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quarta-feira, 25 de março de 2020

Cónego José da Silva – Deixou-nos à seis anos O sacerdote humanista, que respondia sempre a todos com um sorriso e uma palavra amiga – Estava previsto homenageá-lo, com a sua presença no solstício do Verão, 2014 , na Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora – Agora passamos recordar a sua memória.








Nasceu em   Penude em 13-02-1927, faleceu em 24 de Março de 2014, tendo sido sepultado, no dia seguinte, 25 de Março desse mesmo ano,  no cemitério da sua terra natal, com a presença do Bispo de Lamego e de vários sacerdotes, tendo-se associado, ao cortejo fúnebre centenas de pessoas, muitas das quais ido diretamente  da sua última paróquia.

Eram cinco horas da tarde, do dia 24, esperava-se que o Cónego José se deslocasse, como habitualmente, à redação do jornal OFOZCOENSE, de que era seu dedicado e dinâmico diretor.  Estranhando-se a sua ausência e, não atendendo o telemóvel,  nem abrindo a porta, foram encontra-lo  caído junto à sua cama. Depois do almoço, era costume ir descansar um pouco, porém, desta vez o coração traiu-o, estava inanimado e com sinais de vida. Levado para o hospital da cidade da Guarda, pelo helicóptero do INEM, já não foi possível a sua recuperação. Tendo falecido às 4 da manhã do dia 24 de Abril. 
















Segundo soubemos através do Dr. Manuel Daniel, grande amigo do Cónego José,  “O funeral teve início na Igreja Matriz de Foz Côa, seguindo o féretro para Penude, em cuja Matriz se celebrou Missa sob a presidência do Sr. Bispo de Lamego, D. António Rocha Couto.

A população de Foz Côa, freguesias e terras vizinhas, de vários concelhos, estiveram presentes, acompanhando-o uma grande parte da verdadeira multidão até ao cemitério da sua terra natal - Penude". – Pois não há ninguém, nem na sede do concelho, nem nas freguesias, que não tivesse pelo cónego José e pelo seu sacerdócio, uma profunda amizade e simpatia e sinta a mágoa da sua ausência


Não quis ser outra coisa senão ser Padre e nunca se arrependeu de ter seguido a vida de sacerdote - . “Eu não procurei ser outra coisa. Procurei ser Padre. Procurei cumprir o meu dever. Quando me ordenei, eu tinha um primo, em Barcelos, que era director de um colégio e convidou-me para ir para lá como professor. Eu respondi-lhe: ordenei-me não para ser professor mas para ser padre. Agradeci-lhe por se ter lembrado de mim mas eu nasci para ser padre, não aceitei o convite

E Deus fez-lhe a vontade, durante  mais de seis décadas ao serviço da igreja. Filho  único mas de pais humildes. A mãe queria que ele fosse para o seminário, porém, seu pai, receando ficar sozinho na velhice, chegou a deslocar-se a pé a Lamego para  demovê-lo a voltar para casa. A mãe tinha opinião diferente do marido e ficou contente pela sua determinação.


Uma vida de um longo sacerdócio

Em 1941, após  a 4º classe ingressa no  seminário de Rezende.Três anos depois frequenta o Seminário Maior de Lamego  e é ordenado padre em 1953 – Nesse mesmo ano, em Setembro,  o Bispo destaca-o para uma freguesia da diocese onde se manteve 31 anos e meio. Foi para lá em 6 de Setembro de 53 e saiu em 13 de Março de 85 para pároco das freguesias de Foz Côa e chãs.

Gostava de lá estar. Pois, durante esse tempo estabelecera profundos laços de afeto com os seus paroquianos. Casara pais e filhos. Por isso,  é  com muita pena que vai ter que deixar a paróquia que abraçou mas as ordens superiores são para se cumprir e o cónego José quis ser sempre  obediente ao seu Bispo, respeitador da doutrina da igreja e das  leis eclesiásticas.

- “O que o fez ficar em Foz Côa?”....- perguntei-lhe. " Foi as ordens..... Quando a gente se ordena, promete ao Sr. Bispo obediência. E a coisa que mais me custou na vida, depois da morte dos meus pais, bem entendido, foi  sair de lá …Já estava muito habituado com aquela gente; conhecia pais, conhecia filhos…porque, durante 31 anos e meio, fiz muitos casamentos, conheci os filhos. E casei pais e filhos”.

Custou-lhe muito....Mas não está arrependido de ter vindo para Foz Côa?

- “Não estou arrependido, porque, quando a gente faz aquilo que deve, e, como o padre promete ao Bispo obedecer-lhe, de maneira que eu não podia dizer ao Sr. bispo que não vinha .Portanto, viu que era preciso aqui; vi que era preciso obedecer ao Sr. Bispo e é evidente
- Quantos anos já tem em Foz Côa?
- 28 anos
 - Já está com 86 anos: vai continuar aqui até ao resto da sua vida?
 - E o resto é já, com certeza, muito pequeno. 
Declarou-me, numa breve entrevista, em Agosto  do ano passado, no Café do José Pilério, em mais um dos agradáveis momentos convívio, que   pude estabelecer com um dos sacerdotes mais admirados e respeitados da diocese da Lamego e do Distrito  da Guarda. Naquele dia para lhe comunicar que era desejo  da Comissão Organizadora das Celebrações do Solstício e dos Equinócios, convidá-lo a não ser apenas mero espetador mas a aceitar a ser um dos homenageados que costumámos ali distinguir, ao fim da tarde do dia mais longo do ano. Conversador e simples como era, e também por gostar daquela aldeia e daqueles montes, aceitou honrar-nos mais uma vez com a sua presença, prometendo-nos que, se a saúde não lhe faltasse,  tinha muito gosto em estar presente
.
Mas a vida tem destas coisas: troca-nos a voltas quando menos se espera.

Dois dias antes da sua morte, desloquei-me à redação do OFOZCOENSE para voltar a falar com ele sobre o assunto mas já tinha saído. Estava apenas o Padre Ferraz, a quem  aproveitei para expor a nossa intenção, tendo-nos respondido que achava a ideia interessante.




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