.



Imagem de José Oliveira -Fotógrafo da Visão - a Fernando Assis Pacheco

.Olá Fernando! ainda te vejo
Ali a sorrir e abrir os teus braços!


Na verdade, sempre que por ali vagueio,
por aqueles ermos lugares da minha aldeia,
não deixo de me lembrar de ti,
como se estivesse
ainda a ver-te abrir os braços aos céus,
coroados por aquele teu largo sorriso,
que te era tão pessoal, tão genuíno e tão teu!

Olhando à volta, ainda lá vejo recortado
o teu vulto, como que projectado
na linha do sol posto,
recortado com um perfil humano
por todo o espaço!


Vejo-te ainda com uma das mãos,
estendida ao longo do corpo
e, com a outra, apontada ao crepúsculo
com aquele olhar compenetrado,
como se quisesses descortinar
o que haveria para lá da mancha doirada
e rosácea, que se estendia acima do horizonte,
ao longo da extensa cordilheira dos montes,
e no sentido de sul para norte,
muito para lá do vale e da sinuosa linha,
onde o sol, momentos antes, se havia despedido
daquele nostálgico fim de tarde outonal.
Ao qual tu agora te rendias, plantado
no centro daquela pedra,
num gesto tão aberto, num esgar
tão vigoroso e arrebatado!…
- Oh ímpetos incontrolados da alma!
Oh misteriosos delírios de luz!
Oh trágicos prenúncios, inesperados símbolos da vida! –
Não era quereres respirar a pureza daqueles largos ares
ou sentires a emoção da plenitude da sua beleza
- oh misteriosas alturas! - mas tocares,
bem de perto, com o teu peito, o teu coração
e as tuas mãos, os místicos confins do Cosmos,
as maravilhas, os enigmas do Infinito!













CONTRIBUTO CIENTÍFICO DE MOISÉS ESPÍRITO SANTO -  UM DOS MAIS PRESTIGIADOS ESPECIALISTAS DE TOPONÍMIA E DA SOCIOLOGIA DAS RELIGIÕES - QUE VEM AO ENCONTRO DAS NOSSAS PESQUISAS, JUNTO DE ESTUDIOSOS DE VÁRIOS SABERES,  ASSOCIANDO  NOMES SOLARES À TOPONÍMIA DOS TEMPLOS PRÉ-HISTÓRICOS, NO MONTE DOS TAMBORES, ALDEIA DE CHÃS -  A que já nos referimos neste site, http://www.vida-e-tempos.com/2009/03/estudo-inedito-do-prof-moises-espirito.html

Visitei o monte dos Tambores para observar o calendário rupestre e dei particular atenção aos nomes dos sítios e das pedras que constituíram o calendário. Vou interpretá-los neste artigo.

O que vou expor não consta nos livros de História de Portugal onde notamos uma crassa ignorância e uma verdadeira fobia quanto à cultura dos nossos antepassados lusitanos Os historiadores e arqueólogos procuram fazer-nos crer que os lusitanos eram uma horde de selvagens, atrasados e ignorantes, quando foram o povo que «durante mais tempo se opôs aos romanos», segundo Estrabão Quer dizer, a resistência dos lusitanos aos romanos durou 200 anos Porquê são assim ignorados pelos historiadores os nossos antepassados? Porque eram libertários e ciosos da sua independência e cultura, e porque se opuseram aos colonizadores Leite de Vasconcelos ousa até dizer que «os lusitanos esqueceram a sua língua; para a descobrir seria necessário consultar a esfinge» Nós diríamos o seguinte: para que um povo esquecesse a sua língua materna em favor da do colonizador, seria necessário que quatro gerações, dos bisavôs aos bisnetos, durante cem anos, se calassem, não falassem entre si, nem uma palavra, enquanto não aprendessem correctamente a língua do colonizador

Em qualquer cultura, qualquer aprendiz de investigador pode descobrir a língua que precedeu a actual. O método para isso consiste, entre outros, na interpretação da toponímia, da gíria popular e das expressões codificadas do linguarejar quotidiano como, por exemplo, «morar em cascos de rolha» (muito longe), «andar à paz de pílula» (estar sem dinheiro), «Está de ananazes» (um tempo muito quente), etc. que constam em dicionários especializados. Só os historiadores, arqueólogos e etnólogos portugueses tradicionais se recusam a esse trabalho, por razões ideológicas, para desvalorizar a cultura vencida.

Por este método, demonstra-se que os lusitanos, antes da introdução do latim/português, falaram a língua dos fenícios ou cartagineses (ou púnicos) que era uma mistura de dialectos ou de línguas com origem nas regiões donde provieram os chamados «fenícios» que, depois, se chamaram cartagineses ou púnicos e que dominaram a Península Ibérica durante, pelo menos, 500 anos (até à vitória do Império romano com o assassinato de Viriato, no ano 140 a.C.). Essas línguas ou dialectos eram: o cananita da Costa Fenícia, o hebraico (em que foi escrito o Antigo Testamento), o acádico, o assírio e o aramaico, falados nas regiões donde provieram os fenícios/cartagineses; essas regiões iam da actual Palestina até aos rios Tigre e Eufrates e ao País dos Hititas (actual Turquia). A antiga língua pode ter ficado por «decalque fonético» ou corrupção de línguas. Os antigos vocábulos adaptaram-se, foneticamente, a palavras da língua actual. Vejamos então os nomes dos sítios em questão..
Tambores
Tom Graves - Autor do Livro Acumpultura da Terra
É nome do monte onde encontramos o calendário rupestre. Tambores é uma corrupção fonética do vocábulo cananita e hebraico tabor que, literalmente, significa «umbigo» e, metaforicamente, «centro da terra, parte mais elevada da terra, umbigo da terra», quer dizer, um monte sagrado. Jerusalém é classificada de «umbigo da Terra» (Ezequiel 38:12). Também existiu na Palestina (antiga Fenícia) um monte Tabor onde o Antigo Testamento (Juizes, 9:38, Deuteronómio 33:19) situa um santuário hebraico e sobre o qual Jesus se transfigurou perante alguns discípulos (Mateus 17:1-9). O monte dos Tambores, em Foz-Coa, foi um santuário lusitano/fenício ao Sol, como vamos ver..

Astrónomo Máimo Ferreira
É nome do monte onde encontramos o calendário rupestre. Tambores é uma corrupção fonética do vocábulo cananita e hebraico tabor que, literalmente, significa «umbigo» e, metaforicamente, «centro da terra, parte mais elevada da terra, umbigo da terra», quer dizer, um monte sagrado. Jerusalém é classificada de «umbigo da Terra» (Ezequiel 38:12). Também existiu na Palestina (antiga Fenícia) um monte Tabor onde o Antigo Testamento (Juizes, 9:38, Deuteronómio 33:19) situa um santuário hebraico e sobre o qual Jesus se transfigurou perante alguns discípulos (Mateus 17:1-9). O monte dos Tambores, em Foz-Coa, foi um santuário lusitano/fenício ao Sol, como vamos ver..

Pedra da Cabeleira.

É o nome da pedra grande através de cuja fenda se vê o sol nascer nos equinócios. Excluímos a lenda da «cabeleira que Nossa Senhora aí deixou»  por ser uma adaptação recente do nome original à religião católica popular. Como a fenda da pedra serve para ver, nos equinócios, o nascer do sol, Cabeleira é uma corrupção de qabal awra [lê-se: cabalaura] em que qabal (do acádico) significa «no meio, mediano, posição ao meio», e awra (do cananita e hebraico) «aurora, nascer do sol». Portanto qabal awra significou literalmente «posição ao meio do nascer do sol»,

São Caetano
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Nome do padroeiro da freguesia de Chãs à qual pertence o monte dos Tambores. Porquê, neste sítio rupestre, São Caetano que foi um italiano, fundador duma ordem de cónegos regulares (chamados Teatinos) no séc. XV, de teologia e de moral rigoristas? Caetano, aqui, é a corrupção fonética de qat annu (do acádico e assírio) em que qat significa «poder, potência, ter mão em» e annu «tempo (atmosférico)». Portanto qat annu [lê-se catano] significou «potência, o que tem mão no tempo (atmosférico)». No contexto da religião dos fenícios e cartagineses, a potência que «tem mão sobre o tempo atmosférico» é a divindade Sol, celebrada nos equinócios e nos solstícios. Ainda é possível encontrar na palavra «Santo, São» (Caetano) o vocábulo cananita shnt «excelso, sublime». Portanto shent qat annu [xent catannu] «excelsa potência do tempo», isto é, o Sol. Eis a razão do São Caetano neste monte do calendário solar.

A palavra annu (tempo atmosférico) também se encontra no provérbio beirão «Está de ananazes» (está um tempo muito quente) que deriva de: annu ana azh [lê-se anuanaáze] e que significou «o tempo até queima» (ana: «até», azh: «queima»).
Já a expressão «É do Catano» (coisa admirável, bem feita, bem encontrada) procede do cananita qatanu «fino, afiado, bem feito»..

Chãs
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Aldeia de Chãs é o nome da povoação que tem por patrono São Caetano e onde se situa o monte dos Tambores A priori, Chãs é um topónimo muito vulgar que, do latim, significa «planuras», «aldeia das planuras». Ora, não é o caso porque o sítio é uma serra. Chãs procede do acádico shamsh [lê-se xâmexe] que significa exactamente «sol», o astro e a divindade «sol». Também significa simplesmente «relógio de sol».

Côa
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É o nome do rio e que deu o da vila, sede do concelho. Aqui, temos qwh [lê-se côa] que significa «esperar atentamente», «esperar de emboscada». As altas margens do rio seriam sítios de caça, por emboscada. Perseguiam-se os animais dos campos cimeiros e eles caíam no precipício onde eram apanhados, tal como, até recentemente, se caçavam os lobos no Minho: escorraçados de todos os lados, nos cimos e nas encostas, os lobos precipitavam-se nos precipícios onde eram mortos (caça ao fojo).
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São estas as significações dos nomes dos sítios em questão (só não posso dizer em que época da História foram instalados). Podíamos desenvolver muitos outros estudos como este, na concelho de Foz Coa e nos concelhos vizinhos, para valorizar o património local#
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Moisés Espírito Santo,
Professor Catedrático da Universidade Nova de Lisboa,
Sociólogo e Etnólogo.
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Referências: Dicionário Fenício-Português, Contendo as Línguas ou Dialectos Falados pelos Fenícios e Cartagineses (Cananita, Acadiano, Assírio, Aramaico e Hebraico Bíblico), por Moisés Espírito Santo. Edição do Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões da Universidade Nova de Lisboa, 1993.
Dicionário Biblico Hebraico-Português, por Luis Alonso Schokel, Edições Paulus (São Paulo, Brasil, 1994).

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