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domingo, 11 de agosto de 2019

O Prof António Marcos Galopim de Carvalho , está de parabéns – Festejou hoje, os seus 88 anos , rodeado da esposa, filhos e netos - Nasceu em Évora, no dia 11 de Agosto de 1931


Hoje é um dia muito especial na vida do Prof. Galopim de Carvalho    - Além de ter postado, na sua página do Facebbok, um interessante texto, do qual tomámos a liberdade de aqui  o transcrever,  também postou algumas fotografias da sua casa de campo no Alentejo e rodeado da sua família mais próxima e num ambiente de alegria e fraternal convivio
CAMINHADA QUE JÁ VAI SENDO LONGA

Todos os dias me confronto com a disparidade entre o longo caminho que já percorri, com as inerentes limitações e mazelas do corpo, e a juventude, e, por vezes, o adolescente e a criança que nunca deixei de manter e ser. Já o disse aqui que, como agora, sentado frente ao monitor, a ver as ideias transformadas em palavras e frases escritas (em Arial 14), não tenho corpo, nem coronárias entupidas pelo colesterol, nem as sequelas de dois AVCs, nem o neurinoma, nem acentuada deficiência auditiva.

Decorridos  mais de setenta anos sobre a minha vivência alentejana, transporto comigo marcas indeléveis desta região do país. O seu montado de azinho e sobro e as suas planuras de searas ondulantes, ainda verdes em começos de Maio e já a dourar sob o calor de Junho, simbolizam a paisagem que, como é natural, mais se identifica comigo.
Esta paisagem faz-me regressar às raízes e nelas está, ainda, a casinha isolada, a que chamamos monte, no cimo de uma ondulação do terreno, branca de cal, com cunhais e ombreiras azul-cobalto e uma grande chaminé fumegante. Lá dentro, como na casa da minha avó, em que fui criança, está o lume de chão e os enchidos ao fumeiro. Nessas raízes estão ainda os cheiros e os sabores das ervas aromáticas, os saberes, os falares e os cantares locais. Tantas marcas do Alentejo reflectiram-se nos meus gostos pessoais e profissionais. Os vários livros de ficção e de memórias que escrevi são disso testemunho, do mesmo modo que o são a maioria dos trabalhos que realizei como geólogo.
Tudo começou como adolescente curioso de saber, mais amante dos trabalhos que se faziam na cidade e nos campos, do que da instituição escolar de então, que eu achava desinteressante e rígida. Foi no meio rural que despertei para a divulgação científica, um gosto que me ficou e desenvolvi a par de uma vivência, igualmente gratificante, de ensino e de investigação científica na Universidade. Sendo um fruto da cidade, sempre me senti melhor no mundo rural.
Esta inclinação foi, simultaneamente, causa e consequência de um campismo meio selvagem que pratiquei nessa fase da minha vida, na companhia do meu irmão Mário e de alguns amigos, um campismo ao encontro das herdades, dos montes e das aldeias do concelho de Évora e, também, das suas gentes. Ao gosto pelo campo, em geral, e pela geologia (uma vocação que, cedo, se despertou em mim, devida a um professor de Ciência Naturais) em particular, juntava-se o do convívio com os camponeses. Com alguns deles troquei os ensinamentos dos meus manuais de estudo com os seus saberes fruto da experiência vivida na natureza e com eles iniciei uma vivência social e política, impensável no meio citadino, a todos os níveis vigiado e censurado, que marcou a minha maneira de estar e ver o mundo.
Ao memorizar essa fase da minha vida sou levado a concluir que foi também com os camponeses que desenvolvi e amadureci este gosto pelo campo, essencial à profissão de geólogo. Com eles e por eles tomei o gosto de divulgar uma actividade que, como disse, marcou toda a minha existência, e que, sem me ter dado conta, acabou por me tornar figura pública, com as vantagens e os inconvenientes que tal acarreta.

Nas minhas raízes não houve doutores, engenheiros, almirantes ou generais, nem sequer, um sargento. Houve um segundo grumete ao serviço da fragata Dom Fernando II e Glória, que foi o meu pai, uma costureira, que foi a minha mãe, e gente do povo de muitas artes: dois corticeiros, um sapateiro, um curtidor de peles, dois caiadores, um capador, um açougueiro, sem esquecer a minha tia Rosalina, irmã da minha avó materna, que, com as filhas, fazia queijos de ovelha e tinha uma venda de hortaliças, e o meu tio Zézinho, seu marido, conhecido por Zé dos Cabanejos, pelo facto de fazer cestos e canastras ou cabanejos. De toda esta família, só o meu pai estudou, tendo concluído o 5º ano do liceu, o que lhe valeu um emprego mais estimado, permitindo-lhe, em conjunto com a minha mãe, dar aos seis filhos as habilitações a que cada um aspirou.

Não como turista, mas como profissional, tive oportunidade de fazer algumas deslocações pelo mundo. Mais do que as cidades, atraíram--me os espaços naturais, longe do betão e do asfalto. Foi assim que admirei o Grand Canyon do Colorado, onde tive a percepção da imensidade do tempo geológico, que estive no bordo da grande Cratera do Meteoro e que visitei o Monument Valley, no Arizona, onde voltei a “ver” o Tom Mix, o Buck Jones e o Ken Maynard, os cowboys do Far West, da minha infância. Percorri as planuras entre-montanhas do Oeste Americano, os seus desertos e lagos salgados. No Canadá deslumbrei-me com a miríade de lagos deixados no recuo da última grande glaciação, com o maravilhoso polícromo das suas florestas caducifólias, no Outono, e com as chamadas bad lands de Alberta, autênticos ninhos de fósseis de dinossáurios. No mar azul das Caraíbas, nos recifes e nas areias brancas dos seus fundos e das suas praias vi, no terreno, como se formam os calcários, os de hoje e os do passado com milhões de anos de idade. No Egipto pisei o deserto de areia norte africano, na sua ponta mais oriental, em franco contraste com o verdejante vale do Nilo. Da Amazónia ficaram-me os aromas quentes e húmidos da floresta sempre chuvosa, a luz coada pela densidade da vegetação e o som dos animais que a povoam. Sobrevoei os Himalaias, molhei os pés nas águas barrentas do mar da China e desci ao fundo de uma cratera de vulcão nos Açores.

Neste percorrer de uma longa caminhada, para além da infância, da adolescência e do tempo que cumpri como miliciano ao serviço do Exército, dou particular atenção às experiências vividas e presenciadas e às reflexões que muitas delas me suscitaram como docente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, como director do Museu Nacional de História Natural da mesma Universidade e, ao mesmo tempo, como cidadão interventor, sobretudo, na árdua defesa e valorização da geologia e do nosso património natural, numa sociedade cinzenta, à procura de um caminho que ainda não soube encontrar, onde o conhecimento geológico continua arredado dos nossos agentes de cultura e da grande maioria dos nossos decisores aos vários níveis da administração e dos serviços. - Extraído de  https://www.facebook.com/Prof.Galopim

"Agora só leio e só escrevo" - Declarou-me há cinco anos numa interessante entrevista que honrosamente nos concedeu -   “Como sou um grande surdo, passo o tempo em casa a escrever"  -  "Evolução do Pensamento Geológico"a sua mais recente obra

Dizia eu num poste, que lhe dediquei, "que na vida há um tempo para tudo e agora a vida do investigador Galopim de Carvalho,  professor jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é quase  conventual. 

Passa o tempo, em sua casa, dedicado à escrita. “Evolução do Pensamento Geológico, é o seu 15º livro pela  Âncora Editora. A obra, que foi apresentada pelo Prof. Doutor José Barata-Moura, no passado dia  25 de setembro, na Sala de Conferências da Reitoria da Universidade de Lisboa e tem a chancela da Ãcora Editora, pretende ser um  tributo, aos que, "desde a Antiguidade, pedra sobre pedra, ergueram o maravilhoso edifício que alberga as ciências da Terra. O facto de a esmagadora maioria das personalidades lembradas nesta obra serem homens deve-se unicamente à condição de inferioridade imposta no passado às mulheres, a quem o ensino era praticamente vedado, à semelhança do que estamos a assistir em sociedades do presente por fundamentalistas islâmicos. Com estas lamentáveis excepções, o Séc. XX acabou com essa indignidade e assim, são muitas as mulheres, hoje tantas ou mais do que os homens, que ocupam os bancos e a cátedras das universidades e participam, a todos os níveis, na investigação científica e tecnológica.

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista



A ECRITA COMO ÚNICO OFÍCIO 
Os autores da escrita que alicerçam os seus conhecimentos no saber profundo, preferem o isolamento à vida mundana – Procedem tal como os monges nos seus retiros espirituais, contemplativos e intelectuais. Assim fez o poeta Sebastião da Gama, ao isolar-se, nos últimos anos da sua vida, na Serra da Arrábida. José Mattoso, historiador medievista e professor universitário, recordo-me, que, quando o  prémio Fernando Pessoa, lhe foi atribuído, é justamente num remoto casebre - creio que algures no Minho - que o foram encontrar. Ele que, durante vinte anos foi monge da Ordem de São Bento, vivendo na Abadia de Singeverga, e usando o nome de Frei José de Santa Escolástica Mattoso”, não consegue dispensar o isolamento. .Algures na serra da Arrábida onde,  também, se refugiou Pedro Tamen, poeta, tradutor, antigo administrador da Fundação Gulbenkian .

Com Galopim de Carvalho, quase se passa a mesma coisa. Não pocura o isolamento no silêncio de uma serra mas  encontra-o na intimidade de  sua casa, na companhia de sua esposa e dos seus livros. 

Entrevistámo-lo por ocasião da Feira do Livro em Lisboa, junto ao pavilhão da âncora Editora, numa sessão de autógrafos – Em cima de mesa, entre vários títulos, as “Conversas com os Reis de Portugal Histórias da Terra e dos Homens" - Obra que lhe levou três anos a escrever e que  pretende “ensinar geologia aos professores de história e ensinar história de Portugal aos professores de geologia” procurando combinar a História de Portugal com as Ciências da Terra, ensaiando percorrer um novo caminho na ligação entre as humanidades e as ciências, recheado de animadas conversas com os Reis de Portugal. Indicado para profissionais, ensaiando percorrer um novo caminho na ligação entre as humanidades e as ciências.

Também nós quisemos aproveitar uns breves momentos de diálogo, com um prestigiado cientista e um amável e excelente   comunicador,  uma personalidade simples mas fascinante. Depois de nos ter falado do livro que a editora se preparava para lançar, numa das semanas seguintes, mas que, só agora, nos finais de Setembro, veio à estampa, foi-nos dizendo que, já não faz investigação no terreno mas lê muito e escreve muito. Além dos livros que publica, vai publicando muitos textos e crónicas na imprensa ou em blogues.

Como sou um grande surdo, não convivo socialmente nada, passo muito tempo em casa, e, estar em casa, estou a escrever. Habituei-me a convier comigo próprio. Esta situação propicia, facilita a interiorização, só leio e só escrevo; faço muitas crónicas"


UMA VIDA DEDICADA À INVESTIGAÇÃO, À DOCÊNCIA E À ESCRITA


O  Professor Galopim de Carvalho é um dos nomes grandes da divulgação da ciência em Portugal. Mais do que ninguém foi responsável pela promoção das Ciências da Terra entre nós, através de uma uma acção incansável ao longo de décadas que passou pelas suas aulas e pela sua investigação na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, pelos seus livros (ainda recentemente publicou um muito útil Dicionário de Geologia), pelas suas palestras de divulgação por todo o país e no mundo, pelo seu diligente trabalho à frente do Museu Nacional de História Natural (onde esteve durante mais de dez anos) e noutros locais (ainda há pouco abriu em Viseu o Museu do Quartzo, em larga medida da sua inspiração), e pelas suas sábias intervenções na imprensa escrita, na Internet, na rádio e na televisão. PREFÁCIO A "CONVERSAS COM OS REIS DE PORTUGAL"

Galopim de CarvalhoProfessor Jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, autor de várias obras de geologia, entre outras,  possuidor de um currículo vastíssimo,  conhecido em Portugal como "o avô dos dinossauros" por ter sido o responsável pela organização da exposição sobre dinossauros-robôs que, em 1992, levou à Rua Politécnica mais de três centenas e meia de milhares  visitantes e pela sua denodada defesa das pegadas dos dinossauros de Carenque, às portas de Lisboa, Mas também por ser o fundador da Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis.. 

 Dirigiu inúmeros projectos de investigação, de que são exemplo a "Paleontologia dos vertebrados fósseis do Jurássico superior da Lourinhã e Pombal" e "Icnofósseis de dinossáurios do Jurássico e do Cretácico Português". Dirige e integra diversos organismos nacionais e internacionais, nomeadamente a comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO. Foi colaborador dos Serviços Geológicos de Portugal e trabalhou no Centro de Estudos Geográficos, do Instituto de Geografia da Faculdade de Letras de Lisboa e no Centro de Estudos Ambientais.


Foi consultor científico da RTP para as séries televisivas de divulgação científica na área das Ciências da Terra. Participou e dirigiu várias exposições. Contudo, devido ao enorme impacto causado, sobressai a famosa "Dinossáurios regressam a Lisboa", que contou com 347 000 visitantes em apenas 11 semanas.

Em 1993, foi agraciado com o grau de Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada e foi distinguido pela Casa da Imprensa com o prémio "Bordalo" para a Ciência, em 1994.  – FonteGalopim de Carvalho – Wikipédia


No dia 14 de Janeiro de 2013, “O Comité Português para o Programa Internacional de, homenageou-o  pelo seu grande contributo para o conhecimento das Geociências, enquanto professor da Universidade de Lisboa, e na divulgação e promoção das Geociências, em particular do património geológico, junto da sociedade”, explica Artur Abreu Sá, presidente do Comité Nacional para o Programa Internacional de Geociências. Tributo a AM Galopim de Carvalho - Faculdade de Ciência

EXCERTOS DO ÚLTIMO LIVRO: "EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO GEOLÓGICO"

A chamada Antiguidade Clássica refere um longo período da História da Europa, com especial incidência na metade oriental do Mediterrâneo, entre o surgimento da poesia grega de Homero [1], no século VIII a.C., e a queda do Império Romano do Ocidente, na segunda metade do século V d.C., durante o qual as antigas civilizações grega e romana, para além de outros aspectos relevantes, abriram as portas ao conhecimento científico, entre o qual se encontra o que conduziu à geologia.. 1. evolução do pensamento geológico no contexto filosóf
Situada entre aproximadamente os séculos V e XV, a Idade Média foi um tempo de alastramento do cristianismo e da vida cultural na Europa ocidental, sobretudo através do surgimento de mosteiros da Ordem dos Beneditinos. - 2. evolução do pensamento geológico no contexto filosófic



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