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sábado, 4 de julho de 2020

São Tomé – A ilha de nome santo – Há 50 anos ergui ali a bandeira portuguesa para saudar os destemidos navegadores que ali aportaram, em 21 de Dezembro de 1470, vai para 550 anos, quase no fim do ano em curso


JORGE TRABULO MARQUES 
21  Dezembro 1970
Nestes dias de alguma incerteza e depressão, faz bem recuar no tempo e viver épicas memórias  - No dia 21 de Dezembro, vão completar-se 550 anos que, João de Santarém e Pero Escobar,  desembarcaram em São Tomé - Eu estive lá, há 50 anos,  no Padrão a homenagear os nossos destemidos navegadores

Dois meses  depois, partiria  numa minúscula piroga, ligando duas ilhas – Era 1ª das minhas aventuras marítimas - 3 dias  - Na 2ª noite adormeci e voltou-se  - Como prémio, oito dias nos calabouços da PIDE-DGS e uns valentes sopapos  -   

No reinado de D. Afonso V (1469-1481),   vinte e oito anos antes de Vasco da Gama, navegar ao longo de toda a África ocidental, contornar  o Cabo da Boa Esperança e a alcançar o caminho marítimo para a Índia, foi consolidada a presença de navegadores portugueses no golfo da Guiné,
Outubro de 2014
Fernão Gomes ganhou um contrato para que descobrisse terras a sul da Serra Leoa, e, nesse entretempo, os navegadores portugueses foram descobrindo todas as ilhas que ali se erguem das profundidades oceânicas.  que haveriam de percorrer – admite-se -  pelas suas naus mais de vezes as dimensões de norte a sul de Portugal
Não é consensual a data da descoberta da Ilha de São Tomé, pois há historiadores que admitem que tenha sido descoberta em 1471 por Vasconcelos no dia de S. Tomás6. Mas há outras versões sendo a mais usual a de que estas “ilhas que estavam desabitadas até 1470, foram descobertas pelos navegadores portugueses João de Santarém, Pedro Escobar e João de Paiva. Esses três navegadores, parece que descobriram em 21 de Dezembro de 1470 a ilha de S. Tomé e em 1 de Janeiro de 1471 a Ilha de Ano Bom (Pagalu). No regresso descobriram a Ilha de Príncipe a que puseram o nome de S. Antão, talvez a 17 de Janeiro de 1471” – No ano seguinte, o primeiro europeu a alcançar a maior ilha setentrional, é Fernando Pó, atual Ilha de Bioko, então batizada pelo seu nome. Chegou também à foz do rio Wouri a que chamou de Rio dos Camarões que depois deu o nome ao actual estado africano dos Camarões.

"No grandíssimo gôlfão nos metemos,
Deixando a Serra aspérrima Lioa,
Co Cabo a quem das Palmas nome demos.
O grande rio, onde batendo soa
O mar nas praias notas, que ali temos,
Ficou, co a Ilha ilustre, que tomou
O nome dum que o lado a Deus tocou".

Luis de Camões 


Contar-te longamente as perigosas
  Cousas do mar, que os homens não entendem,
   Súbitas trovoadas temerosas,
    Relâmpagos que o ar em fogo acedem,
      Negros chuveiros, noites tenebrosas,
           Bramidos de trovões que o mundo fendem,
                  Não menos é trabalhos que grande erro,
                       Ainda que tivesse a voz de ferro.”

                                      Camões



Contar-te longamente as perigosas
 Cousas do mar, que os homens não entendem,
 Súbitas trovoadas temerosas,
  Relâmpagos que o ar em fogo acedem,
  Negros chuveiros, noites tenebrosas,
  Bramidos de trovões que o mundo fendem,
   Não menos é trabalhos que grande erro,
     Ainda que tivesse a voz de ferro.”

                                      Camões


Depois de ter realizado uma viagem costeira desde a Baía Ana de Chaves (onde se situa a cidade), até à praia onde se encontra o padrão que assinala a chegada dos primeiros navegadores portugueses, precisamente no dia em que se comemoravam os 500 anos da descoberta das ilhas (experiência que serviria também de teste para outras viagens mais arrojadas), parti então para a primeira aventura, que foi a travessia de São Tomé ao Príncipe. Larguei à meia-noite, clandestinamente, pois sabia que, se pedisse autorização, me seria recusada, dada a perigosidade da viagem, levando comigo apenas uma rudimentar bússola para me orientar. Fui preso pela PIDE, por suspeita de me querer ir juntar ao movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, no Gabão, o que não era o caso. Levei três dias e enfrentei dois tornados. À segunda noite adormeci e voltei-me com a canoa em pleno alto mar .Esta era minúscula e vivi um verdadeiro drama para me salvar, debatendo-me como extrema dificuldade no meio do sorvedouro denegrido  das águas. 


Olho à volta e olho para dentro e para fora de mim.
À minha volta é o mar, o eterno mar a bramar!
Para onde me levará a escura noite e a voz do vento?
O meu coração palpita, palpita muito mas não me responde.
Prefere deixar-me mudo, suspenso e angustiado.
Mas, apesar de tudo, no meio do silêncio, sinto
uma luminosa tristeza subindo, subindo  dentro de mim.
Ouço-me, porque, nada digo, nada falo; só me escuto!
Estou comigo intimamente, estreitamente.
Comigo e com este mundo tenebroso e vazio.
Sei que necessito de muito equilíbrio, de muito cuidado
Para não ser apanhado pela vertigem do abismo.
Boiam farrapos de novelos de névoas, de figuras medonhas
que exalam  um aroma intenso, esquisito,  salgado de maresia.
Vindo das profundezas ou do largo, da negra vastidão!
Que, de tão húmido, tão condensado me asfixia,
Entorpece-me, corta-me e afoga a respiração!
Na verdade, tudo parece dissolver-me, desintegrar-me, ~
num autêntico dilúvio de poeira e som.

Respiro fundo, como se quisesse aspirar  
todo o mundo e extrair do ar
uma outra vida que não à que me prendo
e a que me ligo neste vasto mar
bravio e selvagem e a que não me rendo!

Enquanto o mar cresce, não para de crescer .
Cresce o mar e cresce o vento,
E cresce também o meu desejo de viver
Cresce  um tempo trazido de um tempo de desolação!
De violentas vozes, violentos uivos e gritos de cólera e destruição!

Em resumo, direi que sou autor de várias travessias em pequenas pirogas primitivas, nos mares do Golfo da Guiné, por força de muitos treinos, sempre que me era possível, de praia em praia, nas frágeis canoas dos corajosos pescadores de São Tomé, aos quais desejo aqui expressar um abraço de reconhecimento e de admiração, não apenas pela dureza e risco das suas vidas, em que se expõem, sempre que partem para o mar, como também pelos ensinamentos que me prestaram, já que foram eles os meus melhor mestres.

Depois de me sentir suficientemente preparado, que simplesmente empreender as habituais saídas de canoa, na praia Maria Emília ou ir até à Fortaleza S. Jerónimo, na piroga que ali comprara a um velho pescador por 200$00, decidi fazer um teste um pouco mais ousado, indo de canoa desde a Baía Ana de Chaves até à praia de Anambô. Este é o local onde se encontra o padrão que assinala a chegada dos primeiros navegadores portugueses, justamente no ano em que se realizavam as comemorações do V centenário do seu desembarque, em destemidas e frágeis caravelas, filhos de um pequeno país, mas que, graças à sua notável valentia, à grande gesta destes e de outros navegadores portugueses, haveriam de mudar a história e a geografia do mundo, em admiráveis epopeias marítimas, cantadas nos épicos versos de Luís de Camões, corajosas façanhas que muito admiro, contrariamente a vários aspetos da colonização, cuja dura realidade também a senti no corpo e no espírito. A viagem de ida e volta, foi bem sucedida, não me oferecendo grandes dificuldades, concluindo que estava habilitado a outros desafios mais arriscados.

Um mês depois, aí estava eu, tal como aqueles intrépidos navegadores, e à semelhança dos arrojados pescadores destas maravilhosas ilhas, quando o tornado os arrasta para o desconhecido, a desafiar a vastidão do mar, num simples madeiro de ocá escavado.

Larguei à meia-noite, clandestinamente, pois sabia que se pedisse autorização,  esta me seria recusada, dada a perigosidade da viagem, levando comigo apenas uma rudimentar bússola para me orientar. No regresso de avião a São Tomé, fui preso pela PIDE, por suspeita de me querer ir juntar ao movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, no Gabão, o que não era o caso. Levei três dias e enfrentei dois tornados. À segunda noite adormeci e voltei-me com a canoa em pleno alto mar. Esta era minúscula e vivi um verdadeiro drama para me salvar, debatendo-me como extrema dificuldade no meio do sorvedouro denegrido das águas.


Cinco anos depois, numa piroga um pouco maior, fiz a ligação de São Tomé à Nigéria. Uma vez mais parti sem dar a conhecer os meus propósitos, ao começo da noite, servindo-me apenas de uma simples bússola. Ao cabo de 13 dias chegava a uma praia ao sul deste país africano, tendo sido detido durante 17 dias por suspeita de espionagem, após o que fui repatriado para Portugal. Os jornais nigerianos destacaram em primeira página o feito.

Os objetivos destas travessias visavam demonstrar a possibilidade de antigos povos africanos terem povoado as ilhas, situadas no Golfo da Guiné, muito antes dos outros navegadores ali terem chegado, contrariamente ao que defendem as teses coloniais, que dizem que as ilhas estavam completamente desabitadas. E a verdade é que, entretanto, já foram encontradas antigas cartas em arquivos, com nomes árabes que testemunham esses contactos. Contributos esses que, de modo algum, poderão pôr em causa o mérito dos ousados feitos dos navegadores portugueses.

Regressado a São Tomé, ainda no mesmo ano, e já com São Tomé e Príncipe independente, tentei empreender a travessia ao Brasil, com o propósito de reforçar a minha tese, evocar a rota da escravatura através da grande corrente equatorial e contribuir para a moralização de futuros náufragos, à semelhança de Alan Bombard. 

Segundo este investigador e navegador solitário, a maioria das vítimas morre por inação, mais por perda de confiança e desespero, do que propriamente por falta de recursos, que o próprio mar pode oferecer. Era justamente o que eu também pretendia demonstrar. Navegando num meio tão primitivo e precário, levando apenas alimentos para uma parte do percurso e servindo-me, unicamente, de uma simples bússola, sem qualquer meio de comunicar com o exterior, tinha, pois, como intenção, colocar-me nas mesmas condições que muitos milhares de seres humanos que, todos os anos, ficam completamente desprotegidos e entregues a si próprios. Porém, quis o destino que fosse mesmo esta a situação que acabasse por viver. 

A canoa foi carregada num pesqueiro americano para ser largada, na corrente equatorial, um pouco a sul de Ano Bom. Porém, à chegada a esta ilha, o comandante propôs-me abandonar a canoa e ficar a trabalhar a bordo, alegando que a mesma estorvava e que a aventura era muito arriscada. Na impossibilidade de ser levado para a dita corrente, decidi-me pelo regresso a São Tomé para tentar a viagem noutra oportunidade. Foi então que uma violenta tempestade me surpreendeu em plena noite, tendo perdido a maior parte dos víveres, os remos e outros apetrechos. Ao sabor das vagas, num simples madeiro escavado, é difícil imaginar pior situação. Mesmo assim, com a canoa completamente desgovernada, não cruzei os braços e nunca me dei por vencido. Peguei num dos mastros e coloquei-o de través para garantir algum equilíbrio. Um dos bidões foi amarrado a uma corda e largado para servir de âncora flutuante. No dia seguinte improvisei um remo com um dos barrotes do estrado da canoa e pedaços da cobertura, a fim de conseguir dar alguma orientação. Mas de pouco me haveria de valer face à fúria dos constantes tornados. Como bóia de salvação utilizei o resto do estrado e adaptei-lhe um pequeno colchão de ar; frágil recurso para forças tão descomunais!



Foram momentos de extrema aflição, que me pareceram verdadeiras eternidades, durante 38 longos e difíceis dias, 24 dos quais a beber água do mar e das chuvas, e duas semanas sem alimentos que não fosse algum peixe que ia apanhando (e quando acontecia) ou ave que, entretanto, pousando, sacrificava. Enfrentando tempestades, sucessivas, incluindo ataques de tubarões. Ainda cheguei a pescar alguns de pequeno porte, enquanto tive anzóis. Mas, até estes, mais tarde, me haveriam de faltar.




Lisboa ao fim da tarde e principio da noite tem outro encanto com a despedida da magia solar a espelhar-se com os seus tons dourados do arco universal no mais belo estuário do Mundo -




Quando a concavidade da infinita abóbada celestial
se abre como dádiva aureolada a coroar de paz a Terra!
Numa iluminação nostálgica insuflada de suave doçura!
E, num deslumbramento súbito dos deuses longínquos
como se todo o mundo fosse restituído à essência do verbo inicial



sexta-feira, 3 de julho de 2020

Margarida Tengarrinha, 92 anos - Um exemplo de resistência de ideal e de vida – Autora do livro !Memórias de uma Falsificadora» - Com o substituo « A luta na clandestinidade pela Liberdade em Portugal» - Além de outras obras dos seus 20 anos de resistente antifascista. .


JORGE TRABULO MARQUES - Jornalista - 

Margarida Tengarrinha, 92 anos -   Um exemplo de resistência de ideal e de vida –  Autora do livro «Memórias de uma Falsificadora» - Com o substitulo « A luta na clandestinidade pela Liberdade em Portugal»  - Além de outras obras dos seus 20 anos de resistente antifascista. .

O livro da professora Margarida Tengarrinha, foi  lançado, há dois anos no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa - Encontramo-la na Feira do Livro de Lisboa, o ano passado, no stand das Edições Colibri, responsável pela edição.  com a  qual tivemos oportunidade  ter  um breve mas muito expressivo e algre  diálogo, que hoje temos muito gosto de aqui divulgar .  

Fez 92 no dia 7 de Maio – Algarvia de gema, natural de Portimão, uma figura de destaque, entre as mulheres que se baterem pela luta contra o fascismo.




Recorda ter sido uma boa falsificadora na clandestinidade para falsificar documentos  para os seus camaradas do partido poderem passar pelas malhas da PIDE sem serem reconhecidos, identificando-os com nomes diferentes dos que tinham, inclusivamente a do  próprio Álvaro Cunhal, que  também chegou a ter uma outra identidade aquando   da fuga  de Peniche

Apesar de ter sido autora 4   livros, diz que não é escritora: escrevo memórias – Sim, nomeadamente  dos 20 anos em que militou na clandestinidade, depois de ter sido expulsa da ESBAL, em meados de 1952, proibida de frequentar todas as Faculdades do país,  impedida de lecionar na Escola Preparatória Paula Vicente, onde era professora, pela sua ativa participação na luta pela Paz

Em 1955 passou à militância clandestina do PCP com o seu companheiro, o pintor  José Dias Coelho, brutalmente  assassinado a tiro pela PIDE em 19 de dezembro de  de 1961.

De 1962 a 1968 trabalhou com Álvaro Cunhal e depois como redatora da Rádio Portugal Livre.
Depois do 25 de Abril foi membro do Comité Central do PCP e deputada do PCP pelo Algarve.
Em 2016 recebeu o Prémio Maria Veleda da Direção Regional de Cultura do Algarve.
Continua a ser Professora
de História de Arte na Universidade Sénior de Portimão, pinta, é um elemento activo no Grupo de Amigos do Museu",

"Retalhos da vida de uma menina burguesa"     
Diz o PÚBLICO, , que “Margarida Tengarrinha foi uma das “meninas burguesas” do seu tempo que deixou o Algarve para prosseguir os estudos em Lisboa, onde encontrou outros jovens algarvios. De entre os elementos do seu grupo de amigos de infância, conta-se o ex-cônsul do Reino Unido na região, José Manuel Teixeira Gomes Pearce de Azevedo, já falecido, neto do antigo Presidente da Republica, Teixeira Gomes. “As famílias burguesas foram todas estudar para Lisboa”, recorda. Dessa época, destaca ainda Estela Avelar, médica, de 93 anos, também ainda no activo nas Termas das Caldas de Monchique

O pai da pintora, José Manuel Tengarrinha, exerceu o cargo de gerente do Banco de Portugal em Portimão. O avô Tengarrinha, de Loulé, foi construtor civil. “Foi ele que abriu a antiga estrada do Algarve para Lisboa, passando pelo Barranco do Velho [serra do Caldeirão]”, recorda. Prosseguindo na viagem às recordações da meninice, lembra-se, durante a 2.ª Guerra Mundial, de ver os batelões carregados de cortiça ou latas de conserva para os “barcos alemães atracados ao largo de Portimão”. O Algarve nessa altura, evoca, vivia um período de prosperidade. As exportações com os negócios da guerra fizeram fortunas. Na fábrica de conservas Feu & Hermanos (actual Museu de Portimão), exemplifica, quem controlava a produção era um alemão. “O senhor Dirks estava cá para garantir a exportação e eu era amiga da filha, Ilse Dirks”. Quando frequentava a casa da família germânica, nada lhe parecia estranho. “Não sabia o que era aquilo que ensinavam às crianças, a saudação Nazi, pois, tinha seis ou sete anos”.

O início da actividade política organizada dá-se em 1948, quando passa a integrar o MUD Juvenil na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL).

A partir dos anos 1960 surge o turismo e o Algarve entra numa nova época. Com o fim da guerra, as conservas que alimentavam as tropas e a cortiça que era usada no isolamento térmico dos tanques, particularmente na frente oriental de combate, perdem valor de mercado. Os empresários mudam de ramo. “Os donos das fábricas de conservas entraram na indústria do imobiliário”. Surgem então as torres da praia da Rocha, Armação de Pêra e noutros sítios ao longo da costa.

A história da economia da região é familiar a Margarida Tengarrinha, não apenas pela experiência vivida, mas também pelo trabalho desenvolvido nesta área enquanto membro da direcção regional do PCP. “Já em Moscovo, estava habituada a interpretar números e gráficos quando trabalhava de perto com o Álvaro [Cunhal]”, explica.


terça-feira, 30 de junho de 2020

86º Aniversário da Associação dos Bombeiros Voluntários de V.N. de Foz Côa, " de uma forma simplificada"sem o convívio tradicional mas com a bela prenda de duas viaturas, abençoadas junto à igreja matriz e a tomada de um novo Comandante, que já conhece aos cantos da casa e promete, com "os meus heróis" servir a população - "se alguém nos chamar,no minuto seguinte estamos a caminho"

JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA 








UM DIA DE ANIVERSÁRIO PRESENTEADO COM DUAS NOVAS VIATURAS – Benzidas junto à igreja matriz e no largo da Praça do Município, pelo Reverendo Padre Diogo,vno   final da missa em ação de graças pela alma dos bombeiros e dirigentes, já falecidos e  como apelo de proteção aos  que continuam a  sacrificar as suas vidas pela comunidade.



"Meus senhores: Os Bombeiros de Foz Côa e Associação têm lá dois nomes; Humanitária e Voluntário : Voluntário é uma parte que nos cabe a nós com muito prejuízo das nossas famílias. A humanitária cabe-nos a todos; portanto estamos cá pela população! E não  por coisas pessoais, nem por traquinices  nem por novelas mexicanas.  Nós estamos aqui para a população. E a população são os nossos filhos, são as nossas mães! São os nossos pais e os nossos avós. 
Espero que isso fique bem claro:  quando alguém precisar do corpo de bombeiros, de minha parte, no minuto a seguir estaremos a caminho"

Nuno Figueirinha, com a esposa e os filhos que sempre estiveram ao seu lado
Palavras Nuno Lima Figueirinha,  que ascende às funções de novo comandante, proferidas  no ato da sua tomada de posse, que decorreu no salão nobre do aquartelamento,  esperando que,  nesta associação, "uma vez por todas, todos  possamos  remar para o mesmo caminho"

Sublinhando: - "Vamos pensar no futuro: o passado passou: eu como comandante dos bombeiros estou aqui para satisfazer os meus homens e para os defender. E  o que é que eu preciso;  formação, equipamento  e disciplina", aproveitando igualmente para lhe agradecer  aos soldados da corporação, o empenho e a  sua dedicação, assim como ao Presidente da Associação, António Lourenço, do qual nunca lhe faltou o apoio que necessitou, bem como a confiança garantida pelo Presidente Soterro Ferreira e às demais entidades.


86   ANOS DE  EXISTÊNCIA, DE CORAGEM E DE SACRIFÍCIO EM PROL DA COMUNIDADE  - Esta  é a bonita idade  e  o belo  exemplo da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de V. N. de Foz Côa, cujo aniversário foi comemorado,  neste último domingo, num misto de determinação e   religiosidade  - E também com a satisfação do dever  cumprido - Pois estiveram no topo, no distrito da Guarda, a  nível dos transportes de assistência a pessoas com o  Covid-19,  sendo distinguidos com a medalha de prata.
    
Comemoração aniversariante, sem o tradicional  convívio e alegria de anos anteriores,  “De uma forma simplificada, mas significativa"  (e até emocionada nalguns momentos) "sem a presença de familiares ou outras entidades que é costume convidar, condicionados pelo COVID-19” – Disse  António Pimentel Lourenço, Presidente da Direção desta humanitária associação, no discurso proferido no salão nobre, na cerimónia que ali decorreu e que contou ainda com as presenças do Presidente Assembleia Geral da Associação Dr. Sotero Ferreira. Comandante Distrital das Operações de Socorro, Dr. António Fonseca. dos Vereadores da Câmara Municipal. Dr. João Paulo Sousa; Fernando Fachada e do Presidente da. Junta de Freguesia de V N Foz Côa , José Saraiva - -

CERIMÓNIA DA INVESTIDURA DO NOVO COMANDANTE

Abriu a sessão, o  Presidente.  Assembleia Geral da Associação, Dr. Sotero Ferreira, que, depois de agradecer a presença de  todos, anunciou os atos que iam seguir-se, nomeadamente o da posse do novo comandante 

De seguida, usou da palavra , o Presidente da Direcção, António Pimentel Lourenço, que,  começou por agradecer  a presença de todos, dirigentes, bombeiros, Município, Junta Freguesia e Comandante Distrital das Operações de Socorro do Distrito da Guarda.

Depois de aludir  à forma simplificada, mas significativa, sem a presença de familiares ou entidades que é costume convidar, condicionados pelo COVID-19.,  lembrou de seguida, aqueles, que,  na fase incial e no tempo da 2ª Grande Guerra, deram o seu melhor no cumprimento das suas missões, em favor da população do concelho de V N Foz Côa e concelhos vizinhos., após o que enumerou  as dificuldades atuais, que são necesárias  para garantir a sustentabilidade da Cooproração, a fim de  poder pagar a tempo e horas os salários aos seus funcionários, pagar os combustíveis, os pneus, os diversos equipamentos, os seguros, manutenção e renovação das diversas viaturas.

Com a COVID-19 as receitas provenientes dos serviços de transporte de doentes, baixaram para menos de metade.
As despesas continuaram a manter-se e com equipamentos de protecção individual, aumentaram e muito.
Resultam portanto novas e acrescidas dificuldades, não sabendo quando poderemos regressar à desejada normalidade.
Para assegurar e garantir o serviço do PEM – Posto de Emergência permanente, durante as 24 horas dos 365 dias do ano, tem sido necessário afetar outras receitas, para cobrir os custos com o serviço de emergência, para além do valor que o INEM nos paga. Poderá estar em causa, por falta de capacidade financeira, o serviço de emergência prestado à população.

Daí resulta que, para além do subsídio recebido da ANEPC, é necessário que outras entidades, nomeadamente o Município devam estar sensíveis a estas realidades e possam ajudar financeiramente esta Associação Humanitária, para que a protecção e o socorro não faltem à nossa população, cada vez mais envelhecida.
Continuamos a necessitar que outros jovens se decidam fazer a necessária formação e virem a ser bombeiros e se juntem aos que já fazem parte do nosso Corpo de Bombeiros.
Uma palavra aos nossos bombeiros assalariados e aos voluntários, que ao longo do ano deram o seu melhor.

As viaturas têm desgaste e é necessário substitui-las. Não havendo disponibilidade da Associação para comprar uma nova VLCI – viatura ligeira de combate a incêndios, foi possível adquirir à AHBV de Trancoso, com a ajuda do Município, uma viatura usada, com capacidade de 1.500 litros de água, que não possuíamos e que vamos logo, no final da missa, na Praça do Município, benzê-la. Também será benzida uma viatura que há muito fora cedida pelo Município e também comparticipou nos custos da sua adaptação, para uso do Comando, nas diversas missões.2 - Estas algumas das suas palavras que antecederam a tomada de posse  novo Comandante do CB . Nuno Lima Figueirinha, que vinha desempenhando o cargo de 2º Comandante. 


Comandante Distrital das Operações de Socorro  -   Dr. António Fonseca -  Teceu calorosos elogios a Nuno Figueirinha 

Depois de frisar  que a sua presença se deve, sobretudo,  à tomada de posse de um novo comandante, dado não participar em eventos deste género, pelas circunstâncias de todos conhecidas, começou por referir que o ato teve  também um simbolismo muito importante, atendendo ao facto do  comando  Distrital das Operações de Socorro, estar prestes  a iniciar  a fase de maior empenhamento de combate aos incêndios incêndios rurais,  que vai de 1 de Julho a 30 de Setembro,


Respondendo às  questões, que foram colocadas pelo Presidente desta Associação,  no capitulo das verbas, começou por serenar as suas preocupações,  frisando que, embora  a emergência médica não esteja no âmbito da ANPC,  também não estarão em causa os apoios necessários,  pelo facto  desta Associação, ter no corpo de bombeiros, uma equipa de intervenção permanente, bem como um conjunto muito vasto de intervenções de serviços, cuja prestação de verbas está garantida.
Falou ainda da importâncias  das parcerias  estabelecidas a nível  local entre as associações e as câmaras municipais, frisando que são parceiros fundamentais, independentemente de quem está   ou não à frente das mesmas, porque, as instituições, permanecem, fazem parte da memória coletiva  - Tendo manifestado o seu agrado de, estar ultrapassada a fase que gerou alguma conflitualidade, entre o Município e esta Associação,  após o que teceu elogiosas referências ao novo comandante Nuno Lima Figueirinha

FOI APENAS UM ARRUFO DE NAMORADOS, ENTRE A DIREÇÃO DOS BOMBEIROS E A PRESIDÊNCIA DA CÂMARA  -   Foi o que deu a entender o 
Vereador  da Câmara Municipal   Dr. João Paulo Sousa   

Começou por recordar o passado da Associação e o seus valores na defesa da comunidade foscoense e do concelho, enaltecendo igualmente as qualidades e os valores humanistas do novo comandante, pessoa que conhece desde há muItos anos,   confiante de que  desempenhará cabalmente o seu papel
Pegando depois na “questão da sensibilidade”, referida pelo António Lourenço, lembrou que, entre “marido e mulher”, quando há um arrufo de namorados, que a culpa não é apenas de um deles, frisando haver culpas de ambas as partes, mas não apenas das famílias  que os compõem, ou seja, querendo com isto dizer que a conhecida crispação, entre as presidências das duas instituições,  resultou também por via de influências das várias sensibilidades na mesma área politica, mesmo assim, destacando que o município sempre teve a preocupação de que nada faltasse aos bombeiros, Apontando o exemplo da inauguração das duas viaturas, uma das quais totalmente comparticipada pelo município e a outra em 50%. 

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Dia de São Pedro - Santo popular em São Tomé - Como eu o testemunhei há 50 anos

JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA  - E antigo correspondente da revista angolana, Semana Ilustrada  – Na Baía Ana de Chaves, a celebração a São Pedro, decorre em 31 de Janeiro, junto à pequena ermida,  sendo considerada a primeira grande festa do ano - Além de São Tomé, que deu o nome à Ilha, é o santo mais popular no arquipélago 

Hoje é o dia de São Pedro, natural de  Betsaida, na Galileia, o pescador., que se transformou em discípulo de  Jesus em Betânia, através de seu irmão André.
De seu  nome original era Simão, mas Jesus lhe chamou de Cefas (Rocha, do grego Petros), cuja tradução é Pedro, e o instituiu como líder da Igreja: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16:18).
A tradição bíblica católica considera São Pedro como o primeiro Papa. O martírio de São Pedro ocorreu em Roma, sendo crucificado de cabeça para baixo na Colina Vaticana, provavelmente no ano de 64 d.C. https://www.calendarr.com/portugal/dia-de-sao-pedro/
A DEVOÇÃO A SÃO PEDRO, EM SÃO TOMÉ  QUE EU TESTEMUNHEI
Escrevia eu na Revista Semana Ilustrada, de Luanda, da qual era seu corespondente, que   " devoção  a São Pedro, está  há muito  enraizada  no povo de S, Tomé  Mas, é principalmente nas vilas ou povoações ribeirinhas que a crença a este santo popular assume  maior 'fervor e religiosidade

Sendo,  São. Pedro o padroeiro  dos Pescadores, é pois natural  que, numa Ilha como a de  São  Tomé, onde o mar está ligado a grande parte da população,  aqui o popular santo se venere com certo ardor· e singularidade. E é realmente o que acontece. Sobretudo, na povoação do Pantufo, a escassos quilómetros  da cidade de S, Tomé, que as festividades a S, Pedro.,  assumem características muito especiais  - Mais imagens e pormenores à frente 

A FESTA  DE SAO PEDRO, EM SÃO TOMÉ - TEM UM CALENDÁRIO DIFERENTE -  NA BAÍA ANA DE CHAVES - Realiza-se a 31 de Janeiro,  festa de São Pedro - É a primeira grande festa do ano
A celebração ao   padroeiro dos pescadores da Baía Ana de Chaves,  junto à sua ermida na Baía Ana de Chaves,  é  considerada a primeira grande festa do novo ano, com uma moldura humana de milhares de pessoas, que se concentram junto ao local onde se ergue uma capelinha em honra do dito santo popular e se estende ao longo da avenida marginal, na praia de S- Pedro, com gente vinda de todos os pontos da cidade da ilha e da cidade, mas especialmente dos bairros circundantes,   Budo-Budo, São João Davargem, Ponte Graça, Potó-Potó, Atrás do Cemitério, Oquei-Del-Rei - Três dias de arromba, com música a rodos dos conjuntos típicos da terra ou apresentada por discotecas móveis, onde os DJ, dão largas à sua agilidade e imaginação, com os sons mais mexidos e frenéticos das últimas novidades
A DEVOÇÃO A SÃO PEDRO, EM SÃO TOMÉ  QUE EU TESTEMUNHEI
Dizia eu:  "Vale pois a pena ir a esta festa. Já nos tinham dito que era, de facto, acontecimento digno de ser apreciado. Mas, sinceramente, tudo o que observámos   transcendeu o que julgávamos ir ver Na verdade as pessoas não se limitam, unicamente, a incorporarem- se na procissão, que, após a 'missa solene em honra a este santo popular , percorre, vagarosamente e com muita pompa  e devoção  nos dois sentidos, a principal artéria da povoação Festejam-no também no mar.

Finda a procissão na rua, outra cerimónia, esta então muito característica, vai começar na praia. É o cortejo das canoas. São os pescadores que, nas suas frágeis  embarcações, coloridamente enfeitadas de andalas e bandeiras, vão levar o seu  São Pedro para o mar. É uma imagem mais pequenina. A outra, a maior, ficará. nó andor, voltada para o mar. Para aquele mesmo mar, onde, diariamente, buscam, com muito suor e sacrifício, e não raras as vezes com risco das próprias vidas, o pão de cada dia, E é aí onde eles  o vão festejar O sacerdote também vai, numa canoa maior e  propositadamente preparada. Leva consigo o santíssimo  sacramento e, entre outras  canoas que em redor  da que o leva voltejam., vai percorrer uma parte daquele  imenso azul ·por onde os bravos homens dos dongos partem diariamente  para às suas  fainas da pesca.


E é entre muita alegria, muito entusiasmo, exteriorizado. através de cânticos e toque de tambores, que podemos admirar tão singular como inédita manifestação  religiosa.
Entretanto, na praia, o espetáculo não é menor. Aí é mais das mulheres dos pescadores e da maior parte de toda aquela gente que vive debruçada sobre aquela praia da simpática  povoação do Pantufo. Enquanto as canoas, lá fora, voltejam  de um:. Ledo para -o outro, quase num verdadeiro malabarismo de equilíbrio, aqui, na praia, as mulheres e raparigas, entram vestidas e calçadas  à água  e dão  largas A sua natural alegria e fé religiosa

Porém, após o regresso do sacerdote do mar, a festa é ainda mais· calorosa e movimentada. Nessa altura,  o entusiasmo  é ainda maior e dura algumas horas. A noite é  um bocado diferente. Têm  os divertimentos  e as exibições de folclore. Há bailes,   ou fundões como são conhecidos, ao sabor dos conjuntos típicos  danço  congo e tbciloli. Em suma, há . a continuação  de uma festa como em todas as festas de carácter  religioso, onde sobressai um bocado de tudo: de significado religioso e sentido pagão.  Mas é sobretudo na sua essência uma verdadeira e demonstração  de aculturação  euro-africana. E, neste caso, de presença lusa. Vale pois a pena, por tudo isto; pelo seu tipicismo e peculiaridade, observar de perto  meie esta singular tradição  da boa gente de São Tomé.